sábado, 22 de março de 2014

Papa Francisco diz aos mafiosos que se não se converterem espera-os o inferno

Por favor, mudai de vida, convertei-vos, parai, cessai de fazer o mal! Nós rezamos por vós. Convertei-vos, peço-o de joelhos; é para o vosso bem. Essa vida que levais não vos dará prazer, não vos dará alegria, não vos dará felicidade. 


O poder, o dinheiro que haveis conseguido através de negócios sujos, de tantos crimes mafiosos, é dinheiro de sangue, é poder de sangue, e não podereis levá-lo para a outra vida. 


Convertei-vos, ainda é tempo, para não que não acabeis no inferno. É o que vos espera se continuardes nesse caminho. Vós tivestes um pai e uma mãe: pensai neles. Chorai um pouco e convertei-vos.



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sexta-feira, 21 de março de 2014

Texto dedicado a Fernando Ribeiro e Castro: Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso

 A grande dívida

Portugal tem uma dívida muito maior do que aquela de que se fala habitualmente. E é de justiça que tome consciência disso. Mais ainda, somente aproveitará e se recomporá se a reconhecer, agradecer e corresponder a quem tanto fez por nós.


Deus suscitou entre nós um generoso guerreiro que, como S. Paulo, combateu o bom combate – um valente, um bravo, cheio de Fé e de audácia – com uma inteligência perspicaz, uma capacidade de liderança singular e uma habilidade organizadora exímia. Exemplar na luta pela Justiça, um modelo de Caridade e de Misericórdia. Não só cuidou dos feridos como intrepidamente, na linha da frente, se opunha aos exércitos do Maligno para que não fizessem mais vítimas.


Num tempo em que tantíssimos poderosos se têm empenhado feroz e encarniçadamente contra a vida, o matrimónio, a família, a liberdade de educação, o cristianismo (e outros tantos covardes ou indiferentes se demitem da sua humanidade e da sua Fé), raros, se é que alguém, como ele se entregou com tamanha generosidade e competência à defesa, consolidação e promoção destes princípios inegociáveis que são os fundamentos do Bem-comum, da sociedade e da política, no seu sentido mais nobre.


Deus que tanto lhe deu para acudir a tantos não o poupou, como a Seu Filho, à Cruz. Assim como durante a maior parte da sua vida o fez participante dos Mistérios da Sua vida pública, nos últimos tempos quis fazê-lo participante da Sua Paixão em favor da nossa Salvação. Nestes tempos de grande configuração ao Crucificado poderíamos aplicar-lhe, analogicamente, o que o P. António Vieira disse de Cristo crucificado: “Nunca fez tanto, como quando nada fez”. 

Tenho para mim, sem a pretensão de me antecipar ao juízo da Igreja, que o Fernando Castro, que Deus ontem chamou a Si, participa já da Sua Glória; e que com a sua intercessão nos fortalecerá para continuarmos a missão que com tanta bondade e verdade desempenhou.

Deus compadecido das nossas misérias deixou-nos a Leonor (das Dores), sua mulher, e uma trezena de filhos para nos continuar a favorecer com as Suas Graças. À honra e glória de Cristo. Ámen. 

Pe. Nuno Serras Pereira


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Deus existe? - Arcebispo Fulton J. Sheen

"Se querem saber mais sobre Deus, só há uma maneira de o fazer: ponham-se de joelhos. Podem conhecê-Lo investigando, mas só amando conseguem ganhar o Seu amor. A maior parte das pessoas que negam Deus não o fazem porque a sua razão lhes diz que não há Deus, pois como poderia a razão testemunhar contra a Razão?

A sua negação deve-se antes à sua mentalidade. Pensam que seriam mais felizes se não houvesse Deus, porque assim poderiam agir como lhes apetecesse. Pensem um pouco menos sobre se merecem ou não ser amados por Ele; Ele ama-vos mesmo que não mereçam. É unicamente o Seu amor que vos vai tornar merecedores. A maior parte de nós está infeliz porque nunca demos a Deus uma oportunidade de nos amar; estamos apenas apaixonados por nós mesmos."

“If you want to know about God, there is only one way to do it: get down on your knees. You can make His acquaintance by investigation, but you can win His love only by loving. Most people who deny God do not do so because their reason tells them there is no God, for how could reason witness against Reason? 

Their denial is rather because of wishful thinking. They feel they would be happier if there were no God, for then they could do as they pleased. Think a little less about whether you deserve to be loved by Him; He loves you even though you are not deserving. It is His love alone that will make you deserving. Most of us are unhappy because we never give God a chance to love us; we are in love only with ourselves.”

in Preface to Religion


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Apontamentos para o tempo da Quaresma - D. Luigi Giussani

Quaresma é o momento da educação a tornarmo-nos como Deus nos quer. 

Um tempo de mortificação, que não é uma nossa habilidade ascética. A mortificação é um desabituarmo-nos do mal. Quanto mais estamos atentos, mais nos damos conta que o nosso pecado é grande. Daqui nasce o equívoco acerca de uma nossa incapacidade: um desespero que tem a mesma raiz da presunção.

De facto, a conversão nasce do encontro contínuo com Cristo. O modo com o qual Ele provoca a nossa conversão não o podemos prever. A Páscoa é o fim imprevisível da Quaresma.

O pecado torna-se a maior mentira quando não existe vigilância. A vigilância é: recomeçar sempre com Deus, e não buscar com as próprias forças a perfeição moral.

A verdadeira vigilância exprime-se assim: "Dá-me o tempo para que eu te possa invocar" (St. Agostinho).

A Quaresma é então o tempo desta consciência: existimos só com a sua ajuda. A ânsia, e a preocupação na vida são o sinal da mesma dureza dos Fariseus. A doçura no julgar-se a si e aos outros, vem só de ter o olhar em Deus, do apoiar-se n´Ele.

É então preciso como dote fundamental a simplicidade: seguir e basta.

Nós pelo contrário, pecamos, a maioria das vezes contra a própria simplicidade: tendemos a conceber a nossa vocação como queremos nós. Podemos chegar a experimentar irritação contra Deus que não faz a nossa vontade. Cai-se numa chantagem subtil que complica a vida. E no entanto, na forma mais dolorosa da prova (quando Ele parece que não responde àquilo que nós esperamos) descobre-se o factor maior da educação: a atenção ao essencial, porque nos chama a Ele. As provas são uma educação ao essencial.

Por estes motivos, a Quaresma é o tempo da segurança; o tempo do amor, porque percebemos que alguém nos ama. Está-se livre de todo o peso, em virtude do perdão. Penetra em nós a letícia de nos sabermos objecto da sua salvação.

Podemos olhar-nos a nós próprios com esperança. Esse é o verdadeiro jejum, porque implica olhar só para Ele. Só para Ele que nos salva. Por isso penitência e jejum são muito mais o realizar-se do amor do que o privar-se de algo.


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quinta-feira, 20 de março de 2014

Gatolicismo




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Frase do dia

"As pessoas apegadas ao mundo, mergulhadas nos seus afazeres, vivem na obscuridade e no erro; nem pensam em conhecer as coisas de Deus, nem pensam na sua salvação eterna." 

S. Pio de Pietrelcina


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terça-feira, 18 de março de 2014

A violência das ondas - José Maria André

As revoluções ideológicas abatem-se sobre os povos, como ondas contra a rocha: quem se mete na frente é esmagado. Aconteceu literalmente em Tianamen, onde as lagartas dos blindados trituraram os manifestantes, e acontece, de várias formas, em todo o mundo. Parece impossível deter as marés do poder. E, de repente,… o mar fica tão calmo que nem se acredita.

Nos EUA, a partir de 1 de Janeiro de 2014, as instituições de caridade que se recusam a proporcionar aborto e métodos contraceptivos aos colaboradores, violam o sistema de saúde instituído por Barack Obama. Como tal, o Governo aplica-lhes uma multa de 100 dólares por pessoa, por dia. Há instituições com mais de 10.000 funcionários. Passadas poucas semanas, as multas somam quantias tão incomportáveis, que a maioria das instituições abrirá falência, se o dinheiro não lhes for devolvido rapidamente.

Em 2007 passou a ser obrigatório no Reino Unido aceitar a adopção por homossexuais e, com base nisso, fecharam 85% das instituições católicas que apoiavam crianças em dificuldade. As restantes, afogadas em multas, provavelmente não vão sobreviver. No Reino Unido, há casos de tribunais que retiraram crianças a famílias por o casal ser contra a adopção por homossexuais.

Em França, François Hollande aprovou o casamento homossexual e já há processos em tribunal contra os Presidentes da Câmara que se recusam a presidir a essas fantochadas. A somar às pessoas que estão na prisão por defenderem a dignidade humana, sem excepções.

Na Bélgica e na Holanda, a eutanásia está a abranger cada vez mais pessoas e recentemente começou a aplicar-se a crianças, como extensão do aborto.

Na Suécia, nos EUA e noutros países, há gente na prisão por ler em público as passagens da Bíblia relativas à homossexualidade, ou processadas por se recusarem a colaborar em casamentos homossexuais.

No entanto, o mundo é mais complexo do que parece.

O Supremo Tribunal dos EUA acaba de dar razão às Irmãzinhas dos Pobres, que se recusaram a contratar seguros que incluíssem aborto e métodos contraceptivos. A sentença deu ânimo a muitas casas de saúde e paróquias, que foram multadas da mesma maneira, a 100 dólares por dia, por pessoa. O fanatismo chocou com a fibra de umas freiras norte-americanas que trabalham em lares de terceira idade! O Governo não compreende como umas freirinhas frágeis e sem dinheiro lhe fazem frente. Baralhado, Obama está surpreendido por esta gente que ele maltrata. Em especial, a pessoa do Papa Francisco deixa-o profundamente impressionado, como ele próprio disse à televisão.

A situação é dramática para os católicos do Reino Unido, mas em 2010 o Parlamento, a Rainha e o povo, receberam Bento XVI como o Chefe de Estado mais importante do planeta. A Presidente do Parlamento reconheceu explicitamente a sua autoridade moral. O número de conversões em países de língua inglesa atingiu um recorde histórico. Tony Blair, antigo Primeiro Ministro, responsável pela adopção por homossexuais, converteu-se ao catolicismo.

Claramente, o mundo é complexo. A União Europeia aprovou há dias o relatório da Ulrike Lunacek (que quer fundar o mundo no aborto e na homossexualidade), mas também votou a favor da iniciativa «Um de nós», que recolheu 2 milhões de assinaturas em 20 países, pedindo protecção para os bebés desde o momento da concepção. A mesma União Europeia, que se envergonha das suas raízes cristãs, nomeou o Papa Francisco como o «Comunicador do Ano».

Mais curiosos são os comunistas. Os jornalistas da China, reunidos no «China International Press Forum», puseram o Papa em terceiro lugar, no meio dos ídolos tradicionais, o presidente iraniano Hassan Rohani, o ex-presidente egípcio Mohamed Morsi, etc.

Quase todos os meios de comunicação social, da «Time» à «Rolling Stones», riem da fidelidade no casamento, enaltecem o comportamento homossexual e tratam a Igreja como uma aberração retrógrada. No entanto, praticamente todos perceberam algo, que não sabem explicar. Um fascínio que os desarma e deixa sem argumentos. Como se explica que votem o Papa Francisco como figura do ano? Claramente, o mundo é complexo.

Em Novembro, os Bispos portugueses declararam que as leis do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou da co-adopção por homossexuais «são reversíveis». O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa duvida até que elas correspondam à vontade dos portugueses. Os órgãos de comunicação foram unânimes: nada pode parar a co-adopção pelos homossexuais! Será que os bispos não estão a ver a marcha imparável do progresso?

Em Janeiro, apesar do nevão que cortou as comunicações aéreas e algumas estradas, cardeais e bispos dos EUA, à frente de uma multidão imensa, proclamaram que preferiam respeitar os direitos humanos a obedecer a leis injustas. O Cardeal de Boston falou, na homilia, da precariedade do poder humano. Disse que as leis contra a dignidade humana são como aquele imperador vestido com um traje invisível, que ninguém se atrevia a contestar. De repente, uma criança, alheia às convenções sociais, desata a rir: o rei vai nu! E acrescentou que a voz da Igreja é, hoje, esta criança.

Às vezes, admiro o mar, outras vezes, os pequenos barcos que o dominam. Sobretudo aquela barquinha pequena, baloiçando na água. Teimosamente, há séculos.

A canonização de Joana Jugan, Fundadora das Irmãzinhas dos Pobres (11-X-2009).
José Maria C. S. André

in «Verdadeiro Olhar», 19-II-2014



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domingo, 16 de março de 2014

Francisco a Bento: "Releia a minha entrevista!" E chegam quatro páginas de notas

O Papa emérito Bento XVI reviu e comentou a entrevista do Papa Francisco à "La Civiltà Cattolica" e escreveu quatro páginas de comentários. A revelação foi feita pelo Arcebispo Georg Gänswein numa entrevista do programa que a ZDF transmitiu por ocasião do primeiro ano de pontificado de Bergoglio.

“Quando o padre Spadaro entregou a primeira cópia desta entrevista, isto é, deste número (ed. sem esboços) - disse o Prefeito da Casa Pontifícia e secretário de Bento XVI - o Papa Francisco deu-ma e disse-me para a levar ao Papa Bento. "Veja, a primeira página depois do índice está vazia. Aqui o Papa Bento deverá escrever todas as suas críticas que lhe venham à cabeça durante a leitura e depois você traz-mas." 

Portanto levei a entrevista ao Papa Bento e disse-lhe, "o Papa Francisco disse que aqui há uma página vazia; ele pede-lhe que escreva aqui todas as suas reflexões, todos os pontos críticos, todos os sugerimentos, e depois levo-os ao Papa Francisco." Três dias depois disse-me: "Aqui temos quatro páginas" - naturalmente não foram escritas à mão, ele tinha ditado à irmã Birgit - "numa carta, peço-lhe que as entregue ao Papa Francisco." Tinha feito os trabalhos de casa!”

O Arcebispo não fala dos conteúdos das notas, mas acrescenta: "Portanto, ele tinha lido a entrevista e cumprido o pedido do seu sucessor fazendo algumas reflexões e também algumas observações sobre determinadas afirmações ou questões, que pensava que talvez se pudessem desenvolver ainda mais numa outra ocasião. Naturalmente não vos digo sobre que coisas."

in korazym.org


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sábado, 15 de março de 2014

A juventude não vive para o prazer - Paul Claudel

A juventude não vive para o prazer, vive para o heroísmo. É um facto: a um jovem é necessário heroísmo para resistir às tentações que o envolvem, para acreditar numa doutrina desprezada, para conseguir fazer face aos argumentos, à blasfémia, aos gracejos dos livros, aos jornais, para resistir à sua família e aos seus amigos, para estar só contra todos, para ser fiel contra todos. Mas tende coragem, porque eu venci o mundo. Não acredites que ficarás diminuído, antes pelo contrário ficarás aumentado.

É através da virtude que se é homem. A castidade tornar-te-á vigoroso, apto, vigilante, penetrante, claro como o toque da trombeta e esplêndido como o sol da manhã. A vida parecer-te-á cheia de encanto e de seriedade, um mundo de sentido e de beleza. À medida que avançares as coisas parecer-te-ão mais fáceis, os obstáculos que julgavas intransponíveis far-te-ão sorrir...

Há uma passagem na tua carta que me faz rir. É aquela em que me dizes que tens medo de encontrar na religião o fim da procura e da luta. Ah, caro amigo, no dia em que receberes Deus terás contigo o hóspede que te não dará mais momento de repouso. Não vim trazer a paz mas a espada. Será o grande fermento que fará rebentar todos os vasos, será a luta contra as paixões, a luta contra as trevas do espírito, não aquela em que se é vencido, mas a de que se sai vencedor. 

Paul Claudel, poeta francês convertido ao catolicismo


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Frase do dia

"Penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se com sonhos quiméricos. Penitência é levantares-te pontualmente. E também, não deixar para mais tarde, sem motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou custosa.


A penitência está em saber compaginar as tuas obrigações relativas a Deus, aos outros e a ti próprio, exigindo-te, de modo que consigas encontrar o tempo necessário para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares cansado, sem vontade ou frio." 

S. Josemaría Escrivá in Amigos de Deus, 138


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quinta-feira, 13 de março de 2014

Uma das frases mais fortes do primeiro ano de Pontificado

"É realmente ridículo que um cristão verdadeiro, que um padre, uma freira, um bispo, um cardeal, um papa, queiram percorrer esta estrada do mundano, é uma atitude homicida. 

O mundano mata, mata a alma, as pessoas, mata a Igreja. Hoje, aqui, peçamos a graça para todos os cristãos de que o Senhor nos dê a coragem de nos espoliar do espírito do mundo, que é a lepra e o cancro da sociedade, é o cancro da revelação de Deus. O espírito do mundo é o inimigo de Jesus.” 

Papa Francisco, Assis - 4/X/2013


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Primeiro aniversário de Pontificado do Papa Francisco




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quarta-feira, 12 de março de 2014

Morreu D. José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa

Requiem aeternam dona ei, Domine. Et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace. Amen.


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O Papa Francisco, o dom das lágrimas e o Missal Tradicional

O encontro do Papa Francisco com os párocos de Roma na semana passada, que já foi posto aqui no Senza, tem imenso potencial para cada um crescer na vida interior. Um potencial que se aplica não só aos padres, mas a todos os cristãos.


De facto, para crescer em santidade, é bom que os leigos aproveitem muito daquilo que os padres costumam fazer: rezar, preocupar-se em levar almas para o Céu, viver a castidade, etc... e ao mesmo tempo manter-se na sua vida profissional e familiar normal.

É a isso que o Concílio Vaticano II se refere quando fala da santidade dos leigos. É por isso que este discurso do Papa (completo aqui) é de muito proveito para todos. 

Este tempo da Quaresma é, além disso, muito bom para meditarmos sobre o que significa cada pecado, cada ofensa a Deus e ao próximo. Estas são coisas sempre muito mais graves do que pensamos e que acabaram por levar o próprio Deus a ser flagelado e pregado na cruz. O Papa, no seu discurso aos párocos de Roma, fala precisamente em chorar por isso:
"Diz-me: tu choras? Ou perdemos as lágrimas? Lembro-me que nos Missais antigos, aqueles de um outro tempo, há uma oração lindíssima para pedir o dom das lágrimas. Começava assim, a oração: "Senhor, Tu que deste a Moisés o mandato de bater na pedra para que viesse a água, bate na pedra do meu coração para que as lágrimas...": era assim, mais ou menos, a oração. Era belíssima. Mas quantos de nós choramos diante do sofrimento de uma criança, diante da destruição de uma família, diante de tantas pessoas que não encontram o caminho?... O choro dos padres... Tu choras?"
Outro aspecto muito interessante aqui é o conhecimento que o Santo Padre tem das orações do Missal antigo, aquele que se usa hoje para celebrar a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.

De facto, o Papa Francisco citou uma oração (belíssima, como diz o Santo Padre) que se encontra mesmo no final do Missal tradicional, num cantinho dos cantinhos, numa secção chamada "Orações Diversas".

A oração que o Papa citou é a seguinte:

Omnipotens et mitíssime Deus, qui sitiénti pópulo fontem vivéntis aquae de petra produxísti: educ de cordis nostri durítia lácrimas compunctiónis; ut peccáta nostra plángere valeámus, remissionémque eórum, te miseránte, mereámur accípere. Per Dóminum nostrum Jesum Christum. 
Ó Deus bondossíssimo e omnipotente, que saciastes a sede ao povo com a fonte de água viva que produziste do rochedo, fazei rebentar da dureza do nosso coração lágrimas de compunção, para que possamos chorar os nossos pecados e merecer o perdão deles por Vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vale a pena folhear esta secção do missal, porque tem orações lindíssimas para todo o tipo de necessidades como rezar por uma comunidade ou família, pelo papa ou pelo rei, contra os perseguidores da Igreja, para pedir bom tempo, em ocasião de terramoto, em ocasião de peste nos animais, para obter o perdão dos pecados, contra os maus pensamentos, para pedir a caridade, pelos amigos, pelos inimigos, etc... São muitas!

Há muitas riquezas nos missais e nos livros antigos. S. Josemaria, por exemplo, dizia: "A Igreja de Deus e os sacerdotes de Deus, desde há vinte séculos, pregam o mesmo (…). Porque – gosto muito de dizê-lo – a religião não foi feita pelos homens de braço erguido, por votação… Pegai nos velhos catecismos! Filhas minhas, filhos meus: são tesouros maravilhosos! Não os deiteis fora!, lede-os (…) e lede-os com calma para conservar a fé dos vossos filhos."

Nuno CB


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Interrompem com gritos a favor do aborto mas são silenciadas com o "Viva a Vida"

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terça-feira, 11 de março de 2014

D. Álvaro del Portillo explica como santificar o trabalho

Hoje, dia 11 de Março de 2014, faz 100 anos que nasceu o Venerável Álvaro del Portillo, 1º sucessor de S. Josemaria à frente da Prelatura do Opus Dei, que será beatificado no próximo dia 27 de Setembro.

Em comemoração do centenário do seu nascimento fica aqui um filme em que D. Álvaro explica como se deve fazer para santificar o trabalho:


(se não aparecerem legendas em português, podem-se activar em baixo à direita)

O actual Prelado da Obra, D. Javier Echevarria, também disse algumas palavras interessantes sobre D. Álvaro:
Sempre que ocorria algum aniversário importante, D. Álvaro costumava dirigir-se ao Senhor com esta oração: «Obrigado, perdão, ajuda-me mais». É natural supor que também atuasse de modo semelhante na efeméride do seu centenário. Aquelas palavras são uma excelente oração para nos dirigirmos à Santíssima Trindade: agradecendo os benefícios recebidos – são tantos!, muitos mais do que podemos imaginar – ; pedindo perdão pelas nossas faltas e pecados; solicitando a Sua ajuda para continuar a servir, mais e melhor, como servos bons e fiéis.  
Há anos, noutro aniversário desta data, D. Álvaro detinha-se a recordar o tempo decorrido. As suas considerações podem servir-nos para também nós falarmos com Deus, sobretudo quando, seja pelo que for, nos saltem aos olhos as nossas faltas e debilidades de forma mais patente. Eram e são expressões que enchem de esperança. «Ao contemplar o calendário da minha vida, dizia, penso nas folhas passadas. São passadas mas não atiradas ao cesto dos papéis, porque perduram aos olhos de Deus. Tantos benefícios do Senhor! Já antes de nascer me preparou uma boa família cristã, que me proporcionou uma boa formação. Depois, tantos acontecimentos que marcaram a minha existência. Acima de todos, o encontro com o nosso Padre, que mudou por completo a minha vida, de forma muito rápida. E os quase quarenta anos de contacto próximo e constante com o nosso Fundador…».
in opusdei.pt


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Hermenêutica da continuidade: O Papa anda de autocarro




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segunda-feira, 10 de março de 2014

Mario Palmaro, um pai de família que combateu o bom combate

No passado dia 9 de Março, depois duma longa doença, morreu Mario Palmaro. Com apenas 46 anos de idade, este professor universitário e escritor distinguiu-se como um dos melhores estudiosos e defensores da fé católica nos tempos difíceis em que vivemos.

Aqui ficam algumas palavras suas numa entrevista a ‘Il Foglio’, onde fala da sua vida depois de saber que tinha uma doença terminal:
 
A primeira coisa que decorre desta doença é que se abate sobre nós sem nenhum aviso prévio e numa altura que não decidimos. Estamos à mercê dos acontecimentos, e não podemos fazer mais do que aceitá-los. A doença grave obriga a ter consciência que somos mortais; mesmo que a morte seja a coisa mais certa do mundo, o homem moderno vive como se nunca fosse morrer.

Com a doença percebes pela primeira vez que o tempo de vida aqui em baixo é um sopro, suportas a amargura de não teres feito o trabalho de santidade que Deus queria, experimentas uma nostalgia profunda pelo bem que poderias ter feito e pelo mal que poderias ter evitado.

Olhas o Crucificado e percebes que aquele é o coração da fé: sem o Sacrifício o catolicismo não existe. E aí dás graças a Deus por te ter feito católico, um católico “pequeno pequeno”, um pecador, mas que tem na Igreja uma mãe extremosa. Então, a doença torna-se um tempo de graça, mas muitas vezes os vícios e misérias que nos acompanharam durante a vida permanecem, ou adensam-se. É como se a agonia já tivesse começado e combate-se o destino da alma, porque ninguém está certo da sua própria salvação.

Por outro lado, a doença fez-me descobrir uma quantidade de pessoas que me querem bem e que rezam por mim, de famílias que de noite rezam o terço com as crianças pela minha cura, e fico sem palavras para descrever a beleza desta experiência, que é uma antecipação do amor de Deus na eternidade. A maior dor que tenho é a ideia de ter que deixar este mundo do qual gosto tanto, e que é tão belo e tão trágico: ter que deixar tantos amigos, a minha família, especialmente a minha mulher e os meus filhos, que são ainda novos.


Às vezes imagino a minha casa, o meu escritório vazio, e a vida continua, mesmo sem mim. É uma ideia que custa, mas extremamente realista: faz-me perceber que sou, e fui, um servo inútil, e que todos os livros que escrevi, as conferências, os artigos, são apenas palha. Mas tenho esperança na misericórdia do Senhor, e no facto que outros recolherão as minhas aspirações e as minhas batalhas, para continuarem o antigo duelo. 


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Química? - D. Nuno Brás

Está hoje na moda entre os jovens (e menos jovens) chamar “química” à atração física que alguém sente por outro. Não sei as origens desse costume. Mas sei que ele trouxe consigo duas realidades que não deixam de me preocupar.

Em  primeiro lugar, o facto de reduzir as relações humanas a uma reação química. Ao início, o uso da expressão parecia ser uma simples comparação: tal como dois reagentes dão origem a uma realidade nova, assim também os apaixonados deixavam que nascesse o amor entre eles. Mas daqui já se foi mais longe, e hoje já nos encontramos no campo da afirmação da pretensa realidade (ainda há dias encontrei alguns estudantes do ensino secundário que pensavam deste modo), ou seja: a paixão e o amor mais não seriam que o fruto de uma reação química que existiria no nosso corpo, provocada pela presença daquele outro ser. Assim como dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio juntos dão lugar à água, assim os seres humanos inevitavelmente se sentiriam impelidos um para o outro. Tudo, mesmo as relações entre seres humanos passaria a ser comandado pela inevitabilidade. Talvez mesmo algum cientista tenha a pretensão de descobrir a lei que comanda essa “química”…

Depois, aquilo que à primeira vista seria um “acto de liberdade”, ou mesmo de “libertinagem” (contra os tabus e as regras da sociedade), mais não seria que, afinal, uma inevitabilidade química. A liberdade, a generosidade, o amor seriam apenas grandes mentiras em que viveríamos. Entre seres humanos, afinal, mais não existiria que, como nos outros animais, o inevitável instinto. Toda a história universal, todas as construções, todo o altruísmo, tudo o que nos permite decidir e ser responsáveis, mais não seria que fruto de uma reação química. E o mesmo se diga de tudo o que é aberração: todos os monstros ditadores; todos os criminosos mais ou menos comuns, afinal não seriam responsáveis pelos seus atos… Seria apenas “química”!

Mas não percebemos que nos encontramos à beira do abismo e da auto-destruição? Não tenho dúvidas que a humanidade será capaz de reagir. Mas, até lá, muitos (sobretudo jovens) se perderão pelas veredas deste caminho educativo, mais ou menos espalhado pelas nossas escolas. E desses havemos de responder, por não os termos ajudado a olhar a beleza do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus!

in Voz daVerdade


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