quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Que é o sacerdote?

Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide. - diz Nosso Senhor ao sacerdote - Assim como Meu Pai me enviou, assim Eu vos envio... Todo poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a Mim escuta; quem vos despreza a Mim despreza". 

Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus vos perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na Consagração, ele não diz: "Isto é o Corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o Meu Corpo".

S. Bernardo diz-nos que tudo veio por Maria, pode-se dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.

Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí nesse tabernáculo? Foi o Padre. Quem foi que recebeu vossa alma à sua entrada na vida? O Padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O Padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O Padre, sempre o Padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o Padre. Não vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do Padre.

Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer Seu Divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdoo". Oh! Como o padre é alguma coisa de grande!

O padre só será bem compreendido no Céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos não de pavor, mas de amor...

Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem a chave dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o economista de Deus, o administrador dos seus bens. Se não fosse o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso Senhor morresse? Ai! Eles não poderão ter parte no benefício da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do Seu Sangue. O padre não é padre para si: não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.

Depois de Deus, o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais. (...) Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião. (...)

Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais do que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars?" Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.

Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é o amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado... (...)

O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

São João Maria Vianney in Catecismo sobre o sacerdote, ''Espírito do Cura d'Ars'', por Abbé A. Monnin


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3 comentários:

TP disse...

«Na Consagração, ele não diz: "Isto é o Corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o Meu Corpo". » Então se o padre é o próprio Cristo, deve ser com sacrifício que Jesus se revela nalguns padres que ao acabarem de cometer grandes pecados vão consagrar. Pois certamente não deve ser suficiente ter-se sido consagrado para O representar bem? Deve ser necessário representa-l’O bem não apenas no altar, mas sempre , tanto quanto possível e muitos não fazem grandes esforços para se assemelharem Aquele que representam, mas nós devemos esforçamo-nos para ver Cristo neles, pelo menos enquanto não somos santos pois os santos só vêm o bem!
Alguns poderão dizer que muito lhes veio pelo sacerdote, que sorte! As venturas, as graças, todos os dons celestes… Não maculando as exceções, que as deve haverá, uma boa percentagem não são como o desejado. Ou seja não são bons, nem justos, nem verdadeiros, nem sensíveis e nem santos. Não o são na maior parte do tempo, pois por exemplo: ninguém é mentiroso o tempo todo! Também não preciso de pensar muito para me vir à memória caras e nomes de familiares, amigos ou conhecidos, que tiveram de muito más a más experiências com sacerdotes, algumas delas ainda em criança. Nestes sacerdotes não podemos ver Cristo, o mais que podemos ver é que a Misericórdia de Deus lhes concedeu um dom que eles aparentam merecer pouco. Pergunto-me se é com sacrifício redobrado para Deus descer ao altar por essas pessoas! Imagino que apesar do que o ministério lhes confere deve haver uma união que identifique/una o sacerdote com Cristo… Pois se não há, se é Deus que faz tudo, se nada nasce de uma relação, deve ser mais uma espécie de…. falsificação…? Certamente não se é sacerdote/Cristo a meio tempo, só quando se está no altar ou a confessar… E se em vez de venturas muitos tiverem desventuras e em vez de graças, desgraças? Ou duvidamos que muitos responderão: Quem foi que te maltratou? O Padre. Quem foi que te fez considerar nunca mais entrares numa igreja? O Padre. Quem te insultou e ameaçou e mentiu? O Padre. Quem te fez as piores coisas de que te lembras? O Padre. E o padre passará sempre impune? E acreditarão sempre no padre? E defenderão sempre o padre? Quando conhecerão realmente o padre? Deus será como o padre? O que pensará Deus do padre? O padre ressuscitará?...?
Alguma responsabilidade tem a Igreja, já não digo de existirem maus padres pois teríamos de definir o que é ser mau padre, mas de existirem escândalos na Igreja. Esta deveria fazer uma análise mais específica dos candidatos que muitas vezes já não são aptos desde inicio e vão apenas para esconder disfunções, frustrações e uma série de problemas que nunca são tidos como relevantes ou que passam despercebidos (pelo menos para nunca lhe atribuir funções para as quais não estará apto. Um pedófilo não pode trabalhar com crianças!! É colocar um bife à frente de um esfomeado, pois mesmo que hoje não tenha fome, amanhã ou depois terá…
Situação diferente é, se a igreja só aceita castidade nos homossexuais etc… como é que pode constituir sacerdotes de homossexuais praticantes já antes de serem ordenados? Essas pessoas, apesar de absolvidas, deveriam ser excluídas segundo a coerência dos valores da igreja, além de que é um indicador de “promiscuidade” futura.

TP disse...

Em Fátima, o Anjo “levantando-se, deu a Hóstia a Lúcia, e o cálice, deu-o a beber a Francisco e a Jacinta, dizendo: “- Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos! Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.” Não andam anjos aí a distribuir o Corpo e o Sangue, mas não é impossível!

Não me bastaria a ordenação de um sacerdote para o valorizar, isso é a parte de Deus, falta a parte dele, a mais difícil. Certamente responder quando se é chamado, é mais fácil do que se continuar respondendo quando por vezes a voz de Deus fica mais ténue. Responder a Deus não é fácil, mas responder aos homens é mais difícil. Quando um padre conseguir conciliar as duas, e eu reconhecer esse e nesse padre Nosso Senhor Jesus Cristo, também poderei como Santa Filomena beijar o sítio por onde ele passar!!!

Se bem se mal digo-me antes: o padre é um instrumento de Deus e o poder de Deus manifesta-se através d’ele. As palavras do padre são as palavras de Deus que Se constituem a Ele próprio. “Criar-se” a Ele próprio é realmente mais do que criar o mundo. Deus obedece ao sacramento que Ele mesmo institui no sacerdote (deve ser por isso que pode ser grave obedecer a alguém que seja um profundo e consciente pecador). O padre para nada serviria sem a Morte e Paixão de Jesus!! Cristo manifesto no e pelo sacerdote, só será bem compreendido no Céu.

Anónimo disse...


Alguns padres sofrem de um grande mal, primeiro, esquecem-se que são pobres homens e depois usurpam indevidamente as qualidades de Deus.
Quando olhamos para Deus através deles, esquecem-se que representam Deus, e acham-se o centro das atenções, quando deveria limitar-se a atribuir tudo também a Deus. Mas “Quem vos escuta a Mim escuta; quem vos despreza a Mim despreza". Ora, se nós não desprezamos o padre, (quando até poderíamos ter motivos para o fazer) não desprezamos a Deus… ( e é isso que nos importa), mas se ao invés é o padre que nos despreza, então nós não desprezamos a Deus, mas como Deus também não nos despreza logo o padre despreza o que Deus faz em nós. E porquê? Porque dá mais valor a si mesmo do que a Quem representa…