sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Estado e Igreja são como corpo e alma

A Igreja não pode alcançar convenientemente os seus fins espirituais sem a cooperação dos poderes civis. É verdade que a Igreja tem a fortaleza de Cristo e é capaz de subsistir ainda no meio de reinos não cristãos. Mas a Igreja sem a Cidade é a Igreja dos mártires, porque os poderes civis não baptizados pela Igreja caem inevitavelmente sob o domínio de Satanás e tornam-se perseguidores da Igreja. E são muito poucas as almas com espírito de mártires, capazes de resistir à violência, senão física, ao menos moral das leis e costumes contrários à lei de Cristo.

Para compreender o que dissemos não é necessário, por desgraça, imaginar os primeiros séculos de cristianismo; hoje já vivemos numa sociedade apóstata cada vez mais anticristã, e as exigências espirituais para salvar-se vão sendo cada vez maiores.

Não é necessário ter vivido muito para perceber que a grande maioria dos homens segue a lei e o costume social: se é costume ir à Missa, então as pessoas vão, e se há lei de divórcio, as pessoas divorciam-se. Por isso, quando a Igreja está na Cidade – como a alma no corpo – a maioria das pessoas salva-se, mas quando não está, só se salvam almas de excepção.

O Estado não pode alcançar de nenhum modo os seus fins se não estiver na Igreja – como a parte no todo. A Cidade sem Cristo é só um cadáver de cidade, alimento dos demónios carronheiros. Ao ter ficado a natureza humana ferida pelo pecado, os homens ficaram impossibilitados de se ordenar ao bem comum, o que só pode ser feito pela graça; e o poder político transformou-se em tirania dos poderosos sobre os demais.

Ainda que o homem não perca toda a bondade natural e possam os Reis procurar certos bens temporais, ao merecer pelo pecado ficar sob o domínio de Satanás, a carne e o mundo serão irremediavelmente instrumentalizados pelos demónios para ruína temporal e eterna do género humano.

Pe. Álvaro Calderón in 'A subordinação da ordem temporal à espiritual segundo São Tomás'

4 comentários:

  1. Numa democracia o estado são as pessoas. Se as pessoas não vão ter com a igreja para serem parte dela e parte de Cristo, cabe à Igreja fazer com que todos os cidadãos participam igualmente dela, usando de esforços concretos na conversão dos pecadores. A Igreja já não parece evangelizar nas cidades indo ao encontro das pessoas, mas fica à espera delas. E nas acções sociais em que dá de comer, dá de beber parece faltar qualquer coisa, pois as pessoas não vão à missa, não vão à Igreja. Então a igreja deve participar no estado e na lei através de que poder? Social? Político? ou esperar pela graça?

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  2. Maria José Martins27 setembro, 2021 08:56

    Concordo em tudo, com o comentador do texto, acima transcrito.
    Hoje, até os Serviços Sociais, ligados à Igreja, funcionam como "ONGS", onde, somente, a parte HUMANA interessa; nunca ou quase nunca se fala de Deus e dos Seus Preceitos ou até, do Seu Poder e Misericórdia para intervir na possível MUDANÇA das situações em causa, uma vez que, na maioria dos casos, a origem é também de ordem Moral. E a mim ensinaram-me a ACREDITAR na Providência, que SEMPRE atua, depois de que TUDO tenhamos feito, da nossa parte...o que não pode acontecer, se nem sequer se ACREDITA!
    Nunca a Igreja foi tão pouco exigente, na FORMAÇÃO--MORAL E DOUTRINAL-- das pessoas que A possam Servir; desde que mostrem boa vontade...já são aceites! E tudo isto, porque se concebeu a ideia de que o que é preciso "é fazer o bem"...mas HUMANO, porque se "esse bem" não estiver alicerçado em Deus, todos sabemos, que pode transformar-se num presente envenenado, mais que não seja, PARA A ALMA!
    E, depois, peço perdão se vou escandalizar alguém; como pode a Igreja combater Satanás, como nos diz o texto acima citado,--(...)"Ainda que o Homem não perca a bondade natural e possam os Reis procurar certos bens temporais, ao merecer pelo pecado ficar sob o domínio de Satanás, a carne e o mundo serão irremediavelmente instrumentalizados pelos demónios para ruína temporal e eterna do género humano"(...)--se, a toda a hora COLABORA, direta ou indiretamente, com o Mal?
    Quando o próprio Papa não consegue DISCERNIR, e apoia e INCENTIVA os Governos Laicos a CONFIRMAREM no pecado os PECADORES PÚBLICOS--uniões homossexuais-- através de todo o tipo de regalias sociais, adquiridas com o casamento civil, sem pelo menos, os ELUCIDAR de que estão a pôr em risco a Salvação...--"De que vale ao Homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a alma..."-- Marcos, 8.-- Não é esse o seu papel, lutar pela Verdade?!
    A Igreja foi para ISSO Instituída por Cristo: PROCLAMAR a VERDADE, mas, também, fazer TUDO para que Ela possa ser CUMPRIDA! Porque, se não, penso eu, o CRIME ainda é maior!
    Ora, se o Papa Francisco AFIRMA A VERDADE da Igreja, mas, depois, não incentiva a que A VIVAM e, pelo contrário, A contorna, dando PERMISSÃO ao PECADO, está a CONDUZIR MUITAS ALMAS para o Inferno, em vez de as SALVAR!

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  3. Explique como é que se impõe de volta o estado confessional. Nem Salazar foi na conversa, quanto mais nos dias de hoje. Já basta aturar quem quer afastar de todo o cristianismo da vida pública em nome da laicidade. O que vale é que a maioria são velhos à porta de baterem a bota.

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  4. Voltar à Igreja, voltar à Fé, é possivel? A conversão dos homens e dos governantes é possível? Claro que sim! Mas, sem a acção de Deus, que, frequentemente, se inicia com a punição, sempre precedida de avisos prévios, será muito difícil. Encontrar homens de estado atentos aos avisos dos profetas, neste estado global ateu e apóstata que nos governa, é tarefa difícil. Rezemos pela luz que vem do Oriente, ainda não suficientemente esclarecida na profecia de Fátima, seja esse »sinal de Jonas»...

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