quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O Santo Cura d'Ars e a virtude da Pureza

Santo Ambrósio diz que a pureza nos eleva até ao Céu e nos faz deixar a Terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela eleva-nos por sobre a criatura corrompida e, pelos seus sentimentos e desejos, faz-nos viver da mesma vida dos anjos. Segundo S. João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior do que a dos anjos, pois os cristãos só podem adquirir esta virtude pelo combate, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. 

S. Cipriano acrescenta que a castidade nos torna apenas semelhantes aos anjos mas dá-nos ainda um carácter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele olha-a, considera-a como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objecto das suas mais caras complacências, e fixa nela a sua morada para sempre. 'Bem-aventurados', diz-nos o Salvador, 'os puros de coração, porque eles verão o bom Deus'. 

Segundo S. Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, e irá praticá-las com uma grande facilidade, 'porque para ser casto é preciso impor-se muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência. Mas uma vez que se alcançou tais vitórias sobre o demónio, a carne e o sangue, tudo o resto lhe custará muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude'. 

Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós vêmo-los reservados nas suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios nas suas refeições, respeitosos nos lugares santos e edificantes em toda a sua conduta. 

Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar o seu coração puro, aos lírios que se elevam directamente ao Céu e que difundem ao seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam... Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

S. João Maria Vianney (o Santo Cura d'Ars) in Sermão sobre a Pureza


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1 comentário:

Anónimo disse...

Quando ouço que a virtude da pureza ou castidade é o hábito de usar o sexo corretamente, pergunto-me se assim é. Bastará dominar-se a si mesmo para conquistar a intimidade com Deus? A castidade não se referindo apenas à abstinência sexual, mas atingindo todas as áreas da nossa vida, pensamentos, palavras, atitudes, não será acima de tudo proveniente e característica da própria relação com Jesus? Que a relação com Jesus, nos faz castos, não tenho dúvida, mas que a castidade nos leva obrigatoriamente a Ele, tenho algumas reticências que assim seja. Um católico pode usar o sexo corretamente uma vida, e não ser casto, porque o foco/motivo da sua ação não era Cristo. Será que um não crente, que viva a castidade na virgindade, conjugal, continência, será realmente casto, sem Cristo? A castidade é um dom facultado por Deus, como tantos outros, que não parece, aparentemente estar ao alcance de todos ou de ser atingido por todos. Bastará pedir-Lhe? E no caso das pessoas com tendências homossexuais, ainda que pelo domínio, pela oração e pela graça sacramental, se possam aproximar mais da perfeição cristã, será forma de resolução para a maioria? Se a castidade não pode ser conquistada pelas nossas forças, mas é dom, é graça, será que abrange a todos quantos a peçam? Quantas vezes passamos anos a pedir graças que nunca recebemos e muitos a lutar contra as suas inclinações e os seus vícios em vão? Será uma questão de confiança? Talvez, mas parece que por vezes vai além da confiança… Ou então somos simplesmente todos flores diferentes de um mesmo jardim (ref. Santa Teresinha) todas belas para Deus independentemente do maior ou menor grau de castidade…