sábado, 1 de outubro de 2016

Como lidar com pessoas que nos irritam - S.Teresinha Menino Jesus

Há na comunidade uma irmã que tem o talento de me desagradar em todas as coisas; os seus modos, as suas palavras, o seu carácter eram-me muito desagradáveis. No entanto é uma santa religiosa que deve ser muito agradável ao bom Deus; assim, não querendo ceder à antipatia natural que sentia, disse a mim própria que a caridade não devia ser composta por sentimentos, mas por obras. 

Decidi então fazer por esta irmã aquilo que faria pela pessoa que mais amasse. Cada vez que a encontrava rezava ao Senhor por ela, oferecendo-Lhe todas as suas virtudes e méritos. Sentia que isso agradava a Jesus, pois não existe artista que não goste de receber louvores pelas suas obras e Jesus, o artista das almas, fica feliz quando não nos detemos no exterior mas, penetrando até ao santuário íntimo que Ele escolheu para morar, admiramos a sua beleza. Não me contentava em rezar muito pela irmã que me suscitava tantos combates, obrigava-me a fazer-lhe todos os favores possíveis e, quando tinha a tentação de lhe responder de modo desagradável, contentava-me em lhe fazer o meu sorriso mais amável e fazia por desviar a conversa. 

E também muitas vezes, tendo algumas relações de trabalho com essa irmã, quando os embates eram demasiado violentos, fugia como um desertor. Como ela ignorava totalmente o que eu sentia por ela, nunca desconfiou dos motivos da minha conduta e continua persuadida de que o seu carácter me agrada. Um dia, no recreio, disse-me mais ou menos estas palavras com um ar muito contente: «Pode dizer-me, irmã Teresa do Menino Jesus, o que a atrai tanto em mim, pois de cada vez que olha para mim vejo-a sorrir?» Ah, o que me atraía era Jesus, escondido no fundo da sua alma. Jesus torna doces as coisas mais amargas.


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6 comentários:

Anónimo disse...

Obrigado João por esta partilha.

Vai me ajudar já amanhã

Mira Rio 74 disse...

obrigada! gostava (e vou tentar) de ser assim...

joana fontes disse...

bonito

Anónimo disse...

A Wikkimissa está de novo em linha - http://messemonde.free.fr/Wikini/wakka.php?wiki=PagePrincipale

Anónimo disse...


É no nosso coração que reside a capacidade de suportar as contrariedades? E se todos nós possuímos maiores ou menores limites, temos consciência que só Deus é ilimitado. Suportar contrariedades de forma continuada e usar de caridade só com Deus. Só Jesus que morava no coração de Teresinha poderia ser esse Amor que ela encontrava nessa irmã. Para nós é quase impossível suportar contrariedades continuadas de esta ou de outras pessoas, para reverter o mal em bem e em amor é preciso a máquina que é Cristo funcionar em nós. Mesmo quando não temos contrariedades sempre voltamos a cair pela nossa imperfeição. Numa conversa:
_Quando volto a cair, fico cada vez mais perturbada, antes não era assim!
_Mas não devia, devia ficar cada vez mais humilde…
_E é que agora também culpabilizo Deus. Digo-Lhe que antes Ele me ajudava e agora já não me quer ajudar
_ Pense que é porque não é senhora de si… Não somos senhores de nós (Nunca nos devemos envergonhar por cair muitas vezes e na mesma situação, somos de condição frágil).
_Não, eu sempre fui assim. Antes é que Deus me favorecia, agora não me favorece, agora estou como sou!
_Isso acha você filha… (pense como lhe disse no “Pai Nosso”. Pai, seu e dos outros… Nosso!)
Embora ainda não tenha alcançado a totalidade do que me quis dizer, creio que… que com a ajuda de Deus é mais fácil. Vem-me à ideia que sou também bastante arrogante é um facto. Também sou capaz de ser muito doce, é um facto. Mas como ser humilde se nem isso por vezes parece estar ao nosso alcance? Se a própria humildade parece um dom? E se as situações que deveriam ser um exercício de humildade, acabam sendo o inverso? De facto, tragar tudo o que não gostamos, tudo o que nos fazem é a única coisa que o servo inútil (evangelho de hoje) tem para ofertar…

Anónimo disse...

Quando as relíquias de Santa Teresinha (que celebramos dia 1 de Outubro) vieram a Lisboa, à Sé, eu estava lá. Nessa altura deram-nos a possibilidade de passarem a sua obra pelas relíquias e no-la devolverem. Desde aí as suas palavras são uma verdadeira graça para mim.