segunda-feira, 25 de março de 2013

As sondagens e o Papa Francisco - Pe. Gonçalo Portocarrero

A eleição do Papa Francisco surpreendeu todo o mundo, porque os meios de comunicação social tinham insistido em muitos nomes, mas não no do cardeal Jorge Mario Bergoglio, embora tivesse sido, segundo rumores, o prelado mais votado no conclave anterior, depois do então eleito Bento XVI. Mais uma vez se cumpriu o adágio: quem entra papa no conclave, sai cardeal!

A falta de pontaria da imprensa mundial tem antecedentes bíblicos. São Mateus refere uma sondagem à opinião pública feita pelo próprio Cristo: “Jesus interrogou os seus discípulos dizendo: ‘Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?’ Eles responderam: ‘Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas.’” As respostas foram, certamente, muito amáveis … mas todas erradas! Os que dizem que a Igreja deve ouvir mais o mundo talvez possam tirar daqui alguma lição…
Alguém, contudo, acertou em cheio. Foi Simão: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” Uma tal confissão era então um delito, punido com a pena máxima. Foi por ter dito que era o Filho de Deus que Jesus foi condenado à morte pelo Sinédrio.

A reacção de Cristo à afirmação de Simão não se fez esperar: “Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos céus.” Jesus felicita o discípulo, mas faz-lhe saber que o acerto não se deveu à sua intuição ou inteligência, mas a um especial dom de Deus. Portanto, não é “a carne e o sangue” - leia-se a idade, a saúde, a proveniência, etc. - que interessam quando se trata de escolher um sucessor de Pedro.

É neste contexto que Jesus estabelece o primado eclesial e o outorga a Simão e aos seus sucessores, até ao fim dos tempos: “Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” A Igreja assim edificada não é, como recentemente recordou Bento XVI, a nossa igreja, nem a igreja do passado, do futuro ou do nosso tempo, mas a Igreja que é de Cristo, a única que é infalível - graça essa que dois mil anos de história confirmam, não obstante as insídias dos inimigos externos e as suas fraquezas internas.

É certo que a bimilenar história eclesial não ignora alguns papas que foram pessoalmente indignos. Mas mesmo esses prestaram um relevante serviço à Igreja: que homens bons façam o bem, é natural; mas que homens perversos nunca tenham desmentido a fé, que as suas vidas contudo contratestemunhavam, só pode ser muito sobrenatural!

Se, depois da ascensão de Cristo, a imprensa tivesse vaticinado quem deveria ser o primeiro Papa, seguramente teria escolhido João, que era jovem, o discípulo predilecto do Mestre, o único que assistiu à sua morte na cruz e a quem Jesus entregou a sua Mãe. Como segunda hipótese, talvez Tiago, irmão de João e, como ele, testemunha qualificada da transfiguração e de alguns dos principais milagres do Senhor. Ou o outro Tiago, primo do Senhor. Ou ainda André, seguidor de Cristo, depois de o ter sido do Baptista. Mas nunca Simão, que por três vezes negou o Mestre, a quem Jesus publicamente chamou Satanás e que, portanto, não era, de forma alguma, papável. No entanto, foi ele o escolhido, o único Papa eleito directamente pelo Senhor! E se, como Simão, tinha sido fraco e pecador, como Pedro foi um grande Papa, um grande santo e um grande mártir.

Viva Sua Santidade o Papa Francisco!


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