segunda-feira, 23 de março de 2015

Extraordinariamente comovente: Uma testemunha de conversão

Já alguma vez viram um bonito acto de arrependimento e conversão acontecer diante dos vossos olhos? Todos temos as nossas próprias histórias, claro, mas refiro-me a observar o maravilhoso trabalho da graça noutra pessoa, quer seja de perto ou à distância.

Há uns tempos - alguns anos - reparei um dia na minha paróquia numa jovem senhora sentada ao fundo. Era muito nova, talvez nos seus vinte e poucos anos. Estava sozinha. Estava à espera de bébé, talvez cinco ou seis meses. Eu nunca a tinha visto antes e nós temos uma igreja pequena, por isso reconheço quem a frequenta. Assumi que ela era nova ali e que talvez não fosse crente, porque nunca se levantava para receber a comunhão. Simplesmente ficava lá ao fundo e tentava permanecer discreta e saía sempre da Missa imediatamente, por isso não havia hipótese de falar com ela.

Um dia, talvez cerca de um mês depois de eu ter reparado nela pela primeira vez, eu estava a voltar da comunhão e reparei que ela estava ajoelhada nos genuflectórios e a chorar continuamente - sim, a chorar. A cabeça dela estava no meio das suas mãos, a cara vermelha, as lágrimas a descer pelas suas bochechas abaixo e o corpo dela encolhia-se com os soluços. Eu conhecia aquelas lágrimas - lágrimas de penitência! Oh, quão bonitas são as lágrimas provocadas pela graça de Deus! Eu fiquei profundamente comovido só ao ver aquilo, mas claro, não me queria intrometer, por isso deixei-a sozinha e dei graças a Deus. Um cordeiro estava a ser trazido de volta aos ombros do pastor. Ela tinha encontrado a pérola mais preciosa.

Bem, aquela rapariga regressou semana após semana. Ela continuava a sentar-se ao fundo e ainda não recebia a comunhão. Mas era diferente. Agora havia contentamento na sua cara. Ela estava em paz. Via-a muitas vezes quando regressava da comunhão. Ela estava sempre a rezar fervorosamente, via-se pelo fogo nos seus olhos e os desejos na sua face. Via-a de vez em quando ficar depois da Missa, enquanto dizia olá ao sacerdote e falava com ele, portanto devia ter-se apresentado a ele.

Pouco depois disto começou a receber a Sagrada Comunhão. Nunca vi o nome dela na lista de candidatos ou de catecúmenos e nunca vi ou soube de nenhuma profissão de fé em nenhuma Missa, por isso assumi que ela já fosse Católica. O seu regresso a casa não veio por uma profissão pública da fé mas na calma e silêncio do confessionário.

Os meses passaram. Entretanto chegou o tempo de dar à luz a criança. Agora via-a na Missa com um pequeno bébé. Lembro-me de ficar a rezar depois da Missa um dia e de a ver com o que eu assumi ser a sua família na Igreja, para o baptismo. Nunca tinha visto nenhum deles antes e, francamente, alguns deles pareciam um pouco desconfortáveis por estar ali. Com eles estava um homem todo mal arranjado que aparentemente era o pai do bébé. Ele parecia… bem, vamos apenas dizer que claramente ele não estava seguro da coisa do Catolicismo. Não quero ir demasiado longe a julgar e tirar conclusões com base apenas no seu comportamento, mas parecia óbvio que o pai estava lá porque a rapariga queria e não porque ele percebesse o que era o baptismo. Talvez estivesse enganado, mas costumo ser um bom leitor da linguagem corporal. Isto era tudo o que eu conseguia perceber e portanto saí da igreja para que pudessem ter o seu baptismo em privado.

O bébé foi baptizado. Com o passar dos meses, reparei no homem a vir à Missa ocasionalmente com a rapariga. Ele ainda parecia céptico em relação a tudo, mas talvez cada vez menos com o passar do tempo. Ele também se arranjava mais e parecia - daquilo que eu conseguia perceber - que o homem e a rapariga estavam a fazer um esforço para educar juntos a criança. Uma mudança tinha acontecido com a rapariga, também. Não sei como descrever. Era apenas um aspecto de felicidade e leveza na sua maneira de ser. A obra da graça a manifestar-se.

Passou mais algum tempo. Talvez meses. Talvez um ano. Não me lembro. Eventualmente eles tinham alianças nos dedos. Não sei quando foi. Por esta altura já reparava neles há mais de ano e meio e ainda não tinha falado com eles. Mas lá pelo meio eles tinham-se casado. O homem também já recebia a Sagrada Comunhão nas boas graças da Santa Mãe Igreja. E a rapariga estava à espera de bébé outra vez.

Lindo, não é? E ainda fica melhor.

Pouco tempo depois, outra rapariga começou a aparecer com a primeira. Pelo aspecto, assumi que fosse a sua irmã. Então o marido dessa rapariga começou também a vir à Missa. Eles ficaram à espera de bébé. Agora havia duas famílias. Vi os seus filhos crescerem. Outras crianças nasceram.

Mas isto não é tudo. Eventualmente os seus pais começaram a vir à Missa com eles, no início era intermitente, mas depois ficou regular. Toda a enorme ninhada tinha-se tornado frequentadora regular da Missa. Agora eram já dez ou doze, toda uma família enorme de fé, nascida das lágrimas de uma rapariga sozinha e assustada que gritou por Deus num momento de desespero. E vejam o que veio daí! Fé de um grão de mostarda, de facto!

Não sei a história por trás. Não conheço os misteriosos trabalhos da graça. Não sei que orações, que argumentos, o que é que se deve ter passado para que cada uma dessas pessoas fosse ali parar. Mas claramente o testemunho da primeira rapariga e a sua fé e amor ardentes foram o centro à volta do qual tudo se passou.

Já passaram anos agora. Alguma vez falei com eles? Não. Nem uma palavra. Estava perfeitamente satisfeito ao ver isto desenrolar à distância. Talvez um dia o faça. Ainda está a acontecer. Mas quando penso no que vi, nos pequenos bocados que testemunhei, no que aconteceu e me lembro de ver há anos aquela rapariga sozinha e à espera de bébé a chorar no fundo da Igreja, meu Deus! É uma das coisas mais extraordinariamente bonitas que eu alguma vez vi nesta vida!

É sobre isto que é a graça. É por isto que vale a pena lutar.

"Tu contaste os meus vagueares, recolheste as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?" - Salmo 56, 8

in unamsanctamcatholicam.blogspot.com


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