sábado, 31 de maio de 2014

Querem-nos casar à força!

Hesitei bastante em escrever este texto, porque para escrever um texto legível (ou seja, não muito extenso), serei, necessariamente, redutor.

Hesitei bastante em ceder a este assunto, mas tal como o Papa disse “considero o celibato um dom enorme dado à Igreja”.

No entanto, querem-nos casar à força!

Graças a Deus, a hipótese que se pode vir a pôr em cima da mesa é a de aceitar homens casados para a Ordenação e não o que muitos pensam (e até, sei lá porquê, queriam!) de permitir que os Padres se casem.

Também eu desejei casar e ter filhos. Mas Deus concedeu-me este dom que é o celibato. Insisto: é um DOM. O celibato não é fruto de um esforço inumano, desumano ou super-humano. É um dom de Deus a acolher, a cuidar e a rezar!

A Igreja (especialmente a latina) ao longo dos tempos tem percebido que este dom é de grande ajuda para que os seus Padres sejam mais claramente sinal da realidade do Céu, para a qual todos somos chamados a caminhar. Mas se se perde o horizonte, perde-se a razão. Se o Padre deixa de ser sinal da vida futura e é apenas uma profissão como qualquer outra neste mundo, então porque não podem ser casados? A pergunta é claramente pertinente.


Com a contínua perda do conceito sagrado de vocação (de modo especial da vocação sacerdotal), perdeu-se a noção do plano de Deus. Hoje tudo se escolhe segundo critérios que, por vezes, de divinos nada têm.

Vivemos um tempo de crise familiar (acima de tudo conjugal), porque se deixou de ver a vida como vocação, o Matrimónio como vocação (e também o Sacerdócio). Vocação entendida como um chamamento de Deus a uma vida de amor que é o seu próprio Amor (Caridade) a caminho do Céu e da plena comunhão na Caridade.

Ao perder-se isto, perde-se noção de toda a vida cristã e, então, já nada nos distingue do resto do mundo. Ao esquecer-se a Caridade (que é o maior fruto do Espírito Santo, e, por isso, sinal de uma vida espiritual incarnada), resta apenas a moralidade, ou, pior, o moralismo.

Com a crise familiar em que estamos e com a crise de espiritualidade que vivemos, será um risco enorme para as pessoas envolvidas (marido, mulher e filhos) e para a Igreja (latina e ocidental) permitir a ordenação a homens casados.

Na experiência recente de conferir o diaconado permanente a homens casados, têm-se assistido a problemas familiares, que seria bom serem bem avaliados antes de se dar esse passo. Infelizmente, não estou a falar de cor!

À imitação de S. Paulo, permiti que fale como um louco ao terminar este texto. Olhando para a realidade da Igreja como está, se eu amasse verdadeiramente a minha hipotética mulher e os meus hipotéticos filhos, nunca pediria o sacerdócio. Coitados deles! O povo de Deus sabe ser cruel. Como seria eu capaz de ouvir falar mal ou ver tratar mal aqueles que amasse assim? Eu nunca seria capaz de deixar que a minha hipotética mulher e os meus hipotéticos filhos fossem sujeitos aos impropérios, calúnias, maledicências a que eu estou sujeito!

Querem-nos casar à força! Mas eu, querendo ser Padre, por força do amor, nunca casaria!

Dominus nos benedicat, et ab omni malo defendat, et ad vitam perducat aeternam. Amen.

Um Padre


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1 comentário:

Anónimo disse...


Não me faz sentido que sejam aceites homens casados para ordenação por múltiplos motivos, creio até que traria muitos problemas à igreja, e também não vejo porque permitir casados mas não casar os ordenados … uma vez que vão exercer a dita “mesma vocação”. Então uns têm vocação para o sacerdócio e outros vocação para o casamento e para o sacerdócio? Isso geraria indisposição em muitos ordenados que gostariam de casar, mas continuar a ser padres, porque os há!

Felizmente que Deus lhe concedeu o Dom do celibato. Mas deve reconhecer que há inúmeros sacerdotes que não possuem o dom da castidade. O Dom tn não me parece ser dado adquirido e efetivo... Ora só há duas escolhas ou saem porque não o possuem, e muitos deles nem ossuem vocação e continuam a exerce-la, ou vivem a vocação e a castidade como podem e sabem.

Os padres já foram casados, e se neste blogue com frequência remontam a referencias dos primórdios porque não se reportam aqui também à altura em que os padre casavam e viviam no plano de Deus? Na bíblia existem várias passagens: “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”.
A questão está em que muitos não se contêm, vemos, ouvimos e fazemos disso experiência… Não possuem esse DOM!!! e assim sendo fazem sim, um esforço inumano, mas poucos porque muitos têm atividade sexual, querer nega-lo é uma verdadeira hipocrisia.

A castidade é boa, o dom é de ajuda, mas é para quem o/a consegue viver de forma saudável consigo e com os demais… e será uma percentagem baixa em relação à totalidade de consagrados.

Por acaso achará o Sr Um Padre, que olhando para os contínuos escândalos sexuais do clero mundial que são um bom exemplo da noção do plano de Deus? O que se perde, reside em grande parte nos maus exemplos

Porque será que os querem casar à força faz uma ideia?


Que frase bonita: “Mas eu, querendo ser Padre, por força do amor, nunca casaria!” é preciso que a viva, não apenas o celibato, mas a castidade, pois celibato sem castidade não é nada.