quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Papa Pio XII salvou mais judeus do que Schindler

Após a abertura ao diálogo cristão-judaico que se intensificou com o papado de Bento XVI, muito se tem discutido a respeito da canonização de Pio XII. Durante décadas o Papa Pacelli foi bastante criticado por grupos judeus e pela imprensa mundial, que o acusaram de omissão frente à grande Shoah (holocausto nazi).

Heroicidade do Papa

O velho ditado popular diz: “só o tempo mostrará a verdade”. E é isso que tem ocorrido com o “Caso Pio XII”. O prestigiado historiador judeu David Dalin, numa entrevista à Zenit afirmou: “Durante o século XX o povo judeu não teve um amigo maior do que Pio XII”, e acrescentou: “Durante a Segunda Guerra Mundial, Pio XII salvou mais vidas judias do que qualquer outra pessoa, inclusive mais que Raoul Wallenberg ou Oscar Schindler”.

Dalin afirma estar interessado na verdade histórica dos factos, embora reconheça que nem todos os jornalistas compartilhem da mesma intenção. O historiador hebreu afirma que tais jornalistas “se inspiraram na obra teatral “O Vigário”, de Rolf Hochhuth, que não tem valor histórico, mas que lança graves acusações contra este Papa”. Acredita que deveriam dar valor a obras mais sérias como a de Pinchas Lapide, que foi cônsul geral de Israel em Milão, e documentou “como Pio XII conseguiu que, pelo menos, 700 mil judeus não caissem nas mãos dos nazis”, afirmou David Dalin.

O que fez Pio XII para ajudar o povo hebreu?

Nessa entrevista, David Dalin disse ainda : “Não ficou em silêncio, falou em alta voz contra Hitler e quase todos viram nele um opositor do regime nazi”. Durante o período em que a Itália foi invadida por tropas nazis, especialmente em Roma, “Pio XII deu secretamente instruções ao clero católico para que salvasse todas as vidas humanas possíveis, com todos os meios. Deste modo, salvou milhares de judeus italianos da deportação”.

Dizem os dados que pelos 3 mil judeus ficaram abrigados na residência papal de Castel Gandolfo. O impacto desta obra realizada a mando de Pio XII é confirmada pelas estatísticas: 80% dos judeus europeus morreram naquele período e, graças à acção do Papa Pacelli, 80% de judeus italianos foram salvos.

Mesmo nas cidades italianas mais pequenas, como Salvaro, cidade norte-italiana à beira do rio Reno, a acção do Santo Padre teve repercussão. O padre Martino Capelli, servo de Deus dos Padres Dehonianos, escondeu da Gestapo muitos judeus; sendo, inclusivamente, fuzilado pelos nazis juntamente com alguns deles.

A questão da suposta omissão de Pio XII

O foco das críticas ao Papa Pio XII está no seu “silêncio mortal”. Sobre isso, o renomado historiador judeu afirmou: “O seu silêncio foi uma eficaz estratégia orientada para proteger o maior número de judeus possível da deportação. Uma denúncia explícita e dura contra os nazis por parte do Papa teria sido um convite à represália e teria piorado a situação dos judeus em toda a Europa”. 

Esta atitude tomada pelo Santo Padre conduz-nos à atitude do bispo de Münster que queria pronunciar-se, em território alemão, de maneira explícita contra perseguição a nazi aos judeus, porém recebeu orientações dos “responsáveis das comunidades judaicas da sua diocese, que lhe suplicaram que não o fizesse, pois provocaria uma repressão mais dura contra eles”, concluiu David Dalin.

in Reparatoris


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