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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Carta de Madre Teresa de Calcutá a uma irmã doente

Minha querida Filha,

Obrigada pela consoladora carta de dia 14. Continue a buscar o Sagrado Coração. Por que se preocupa com a possibilidade de ser ou não tuberculose? A Irmã é Dele e isso é um presente que Ele lhe dá, a si que é Sua esposa. A Madre não lhe ensinou a dizer na profissão: "Desejo tornar-me Esposa de Jesus Crucificado? Não é Jesus glorificado nem no presépio mas na Cruz, sozinho, despido, sangrando, sofrendo, morrendo na Cuz. 

Por isso se for a primeira da Sociedade que Ele escolhe para estar sozinha na cama da Cruz, pois minha filha temos de dar graças a Deus por tudo, por este amor especial que Ele demosntra ter po si, por mim e pela Sociedade. A Irmã ainda é uma criança e a vida é bela - mas o caminho que Ele escolheu para si é o caminho verdadeiro. Por isso sorria, sorria à Mão que lhe bate, beije a Mão que a prega na Cruz. 


Não me parece que a Irmã tenha tuberculose, mas deixe-os fazerem-lhe tudo o que quiserem. Seja como um cordeirinho, sorrindo a toda a gente. Não se preocupe que eu vou arranjar dinheiro e vou vê-la logo que tenha notícias mais concretas da Irmã.

"Que eles ergam os olhos e só vejam Jesus." Prometi a Nossa Senhora 25000 Memorare's pela sua cura e havemos de os dizer ao longo destes 9 dias. Por favor agradeça à M. Rose a simpatia que tem tido para consigo. Sinto-me muito feliz com o que Deus bem quiser fazer com todas vós, sois todas Dele.

Ame a Jesus e mantenha um coração sorridente para Ele. Todos esses pensamentos perturbadores vêm do demónio, ignore-os a todos. Deus a abençoe, minha filha.

Madre

in Madre Teresa, Vem, Sê a Minha Luz (Aletheia)


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domingo, 13 de abril de 2014

Vale de Lágrimas - D. Nuno Brás

Confesso que a expressão “gemendo e chorando neste vale de lágrimas” da Salvé Rainha a comecei por entender como fruto de um cristianismo pessimista, vivido essencialmente a pensar na cruz do Senhor, e a achar que tudo, no mundo, era mau. Por isso compreendo tantos que têm dificuldade em rezar esta antífona que faz parte da nossa tradição mariana. Certamente (e digo-o sem qualquer tom de crítica) reconheço que muitos a rezarão naquele tom resignado e derrotado.

Mas devo, igualmente, confessar que rezo hoje aquela oração como expressão grande da fé.

É que, por muito que nos esforcemos, de um modo ou de outro, qualquer ser humano vive momentos de sofrimento e de solidão, de abandono e mesmo desespero, de morte. Não vale a pena criar a ilusão (nem sequer e muito menos nas crianças) de que a vida será sempre um caminho de vitórias e sucessos, de alegrias e conquistas. Mesmo as “estórias” que terminam com o célebre “e foram muito felizes para sempre” começaram ou passaram por um ou vários momentos de dificuldade dos seus protagonistas.

Contudo, hoje (como sempre) não são necessárias “estórias”. Basta ter os olhos abertos para o mundo humano que nos envolve. E se não estamos nós a passar por algum momento difícil, olhemos à nossa volta – e não precisamos de procurar muito: o desemprego, as famílias destroçadas e desunidas, a falta de sentido para a vida… todas aquelas misérias materiais, morais ou espirituais, a que fazia referência a mensagem da Quaresma do Papa Francisco, estão bem ali, ao nosso lado. E, não raras vezes sentimo-nos impotentes para dar uma ajuda, pequena que seja, àqueles que passam por esses momentos difíceis.

É por isso que o grito cristão que, por intermédio da Virgem Maria, se dirige a Deus, a partir deste “Vale de Lágrimas” que é a vida humana, mais do que expressão de alguém resignado à sua sorte, é antes o reconhecimento de que apenas Deus pode, verdadeiramente, resolver as lágrimas humanas – nossas e de tantos que vivem connosco.
O Domingo de Ramos ou da Paixão une essas duas realidades. Também Deus, em Jesus de Nazaré, experimentou (e como!) o “Vale de Lágrimas” que quis fazer seu; mas, ao mesmo tempo que o vive de um modo plenamente humano, mostra que não será nunca a morte a ter a última palavra. Esta será sempre pronunciada por Deus, e será sempre uma palavra de amor, de vida eterna!

in Voz da Verdade
(D. Nuno Brás é Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa)


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domingo, 1 de dezembro de 2013

Lições das Pequenas Almas Sofredoras - Austin Ruse

Ao longo dos meus últimos artigos tenho estado a contar a história das pequenas almas sofredoras:

A Audrey Stevenson morreu de leucemia, aos 7 anos, depois de levar toda a sua família à fé.

A Margaret Leo morreu com 14 anos, após uma vida alegre de caridade cristã, apesar de sofrer de espinha bífida.

O Brendan Kelly morreu aos 15. Tinha trissomia 21 e viveu a vida toda com leucemia, mas continua a inspirar todos os que o conheceram.

A primeira coisa que nos marca quando conhecemos estas histórias é perceber o quanto sofreram. Estamos a falar de sofrimento intenso, tanto físico como mental, de longa duração. Sofrimento atroz, do género de fazer o soldado mais rijo chamar pela mãe.

Tanto a Audrey como o Brendan foram sujeitos a tratamentos invasivos de quimioterapia, esteróides, punções lombares e, eventualmente, transfusões de medula. Viveram longos períodos sem sistema imunitário, com o perigo a espreitar por detrás de cada micróbio errante.

A Margaret Leo teve barras de titânio inseridas nas costas para travar o curvar da coluna. Em vez disso foram as barras que entortaram. Ainda hoje o seu pai guarda as barras tortas em cima da sua secretária, para nunca se esquecer do que é, verdadeiramente, um dia mau.

Os pais da Audrey tinham de obrigá-la a falar da sua dor, para que os médicos a pudessem ajudar. A Margaret raramente mencionava o seu sofrimento e, no geral, sorria apesar de tudo e durante os períodos de pior dor, o Brendan tentava fazer rir os seus pais, para que não se preocupassem com ele. A maioria das crianças não é assim. Nós, adultos, não somos assim.

Enquanto seres humanos simplesmente não somos capazes de imaginar este tipo de dor. Fugimos da dor. Escondemos a dor por detrás de analgésicos cada vez mais desenvolvidos. Refugiamo-nos na cama. Choramingamos e queixamo-nos. Falamos da nossa dor, talvez todos os dias. Um “Como é que isso vai?” pode espoletar um verdadeiro catálogo até das dores mais pequenas. É verdade que às vezes oferecemos a dor como sacrifício pelos outros, mas na maioria das vezes não o fazemos.

O sofrimento é um dos grandes mistérios. Ocupa não só as grandes mentes de todos os tempos, mas também o meu e o seu. Uma das Quatro Nobres Verdades do Budismo é sobre o sofrimento e de como usar o Nobre Caminho Octuplo para o evitar. O Hinduísmo vê o sofrimento como uma espécie de punição por mau comportamento. O Islão diz que os fiéis devem aguentar o sofrimento como uma prova da sua fé.

Só o Cristianismo vê o sofrimento como redentor, como uma forma de partilhar no sofrimento de Cristo na Cruz e de lhe diminuir o sofrimento. Os católicos também acreditam que o sofrimento pode ser oferecido para diminuir a dor dos outros. Esta noção é perfeitamente estranha à maioria das religiões.

Uma leitora discordou veementemente de algumas das ideias no artigo sobre a Audrey. Simplesmente não era capaz de conceber que a sua história fosse verdadeira. Avisou que os adultos às vezes impõem as suas ideias aos mais novos e perguntou se os pais da Audrey não teriam incutido nela uma espécie de religiosidade precoce. A leitora, que é judia, questionou se às vezes os adultos não vêem coisas nas crianças que de facto não estão lá. É uma preocupação compreensível.
Uma vez dei uma entrevista sobre a Audrey a uma rádio católica. A entrevistadora sugeriu que eu investigasse o caso de outra menina com o mesmo nome, Audrey Santo, à volta da qual tinha crescido uma certa devoção. Depois de um acidente de natação, esta menina desenvolveu uma condição chamada mutismo acinético, que a deixou incapaz de se mexer e de falar. A sua mãe levou-a a Medjugorje e anunciou que a rapariga, a pedido da Virgem Maria, tinha aceite tornar-se uma alma vítima. Dizia-se que tinha as chagas, que as imagens choravam, e por aí fora. O bispo local sugeriu cautela em relação a toda a história.


Mas os casos sobre os quais escrevi não têm nada a ver com isto. Não há estátuas a chorar, nem chagas. Só crianças normais em circunstâncias extraordinárias. Eram antes de mais crianças, e não os objectos de imaginações religiosas. Nenhuma delas queria estar doente ou sofrer.

O Brendan era a alma de todas as festas. Vi fotografias de ele a dançar em casamentos com amigos e familiares a aplaudir. Adorava desporto. A Audrey tinha de facto um sentido aguçado de propriedade e chegava a evitar ir a festas de anos com medo de ouvir palavrões, mas não deixava de ser uma menina normal que brincava com as irmãs e com as amigas. A Margaret adorava ver os outros meninos a brincar no parque. Eram crianças normais a quem tinham sido dadas grandes cruzes para carregar – e grandes dons para as ajudar a carregá-las.

São os santos do mundo actual. Mais do que isso, são santos do nosso tempo, porque a outra coisa que noto sobre eles é que nasceram em grandes desertos espirituais. Enquanto as suas famílias eram em larga medida católicas praticantes, estas crianças cresceram num meio social de poder, influência e riqueza, que tende a fugir de religião. São os verdadeiros desertos dos tempos de riqueza.

O Brendan era amigo do James Pavitt, ex-chefe do serviço clandestino da CIA. Erik Prince, o polémico fundador do serviço de segurança privada Blackwater chorou como um bebé quando soube que Brendan tinha morrido, e transportou toda a sua grande família do Médio Oriente para irem ao funeral.

A Audrey nasceu numa família influente em França, com ligações e interesses nos Estados Unidos e noutros países.

A Margaret Leo tornou-se muito amiga de Clarence Thomas, o juiz do Supremo Tribunal. A sua fotografia ainda está na sua secretária, dentro de uma moldura feita por ela, de pauzinhos de gelado.

Quando pensamos em crianças a quem foram dados grandes dons espirituais, normalmente pensamos em pastores, ou algo parecido, como em Fátima e em Lourdes. Mas estas crianças eram diferentes. Estas receberam muitos bens materiais, excelentes oportunidades de educação e conhecimentos sociais. Deus colocou estas pequenas almas sofredoras nestes locais e neste tempo por uma boa razão, para que as suas histórias possam tocar as almas que habitam as casaronas de Great Falls, McLean, Paris e mais além.

Audrey Stevenson, Margaret Leo, Brendan Kelly, rogai por nós. in Actualidade Religiosa

Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.


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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Audrey Stevenson, uma vida de santidade - Austin Ruse

Audrey Stevenson nasceu em 1983 numa família que era católica mas na qual nem se rezava antes das refeições. Quando tinha três anos a família visitou a casa de Santa Teresa de Lisieux e depois o convento onde a Pequena Flor viveu e morreu. Aí a Audrey exclamou: “Quero entrar para o Carmelo”.

Pouco depois a família mudou-se para um apartamento novo. Audrey desenhou um crucifixo amarelo e  colocou-o na parede. Tinha colocado crucifixos idênticos em cada quarto da casa, onde permaneceram durante muito tempo.


Certo dia Liliane, a sua mãe, reparou que Audrey estava a coxear. Tinha colocado lápis dentro dos sapatos para “poder resistir”, uma compreensão bastante sofisticada da mortificação, para uma criança, e algo que ninguém lhe tinha ensinado.


Um dia foi ao parque com o avô. Atravessou avenidas, pontes e grandes cruzamentos, numa zona muito movimentada de Paris. Perdeu-se. Alarmado, o avô ligou para casa e descobriu que Audrey já lá estava. Disse que tinha sido conduzida por Jesus.


Tudo isto aconteceu com uma menina de três anos numa família que não era particularmente devota.


Em casa introduziu o conceito de dar graças antes de comer. Uma vez na casa de verão, na Bretanha, insistiu nas orações. O seu tio americano, Alexander Cummings, provocou-a: “Mas Audrey, se temos de dar graças a Deus cada vez que comemos, então devíamos dar graças a toda a hora, por tudo”. Ao que a Audrey respondeu: “Sim, isso mesmo”.


As histórias da sua devoção são infindáveis. Vivia uma fé profunda, tanto interior como exteriormente, como raramente se encontra nesta vida. A sua mãe disse: “A Audrey espanta-nos. Está para além de nós”. Conhecia o catecismo sem ter sido ensinada. O padre disse-lhes que não fizessem nada, que apenas a seguissem. E assim fizeram.


Aos cinco anos a Audrey pediu autorização à Igreja para poder comungar. Tipicamente, uma criança em França fazia a primeira comunhão aos nove ou dez anos. Questionaram-na exaustivamente, primeiro pelo seu prior, depois por outro e depois por outro ainda. Determinaram que a menina estava pronta e por isso a família viajou até Lourdes, onde  ela comungou pela primeira vez.


O que se nota da sua vida é que não só estava próxima de Cristo, como também aproximava Cristo dos outros. Primeiro da sua família, depois de um grupo cada vez maior.

Audrey com o Papa João Paulo II
A doença mortal surgiu aos sete. Leucemia. Foram muitos meses de tratamento, incluindo radioterapia,  quimioterapia, punções lombares e transplantes de medula. E assim começou a sua missão de ensino, uma missão que atravessou as fronteiras de França e chegou a outros países.

Entre família e amigos começou-se a rezar um terço todas as terças-feiras pelas suas melhoras. Começou por ser uma coisa pequena, mas cresceu. Aconteceram milagres nesses encontros. Meninas pequenas ensinaram os seus pais a rezar o terço. Famílias inteiras regressaram à fé. Uma pagela da Audrey começou a espalhar-se pelo país.


O seu sofrimento no hospital foi intenso. A quimioterapia deixou-a sem saliva, as pálpebras colavam-se  aos olhos e todos os seus ossos doíam. Dizia repetidamente: “Estou na cruz. Estou na cruz”. Durante as dolorosas punções lombares repetia: “Pelo tio Mick, pelo pai, pelas vocações”. Durante um dos tratamentos dolorosos os médicos ouviram-na a cantar músicas a Nossa Senhora.


Depois de um transplante de medula falhado soube-se que tinha apenas três semanas de vida. Os pais levaram-na a Lourdes; levaram-na também a conhecer o Papa, com quem teve uma intensa conversa privada. Perto do final vieram pessoas de todo o país, pedindo que ela rezasse pelas suas intenções, coisa que ela fez, apesar da dor, uma após outra.


Por fim morreu. O seu pai, que é padrinho da minha filha Gianna-Marie, diz que certa vez receberam a visita de um padre mexicano. O padre disse: “Devo a minha vocação a uma menina francesa que rezava pelas vocações e morreu de leucemia.” Ao que o seu pai, Jerome, respondeu: “Está sentado no quarto dela”. A causa da canonização de Audrey começou em Paris há poucos anos. 


Audrey Stevenson, rogai por nós. 
in Actualidade Religiosa


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