terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Padre Kentenich sobre o sacramento da Eucaristia

[O Cristão] consagra um amor especial ao Santíssimo Sacramento do altar, porque ali Jesus nos manifesta palpavelmente o seu amor e no-lo recorda com evidência a cada instante. A sagrada Eucaristia significa para ele a "vingança de um Deus moribundo!" Enquanto os homens se propõem matar o Filho de Deus, ele instituiu o sacramento do amor, a fim de permanecer sempre com eles, como sacrifício, como manjar e como amigo.

Vida e amor do cristão giram, principalmente, em torno do altar do sacrifício. A Santa Missa é o centro, o ponto de partida e convergência de toda a sua jornada diária. Para ele, a Santa Missa é o maior acontecimento do dia e o seu desejo mais ardente é converter a missa diária numa missa vivida. Não descansa até que a sua tarefa quotidiana se transforme numa continuação e acabamento da Santa Missa, com o seu ofertório, consagração e comunhão que se renovam sem cessar. Com grande intensidade ressoa nos seus ouvidos a palavra de São Paulo: "Mortem Domine annunciabitis..." Sempre que celebrardes ou comungardes anunciareis a morte do Senhor! 

Durante a Missa, ele é misteriosamente pregado, com Cristo, na sua cruz. E durante o dia aproveita todas as ocasiões para mostrar-se digno desta graça. Compreende as palavras que com frequência ouvimos dos primeiros cristãos: "Do altar à arena!" A sua arena é o trabalho quotidiano que procura realizar com a máxima perfeição. Não conhece angústias e cuidados desnecessários em relação ao passado e ao futuro. O passado já está sepultado no seio da misericórdia divina. 

Todos os seus cuidados e actividades são consagrados somente às vinte e quatro horas presentes, coroadas pela participação na Santa Missa. "De sacrificio in sacrificium" - De sacrifício em sacrifício! - é o lema. Pensa e vive somente de uma Missa a outra Missa. Bastam-lhe as preocupações e dificuldades de um dia, mas também as graças que lhe são concedidas diariamente com o sacrifício da Missa. 

Carrega a sua cruz apenas por um dia. Cumpre fielmente os seus deveres e procura ser forte, corajoso e alegre, somente no espaço de um dia. Amanhã recolherá novas graças no manancial que brota ao pé do altar. Nenhuma preocupação angustiosa o perturba, já que o seu pensamento e a sua vontade giram constantemente em Cristo e com Cristo, em torno do Pai. Não o molestam inquietudes e aflições por sua própria insuficiência, pois o Pai o contempla com grande amor, por causa de Jesus a quem está intimamente unido.

As ondas de pessimismo não o deprimem tanto, pois todos os dias é novamente incorporado, não só em Cristo padecente e agonizante, mas também em Cristo transfigurado que, com os seus anjos e santos, passa triunfalmente, vencendo as misérias deste mundo, louvando e glorificando ao Pai. Nesta perspectiva ele aprende a ver e a julgar com os olhos de Cristo os acontecimentos do tempo e do mundo.

A Santa Missa para ele não consiste apenas no Ofertório e Consagração, mas igualmente, na sagrada Comunhão. Por isso mantém-se firme no princípio: nenhuma Missa sem comunhão!

Também durante o dia procura visitar o seu Amigo divino presente no tabernáculo. Sente-se perfeitamente compreendido por Ele. Este Amigo ocupa-se com os seus interesses e o conduz mais seguramente ao Pai.»

in Espiritualidade Laical de Schoenstatt


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