quarta-feira, 30 de novembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Frase do dia
Orar sempre, sem desfalecer - Isaac, o Sírio
Feliz o homem que conhece a própria fraqueza. Porque esse conhecimento é nele o fundamento, a raiz, o princípio de toda a bondade. [...] Quando um homem se sente desprovido de socorro divino, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde. [...] Tendo compreendido realmente isto, guarda a oração na sua alma como um tesouro. E, sendo a sua alegria tão grande, faz da oração uma acção de graças. [...] Assim, guiado por este conhecimento e admirando a graça de Deus, eleva a voz e louva-O e glorifica-O, exprime a sua gratidão, nos píncaros do seu maravilhamento.
Aquele que conseguiu, verdadeiramente e não em imaginação, alcançar tais sinais e conhecer tal experiência, sabe do que estou a falar e que nada pode impedir isso. Mas que ele cesse de então em diante de desejar coisas vãs. Persevere em Deus, através da oração contínua, no temor de ser privado da abundância do socorro divino.
Todos estes bens são dados ao homem quando este reconhece a sua fraqueza. No seu grande anseio pelo socorro divino, aproxima-se de Deus, permanecendo em oração. E, quanto mais se aproxima de Deus com esta determinação, mais Deus o aproxima dos Seus dons e não lhe retira a Sua graça, devido à sua grande humildade. Pois tal homem é como a viúva que não cessa de pedir ao juiz que lhe faça justiça contra o seu adversário. Deus compassivo retém a Suas graças para que essa reserva incite o homem, que tanta precisão tem d'Ele, a aproximar-se d'Ele e a e a permanecer junto d'Aquele que é a fonte do seu bem. in Discursos Ascéticos
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Rebeldes católicos desafiam bispos austríacos
Dissidentes católicos austríacos anunciaram que leigos começarão a celebrar missas quando um sacerdote não estiver disponível, um claro apelo à desobediência num momento em que os bispos do país realizam sua conferência de outono.
Um manifesto adotado por dezenas de ativistas no fim de semana disse que os leigos vão pregar, consagrar e distribuir a comunhão nas paróquias sem padre, disse Hans Peter Hurka, chefe do grupo "Nós Somos a Igreja".
"A lei da Igreja proíbe isso. A pergunta é, pode a lei da Igreja se sobrepor à Bíblia? Somos da opinião, com base nos achados do Concílio Vaticano 2o, que esta (proibição) não é possível", disse ele na segunda-feira.
A Igreja Católica só permite que padres ordenados presidam missas.
Hurka disse que dissidentes tinham planejado há muito tempo a reunião, mas estavam felizes que ela aconteça pouco antes de uma sessão de quatro dias da conferência dos bispos católicos, a partir de segunda-feira.
Ele disse que queria bispos, liderados pelo cardeal de Viena Christoph Schoenborn, para responder ao documento, o mais recente em uma série de desafios feitos por reformadores de base católica na Áustria.
"Nós basicamente esperamos isso, porque as exigências de reforma não são especialmente novas", disse ele. Os bispos receberam uma cópia do manifesto, no sábado, acrescentou.
Bispos planejam discutir iniciativas e reformas propostas que foram apresentadas, de acordo com seu site, embora o tema principal da sessão foi a preparação para as eleições do conselho paroquial, em março.
Schoenborn, um ex-aluno e colaborador próximo do papa Bento 16, descartou a possibilidade de mudanças radicais exigidas pelos sacerdotes dissidentes liderado por seu ex-vice, Helmut Schueller.
Apontado como um possível futuro papa, o cardeal disse que não levaria sua diocese a romper com o Vaticano, deixando o clero desrespeitar regras da Igreja Católica depois que um grupo de sacerdotes divulgou um "Chamado à Desobediência" para tentar pressionar pela reforma.
O grupo, que afirma representar cerca de 10 por cento do clero austríaco, tem desafiado o ensinamento da Igreja sobre temas tabu, como o celibato sacerdotal e ordenação de mulheres.
Os sacerdotes dissidentes, que têm o apoio público em geral nas pesquisas de opinião, também dizem que vão quebrar as regras da Igreja dando a comunhão a protestantes e católicos divorciados novamente casados.
Reformistas católicos austríacos há décadas desafiam as políticas conservadoras de Bento 16 e de seu predecessor João Paulo 2o.
Grupos de reforma católica na Alemanha, Irlanda e Estados Unidos têm feito exigências semelhantes.
in terra.com.br
A questão de Deus é a "questão de todas as questões" - Bento XVI
Nunca nos deveríamos cansar-nos de voltar a propor a "questão de Deus", de "recomeçar a partir de Deus", para devolver ao homem a totalidade das suas dimensões, a sua plena dignidade. De facto, a mentalidade que se foi difundindo no nosso tempo, que renuncia a toda a referência ao transcendente, demonstrou-se incapaz de compreender e preservar o homano.
A difusão desta mentalidade gerou a crise que hoje vivemos, que é crise de sentido e de valores, antes de ser uma crise económica e social. O homem que procura existir apenas positivisticamente, dentro do que é calculável do que é mensurável, no fim fica sufocado. Neste contexto, a questão de Deus é, em certo sentido, «a questão de todas as questões».
Refere-se à pergunta de fundo do homem, aos desejos de verdade, de felicidade e de liberdade que há no seu coração, e que procuram tornar-se realidade. O homem que desperta dentro de si a pergunta sobre Deus abre-se à esperança, a esperança confiável, pela qual vale a pena enfrentar o cansaço do caminho no presente.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
O ser humano é redimido pela cruz - Joseph Ratzinger
O ser humano é redimido pela cruz; o crucificado é, em sua abertura total, a verdadeira salvação do ser humano. Em outro contexto já tentamos explicar para mentalidade atual essa afirmação central da fé cristã. Analisando-a agora não pelo lado do conteúdo e sim a partir da estrutura, percebemos que ela exprime uma preferência pelo receber em detrimento do fazer e do realizar próprios quando está em jogo a razão última do ser humano.
Talvez se localize aí a diferença mais profunda entre o princípio cristão da esperança e o seu homônimo marxista. É verdade que o princípio marxista também baseia uma idéia de passividade, pois afirma que o proletariado sofredor será a salvação do mundo. Mas esse padecimento do proletariado que deverá desencadear a reviravolta de uma sociedade sem classes precisa realizar-se concretamente pela forma ativa da luta de classes. Essa é a única maneira de o padecimento se tornar "salvífico", destituindo do poder a classe dominante e introduzindo a igualdade de todos os homens.
Se a cruz de Cristo é um sofrer "em prol de", a paixão do proletariado é, na visão marxista, uma luta contra; se a cruz é essencialmente a obra do indivíduo em prol do todo, a outra paixão é essencialmente a tarefa que uma massa organizada em forma de partido realiza em proveito próprio. Vê-se, portanto, que os dois caminhos correm em direções opostas, apesar de estar próximos em seu ponto de partida.
Na perspectiva cristã é esta a situação de fato: o ser humano não chega verdadeiramente a si próprio por meio do que ele faz e sim por meio do que ele recebe. Ele precisa aguardar o dom do amor, pois o amor só pode ser recebido como dom. Não se pode "produzi-lo" sem a participação do outro; é necessário esperar até que o outro nos dê amor. E só existe uma única maneira de se tornar totalmente ser humano: ser amado, permitir que sejamos amados.
O facto do amor ser a maior possibilidade e a mais profunda necessidade do ser humano, e o fato de essa condição mais necessária ser ao mesmo tempo a mais livre e incoercível, significa que o ser humano necessita de um recebimento para ser "salvo". Quando ele se recusa a receber esse dom, ele destrói a si próprio. Uma atividade que se coloca a si mesma como absoluta e que pretende realizar a condição humana exclusivamente por suas próprias forças está em contradição com a sua natureza. Louis Evely conseguiu expressar essa verdade de uma forma esplêndida:
"Toda a história da humanidade foi desvirtuada e sofreu uma ruptura por causa da idéia falsa que Adão tinha de Deus. Ele queria ser igual a Deus. Espero que vocês nunca tenha identificado o pecado de Adão nessa pretensão... Não fora o próprio Deus que o convidara a pensar assim? Adão apenas se enganou no modelo. Ele pensou que Deus fosse um ser independente, autônomo, auto-suficiente; e foi para ser como ele que ele se revoltou e desobedeceu. Mas quando Deus se revelou, quando Deus quis mostrar quem ele era, ele se manifestou como amor, carinho, como derramamento de si próprio, como agrado infinito num outro. Afeto, dependência. Deus se mostra obediente, obediente até a morte. Pensando em tornar-se Deus, Adão se desvirtuou completamente dele. Ele se isolou na solidão, enquanto Deus era comunhão." in Introdução ao Cristianismo
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Permaneçamos vigilantes - Rui Corrêa d’ Oliveira
Jesus chamava os Seus discípulos a vigiar e a estar atentos,
pois conhecia bem a fraqueza humana
tão atreita à distracção.
Só vigia quem espera
e quanto mais certa é a espera mais atenta é a vigília.
Quando a minha espera é feita apenas de desejos,
depressa me assaltam o cansaço e o desalento.
Mas quando ela se centra na certeza
não há cansaço que a vença, nem desespero que a esmoreça.
A minha certeza é Cristo. E Cristo não é uma ideia minha.
Esta certeza recebia-a dos meus pais como testemunho certo,
passado de geração em geração desde aqueles primeiros
que viram, ouviram e tocaram esse Homem
a quem reconheceram como o Filho de Deus.
Mas se Cristo já veio, porque espero eu?
Espero exactamente por aquilo que ainda não tenho:
a pureza de alma, o olhar limpo e a liberdade de coração
que só o Perdão e a Graça me podem conseguir.
E para quê?
Para que cada instante meu seja já hoje tempo de Deus
até àquele último que será o primeiro
do tempo sem tempo da plenitude do Seu abraço.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre A Revelação Divina
§19 A Santa Madre Igreja defendeu e defende, firme e constantemente, que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, durante a Sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
O sacerdote católico - Cardeal Piacenza
Grupo ACI: Um conjunto de factos e sobreexposição mediática criou uma “crise”, por assim dizer, da imagem do sacerdote católico. Como recuperar esta imagem, para bem da Igreja?
Cardeal Piacenza: Na teologia católica, imagem e realidade nunca se separam. A imagem é curada quando curamos a interioridade. Devemos curar sobre tudo “por dentro”. Não devemos preocupar-nos
muito por “parecer por fora”, mas por “ser realmente”.
Grupo ACI: Alguns defendem que esta “crise” é mais uma razão para as “reformas exigidas” sobre o modo de viver o sacerdócio. Fala-se, por exemplo, de sacerdotes casados como uma solução tanto para
a solidão dos sacerdotes como para a falta de vocações sacerdotais. O que significa verdadeiramente a “reforma do clero” no pensamento e magistério do Santo Padre Bento XVI?
Cardeal Piacenza: Se seguíssemos esse tipo de argumentos, criaríamos uma ruptura inaudita. Os remédios sugeridos agravariam terrivelmente os males e seguiriam a lógica inversa do Evangelho.
Fala-se de solidão? Mas por quê? Acaso Cristo é um fantasma? A Igreja, é um cadáver ou está viva? Os Santos sacerdotes dos séculos passados foram homens anormais? A santidade é uma utopia, um assunto para poucos predestinados, ou uma vocação universal, como nos recordou o Concílio Vaticano II?
Não se deve baixar e sim elevar o tom: esse é o caminho. Se a subida for árdua devemos tomar vitaminas, devemos reforçar-nos e, fortemente motivados, sobe-se com muita alegria no coração.
Para ser fiéis é necessário estar apaixonados. Obediência, castidade no celibato, dedicação total no serviço pastoral sem limite de calendário ou de horário, se estamos realmente apaixonados, não são percebidos como limitações, mas como exigências do amor que por nós não poderíamos conseguir. Não são um molho de “nãos” mas um grande “sim” como o de Nossa Senhora na Anunciação.
A reforma do clero? É o que eu reclamo desde que era seminarista e depois jovem padre (falo dos anos 1968 -1969) e encho-me de alegria ao ouvir o Santo Padre invocar continuamente essa reforma como uma das reformas urgentes mais necessária na Igreja. Mas a reforma de que estamos a falar tem de ser católica e não “mundana”!
Sendo muito breve, pode-se dizer que o Papa considera muito importante um clero seguro e humildemente orgulhoso da própria identidade, completamente identificado com o dom de graça recebido, de tal maneira
que distinga claramente entre o “Reino de Deus” e o mundo. Um clero não secularizado, que não sucumba às modas passageiras nem aos costumes do mundo. Um clero que reconheça, viva e proponha a primazia de Deus, e que tire todas as consequências dessa primazia.
Em duas palavras, a reforma consiste em ser o que devemos ser e procurar cada dia chegar a ser o que somos. Trata-se portanto de não confiar tanto nas estruturas, nas programações humanas, mas sim
e sobre tudo na força do Espírito.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Frase do dia
domingo, 20 de novembro de 2011
A hipocrisia dos Benetton - Andrea Tornielli
Parabéns à Benetton pela lata, diria mesmo pela hipocrisia.
Como já é sabido, dia 16/11 rebentou a polémica sobre a nova campanha publicitária, que pretendeu reviver os dias de glória das campanhas de Oliviero Toscani. Assim, de repente, na ponte do Castelo de Sant'Angelo [perto do Vaticano], afixaram uma gigante foto-montagem onde aparece Bento XVI e o imã de Al Ahzar, Ahmed al-Tayyeb, que se beijam na boca. A descabida campanha publicitária, que apenas pretende provocar, prevê outros beijos (entre Obama e o presidente chinês, entre Merkel e Sarkozy) e está inspirada na foto famosa do beijo entre Leonid Brejnev, então presidente da URSS e Erich Honecker, presidente da Alemanha Oriental.
O autor da fotomontagem, entre outras coisas, quis tornar o beijo entre os dois líderes religiosos mais «passional» que o beijo dos líderes políticos. A apresentação da nova campanha Benetton realizou-se em Paris, cidade onde Gilberto Benetton recebeu a Legião de Honra, a máxima condecoração honorífica do Estado francês, directamente das mãos do presidente Sarkozy, durante uma cerimónia no Eliseu. «O objectivo da campanha é combater a cultura do ódio, promovendo a proximidade entre povos, crenças, culturas e compreensão pacífica das razões dos outros - explicou Alessandro Benetton, vice-presidente executivo da Benetton Group-. Os ódios nunca irão cessar por força do ódio, hão-de cessar graças ao não-ódio». Esta campanha, concluiu Benetton, «gera um estado de espírito de reconciliação, mas não é uma campanha suave: o amor seria irrealista, mas o não-ódio é, pelo contrário, uma coisa que podemos fazer».
Como era de esperar, o uso e o abuso da imagem do Papa e do imã egípcio afixada a poucos passos da Praça de S. Pedro provocaram indignação e a justa resposta da Santa Sé.
O P. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, expressou «um protesto firme pelo uso totalmente inaceitável da imagem do Papa, manipulada e instrumentalizada no contexto de uma campanha publicitária com fins comercias». «Trata-se - acrescentou - de uma grave falta de respeito para com o Papa, de uma ofensa aos sentimentos dos fiéis, de uma demonstração evidente de como no âmbito da publicidade se podem violar as regras elementares do respeito pelas pessoas com o fim de atrair atenções».
O aspecto mais surreal e nalguns pontos ridículo destes tristes acontecimentos está representado pela (falsíssima) resposta do grupo Benetton, que à reacção vaticana respondeu: «Repetimos que o sentido desta campanha é exclusivamente combater a cultura do ódio em todas as suas formas. Estamos, portanto, tristes por saber que o uso da imagem do Papa e do imã tenha de alguma maneira ferido a sensibilidade dos fiéis. Como confirmação dos nossos sentimentos, decidimos, com efeito imediato, retirar esta imagem de todos os lugares onde foi publicitada».
Coitadinhos, ficaram tristes.
Coitadinhos, não podiam imaginar.
Coitadinhos, não fizeram de propósito.
Coitadinhos, tão empenhados em promover a sua camisola colorida que nem se lembraram de quem é o Papa.
Coitadinhos, não imaginaram que para um fiel católico, como para um fiel muçulmano, e até simplesmente para uma pessoa de bom senso, aquela fotomontagem teria de ofender, ferir, indignar.
Coitadinhos, os Benetton não chegaram lá.
Eles não queriam provocar, nãããããããããão... Nunca!
Eles só queriam dizer que não querem o ódio.
Por isso, «com efeito imediato», assim que conseguiram a visibilidade mundial que procuravam, retiraram - oh a bondade deles, que sensibilidade! - a foto do Papa Ratzinger e do imã do Cairo. Isto é, sim, um exemplo de responsabilidade e de compreensão das razões do outro: será já um primeiro efeito positivo do novo governo Monti?
Espero vivamente que o Vaticano desta vez avance em iniciar um processo judicial contra o grupo Benetton, em vez de deixar passar. Eventualmente anunciando desde já o projecto social a que serádestinado o valor da indemnização. E aos irmãos Benetton, exemplo da Itália perspicaz, daquela Itália que trabalha não só para ganhar dinheiro, mas que quer ainda ajudar a todos a serem melhores, assim tão atentos à sensibilidade de cada qual, permito-me fazer uma sugestão: vão pessoalmente - talvez com a Legião de Honra de monsieur Sarkozy cravada no peito - colar o mesmo mega cartaz diante da sede de Al Azhar, no Cairo. Então veremos se o prezado gesto surtirá o efeito esperado de combater a cultura do ódio.
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