quinta-feira, 30 de abril de 2015

S. Pio V - Um Santo para os nossos dias?

S. Pio V, grande Papa do século XVI, foi um incrível homem de oração e piedade, mas que também primou pela autoridade e excelentes qualidades de governo, juntamente com muito sacrifício e humildade. Apesar disto, é um Santo que por vezes é mal visto nos dias de hoje. 

Em parte, a má fama de S. Pio V vem por estar associado à forma da Missa que desde 2007 chamamos a Forma Extraordinária do Rito Romano. Esta forma da Missa é muitas vezes conhecida por "Missa tridentina", "Missa antiga" ou, simplesmente, "Missa de S. Pio V". No entanto, o que muitos não percebem é que também devemos a S. Pio V a forma mais comum da Missa a que estamos hoje habituados.

O que é que quero dizer com isto? Até meados do século XVI, a liturgia na Europa parecia uma confusão: cada região tinha a sua própria liturgia para a Santa Missa e, para quem viajava pelo Norte e pelo Sul, algo muito frequente na Idade Média, tornava-se difícil acompanhar as cerimónias. Isto era especialmente verdade para o caso dos sacerdotes que tinham que se adaptar aos vários ritos conforme o local onde estavam. Para fomentar maior unidade e devoção, S. Pio V formalizou um rito para toda a liturgia da Igreja Católica no Ocidente - aquele que conhecemos como o Rito Romano.

É importante deixar claro que as diferenças entre os diferentes ritos eram mínimas [1], mas através de pequenas coisas a Igreja não só ficava mais una na sua liturgia como também aumentava a devoção do povo ao saber que estava a celebrar a mesma Missa que todos os Católicos do mundo celebravam e que o próprio Santo Padre celebrava.

Esta unidade da Igreja, criada e promovida por S. Pio V, é precisamente a que encontramos na Igreja Católica do século XXI, de modo que em qualquer país por onde andarmos a Missa vai ser exactamente a mesma. Com a nova forma da Missa instaurada, não no Concílio Vaticano II, mas numa reforma de 1968, a língua já não é sempre a mesma em cada país e o número de orações opcionais aumentou, o que torna as celebrações um bocado diferentes mesmo dentro da mesma cidade. No entanto é sempre o rito romano que se celebra por todo o mundo, em união ao Papa.

S. Pio V foi nomeado Bispo de Roma três anos depois da conclusão do Concílio Trento. Um pouco como com S. João Paulo II e o Vaticano II, foi sob o seu pontificado que os frutos do Concílio de Trento tomaram efeito na Igreja. Isto aconteceu não só com a publicação de um Catecismo, mas também com uma série de medidas que tomou: aumentou o nível de austeridade na corte papal, banindo qualquer tipo de luxo que pudesse existir, obrigou os sacerdotes a serem fiéis às suas dioceses e suplicou aos cardeais que vivessem vidas simples e piedosas.

Apesar dos enormes esforços e ansiedades que suportava no seu cargo, manteve-se fiel às suas práticas de piedade, fazendo pelo menos duas meditações de joelhos em frente ao Santíssimo Sacramento todos os dias. Nos primeiros anos de pontificado, começou por dar muitos bens aos pobres, por visitar os hospitais, lavar os pés dos sem-abrigo, abraçar os leprosos, ... É conhecida a história de um nobre que se converteu ao ver o Santo Padre beijar os pés de um pedinte cheio de úlceras. Será que isto nos faz lembrar alguém? 

Além do mais, S. Pio V era dominicano e, como qualquer filho de S. Domingos, tinha uma grande devoção a Nossa Senhora e ao Terço. A invocação "Auxílio dos Cristãos" foi acrescentada por ele à Ladainha a Nossa Senhora, na sequência da vitória que os Cristãos alcançaram contra o turcos, na Batalha de Lepanto. Esta vitória ocorreu no dia 7 de Outubro de 1571, que ainda hoje a Igreja celebra como o dia de Nossa Senhora do Rosário.

Nuno CB

[1] Pelo menos desde o século VI, com S. Gregório Magno, a liturgia da Missa tem a mesma forma. O Cânon Romano, onde se encontra a Consagração, é igual desde então. O Cânon Romano corresponde hoje à Oração Eucarística I.


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