domingo, 4 de dezembro de 2016

A importância educativa de não receber a gratificação imediata

Sabiam que há uma ligação entre a vossa criança esperar pela oração de benção antes das refeições e a sua capacidade para evitar sexo antes do casamento?

Sim, tem tudo a ver com a satisfação em atraso. Quando nos sentamos à mesa, é justo e correcto que primeiro agradeçamos a Deus e peçamos a Sua benção sobre a comida que estamos prestes a desfrutar. Depois, e só depois, pegamos nos nossos garfos e comemos.

Os meninos pequenos são normalmente tentados a roubar um bocado de comida dos seus pratos enquanto a mãe está voltada para trazer o último prato para a mesa. É dever dos pais parar isto. As crianças têm que aprender a esperar. Porquê?

Bem, um dia os apetites deles não vão só incluir a comida para a preservação do corpo humano, mas vão ter um apetite intenso para a preservação da raça humana. Ser-lhes-à permitido mordiscar um bocado aqui e ali antes da benção? Para o caso de não estarem a seguir a analogia:

criança com fome -> benção do jantar -> satisfação do apetite da fome

pessoa jovem -> bênção matrimonial -> satisfação do apetite sexual

Vejam, se o Timmy aprender que pode comer antes da família estar reunida e o pai [father] presidir à benção religiosa, então depois o Timmy provavelmente não vai esperar para ter sexo antes da família estar reunida na igreja e o Padre [Father] ter pronunciado a benção religiosa à noiva do Timmy e ao Timmy no altar.

E isto não é só sobre as refeições de família. É sobre tudo. Escola, trabalho, Advento, Quaresma, jejum Eucarístico, abstinência às Sextas, penitência, preparação sacramental, gravidez, preparação dos filhos, doença, morte natural e assim por diante. O Catolicismo é a religião da satisfação atrasada. Se vivermos apenas para ter prazer no agora, não vamos ter felicidade no futuro. Cristo instituiu a Sua Igreja Católica para nos providenciar com mini-desafios todos os dias. O jejum Eucarístico é um exemplo óbvio. Humilhar-se a si mesmo no confessionário antes de receber a Sagrada Eucaristia é outro. É aprender a fazer algo difícil ou inconveniente por algum bem maior.

Regressemos ao Timmy. Se o Timmy aprender a quebrar o jejum eucarístico ou a fazer batota nos seus propósitos durante a Quaresma, o que irá fazer noutras áreas da vida?  Irá até aos limites, mas no final vai falhar porque não percebe que todo o sucesso deriva da satisfação em atraso - tanto temporal como eterno.

Vejam todos esses hipsters na América. Têm cursos universitários. Votam. São um pouco inteligentes. Até têm um colecção interessante de discos de vinyl. No entanto não têm trabalho. Está agora nas reportagens que os nossos hipsters estão a ficar dependentes dos subsídios do estado. Passam tempo nos cafés a discutir Renoir, Radiohead e Rousseau, mas compram a sua comida com tickets de comida! Parece que caíram na armadilha de hipsters

O que é que se está a passar?

Estes jovens foram educados para rejeitar a satisfação atrasada. São produtos das sociedades que glorificam a satisfação imediata. Querem trabalhos significativos... agora. Querem ser directores de galerias de arte, professores, CEOs, directores de ONGs, realizadores de cinema, criadores de Facebook, autores, actores e poetas. O que eles não percebem é que é preciso mesmo imenso  trabalho forçado para chegar a essas profissões, na verdade para chegar a qualquer profissão.

É por isto que temos que nos aperceber do valor do Catolicismo para a nossa cultura. O Catolicismo, neste ponto de vista, ajuda-nos de duas maneiras. A primeira é sobrenatural e a segunda natural, temporal e social. Primeiro, a teologia Católica de esperar confirma que as honras e os elogios deste mundo são vaidade das vaidades A Fé  foi o que guiou o Sacro-Imperador Romano Carlos V  a resignar ao seu poder e a viver os seus últimos dias num mosteiros recôndito. Os pequenos e naturais prazeres da vida não são dignos de ser trocados por uma felicidade sobrenatural enorme que será ganha na segunda. Esta vida é em si uma espera prolongada por algo melhor e muito para além disto.

Em segundo lugar, a teologia de esperar ou a satisfação em atraso não é de passividades. Vocês estão activos e a esperar. Ao contrário da ideologia dos hipsters a fumar tabaco de enrolar e a queixar-se daqueles tipos de camisa sem expressão que pertencem ao "um por cento", a teologia de esperar pede o sacrifício agora por algo melhor mais tarde. Portanto, se querem um trabalho significativo, levantem-se e produzam algo. Contribuam. Ninguém quer saber das vossas ideias e sentimentos, a não ser que contribuam para alguma coisa. Se são artistas, pode demorar 20 anos até venderem realemente alguma coisa. Se não conseguem aceitar isso então não atirem um ataque de mau humor a queixar-se sobre o mundo. Aprendam um pouco de gratificação atrasada. Escrevam os vossos objectivos e apercebam-se que demora muito tempo a atingir objectivos importantes.

A contracepção é o exemplo perfeito do desejo da nossa sociedade para a satisfação instantânea. A contracepçõa é a ideia de que podem ter montes e montes de prazer imediato sem o compromisso com uma pessoa (um acto de sacrifício), sem o compromisso com uma gravidez (um acto de muito sacrifício) e sem o compromisso de educar uma pessoa humana durante dezoito anos (um acto de imenso sacrifício)

De volta ao Timmy por uma última vez. Desde que o Timmy nasceu, ele vai mantendo o seu "limite de espera". Ele vai observar o "limite de espera" dos seus pais. Será que vivem numa fantasia? Será que entram em dívidas para se divertirem agora? Fazem penitência? São hipócritas religiosos? Depois ele vai começar a ver como o padrão do "limite de espera" se aplica a ele. É-lhe permitido ter ataques de mau humor quando não é imediatamente satisfeito? Vai preserverar nas tarefas da casa? Vai acabar os trabalhos de casa? Vai manter o jejum Eucarístico antes da Missa ou vai roubar uma bolacha antes da Missa? Vai manter os costumes simples tais como não comer antes da benção? Vocês percebem a ideia.

Se o Timmy não aprender este princípio Católico da satisfação em atraso, no que é que se vai tornar? Vai-se tornar num hipster contraceptivo com um bacharelato á espera um trabalho de $60.000 lhe caia no colo. Infelizmente, ele vai ser um nada. Pior de tudo, não vai viver a vida abundante de Cristo prometida àqueles que tomarem a sua cruz e O seguirem.

Claro, não é fácil assumir esta teologia de esperar. É o ensinamento mais difícil do Catolicismo. Tal como a Bem-Aventurada Virgem Maria disse a Santa Bernadette, "Prometo que vou fazer-se feliz, não neste mundo, mas no próximo." Estas palavras assustam-me. No entanto, é uma promessa concreta. Nenhum de nós vai ser perfeitamente feliz nesta vida. Simplesmente não vai acontecer. O C. S. Lewis uma vez especulou que se Deus nos desse a felicidade perfeita nesta vida, seria injusto , dado que pararíamos de procurar o próprio Deus. S. Tomás de Aquino diria que é impossível encontrar felicidade em mais lado nenhum dado que o nosso Summum Bonum não é outroa além do próprio Deus.

Por isso não se calem sobre a satisfação em atraso. A vida não vai ser perfeita. Abracem esta verdade. Há liberdade nela. Há alegria ao realizá-la. Aqui está o versículo que resume tudo muito bem:

"Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada a sua glória." (1 Pedro 4:13)

E outra: "Entretanto aquele que perseverar até ao fim será salvo." (Mateus 24, 13)  

Taylor Marshall


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1 comentário:

Anónimo disse...

Uma fantástica reflexão sobre educação que faz ponte com a religião católica. É difícil fazer esta reflexão com os nossos adolescentes e jovens alunos de qualquer escola. A "satisfação atrasada" imposta por uma "educação do mediatismo" é antagónica. Mas nada é impossível! Porque há sempre um jovem que objeta este mediatismo. E a propósito da continuação de uma aula que decorre com os meus alunos do 9.º em EMRC: "Vida humana: Originalidade e Beleza faz todo o sentido finalizá-la com esta reflexão. Na vontade desta partilha, há sempre um Advento, com muita alegria e que agradeço. Leitora assídua: Maria.