Pergunto a Sua Santidade se este gesto vai ser entendido na sua simplicidade também pelos nossos políticos e governantes para que se restitua a todos os últimos - nós incluídos, os detidos - a dignidade e a esperança que é preciso reconhecer a todos os seres.
Vim sobretudo para mostrar-vos a minha proximidade pessoal e íntima na comunhão com Cristo que vos ama. Mas, certamente esta visita que para vós é pessoal, é também um gesto público que recorda aos nossos cidadãos, ao nosso governo, o facto de que há grandes problemas e dificuldades nas prisões italianas. E, efectivamente, o objectivo destas prisões é o de ajudar a justiça, e a justiça implica como primeiro dado a dignidade humana. Da parte que depende de mim, quero assinalar sempre que é importante que as prisões respondam ao seu objectivo de renovar a dignidade humana e melhorar a sua condição e não de a comprometer. Esperemos que o governo tenha a possibilidade de responder a esta vocação.
Mais do que uma pergunta, prefiro pedir-te que nos deixes agarrar-nos a ti com os nossos sofrimentos e os dos nossos familiares, como a um cabo eléctrico que nos comunica com o nosso Senhor. Gosto muito de ti.
Eu também gosto muito de ti. A identificação do Senhor com os presos interpela-nos profundamente. E eu também tenho de me perguntar: "Cumpri o imperativo do Senhor?" Vim aqui porque sei que em vós me espera o Senhor, que necessitais que se vos reconheça humanamente e que necessitáas a presença do Senhor que no Juizo Final nos pedirá contas disso, por isso espero que estes centros cumpram cada vez mais com o objectivo de ajudar os detidos a reencontrar-se, a reconciliar-se com os outros, com Deus, para incorporar-se de novo à sociedade e ajudar ao progresso da humanidade.
Parece-lhe justo que agora que sou um homem novo e pai de uma menina de poucos meses não me dêem a possibilidade voltar a casa, apesar de ter pago amplamente a minha dívida para com a sociedade?
Antes de mais, parabéns! Fico contente de que se considere um homem novo. Você sabe que para a doutrina da Igreja a família é fundamental e é importante que um pai tenha nos braços a sua filha. Por isso rezo e espero que quanto antes possa recebê-la realmente no seus braços e estar com a sua mulher para construir uma família formosa e contribuir para o futuro de Itália.
Que podem pedir os presos doentes e seropositivos ao Papa? Fala-se muito pouco de nós, e por vezes de uma forma tão feroz que parece que nos querem eliminar da sociedade. Fazem que nos sintamos infrahumanos.
Temos que suportar que alguns falem mal de nós. Também falam mal do Papa e, no entanto, vamos para a frente. Creio que é importante alentar todos para que pensem bem, para que entendam que vocês sofrem, para que compreendam que têm de vos ajudar a levantar-vos. Eu farei todo o possível para convidar a pensar de forma justa - não com desprezo mas com humanidade - que todos podemos cair, mas Deus quer que todos cheguemos a ele, e que podemos cooperar, com espírito de fraternidade e reconhecendo a nossa fragilidade, neste processo para que os que caíram se levantem e prossigam a sua vida com dignidade.
Santidade, ensinaram-me que Nosso Senhor vê e lê dentro dos corações; por isso pergunto: porque é que a absolvição se delega nos sacerdotes? Se eu, sozinho, pedisse de joelhos a absolvição dirigindo-me ao Senhor, seria absolvido?
É preciso dizer 2 coisas. A primeira, naturalmente, se você se ajoelha e com verdadeiro amor de Deus lhe pedir perdão, Deus perdoá-lo-á. Mas há outro elemento: o pecado não é só algo pessoal, individual, entre Deus e eu, o pecado tem sempre uma dimensão horizontal. Por isto esta dimensão social, horizontal, do pecado exige que se absolva também no âmbito da comunidade humana, da comunidade da Igreja, exige o Sacramento. A absolvição do sacerdote, a absolvição sacramental é necessária para absolver-me deste laço com o mal e reintegrar-me na vontade de Deus, dando-me a certeza de que me perdoa e me recebe na comunidade dos seus filhos.
Santo Padre, no mês passado esteve em visita pastoral em África, no pequeno país do Benin, uma das nações mais pobres do mundo. Aí têm esperança e fé em Deus, e morrem no meio da pobreza e da violência. Porque é que Deus não os escuta? Será que ouve só os ricos e os poderosos que, aliás, não têm fé?
A medida de Deus e os seus critérios são diferentes dos nossos. Deus dá a estas pessoas a alegria da sua presença, faz que sintam que está próximo deles, mesmo no sofrimento e na dificuldade e, naturalmente, chama-nos para que façamos o que estiver nas nossas mãos para que saiam das trevas das doenças e da pobreza. Temos de rezar a Deus para que haja justiça, para que todos possam viver na alegria de ser seus filhos.
2 + 1 viva o Papa!:
Estas perguntas e respostas comovem qualquer um. Obrigado por as teres posto aqui João. Ainda não tinha conseguido ler, apesar de ter procurado durante algum tempo na internet. Um abraço
De nada, caríssimo. Ainda tenho aqui mais uns truques na manga. Abraços
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