terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Opus Dei, uma jóia da Coroa

Saiu há uns tempos uma grande reportagem sobre a Obra, mais conhecida por Opus Dei. 

Se o objectivo de denegrir a imagem da Obra não fosse cumprido, pouco me incomodariam estes artigos, mas o problema é que é muito bem cumprido. Todos os preconceitos que hoje predominam na sociedade portuguesa sobre o Opus Dei são fortemente alimentados por estas reportagens e por isso muitas pessoas se recusam, com medos baseados no que lêem, a aproximar-se dos meios de formação da Obra. O que as pessoas não sabem é que estes meios de formação fazem um bem impressionante a todos os que os frequentam e os resultados disso pelo mundo inteiro são abismais. 

Será que temos noção de quantas pessoas que trabalham em arranha-céus, em caves, nas ruas, nos mares, em todo o mundo, foram e são ajudadas pela Obra? Quantos casamentos foram salvos e ganharam uma nova alegria, quantas pessoas que em desespero recomeçaram uma nova luta, quantos deixaram o conforto do seu lar para se entregarem e irem servir os outros para onde a Obra precisasse, quantos gestores bem formados à frente de empresas, quantos motoristas de autocarro simpáticos e alegres, quantos médicos verdadeiramente humanos e disponíveis, quantos padres verdadeiramente fiéis à sua Igreja Católica?

Lembro-me quando fui às JMJ em Madrid de passar pela estátua de S. Josemaria na Catedral de Nossa Senhora de Almudena e de ouvir um turista dizer para a mulher "Este é o Santo dos ricos". Deve ter-lhe escapado o que estava escrito numa das placas:

"Para cumprir a missão que Deus lhe tinha confiado, procurou também a ajuda da dor, trabalhando heroicamente, durante muitos anos, nos hospitais e nos subúrbios até ao ponto de poder afirmar que o Opus Dei tinha nascido entre os pobres e os doentes de Madrid."

Se o Opus Dei começou assim é compreensível que assim continuasse, apenas alargando o seu conceito de pobres e doentes. Vejamos alguns casos que o mostram.

O projecto Harambee é uma iniciativa de pessoas do Opus Dei que começou em 2002 na canonização de S. Josemaria e que promove hoje, dez anos depois, programas educacionais em África e para a África em pelo menos 15 países africanos.

Vejamos quatro exemplos:

  • No Quénia o Strathmore Educational Trust ajuda anualmente 50 jovens dos 18 aos 25 anos das favelas de Nairobi a formarem-se em electrónica, complementando isso com formação em gestão para começarem depois as suas próprias empresas.
  • No Benin, em Parakou, o Envol Afrique ajuda 100 crianças entre os 8 e os 15 anos a melhorar a sua prestação académica com actividades depois do horário escolar, evitando que se metam no crime ou em trabalhos de exploração infantil.
  • Em Moçambique, "O Viveiro Tete" ajuda jovens raparigas, com mais dificuldades nos estudos, a formarem-se para depois lançarem pequenos negócios de agricultura na cidade de Tete. O projecto conta com cerca de 70 famílias envolvidas.
  • Nos Camarões, o CEST ajudou durante 2 anos na formação de 350 professores na região de Hauts-Plateaux para aumentar a qualidade de educação das escolas dessa zona.
O importante a notar aqui é que, em vez de dar o peixe às pessoas, como muitas organizações "de voluntariado" fazem, o projecto Harambee está a ensinar as pessoas a pescar. Mais impressionante é que a maior parte dos projectos do Harambee estão directamente ligados aos governos dos respectivos países e, aqueles projectos que são oficialmente Católicos (muitos pertencem mesmo a ordens religiosas), não têm quaisquer restrições de etnia ou religião. www.harambee-africa.org

Como este projecto há muitos mais.


No Quénia, o Strathmore College foi o principal projecto desenvolvido por pessoas do Opus Dei em Nairobi, a pedido de S. Josemaria, nos finais dos anos 60. O seu principal objectivo é "desenvolver as consciências e treinar as mentes dos estudantes de modo a que possam servir com utilidade a sociedade. Acima de tudo a escola promove a excelência académica e a integridade moral." As bolsas para estudantes são muitas e um bom exemplo é um dos indicados acima do projecto Harambee.

Em Roma, o Centro ELIS forma jovens de condições familiares e sociais mais precárias de modo a que possam, com os seus talentos, servir a sociedade, dando também continuidade à formação que receberam.

Este projecto foi uma ideia do Papa Pio XII que decidiu que parte do dinheiro oferecido pelos Católicos à Igreja devia financiar um projecto social em Roma. O Papa João XXIII deu continuidade a isto confiando o seu desenvolvimento ao Opus Dei. O dia da inauguração, com o Papa Paulo VI e o próprio S. Josemaria, está disponível em vídeo, online na internet.

Hoje as acções de formação do centro ELIS estão a espalhar-se por todo o mundo: Argentina, Filipinas, Equador, Uruguai, Vietname, Brazil, China, Camarões, Costa do Marfim e outros...

O mesmo tipo de formação ocorre em Londres, no Baytree Center, fundado por pessoas da Obra em 1985. Este centro está localizado no Lambeth, um dos piores bairros do Reino Unido, com a terceira taxa de crime mais alta da capital. O principal objectivo é ajudar e formar raparigas, a maior parte imigrantes, de qualquer religião ou nacionalidade, para se poderem integrar com facilidade na sociedade inglesa.

O "Hospital Centro de Cuidados Laguna" é um centro hospitalar em Madrid para assistência social e de saúde a pessoas em fase terminal e a idosos com Alzheimer e outras doenças psiquiátricas. O Laguna ajuda as pessoas tanto nas próprias instalações como em consultas ao domicílio ou noutros lugares. As instalações incluem um hospital e um centro de dia.

Ainda assim, é importante notar que, na aparição do Arcanjo, Nossa Senhora não disse "Eis a voluntária do Senhor", mas "Eis a serva do Senhor", o que aumenta consideravelmente o campo de acção dos cristãos e, portanto, do Opus Dei. De facto, uma das características do espírito da Obra é lembrar as pessoas de que podemos ser "servos do Senhor" em qualquer circunstância. Isto é, este espírito de serviço e de entrega total, que devia animar o voluntariado, deve ser aplicado em todo o tipo de trabalho. Os frutos são imensos e estão à vista de todos.

Por exemplo, muitos dos médicos que trabalham neste "Centro de Cuidados Laguna" são formados na Faculdade de Medicina da Universidade de Navarra. Esta foi uma das primeiras escolas ou faculdades da universidade e, portanto, foi fundada pelo próprio S. Josemaria em 1952. Ainda faltavam mais de 10 anos para o Concílio Vaticano II vir falar de santidade no meio do mundo e as pessoas do Opus Dei já estavam a fundar uma universidade em Espanha.

Note-se que estamos a falar de pessoas que diariamente rezam o Terço e vão à Missa, pessoas cujo primeiro interesse é Deus e os outros e não a sua própria pessoa, cujo interesse está bem lá no fundo.

A wikipedia conta-nos os frutos: a universidade tem 4 campus espalhados por Espanha, 27 cursos e mais de 300 programas de pós-graduação. Foi considerada a melhor universidade de Espanha pela Enciclopédia Britannica e pelo The Times e o MBA da faculdade de economia já foi considerado duas vezes o melhor do mundo pelo The Economist.

O que interessa, no entanto, não é o sucesso que se obtém, mas o que está por trás: A formação dos médicos em Navarra tem muito em conta a relação humana com os pacientes; a formação de gestão e economia não tem interesse nenhum no capitalismo materialista nas suas aulas, e muito menos no comunismo e outras políticas semelhantes; a formação dos jornalistas da faculdade de comunicação ensina-os a deixarem nos media exemplos de virtudes humanas e não de degradação total; e podia continuar.

É claro que não fica pela Universidade de Navarra: em 1967, ao enviar pessoas da Obra para as Filipinas, S. Josemaria criou as bases para aquilo que é hoje a University of Asia and the Pacific e, em 1989, pessoas da Obra no Chile tomaram a decisão de fundar a Universidad de los Andes que hoje, com 16 cursos diferentes, tem de longe a melhor escola de medicina do país.

Colégios de ensino escolar obrigatório e secundário também abundam, existindo em grande parte dos países onde existe a Obra. O mesmo se pode dizer das residências universitárias, com as melhores condições, para estudantes universitários de todo o mundo.

Mas reparem que tudo isto são empreendimentos humanos e, como tal, podem muito bem vir a correr mal. Aliás, o específico da formação da Obra não é sequer "como gerir empresas" nem "como dar aulas", mas "como ser Santo".

O que realmente conta é obviamente o facto de que todos estes centros, sejam em África, na Europa ou na América, têm uma forte componente espiritual Católica para quem quiser. Se formos aos sites de cada um deles encontraremos sempre um parágrafo a explicar que a formação cristã está confiada à prelatura do Opus Dei. A formação católica, que é aquilo que verdadeiramente caracteriza a Obra, e para aquilo que ela serve, ao contrário do que possa parecer, é excelente.

Mas será que é assim tão especial? Ora, a Obra, pela fidelidade ao fundador e, mais ainda, pela fidelidade a Deus, manteve-se firme na fidelidade ao Santo Padre e, portanto, quem receber formação Católica com o Opus Dei, seja em que sítio for, tem o prémio da ortodoxia. Isto é, tudo o que ouvir vai ser verdade.

E não só ouvir, mas também ver: não há padres da Obra sem cabeção, por exemplo. E qualquer sacerdote da Obra tem um cuidado enorme em tocar no Santíssimo Sacramento. Não há espaço para a má rebeldia dentro da Igreja de Cristo e S. Josemaria sabia isso muito bem.

Quando participei, com alguns colegas do Técnico, num curso de formação doutrinal numa residência universitária de Lisboa, com formação espiritual dada pela Obra, a minha maior alegria foi pensar que naquele momento, nos Estados Unidos, um outro numerário estava a ensinar também outro grupo de jovens sobre doutrina Católica, e em Londres, e no Japão, e por todo o mundo. Todos os dias a Obra dá boa formação espiritual a dezenas, senão centenas ou milhares, de pessoas. Isto acontece tanto nos cursos de formação doutrinal como nas meditações de meia hora pregadas por um sacerdote, como nas recolecções e nos retiros anuais.

Uma nota especial é que a formação que é própria da Obra está intimamente ligada aos Evangelhos e ao Catecismo de uma forma crucial. É compreensível que as pessoas prefiram juntar-se a outros católicos para partilharem experiências ou rezarem juntos, mas não se pode julgar a formação dada pela Obra, dado que aquilo que Jesus disse aos Apóstolos antes de partir para o Céu foi "Ide e ensinai a todas as gentes".

E, mesmo dentro dessas outras boas instituições fiéis ao Papa, são ainda mais raras aquelas que são simples e directas a propor um caminho de santidade certo tal como rezar o Terço todos os dias e ter grande devoção a Nossa Senhora, ir à Missa durante a semana, confessar-se regularmente, rezar mais diante do Sacrário, fazer muitos e pequenos sacrifícios, etc... É que foi assim que todos os Santos fizeram.

Impressionante também é que é difícil conhecer um bom sacerdote, fiel ao Papa e à Igreja, que não tenha nalgum momento da sua vida recebido formação ou que não tenha nenhuma relação com a Obra (nem que seja de amizade!), seja diocesano ou mesmo religioso. É impressionante, mas na minha (reduzida) experiência tem sido quase sempre assim.

O mesmo acontece para os leigos bons profissionais que se assumem Católicos em público.


Um bom exemplo é o autor do livro best-seller Todos os caminhos vão dar a Roma, o famoso Scott Hahn. É fácil ler o livro sem nos apercebermos que foi graças ao Opus Dei que este ex-protestante se converteu, mas há uma passagem ou outra que dá indícios disso para o leitor mais atento. É grande a sua virtude da discrição, porque depois da sua conversão e da sua mulher ele chegou mesmo a entrar para a Obra como supra-numerário e hoje até tem um livro a contar um pouco do seu caminho espiritual no Opus Dei.

Estamos a falar de uma conversão enorme, que depois levou à conversão de muitos outros, e, tal como é ensinado na Obra, não há conversão sem oração e sacrifício. Um bom exemplo disto é um sacerdote da Obra que conheci e que se lembra de lhe terem pedido, há muitos anos, para rezar por um protestante americano que estava a precisar. Provavelmente, por todo o mundo, pessoas da Obra rezaram pelo Scott Hahn. E este é apenas um exemplo, entre muitos que não sabemos.

Em Roma, ao perguntar a um padre amigo, funcionário da Cúria Romana do Vaticano e que não tinha nenhuma relação com a Obra, quais eram as universidades pontifícias que, na sua formação académica, eram totalmente fiéis ao magistério da Igreja a resposta foi no singular: a Pontificia Università della Santa Croce. Esta universidade foi fundada em 1984 por D. Álvaro del Portillo, primeiro sucessor de S. Josemaria, e que serve não só os leigos e futuros padres do Opus Dei mas também seminaristas de todo o mundo e de diversas ordens religiosas. Na verdade, 80% dos alunos da Santa Croce não pertencem à Obra.

E há outro ponto que merece ser dito. Não nos espantemos se, com o passar dos anos, o número de santos canonizados do Opus Dei comecem a aumentar. Actualmente os três primeiros sacerdortes da Obra (sem contar com S. Josemaria) já têm os processos de canonização abertos, sendo que um deles, D. Álvaro, já é Venerável Servo de Deus, isto é, a Igreja e o Papa já reconheceram que viveu as virtudes como um herói*. E os leigos com processos abertos também não são poucos.

Concluindo, o Opus Dei não é nenhum monstro, é, no fundo, uma das jóias da coroa da Igreja Católica.

Nuno CB, Março 2013
(revisto em Novembro 2015)

*D. Álvaro foi já beatificado pelo Papa Francisco, em Setembro de 2014.


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1 comentário:

Anónimo disse...

Faz anos, quando alguém me convidou pela primeira vez para uma reunião da opus Dei. Fiquei de pensar, mas posteriormente não aceitei. Já vinha de há longa data ouvir mal da instituição /Obra e os conselhos presentes dum sacerdote não abonavam novamente a favor: Não me devia meter com a opus Dei, não era recomendado. Também nas minhas consultas de clínica geral espaçadas o tema dominante numa hora era a opus Dei: O seu oportunismo, a pressão na doação de grandes verbas contra vontade e depois até a dificuldade de se desvincular dessa instituição. O seu divórcio do médico saiu, a causa: A opus Dei destruira o seu casamento! Sempre pensei que uma instituição honesta não haveria de ter tanta gente a dizer mal dela, incluse membros da igreja ou estar na boca das pessoas como fomentadora de desuniões. Também já ouvira contar a respeito da rigidez e de autoflagelações descabidas. Noutra altura, quando pedi que me indicassem um sacerdote, recomendaram-me dois. Antes ao pesquisar na internet verifiquei que ambos eram da opus Dei e disse que qualquer um serviria menos da opus Dei.
Há tempos numa conversa alguém me diz:
_Porque ele pertence a uma organização muito rígida…
_Não me diga que é da opus Dei!!!?_ pergunto reticente
_Não, chama-se Agnus Dei!
_Ah! Agnus Dei, parece-me bem. Gosto!.. disse imaginando num quadro a óleo, antigo, o sacerdote com um cordeirinho ao colo... Nunca ouvira falar de Agnus Dei, fui pesquisar, mas nada encontrei. Um amigo garante-me que não existiam padres Agnus Dei, apenas opus Dei! Então Eu estive a falar com um padre da Opus Dei??_ pergunto-me perplexa. Parecia ou uma brincadeira ou uma lição, talvez de Deus, talvez não… mas de tanto evitar, tinha sido mesmo aí que tinha ido parar. De tanta precaução, precaução nenhuma. O que significa que pelo menos devemos ser sempre livres de coração...