domingo, 7 de junho de 2015

Missa de Corpus Christi - A doutrina revela-se na liturgia

Por volta de 1264, o Santo Padre pediu a vários teólogos que escrevessem hinos de louvor ao Santíssimo Sacramento, para a festa do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor que ia começar a ser celebrada por toda a Igreja.

S. Tomás de Aquino foi o primeiro a apresentar os seus hinos. Isto foi o suficiente para que mais nenhum teólogo quisesse apresentar outros hinos, dada a enorme beleza dos hinos de S. Tomás.

Entre estes textos estavam os conhecidos Adoro Te Devote, o Pange Lingua e também o hino Lauda Sion Salvatórem.

Este último tem sido cantado, desde então, na Santa Missa da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor, antes do Evangelho.

Apresentamos já de seguida o texto original de S. Tomás, bem como a sua tradução. Um verdadeiro exemplo de como a liturgia faz brilhar a doutrina Católica com todo o esplendor.

Na Forma Ordinária da Missa, celebrada em português desde os anos 70, a tradução do Lauda Sion tem apenas como base o texto latino, pois está muito modificado, mas a versão latina é a mesma.
Texto Latino
Tradução em português
Lauda Sion Salvatórem
Lauda ducem et pastórem
In hymnis et cánticis.

Quantum potes, tantum aude:
Quia major omni laude,
Nec laudáre súfficis.

Laudis thema speciális,
Panis vivus et vitális,
Hódie propónitur.

Quem in sacræ mensa cœnæ,
Turbæ fratrum duodénæ
Datum non ambígitur.

Sit laus plena, sit sonóra,
Sit jucúnda, sit decóra
Mentis jubilátio.

Dies enim solémnis ágitur,
In qua mensæ prima recólitur
Hujus institútio.

In hac mensa novi Regis,
Novum Pascha novæ legis,
Phase vetus términat.

Vetustátem nóvitas,
Umbram fugat véritas,
Noctem lux elíminat.

Quod in cœna Christus gessit,
Faciéndum hoc expréssit
In sui memóriam.

Docti sacris institútis,
Panem, vinum, in salútis
Consecrámus hóstiam.

Dogma datur Christiánis,
Quod in carnem transit panis,
Et vinum in sánguinem.

Quod non capis, quod non vides,
Animósa firmat fides,
Præter rerum ordinem.

Sub divérsis speciébus,
Signis tantum, et non rebus,
Latent res exímiæ.

Caro cibus, sanguis potus:
Manet tamen Christus totus,
Sub utráque spécie.

A suménte non concísus,
Non confráctus, non divísus:
Integer accípitur.

Sumit unus, sumunt mille:
Quantum isti, tantum ille:
Nec sumptus consúmitur.

Sumunt boni, sumunt mali:
Sorte tamen inæquáli,
Vitæ vel intéritus.

Mors est malis, vita bonis:
Vide paris sumptiónis
Quam sit dispar éxitus.

Fracto demum Sacraménto,
Ne vacílles, sed memento,
Tantum esse sub fragménto,
Quantum toto tégitur.

Nulla rei fit scissúra:
Signi tantum fit fractúra:
Qua nec status nec statúra
Signáti minúitur.
Louva, Sião, o Salvador,
Louva o guia e o pastor
Com hinos e cânticos.

Quantos possas, tanto ouses,
Porque está acima de todo o louvor
E nunca o louvarás suficientemente.

É-nos hoje proposto um tema
Especial de louvor:
O pão vivo que dá a vida.

O pão que na mesa da sagrada ceia
Foi distribuído aos doze,
Como nos foi dado sem ambiguidades.

Ressoem pois os louvores, sonoros,
Cheios de amor. Seja formosa e jovial
A alegria das almas.

Porque celebramos o dia solene
Que nos recorda a instituição
Desde banquete.

Na mesa do novo Rei,
A páscoa da Nova Lei
Põe fim à páscoa antiga.

O rito novo rejeita o velho,
A realidade dissipa as sombras
Como o dia dissipa a noite.

O que o Senhor fez na ceia
Mandou-no-lo fazer
Em sua memória.

E nós intruídos pelo mandado divino
Consagramos o pão e o vinho
Em hóstia de salvação.

É dogma de fé para os cristãos
Que o pão se converte na carne
E o vinho no sangue do Salvador.

O que não compreendes nem vês,
Diz-to a fé viva; porque se opera
Fora das leis naturais.

Debaixo de espécies diferentes,
Que são apenas sinais exteriores,
Ocultam-se realides sublimes.

O pão é comida, e o vinho é bebida;
Mas debaixo de cada uma das espécies
Cristo está totalmente.

E quem o recebe não o parte
Nem divide, mas recebe-o
Todo inteiro.

Quer o recebam mil, quer um só,
Todos recebem o mesmo,
Nem recebendo-o podem consumi-lo.

Recebem-no os bons e os maus igualmente,
Porém com efeitos diversos:
Os bons para vida e maus para morte.

Morte para os maus e vidas para os bons:
Consideremos como são diferentes os efeitos
Que produz o mesmo alimento.

Quando a hóstia é dividida,
Não vacile a tua fé porque o Senhor
encontra-se sempre todo debaixo
do pequeno fragmento ou da hóstia inteira.

Nenhuma coisa a pode dividir:
apenas os sinais foram divididos
sem a menor alteração da realidade divina que esses mesmos sinais significam.


No passado dia de 4 Junho de 2015, Quinta-feira, celebrou-se a festa de Corpus Christi em Roma. Aqui fica a sequência Lauda Sion na Missa com o Papa Francisco desse dia:



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