segunda-feira, 16 de maio de 2016

A Oitava de Pentecostes acabou e Paulo VI chorou

Eu contei esta história da 'Segunda-feira de Pentecostes' há uns anos e ela tem estado a circular. Circulou por todos os lados, mas sou eu a origem da história, que publiquei há uns anos atrás. Imensas pessoas apanharam-na. Merece uma repetição. Isto serve como uma lição pelo que acontece quando perdemos de vista a continuidade. 

Esta história foi-me contada há uns atrás...já décadas, agora...por um Ceremoniere (Mestre de Cerimónias) do Papa, já reformado que, segundo o próprio, esteve presente no acontecimento que vai ser agora contado.

No calendário Romano litúrgico tradicional [NT: antes da reforma feita pelo Papa Paulo VI] a enorme festa do Pentecostes tinha a sua própria Oitava. Liturgicamente falando, o Pentecostes era/é uma coisa muito importante, de facto. Tem um Communicantes e um Hanc igitur próprios, uma Oitava, uma Sequência, etc. Em alguns sítios do mundo, como a Alemanha e a Áustria, a Segunda-feira de Pentecostes, Whit Monday como lhe chamam os ingleses, era razão para ser um feriado civil, bem como observância religiosa [NT: dia de Missa obrigatória].

Novus Ordo [NT: a forma da Missa mais comum actualmente, que segue o Missal do Papa Paulo VI] entrou em vigor no Advento de 1969.

Em 1970, na Segunda-Feira depois de Pentecostes, Sua Santidade o Papa Paulo VI foi para a capela, para celebrar a Santa Missa. Em vez dos paramentos encarnados, para a Oitava que todos sabiam seguir-se ao Pentecostes, estavam lá preparados para ele paramentos verdes.

Paulo VI perguntou ao Ceremoniere designado para aquele dia, "Mas que é isto? É a Oitava de Pentecostes! Onde estão os paramentos encarnados?"

"Santità," respondeu o Ceremoniere, "agora é o Tempus per annum [NT: Tempo comum]. Agora é verde. A Oitava de Pentecostes foi abolida."

"Verde? Não pode ser!", disse o Papa, "Quem é que fez isso?"

"Santidade, fostes vós."

E Paulo VI chorou.

Fr. John Zuhlsdorf in Fr. Z's Blog


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1 comentário:

José Lima disse...

Fui eu?!!! Como assim?!!!

Se sim, ordeno - eu sou o supremo legislador na Igreja! - e reponho imediatamente o que estava bem e que nunca deveria ter sido alterado! Nunca!


Obviamente, derivei num exercício de história alternativa, um estilo literário de que não desgosto...