quarta-feira, 5 de outubro de 2011

República Portuguesa ou Portugal? - P.Gonçalo Portocarrero

Proposta de uma designação mais popular e apolítica da identidade nacional

No Verão passado, alguns jovens portuenses encontraram-se numa capital europeia com um grupo de rapazes norte-americanos, que ignoravam a existência e a localização de Portugal. Alguns ainda alvitraram ser um Estado da América Central, ou do Sul, ou até mesmo uma nação africana. Ou seja, em qualquer caso - com perdão! - uma república das bananas.

A ignorância dos outros não afecta a nossa dignidade nacional, mas a verdade é que, por muito que doa ao nosso patriotismo, talvez os yankees tenham razão. Sim, provavelmente Portugal, em termos legais, não exista.

Salvo melhor opinião, o país que ocupa a faixa ocidental da Península Ibérica e as ilhas adjacentes chama-se, oficialmente, República portuguesa. O chefe de Estado não é o presidente de Portugal, mas apenas da República portuguesa. O Parlamento nacional é tão-só, na terminologia oficial, a Assembleia da República, que nominalmente nem portuguesa é.

A própria lei fundamental, que deveria ser o texto constitucional da nação e não apenas do sistema político vigente é, em termos literais, a Constituição da República portuguesa, muito embora Portugal seja referido em alguns dos seus artigos, como o 1º, o 5º e o 7º. Outro tanto se diga da Procuradoria-Geral da República e de muitas outras entidades oficiais, que são em geral republicanas, mas não nacionais.

No Bilhete de Identidade também não consta o nome de Portugal, mas sim o da República portuguesa. Quer isto dizer que os respectivos titulares são, legalmente, republicanos-portugueses, como os cidadãos da Coreia do Sul são sul-coreanos e não apenas coreanos?! Nesse caso, os que só sejam portugueses, ou não sejam republicanos, são, em termos legais, apátridas, como qualquer coreano que não seja do Norte nem do Sul. Ou, pelo contrário, se o Bilhete de Identidade credencia o seu portador como português e não republicano-português, dever-se-á então concluir que o Estado correspondente não é a República portuguesa, mas Portugal?

Para a nomenclatura oficial, a implantação da República significou, gramaticalmente, o fim de Portugal substantivo, porque antes o país não era a monarquia portuguesa, mas Portugal, ou o Reino de Portugal. Com o 5 de Outubro de 1910, o nome da pátria passou a adjectivo, perdeu a maiúscula e ficou reduzido à minúscula condição de uma secundária circunstância, um apodo da organização estatal.

A República, ao sobrevalorizar o regime em detrimento da nação, eclipsou a expressão histórica da identidade de um dos mais antigos países da Europa que, por este motivo, ficou conotada com o anterior regime. Mas a denominação nacional, que remonta à fundação da nacionalidade e persiste na língua e na cultura popular, na filatelia, nas selecções desportivas, etc., não é propriedade exclusiva de nenhum sistema ou partido político.

No país vizinho não há aldeia em que não exista uma praça de Espanha, como entre nós todos os lugarejos têm uma avenida da República. Por que razão? Porque o que é óbvio não carece de explicitação, mas sim o que o não é. Os espanhóis não precisam de afirmar a sua forma de Estado, que é comum a quase toda a sua história, mas sim a sua recente e ainda polémica unidade nacional. Ao invés, a nacionalidade portuguesa está firmemente consolidada por oito séculos de pacífica unidade, mas não a República que, por este motivo, precisou de se afirmar através de uma nomenclatura oficial e artificial.

Sem anacrónicos saudosismos do Estado Novo ou da Assembleia Nacional, nem tomar partido sobre a questão do regime, talvez não fosse descabido, agora que de novo se fala de uma revisão constitucional e se questiona a pertinência do hino e da bandeira republicana, propor uma fórmula mais plural e popular da nossa identidade colectiva.

Mais de um século volvido sobre a implantação da República, é hora de que a nação se desprenda de uma aparentemente obsoleta terminologia ideológica e adopte, oficialmente, na sua Constituição, nos seus órgãos de soberania e nas suas entidades oficiais, uma designação menos facciosa e mais consensual. É algo, aliás, que já acontece nas nossas missões diplomáticas, que são denominadas embaixadas de Portugal e não da República portuguesa. Nada obsta, portanto, a que o chefe de Estado, a lei fundamental ou o parlamento o sejam também, apenas e só, de Portugal.

A igreja não deve intrometer-se em questões partidárias, nem manifestar simpatia ou aversão por qualquer regime político mas, como força de coesão social, pode e deve favorecer a reconciliação nacional, como sempre o fez, antes e depois de 1910. O nosso país, como pátria comum a todos os cidadãos, sejam republicanos ou monárquicos, de esquerda ou de direita, cristãos ou pagãos, talvez favorecesse a concórdia nacional e o seu prestígio internacional se adoptasse, oficialmente, o nome que melhor expressa a sua gloriosa e multissecular identidade: Portugal.


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Mundo a mais - Aura Miguel

A Igreja tem mundo a mais e conversão a menos.

A frase caiu que nem uma bomba, durante a visita do Papa à Alemanha: com o passar dos anos, a fé dá lugar à rotina, a estrutura esmaga o espírito, uma certa “fachada cristã” bloqueia o acesso à bondade de Deus, os critérios mundanos tomam conta do coração, os fardos do poder e das coisas materiais distorcem as verdadeiras prioridades... E, assim, gradualmente, a Igreja cai na tentação de se achar auto-suficiente. Mas a Igreja sem Deus não existe. Por isso, precisa de se converter.

Só que, como o próprio Bento XVI também alertou, a Igreja não é só o Papa, os bispos e os pastores. A Igreja somos todos nós. Por isso, somos todos nós que temos mundo a mais e conversão a menos!


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Experimentemos convencer sem esmagar - Juan Manuel Mora

Quem quer comunicar a experiência cristã precisa de conhecer a fé que deseja transmitir, e precisa de conhecer também as regras de jogo da comunicação pública. Há princípios a seguir. Sobre a mensagem que se quer difundir; sobre a pessoa que comunica; e sobre o modo de transmitir.

M e n s a g e m
PRIMEIRO: a mensagem deve ser positiva. Os públicos recebem informações muito variadas, e prestam atenção aos protestos e às críticas. Mas, acima de tudo, aderem a projectos, propostas e causas positivas.

SEGUNDO: a mensagem deve ser relevante, com significado para quem ouve, e não apenas para quem fala.

TERCEIRO: a mensagem deve ser clara. A comunicação não é principalmente o que o emissor diz, mas o que o destinatário ouve. Para comunicar é preciso evitar os argumentos complexos e as palavras obscuras.

P e s s o a
PRIMEIRO: o destinatário aceita a mensagem que vem de uma pessoa ou organização que mereça credibilidade. A credibilidade apoia-se na veracidade e na integridade moral. Por isso, a mentira e a suspeita anulam a comunicação.

SEGUNDO: empatia. A comunicação é uma relação entre pessoas, com pontos de vista, sentimentos e emoções. Falar de modo frio aumenta a distância. A empatia não é renunciar às convicções pessoais, mas imaginar-se na pele do outro.

TERCEIRO: cortesia. Se não respeitarmos as formas, corremos o risco de que a proposta cristã seja vista como mais uma das posições radicais que andam por aí. A clareza não é incompatível com a amabilidade. Com amabilidade é possível conversar; sem amabilidade o fracasso fica garantido.

M o d o d e c o m u n i c a r
PRIMEIRO: profissionalismo. Cada campo do saber tem a sua metodologia; cada actividade, as suas regras; e cada profissão, a sua lógica. Isto aplica-se às acções de comunicação.

SEGUNDO: transversalidade. O profissionalismo é imprescindível quando um debate afecta as convicções religiosas. A transversalidade é imprescindível quando um debate afecta as convicções políticas.

TERCEIRO: gradualidade. As tendências sociais nascem, crescem, desenvolvem-se, alteram-se e morrem. Em consequência, a comunicação de ideias tem muito a ver com a "agricultura": semear, regar, podar, limpar, esperar, antes de colher.

O fenómeno da secularização consolidou-se ao longo dos últimos séculos. Processos de longa gestação não se resolvem em anos, meses ou semanas. O Cardeal Ratzinger dizia que a nossa visão do mundo costuma seguir um paradigma "masculino", onde o importante é a acção, a eficácia, a programação e a rapidez. E concluía que convém dar mais espaço a um paradigma "feminino", porque a mulher sabe que tudo o que tem a ver com a vida requer espera, paciência.

A estes 9 princípios junta-se um outro, que afecta a todos eles. O princípio da caridade. A caridade é o conteúdo, o método e o estilo da comunicação da fé. A caridade dá credibilidade, empatia, e amabilidade às pessoas que comunicam. E é a força que permite agir de forma paciente, integradora e aberta. Porque o mundo em que vivemos é também com excessiva frequência um mundo duro e frio, onde muitas pessoas se sentem excluídas e maltratadas, e sonham por um pouco de luz e calor. Neste mundo, o grande argumento dos católicos é a caridade.


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domingo, 2 de outubro de 2011

Faz hoje 83 anos

"Em Madrid, no dia 2 de Outubro de 1928, Deus faz ver a Josemaria o que espera dele, e funda o Opus Dei."


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Frase do dia

"Ânimo e paciência contigo mesmo nas tuas recaídas!" 

S. Pio de Pietrelcina


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sábado, 1 de outubro de 2011

A razão do bom combate - P. Gonçalo Portocarrero de Almada

No dia 29 de Agosto passado publiquei um artigo que questionava o actual regime legal de alteração de sexo. A 4 de Setembro seguinte, o mesmo jornal publicou uma contundente resposta àquela pacífica crónica.

Por essa altura, o director de um semanário, que escrevera um inofensivo texto de opinião sobre os «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo, sofreu, por esse motivo, uma impiedosa campanha de ataques pessoais. Estes casos obrigam a questionar: está em causa a liberdade de pensamento e de expressão em Portugal?

A «igualdade de género» e os casamentos ditos homossexuais são teses aguerridamente defendidas por poderosas organizações nacionais, com a cobertura de instituições internacionais. Estes lóbis têm uma grande influência política e, em geral, gozam de um complacente acolhimento por parte dos meios de comunicação social.

Os defensores destas teses, tidas por avançadas e mesmo progressistas, advogam, na prática, uma unicidade cultural. É razoável que se lhes reconheça a liberdade de divulgação das suas opiniões, mas não a sua pretensão de silenciar as vozes discordantes. Este seu propósito não consta formalmente, é certo, mas resulta da sua estratégia de depreciação pessoal e de intimidação sobre quem se atreva a questionar o seu ideário político e social.

Um dos princípios da democracia é, precisamente, a liberdade de pensamento e de expressão. Mas esta liberdade não subsiste senão no respeito por todos os cidadãos, quaisquer que sejam as suas opiniões, desde que as mesmas não tipifiquem um delito de injúrias que, obviamente, de verificar-se, deve ser punido.

Mas o incondicional respeito pelas pessoas, pela sua dignidade e pelos seus direitos fundamentais, não tem por que traduzir-se pela adesão às suas opções. É recorrente pressupor, por exemplo, que os que defendem o matrimónio natural são contra as pessoas com tendências homossexuais, convertendo-se assim, abusivamente, uma legítima divergência conceptual numa inadmissível ofensa pessoal. Deste jeito logra-se, através da falaciosa vitimização das pessoas, a injusta condenação da tese que se pretende contraditar.

Com a mesma lógica, ou falta dela, os regimes totalitários entendem que são anti-patriotas todos os dissidentes quando, na realidade, estes apenas defendem um outro modo de servir a pátria, que seguramente não amam menos nem servem pior do que os seus opositores.

Todas as pessoas, sejam quais forem e como forem, merecem respeito, mas as suas circunstâncias – sejam elas opções de vida, ideias, teorias, gostos, doenças ou taras – nem sempre são igualmente respeitáveis. É legítima a liga contra o cancro, mas não o seria uma liga contra os doentes de cancro, por exemplo.

Mas a questão fundamental não é, contudo, a da identidade de género ou a da natureza do matrimónio. O que realmente está em causa é mais do que isso: é o modelo de sociedade que se pretende para o nosso país, para a Europa e para o mundo.

Contra a intolerância e o totalitarismo dos que pretendem impor critérios contrários à ordem natural, há que recordar as exigências da natureza humana, fundamento dos direitos fundamentais. Contra a ideologia contrária aos princípios da doutrina social da Igreja, há que defender o direito de opinião e de intervenção cívica dos fiéis, que não são menos cidadãos do que os não-cristãos. Não se trata de impor à sociedade os dogmas da fé católica, mas fazer respeitar o direito de cidadania da mundividência cristã, sem excluir as outras religiões e filosofias sociais.

Defender a liberdade de pensamento e de expressão é, entre outras, missão da Igreja a que me orgulho de pertencer e que modestamente sirvo. Esta é, como cristão e como cidadão, a razão da minha luta. Não tenho a veleidade de vencer, nem de convencer, mas não me demito do meu dever de travar o bom combate da fé.


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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Frase do dia

"Livra-te de ficares tranquilo com o que rezas e cuida que, enquanto a tua língua fala bem perante Deus, a tua vida não fale mal à Sua frente. Toma cuidado e não vivas mal enquanto falas bem." 

Santo Agostinho


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Agricultor manda Rihanna vestir-se

"Achei que não era apropriado. Pedi para que parassem e eles fizeram-no. Ela escutou-me e no final demos um aperto de mão", relatou Alan Graham à BBC News, admitindo que não saber quem era Rihanna quando lhe pediram autorização para gravar nas suas terras.

O agricultor explicou, ainda, que as poses e falta de roupa da cantora vão contra as suas crenças. "Do meu ponto de vista, a terra é minha, eu tenho as minhas crenças e senti que aquilo não era apropriado. Não desejo mal nenhum a Rihanna, nem aos seus amigos, mas talvez eles pudessem descobrir um Deus maior".

Após este incidente, a equipa de produção terá de procurar um outro local para gravar o video que vai suportar o lançamento do primeiro single no novo álbum da cantora. in DN


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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os efeitos negativos da secularização - Papa Bento XVI

É preciso reconhecer que um dos efeitos mais graves da secularização, há pouco mencionada, é ter relegado a fé cristã para a margem da existência, como se fosse inútil para a realização concreta da vida dos homens; a falência desta maneira de viver «como se Deus não existisse» está agora patente a todos. 

Hoje torna-se necessário redescobrir que É preciso reconhecer que um dos efeitos mais graves da secularização, há pouco mencionada, é ter relegado a fé cristã para a margem da existência, como se fosse inútil para a realização concreta da vida dos homens; a falência desta maneira de viver «como se Deus não existisse» está agora patente a todos. Hoje torna-se necessário redescobrir que Jesus Cristo não é uma simples convicção privada ou uma doutrina abstracta, mas uma Pessoa real cuja inserção na história é capaz de renovar a vida de todos.

in Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 77


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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No comments

Papa Bento discursa no aeroporto de Lahr, na despedida da viagem apostólica à Alemanha



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Um erro no calendário

Partilho mais um artigo de opinião dum site católico polaco sobre o Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto, que pelos vistos parece que se comemora hoje...

Desde manhã que ouço nos media que 28 de Setembro é o Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto. Celebrar o dia do direito à morte? Não é horrível?

Aqueles, cujas mães lutaram pelo "direito de matar", já morreram. Quantos são? Podem fazer-se estatísticas. Mas nenhuma delas inclui o horror relacionado com a morte destes pequenos e inocentes seres. Cada bebé não-nascido e morto é o início de uma grande tragédia na sua família e na família humana em geral. Um mundo cujos habitantes exigem o direito de matar as crianças concebidas é um mundo perdido. 

E não serve de nada anestesiar-se com palavras-chave como as proclamadas pelas senhoras da Federação para a Mulher e Planeamento Familiar, pela boca da sua directora Wanda Nowicka: "Todos queremos que cada criança que nasça na Polónia seja uma criança querida, amada e esperada. E que possamos garantir-lhe o melhor. Apenas um acesso total à contracepção pode limitar de maneira real os números do aborto. A proibição do aborto não influi no número de interrupções, apenas na sua segurança.

Parece que isto é o mais importante para o conforto da mulher e das eventuais crianças por elas seleccionadas. E o que é que pode garantir isto? A contracepção, o aborto! Tão simples que até dói. Contracepção segura, aborto seguro... Como é insegura a vida num mundo onde as mães desta forma se protegem contra a chegada dos seus filhos! Contra esta chegada que é melhor chamar acidente.

Por ocasião do Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto, esta Federação criou um jogo de tabuleiro chamado "Erro". Este mostra as possibilidades que uma mulher ou rapariga têm quando surge uma gravidez inesperada. "Nele encontram-se ainda os obstáculos com que nos podemos deparar na nossa realidade, como por exemplo um médico que não quer passar uma receita recorrendo-se da cláusula de consciência", disse Wanda Nowicka. 

Felizmente existem ainda estes obstáculos. Nestes "obstáculos" por parte de médicos, mães ou, ainda melhor, toda a sociedade, é que temos a esperança. Tenho esta esperança porque acredito nas pessoas, que qualquer dia o Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto vai ser apenas um erro no calendário. E que eu viva para vê-lo.
Barbara Gruszka-Zych


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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A perda do perdão - João César das Neves

Nos últimos 500 anos o Ocidente viveu o maior ataque cultural da história. Seguindo o magno processo contra a cultura cristã, nas suas três fases, entende-se a situação actual. Primeiro atacou-se a Igreja em nome de Deus. Depois descartou-se a divindade mantendo a moral cristã. Hoje desmantela-se a ética. A primeira fase seguiu dois passos. Primeiro, com Lutero, Calvino e outros reformadores, agrediu-se a estrutura eclesial conservando o Cristianismo. A fé em Cristo era preciosa, apesar dos perversos eclesiásticos. Depois, através de Hume, Voltaire e outros teístas, o cientifismo deísta rejeitou a doutrina e ritos, acenando à divindade longínqua e apática d'"O Grande Arquitecto" e distorcendo a História para apagar o papel da Igreja.

A segunda fase do ataque dirigiu--se ao transcendente. Recusava-se Deus e a eternidade, pretendendo conservar as regras cristãs de comportamento social. O primeiro passo, de Feuerbach, Comte e outros ateus, quis demonstrar filosoficamente a inexistência formal de Deus na sociedade humanista ideal. O falhanço dos esforços teóricos levou Thomas Huxley, Bertand Russell e outros agnósticos ao ateísmo prático simplesmente desinteressado da questão religiosa. A fase actual é de ataque frontal à moral cristã. Primeiro, com Saint-Simon, Marx e outros revolucionários, visou-se uma moral exclusivamente humana. Mas, como Nietzsche e Sartre tinham explicado, eliminando a referência metafísica, vivemos "Para lá do Bem e do Mal". Para compreender os traços essenciais da atitude moral dominante é preciso lembrar o elemento novo e original que o Cristianismo trouxe à civilização há 2000 anos. Aí se situa o núcleo da luta moral da nossa era.

Quando Cristo nasceu, a sociedade ocidental já possuía uma estrutura ética sofisticada. Homero, Zoroastro, Sócrates, Zenão, Epicuro e tantos outros tinham estabelecido um sistema complexo de virtudes, regras e comportamentos. No campo estrito da ética, a revelação cristã trouxe apenas um contributo: a misericórdia. Para Aristóteles e seus contemporâneos, o perdão era uma injustiça inaceitável. A visão cristã do mundo tornou-o indispensável: "todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sem o merecerem, todos são justificados pela Sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus" (Rm 3, 23-24).

Aquilo que a moral de hoje perdeu é a misericórdia. Em jornais, novelas, televisão e cinema encontramos valores e atitudes elevados. Mantêm-se virtudes, guardam-se mandamentos, pululam os exemplos honestos, sensatos, equilibrados. Tolera-se tudo. Só se despreza a caridade cristã. Existem duas formas de destruir a misericórdia: eliminando o pecado e eliminando o perdão. Estas são precisamente as duas atitudes mais comuns nos dias que correm. Numa enorme quantidade de situações não se vê nada de mal. Naquelas em que se vê, não há desculpa possível. As acções do próximo ou são indiferentes ou intoleráveis. O que nunca são é censuradas e perdoadas. O que nunca se faz é combinar o repúdio do pecado com a compaixão pelo pecador. O resultado está à vista. A moral oficial, em filmes, romances, séries e telejornais, é uma amálgama de regras, princípios e procedimentos, sem fundamento, coerência ou justificação. Do libertarismo mais acéfalo salta-se ao moralismo totalitário sem lógica ou razão. Aborto e adultério tornavam-se de crimes em direitos, enquanto tabaco e touradas passaram de hábitos a infâmias. Os enredos da moda exaltam os valores pagãos, mágicos, bárbaros, orientais, ocultistas, libertinos, vampiros. Todos, menos cristãos.

Após 500 anos de ataques à Igreja, este é o estado do Ocidente. Qual a situação da fé, com cinco séculos de agressões? Está igual a si mesma. A moral cristã perdura, 100 anos depois de Nietzsche. A fé em Cristo mantém-se, 250 anos depois de Hume. A Igreja Católica permanece, cinco séculos após Lutero. O último meio milénio não foi mais duro para os discípulos de Cristo que os anteriores. Desde o Calvário, a Igreja é atacada. Ressuscitando ao terceiro dia.


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Frase do dia

“A humanidade irá preferir renunciar a todas as questões filosóficas – no Marxismo ou positivismo de todas as cores – a aceitar uma filosofia que encontre a sua única resposta final na revelação de Cristo. Cristo enviou os seus discípulos como ovelhas no meio de lobos. Deveríamos meditar sobre esta comparação, antes de fazermos um pacto com o mundo.” 

Cardeal Urs von Balthasar


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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O mistério da vida de S.Pio de Pietrelcina (Padre Pio)



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Nonsense




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Serenidade. – Por que te zangas? - S.Josemaria Escrivá

Serenidade. – Por que te zangas, se zangando-te ofendes a Deus, incomodas os outros, passas tu mesmo um mau bocado... e por fim tens de te acalmar? (Caminho, 8)

Isso mesmo que disseste, di-lo noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio e, sobretudo não ofenderás a Deus. (Caminho, 9)

Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três horas. – Modera o teu génio. (Caminho, 10)

Quando realmente te abandonares no Senhor, aprenderás a contentar-te com o que suceder, e a não perder a serenidade, se as tarefas – apesar de teres posto todo o teu empenho e empregado os meios convenientes – não saem a teu gosto... Porque terão "saído" como convém a Deus que saiam. (Sulco, 860)

Sendo para bem do próximo, não te cales, mas fala de modo amável, sem destemperança nem aborrecimento. (Forja, 960)


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domingo, 25 de setembro de 2011

Papa na Alemanha




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Começa pelo primeiro degrau, a humildade - S. Cesário de Arles

Ao pecar, o homem enchera o seu caminho de obstáculos, mas este ficou facilitado quando Cristo o pisou com a Sua ressurreição e transformou um carreiro estreito numa avenida digna de um rei. A humildade e a caridade são os dois pés que permitem percorrê-la rapidamente. Todos são atraídos para as alturas da caridade, mas a humildade é o primeiro degrau que é preciso subir. Porque levantas o pé acima de ti? Afinal queres subir ou queres cair? Começa pelo primeiro degrau, ou seja, pela humildade, e ele te permitirá subir.

Eis porque o nosso Senhor e Salvador não Se limitou a dizer: «Renuncie a si mesmo», mas antes acrescentou: «Tome a sua cruz e siga-Me». Que significa: tome a sua cruz? Suporte tudo o que lhe é penoso, pois é assim que caminhará atrás de Mim. Assim que tiver começado a seguir-Me, adaptando-se à Minha vida e aos Meus mandamentos, encontrará no seu caminho muitas pessoas que o contradirão, que procurarão desviá-lo, que não apenas troçarão dele mas o perseguirão. Essas pessoas não se encontram somente entre os pagãos que estão fora da Igreja; encontram-se até entre os que, vistos do exterior, parecem estar na Igreja.

Portanto, se desejas seguir Cristo, toma a tua cruz sem mais demora e suporta os maus sem te deixares abater. «Se alguém quiser vir Comigo, tome a sua cruz e siga-Me.» Se quisermos pôr isto em prática, esforcemo-nos, com a ajuda de Deus, por fazer nossas estas palavras do apóstolo Paulo: «Se tivermos de que nos alimentar e vestir, contentemo-nos com isso». Há o perigo de, ao procurarmos mais bens terrestres do que aqueles de que precisamos, «querendo enriquecer», virmos a «cair na armadilha da tentação, numa quantidade de desejos absurdos e perigosos, que precipitam as pessoas na ruína e na perdição» (1Tm 6,8-9). Que o Senhor Se digne tomar-nos sob a Sua protecção e livrar-nos desta tentação.


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sábado, 24 de setembro de 2011

Encontrar algo que corresponda à nossa espera - Pe.Julián Carrón

Quando penso num jovem de hoje que se está abrindo à vida, invade-me uma ternura infinita: como se orientará nesta babel cheia de oportunidades e de desafios em que lhe toca viver? Basta ver a televisão, ou passar por uma banca de revistas ou uma livraria, para ver a variedade de opções que tem diante de si. Acertar é tarefa árdua. Mas se é comovedor pensar num jovem perante semelhante desafio, assombra-me ainda mais que quem nos colocou na realidade não tenha tido qualquer escrúpulo em correr semelhante risco. A ponto de escandalizar aqueles que gostariam de poupá-lo a si mesmos e aos outros, sejam estes filhos,  amigos, ou alunos.

O Mistério, porém, não nos lançou na aventura da vida sem nos fornecer uma bússola para nos podermos orientar. Esta bússola é o coração. Na nossa época o coração é reduzido a um sentimento, a um estado de ânimo. Mas todos podemos reconhecer na experiência que o coração não se deixa reduzir, não se conforma com qualquer coisa. “O homem é verdadeiramente criado para aquilo que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente”, diz o Papa na sua Mensagem. Nós bem o sabemos.

Por isso, quem toma a sério o seu coração, feito para aquilo que é grande, começa a ter um critério para se compreender a si próprio e à vida, para julgar a verdade ou falsidade de qualquer proposta que assome no horizonte da sua vida. “São-vos apresentadas continuamente propostas mais fáceis, mas vós mesmos vos apercebeis que se revelam enganadoras, que não vos dão serenidade e alegria”. Existirá algo que esteja à altura das nossas exigências mais profundas, que possa responder ao nosso anseio, grande como o infinito? Muitos responderão que tal coisa não existe, vista a decepção que em tantas ocasiões experimentaram  quando depositaram a sua esperança no que estava fadado a desiludi-los. Mas nenhum de nós pode evitar esperar. Será irracional esta expectativa? Então, por que esperamos? Porque é a coisa mais racional: nenhum de nós pode garantir que não existe.

Mas só descobriremos que existe se tivermos a oportunidade de encontrar algo que corresponda verdadeiramente à nossa espera. Como os primeiros que encontraram Jesus: “nunca vimos coisa igual!”. Desde que este acontecimento entrou na história, ninguém que tenha tido notícia dele pôde ou poderá estar tranquilo. Todo o cepticismo do mundo não o poderá eliminar da face da terra. Estará ali, no horizonte da sua vida, como uma promessa que constitui o maior desafio que teve de enfrentar. “Quem me segue receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna”. Só quem tiver a audácia de comprovar na vida a promessa que o anúncio cristão contém poderá descobrir a sua capacidade de responder à sua espera. Sem esta verificação não poderá existir uma fé à altura da natureza racional do homem, quer dizer, capaz de o continuar a interessar.


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Casamento e relações



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