quinta-feira, 12 de junho de 2014

A canonização de S. Josemaria foi demasiado rápida?

Ainda hoje se ouvem muitas pessoas a dizer que S. Josemaria, fundador do Opus Dei, teve um processo de canonização demasiado rápido e que de certeza que houve coisas por trás, obscuras, que aceleraram o processo. Tais acusações, além de atacar um Santo e toda a sua fundação (a Obra), é também um ataque à Santa Igreja Católica que é, no fundo, quem decide quem vai ou não para os altares.

Felizmente essas acusações não podiam estar mais longe da verdade (e notem que até foram feitos panfletos com acusações).

O que segue é um excerto da biografia de D. Álvaro del Portillo, sucessor de S. Josemaria, que era Prelado da Obra no pico mais alto destas acusações.

Durante os últimos anos não haviam cessado as críticas à beatificação do Fundador: era acusado ele [D. Álvaro]; acusado o Opus Dei; acusada a Santa Sé; o Papa; a Igreja... E todavia, até 1992 poucas terão sido as ‹‹Causas›› mais estudadas e mais documentadas. Os próprios serviços do Opus Dei adiantaram-se a apresentar à Congregação para as Causas dos Santos todas as acusações expressas em livros, folhetos, jornais... Não houve aspecto algum que não fosse analisado; nenhuma questão por esclarecer; e, apesar de tudo, mesmo no interior da Igreja, à falta doutra objecção, havia quem exigisse dilações sem qualquer motivo razoável, excepto a ignorância sobre a simplificação dos processos efectuada por Paulo VI e o desconhecimento dos modernos meios informáticos, que permitiam acelerá-los. Só faltava acusarem o Céu dos milagres reazlidados por interecessão de S. Josemaria! 
Já em 1981 D. Álvaro nos prevenia contra esses possíveis ataques. ‹‹Parecia-lhe natural que os houvesse.››, recorda Salvador Bernal de uma conversa com ele. ‹‹Só se não fizéssemos nada é que o diabo os não promoveria; as dificuldades acabavam por ser o sinal de estarmos no bom caminho: "São como a prova dos noves", acrescentou, em tom de graça. E contou como, por causa da difusão de uns panfletos, certo bispo lhe tinha escrito a dar os parabéns: "- Fizeram-nos o mesmo a nós, Salesianos, quando iniciámos o processo de beatificação de S. João Bosco; lançaram calúnias tremendas contra o santo e contra os seus filhos. Agora que a Santa Sé iniciou o processo de beatificação do Fundador da Obra, dizia este bom bispo, é natural que o diabo se enraiveça. Parabéns!"››
Conversando eu mais tarde com o Cardeal Angelo Felici, o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos - ele próprio também objecto de acusações absurdas -, interrogava-se e admirava-se: mas que mal tinha ele feito se apenas seguira o calendário estabelecido pelo seu antecessor, e respeitara todos os trâmites e todos os prazos previstos na lei canónica? Sim, também ele padeceu as frechadas caluniosas; mas fora bem compensado no dia 17 de Maio, com o extraordinário espectáculo da multidão orante que enchia a Praça de S. Pedro e se estendia a perder de vista pela Via della Conciliazione: ‹‹A santidade de Mons. Escrivá? "Pelos frutos os conhecereis!" Aqui temos uma outra prova eloquente!››, exclamou.
in Hugo de Azevedo, Missão Cumprida, Diel, 2008. 


S. João Paulo II e o Venerável Álvaro del Portillo na altura da Beatificação de S. Josemaria Escrivá



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