terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Heróis e santos - D. Nuno Brás

Um povo não é apenas definido pela língua que fala, pelos seus usos e costumes, pelo território geográfico que ocupa. Um povo é igualmente definido pelos seus heróis. Heróis são aqueles que, de uma ou outra forma, dão corpo a um ideal colectivo. Não existe povo sem heróis, sem o imaginário de alguém que está acima das capacidades do comum dos seus membros, e à volta de quem todos (ou a grande maioria) se reconhece.

Até há não muito tempo, os heróis eram criados pela elite intelectual ou pelos homens da política que procuravam que todo o povo se unisse à volta de uma determinada figura, já morta, e a quem concediam um lugar na “memória colectiva”. Para que isso acontecesse não se hesitava em criar algumas histórias, mais ou menos fantasiosas, que tornassem a sua figura congregadora do comum dos cidadãos.

Hoje os heróis são criados pela comunicação social. Têm o mesmo efeito – a própria comunicação social se rende a seus pés, ainda que, não raras vezes, de forma passageira: depois de falar deles sem cessar, depressa os esquece. Em Portugal e no mundo temos assistido a isso nestes últimos dias, com alguma irritação dos intelectuais que, deste modo, vêem fugir o que consideravam ser uma sua prerrogativa: decidir quem merecia o estatuto de herói nacional.

Bem diferentes dos heróis são os santos (ainda que alguns sejam por vezes apresentados mais como heróis que como santos). Os santos não fizeram nada de extraordinário. Habitualmente, os dos nossos tempos até são incompreendidos pela comunicação social que os considera fora de moda e sem interesse, e não hesita em levantar-lhes calúnias, ou então os procura reduzir ao papel de heróis. E os intelectuais, esses quase os “odeiam” por não se renderem, decididamente, aos seus favores e critérios.

Os santos não fazem nada de extraordinário a não ser deixar que Deus mostre a Sua presença no meio do mundo. Por si, não procuram ficar na história de uma nação ou nas recordações da história universal ou mesmo da Igreja. Não procuram o êxito ou o reconhecimento dos demais.

É Deus quem actua neles; é Deus quem tem o primeiro lugar; é para Deus que todo o seu ser vive e aponta. Mesmo o serviço que prestam em favor dos irmãos, fazem-no não para conquistar louvores, poder ou influência. Se quisermos, são o contrário dos heróis. Não querem nada para si. Apenas para Deus. Se a sua memória permanece é porque Deus permanece.

Hoje temos falta de heróis que nos façam sentir portugueses. Mas, sobretudo, temos falta de santos, com a coragem de mostrar Deus e apenas Ele. in Voz da Verdade


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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Porque é que o mal existe?

Se Deus Pai todo-poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, tem cuidado com todas as suas criaturas, porque é que o mal existe? A esta questão, tão premente como inevitável, tão dolorosa como misteriosa, não é possível dar uma resposta rápida e satisfatória. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta questão: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível. Não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal.

Mas porque é que Deus não criou um mundo tão perfeito que nenhum mal pudesse existir nele? No seu poder infinito, Deus podia sempre ter criado um mundo melhor (São Tomás de Aquino). No entanto, na sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo «em estado de caminho» para a perfeição última. Este devir implica, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de certos seres, o desaparecimento de outros; o mais perfeito, com o menos perfeito; as construções da natureza, com as suas destruições. Com o bem físico também existe, pois, o mal físico, enquanto a criação não tiver atingido a perfeição.

in Catecismo da Igreja Católica  §§ 309-310 


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Ecumenismo - Pe. Hugo Santos, Capelão da UCP

De 4 a 6 de Janeiro de 1964, enquanto ainda continuavam os trabalhos do Concilio Vaticano II, o Papa Paulo VI peregrinou rumo à Terra Santa inaugurando, na época moderna, aquelas que seriam as mediáticas viagens apostólicas internacionais dos Sumos Pontífices. No dia 5 de Janeiro, em Jerusalém, o Papa encontrou-se com o Patriarca Atenágoras de Constantinopla, o bispo que preside na honra a todos os fiéis ortodoxos, e cujo predecessor, Miguel Cerulário, tinha sido excomungado pelos enviados de Roma a Constantinopla, no século XI, dando início formal ao Cisma do Oriente que progressivamente foi separando cristãos católicos e ortodoxos ao longo dos séculos. 

Deste encontro resultou um abraço fraterno e uma conversa em que Paulo VI, nas palavras que então dirigiu ao Patriarca, convida a um diálogo ecuménico que não seja marcado por “nenhuma questão de prestígio, de primado, que não seja aquele estabelecido por Cristo. Sem nenhuma ambição humana de prevalecer, de ter glória, vantagens. Mas de servir.” Estava iniciado o caminho que conduziria ao levantamento mútuo das excomunhões no dia 7 de Dezembro de 1965 ao terminar o Concílio Vaticano II.

Este foi o passo necessário que teve como desenvolvimento, em 1979, o estabelecimento da Comissão Internacional Conjunta da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa, pelo Papa João Paulo II e o Patriarca Demétrio de Constantinopla e cuja missão é o aprofundar de ambas as partes do conhecimento mútuo do património doutrinal, litúrgico e tradicional das Igrejas em ordem ao caminho da unidade que se manifesta sempre como dom de Deus.

Desde então, uma das dificuldades encontradas neste percurso é o entendimento comum sobre a missão do Papa, o chamado ministério petrino, visto que os ortodoxos reconhecem no sucessor de Pedro um primado de honra e de caridade, mas não de jurisdição, ou seja o Papa, para os ortodoxos, não teria um poder imediato, pleno e universal sobre todas as Igrejas particulares, como aquele que o Papa tem na Igreja Católica em relação a todas as dioceses, e por isso, na concepção ortodoxa do primado, o Papa teria apenas um poder representativo como sinal de unidade entre todas as Igrejas.

Já na sua encíclica Ut Unum Sint (1995) o Beato Joao Paulo II reconhece ser esta uma dificuldade no caminho da unidade e, por isso, sente uma “solicitação que me é dirigida para encontrar uma forma de exercício do primado que, sem renunciar de modo algum ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova.” (n. 95)

Em pleno Jubileu do Ano 2000, num clima de certa tensão e uma vez mais por causa do debate em torno do primado papal e do lugar que ocupam as Igrejas Orientais unidas a Roma, os trabalhos da Comissão Internacional são suspensos e adiados. Só voltam a ser retomados em 2006, no Pontificado de Bento XVI, o qual muito contribuiu com o seu empenho aquando da visita que este Papa fez a Istanbul, nome da antiga Constantinopla, ao actual Patriarca Bartolomeu.


Na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium o Papa Francisco afirma que “pouco temos mudado nesse sentido” e que permance “aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu dar-lhe e às necessidades actuais da evangelização.” (n.32)

O encontro anunciado para Maio, em Jerusalém, entre o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, cuja finalidade principal é comemorar o histórico encontro dos seus predecessores há 50 anos no mesmo local, pode servir de estímulo para recuperar um entusiasmo renovado no caminho da unidade visível das Igrejas e à reflexão do tipo de primado nelas exercido. O Papa afirma “que será uma peregrinação de oração”. De certo, também pela causa do ecumenismo.


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domingo, 19 de janeiro de 2014

D. Álvaro del Portillo será beatificado no dia 27 de Setembro em Madrid?

Fontes anónimas confirmaram que a data da beatificação de D. Álvaro del Portillo, primeiro sucessor de São Josemaria Escrivá à frente da prelatura pessoal, pode estar já decidida. Segundo as mesmas fontes, a cerimónia terá lugar em Madrid, depois do Verão, e a data mais provável é o dia 27 de Setembro. in Infovaticana


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Esmoler do Papa celebra funeral de sem-abrigo que morreu de frio


Celebradas por D. Konrad Krajewski, esmoler pontifício, na presença do Cardeal Filos, as exéquias de Alessandro: um sem-abrigo que morreu de frio em Dezembro passado.

Um funeral assim, de certo, ele nunca teria esperado, dado que viveu nas ruas dá anos e anos para cá. Alessandro (só se conhece o nome), 63 anos, era um vagabundo de origem polaca, que vivia nas ruas em redor do Vaticano. Encontraram-no morto pelo frio perto do parque de estacionamento do Gianicolo, "a dois passos" da Universidade Urbaniana e do Vaticano.

Foram os estudantes da Universidade Pontifícia a pedir aos superiores que as exéquias do sem-abrigo fossem celebradas na capela da Urbaniana. E assim, na tarde de hoje (10.I.2014), às três horas, deu-se o funeral de Alessandro: presidiu o Arcebisbo Konrad Krajewski, Esmoler do Papa, que Francisco escolheu para que fosse o "Bispo das ruas" entre os pobres e necessitados. Esteve presente o Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos (da qual depende a Universidade). Também se fizeram representar as autoridades civis municipais e regionais. Mas, e sobretudo, estiveram presentes mais de duzentos estudantes da Urbaniana, que quiseram, deste modo, cumprimentar um vagabundo, desconhecido da maior parte dos estudantes, e que veio a morrer de frio a dois passos da Universidade.

Pregou a homilia da Missa fúnebre o Padre Policarp Nowak, latinista da Secretaria de Estado. O Papa Francisco ficou profundamente triste quando quando soube que um vagabundo tinha sido encontrado morto nestas condições. Em Maio de 2013, durante a Vigília de Pentecostes, o Romano Pontífice tinha dito: "Hoje - dizer isto até faz mal ao coração - hoje, encontrar um vagabundo morto de frio não é noticia". Andrea Tornielli in Vatican Insider


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sábado, 18 de janeiro de 2014

Cristo Redentor - Rio de Janeiro




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Pe. Samir esclarece os pontos da 'Evangelii Gaudium' sobre o Islão

1.    Os muçulmanos “connosco adoram o Deus único e misericordioso” (n. 252)

Tomaria com cautela esta frase. É verdade que os muçulmanos adoram um Deus único e misericordioso. Entretanto, esta frase sugere que as duas concepções de Deus são iguais. Pelo contrário, no cristianismo Deus é Trindade em Sua essência, pluralidade unida no amor. É um pouco mais que só clemência e misericórdia. Temos duas concepções bastante diferentes da unicidade divina. A islâmica caracteriza Deus como inacessível. A visão cristã da unicidade trinitária destaca que Deus é Amor que se comunica: Pai-Filho-Espírito Santo, ou bem Amante-Amado-Amor, como sugeria Santo Agostinho.
 
Ademais, o que significa a misericórdia do Deus islâmico? Que Ele pratica misericórdia com quem quer e não a pratica com aqueles que o desagradam.  “Deus faz entrar em Sua misericórdia a quem Ele quer” (Corão 48:25). Estas expressões se encontram em forma quase literal no Antigo Testamento (Ex 33, 19). Mas não se chega jamais a dizer que “Deus é Amor” (1Jo 4, 16), tal como se expressa São João.
 
No caso do Islão, a misericórdia é a do rico que se inclina até o pobre e o concede algo. Contudo, o Deus cristão é Aquele que desce até o pobre para elevá-lo ao Seu nível, não mostra a Sua riqueza para ser respeitado (ou temido) pelo pobre: doa-se a si mesmo para fazer viver.

2.    “Os escritos sagrados do Islão conservam parte dos ensinamentos cristãos” (n. 252)

É verdade num certo sentido, mas pode ser também ambíguo. É verdade que os muçulmanos retomam palavras ou feitos dos evangelhos canónicos, por exemplo, o relato da Anunciação se encontra quase literalmente nos capítulos 3 (“A família de Imran”) e 19 (“Mariam”).

Entretanto, mais frequentemente o Corão se inspira nos relatos piedosos dos evangelhos apócrifos, e não extraem o sentido teológico que se encontra neles e não dão a estes feitos ou palavras o sentido que têm na realidade, não por malícia, senão porque não têm a visão global da mensagem cristã.

3.    A figura de Cristo no Corão e no Evangelho (n. 252)

O Corão se refere a “Jesus e Maria [que] são objectos de profunda veneração”. Para dizer a verdade, Jesus não é objecto de veneração na tradição muçulmana. Pelo contrário, no caso de Maria se pode falar de uma veneração, em particular por parte das mulheres muçulmanas, que vão voluntariamente aos lugares de peregrinação mariana.

A ausência de veneração para Jesus Cristo se explica provavelmente pelo fato de que, no Corão, Jesus é um grande profeta, famosos pelos seus milagres a favor da humanidade pobre e enferma, mas não igual a Maomé. Só por parte dos místicos se pode notar uma certa devoção, eles o chamam também de “Espírito de Deus”.

Na realidade, tudo o que se diz de Jesus no Corão é o oposto dos ensinamentos cristãos. Ele não é Filho de Deus, é um profeta e basta. Não é nem sequer o último dos profetas, porque o “selo dos profetas” é Maomé (Corão 33:40). A revelação cristã é vista como uma etapa até a revelação última, trazida por Maomé, isto é, o Islão.

4.    O Corão se opõe a todos os dogmas cristãos fundamentais

A figura de Cristo como segunda pessoa da Trindade é condenada. No Corão se diz de forma explícita ao cristãos: “Oh, gente da Escritura, não se excedam em sua religião e digam de Deus mais que a verdade. O Messias Jesus, filho de Maria, não é mais que um mensageiro de Deus, uma de suas palavras que Ele põe em Maria, um Espírito [que provem] dEle. Creiam então em Deus e em seus mensageiros. Não digam ‘Três’. Parem! Será melhor para vocês. Em verdade Deus é um deus único. Teria um filho? Glória a Ele” (Corão 4:171). Os versículos contra a Trindade são muito claros e não têm necessidade de tantas interpretações.

O Corão nega a divindade de Cristo: “Oh, filho de Maria, foste tu que disseste às pessoas: ‘Tomam-me a mim e a minha mãe como duas divindade além de Deus?” (Corão 5:116). Jesus o nega!

Por último, no Corão nega a redenção. Directamente se afirma que Jesus Cristo não morreu na cruz, mas sim que foi crucificado um outro: “Não o mataram, não o crucificaram, mas os pareceu que sim” (Corão 4:157). Deste modo Deus salvou Jesus da malícia dos judeus. Então Cristo não salvou o mundo!

Em síntese, o Corão e os muçulmanos negam os dogmas essenciais do cristianismo; a Trindade, a Encarnação e a Redenção. Se deve agregar que este é seu direito mais absoluto. Portanto não se pode dizer que “os escritos sagrados do Islão conservam parte dos ensinamentos cristãos”. Deve-se falar simplesmente do “Jesus corânico” que não tem nada a ver com o Jesus dos Evangelhos.

O Corão cita Jesus porque pretende completar a revelação de Cristo para exaltar Maomé. No resto, vendo como Jesus e Maria actuam no Corão, nos damos conta de que eles não fazem mais que aplicar as orações e o jejum segundo o Corão. Maria é certamente a figura mais bela entre todas as apresentadas no Corão: é a Virgem Mãe, que nenhum homem jamais tocou. Contudo, não pode ser a Theotokos mas sim uma boa muçulmana.

Os pontos mais delicados

1.    Ética no Islão e no cristianismo (252)

A última frase deste parágrafo da “Evangelii Gaudium” diz, ao falar dos muçulmanos:  “Reconhecem também a necessidade de Lhe responder com um compromisso ético e com a misericórdia para com os mais pobres”. Isto é verdade e a piedade para com os pobres é uma exigência do Islão. Entretanto, parece-me que há uma dupla diferença entre a ética cristã e a muçulmana.

A primeira é que a ética muçulmana não é sempre universal. Trata-se frequentemente de ajuda dentro da comunidade islâmica, enquanto a obrigação de ajuda, na tradição cristã, é por si universal. Nota-se, por exemplo, quando há uma catástrofe natural em alguma região do mundo, que os países de tradição cristã ajudam sem considerar a religião de quem é ajudado, já os riquíssimos países muçulmanos (os da Península Arábica, por exemplo) não fazem caso.

A segunda diferença é que o Islão vincula ética e legalidade. O que não jejua durante o mês do Ramadão comete um delito e é passível de pena (em muitos países). Cumpre-se o  jejum previsto, desde a madrugada até o pôr-do-sol, perfeitamente, ainda que na sequência do por do sol se coma até a madrugada do dia seguinte, mais e melhor do que se come habitualmente: “se comem as melhores coisas e em abundância”, como me contavam alguns amigos muçulmanos egípcios. Parece que não há outro significado no jejum senão o de obedecer a lei mesma do jejum. O Ramadão converte-se no período no qual os muçulmanos comem mais, e comem coisas mais deliciosas. No dia seguinte ninguém trabalha, dado que por passar a noite comendo ninguém dormiu. Contudo, do ponto de vista formal todos jejuaram durante algumas horas. Há, pois, uma ética legalista: se você faz isto, você está sendo justificado. É uma ética superficial.

Já o jejum cristão, pelo contrário, é algo que tem como fim aproximar-se intimamente ao sacrifício de Jesus, assim como a solidariedade com os pobres. Não é o momento onde se recupera aquilo que não comeu.

Se alguém aplica a lei islâmica, tudo está em ordem. O fiel não pretende ir além da lei. A justiça é requerida pela lei, mas não é superada. Por isso, não está no Corão a obrigação do perdão. Pelo contrário, no Evangelho Jesus pede para que perdoem de modo infinito (setenta vezes sete, cf. Mt 18, 21-22). No Corão a misericórdia não chega jamais ao amor.

O mesmo vale para a poligamia: se pode ter até quatro esposas. Se quero ter uma quinta, basta repudiar a uma delas, quiçá a mais velha, e tomar uma esposa mais jovem. Ao ter sempre quatro esposas estou na legalidade perfeita.

A mesma coisa vale, por exemplo, para o homossexualismo. Em todas as religiões é um pecado, mas para os muçulmanos é também um delito que deveria ser castigado com a morte. No cristianismo é um pecado, mas não um crime. O motivo é óbvio: o Islão é religião, cultura, sistema social e político, é uma realidade integral, e assim está concebida no Corão.  Pelo contrário, o Evangelho distingue claramente a dimensão espiritual e ética da dimensão socio-cultural e política.

O mesmo vale para a pureza, como explica de forma clara Cristo aos fariseus: “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. (Mateus 15, 11)

2.    “Os fundamentalismos de ambos os lados” (n. 250 e 253)

Há dois aspectos que queria criticar. O primeiro é aquele onde o Papa coloca juntos todos os fundamentalismos. No N.250 ele diz: “Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não-cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados.”

O outro aspecto é a conclusão da secção sobre a relação com o Islão que termina com esta frase: “Frente a episódios de fundamentalismo violento que nos preocupam, o afecto pelos verdadeiros crentes do Islão deve levar-nos a evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência.” (n. 253)

Pessoalmente eu não colocaria os dois fundamentalismos no mesmo plano: os fundamentalistas cristãos não portam armas, o fundamentalismo islâmico é criticado primeiramente e precisamente pelos próprios muçulmanos porque este fundamentalismo armado busca reproduzir o modelo maometano. Em sua vida, Maomé liderou mais de 60 guerras. Agora bem, se Maomé é o modelo excelente (como diz o Corão em 33:21), não surpreende que alguns muçulmanos usem sua violência à imitação do fundador do Islão.

3.    A violência no Corão e na vida de Maomé (n. 253)

Por último, o Papa menciona a violência no Islão. No parágrafo 253 lê-se: “o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência.”

Esta frase é belíssima, e expressa uma atitude muito benévola do Papa ao Islão. Entretanto, parece-me que ela expressa mais um desejo do que uma realidade. Que a maioria dos muçulmanos possa ser contrária à violência também é real. Contudo, dizer que o verdadeiro Islão é contrário a toda violência não me parece certo: a violência está no Corão. Para dizer que “uma interpretação adequada do Corão” se opõe a esta mesma violência são necessárias muitas explicações. Basta recordar os capítulos 2 e 9 do Corão.

É verdade quando o Sumo Pontífice fala sobre a necessidade de uma “interpretação adequada” dentro do Islão. Este caminho tem sido percorrido por alguns eruditos, mas não é suficientemente forte para contrabalançar com o que é recorrente na maioria. Esta minoria procura reinterpretar os textos corânicos que falam da violência, mostrando que estão ligados ao contexto da Arábia da época e estavam ligados à cosmovisão político-religiosa de Maomé.

Se o Islão quiser permanecer hoje nesta leitura ligada ao tempo de Maomé, então haverá sempre violência. Contudo, se o Islão – e há um bom número de místicos que o fizeram – quer encontrar uma espiritualidade profunda, então a violência não é aceitável.

O Islão encontra-se frente a uma encruzilhada: ou a religião é um caminho para a política e para uma sociedade politicamente organizada, ou a religião é uma inspiração para viver com mais plenitude e amor.

Aquele que critica o Islão a respeito da violência não faz uma generalização injusta e odiosa: mostra as questões presentes, vivas e sangrentas no mundo muçulmano.

No Oriente compreende-se muito bem que o terrorismo islâmico está motivado religiosamente, com citações, orações e fatwas por parte dos imanes que fomentam a violência. O facto é que no Islão não há uma autoridade central que corrija as manipulações. Isto faz com que cada iman se torne um mufti, uma autoridade nacional que pode emitir juízos inspirados pelo Corão, podendo ordenar que se mate.

Conclusão: uma “interpretação adequada do Corão”

Para concluir, o ponto verdadeiramente importante é o da “interpretação adequada”. No mundo muçulmano o debate mais forte – que é também o mais proibido – é precisamente o da interpretação do livro sagrado. Os muçulmanos crêem que o Corão saiu de Maomé, completo, na forma que conhecemos. Não existe o conceito de inspiração do texto sagrado, o qual dá espaço para uma interpretação do elemento humano presente na palavra de Deus.

Tomemos um exemplo. No tempo de Maomé, com tribos que viviam no deserto, o castigo para um ladrão era cortar a mão. Para que isso servia? Qual era a finalidade deste castigo? Não permitir que o ladrão continuasse roubando. Agora devemos perguntar-nos: Como podemos salvaguardar hoje esta finalidade, isto é, que o ladrão não roube? Podemos utilizar outros métodos em lugar do corte da mão?

Quando encontro amigos muçulmanos, trago à luz que hoje em dia é necessário interrogar-se sobre a “finalidade” (maqased) que tinham as indicações do Corão. Os teólogos e os juristas muçulmanos dizem que devem buscar as “finalidades da Lei divina” (maqisid al-sharia). Esta expressão corresponde ao que Evangelho chama “o espírito” do texto, em oposição à letra. É necessário buscar a intenção do texto sagrado do Islão.

Vários eruditos muçulmanos falam da importância de descobrir “a finalidade” dos textos corânicos para adequar o texto do Corão ao mundo moderno. Parece-me que isto está muito próximo daquilo que o Santo Padre intenta sugerir ao falar de uma “interpretação adequada do Corão”.   

Pe. Samir Khalil Samir SJ nasceu no Cairo, Egipto. Ingressou na Sociedade de Jesus em 1955, estudando em França. Especializou-se em Filosofia, Teologia e Estudos Islâmicos. Foi professor do Pontifício Instituto Oriental, em Roma, e em seguida passou a leccionar na Universidade Saint Joseph, no Líbano. Em Beirute ele fundou o CEDRAC "Centre de documentation et de recherches arabes chrétiennes" que estuda as interacções filosóficas, teológicas e históricas entre o cristianismo, o islamismo e o mundo árabe. Ele ministrou um curso privado para o Papa Bento XVI sobre teologia islâmica, em Castel Gandolfo. Pe. Samir tem muitos livros publicados sobre teologia e filosofia islâmicas.

adaptado de acarajeconservador.blogspot.com.br


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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Papa Francisco é de esquerda? Não se iludam: é apenas católico

Apesar do entusiasmo à esquerda e do susto à direita, a doutrina de Francisco decorre apenas do melhor das tradições cristãs. O termo não podia ser mais forte: “horrífico”. Não apenas horrível, horrífico. E foi o termo escolhido pelo Papa Francisco, este fim-de-semana, para se referir ao problema do aborto.

As agências de informação internacionais trataram logo de interpretar a frase. Era, escreveram, uma forma de acalmar os sectores mais conservadores da Igreja. Nem lhes ocorreu que fosse mesmo a opinião do Papa. Não quadrava na sua imagem estereotipada de um bispo de Roma modernaço, quiçá revolucionário. No entanto, a doutrina de Bergoglio não podia ser mais clara e até vem na sua tão celebrada exortação apostólica Evangelii Gaudium: “Não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão”, escreveu o Papa. Que acrescentou: “Quero ser completamente honesto, este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas eliminando uma vida humana” (parágrafo 214).

Também este fim-de-semana houve muita excitação na imprensa e nas redes sociais com a notícia de que o Papa baptizara os filhos de uma mãe solteira e de um casal não unido pelo matrimónio. Só uma mal disfarçada ignorância pode justificar essa excitação, pois não haverá gesto mais católico do que o de baptizar duas crianças nessas circunstâncias. Vem nas escrituras.

Estes são apenas dois exemplos recentes de um estranho caso de paixão: a de uma parte da esquerda para com o Papa Francisco, de repente transformado no messias que políticos mais terrenos não conseguem ser. Mário Soares, por exemplo, assume que só tem “dois ídolos no plano político” – Obama e o Papa Francisco –, e o colunista do Guardian Jonathan Freedland chega a propor que posters do sumo pontífice substituam os de Obama nos quartos dos adolescentes, uma vez que seria “o óbvio novo herói da esquerda”.

Muitos jornalistas e comentadores afinam pelo mesmo diapasão, mostrando uma irresistível tendência para ver apenas os gestos de Francisco que vão ao encontro das suas causas e ignorando todos os demais. Chegou-se ao ponto de a mais antiga revista gay dos Estados Unidos, a Advocate, ter eleito como figura do ano este homem de branco para quem o casamento entre pessoas do mesmo sexo é “um retrocesso antropológico”.

Não tenho qualquer dúvida de que o Papa Francisco é uma figura extraordinária e não pude deixar de notar o imenso significado do nome que escolheu. Não sendo eu um crente, devo dizer que um dos locais do mundo onde mais senti a presença de um transcendente foi em Assis, que, por incrível coincidência, visitei pela primeira vez na manhã de 11 de Setembro de 2011. Foi por isso com enorme expectativa que segui os primeiros meses de pontificado e não me surpreendeu a sua resoluta opção por uma Igreja mais próxima dos pobres. Essa ideia de proximidade com os mais fracos está, de resto, no coração do cristianismo e quem pôde, como eu pude, conhecer alguns dos locais mais desgraçados do país e do mundo, é testemunha de como, tantas vezes, são apenas as instituições da Igreja as que resistem quando tudo o resto se desmorona.

O exemplo pessoal de Francisco, ao abdicar de bens e confortos materiais, ao manter uma infinita capacidade para se aproximar dos doentes e dos fracos, da Praça de São Pedro à ilha de Lampedusa, permitiu que se tornasse, de um dia para o outro, numa figura imensamente popular. A forma aberta como gosta de abordar os dilemas da Igreja fez, ao mesmo tempo, com que seja visto como um reformador radical. Houve até quem se entusiasmasse ao ponto de anunciar que “tinha abolido o pecado”: aconteceu com Eugenio Scalfari, o influente fundador do La Repubblica, cuja crónica obrigou a Santa Sé a um impensável, mas necessário, desmentido formal.

A exortação apostólica Evangelii Gaudium, o seu primeiro documento programático, criou a ideia de que estaríamos perante uma nova Igreja. Não faltou quem, à esquerda, saudasse algumas passagens como representando uma condenação global do capitalismo e da austeridade, apesar de, no documento, essas palavras nunca aparecerem. Tal como não faltaram, à direita, acusações de marxismo, apesar de o documento não só não propor nenhum modelo económico, como nele se condenar o totalitarismo e o relativismo. Na verdade, a Evangelii Gaudium pode conter propostas revolucionárias, mas não as feitas por estas leituras apressadas e interesseiras.

O Papa condenou, de forma muito frontal e dura, a idolatria do dinheiro, a obsessão pelo consumo e a submissão às tentações da ganância. Nem poderia fazer outra coisa. Afinal de contas, não prega ele a mensagem de quem condenou a idolatria dos bezerros de ouro? Não dirige ele uma instituição que, desde 1891 e da encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, até à recentíssima Caritas in Veritate, de Bento XVI, sempre defendeu o primado da pessoa humana sobre a economia?

É certo que o Papa regista os limites da economia de mercado em termos que um economista liberal não faria, mas o seu documento não deixa de se inscrever numa evolução da doutrina da Igreja que partiu de uma condenação muito forte do liberalismo (e do socialismo) e que, encíclica após encíclica, foi combinando as suas recomendações sociais e morais com as vantagens de uma economia aberta e competitiva. Esse processo foi muito bem descrito por Michael Novak no seu A Ética Católica e o Espírito do Capitalismo e esta exortação apostólica não representa qualquer inversão de percurso. Não é, de resto, a existência de uma economia de mercado que ele critica – são antes “os interesses do mercado divinizado”.

O que percorre todo o documento é a preocupação com a condição humana e com a necessidade de uma ética que presida às decisões políticas e económicas não só ao nível micro, o das nossas relações pessoais, mas também ao nível macro, o dos governos. A doutrina da Igreja, e Francisco não se afasta dela, não implica um modelo económico preciso ou uma ideologia determinada, pelo contrário, distancia-se dos que acreditam que este ou aquele sistema económico são uma panaceia eterna. “Se alguém se sentir ofendido com as minhas palavras, saiba que as exprimo com estima e com a melhor das intenções, longe de qualquer interesse pessoal ou ideologia política”, escreve-se na Evangelii Gaudium. “A mim, interessa-me apenas procurar que quantos vivem escravizados por uma mentalidade individualista, indiferente e egoísta, possam libertar-se dessas cadeias indignas e alcancem um estilo de vida e de pensamento mais humano, mais nobre, mais fecundo, que dignifique a sua passagem por esta terra”.

O sucesso das economias modernas não é apenas o sucesso da evolução técnica ou das regras invisíveis do mercado. É também, ou sobretudo, o sucesso do quadro ético e moral que cria os estímulos certos para preferirmos o tipo de instituições políticas e sociais que suportam as nossas sociedades progressivas (mesmo em tempos de crise). O sucesso daquilo a que chamamos capitalismo não deriva do triunfo do individualismo ou de um egoísmo centrado na satisfação de prazeres e consumos imediatos, antes em princípios morais que favorecem a cooperação e a integração. A tensão entre estes valores sempre existiu e a Igreja nunca lhes foi indiferente. Por isso o seu problema não é com os empresários, cuja vocação Francisco considera ser “uma nobre tarefa” desde que se deixem “interpelar por um sentido mais amplo da vida”, para assim servirem “verdadeiramente o bem comum”.

O Papa não propõe qualquer revolução política – mas interpela-nos a uma revolução de comportamentos. Não condena os ricos, mas desafia-os à compaixão e desafia-os a agir. Como notou Robert A. Gahl, professor na Universidade Pontifícia de Roma, “para combater a desigualdade e a marginalização, Francisco não propõe uma redistribuição socialista, antes o primado da compaixão e da responsabilidade individual”.

Mais do que ser de esquerda ou de direita, a sua mensagem é a do cristianismo e do primado, na política e na economia, da dignidade humana, algo que já vem de Santo Agostinho ou de São Tomás de Aquino. Sem surpresa, julgo eu, podemos dizer que o Papa Francisco é, antes de tudo o mais, católico. José Manuel Fernandes in Público


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Barack Obama contra as Pequenas Irmãs dos Pobres

Estas são as “Pequenas Irmãs dos Pobres”. Uma congregação católica de irmãs que dão a vida para cuidar dos mais velhos, dos que muitas vezes são esquecidos pelos próprios filhos.

Esta importante missão está em risco por causa do presidente americano, Barack Obama. O seu ‘Obamacare’ obriga a que as entidades laborais paguem seguros de saúde aos seus trabalhadores que incluem o acesso ao aborto e contracepção. 

Como Obama bem sabe, as instituições católicas não podem subsidiar actos imorais. Nem sequer têm possibilidade de pagar as multas astronómicas que a administração Obama quer aplicar a estes “criminosos”.

Sendo assim muitas destas instituições correm o risco de fechar brevemente. Vejam o vídeo e percebam o que isso quer dizer.



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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Os portugueses chegaram à Austrália antes dos ingleses?


Será que os portugueses chegaram à Austrália antes dos ingleses? Já sabíamos que os nossos navegadores eram uns patrões dos mares, mas não assim tanto. E será que olharam para aquilo e disseram: “Bah, este bocado de deserto nunca vai valer nada! Vamos desenhar aquela vaca saltitona e tentar chegar a casa a tempo de ver a bola!”

A questão foi levantada quando alguém encontrou este canguru desenhado num livro litúrgico português, datado do final do século XVI (o livro, não o canguru). Como nessa época ainda não existia o National Geographic (excepto em casa de Jose Sócrates, como contará no seu próximo comentário televisivo), a conclusão logica seria que os portugueses chegaram antes dos ingleses à terra dos cangurus, e portanto, dizem alguns, a Historia deve ser reescrita. 

Outros dizem que é um equivoco e aquilo não é um canguru mas outro bicho asiático. Eu voto no Panda do Kung Fu.


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Um direito desumano - Pe.Gonçalo Portocarrero

Se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois bons 'pais' ou  'mães', porque não permitir que três ou mais indivíduos do mesmo sexo possam adoptar?!

No dia 17 de Maio de 2013, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, a lei da co-adopção pelo parceiro do progenitor, em uniões de pessoas do mesmo sexo.

É por um imperativo de não-discriminação que se defende que também às uniões, ditas homossexuais, se reconheça o que já é permitido aos casais, ou seja, à união de um homem e uma mulher. Contudo, a justiça não obriga a tratar todos por igual, mas a dar a cada qual o que lhe é devido. A justiça fiscal discrimina os cidadãos em função dos seus rendimentos; se o não fizesse, seria profundamente injusta. Uma autarquia, uma sociedade anónima e uma associação de columbófilos podem ter personalidade jurídica, mas é razoável que a lei não lhes permita o casamento, nem a adopção de menores. É uma discriminação em relação às pessoas singulares? Sem dúvida, mas é legítima, como justa é a interdição da adopção para uniões não equiparáveis à família natural, que é a união de um homem e uma mulher.

Os defensores do pretenso direito à adopção esquecem que não há, nem pode haver, um direito a ter filhos, naturais ou adoptivos. Não o têm os casais naturais – quanto muito, uma mera expectativa – nem as uniões de pessoas do mesmo sexo e, se aqueles podem adoptar e estes não devem faze-lo, é porque o Estado deve facultar ao menor órfão, ou filho de pais ausentes ou incapacitados, um pai e uma mãe, ou seja, uma família natural. Só na impossibilidade de adopção, dever-se-ia entregar a criança sem pais a uma instituição social que, como a união de duas pessoas do mesmo sexo, também não é, em sentido próprio, uma família.

Um homem singular pode ser um bom pai, como uma única mulher pode ser uma boa mãe e, por isso, é razoável que um só indivíduo possa adoptar. Mas dois homens ou duas mulheres, não só não são melhores pais ou mães – na realidade, só um deles poderá ser, verdadeiramente, pai ou mãe – como, em caso algum, podem ser pai e mãe, o que só poderá ocorrer se forem, respectivamente, homem e mulher.

Por outro lado, se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois bons «pais» ou «mães», por que não permitir que três ou mais indivíduos do mesmo sexo, possam adoptar?! Afinal de contas, a exigência da heterossexualidade do casal é tão natural quanto a sua composição dual: se duas pessoas, do mesmo sexo, podem ser casal e família, porque não três, quatro ou cinco?! A obrigação legal de o casal serem só dois não será também preconceituosa?!

De facto é e, nisto, os defensores da co-adopção têm toda a razão. É um preconceito, como preconceituosa é também a essência heterossexual do casal. É um preconceito porque é uma realidade anterior a qualquer racionalização do amor, da família ou da geração: a natureza heterossexual da união fecunda não decorre de nenhuma ideologia, cultura ou religião, mas é uma realidade originária e natural e, apenas neste sentido, é um pré-conceito. É uma realidade aliás universal, porque 97% das uniões estáveis são constituídas, em todo o mundo, por pessoas de diferente sexo e 100% dos casais naturalmente fecundos são heterossexuais. É por isto que o casamento é matrimónio: a união que faz da mulher mãe, ou mater, em latim, porque, quando se exclui a geração, não há verdadeiro casamento, nem família.

A nova lei foi saudada como um avanço civilizacional. Mas, se assim é, por que razão os deputados a aprovaram, na generalidade, de forma tão apressada e sigilosa? Se são cientes da sua transcendência, não seria lógico que exigissem uma maioria qualificada, como se requer para as reformas constitucionais? Será que temem o veredicto popular? Será que sabem que a grande maioria das pessoas não concorda com a nova lei?

Uma grande vitória para os direitos humanos? Que uma criança tenha, legalmente, dois «pais» ou duas «mães» é tudo menos humano, porque o que é próprio da natureza humana é ser-se filho de um só pai e de uma só mãe. É desumano que o filho, privado do seu pai, ou da sua mãe, veja esse seu ascendente substituído pelo parceiro do outro progenitor. A nova lei, portanto, não consagra nenhum novo direito humano, mas talvez, por desgraça, o primeiro pseudo-direito desumano. 
in ionline


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A história do 'politicamente correcto'



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Frase do dia

"Os problemas dos outros devem ser os nossos problemas. A fraternidade cristã deve estar bem no fundo da nossa alma, de tal modo que nenhuma pessoa nos seja indiferente." 

S. Josemaria Escrivá


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As indulgências explicadas pela Penitenciaria Apostólica

O  dom  da  indulgência  manifesta  a plenitude  da  misericórdia  de  Deus, que  é  expressa  em  primeiro  lugar no sacramento  da  Penitência  e  da  Reconciliação.

Esta antiga prática, acerca da qual não  faltaram  incompreensões  históricas,  deve  ser  bem  compreendida  e acolhida.

A reconciliação com Deus, embora seja dom da Sua misericórdia, implica um processo em que o homem está envolvido no seu empenho pessoal, e a Igreja, na sua missão sacramental. O caminho de reconciliação tem o seu centro no sacramento da Penitência, mas também depois do perdão do pecado, obtido mediante esse sacramento, o ser humano permanece marcado por aqueles "resíduos" que não o tornam totalmente aberto à graça, e precisa de purificação e daquela renovação total do homem em virtude da graça de Cristo, para cuja obtenção o dom da indulgência lhe é de grande ajuda.

Entende-se por indulgência a "remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Enchiridion indulgentiarum, Normae de indulgentiis, Libreria Editrice Vaticana 1999, pág. 21; Catecismo da Igreja Católica, n. 1471).

A seguinte nota da Penitenciaria Apostólica recorda as disposições necessárias para obter com fruto a indulgência jubilar.

As celebrações do Ano jubilar não são só ocasião singular para aproveitar o grande dom que o Senhor nos faz das Indulgências mediante a Igreja, mas também são felizes oportunidades para evocar à consideração dos fiéis a catequese sobre as Indulgências. Por isso a Penitenciaria Apostólica publica, em benefício de quantos realizam as visitas jubilares, este aviso sagrado:

Apelos de índole geral sobre as Indulgências

1. A Indulgência é assim definida no Código de Direito Canónico (cf. cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica (n. 1471):  "A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos".

2. Em geral, a obtenção das Indulgências exige determinadas condições (ver abaixo nn. 3-4) e o cumprimento de certas obras (ver nn. 8-10, onde se indicam as que são próprias do Ano Santo).

3. Para obter as Indulgências, tanto plenárias como parciais, é preciso que, pelo menos antes de cumprir as últimas disposições da obra indulgenciada, o fiel esteja em estado de graça.

4. A Indulgência plenária só pode ser obtida uma vez por dia. Mas para a conseguir, além do estado de graça, é necessário que o fiel:

tenha a disposição interior do completo afastamento do pecado, mesmo só venial;
se confesse sacramentalmente dos seus pecados;

receba a Santíssima Eucaristia (certamente é melhor recebê-la participando na Santa Missa:  mas para a Indulgência só é necessária a sagrada Comunhão);

ore segundo as intenções do Sumo Pontífice.

5. É conveniente, mas não é necessário que a Confissão sacramental, e em especial a sagrada Comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam feitas no mesmo dia em que se cumpre a obra indulgenciada, mas é suficiente que estes ritos sagrados e orações se cumpram dentro de alguns dias (cerca de 20), antes ou depois do acto indulgenciado. A oração segundo a intenção do Papa é deixada à escolha do fiel, mas sugere-se um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria". Para diversas Indulgências plenárias, é suficiente uma Confissão sacramental, mas requerem-se uma distinta  sagrada  Comunhão  e  uma distinta  prece,  segundo  a  intenção  do Santo  Padre,  para  cada  Indulgência plenária.

6. Os confessores podem comutar, em favor daqueles que estão legitimamente impedidos, quer a obra prescrita quer as condições requeridas (excepto, obviamente, a separação do pecado, mesmo venial).

7. As Indulgências são sempre aplicáveis a si próprio ou às almas dos defuntos, mas não a outras pessoas vivas sobre a terra.

Aspectos próprios do Ano jubilar

Tendo em vista as necessárias condições, de que se fala nos números 3-4, os  fiéis  podem  obter  a  indulgência jubilar  cumprindo  uma  das  seguintes obras,  expressas  a  seguir  em  três categorias.

8. Obra de piedade ou religião:

fazer uma piedosa peregrinação a um Santuário ou Lugar jubilar (em Roma:  uma das 4 Basílicas patriarcais - São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior, São Paulo fora dos Muros - ou a Basílica da Santa Cruz de Jerusalém, a Basílica de São Lourenço "al Verano", o Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor ou uma das Catacumbas cristãs), participando ali na Santa Missa, noutra celebração litúrgica (Laudes ou Vésperas) ou num exercício de piedade (Via-Sacra, Rosário, recitação do hino Akathistos, etc.);

ou fazer uma visita piedosa, em grupo ou singularmente, a um dos próprios lugares jubilares, fazendo ali a adoração eucarística e piedosas meditações, concluindo-as com o "Pai Nosso", o "Credo" e uma invocação à Virgem Maria.

9. Obra de misericórdia ou caridade:

visitar, durante um tempo adequado, irmãos em necessidade ou em dificuldade (doentes, prisioneiros, anciãos sozinhos, deficientes, etc.), como que realizando uma peregrinação a Cristo presente neles;

ou sustentar com um significativo contributo obras de carácter religioso ou social (a favor da infância abandonada, da juventude em dificuldade, dos anciãos necessitados, dos estrangeiros nos vários países, em busca de melhores condições de vida);

ou então dedicar uma certa parte do próprio tempo livre a actividades úteis para a comunidade ou outras formas semelhantes de sacrifício pessoal.

10. Obra de penitência:

pelo menos por um dia:

abster-se de consumos supérfluos (fumo, bebidas alcoólicas, etc.) ou jejuar;
ou fazer abstinência de carne (ou de outro alimento, segundo as especificações dos Episcopados), oferecendo uma proporcionada quantia aos pobres.

Dado em Roma, na sede da Penitenciaria Apostólica, 29 de Janeiro de 2000


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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A dignidade permanece - João César das Neves

O problema do aborto nunca desaparecerá. Como a pobreza e a desigualdade, a violência ou o crime, acompanhará a humanidade, que terá sempre de lutar contra ele sem nunca o conseguir eliminar. Era bom que todos os envolvidos tivessem consciência desta verdade simples, evitando muitos erros e mal-entendidos.

Vivemos num tempo legalista, que acredita que as questões se resolvem com decretos. O repetido falhanço desta ilusão não impede que muitos coloquem a sua esperança na luta legislativa, descansando nas vitórias parlamentares e esquecendo que a vida só se decide na vida. Por importante que seja a superestrutura legal de um povo, manifesto autodefinitório, o fundo da natureza humana permanece um enigma. As inúmeras violações dos direitos humanos, após décadas de esforços, manifestam dolorosamente a realidade.
Numa época promíscua e lasciva, é na legislação familiar que explode a contradição, como na regulamentação financeira em crises creditícias. 

Nos EUA, sociedade mais aberta e dinâmica, o impasse dos embates entre "pró-vida" e "pró-escolha" manifestam-no há muito. Agora, a rejeição do relatório extremista de Edite Estrela pelo Parlamento Europeu a 11 de Dezembro e as discussões à volta da proposta de nova lei espanhola, apresentada a 20 de Dezembro, quebram o mito de solução pacífica deste lado do Atlântico.

Os esforços ideológicos para apresentar estes casos como ridículos e obsoletos não conseguem ocultar o dramatismo da questão. O respeitado semanário Expresso, num dos textos recentes que mais manchou a sua reputação de isenção e dignidade, tratou a questão desta forma: "Regresso ao passado. Rajoy cede à ala clerical e ultradireitista do PP com a revisão da lei do aborto que constitui um retrocesso de 30 anos na regulação de um direito adquirido pelas mulheres espanholas e gera um coro de críticas internacionais" (Expresso 28/12/2013, p. 27).

Qualquer abordagem minimamente séria e equilibrada da questão do aborto revela que ela tem elementos muito complexos e dramáticos. Procurar descartá-la como capricho de clericais e ultradireitistas (o que quer que isso signifique) é truque torpe, que manifesta desespero. Tentar reduzi-la a "direito adquirido" é infame, como é desonesto fingir que no coro internacional só existem críticas.

É indiscutível que está em causa um direito das mulheres. Mas está também presente um outro elemento que, sendo mínimo, não pode nunca ser esquecido: a vida da criança a nascer. A qual, em metade dos casos, é também feminina. Por isso se vêem mais mulheres do que homens a combater contra esse suposto direito adquirido.

O problema central é a vida do embrião abortado. E essa nunca desaparecerá. Pode ser morta, rejeitada, desprezada, esquecida, mas permanece sempre na sua irredutível dignidade. Por muitas ideologias e discursos que a neguem, por muitos decretos e práticas que a espezinhem, a vida daquela criança, que nunca chegou a ver a luz, grita sempre na sua mudez. Como a identidade dos escravos e proletários, como a fé dos mártires e perseguidos, como os direitos dos pobres e espoliados, e tantas outras vítimas de legislações majestosas que ao longo dos séculos as procuraram enterrar, a vida dos fetos abortados permanece no subconsciente das sociedades que os julgam extintos. Por isso, por maiores que sejam os esforços legais, o problema do aborto nunca desaparece.

O fenómeno é especialmente gritante neste nosso tempo, que elaborou e legislou mais do que todos para afirmar direitos e evitar injustiças. Nestes dias, o mundo uniu-se à volta do túmulo de Nelson Mandela para proclamar bem alto como a nossa época luta pela dignidade humana. Entretanto, é precisamente nos países mais sofisticados e avançados nesta dimensão que as violações ocorrem, precisamente neste aspecto mais íntimo e essencial. Esta contradição na superestrutura legal, nosso manifesto autodefinitório, é clamorosa e os nossos descendentes terão dificuldade em entendê-la. O que apenas manifesta que o fundo da natureza humana permanece um enigma. in  DN


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As mulheres e o sacerdócio...

Dúvida: Se a doutrina, segundo a qual a Igreja não tem faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica «Ordinatio sacerdotalis», deve ser considerada pertencente ao depósito da fé.

Resposta: Afirmativa.

Esta doutrina exige um assentimento definitivo, já que, fundada na Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o início, é proposta infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen Gentium, 25, 2).Portanto, nas presentes circunstâncias, o Sumo Pontífice, no exercício de seu ministério próprio de confirmar os irmãos (cf. Lc. 22, 32), propôs a mesma doutrina, com uma declaração formal, afirmando explicitamente o que deve ser mantido sempre, em todas as partes e por todos os fiéis, enquanto pertencente ao depósito da fé.

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao abaixo assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Resposta, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou sua publicação.

Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 28 de Outubro de 1995


Joseph Cardeal Ratzinger
Prefeito


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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Papa Francisco fala contra o aborto, as crianças-soldado e a escravatura

"Causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto, ou aquelas que são usadas como soldados, estupradas ou mortas nos conflitos armados, ou então feitas objecto de mercado naquela tremenda forma de escravidão moderna que é o tráfico dos seres humanos, que é um crime contra a humanidade."

in Discurso aos membros do corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, 14/I/2014


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domingo, 12 de janeiro de 2014

D. Manuel Clemente não será Cardeal...para já


O Papa Francisco divulgou a lista dos novos Cardeais, que serão criados no próximos Consistório de dia 22 de Fevereiro. D.Manuel Clemente não está entre os eleitos, talvez porque o antigo Patriarca de Lisboa, D.José Policarpo, ainda não cumpriu os 80 anos e portanto continua a ser um cardeal eleitor.

A grande maioria dos novos cardeais não são europeus:

1 – Dom Pietro Parolin, Secretário de Estado. 
2 – Dom Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos.
3 - Dom Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. 
4 – Dom Beniamino Stella, Prefeito da Congregação per o Clero.
5 – Dom Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster (Grã Bretanha). 
6 – Dom Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua (Nicarágua).
7 – Dom Gérald Cyprien Lacroix, Arcebispo de Québec (Canadá). 
8 – Dom Jean-Pierre Kutwa, Arcebispo de Abidjã (Costa do Marfim).
9 – Dom Orani João Tempesta, O.Cist., Arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil). 
10 – Dom Gualtiero Bassetti, Arcebispo de Perúgia-Città della Pieve (Itália).
11 – Dom Mario Aurelio Poli, Arcebispo de Buenos Aires (Argentina). 
12 – Dom Andrew Yeom Soo jung, Arcebispo de Seoul (Coreia).
13 – Dom Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcebispo de Santiago do Chile (Chile). 
14 – Dom Philippe Nakellentuba Ouédraogo, Arcebispo de Ouagadougou (Burquina Faso).
15 – Dom Orlando B. Quevedo, O.M.I., Arcebispo de Cotabato (Filipinas). 
16 – Dom Chibly Langlois, Bispo de Les Cayes (Haiti).

O Papa fará também cardeais três arcebispos eméritos, que se distinguiram ao serviço da Igreja:

1 – Dom Loris Francesco Capovilla, Arcebispo emérito de Mesembria (ex-secretário do Papa João XIII).
2 – Dom Fernando Sebastián Aguilar, C.M.F., Arcebispo emérito de Pamplona. 
3 – Dom Kelvin Edward Felix, Arcebispo emérito de Castries.


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