quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

As indulgências explicadas pela Penitenciaria Apostólica

O  dom  da  indulgência  manifesta  a plenitude  da  misericórdia  de  Deus, que  é  expressa  em  primeiro  lugar no sacramento  da  Penitência  e  da  Reconciliação.

Esta antiga prática, acerca da qual não  faltaram  incompreensões  históricas,  deve  ser  bem  compreendida  e acolhida.

A reconciliação com Deus, embora seja dom da Sua misericórdia, implica um processo em que o homem está envolvido no seu empenho pessoal, e a Igreja, na sua missão sacramental. O caminho de reconciliação tem o seu centro no sacramento da Penitência, mas também depois do perdão do pecado, obtido mediante esse sacramento, o ser humano permanece marcado por aqueles "resíduos" que não o tornam totalmente aberto à graça, e precisa de purificação e daquela renovação total do homem em virtude da graça de Cristo, para cuja obtenção o dom da indulgência lhe é de grande ajuda.

Entende-se por indulgência a "remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Enchiridion indulgentiarum, Normae de indulgentiis, Libreria Editrice Vaticana 1999, pág. 21; Catecismo da Igreja Católica, n. 1471).

A seguinte nota da Penitenciaria Apostólica recorda as disposições necessárias para obter com fruto a indulgência jubilar.

As celebrações do Ano jubilar não são só ocasião singular para aproveitar o grande dom que o Senhor nos faz das Indulgências mediante a Igreja, mas também são felizes oportunidades para evocar à consideração dos fiéis a catequese sobre as Indulgências. Por isso a Penitenciaria Apostólica publica, em benefício de quantos realizam as visitas jubilares, este aviso sagrado:

Apelos de índole geral sobre as Indulgências

1. A Indulgência é assim definida no Código de Direito Canónico (cf. cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica (n. 1471):  "A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos".

2. Em geral, a obtenção das Indulgências exige determinadas condições (ver abaixo nn. 3-4) e o cumprimento de certas obras (ver nn. 8-10, onde se indicam as que são próprias do Ano Santo).

3. Para obter as Indulgências, tanto plenárias como parciais, é preciso que, pelo menos antes de cumprir as últimas disposições da obra indulgenciada, o fiel esteja em estado de graça.

4. A Indulgência plenária só pode ser obtida uma vez por dia. Mas para a conseguir, além do estado de graça, é necessário que o fiel:

tenha a disposição interior do completo afastamento do pecado, mesmo só venial;
se confesse sacramentalmente dos seus pecados;

receba a Santíssima Eucaristia (certamente é melhor recebê-la participando na Santa Missa:  mas para a Indulgência só é necessária a sagrada Comunhão);

ore segundo as intenções do Sumo Pontífice.

5. É conveniente, mas não é necessário que a Confissão sacramental, e em especial a sagrada Comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam feitas no mesmo dia em que se cumpre a obra indulgenciada, mas é suficiente que estes ritos sagrados e orações se cumpram dentro de alguns dias (cerca de 20), antes ou depois do acto indulgenciado. A oração segundo a intenção do Papa é deixada à escolha do fiel, mas sugere-se um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria". Para diversas Indulgências plenárias, é suficiente uma Confissão sacramental, mas requerem-se uma distinta  sagrada  Comunhão  e  uma distinta  prece,  segundo  a  intenção  do Santo  Padre,  para  cada  Indulgência plenária.

6. Os confessores podem comutar, em favor daqueles que estão legitimamente impedidos, quer a obra prescrita quer as condições requeridas (excepto, obviamente, a separação do pecado, mesmo venial).

7. As Indulgências são sempre aplicáveis a si próprio ou às almas dos defuntos, mas não a outras pessoas vivas sobre a terra.

Aspectos próprios do Ano jubilar

Tendo em vista as necessárias condições, de que se fala nos números 3-4, os  fiéis  podem  obter  a  indulgência jubilar  cumprindo  uma  das  seguintes obras,  expressas  a  seguir  em  três categorias.

8. Obra de piedade ou religião:

fazer uma piedosa peregrinação a um Santuário ou Lugar jubilar (em Roma:  uma das 4 Basílicas patriarcais - São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior, São Paulo fora dos Muros - ou a Basílica da Santa Cruz de Jerusalém, a Basílica de São Lourenço "al Verano", o Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor ou uma das Catacumbas cristãs), participando ali na Santa Missa, noutra celebração litúrgica (Laudes ou Vésperas) ou num exercício de piedade (Via-Sacra, Rosário, recitação do hino Akathistos, etc.);

ou fazer uma visita piedosa, em grupo ou singularmente, a um dos próprios lugares jubilares, fazendo ali a adoração eucarística e piedosas meditações, concluindo-as com o "Pai Nosso", o "Credo" e uma invocação à Virgem Maria.

9. Obra de misericórdia ou caridade:

visitar, durante um tempo adequado, irmãos em necessidade ou em dificuldade (doentes, prisioneiros, anciãos sozinhos, deficientes, etc.), como que realizando uma peregrinação a Cristo presente neles;

ou sustentar com um significativo contributo obras de carácter religioso ou social (a favor da infância abandonada, da juventude em dificuldade, dos anciãos necessitados, dos estrangeiros nos vários países, em busca de melhores condições de vida);

ou então dedicar uma certa parte do próprio tempo livre a actividades úteis para a comunidade ou outras formas semelhantes de sacrifício pessoal.

10. Obra de penitência:

pelo menos por um dia:

abster-se de consumos supérfluos (fumo, bebidas alcoólicas, etc.) ou jejuar;
ou fazer abstinência de carne (ou de outro alimento, segundo as especificações dos Episcopados), oferecendo uma proporcionada quantia aos pobres.

Dado em Roma, na sede da Penitenciaria Apostólica, 29 de Janeiro de 2000


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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A dignidade permanece - João César das Neves

O problema do aborto nunca desaparecerá. Como a pobreza e a desigualdade, a violência ou o crime, acompanhará a humanidade, que terá sempre de lutar contra ele sem nunca o conseguir eliminar. Era bom que todos os envolvidos tivessem consciência desta verdade simples, evitando muitos erros e mal-entendidos.

Vivemos num tempo legalista, que acredita que as questões se resolvem com decretos. O repetido falhanço desta ilusão não impede que muitos coloquem a sua esperança na luta legislativa, descansando nas vitórias parlamentares e esquecendo que a vida só se decide na vida. Por importante que seja a superestrutura legal de um povo, manifesto autodefinitório, o fundo da natureza humana permanece um enigma. As inúmeras violações dos direitos humanos, após décadas de esforços, manifestam dolorosamente a realidade.
Numa época promíscua e lasciva, é na legislação familiar que explode a contradição, como na regulamentação financeira em crises creditícias. 

Nos EUA, sociedade mais aberta e dinâmica, o impasse dos embates entre "pró-vida" e "pró-escolha" manifestam-no há muito. Agora, a rejeição do relatório extremista de Edite Estrela pelo Parlamento Europeu a 11 de Dezembro e as discussões à volta da proposta de nova lei espanhola, apresentada a 20 de Dezembro, quebram o mito de solução pacífica deste lado do Atlântico.

Os esforços ideológicos para apresentar estes casos como ridículos e obsoletos não conseguem ocultar o dramatismo da questão. O respeitado semanário Expresso, num dos textos recentes que mais manchou a sua reputação de isenção e dignidade, tratou a questão desta forma: "Regresso ao passado. Rajoy cede à ala clerical e ultradireitista do PP com a revisão da lei do aborto que constitui um retrocesso de 30 anos na regulação de um direito adquirido pelas mulheres espanholas e gera um coro de críticas internacionais" (Expresso 28/12/2013, p. 27).

Qualquer abordagem minimamente séria e equilibrada da questão do aborto revela que ela tem elementos muito complexos e dramáticos. Procurar descartá-la como capricho de clericais e ultradireitistas (o que quer que isso signifique) é truque torpe, que manifesta desespero. Tentar reduzi-la a "direito adquirido" é infame, como é desonesto fingir que no coro internacional só existem críticas.

É indiscutível que está em causa um direito das mulheres. Mas está também presente um outro elemento que, sendo mínimo, não pode nunca ser esquecido: a vida da criança a nascer. A qual, em metade dos casos, é também feminina. Por isso se vêem mais mulheres do que homens a combater contra esse suposto direito adquirido.

O problema central é a vida do embrião abortado. E essa nunca desaparecerá. Pode ser morta, rejeitada, desprezada, esquecida, mas permanece sempre na sua irredutível dignidade. Por muitas ideologias e discursos que a neguem, por muitos decretos e práticas que a espezinhem, a vida daquela criança, que nunca chegou a ver a luz, grita sempre na sua mudez. Como a identidade dos escravos e proletários, como a fé dos mártires e perseguidos, como os direitos dos pobres e espoliados, e tantas outras vítimas de legislações majestosas que ao longo dos séculos as procuraram enterrar, a vida dos fetos abortados permanece no subconsciente das sociedades que os julgam extintos. Por isso, por maiores que sejam os esforços legais, o problema do aborto nunca desaparece.

O fenómeno é especialmente gritante neste nosso tempo, que elaborou e legislou mais do que todos para afirmar direitos e evitar injustiças. Nestes dias, o mundo uniu-se à volta do túmulo de Nelson Mandela para proclamar bem alto como a nossa época luta pela dignidade humana. Entretanto, é precisamente nos países mais sofisticados e avançados nesta dimensão que as violações ocorrem, precisamente neste aspecto mais íntimo e essencial. Esta contradição na superestrutura legal, nosso manifesto autodefinitório, é clamorosa e os nossos descendentes terão dificuldade em entendê-la. O que apenas manifesta que o fundo da natureza humana permanece um enigma. in  DN


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As mulheres e o sacerdócio...

Dúvida: Se a doutrina, segundo a qual a Igreja não tem faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica «Ordinatio sacerdotalis», deve ser considerada pertencente ao depósito da fé.

Resposta: Afirmativa.

Esta doutrina exige um assentimento definitivo, já que, fundada na Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o início, é proposta infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen Gentium, 25, 2).Portanto, nas presentes circunstâncias, o Sumo Pontífice, no exercício de seu ministério próprio de confirmar os irmãos (cf. Lc. 22, 32), propôs a mesma doutrina, com uma declaração formal, afirmando explicitamente o que deve ser mantido sempre, em todas as partes e por todos os fiéis, enquanto pertencente ao depósito da fé.

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao abaixo assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Resposta, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou sua publicação.

Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 28 de Outubro de 1995


Joseph Cardeal Ratzinger
Prefeito


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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Papa Francisco fala contra o aborto, as crianças-soldado e a escravatura

"Causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto, ou aquelas que são usadas como soldados, estupradas ou mortas nos conflitos armados, ou então feitas objecto de mercado naquela tremenda forma de escravidão moderna que é o tráfico dos seres humanos, que é um crime contra a humanidade."

in Discurso aos membros do corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, 14/I/2014


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domingo, 12 de janeiro de 2014

D. Manuel Clemente não será Cardeal...para já


O Papa Francisco divulgou a lista dos novos Cardeais, que serão criados no próximos Consistório de dia 22 de Fevereiro. D.Manuel Clemente não está entre os eleitos, talvez porque o antigo Patriarca de Lisboa, D.José Policarpo, ainda não cumpriu os 80 anos e portanto continua a ser um cardeal eleitor.

A grande maioria dos novos cardeais não são europeus:

1 – Dom Pietro Parolin, Secretário de Estado. 
2 – Dom Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos.
3 - Dom Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. 
4 – Dom Beniamino Stella, Prefeito da Congregação per o Clero.
5 – Dom Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster (Grã Bretanha). 
6 – Dom Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua (Nicarágua).
7 – Dom Gérald Cyprien Lacroix, Arcebispo de Québec (Canadá). 
8 – Dom Jean-Pierre Kutwa, Arcebispo de Abidjã (Costa do Marfim).
9 – Dom Orani João Tempesta, O.Cist., Arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil). 
10 – Dom Gualtiero Bassetti, Arcebispo de Perúgia-Città della Pieve (Itália).
11 – Dom Mario Aurelio Poli, Arcebispo de Buenos Aires (Argentina). 
12 – Dom Andrew Yeom Soo jung, Arcebispo de Seoul (Coreia).
13 – Dom Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcebispo de Santiago do Chile (Chile). 
14 – Dom Philippe Nakellentuba Ouédraogo, Arcebispo de Ouagadougou (Burquina Faso).
15 – Dom Orlando B. Quevedo, O.M.I., Arcebispo de Cotabato (Filipinas). 
16 – Dom Chibly Langlois, Bispo de Les Cayes (Haiti).

O Papa fará também cardeais três arcebispos eméritos, que se distinguiram ao serviço da Igreja:

1 – Dom Loris Francesco Capovilla, Arcebispo emérito de Mesembria (ex-secretário do Papa João XIII).
2 – Dom Fernando Sebastián Aguilar, C.M.F., Arcebispo emérito de Pamplona. 
3 – Dom Kelvin Edward Felix, Arcebispo emérito de Castries.


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sábado, 11 de janeiro de 2014

Olhos que vêem sem ver - Pe. Gonçalo Portocarrero

Na quarta-feira passada, de manhã cedo, fui interpelado por uma mensagem informática de um jovem universitário (NN), que conheço apenas do «chat» de uma rede social. O NN felicitava-me por um artigo nesse mesmo dia publicado. Agradeci-lhe a amabilidade e estranhei que já o conhecesse. Disse-me então que o texto lhe tinha sido reenviado por uns amigos cegos. Estranhei o facto, mas o NN confirmou-me que são mesmo cegos e que, graças a uma aplicação, conseguem converter à oralidade o texto escrito. Com bom humor, acrescentou depois que, embora não desse muito nas vistas, também ele é cego.

De imediato lhe pedi perdão pela minha eventual indelicadeza, mas a sua resposta, recusando as minhas desculpas, não se fez esperar: «Sabe que, para mim, a cegueira não é sinónimo de dificuldade ou de tristeza. É óbvio que gostava de voltar a ver, mas … aprendi a ver melhor as coisas. Por isso, todos os dias agradeço a Deus por me ter proporcionado esta experiência. Foi graças a isso que o conheci a Ele. Acho que só isso já justifica o não poder ver com os olhos …».

Desculpem-me a pieguice, mas estas palavras tiveram o condão de me comover, como há tempo não me acontecia. Também agora, sinto-me profundamente tocado pela grandeza daquela alma à qual foi pedido tamanho sacrifício e onde não há nenhum ressentimento ou revolta, mas apenas gratidão e, até, bom humor. O meu amigo NN, não vendo, vê muito mais do que eu e do que muitos outros, porque vê com o coração iluminado pelo dom da fé.

Não foi a única bênção desse dia, porque Deus me deu também a imensa alegria de, apesar da minha cegueira, entrevê-Lo nas celebrações eucarísticas e do sacramento do seu amor e perdão. Obrigado, Senhor! in ionline


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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Papa Francisco fala do Baptismo na Audiência Geral

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Baptismo do Senhor.

O Baptismo é o sacramentos sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor.

Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Baptismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus? Não é no fundo um simples rito, uma acto formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). 

Por conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.

Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós conhece a data do próprio Baptismo, levante a mão. É importante conhecer o dia no qual eu fui imergido precisamente naquela corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do Baptismo e assim sabereis bem o dia tão bonito do Baptismo. Conhecer a data do nosso Baptismo significa conhecer uma data feliz. 

Mas o risco de não o conhecer significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um evento que aconteceu no passado — e nem devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — por conseguinte, já não tem incidência alguma sobre o presente. Devemos despertar a memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os dias, como realidade actual na nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossa fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. 

E esta esperança que nada e ninguém pode desiludir, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!

Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesma! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.

Ao longo da história sempre um baptiza outro, outro, outro... é uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar sozinho: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, uma acto de filiação à Igreja. Na celebração do Baptismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja, a qual como uma mãe continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.

Peçamos então de coração ao Senhor podermos para experimentar cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos ao encontrar-nos possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar, perguntar a data do próprio Baptismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de festa.


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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O sexo deve ser orientado para a vida, para o amor e para a fecundidade

"O sexo não é uma realidade vergonhosa; é uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor, para a fecundidade." 

S. Josemaria Escrivá in Cristo que Passa, 24


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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

E quando o Papa nos dá boleia no papamóvel, isso é...



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Os sobrinhos de Deus - Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Há católicos tão bem, tão bem, tão bem, que tratam Deus por tio. De facto, chamá-Lo pai seria ficar automaticamente irmã, ou irmão, dessa gentinha pé-descalça e malcheirosa que vai à Cova da Iria de xaile e garrafão. Tratá-Lo por Senhor seria reconhecer-se de uma condição servil, que está muito bem para as criadas e para os chauffeurs, mas que não é compatível com quem é, há várias gerações, gente de algo.

Os sobrinhos de Deus gostam muito de Jesus, porque Ele é superfantástico: andou sobre o mar e fez montes de coisas giríssimas. Gostam tanto d’Ele que até Lhe perdoam o ter sido carpinteiro, pormenor de gosto duvidoso que têm a caridade de omitir, sempre que, ao chá, falam d’Ele. Também têm muita devoção ao Espírito Santo: à família do banco, claro, pois conhecem-na toda da Quinta da Marinha e de um ror de sítios muito in, que tudo o que é gente frequenta.

Alguns foram a Fátima a pé e acharam o máximo. Levaram uns ténis de marca, roupa desportiva q.b. e um padre da moda. Rezaram imenso, tipo um terço, sei lá. O resto do tempo foi à conversa, sobretudo a cortar na casaca de uns quantos novos-ricos, um bocado beatos, que também se integraram na peregrinação (já agora, aqui para nós, mais por fervor aos sobrinhos de Deus do que a Nossa Senhora, mas note-se que isto não é ser má-língua, mas a pura verdade, à séria).

Têm imenso gosto e casas estupendas. Quando olham para um crucifixo em pau-santo, com imagem de marfim e incrustações de prata, são capazes de reconhecer o estilo, provavelmente indo-europeu, identificar a punção, pela certa de algum antigo joalheiro da Coroa, e a data, até porque, geralmente, é igualzinho a um lá de casa, ou muito parecido ao da capela da quinta. Só não vêem o Cristo, nem a coroa de espinhos, nem as chagas, que são coisas de menos importância.

Detestam essas modernices do abraço da paz ou da Igreja dos pobres, mas não é que tenham nada contra os pobres, apenas receio de doenças contagiosas.

Também não são muito fãs do senhor prior, nem do Papa Francisco, simplórios de mais para os seus gostos sofisticados. Mas derretem-se quando se cruzam, nalgum cocktail, exposição ou concerto na Gulbenkian, ou em São Carlos, com alguém que os fascine pelo seu glamour, pela sua cultura, pela sua inteligência ou poder porque, na realidade, o principal santo da sua devoção é o príncipe deste mundo.

Uma só coisa aflige os sobrinhos de Deus: que o Céu, onde já têm lugar reservado, esteja mesmo, como se diz no sermão das bem-aventuranças, cheio de maltrapilhos.

1) Qualquer relação com a realidade não é coincidência, mas um azar dos diabos. in Público


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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dia da Beata Lindalva Justo de Oliveira

Lindalva nasceu em 20 de outubro de 1953, no pequeno povoado Sítio Malhada da Areia, município de Açu, Rio Grande do Norte. Filha do segundo matrimonio de João Justo da Fé (viúvo) e Maria Lúcia da Fé, de cujas núpcias nasceram 12 filhos.

Lindalva, a sexta filha do casal, já dava sinais de uma especial predestinação divina, pois entregava-se com naturalidade às práticas de piedade. Cresceu como menina normal, de aspecto gracioso, piedosa e muito sensível para com os pobres, de tal forma que ainda jovem surpreendeu a família doando as próprias roupas aos necessitados. Transferindo-se para Natal, estudava e trabalhava para se manter e ajudar a família, e todos os dias visitava os idosos do Instituto Juvino Barreto.

Após concluir o segundo grau passou a cuidar do pai, idoso e doente, com todo carinho e paciência. Quando este faleceu, Lindalva, aos 33 anos, entrou para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo: queria servir a Cristo nos pobres.

Não foi fácil adaptar-se à nova vida, mas com a graça de Deus foi progredindo na sua caminhada espiritual, passo a passo, renúncia após renúncia. Dizia sempre: “Amo mais a Jesus Cristo do que a minha família”.

Foi superando as etapas de sua formação religiosa na prática das virtudes, no amor à oração, à obediência alegre, sincera e compreensiva. Lutava para corrigir seus próprios defeitos e crescer no caminho da perfeição. Suas superioras estavam muito contentes com ela, notando sua disponibilidade e grande amor aos pobres.

Terminado o período do noviciado foi enviada para o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador, BA, recebendo o ofício de coordenar uma enfermaria com 40 idosos, sendo responsável pela ala do pavilhão masculino. Fez curso de Enfermagem para poder dedicar-se melhor aos seus doentes e idosos. À caridade unia o zelo espiritual por seus assistidos, procurando levá-los para Cristo pela boa palavra. Sua conduta era impecável, alegre, pura, modesta e caridosa para com todos. Encontrava ainda tempo para visitar os pobres no domicílio, e procurava meios para suprir suas necessidades materiais. Lindalva sentia-se feliz e realizada no seu trabalho.

Toda santidade passa pelo crisol do sofrimento. Em 1993, devido a uma recomendação, o abrigo acolheu entre os anciãos Augusto da Silva Peixoto, homem de 46 anos. Ele passou a assediar Ir. Lindalva, e chegou até mesmo a manifestar-lhe suas intenções. Ela começou a ter medo, e procurou afastar-se o mais que pode. Confidenciou-se com outras irmãs e refugiava-se na oração. Seu amor aos velhinhos a mantiveram no abrigo, e chegou a dizer a uma irmã: “prefiro que meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”.

Por não ser correspondido, Augusto foi à Feira de São Joaquim na Segunda-feira Santa e comprou uma faca, que amolou ao chegar ao abrigo. Não dormiu na noite de quinta para sexta-feira santa. De manhã, Irmã Lindalva havia participado da Via-Sacra, ao raiar da aurora, na paróquia da Boa Viagem. 

Ao regressar, foi servir o café da manhã aos idosos. Subiu as escadarias da enfermaria, como se estivesse subindo para o calvário, e pôs-se a servir pão com café e leite para os internos da ala masculina. Todos eles estavam em fila, esperando a vez. A irmã, compenetrada com o café, tinha a cabeça baixa quando sentiu um toque no ombro: virou-se e teve tempo apenas de ver o rosto enraivecido do homem que conhecera havia poucos meses... Em seguida, foram dezenas de facadas, pontilhadas por todo o corpo. Tudo diante do semblante horrorizado dos velhinhos que assistiam à cena bem em frente à mesa de café. Um senhor ainda tentou evitar a tragédia, avançando sobre o assassino. Mas Augusto Peixoto estava decidido e, ameaçou de morte quem ousasse se aproximar. Terminado o crime, foi esperar a polícia sentado em um banco na frente da casa. Do abrigo, ele foi para Casa de Detenção e, posteriormente, parou no Manicômio Judiciário. in EAQ


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Objectivos do Taylor Marshall para 2014

A
qui estão os meus objectivos para 2014. Escrevo-os em forma de hierarquia. Provavelmente vão-se chocar por me ter colocado a mim mesmo (mente e corpo) antes da minha mulher e dos meus filhos. Isto é contra-intuitivo, mas eu aprendi (da pior maneira) que se estiver doente/cansado/deprimido/frustrado/ desencorajado não posso servir a minha mulher e filhos. A maior parte dos livros sobre fazer propósitos vão encorajar-vos a fazer o mesmo.
A mim parece-me que se resume tudo a Marcos 12, 30-31:
Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. Este é o primeiro mandamento. O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.
Reparem que Deus está primeiro. Depois vejam que têm que amar o próximo como a vós mesmos. Isto implica que o cuidado deve-se primeiro a nós mesmos de modo a que possamos cuidar dos outros. Se eu comer pouco, dormir apenas 2 horas e ganhar 15 quilos de gordura para ajudar as pessoas, vou ser um estorvo - provavelmente não vão querer a minha ajuda!
Portanto, é importante o cuidado da própria pessoa para que possamos cuidar ainda mais da família, dos amigos e da vocação, na vida. Pensem nisto desta forma, se um bombeiro não fizer exercício e treinar, ele não pode salvar vidas.

Os objectivos do Taylor para 2014

  1. DEUS
    1. Oração Mental diária – 20 minutos e esforçar para voltar aos 30 minutos
    2. Ler 3 capítulos da Bíblia, 365 dias por ano
    3. Terço Diário (5 dezenas com a família)
    4. Consagração de 33 dias para 15 de Agosto
    5. Peregrinação a Nossa Senhora de Guadalupe em Fevereiro
  2. MENTE
    1. A virtude na qual vou trabalhar em 2014 é a Fortaleza. Fazer uma coisa que não me apetece, todos os dias
    2. Cultivar o hábito do optimismo dizendo alguma coisa positiva a todas as pessoas com quem conversar
    3. Manter um horário mais apertado e marcar uma hora diária para tarefas criativas
  3. CORPO
    1. Correr 5 dias por semana ou 20 quilómetros por semana e registar na minha ”MyFitnessPal”
    2. Manter a ingestão de calorias abaixo das 2000 diárias através da “MyFitnessPal”
    3. Uma penitência corporal diária
  4. JOY
    1. Dizer "Amo-te" 3 vezes por dia
    2. Escrever-lhe uma nota romântica semanal todos os Sábados
    3. Sair juntos uma vez por semana (de preferência à Quinta ou Sexta-Feira)
  5. SETE FILHOS
    1. Fazer alguma coisa especial com cada criança todas as semanas (por ex. ler um livro)
    2. Almoçar com eles na escola todas as Quartas-Feiras
    3. Viajar menos e limitar as minhas conferências para proteger o tempo em família
  6. TRABALHO E CARIDADE
    1. Gravar e produzir 52 Podcasts - um por semana, às Quartas-feiras
    2. Publicar 3 posts no blog por semana (2ª,4ª,6ª) - 156 posts
    3. Publicar 2 livros em paperback e para Kindle – Thomas Aquinas in 50 Pages e God’s Birthday
    4. Aumentar o número de leitores do taylormarshall.com de 130.000 visitantes mensais únicos para 260.000 até 31 de Dezembro
    5. Expandir o NSTI (New Saint Thomas Institute) de 20 para 40 países
    6. Lançar um programa certificado para o NSTI
    7. Conhecer os Capitães do Troops of Saint George
    8. Continuar a produzir 90% dos conteúdos/textos de GRAÇA [N.T.: Senza Pagare].
Aqui está. Alguns de vocês podem estar a pensar: “Ena! Porquê organizar tudo? Porque não aceitar apenas o que Deus quer?
A minha resposta: Eu acredito profundamente que essa não é a maneira bíblica de se viver. Não é isso que eu descubro nos Provérbios.
Acho que devemos rezar todos os dias e depois perseguir os objectivos que Deus nos revela. É isso que é a minha lista. Temos que nos preparar e planear as coisas. É assim que passamos de 5 para 10 talentos:
Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.' O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.' (Mt 25:20-21)

Deus está a dar-vos talentos para 2014. Não os enterrem! Façam um plano! Agora!


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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ano novo, vícios velhos: o abandono dos idosos - Henrique Raposo

Tenho há anos um hábito meio macabro: recolher recortes de jornais relativos a velhos abandonados pelas famílias. Os melhores, ou melhor, os piores são aqueles que dizem "idosos abandonados nas férias". Dado que é um pouco chato colocar um velho no porão do avião ou na mala do carro, muitas famílias abandonam os seus familiares nos hospitais durante o período das férias. É como se o hospital fosse um hotel para cães gratuito. Durante as mini-férias de Dezembro, o efeito do abandono costuma ser o aumento dos suicídios entre os idosos. Amanhã, quando começar a ler os jornais da semana, aposto que irei encontrar muitas referências aos suicídios de réveillon.


O regime (jornalismo incluído) adora justificar o abandono dos velhos com a habitual regurgitação económica: "Ai, então, as pessoas fazem isto porque são pobres, coitadinhas". Esta pose submarxista dá-me uns certos calores e merece três respostas. Em primeiro lugar, quem diz isto nunca foi pobre, nunca conheceu um pobre, nunca passou tempo num bairro popular. Em segundo lugar, os betinhos progressistas que desenvolvem este "pensamento" não percebem que estão a transformar o pobre(categoria material) numa antecâmara da falta de carácter (categoria moral); é como se um indivíduo pobre fosse - necessariamente - um pulha em potência. Em terceiro lugar, este "pensamento" está errado, factualmente errado. Os picos dos abandonos ocorrem nas férias, quando as famílias abandonam as suas casas para fazerem uma mijinha turística algures no país ou no estrangeiro. Ou seja, há dinheiro. A causa do abandono dos velhos nos hospitais é a presença de dinheiro usado numa estirada turística. Prioridades.

Além de serem desprezados em vida, muitos velhos são abandonados depois da morte. Há uns tempos, Paulo Paixão fez uma bela reportagem no Expresso sobre o abandono dos mortos nos cemitérios de Lisboa: mais de metade dos restos mortais são votados ao abandono; 59% em Benfica, 80% nos Olivais, 56% no Alto de São João, 46% na Ajuda. Digam-me lá qual é a causa económica que explica esta barbaridade em câmara lenta? Eu ajudo: não há qualquer causa económica, a crise material não é para aqui chamada.


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Homilia do Papa Francisco na Missa da Epifania do Senhor


«Lumen requirunt lumine». Esta sugestiva frase dum hino litúrgico da Epifania refere-se à experiência dos Magos: seguindo uma luz, eles procuram a Luz. A estrela aparecida no céu acende, nas suas mentes e corações, uma luz que os move à procura da grande Luz de Cristo. Os Magos seguem fielmente aquela luz, que os penetra interiormente, e encontram o Senhor.

Neste percurso dos Magos do Oriente, está simbolizado o destino de cada homem: a nossa vida é um caminhar, guiado pelas luzes que iluminam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós, cristãos, reconhecemos em Jesus, Luz do mundo. E, como os Magos, cada homem dispõe de dois grandes «livros» donde tirar os sinais para se orientar na peregrinação: o livro da criação e o livro das Sagradas Escrituras. Importante é estar atento, velar, ouvir Deus que nos fala – sempre nos fala. Como diz o Salmo, referindo-se à Lei do Senhor: «A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sal 119/118, 105). E, de modo especial, o ouvir o Evangelho, lê-lo, meditá-lo e fazer dele nosso alimento espiritual permite-nos encontrar Jesus vivo, ter experiência d’Ele e do seu amor.

A primeira leitura faz ressoar, pela boca do profeta Isaías, este apelo de Deus a Jerusalém: «Ergue-te e sê iluminada!» (60, 1). Jerusalém é chamada a ser a cidade da luz, que irradia sobre o mundo a luz de Deus e ajuda os homens a seguirem os seus caminhos. Esta é a vocação e a missão do Povo de Deus no mundo. Mas Jerusalém pode falhar a esta chamada do Senhor. Diz-nos o Evangelho que, chegados a Jerusalém, os Magos deixaram de ver a estrela durante algum tempo. Já não a viam. Em particular, a sua luz está ausente no palácio do rei Herodes: aquela habitação é tenebrosa; lá reinam a escuridão, a desconfiança, o medo, a inveja. Efectivamente Herodes mostra-se apreensivo e preocupado com o nascimento de um frágil Menino, que ele sente como rival. Na realidade, Jesus não veio para derrubar um miserável fantoche como ele, mas o Príncipe deste mundo! Todavia o rei e os seus conselheiros sentem fender-se os suportes do seu poder, temem que sejam invertidas as regras do jogo, desmascaradas as aparências. Todo um mundo construído sobre o domínio, o sucesso, a riqueza, a corrupção é posto em crise por um Menino! E Herodes chega ao ponto de matar os meninos: «Tu matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração», escreve São Quodvultdeus (Sermão 2 sobre o Símbolo: PL 40, 655). É assim: tinha medo e, com este medo, enlouqueceu.

Os Magos souberam superar aquele perigoso momento de escuridão junto de Herodes, porque acreditaram nas Escrituras, na palavra dos profetas que indicava Belém como o local do nascimento do Messias. Assim escaparam do torpor da noite do mundo, retomaram a estrada para Belém e lá viram de novo a estrela, e o Evangelho diz que sentiram uma «enorme alegria» (Mt 2,10). Precisamente a estrela que não se via na escuridão da mundanidade daquele palácio.

Entre os vários aspectos da luz, que nos guia no caminho da fé, inclui-se também uma santa «astúcia». Também esta é uma virtude: a «astúcia» santa. Trata-se daquela sagacidade espiritual que nos permite reconhecer os perigos e evitá-los. Os Magos souberam usar esta luz feita de «astúcia» quando, no caminho de regresso, decidiram não passar pelo palácio tenebroso de Herodes, mas seguir por outra estrada. Estes sábios vindos do Oriente ensinam-nos o modo de não cair nas ciladas das trevas e defender-nos da obscuridade que teima em envolver a nossa vida. Com esta «astúcia» santa, eles  guardaram a fé. Também nós devemos guardar a fé. Guardá-la daquela escuridão, se bem que, muitas vezes, é uma escuridão travestida de luz! Porque às vezes o demónio, diz São Paulo, veste-se de anjo de luz. Daí ser necessária uma santa «astúcia», para guardar a fé, guardá-la do canto das Sereias que te dizem: “Olha! Hoje devemos fazer isto, aquilo…” Mas, a fé é uma graça, é um dom. Compete-nos a nós guardá-la com esta «astúcia» santa, com a oração, com o amor, com a caridade. É preciso acolher no nosso coração a luz de Deus e, ao mesmo tempo, cultivar aquela astúcia espiritual que sabe combinar simplicidade e argúcia, como Jesus pede aos discípulos: «Sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas»  (Mt 10, 16).

Na festa da Epifania, em que recordamos a manifestação de Jesus à humanidade no rosto dum Menino, sentimos ao nosso lado os Magos como sábios companheiros de estrada. O seu exemplo ajuda-nos a levantar os olhos para a estrela e seguir os anseios grandes do nosso coração. Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, sem «grandes voos», mas a deixarmo-nos sempre fascinar pelo que é bom, verdadeiro, belo... por Deus, que é tudo isso elevado ao máximo! E ensinam-nos a não nos deixarmos enganar pelas aparências, por aquilo que, aos olhos do mundo, é grande, sábio, poderoso. É preciso não se deter aí. É necessário guardar a fé. Neste tempo, isto é muito importante: guardar a fé. É preciso ir mais além, além da escuridão, além do fascínio das Sereias, além da mundanidade, além de muitas modernidades que existem hoje, ir rumo a Belém, onde, na simplicidade duma casa de periferia, entre uma mãe e um pai cheios de amor e de fé, brilha o Sol nascido do alto, o Rei do universo. Seguindo o exemplo dos Magos, com as nossas pequenas luzes, procuramos a Luz e guardamos a fé. Assim seja!


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Menos pornografia no dia de Natal


Um conhecido site pornográfico divulgou a diferença de 'clicks' no dia de Natal em relação ao resto do ano. Existe uma diminuição generalizada, com excepção do Japão onde além de não terem presente o que é o Natal, também não devem ter mais que fazer nesse dia.

O segundo maior site pornográfico é responsável por 2% de todo o tráfico da internet. 35% de todos os downloads são pornográficos. 42% dos estudantes universitários americanos visitam regularmente sites deste género. 

A pornografia na internet criou uma autêntica legião de dependentes, com graves consequências para as suas vidas. Existem estudos feitos sobre as consequências que a exposição a vídeos pornográficos tem no cérebro da pessoa e não são nada agradáveis. 

"Com o aparecimento do computador, o sistema de entrega deste estímulo viciante ficou quase sem resistência. É como se tivéssemos inventado um tipo de heroína 100 vezes mais poderoso que antes, usado na privacidade da própria casa e injectado directamente no cérebro através dos olhos. E está agora disponível num stock sem limites através de uma rede de distribuição que se auto-multiplica e que é glorificada como arte e protegida pela Constituição." Dra. Jeffrey Satinover


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domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio: Um Jogador de Todos os Tempos


Quando eu era um jovem (long long time ago) vi muitas vezes, ainda em VHS, um documentário chamado “Eusébio: Um Jogador de Todos os Tempos”. 


Sei de cor quase tudo o que é dito no documentário, mas o que guardo especialmente é a vontade que aquele homem tinha de ganhar. A garra com que marcou os golos à Coreia do Norte no Mundial de 1966 e correu a buscar a bola dentro da baliza, para não perder tempo, e o espírito de sacrifício com que continuava a jogar mesmo estando lesionado ajudam-nos a perceber que quando temos uma coisa para fazer devemos fazê-la bem, mesmo que nos custe.

Hoje chegou o desafio mais importante da sua vida: a salvação da sua alma. Rezo por isso.

João Silveira


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sábado, 4 de janeiro de 2014

A nova forma de perseguição anti-cristã no Ocidente

Cientistas discriminados pela sua pertença, Bispos denunciados porque são contra o aborto, livros e rádio censurados: eis um mapa dos ataques à liberdade religiosa.


Aquilo que parecia simplesmente inconcebível está a acontecer. No mundo ocidental, estão a nascer confrontos contra os cristãos - em particular os católicos e os protestantes menos "secularizados" - com novas formas de discriminação, quando não mesmo, de perseguição. Basta ler algumas notícias recentes para encontrar sinais claros nesta direcção. 

Um exemplo. Margaret Somerville, uma famosa e experiente académica do Canadá, escreveu um editorial sobre "The Globe and Mail", onde denuncia o facto que, cada vez mais, no debate público, as suas ideias são postas de lados simplesmente porque é católica. Margaret Somerville é fundadora e directora do "McGill Centre for Medicine, Ethics and Law" e ensina na McGill, uma das principais universidades americanas. "Estive presente no debate púbico mais de trinta anos e apresentei análises éticas e legais sobre os problemas que trato e em momento algum fui atacada pela minha pertença religiosa. Então, porque surge agora esta apressada necessidade de me rotular como católica?". Segundo a estudiosa, "definir uma pessoa como religiosa é, agora, altamente depreciativo. Esta estratégia permite eliminar os argumentos do adversário sem entrar na substância do assunto". Conta ainda que tornou-se recorrente algumas importantes revistas mundiais de medicina, "de maneira surpreendente e incompreensível", pedirem aos autores dos artigos para declararem a sua "filiação religiosa".

Em direcção análoga, nos Estados Unidos, temos a promulgação da ENDA (Employment Non-Discrimination Act, ndr), a lei que queria, em teoria, impedir a discriminação nos postos de trabalho em geral. É, porém, na realidade, uma das maiores formas de difusão da ideologia de género, bem como da limitação da liberdade daqueles que a ela se opõem. E, afirmam os Bispos americanos, limita também a liberdade religiosa. Bispos esses que foram denunciados junto dos tribunais - por uma associação que diz defender a liberdade individual - com o argumento que "as posições anti-aborto põe em risco a vida das mulheres grávidas".

Os exemplos deste tipo podeiam continuar. Não menos importante é o caso de Constanza Miriano. Em Espanha, a publicação do seu livro "Sposati e sii sottomessa" deu origem ao primeiro pedido de censura editorial desde os tempos do regime de Franco (este livro, envolto em polémica, tanto em Itália como em Espanha, pelo seu título - inspirado na frase de S. Paulo, "As mulheres sejam submissas aos maridos, como ao Senhor", Ef. 5, 22 - ainda não foi editado em Portugal).

Há dias, na Universidade Urbaniana de Roma, Paul Marshall, expoente do Center for Religious Freedom do Hudson Institute, disse: "a secularização ocidental tem vindo a crescer nos últimos decénios. Permitam-me sublinhar que os modelos de que estamos a falar não são semelhantes aos do mundo comunista ainda existente, ou do Médio Oriente. Não se trata de uma perseguição nesse sentido, mas está a tornar-se muito preocupante."

"São correntes muito minuciosas - continuou Marshall - e penso que temos de nos tornar mais conscientes dos ataques e discriminações no emprego, na capacidade de exprimir o que pensamos, ou da possibilidade de viver a própria fé. As coisas estão, realmente, a piorar no Ocidente."

Marshall citou alguns exemplos já conhecidos, como o da inglesa que foi despedida por usar um fio com um crucifixo. Referiu, também, um estudo da Pew Forum - uma entidade de grande prestígio em estatística - onde se considera que "o grau de hostilidade religiosa na Europa ocidental é tão alta como no Médio Oriente".

Ainda há umas semanas um tribunal inglês proibiu uma rádio cristã de publicar um anúncio que convidava os cristãos discriminados no emprego a contarem a sua história. O pretexto do tribunal é que se tratava de um anúncio de propaganda política.

Em vez de uma sociedade aberta, onde os laicos são livres, os cristãos são livres, e os hindus são livres, a mais recente versão de sociedade secularizada, segundo Marshall, é aquela "onde o Estado encarna uma ideologia particular e pede que cada um se adapte a ela". Trata-se de uma mudança de uma "sociedade pluralista para uma sociedade ideologicamente secularizada. E isto é preocupante." Marco Tosati in Vatican Insider


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Mais de 6 milhões com o Papa Francisco no Vaticano

Número de peregrinos nos encontros com o Papa Francisco no Vaticano em 2013 (desde dia 13 de Março até ao fim do ano):

- 1.548.500 nas audiências gerais;
- 87.400 nas audiências particulares;
- 2.282.000 nas celebrações litúrgicas na Basílica e na Praça de São Pedro;
- 2.706.000 no Angelus e Regina Coeli;

6.623.000 no total.


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Mais um ano que passou - Santa Teresinha do Menino Jesus

Mais um ano que passou!...
Celina! Passou, passou, nunca voltará;
como passou este ano
também a nossa vida passará
e bem depressa diremos: “Passou”,
não percamos o nosso tempo,
a eternidade bem cedo brilhará para nós!...
Celina, se quiseres, convertamos almas,
é necessário que este ano
façamos que muitos sacerdotes saibam amar Jesus!...
que Lhe toquem com a mesma delicadeza
com que Maria lhe tocava no seu berço!...

A tua irmãzinha Teresa do Menino Jesus da Santa Face.

Carta 101, à sua irmã Celina


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Será que este texto é do Papa Francisco?

Circulam na internet os mais variados textos com a assinatura do Papa, mas que não foram escritos/ditos pelo Papa.

Assim de repente lembro-me do texto que começa com: “Precisamos de santos sem véu ou batina” e continuava por aí adiante. Este texto dizia-se proveniente duma “Carta do Papa João Paulo II aos jovens”, carta essa que nunca existiu. Depois de alguma investigação cibernética, percebe-se que esse texto foi inventado algures no Brasil e que se espalhou como fogo quando associado à figura de João Paulo II. Como o fogo parecia extinguir-se, alguém resolver inventar que afinal o texto é do Papa Francisco e eis que o fogo voltou a arder. 

No Verão surgiram as “10 lições de vida do Papa Francisco”, mas que não incluem uma única citação do Papa. 

Mais recentemente apareceu um texto que começa assim: “Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens. Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti...” Também assinado pelo Papa Francisco. Este texto já deu voltas e voltas à internet nos últimos anos, pelo menos em inglês, mas agora alguém resolveu dizer que foi escrito pelo Papa. 

Existem outros textos bem mais nocivos, como um que tem sido bastante divulgado com o título: “We Will Have A Woman Pope One Day”. Cita uma suposta carta aberta do Papa Francisco ao fundador do jornal 'La Repubblica', Eugenio Scalfari, onde o Papa teria dito: 

- Que todas as religiões são verdadeiras, é indiferente qual a que se professe; 
- Que é tudo igual: homossexualidade, heterossexualidade, ser a favor do aborto, ser contra o aborto, ser comunista, etc… 
- Que a Igreja vai começar a ordenar mulheres cardeais, bispos, padres e um dia até uma mulher será Papa. 

Temos que ter cuidado quando partilhamos um texto que aparece associado ao Papa Francisco, porque podemos estar a enganar as pessoas que vão ler o texto. Já vimos que existem pessoas com más intenções a usar a imagem do Papa para confundirem os mais incautos, por isso convém verificar as fontes antes de assumir que o texto é verdadeiro. 

Hoje em dia temos mais acesso ao que diz o Papa do que em qualquer outro momento na história da Igreja. São quase sempre palavras pertinentes que nos ajudam a perceber o que podemos melhor nas nossas vidas para amarmos mais a Deus e ao próximo. Qual é a necessidade de inventar coisas que o Papa não disse?

João Silveira




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domingo, 29 de dezembro de 2013

Frase do dia

"Desperta, ó homem! Por ti, Deus Se fez homem" 

Santo Agostinho (Sermões, 185)


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