terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Santa Missa do Padre Pio

Senhor Padre, ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.

Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.

Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.

Senhor Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.

Senhor Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-los-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor a Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa acompanhar-te-á e será a tua doce inspiração.

Senhor Padre, o que é a sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia isto a chorar.)

O que é que devo procurar na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.

Senhor Padre, diga-me tudo o que sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só o que pode fazê-lo uma criatura humana. E isto apesar de cada uma de minhas faltas e só por Sua bondade.

Senhor Padre, durante o Sacrifício divino o senhor padre carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.

Considera-se a si mesmo um pecador?
Não o sei, mas temo que assim seja.

Eu já o vi a tremer ao subir aos degraus do altar. Porquê? Pelo que tem de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.

Em que momento da Missa é que sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.

Senhor Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, os seus olhos encheram-se de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus!?

Ao ler o Evangelho, porque é que chorou quando leu estas palavras: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue...”
Chora comigo de ternura!

Senhor Padre, porque é que chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós parece-nos que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e O ofendam continuamente com a sua ingratidão e incredulidade.

A Sua Missa, senhor Padre, é um sacrifício cruento?
Herege!

Perdão, senhor Padre, queria dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.

Quem é que lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.

Senhor Padre, porque é que chora no Ofertório?
Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.

Durante a sua Missa, senhor Padre, o povo faz um pouco de barulho...
Se estivesses no Calvário, não ouvirias gritos, blasfêmias, ruídos e ameaças? Havia um alvoroço enorme.

Não o distraem os ruídos?
Em nada.

Senhor Padre, porque é que sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso... (Não quero que me perguntes isso...)

Senhor Padre, diga-me: porque é que sofre tanto na Consagração?
Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.

Senhor Padre, porque é que chora no altar e o que é que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las consigo.
Os segredos do Rei Supremo não se podem revelar nem profanar-se. Perguntas-me porque choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas sim torrentes de lágrimas. Não meditas neste grandioso mistério?

Senhor Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito frequentemente...

Senhor Padre, como é que se pode estar de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.

No altar, o senhor Padre está pregado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?

Como é que o senhor Padre se acha?
Como Jesus no Calvário.

Senhor Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregar os pregos em Jesus?
Evidentemente.

A si também lhos pregam?
E de que maneira!

Também deitam a Cruz no chão para si?
Sim, mas não devemos ter medo.

Senhor Padre, durante a Missa pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.

E a quem é que diz: “Mulher, aí tens o teu filho”?
Digo assim para Ela: “Aqui tens os filhos do Teu Filho”.

Sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.

Em que momento?
Depois da Consagração.

Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.

Diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não encontrei”. Porquê?
Porque os nossos sofrimentos de verdadeiros culpados não são nada em comparação com os de Jesus.

Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.

Os Anjos do Senhor reconfortam-no no Altar em que se imola?
Pois... não o sinto.

Se não lhe vem o consolo até à alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor Padre sofre, como Jesus, o abandono total, a nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosas mulheres aos pés de Jesus agonizante?

O que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.

Quando Jesus vem, visita só a alma?
O ser inteiro.

O que é que Jesus faz na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.

Quando Jesus se une a si na Santa Comunhão, o que é que quer que peçamos a Deus por si?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.

Também sofre na Comunhão?
É o ponto culminante.

Depois da Comunhão, os seus sofrimentos continuam?
Sim, mas são sofrimentos de amor.

A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.

E o senhor Padre para quem olha?
Para os meus irmãos de exílio.

Morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.

É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.

Se morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Porquê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.

Senhor Padre, disse que a vítima morre na Comunhão. A colocam-no  nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.

Senhor Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para o descansar?
Sou eu quem descansa n’Ele!

Quanto ama a Jesus?
O meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho de dizer nada e causa-me pena.

Senhor Padre, porque é que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: “E vimos a sua glória como de Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”?
Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com os seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?

Que união vamos então ter com Jesus?
Eucaristia dá-nos uma idéia.

A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mãe não se interessa pelo seu Filho?

E os Anjos?
Em multidões.

Senhor Padre, quem é que está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.

Gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse, não quereria descer do Altar.

Disseram-me que traz consigo o seu próprio Altar...
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: “Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus”. “Estou cravado com Cristo na Cruz.” “Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão...”

Nesse caso, não me engano quando digo que estou a ver Jesus Crucificado!
(Nenhuma resposta)

Senhor Padre, lembra-se de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.

A Missa do Padre Pio, nos seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Foi sempre um êxtase de amor e de dor. O seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:

Senhor Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
Diz-me, filho.

Queria perguntar-lhe o que é a Missa?
Por que me perguntas isto?

Para ouvi-la melhor, senhor Padre.
Filho, posso dizer-te o que é a minha Missa.

Pois é isso o que eu quero saber, senhor Padre.
Meu filho, estamos na Cruz, e a Missa é uma contínua agonia.

in Tradition Catolica, nº 141, nov. 98 citando "Assim Falou o Padre Pio" (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D. Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza.


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