terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Obi-Wan Kenobi e o aborto

Em 1914, Agnes Cuff, uma mulher instável e errática, com poucas perspectivas e pouco dinheiro, ficou grávida. O pai não se quis envolver. Ela estava sozinha, envergonhada, pobre e à espera de bébé.
Nos dias de hoje ela seria encorajada a ir a uma clínica abortiva e terminar a gravidez indesejada. Em vez disso nasceu um rapaz.

O actor inglês Alec Guiness, famoso pelo seu papel de Obi-Wan Kenobi em Star Wars foi o único filho de Anges Cuff. No seu certificado de nascimento o seu nome é "Alec Guiness" mas são apenas os primeiros nomes. O espaço para o apelido está em branco, assim como o espaço para o nome do pai.
Nunca se confirmou quem foi o pai de Guiness. Alguns especularam que ele seria membro de uma família Guiness Anglo-Irlandesa. O próprio Alec Guiness pensou que o seu pai eram um banqueiro chamado Andrew Geddes.

Alec Guiness converteu-se à fé Católica em 1956 e foi um Católico fiel até ao fim da sua vida. A sua bela história de conversão é contada na autobiografia Blessings in Disguise. Ele fazia de Father Brown e estava a filmar em França. No caminho de casa para o local das filmagens, já no fato de sacerdote, um jovem rapaz correu até ele e agarrou-lhe a mão, conversando animadamente cheio de alegria e despedindo-se com uma querida frase "Au revoir mon pere!". Tocado por esta exibição de confiança infantil, e estupefacto por uma resposta à oração, Alec Guiness encontrou a sua casa em Roma.
Se o aborto fosse fácil e legal em Inglaterra em 1914, o mundo nunca teria experimentado a arte graciosa, esperta e subtil e a testemunha quieta e calma de Alec Guiness... e o Star Wars teria sido um enorme vazio.

Tendo em conta que meio milhão de pessoas jovens se juntaram em Washington DC para a Marcha pela Vida deste ano, devíamos lembrar a grande perda que são para a nossa nação e para o mundo todos os homicídios dos não-nascidos.
Nunca saberemos que outros grandes talentos teriam vivido. Que outros Alec Guinesses haveria? Que avanços na ciência, medicina, tecnologia, negócios, nas artes e desporto teriam havido?
A Marcha pela Vida foi um acontecimento de alegria que celebra a vida, mas também há um aspecto melancólico na Marcha. Pode ser uma Marcha pela Vida, mas também foi uma Marcha de mágoa.

Fr. Dwight Longenecker in patheos.com
Bonecos coleccionáveis de Obi-Wan (Ben) Kenobi



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5 comentários:

Hélder Ramos disse...

Casting do Star Wars se a mãe de Alec Guiness tivesse abortado:

Não podemos contratar o Guiness? Como? Nem sequer nasceu? Ah, então nem se faz isto. Contratar outro actor? Mais vale estar quieto e ir marchar pela vida...

Ai, os argumentos demagógicos são tão bonitos...

Hélder Ramos disse...

E se a mãe do senhor Adolfo tivesse decidido abortar? Sempre era menos um holocausto, ou não? Como vê, dá para imaginar mundos melhores das duas maneiras.

Nuno CB disse...

Caro Hélder,

Claramente não é um fã de Star Wars nem de bom cinema.

A verdade é que o actor define a personagem que encarna. Obi-Wan Kenobi nunca teria sido quem é se não fosse Alec Guiness. Talvez tivesse sido outro, mas não este. Talvez tivesse sido tão mau ou talvez até tivesse sido melhor.
A diferença é que a marca deixada por Alec Guiness no cinema só ele é que a podia ter deixado e mais ninguém. E, penso eu, Sir Alec Guiness não foi um actor menor da história do cinema.

A questão é que cada pessoa por si mesma tem uma contribuição a dar. Uma contribuição única que mais ninguém poderá dar. Se não nascer, nunca terá a hipótese de o fazer.

Também é verdade que Guiness podia ter sido um preguiçoso e nem ter aceite o convite para entrar no Star Wars. Ou podia ter ficado a dormir na cama no dia em que ia filmar o Fr. Brown e, portanto, nunca se teria convertido. Felizmente soube seguir o seu caminho. Mas isso é outra questão.

Não duvido que Hitler estivesse feito para coisas boas, que contribuissem para a vida, e não para a morte.

Mas obrigado pelo seu comentário!

NCB

Hélder Ramos disse...

Nuno, não está em causa o valor de Sir Alec Guiness. Está em causa a demagogia do argumento. Então, quer dizer, se uma pessoa que fez coisas boas não tivesse nascido, é mau porque nunca poderia fazer as coisas boas que fez. Mas, se uma pessoa que fez coisas más não tivesse nascido, é mau na mesma porque, apesar de ter feito o mal, seria sempre criado para o bem. Acha que isto faz algum sentido? Ou as coisas que a pessoa fez com a vida que lhe coube servem para o argumento ou não servem.

Antônimo disse...

Tenho impressão que a mãe do Adolfo abortou. Se não tivesse abortado talvez o Adolfo tivesse aprendido com o irmão ou irmã. Foi pena. O exemplo do ben do star wars é muito bom e existe na realidade noutros filmes, tal como na saga 007. Qualquer vida humana que termine antecipadamente é uma pena e isso nota-se mais quando a pessoa faz algo de muito belo como muitos dos gols do Cristiano. Obrigado Dona Dolores!