sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Santa Maria e São José: modelo para os casais de hoje

Vamos directos ao assunto: pode-se afirmar que Santa Maria, a mãe de Jesus, teve relações sexuais com São José, seu esposo? A resposta é negativa. Com efeito, a Igreja sempre ensinou que Maria permaneceu virgem antes, durante e depois do parto de seu único filho, Jesus de Nazaré. Jamais houve comércio sexual entre os cônjuges da sagrada família! 

Sem embargo, conforme explicou Ratzinger, “(...) a doutrina do ser divino de Jesus não sofreria nenhuma restrição, se Jesus fosse o fruto de um casamento humano convencional, porque a filiação divina, que é objecto da fé cristã, não é um facto biológico mas sim ontológico.” (Introdução ao Cristianismo). Em que consistia a intimidade conjugal de Maria e José? É e não é difícil dizê-lo. Comecemos pelo “não é”. Certamente, como em muitos matrimónios, Maria e José nutriam entre si um amor esponsal imenso, expresso assim na caridade como em permutas afectivas honestas, para empregar as palavras dos especialistas em teologia moral. Por outro lado, é difícil delinear o pano de fundo dessas santíssimas interações entre a mãe e o pai adoptivo de Jesus, pois não dispomos de elementos, quer escriturísticos quer oriundos da sagrada tradição.

Numa sociedade que supervaloriza o sexo, soa um tanto quanto incongruente  propor os sagrados cônjuges como modelo de casal. Afinal de contas, há quem diga, inclusivé no CPM, que o sexo é 70% responsável pelo sucesso do casamento. No entanto, com arrimo na fé, a sagrada família é um paradigma lucipotente e insuperável dos comportamentos maduros e amorosos a serem concretizados entre esposos e filhos.

Conclui-se, portanto, que o mais importante no casamento é o amor, e não o sexo. A fé dos cônjuges, também é relevante. Bento XVI, aproveitando o Ano da Fé sublinhou a relevância decisiva da virtude teologal da fé por parte dos casados: “Cerrar-se a Deus ou rechaçar a dimensão sagrada da união conjugal e do seu valor na ordem da graça tornam árdua a vivência concreta do altíssimo modelo de matrimónio concebido pela Igreja, segundo o plano de Deus.” (Discurso aos auditores da Rota Romana, 26/1/2013).

Verificamos, então, que é na sagrada família, uma célula social do passado distante, prenhe de amor e de fé, que os casais católicos têm de buscar inspiração para a vivência concreta do seu respectivo conúbio, embora, conforme escrevemos acima, haja parcos dados a propósito do convívio histórico entre Maria e José. Neste momento, socorre-nos a meta-história, vez que Maria Santíssima, qual arquétipo perfeito de mãe e de esposa, do Céu assiste qualquer casal que a ela recorre, que lhe pede para rogar a Jesus, o único dador das graças, por luzes e forças para a vida a dois.
       
Não resta dúvida de que o Rosário ou Terço, uma oração cristológica caríssima a Nossa Senhora, é um meio exímio para os casais contemporâneos implementarem no seu casamento específico a essência do que constituiu o matrimónio terrestre entre Maria e José.

Edson Sampel in Zenit


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