terça-feira, 22 de novembro de 2011

O sacerdote católico - Cardeal Piacenza

Grupo ACI: Um conjunto de factos e sobreexposição mediática criou uma “crise”, por assim dizer, da imagem do sacerdote católico. Como recuperar esta imagem, para bem da Igreja?

Cardeal Piacenza: Na teologia católica, imagem e realidade nunca se separam. A imagem é curada quando curamos a interioridade. Devemos curar sobre tudo “por dentro”. Não devemos preocupar-nos
muito por “parecer por fora”, mas por “ser realmente”.

Grupo ACI: Alguns defendem que esta “crise” é mais uma razão para as “reformas exigidas” sobre o modo de viver o sacerdócio. Fala-se, por exemplo, de sacerdotes casados como uma solução tanto para
a solidão dos sacerdotes como para a falta de vocações sacerdotais. O que significa verdadeiramente a “reforma do clero” no pensamento e magistério do Santo Padre Bento XVI?

Cardeal Piacenza: Se seguíssemos esse tipo de argumentos, criaríamos uma ruptura inaudita. Os remédios sugeridos agravariam terrivelmente os males e seguiriam a lógica inversa do Evangelho.

Fala-se de solidão? Mas por quê? Acaso Cristo é um fantasma? A Igreja, é um cadáver ou está viva? Os Santos sacerdotes dos séculos passados foram homens anormais? A santidade é uma utopia, um assunto para poucos predestinados, ou uma vocação universal, como nos recordou o Concílio Vaticano II?

Não se deve baixar e sim elevar o tom: esse é o caminho. Se a subida for árdua devemos tomar vitaminas, devemos reforçar-nos e, fortemente motivados, sobe-se com muita alegria no coração.

Para ser fiéis é necessário estar apaixonados. Obediência, castidade no celibato, dedicação total no serviço pastoral sem limite de calendário ou de horário, se estamos realmente apaixonados, não são percebidos como limitações, mas como exigências do amor que por nós não poderíamos conseguir. Não são um molho de “nãos” mas um grande “sim” como o de Nossa Senhora na Anunciação.

A reforma do clero? É o que eu reclamo desde que era seminarista e depois jovem padre (falo dos anos 1968 -1969) e encho-me de alegria ao ouvir o Santo Padre invocar continuamente essa reforma como uma das reformas urgentes mais necessária na Igreja. Mas a reforma de que estamos a falar tem de ser católica e não “mundana”!

Sendo muito breve, pode-se dizer que o Papa considera muito importante um clero seguro e humildemente orgulhoso da própria identidade, completamente identificado com o dom de graça recebido, de tal maneira
que distinga claramente entre o “Reino de Deus” e o mundo. Um clero não secularizado, que não sucumba às modas passageiras nem aos costumes do mundo. Um clero que reconheça, viva e proponha a primazia de Deus, e que tire todas as consequências dessa primazia.

Em duas palavras, a reforma consiste em ser o que devemos ser e procurar cada dia chegar a ser o que somos. Trata-se portanto de não confiar tanto nas estruturas, nas programações humanas, mas sim
e sobre tudo na força do Espírito.


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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ordenação Episcopal de D. Nuno Brás, novo Bispo Auxiliar de Lisboa




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Frase do dia

"A melhor profissão de fé é a que, no relampejar da tormenta, te levanta e te conduz a Deus."  
S. Pio de Pietrelcina


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domingo, 20 de novembro de 2011

A hipocrisia dos Benetton - Andrea Tornielli

Parabéns à Benetton pela lata, diria mesmo pela hipocrisia.

Como já é sabido, dia 16/11 rebentou a polémica sobre a nova campanha publicitária, que pretendeu reviver os dias de glória das campanhas de Oliviero Toscani. Assim, de repente, na ponte do Castelo de Sant'Angelo [perto do Vaticano], afixaram uma gigante foto-montagem onde aparece Bento XVI e o imã de Al Ahzar, Ahmed al-Tayyeb, que se beijam na boca. A descabida campanha publicitária, que apenas pretende provocar, prevê outros beijos (entre Obama e o presidente chinês, entre Merkel e Sarkozy) e está inspirada na foto famosa do beijo entre Leonid Brejnev, então presidente da URSS e Erich Honecker, presidente da Alemanha Oriental.

O autor da fotomontagem, entre outras coisas, quis tornar o beijo entre os dois líderes religiosos mais «passional» que o beijo dos líderes políticos. A apresentação da nova campanha Benetton realizou-se em Paris, cidade onde Gilberto Benetton recebeu a Legião de Honra, a máxima condecoração honorífica do Estado francês, directamente das mãos do presidente Sarkozy, durante uma cerimónia no Eliseu. «O objectivo da campanha é combater a cultura do ódio, promovendo a proximidade entre povos, crenças, culturas e compreensão pacífica das razões dos outros - explicou Alessandro Benetton, vice-presidente executivo da Benetton Group-. Os ódios nunca irão cessar por força do ódio, hão-de cessar graças ao não-ódio». Esta campanha, concluiu Benetton, «gera um estado de espírito de reconciliação, mas não é uma campanha suave: o amor seria irrealista, mas o não-ódio é, pelo contrário, uma coisa que podemos fazer».

Como era de esperar, o uso e o abuso da imagem do Papa e do imã egípcio afixada a poucos passos da Praça de S. Pedro provocaram indignação e a justa resposta da Santa Sé. 

O P. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, expressou «um protesto firme pelo uso totalmente inaceitável da imagem do Papa, manipulada e instrumentalizada no contexto de uma campanha publicitária com fins comercias». «Trata-se - acrescentou - de uma grave falta de respeito para com o Papa, de uma ofensa aos sentimentos dos fiéis, de uma demonstração evidente de como no âmbito da publicidade se podem violar as regras elementares do respeito pelas pessoas com o fim de atrair atenções».

O aspecto mais surreal e nalguns pontos ridículo destes tristes acontecimentos está representado pela (falsíssima) resposta do grupo Benetton, que à reacção vaticana respondeu: «Repetimos que o sentido desta campanha é exclusivamente combater a cultura do ódio em todas as suas formas. Estamos, portanto, tristes por saber que o uso da imagem do Papa e do imã tenha de alguma maneira ferido a sensibilidade dos fiéis. Como confirmação dos nossos sentimentos, decidimos, com efeito imediato, retirar esta imagem de todos os lugares onde foi publicitada».
Coitadinhos, ficaram tristes.
Coitadinhos, não podiam imaginar.
Coitadinhos, não fizeram de propósito.
Coitadinhos, tão empenhados em promover a sua camisola colorida que nem se lembraram de quem é o Papa.
Coitadinhos, não imaginaram que para um fiel católico, como para um fiel muçulmano, e até simplesmente para uma pessoa de bom senso, aquela fotomontagem teria de ofender, ferir, indignar.
Coitadinhos, os Benetton não chegaram lá.
Eles não queriam provocar, nãããããããããão... Nunca!
Eles só queriam dizer que não querem o ódio.
 Por isso, «com efeito imediato», assim que conseguiram a visibilidade mundial que procuravam, retiraram - oh a bondade deles, que sensibilidade! - a foto do Papa Ratzinger e do imã do Cairo. Isto é, sim, um exemplo de responsabilidade e de compreensão das razões do outro: será já um primeiro efeito positivo do novo governo Monti?

Espero vivamente que o Vaticano desta vez avance em iniciar um processo judicial contra o grupo Benetton, em vez de deixar passar. Eventualmente anunciando desde já o projecto social a que serádestinado o valor da indemnização. E aos irmãos Benetton, exemplo da Itália perspicaz, daquela Itália que trabalha não só para ganhar dinheiro, mas que quer ainda ajudar a todos a serem melhores, assim tão atentos à sensibilidade de cada qual, permito-me fazer uma sugestão: vão pessoalmente - talvez com a Legião de Honra de monsieur Sarkozy cravada no peito - colar o mesmo mega cartaz diante da sede de Al Azhar, no Cairo. Então veremos se o prezado gesto surtirá o efeito esperado de combater a cultura do ódio.


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sábado, 19 de novembro de 2011

O essencial - Aura Miguel

"O que se passa convosco, europeus? Porque é que estão em crise?”

A pergunta genuína de uma colega jornalista do Benim obrigou-me a responder-lhe de forma demasiado sintética: “Andámos durante anos a viver na ilusão de que éramos ricos e, agora, é o que vê!”.

A minha colega, de capulana e turbante coloridos (também ela jornalista de rádio) olhou para mim, com aquele ar complacente de quem nada pode fazer, e, sorrindo, afirmou: “Connosco, os problemas são outros”.

Com efeito, a pobreza do Benim está à vista de todos e não a escondem. Mas, talvez por isso mesmo, há quem esteja mais atento ao essencial, como confidenciou ontem um missionário comboniano português, há três anos no Benim. Disse ele: “Aqui, sou livre, muito mais livre do que na Europa, cheia de bem-estar e democracia. Aqui, pode faltar muita coisa material, mas as pessoas são mais humanas, têm respeito por Deus e são alegres. Numa palavra, fazem-nos sentir em casa!”.


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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sermão sobre a consagração duma igreja - Lansperge, o cartuxo

A consagração que comemoramos hoje diz respeito, na realidade, a três casas. A primeira é o santuário material. [...] É certo que podemos rezar em qualquer lado e que não há nenhum sítio onde não possamos rezar. No entanto, é muito conveniente termos consagrado a Deus um local especial onde todos nós, os cristãos que formamos esta comunidade, nos possamos reunir para louvar e rezar a Deus juntos, e assim obter mais facilmente aquilo que pedimos, graças a esta oração comum, segundo a palavra: «Se dois de entre vós se unirem, na terra, para pedirem qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos céus» (Mt 18,19).

A segunda casa de Deus é o povo, a comunidade santa que encontra a sua unidade nesta igreja, isto é, vós, que sois guiados, instruídos e alimentados por um só pastor ou bispo. É a casa espiritual de Deus, da qual a nossa igreja, esta casa material de Deus, é o sinal. Cristo construiu este templo espiritual para Si mesmo. [...] Esta morada é formada pelos eleitos de Deus passados, presentes e futuros, reunidos pela unidade da fé e da caridade nesta Igreja una, filha da Igreja universal, e que aliás é una com a Igreja universal. Considerada à parte das outras Igrejas particulares, ela não é senão uma parte da Igreja, como o são todas as outras Igrejas. Porém, estas igrejas formam em conjunto a única Igreja universal, mãe de todas as Igrejas. [...] Ao celebrar a consagração da nossa igreja, não fazemos mais do que recordar-nos, no meio das acções de graças, dos hinos e dos louvores, da bondade que Deus manifestou ao chamar este pequeno povo a conhecê-Lo.

A terceira casa de Deus é qualquer alma santa devotada a Deus, a Ele dedicada pelo baptismo, tornada templo do Espírito Santo e morada de Deus. [...] Quando celebras a consagração desta terceira casa, recordas simplesmente o favor que recebeste de Deus quando Ele te escolheu para vir habitar em ti pela Sua graça.


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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Entrevista a D.José Cordeiro, bispo de Bragança

- Acha que o casamento dos padres poderá fazer aumentar as vocações?

- Penso que não. Parece-me que estão mais perto os católicos do Oriente de optarem pelo celibato do que os do Ocidente optarem por casar. Esta é a Igreja que abraçamos.

- O que pensa da ordenação das mulheres?

- O Papa João Paulo II colocou um ponto final sobre a matéria. Enquanto um Papa não a reabrir, não me parece que devamos discutir o assunto.

- As nossas igrejas devem voltar a ter confessionários?

- Acho que as igrejas devem ter um lugar próprio para o sacramento da penitência, devidamente assinalado, e com horários para confissões, como tem horários das missas.

- Tem página no Facebook. Tenciona utilizar estas novas ferramentas como meio de evangelização?

- Claro que sim. Quero aliás ser um bispo da internet e das novas linguagens, mas fazê-lo com qualidade. Estamos a pensar em, até Janeiro, preparar um novo esquema de comunicações, que não prescinda do contacto directo, que é o mais importante. in Correio da Manhã


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O custo da facilidade - João César das Neves

Um dos problemas mais interessantes e influentes do nosso tempo é saber se a redução do custo degrada o valor. Graças à tecnologia cada vez temos mais coisas e mais baratas, mas isso não significa que vivamos melhor. Pode ser que, aumentando as disponibilidades, desça a satisfação. Esta é a questão mais decisiva do progresso: será que avanço significa melhoria?

A primeira coisa a reduzir o custo, logo nos inícios da industrialização, foi naturalmente a mais indispensável: a alimentação. Graças a isso foi praticamente eliminado o drama da fome endémica nas sociedades desenvolvidas. Mas não se pode dizer que comamos hoje melhor que antes, multiplicando-se problemas como obesidade, colesterol, bulimia e anorexia. Vestuário e habitação, igualmente básicos, vieram a seguir, mas basta ver a indumentária de um jovem actual ou visitar o seu quarto para perguntar se a abundância significou qualidade.

Outro campo com ganhos notáveis é a arte. Em todos os modos de expressão, da música à literatura e artes plásticas, qualquer um pode hoje facilmente dar largas à sua manifestação estética de forma impensável há poucas décadas. A técnica até gerou novas formas de criação, da fotografia ao cinema, até às curtíssimas dos telemóveis. A dúvida é saber se este tempo deixará obras de qualidade comparáveis aos anteriores, ou se a descida de custos fez brotar o grotesco, boçal, mesquinho. Onde estão os novos Mozart, Rembrandt ou Dante? Muitos diziam que a antiga sociedade elitista e limitada afogava a expressividade de múltiplos génios em potência. As últimas décadas dificilmente provam a tese de que o aumento da acessibilidade melhora o talento. O menor custo gerou pouca excelência.

Este fenómeno tem dimensões compreensíveis e naturais devido a uma característica humana básica. As pessoas tendem a desprezar aquilo que abunda, mesmo óptimo, enquanto admiram a raridade, até detestável. A água indispensável é mais barata que o ácido sulfúrico tóxico e há mais gente a contemplar a telenovela que o pôr-do-sol. Mas existe outra dimensão: o alargamento do leque de escolhas leva as pessoas frequentemente a optarem pelo mal. Errar é, não só humano, mas necessidade básica.

Talvez o aspecto onde este elemento é mais visível seja aquele onde a redução de custos tem sido maior: a comunicação. Internet, telemóveis e afins ampliaram espantosamente o grau de conectividade dos seres humanos. Mas terá aumentado a proximidade, solidariedade e elevação das conversas? Será o Facebook mesmo uma rede social, ou antes uma promoção de vacuidade, ilusão, embuste e solidão?

Durante milénios a forma de contacto à distância era a carta, em tempos onde papiro e pergaminho eram caríssimos. Por isso cada um pensava muito bem naquilo que ia escrever. O resultado é que ainda hoje guardamos colectâneas de epístolas de figuras marcantes como tesouros do pensamento. Seria natural e saudável que a abissal descida no custo da comunicação multiplicasse as mensagens inúteis e banais, como os que usam chamadas grátis para dizer "estou a chegar". O verdadeiro problema, porém, é se esta enorme explosão de ligações não eliminou as tais mensagens profundas, ponderadas e elaboradas, aquelas que valeria a pena guardar em colectâneas de correspondência. O mal seria se a redução de custo do contacto tivesse degradado o valor das mensagens. Não apenas da mensagem marginal, que é compreensível, mas de todas.

O progresso sempre assustou. Malthus previu fome e miséria, Marx anunciou exploração e conflitos, os ecologistas prometem catástrofes planetárias. Na verdade a enorme descida de custos no acesso aos bens, em todos os campos, tem criado ganhos espantosos, que nem sempre sabemos apreciar. Apesar de tudo, a maravilhosa comunicação na Internet é inestimável. No entanto, temos de dizer também que o esforço, sofrimento e sacrifício são condições necessárias da qualidade. A facilidade do progresso gera banalização e mata a excelência. Por isso, talvez as crises sejam indispensáveis para nos sentirmos humanos.


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Papa reflete sobre a Parábola dos Talentos

A Palavra de Deus deste domingo - o penúltimo do ano litúrgico - nos adverte sobre a transitoriedade da existência terrena e convida-nos a vivê-la como uma peregrinação, mantendo os olhos fixos na meta, o Deus que nos criou, e porque nos fez para si (cf. Santo Agostinho, Conf 1.1), é o nosso destino último e o sentido do nosso viver. Passo necessário para alcançar tal realidade definitiva é a morte, seguida pelo Juízo Final. O apóstolo Paulo nos lembra que "o dia do Senhor virá como um ladrão de noite" (1 Ts 5,2), ou seja, sem aviso prévio. A consciência do retorno glorioso do Senhor Jesus nos encoraja a viver em uma atitude de vigilância, à espera da sua manifestação na constante memória da sua primeira vinda.

Na famosa parábola dos talentos - registrada pelo evangelista Mateus (cf. 25, 14-30) - Jesus conta a história de três servos que o patrão, ao sair para uma longa viagem, confia seus próprios bens. Dois deles se comportam bem, porque trazem o dobro dos bens recebidos. O terceiro, ao contrário, esconde o dinheiro recebido num buraco. Retornado à casa, o patrão pede contas aos servidores de quanto tinha confiado a eles e, enquanto se congratula com os dois primeiros, fica decepcionado com o terceiro. O servo, de fato, que tinha mantido escondido o talento sem valorizá-lo, calculou mal: agiu como se seu patrão não voltasse mais, como se não houvesse um dia em que iria pedir-lhe contas do seu trabalho. Com esta parábola, Jesus quer ensinar os discípulos a fazer bom uso de seus dons: Deus chama cada homem à vida e lhe dá certos talentos, dando-lhes ao mesmo tempo uma missão para realizar. Seria tolice pensar que estes dons nos são devidos, bem como abster-se de usá-los seria uma negligência com relação ao objetivo da própria existência.

Comentando esta página evangélica, São Gregório Magno nota que o Senhor não deixou ninguém sem o dom da sua caridade, do amor. Ele escreve: "É necessário, portanto, meus irmãos, que vocês coloquem todos os esforços na custodia da caridade, em toda ação que devam cumprir " (Homilias sobre os Evangelhos 9.6). E depois de afirmar que a verdadeira caridade consiste em amar tanto amigos, quanto inimigos, acrescenta: "Se alguém não tem essa virtude, perde tudo de bom que tenha, fica privado do talento recebido e é jogado fora, nas trevas" (ibid. ).

Queridos irmãos, acolhamos o convite à vigilância, à qual repetidamente nos lembra a Sagrada Escritura! Esssa é a atitude de quem sabe que o Senhor vai voltar e vai querer ver em nós os frutos do seu amor. O amor é o bem fundamental que ninguém pode deixar de fazer frutificar e sem o qual todo outro dom é vão (cf. 1 Cor 13,3). Se Jesus nos amou até o ponto de dar sua vida por nós (cf. 1 Jo 3,16), como podemos não amar a Deus com todo o nosso ser e amar-nos com verdadeiro coração uns aos outros? (Cf. 1 Jo 4,11) Somente praticando a caridade, também nós poderemos participar da alegria de nosso Senhor. A Virgem Maria nos seja a mestra de operosa e gozosa vigilância no caminho para o encontro com Deus.


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domingo, 13 de novembro de 2011

Em noite de tempestade é bom relembrar




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Discurso aos Leigos (Lisboa, 12/05/1982) - Papa João Paulo II

[ "Leigo"? - que é isso? ]

E qual é a vossa vocação, responsabilidade e missão de leigos? Vós bem o sabeis: o leigo está integrado no Povo de Deus, que caminha neste mundo rumo à Pátria celeste. (...)

E fostes chamados à santidade, tendo por modelo o próprio Cristo, na sua doação integral ao Pai e aos irmãos: “como Aquele que vos chamou à santidade, sede também vós
santos em todas as vossas acções”.

Mas olhai que a santidade, mais que uma conquista, é dom que vos é concedido: o amor de Deus foi derramado em vossos corações pelo Espírito Santo que vos foi dado. Assim, ser cristão não é, primariamente, assumir uma infinidade de compromissos e obrigações, mas é deixar-se amar por Deus

[ Que faz um leigo? ]

Perguntareis: o que é que nos compete fazer, na qualidade de leigos? O cristão nunca pode limitar-se a uma atitude meramente passiva, de puro receber. A vossa missão de leigos, portanto, fundamentalmente é a santificação do mundo, pela vossa santificação pessoal, ao serviço da restauração do mundo.

O Concílio Vaticano II, que tanto se debruçou sobre os leigos e o seu papel na Igreja, acentuou bem a sua índole secular. É o cristão que vive no mundo, responsável pela edificação cristã da ordem temporal, nos seus diversos campos: na política, na cultura, nas artes, na indústria, no comércio, na agricultura...

A Igreja há-de estar presente em todos os sectores da actividade humana e nada do que é humano lhe pode
permanecer alheio. E sois vós, principalmente, prezados leigos, que a deveis tornar presente. Quando se acusasse a Igreja de estar ausente de algum sector, ou de despreocupar-se de algum problema humano,
equivaleria lastimar a ausência de leigos esclarecidos ou a não actuação de cristãos naquele determinado sector da vida humana.

Por isso dirijo-vos um apelo caloroso: não deixeis a Igreja ficar ausente de nenhum ambiente da vida da vossa querida Nação. Tudo deve ser permeado pelo fermento do Evangelho de Cristo e iluminado pela sua luz. É vossa tarefa fazê-lo. Este é o caminho:

cristãos no aconchego da intimidade pessoal;
cristãos no interior do lar – como esposos, pais e mães e filhos de família, em “igreja doméstica”;
cristãos na rua, como homens e mulheres situados;
cristãos na vida em comunidade,
no trabalho,
nos encontros profissionais e empresariais,
no grupo,
no sindicato,
no divertimento,
no lazer, etc.;
cristãos na sociedade, ocupando cargos elevados ou prestando serviços humildes;
cristãos na partilha da sorte de irmãos menos favorecidos;
cristãos na participação social e política;
enfim, cristãos sempre, na presença e glorificação de Deus, Senhor da vida e da história.

[ Que "preparação" deve ter um leigo? ]

A vivência generosa e testemunho corajoso da vossa identidade, sabemo-lo, transcende meras qualificacões sociológicas; exige algo profundamente pessoal, que insere na comunidade “ontológica” dos discípulos de Cristo. Já se deixam entrever, como imperativos indeclináveis:

o cultivo da fé e da vida divina,
a frequência dos sacramentos e o dever da oração constante;
a necessidade, mais do que a simples vantagem,
da fidelidade à Cátedra de Pedro,
da comunhão profunda com a Hierarquia bem inseridos nas perspectivas da Igreja local,
em aderência aos vossos Bispos e
em sintonia com as Comissões episcopais nacionais,
em união com o clero e com os religiosos;
a exigência de associações realisticamente organizadas e informadas pelo amor: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros, como eu vos amei”.


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sábado, 12 de novembro de 2011

Igreja lança site de perguntas e respostas sobre a fé: Aleteia



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Convida os pobres - São Vicente de Paulo

Honrar Nosso Senhor é ir de encontro aos Seus sentimentos, guardá-los, fazer o que Ele fez e levar a cabo o que mandou. Ora, os Seus maiores sentimentos foram pelos pobres: tratar deles, curá-los, consolá-los, socorrê-los e protegê-los, em tudo isso pôs o Senhor o Seu enlevo. Ele próprio quis nascer pobre, acolheu os pobres na Sua companhia, serviu-os e pôs-Se no lugar deles, ao ponto de dizer que o bem e o mal que lhes fizermos é a Ele que o fazemos (Mt 25,40). Que amor tão terno era Ele capaz de mostrar pelos pobres! E que amor, pergunto eu, podemos nós ter por Ele, senão o de amarmos a quem o Senhor amou? Mais, amar os pobres é amar da melhor maneira, porque é servi-Lo e amá-Lo como devemos.

Ora, se podemos honrar um Salvador assim complacente, imitando-O desse modo, muito maior honra Lhe será feita, nessa imitação, ao identificarmo-nos com Ele! Não vedes aí um motivo suplementar para renovardes o vosso fervor? Por mim, estou convencido de que devemos desse modo oferecer-nos à Sua divina Majestade [...], de tal sorte que se possa desde agora dizer que «a caridade de Cristo nos impele» (2Cor 5,14).


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Além dos comes e bebes... - Aura Miguel

Hoje em dia, todos associam o Dia de S. Martinho a feiras e festas, castanhas e vinho novo. Afinal, acontece também o mesmo no mês de Junho, com os chamados santos populares.

Com tantos excessos praticados nestas ocasiões, não me parece que António de Lisboa, João Baptista, o próprio apóstolo Pedro e, no dia de hoje, Martinho fiquem satisfeitos que o seu nome surja apenas associado aos comes e bebes.

Por isso, é de justiça recordar que S. Martinho morreu no ano de 397. Foi militar, mas renunciou à sua carreira para se tornar monge. Mais tarde, veio a ser bispo de Tours, cidade francesa onde está sepultado. A sua generosidade e humildade fizeram dele um dos santos mais populares e famosos de toda a Europa Ocidental.

Frequentemente representado em cima de um cavalo a entregar metade do seu manto a um pobre que tiritava de frio, a sua fama levou mesmo o Conselho da Europa a declará-lo em 2005 “modelo europeu da partilha”.

Nem de propósito: nestes tempos tão necessitados de entre ajuda, que São Martinho nos inspire a todos!


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JMJ - Papa rejeitou três vezes deixar o aeródromo de Quatro Vientos

Uma jovem hondurenha que esteve muito perto de Bento XVI na vigília de oração no aeródromo de Quatro Ventos durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Madrid, revelou que em três ocasiões, cada uma mais firme do que a anterior, o Santo Padre recusou-se a deixar o lugar durante a tormenta dessa noite.

Desde Roma, onde foi para participar de numa ordenação diaconal no Pontifício Colégio Norte-americano, a jovem jornalista e anfitriã em vários eventos da JMJ, Erika Rivera, explicou que na noite de Sábado dia 20 de Agosto "os mestres de cerimónia perguntavam (ao Papa) se queria retirar-se, porque chovia muito muito e havia um vento forte. Ele dizia-lhes que não iria embora de lá. De facto por duas vezes moveu o dedo indicando ‘não, não, não’".

À terceira vez os colaboradores mais próximos a Bento XVI perguntaram-lhe se queria retirar-se. Desta vez a resposta do Papa foi mais firme ainda, acenando ao milhão de jovens empapados depois de um fortíssimo dia de sol que superou os 40 graus: "se eles ficarem, eu ficarei também".

"E quando disse isso, nós que estávamos perto dele, ficamos muito contentes do ter como Santo Padre. Assim foi fantástico, uma experiência única", disse a jovem Erika. No meio das cadeiras plásticas voando, sob os trovões e relâmpagos, empapados, a cantar em coro "Esta é a juventude do Papa!" e "Be-ne-dic-to!", os jovens esperavam que o Pontífice reiniciasse o seu discurso. "Não tínhamos medo de nada porque podíamos ver que ele era o que mais sereno estava", disse Rivera. "Transmitia muita serenidade, muita calma e por isso, sabe, perguntamo-nos confidencialmente: que mais poderia suceder-nos?", acrescentou.

Quando a chuva parou, depois de 15 minutos, o Papa agradeceu aos jovens reunidos e disse: "obrigado, obrigado por essa alegria. Obrigado por essa alegria e resistência. A nossa força é maior que a chuva, obrigado. O Senhor com a chuva manda-nos muitas bênçãos. Vocês são um exemplo".

Depois de ler as saudações que tinha preparado em distintos idiomas veio a adoração eucarística. O Santíssimo Sacramento foi colocado numa jóia de ourivesaria de Toledo, uma custódia do ano 1600 de um metro e oitenta de altura.

"Foi fantástico, surpreendente. Como uma obra de arte. A Eucaristia estava ali, o Santo Padre também e o futuro da Igreja, os jovens, também faziam parte de tudo. Foi maravilhoso", recorda Rivera.

Passados dois meses da JMJ Madrid 2011, a jovem hondurenha acredita que este inesquecível episódio deixa uma cara lição do Papa para o mundo: "a sociedade moderna toma o caminho fácil. Ver o Papa Bento disposto a ficar ali, a sacrificar-se como Cristo que morreu na cruz por nós, foi algo verdadeiramente inspirador".  
in ACI digital


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Momento cultural




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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Frase do dia

"A Sagrada Escritura não é algo que pertence ao passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente; Ele fala connosco hoje, dá-nos a Luz, mostra-nos o caminho da Vida, concede-nos a comunhão, e, assim, prepara-nos e abre-nos para a Paz." 

Papa Bento XVI, 29.03.2006


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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não sei quando me irão enforcar, mas irei sem medo - Asia Bibi

Carta de Asia Bibi, da prísão:

Meu querido Ashiq, meus queridos filhos, é uma grande provação, esta que tereis de enfrentar. Esta manhã, fui condenada à morte. Confesso-vos que, quando ouvi o veredicto, chorei, mas no fundo não fiquei surpreendida. Não estava à espera de clemência nem de coragem por parte dos juizes, que se submeteram às pressões dos mulás e do fanatismo religioso.

Desde que voltei à minha cela e sei que vou morrer, todos os meus pensamentos vão para ti, meu Ashiq, e para vós, meus filhos adorados. Censuro-me por vos deixar sozinhos em pleno turbilhão.

A ti, Imram, meu filho mais velho de dezoito anos, desejo-te que encontres uma boa esposa e que a faças feliz tal como o teu pai me fez a mim.

Tu, Nasima, minha filha maior de vinte e dois anos, já encontraste um marido, a família dele e uns sogros acolhedores; dá ao teu pai os netos que irás criar na caridade cristã como nós sempre fizemos.

Tu, minha doce Isha, tens quinze anos, mas nasceste com falta de entendimento. O papá e eu sempre te considerámos uma dádiva de Deus, tão boa que és e tão generosa. Não deves perceber porque é que a mamã não está aí, ao pé de ti, mas estás presente no meu coração, tens sempre lá um lugar especialmente reservado, somente para ti.

Sidra, tens apenas treze anos e eu sei que, desde que estou na prisão, és tu que tratas das coisas da casa, és tu que tomas conta de Isha, a tua irmã, que tanto precisa de ser ajudada. Censuro-me por obrigar-te a uma vida de adulta, tu que és tão pequena e que ainda devias brincar com bonecas.

Tu, minha pequena Isham, tens apenas nove anos e já vais perder a tua mamã. Meu Deus, como a vida é injusta! Mas visto que irás continuar a frequentar a escola, estarás mais tarde habilitada a defender-te perante a injustiça dos homens.

Meus filhos não percais a coragem, nem a fé em Jesus Cristo. Há-de haver dias melhores nas vossas vidas, e, lá no alto, quando eu estiver nos braços do Senhor, continuarei a velar por vós. Mas, por favor, peço-vos a todos os cinco que sejais
prudentes, que não façais nada que possa ultrajar os muçulmanos ou as normas deste país. Minhas filhas, gostaria muito que tivésseis a sorte de encontrar um marido como o vosso pai.

Ashiq, amei-te desde o primeiro dia, e os vinte anos que passámos juntos são a prova disso mesmo. Nunca deixei de agradecer aos céus a sorte de te ter encontrado, de ter tido a possibilidade de casar por amor e não um matrimónio combinado, como acontece na nossa região. Os nossos dois feitios sempre combinaram um com o outro, mas o destino estava à nossa espera, implacável... Criaturas infames atravessam-se no nosso caminho. Estás agora sozinho perante o fruto do nosso amor, mas deves manter a coragem e o orgulho da nossa família.

«Meus filhos, desde que estou encerrada nesta prisão, oiço as descrições de outras mulheres para quem a vida também se mostrou muito cruel. Posso dizer-vos que tivestes a sorte de conhecer a vossa mãe, a alegria de viver do nosso amor e da nossa coragem para trabalhar. Sempre tivemos o supremo desejo, o pai e eu, de sermos felizes e de vos fazermos felizes, embora a vida não fosse fácil todos os dias.

Somos cristãos e somos pobres, mas a nossa família é uma grande riqueza. Gostaria tanto de vos ver crescer, educar-vos e fazer de vós pessoas honestas – mas sê-lo-eis certamente! Sabeis a razão por que vou morrer e espero que não me censureis por partir assim tão depressa, porque estou inocente e não fiz nada daquilo que me acusam. Tu sabes que é verdade, Ashiq, tal como sabes que sou incapaz de violência e de crueldade. Às vezes, porém, sou teimosa.

Por aquilo que calculo, não vai demorar muito. Em poucos minutos, fui condenada à morte. Não sei ainda quando me irão enforcar, mas podeis estar tranquilos, meus amores, irei de cabeça levantada, sem medo, porque serei acompanhada por Nosso Senhor e pela Santa Virgem Maria, que vão receber-me nos seus braços. Meu bom marido, continua a educar os nossos filhos como eu gostaria de fazer contigo. Ashiq, meus filhos bem-amados, vou deixar-vos para sempre,mas amar-vos-ei eternamente.


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