quinta-feira, 14 de julho de 2016

Quem gosta da Missa Antiga deve ter acesso a ela - Cardeal Zen

Que lugar tem a liturgia na vida de Vossa Eminência?

Cardeal Zen: É o momento mais importante do meu dia. Eu sou religioso [salesiano] e, enquanto tal, dou grande valor à nossa oração comunitária. A nossa comunidade dispõe, além disso, de belas instalações para a liturgia.

Vossa Eminência foi um dos primeiros sacerdotes chineses a celebrar o Novus Ordo, como sinal de unidade com Roma. Desde então, o Papa Bento XVI permitiu que a missa tradicional se celebrasse novamente, o que Vossa Eminência fez com grande agrado, nomeadamente em Hong-Kong…

Cardeal Zen: Pessoalmente, vi com muito bons olhos a direcção indicada pelo Papa Bento XVI, agora emérito. Teve toda a razão em dizer que a missa tradicional jamais havia sido abolida. E se os fiéis a acham mais propícia para alimentar a sua devoção, devemos dar-lhes a possibilidade de a ela terem acesso. Coube-me introduzir entre os seminaristas chineses a missa do pós-concílio [de 1989 a 1996, o Cardeal Zen ensinou nos Seminários chineses, que até então estavam vedados aos sacerdotes romanos, NDR], e poder fazê-lo foi uma felicidade. Mas já nessa altura, lhes lembrava que não havia qualquer mal em celebrar a liturgia antiga. A nossa fé, a nossa vocação, os nossos santos, tudo nos vem dessa liturgia, dessa maneira de rezar.

Tem apreço pelo latim?

Cardeal Zen: Muito. Estimo muito os cânticos gregorianos e sei vários de cor. Recito-os durante as minhas orações privadas e acho-os admiráveis! Gostaria de ver mais vezes a forma ordinária celebrada em latim, como o desejava o concílio.

Na Europa, os opositores das missa tradicional dizem que ela só é querida por um pequeno número de pessoas: que comentário lhe merece essa observação?

Cardeal Zen: Não vejo onde esteja o problema. Também em Hong-Kong, há um pequeno grupo. Quem gosta da forma extraordinária deve poder ter acesso a ela. É um direito que lhes assiste. Não é preciso obrigar os fiéis a agruparem-se de modo artificial: é suficiente um pequeno grupo.

E a forma extraordinária não ameaça a unidade da Igreja?

Cardeal Zen: Não, de todo. Por que motivo o deveria fazer? Na Igreja, há muitas liturgias, nomeadamente as das igrejas do Oriente. A diversidade dos ritos não é um problema.

Tem alguma mensagem que quisesse deixar aos fiéis ligados à forma extraordinária?

Cardeal Zen: Sim, tenho: que é absolutamente evidente que a missa tradicional continuará a ser importante no futuro. As pessoas que a desejam devem poder assistir a esta missa, desde que, bem entendido, não se levantem contra a missa nova. Em Hong-Kong, as pessoas que participam da missa tradicional vão também à missa moderna, e nada têm contra ela. Como todos os fiéis em todo o mundo, os chineses tiram grandes benefícios da tradição da Igreja.

in Paix Liturgique


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1 comentário:

José Lima disse...

A Missa Nova, embora naturalmente válida e legítima, não constitui - como o afirmou o próprio Papa Paulo VI - um dogma em si mesma. Deste modo, se alguém prefere a Missa Antiga à Missa Nova, por esta ser expressão mais perfeita do credo católico quanto à dimensão sacrificial da Missa e à real presença das espécies consagradas, está com tal preferência, de certo modo, a “levantar-se” contra a Missa Nova, “levantamento” todavia perfeitamente aceitável à luz da tradição do direito da própria Igreja, na condição de com ele não se pretender destruir a Missa Nova (creio que era esta a condição que o insigne príncipe da Igreja chinês pretendia sublinhar).

De resto, não conheço nenhum grupo ou instituto tradicionalista que pretenda destruir a Missa Nova. Se há fiéis que porventura gostam mais da Missa Nova, obviamente que ninguém os deve forçar a assistir à Missa Antiga; mas a inversa, hoje em dia, à face da luz do direito da Igreja, também é verdadeira e, porém, muitas vezes continua a ser negada.