segunda-feira, 19 de maio de 2014

Morreu D. Eurico Dias Nogueira: Requiem aeternam dona ei, Domine


Aos 91 anos morreu o acrebispo emérito de Braga, D. Eurico Dias Nogueira.


Foi ordenado sacerdote em 22 de Dezembro de 1945, e frequentou a Universidade Gregoriana de 1945 a 1948. De 1950 a 1956 estudou na Universidade de Coimbra, licenciando-se em Direito Civil.

De 6 de Dezembro de 1964 a 19 de Fevereiro de 1972 foi bispo de Vila Cabral, Moçambique e de 19 de Fevereiro de 1972 a 3 de Fevereiro de 1977 foi bispo de Sá da Bandeira, actual Lubango, Angola.

Foi Arcebispo Primaz de Braga de 1977 a 1999.

Conhecido opositor do comunismo, comentou assim o 'Evangelho Segundo Jesus Cristo', de José Saramago:

"Uma delirante vida de Cristo", concebida "na perspectiva da [...] ideologia político-religiosa [de Saramago] e distorcida por aqueles parâmetros", o que trouxe como resultado "um livro blasfemo, espezinhador da verdade histórica e difamador dos maiores personagens do Novo Testamento, como Nossa Senhora, São José e os Apóstolos, além de Cristo, o principal visado, e, por isso mesmo, insultuoso para os cristãos crentes: para todos nós."


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O valor da pessoa humana e o cristianismo - Pe. João Seabra

São Tomás escreveu que “A sorte da alma imortal de um único indivíduo vale mais que a sorte de todos os impérios”.

Esta ideia de que a pessoa, pelo seu valor eterno, único, exclusivo e perpétuo que tem para Deus, para o Criador e para o Redentor, vale mais que todos os impérios, é uma ideia tipicamente cristã, exclusivamente cristã, na história comparada das religiões, e na história das civilizações não surgiu em nenhum outro lado do mundo.
 
Surgiu no ocidente cristão no século XIII cristão, no grande teólogo cristão como síntese da mensagem cristã, e está na origem da reflexão filosófica acerca do valor da pessoa que, em última análise, na sua versão ortodoxa deu a Doutrina Social da Igreja, e na sua versão do racionalismo iluminista deu a declaração jacobina de 1791.

Mas a matriz originária é a revelação feita pelo Filho de Deus feito homem do valor único, exclusivo e radicalmente irrepetível de cada Ser Humano.

in Actualidade Religiosa


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Estou tão habituado a ser gay e católico, que já esqueci como isso soa tão estranho

Já nem me lembro de que, para alguns, dizer "homossexual" é referir-se a uma raça diferente, ou até a um género diferente. Já nem me lembro de que alguns cristãos pensam que sou o tipo mais pervertido (mas um pervertido que têm de tratar cordialmente), e de que alguns laicistas pensam que sou o tipo mais hipócrita. Uns por eu sentir atracção por pessoas do mesmo sexo, e os outros por eu não praticar essa atracção.
É melhor lerem de novo a última parte.

Exacto: sinto atracção por homens. Não, eu não durmo com eles, pela mesma razão que montes de católicos não dormem com as pessoas com quem não estão casados. Acho que iam ficar espantados com a quantidade de vezes que as pessoas ouvem a primeira parte (ele é gay) mas não a segunda (ele é celibatário) – apesar da segunda parte ser a única que é da minha responsabilidade.

Certa vez escrevi todo um artigo sobre como é que é isto de ser celibatário e gay e católico, e sabem qual foi a primeira reacção que apareceu na caixa de comentários?"Arrepende-te!".

Não é que sejam assim todos os que descobrem que eu sou gay. Na maioria dos casos, as pessoas a quem disse – principalmente família e amigos – reagem com compaixão e até admiração. Tipicamente dizem "fico contente de que confies em mim ao ponto de me contares isso". Mas mesmo os mais compreensivos nem sempre compreendem o que é que eu estou a dizer, quanto mais não seja porque (ao contrário de mim) não gastaram os últimos 14 anos a descobrir, e também porque a frase"eu sou gay" não é uma frase simples.

Não me incomoda muito a palavra "gay", mas alguns de nós no espaço católico gay preferimos a expressão "atracção pelo mesmo sexo" (ingl. same sex attraction; abrev. SSA). Parece-me mais rigorosa que "gay" ou "queer" ou outras, porque dá a entender que a homossexualidade é qualquer coisa que eu tenho, mais do que qualquer coisa que eu sou. É assim que eu vejo as coisas. Por isso a ideia de cultura gay, direitos gay, casamento gay, e "tudo o mais" gay, é estranha para mim. Seria como falar da cultura "intolerância ao glúten", ou dos direitos "músicos".

Isso não quer dizer que eu não me identifique fortemente com aqueles aspectos do meu ser que é habitual serem associados à ideia de se ser "gay". Tenho sensibilidade musical, sou palavroso, sou intuitivo, tenho um forte sentido estético. Mas os homens com SSA não tem o monopólio dessas coisas, e o facto de eu ter essas características não significa que eu faça parte de uma cultura especial; significa apenas que eu sou eu próprio, e não sou outra pessoa.

Também não quero banalizar a experiência de ter SSA (atracção pelo mesmo sexo). O sexo não é tudo, mas, como qualquer pessoa que tenha disfunção sexual sabe, é muito. Juntem o aspecto sexual às outras coisas que homens e mulheres homossexuais frequentemente experimentam – depressão, baixa auto-estima, solidão, sensação (ainda que falsa) de ser totalmente diferente – e vão descobrir que é uma cruz pesada.

Experimentei fazer tratamentos em todas as áreas que referi, mas ninguém fica totalmente tratado neste lado de cá do céu. A solidão pode ser a pior parte: não a ausência de amigos, porque eu tenho amigos, mas o esforço de abrir caminho para viver numa sociedade que constantemente te está a dizer que o amor romântico é o único acesso para a verdadeira felicidade, e que o celibato (para não dizer a virgindade!) é uma espécie de transtorno psíquico.

Depois há a questão da amizade. Gosto de homens, e vou gostar sempre. Isso não é bizarro, não é estranho, nem sequer é gay. Mas não é tão simples como dizer "vê, mas não toques" – a castidade é uma questão do coração, da alma, das emoções, mas é também uma questão inguinal. O que é que fazes se o teu melhor amigo te excita? Como se aprende a amar outro homem sem o converter num ídolo?

Estas questões continuam presentes em mim mas já nenhuma delas é o centro das atenções. É preciso lutar, rezar e pedir conselho, oferecer eventuais quedas, e levar a nossa vida para a frente. Nenhuma das coisas que tenho de fazer é exclusiva de homens ou mulheres gay. Ser "hetero" não é garantia de ter uma sexualidade saudável, luminosa, integrada; apenas significa que o mesmo concerto musical belo e dramático é tocado numa clave diferente. Ninguém pode saltar fora deste barco.

Mas as coisas melhoram. Se há dez anos alguém me dissesse que a minha vida iria ser como é hoje os meus olhos teriam saltado das órbitas. Nunca imaginei que as coisas pudessem chegar a ser tão boas, que eu me tornaria tão confiante, que muitas vezes eu iria sorrir sem ter nenhuma razão especial.

Você deve estar agora a perguntar como é que eu consegui vir de lá até aqui. Não tenho uma resposta rápida. Foi preciso muita oração e muito trabalho, e o amor e a paciência de irmãos, irmãs, conselheiros, e amigos. Se quer um bom ponto para começar – para si ou para alguém que conheça, ou simplesmente porque quer compreender tudo isto um pouco melhor, eu recomendo fazer uma visita a People Can Change e Courage. Sugiro conseguir um exemplar de Fr. Harvey The Homosexual Person e do livro de Alan Medinger Growth Into Manhood.  Também pode tentar a obra de Melinda Selmys Sexual Authenticity e a de Wesley Hill Washed and Waiting.  E obviamente também há o meu blog.

Mas o mais importante deve ser mesmo isto: é possível, mas sozinho não é possível – e a Igreja pode ser a melhor aliada. Talvez ainda não compreenda porque é que a Igreja ensina o que ensina; mas não desista de a ouvir. Talvez ainda não sinta o amor de Jesus na Missa; então vá mais vezes, não menos vezes. Talvez tenha ido a um padre que não percebeu, então encontre um que perceba.

Acima de tudo, não aceite respostas fáceis, nem da direita nem da esquerda. O caminho mais rápido raramente é o mais correcto, e o chegar pelo mais longo faz a viagem valer a pena.
Joseph Preve in "The Truth About Same Sex Attraction." Catholic Exchange(February 14, 2014)


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domingo, 18 de maio de 2014

Incomodai os pastores, importunai os pastores

Estas foram as palavras que mais ficaram no ouvido de alguns, depois de o Santo Padre as ter dito no Domingo passado. Mas o Santo Padre disse-o com uma finalidade: «incomodai os pastores, importunai os pastores, todos nós pastores, a fim de que possamos dar-vos o leite da graça, da doutrina e da guia».

Mas para que vos possamos dar «o leita da graça, da doutrina e da guia», precisamos nós de estar unidos à fonte, e a fonte é Cristo, que “jorra do altar”. É extremamente importante para a Igreja e para o mundo, que nos importunem para pedir a Confissão ou direcção espiritual. Mas para que possamos «dar-vos o leite da graça, da doutrina e da guia», precisamos de momentos concretos e precisos para nos centrarmos no essencial.

Quantas vezes temos as sacristias “invadidas” quando chegamos para nos prepararmos para a Santa Missa e logo a seguir a ela! Quantas vezes estamos a rezar o Breviário na Igreja, diante do Santíssimo e nos vêm interromper!

Se a preparação para a Santa Missa e a acção de graças têm orações “pro opportunitate”, ou seja, facultativas, o Breviário é obrigação. Precisamos que nos deixem rezar diante de Nosso Senhor para melhor O poder dar a quem no-Lo pede!

Do Missal de 1962 para o de Paulo VI (que foram reduzidas e remetidas para apêndice e que, na versão portuguesa, vá-se lá saber como e porquê, nem sequer constam), as orações de preparação para a Santa Missa e em acção de graças depois dela são um manancial de graça, que nos ajuda a centrar no essencial. 

A sacristia, especialmente antes e depois da Santa Missa, deveria ser um lugar de silêncio e oração para que o Padre se possa centrar em Cristo, para melhor O poder dar aos outros. Será que tudo é assim tão urgente, que não se possam esperar cinco ou dez minutos para que o Padre “desça” do altar ao mundo?

Pedir a Confissão imediatamente antes da Missa parece-me ser uma boa razão. Mas não se poderia lá estar um pouco antes ou pedir para que o Padre esteja um pouco antes? Mas depois da Santa Missa, mesmo este pedido não pode esperar um pouco?

E quando o Padre está diante de Nosso Senhor a rezar, não podemos aproveitar a oportunidade para rezar com ele e por ele? Se quando vamos ter com um Padre é para lhe pedir Cristo, porque havemos de abruptamente interromper esse momento, que tão necessário é para ele e para toda a Igreja.

Incomodem-nos, importunem-nos, também rezando connosco e por nós. Isto é também uma provocação para nós. Incomodem-nos, importunem-nos, pedindo-nos Cristo, mas de modo a que não nos afastemos de Cristo.

Dominus nos benedicat, et ab omni malo defendat, et ad vitam perducat aeternam. Amen.

Um Padre



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sábado, 17 de maio de 2014

A primeira mulher matemática do mundo foi... uma freira Católica


O Google Doodle de ontem parecia mais uma daquelas comemorações que ninguém conhece. Celebrou-se ontem o 296º aniversário de Maria Gaetana Agnesi. Sim, em princípio é mesmo desconhecida, mas esta é uma personagem que vale muito a pena conhecer.

Diz a Wikipedia (inglesa) que "Maria Gaetana Agnesi (1718 – 1799) foi uma matemática e filósofa italiana. Ela é conhecida por ter escrito o primeiro livro sobre cálculo diferencial e integral e foi membra honorária da Universidade de Bolonha."

Na verdade, Maria Gaetana Agnesi falava grego fluentemente com 11 anos e aos 13 anos de idade já dominava o hebreu, francês, espanhol, alemão e latim.

Com 14 anos estudava a fundo a dinâmica dos projécteis e geometria avançada. Aos 15 anos o seu pai, que era professor de Matemática na Universidade de Bolonha (a primeira universidade do mundo), reunia em casa os maiores intelectuais de Bolonha do século XVIII para ouvirem Maria Agnesi defender teses de filosofia, e eram mais de 190 as teses que ela argumentava.

Começamos a ver que Maria Gaetana Agnesi era uma espécie de Mozart da intelectualidade. Além disso, ela era conhecida por ser uma mulher muito bonita.

O mais interessante é que, apesar de toda esta cultura intelectual e vida social, Maria Agnesi, uma mulher de grande oração, queria era mudar a sua vida e entregá-la toda a Deus. No entanto, o pai não a deixou seguir uma vida religiosa, obrigando-a a estudar matemática. Ela obedeceu mas passou a levar uma vida de grande recolhimento, onde além de rezar também estudava muita matemática e chegou mesmo a dar aulas.

Os frutos não ficaram para trás: como vimos, escreveu o primeiro livro onde se junta o cálculo diferencial ao cálculo integral e foi a segunda mulher do mundo a ter uma cátedra universitária (a primeira foi Laura Bassi, em Física).

Ou seja, Maria Gaetana Agnesi foi a primeira mulher do mundo a ter uma cátedra universitária em matemática.

O mais estranho é que o seu nome raramente é usado quando se fala do papel da mulher na ciência e na sociedade. Porquê? Bem, porque quando o pai de Maria Agnesi morreu, a sua vida finalmente mudou.

Continua a Wikipedia a explicar que ela "dedicou as últimas quatro décadas da sua vida a estudar teologia (especialmente patrística) e a trabalhos de caridade e ao serviço dos pobres. Isto extendia-se a ajudar os doentes, permitindo-lhes que entrassem em sua casa, onde ela construiu um hospital.[1]"

É melhor dizer isto de uma maneira mais simples: durante os últimos 40 anos da sua vida, Maria Agnesi dedicou-se a estudar a teologia dos Padres da Igreja (Sto. Agostinho, S. João Crisóstomo, etc...) e a servir os pobres, isto é, Maria Gaetana Agnesi tornou-se uma freira Católica.

E dizer que construiu um hospital em casa é uma forma subtil de dizer que, na verdade, ela fundou uma congregação de irmãs religiosas. Em 1738 fundou a Opera Pia Trivulzio, uma casa para os idosos de Milão, onde vivia com as irmãs da instituição [2].

O nome de Maria Gaetana Agnesi continua a dar que falar na História da Ciência moderna. Em 2001, um historiador do Institute for the History and Philosophy of  Science and Technology da Universidade de Toronto, Canadá, publicou pela University of Chicago Press um artigo chamado "Maria Gaetana Agnesi: Mathematics and the Making of the Catholic Enlightenment" com o seguinte Resumo/Abstract:

Maria Gaetana Agnesi (1718-1799) é conhecida como a autora do livro sobre cálculo que apareceu em Milão em 1748. Pela primeira vez uma mulher foi capaz de se estabelecer como uma matemática legítima e publicar o seu trabalho. Este estudo reconstrói a cultura científica e religiosa em que o livro apareceu e considera os aspectos menos conhecidos da vida e do pensamento de Agnesi. Defende que Agnesi foi um expoente principal do "Iluminismo Católico" em Itália e que a sua prática espiritual, actividade piedosa e ideias pedagógicas inovadoras influenciaram profundamente a sua abordagem à matemática. O estudo sugere que a cultura reformista do Iluminismo Católico providenciou as condições que permitiram umas poucas mulheres com talento aceder a forma privilegiadas de conhecimento e de vida social; pode ser um factor que explica a presença pouco comum de mulheres instruídas nas instituições científicas de Itália durante os inícios do século dezoito.

O artigo pode ser encontrado online aqui.

O caso de Maria Gaetana Agnesi é um dos muitos casos que mostra que não há nenhum conflito entre Fé e Ciência.

Nuno CB

[1] Alic, Margaret (1986). Hypatia's Heritage. 124 Shoreditch High Street: The Women's Press. p. 138. ISBN 0-7043-3954-4.
[2] Ogilvie, Marilyn Bailey (1986). Women in science: antiquity through the nineteenth century: a biographical dictionary with annotated bibliography (3. print. ed.). Cambridge, Mass.: MIT Press. ISBN 0-262-15031-X.


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Estátua do Sagrado Coração de Jesus destruída em Espanha

O governo municipal de San Sadurniño, na Corunha (Espanha), mandou retirar uma estátua do Sagrado Coração de Jesus, com grande valor religioso mas também histórico e patrimonial. A justificação foi a velha desculpa de que o "Estado é laico". A estátua foi partida ao meio, num modo completamente impróprio de tratar um símbolo tão querido às gentes daquela terra e aos cristãos em geral.

Quem puder faça um acto de desagravo ao Sagrado Coração de Jesus por mais esta humilhação:

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é deles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados, diante do vosso altar, para vos desagravar-mos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o vosso dulcíssimo Coração. Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, mas também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade não Vos querendo como pastor e guia, ou, faltando às promessas do baptismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa Lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas particularmente dos costumes e imodéstias do vestir, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfémias contra Vós e os vossos santos, dos insultos ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino Amor, e enfim, dos atentados e rebeldias oficiais das nações contra os direitos e o magistério da vossa Igreja. 

Oh, se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação que Vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares. 

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e pelos nossos próximos, impedir por todos os meios novas injúrias à vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possível. 

Recebei, oh! benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes até á morte no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à Pátria bem-aventurada, onde Vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Assim seja. (Papa Pio XI)


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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Documentário "Fátima no Mundo"

O extraordinário documentário "Fátima no Mundo" estará até dia 18 (de Maio), em salas de Lisboa, Porto, Coimbra, Cascais, Braga, Vila Real e Viseu, às 19h00. Os bilhetes custam apenas 4 euros.


Nossa Senhora de Fátima partiu da Cova da Iria para o mundo. Por onde passou semeou procissões, santuários, igrejas, hospitais, colégios, e sobretudo, um povo orante, peregrino. Entoam-se cânticos em várias línguas e surgem testemunhos surpreendentes, numa diversidade étnica e social, que relatam graças recebidas, curas, vocações e conversões.

Pouco a pouco , como que numa peregrinação visual, desvenda-se a riqueza e universalidade da mensagem de Fátima…


Este documentário , foi idealizado e produzido por Manuel Arouca, mais conhecido pela autoria de telenovelas como OS JARDINS PROIBIDOS, FILHA DO MAR, e da escrita ficcionada de livros como FILHOS DA COSTA DE SOL e DEIXEI MEU CORAÇÃO EM ÁFRICA. Ele próprio peregrino de Fátima, levou quatro anos de pesquisa e preparação e realização para seguir o fio condutor desta mesma devoção pelos quatro cantos do mundo. Teve o apoio do Santuário de Fátima, no âmbito já da preparação da Comemoração do Centenário das Aparições 1917-2017 , e a aquisição por parte da RTP dos episódios extensos sobre cada continente.


Este filme, resumo compacto desses episódios todos, já foi visto pelo Papa Francisco - que gostou - conforme expresso em carta enviada pela Nunciatura.


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Ti Joaquina e Emily Letts

Na semana passada, o nome Emily Letts terá sido dos mais referidos pela internet. Entre comunicação social e redes sociais esta senhora gerou ódios, despertou paixões e reacendeu debates. Gerou muita conversa. O que não gerou, porém, foi um filho – dádiva de Deus para os devidos efeitos – que carregava no ventre.

Resumindo a história, Emily é activista do aborto e trabalha no Cherry Hill Women's Center. Parece que é, também, uma educadora sexual – seja lá o que isso for. Até aqui trata-se de um retrato infelizmente algo comum, o incomum foi a iniciativa que tomou: nada mais nada menos que filmar o seu próprio aborto e colocar na internet à disposição de qualquer pessoa. Qualquer pessoa, sublinho. Crianças, mães, pessoas que têm dúvidas e que certamente não precisam de ver este vídeo. Todas têm acesso se quiserem.

Cereja no topo do bolo: quando confrontada sobre aquilo que fez disse que «quis mostrar que não é assustador»…

Para além de falhar redondamente o objectivo, conseguiu uma coisa inédita: colocar defensores do aborto repugnados com uma iniciativa tão… assustadora. 

A meu ver há duas questões a serem tidas em conta. Em primeiro lugar a falta de respeito por si própria ao expor-se desta forma. A falta de respeito por si própria ao assumir e publicitar uma forma de homicídio com uma leviandade sem precedentes. Não sei se é o caso, mas certamente que esta Emily se sente grata por a sua mãe não a ter achado um “inconveniente” e ter tomado a mesma decisão. 

Esta nova cultura-tendência do “tudo é permitido”, para além de ser contra a natureza humana, anula-se em si própria na medida em que, ao acharmos que somos livres de fazer tudo o que queremos, acabamos por perder toda a nossa liberdade, e pior, entrar no campo da liberdade do próximo. E este é só um exemplo disto mesmo. Quando se fala de aborto não é de direitos da mulher ou liberdade de escolha que se trata: é dos direitos daquele que inocentemente foi gerado e que tem todo o direito a viver. Acima de tudo, tem direito a viver. 

Um bebé não pede para ser concebido, mas quando dois adultos o concebem o mínimo absoluto que se lhes exige é que assumam essa responsabilidade. Na vida é assim. Cometemos erros, todos os cometem, e não dá para fazer “undo” e “começar de novo” como se a vida fosse um jogo de Playstation ou um desenho no Paint. Cometem-se erros e assume-se a responsabilidade. É assim todos os dias, não se compreende como é que pode haver um grupo de pessoas ingénuas ao ponto de se equipararem a um qualquer tipo de divindade com o poder de alterar o rumo natural da existência. 

Esta filosofia de vida é perigosa. Este tipo de pensamento leva a premissas muito perigosas. Defender que se tem o direito de destruir uma vida humana embrionária não é muito diferente de defender que posso assassinar o meu patrão se ele me decidir despedir, ou que posso atentar contra a vida de um professor meu se ele me der uma má nota. 

Na realidade, entre estes exemplos, há uma diferença muito importante: é que o meu patrão e o meu professor podem-se defender. Já o embrião humano não é ainda dotado dessa faculdade. Ora, será preciso algum raciocínio muito elaborado para se perceber que isto só torna este crime mais grave? 

Assim chegamos a uma conclusão importante. É que há um problema grave de défice. Não de défice orçamental, mas défice de pensamento crítico, falta de raciocínio, falta de análise nas coisas mais pequenas do nosso dia a dia. A sociedade formata-nos no sentido de sermos executantes ao invés de sermos pensantes e isso, para além de nos levar a poder admirar pessoas que não sabem pensar (caso desta Emily), leva-nos a perder a nossa liberdade sem o notarmos, ficando até com a sensação que somos muito livres. 

Mas pergunta (e bem) o leitor, por que motivo os executantes olham para estes exemplos em vez de olhar para os outros, ou seja, por que é que as pessoas se deixam influenciar mais por estes maus exemplos quando até haverá, certamente, mais pessoas pensantes a expor muito claramente por que é que este e outros crimes são verdadeiros atentados à dignidade humana. Simplesmente porque para se compreender a real dimensão deste problema uma pessoa precisa de estudar, pensar, escutar, e acima de tudo, tem de se comprometer e compromisso é a última coisa que as pessoas querem ouvir falar neste momento. O ritmo frenético das cidades e dos empregos fazem com que já não haja espaço para compromisso na nossa vida, nem para aqueles que foram assumidos perante Deus, como o casamento, como sabemos. 

Este raciocínio leva-me à segunda questão a ser tida em conta. É que uma certa comunicação social, inspirada por esta leveza de espírito, diverte-se a fazer das Emilys desta vida celebridades efémeras. Não que isto desculpe a atitude desta senhora, não me interpretem mal, mas todos sabemos que, se não existisse a cobertura mediática que se verifica, estes casos estavam reduzidos à inexistência. Estou convicto disto. 

Como vem a propósito, deixem-me partilhar um exemplo que fala por si e que na sua simplicidade consegue destruir as mais rebuscadas teorias anti-vida. É além do mais um exemplo, também, daquilo que, se fosse um vídeo, dificilmente se tornava “viral”. 

Este Domingo, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Distrito de Braga, vai homenagear as mães com mais filhos do Concelho. Entre estas mães encontra-se a “Ti Joaquina”. A Dona Joaquina é uma senhora com 88 anos de vida, a maioria dos quais dedicados à profissão mais temida do momento: ser mãe. Não, não é uma hipérbole minha. Em 22 anos a Ti Joaquina deu à luz, nada mais, nada menos, que 20 crianças. 

Acham que a Ti Joaquina vivia num palácio e tinha rendimentos anuais de um milhão de euros (como fazem crer que é necessário para se ter filhos nos dias de hoje)? Obviamente que não. Antes pelo contrário, trata-se de uma daquelas verdadeiras heroínas da vida real, aquelas que contribuem mais para a humanidade que qualquer super-herói da Marvel, mas que não ajudam a vender revistas e, por isso, não costumam ter direito a legiões de fãs nem a grande holofotes. 

Não faz mal, a Ti Joaquina sabe certamente bem o que vale e não está disposta a fazer de tudo por 5 minutos de fama como a nossa amiga Emily. Criou os seus filhos com grandes dificuldades materiais, muitas vezes quando tudo o que havia para comer era uma panela de sopa, mas, diz a D. Joaquina, «Tudo se criou». 

Cada vez mais me convenço que há muitos letrados que têm imenso a aprender com estas gentes simples. Vivam as Ti Joaquinas! 

Bernardo Serrão Brochado


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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Papa Bento XVI responde a uma menina da Primeira Comunhão


"Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos."

Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados. Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado "mortal", isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto.

O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas limpamos as nossas casas, os nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade seja sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujidade não possa ser vista, mas acumula-se. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana.

Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.




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Os novos pobres? Os divorciados

Relatório Cáritas 2014 sobre a pobreza e a exclusão. 

O divórcio prejudica os divorciados. Esta é a informação que emerge do Relatório Cáritas 2014 sobre a pobreza e a exclusão social chamado False Partenze. O documento, desenvolvido através da escuta e observação realizada por 220 Caritas diocesanas em Itália, revela que houve uma mudança no perfil do pobre. Se até há pouco tempo os pobres na Itália eram imigrantes e idosos, hoje a pobreza afecta mais as pessoas que passaram pelo término de um relacionamento conjugal.

66,1% dos separados que pedem ajuda à Caritas afirma ser incapaz de prover os bens considerados de necessidade básica. Destes, apenas 23,7% estava na mesma condição antes da separação.

Mas ainda não acabou. Os efeitos negativos da separação também afectam a saúde psicológica: 66,7% apresentam mais sintomas de distúrbios do que antes da separação. Além disso, a separação afecta a relação pai-filho: 68% dos entrevistados dizem que houve uma mudança na relação com os filhos; 58,2% revela a situação como pior do que antes.

O relatório indica que houve um aumento no número de pessoas que fazem uso da ajuda da Cáritas: destaca-se o facto de que 85,3% destes ‘novos pobres’ divorciados são italianos. 42,9% estão envolvidos em separação legal, 28,1% em separação de facto e 22,8% em processo de divórcio. in Zenit


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Milagre: Bebé morto volta à vida após 2 horas nos braços da mãe

Kate Ogg, uma mulher australiana, estava grávida de gémeos: um menino e uma menina. Na hora do parto, feito prematuramente às 27 semanas de gestação, ela teve uma menina, Emily, mas o irmão, um menino a que haviam chamado Jamie, não sobreviveu devido a cirurgia difícil do parto. Os médicos declararam-no clinicamente morto.

Ela, devastada pela notícia e juntamente com o seu marido David, pediu aos médicos se podia segurá-lo para passar ao menos alguns minutos com ele.

Kate disse: “Eu queria tanto encontrá-lo e abraçá-lo para que ele nos conhecesse. Já que a sua vida seria fora deste mundo, nós queríamos que ele soubesse quem os seus pais eram, e que nós o amávamos muito mesmo antes de ele nascer e morrer.”

E assim esta mãe abraçou o corpinho morto do seu filho Jamie, conversou com ele sobre todas as coisas que eles poderiam fazer juntos, contou-lhe da família que formavam, e acompanhada de seu marido, o abraçaram, lamentaram e choraram sua perda.

David disse que ele queria apenas mais alguns minutos com o seu filho enquanto os médicos e enfermeiras aguardavam que devolvesse o corpo, para prepararem a documentação do óbito, mas os minutos foram passando, e eles ficaram com o corpo do bebé durante mais de 2 horas. A irmã gémea de Jamie, Emily, estava bem e estava a ser acompanhada pelos médicos, e David lamentou juntamente com a esposa a dor de terem perdido o filho.

Passadas 2 horas, já conformados com a perda do filho, quando Kate e David se preparavam para se despedir de Jamie, eles notaram pequenos e breves movimentos no seu corpinho e ele abriu seus olhos. Eles emocionaram-se ao ver os seus olhinhos, conversaram com os médicos, que lhes tiraram as esperanças dizendo que era somente resquício de vida na passagem para a morte.

O que aconteceu em seguida prova a mágica do amor do toque de uma mãe:

Os pais chamaram a equipa médica, que não deu muita importância. Mas os pais insistentemente afirmavam que Jamie permaneceu com os olhinhos abertos! Enquanto os pais diziam que o bebé poderia estar ainda vivo, os médicos ficavam convencidos. 

Depois de algum tempo, o médico então voltou com um estetoscópio, ouviu o coraçãozinho de Jamie, balançava a sua cabeça surpreso e dizia: “Eu não acredito! Eu não acredito!” Eles apressaram-se então em dar o suporte de vida necessário ao bebé, que sobreviveu e cresce hoje como uma criança normal.


Na Austrália, é popular que os pais acompanhem o desenvolvimento dos bebés prematuros, especialmente a mãe, colocando o filho perto de seu coração, e o processo é chamado de “Mãe canguru”, que consiste em que o bebé oiça os batimentos cardíacos da mãe e sinta o seu cheiro para que possa desenvolver-se.

No caso de Jamie, os médicos insistem que não há explicação científica nem médica para o que aconteceu. O pai David Ogg disse que, “Kate e seu instinto maternal salvaram a vida de Jamie. Se ela não tivesse feito isso, nós não o teríamos hoje connosco hoje, crescendo juntamente com a sua irmã Emily.” Christina Ayres Smith in familia.com.br



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Frase do dia

"O principal apostolado que nós, os cristãos, temos de realizar no mundo, o melhor testemunho de fé é contribuir para que dentro da Igreja se respire o clima de autêntica caridade. Quando não nos amamos verdadeiramente, quando há ataques, calúnias e inimizades, quem se sentirá atraído pelos que afirmam que pregam a Boa Nova do Evangelho?"

S. Josemaria Escrivá (Amigos de Deus, 226)


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terça-feira, 13 de maio de 2014

Fátima: Homilia de D. Fouad Twal, Patriarca Latino de Jerusalém

Este ano trabalhar-se-á na Igreja o tema da família, com vista ao próximo Sínodo dos Bispos no mês de Outubro, convocado pelo Papa Francisco e que tem como tema: “Os desafios da família”.

Devemos pensar na unidade da família; da família internacional – composta pelas nações e povos do mundo - ; também da família eclesial – na diversidade das suas vocações -, mas, e sobretudo, pensemos e trabalhemos pela família humana. Por aquela que o Criador instituiu para que seja base e fundamento da sociedade. A família baseada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher; família criada para ser fonte de amor mútuo e generosa fecundidade.

Parece que hoje se querem impor modelos de famílias chamados alternativos...é uma loucura, uma imprudência, mas ainda, uma atrocidade. Enquanto não houver uma família sã, não haverá uma sociedade sã.

Rezemos pelos frutos do Sínodo e por todas as famílias do mundo, a fim de que todos possam experimentar o amor de Deus, que se manifesta no seio dos lares.

Peçamos também por aqueles que, desgraçadamente, por vários motivos sofrem nas suas realidades familiares. Que não percam a fé em Deus nem a esperança do divino.

A riqueza da família no Oriente pode servir, em certo aspecto, de estímulo a muitas graves realidades que se vivem no Ocidente, demonstrando que não é impossível viver bem a sã vida familiar.

O amor e os laços familiares que se experimentam nos lares no Oriente são muito fortes: tanto assim é que os lares da terceira idade não têm utentes! Porque as famílias não querem deixar os mais idosos! Famílias numerosas... devoção mariana com um resultado positivo de muitas vocações sacerdotais.


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Ai trabalha, trabalha!

O jornalista Andrea Tornielli conseguiu bisbilhotar a zona onde as câmaras da televisão já não entram e tirou a fotografia. A notícia tem três dias, no momento em que escrevo.

Junto à porta do quarto 201 da Casa de Santa Marta (o quarto do Papa Francisco), dorme um S. José de madeira, em cima de uma mesa. Entalados, por baixo, os bilhetinhos que o Papa lhe escreve.

Toda a gente sabe que o Papa Francisco tem uma confiança total em Nossa Senhora e em S. José. O entusiasmo acabou por contagiar toda a casa, dos monsenhores aos guardas suíços. Um dos colaboradores conta que o Papa lhe disse:

‒ «Sabes, é preciso ter paciência com estes carpinteiros: dizem que fazem um móvel em duas semanas e depois demoram um mês. Mas fazem-no e trabalham bem! É preciso é ter paciência...».

A imagem mede 40 cm e foi das poucas coisas que o Papa mandou vir de Buenos Aires. Aparentemente, S. José dorme, mas a imagem representa uma outra actividade, relatada no Evangelho: mais do que dormir, S. José escuta a voz de Deus durante a noite e dispõe-se a cumpri-la. É isso que interessa ao Papa.

Aliás, para uma figura que dorme, a imagem não pára quieta na sua mesa. Às vezes, quando o trabalho de S. José aperta, isto é, quando o número de bilhetinhos aumenta, a estátua fica empoleirada num monte de papelada.

‒ «O Santo Padre dá muito trabalho a S. José. A devoção já se pegou a todos os que trabalham à volta da residência de Francisco, incluindo os Guardas Suíços…».

Bento XVI tinha decidido introduzir em todas as orações eucarísticas uma referência a S. José, logo a seguir à invocação de Nossa Senhora, mas preferiu deixar o assunto ao seu sucessor. O Papa Francisco não perdeu tempo a confirmar a decisão.

No dia 5 de Julho de 2013, o Papa Francisco, acompanhado por Bento XVI, foi consagrar o Estado do Vaticano a S. José. A cerimónia também já estava programada no pontificado anterior, mas nem por isso teve menos significado:

‒ «S. José, (…) consagramos-te as fadigas e as alegrias de cada dia; consagramos-te as expectativas e as esperanças da Igreja; consagramos-te os pensamentos, os desejos e as obras: tudo se cumpra no Nome do Senhor Jesus».

O início deste pontificado deu-se a 19 de Março de 2013, festa de S. José, e, na homilia da Missa, o Papa Francisco sublinhou o significado dessa circunstância.

‒ «Nunca esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que, para exercer o poder, também o Papa se deve meter cada vez mais naquele serviço que culmina na Cruz. Deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de S. José e abrir os braços, como ele, para guardar todo o povo de Deus e acolher com afecto e ternura a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais débeis, os mais pequenos… só quem serve com amor sabe guardar!».

Há poucos dias, a crónica de Andrea Tornielli sobre o Primeiro de Maio no Vaticano centrou-se nesta mesa rústica, junto à porta 201 da Casa de Santa Marta, onde dorme um Papa e trabalha um S. José ‒ que parece dormir mas, afinal, trabalha bastante. Ai trabalha, trabalha!




José Maria C. S. André

in «Correio dos Açores», «Verdadeiro Olhar» (11-V-2014)


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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Fátima - D. Nuno Brás

Ainda não me passaram da memória as declarações de uma escritora no fim do encontro de Bento XVI com as personalidades da cultura do nosso país. Manifestava ela o seu entusiasmo pelo brilhante discurso do Santo Padre e, ao mesmo tempo, o seu desalento por um homem daquela craveira intelectual rumar imediatamente a Fátima, como que desdizendo toda a postura cultural que tinha manifestado alguns minutos antes.


Estávamos então em 2010. Para muitos, que se consideram (e são considerados) intelectuais de “fina cepa”, Fátima devia ser ignorada: continua a ser sinónimo de obscurantismo, de puro sentimentalismo, de rendição humana diante das suas próprias incapacidades.

A ser isso verdade, com todas as perseguições que desde 1917 até aos nossos dias lhe foram movidas, com o modo fácil e habitualmente sobranceiro com que o tema é tratado na Comunicação Social, Fátima já teria tido tempo de acabar – de desaparecer por completo, ou de, quando muito, constituir hoje um simples fenómeno residual no modo de ser português. O facto é que isso não aconteceu.

Acredito que alguns portugueses nunca tenham ido a Fátima, nem sequer por curiosidade. Mas não acredito que sejam muitos. Em Fátima, há qualquer coisa que nos atrai – a nós, crentes, e a tantos outros. Da simples curiosidade de ver como é, à fé profunda e séria capaz de dizer com exactidão Aquele em quem acredita, passando pelo viver do povo simples, que não sabe expressar por palavras certas e claras o que foram as aparições da Virgem, mas que nem por isso deixa de peregrinar até à Cova da Iria.

O facto é que Fátima não pode ser ignorada. Em simultâneo, mas de um modo harmónico, Fátima é a voz de Deus que, por meio de Nossa Senhora, se faz escutar, persistentemente, aos ouvidos do homem contemporâneo; é a voz do povo de Deus que procura responder e corresponder aos apelos do Pai; e é expressão do sentir humano que percebe, dentro do seu coração, o apelo a ser mais, a viver mais, a não se limitar a este mundo passageiro e sem capacidade de realizar aquilo que promete.

Fátima atrai porque Deus nos atrai, nos chama para Si. Também a Fátima se poderiam aplicar as palavras de S. Paulo: “o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens” (1Cor 1,25). Queiramos ou não, Fátima encontra-se bem no centro do ser português. Pelo menos. 

in Voz da Verdade


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Frase do dia

"Peço-vos, por favor, que importuneis os pastores, que incomodeis os pastores, todos nós pastores, para que vos demos o leite da graça, da doutrina e da orientação. Importunai! Pensai naquela bela imagem do vitelo, como importuna a mãe para que lhe dê de comer."

Papa Francisco, Regina Caeli no dia 11 de Maio de 2014  


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A propósito do Domingo do Bom Pastor

[Nota introdutória: O blog Senza passará a publicar textos escritos por um Sacerdote que permanecerá no anonimato, para que as suas palavras sejam escutadas sem qualquer tipo de protagonismo, e que assinará simplesmente como "Um Padre"]

Há um tipo de conversa que, por norma, costuma incomodar-me bastante: conversas sobre Padres e Bispos.

Por mais que procure evitá-la, lá acaba por acontecer de vez em quando. Infelizmente, a maior parte das vezes é para ouvir queixas e algumas, elogios. Mesmo quando parece haver razões para que essas conversas surjam, costumam, no entanto, incomodar-me.

Isto acontece porque, na maioria dos casos, estas conversas versam sobre questões secundárias e não sobre o essencial. E o essencial é Cristo!

Nós, Padres, existimos para dar Cristo, levar Cristo aos homens e os homens a Cristo. Existimos para, na nossa imperfeição, sermos sinal de Cristo. O espantoso é que Cristo Se sujeite a isto! Não há Padre mais santo sem defeitos humanos. E se somos pouco santos, mais se manifestam os nossos defeitos.

Ora, a questão está no modo como nós queremos olhar para os nossos Padres e Bispos (e, já agora, para o nosso Papa). Olhamos com olhos de fé e queremos ver neles um sinal concreto e palpável de Cristo? Ou olhamos com os nossos critérios e gostos próprios e prendemo-nos naquilo que nos agrada, e, mais ainda, no que não nos agrada?

Muito haveria para falar sobre isto, mas, assim, nunca mais acabava. Como resolver isto? Leão XIII deu-nos a resposta: rezando por eles. Se gastássemos tanto tempo a rezar pelos Padres quanto o que gastámos a falar sobre eles (melhor seria em vez de falar), provavelmente teríamos muitos mais Padres santos.

As Orações Leoninas, no fim da Santa Missa, não foram proibidas. Se hoje já não se rezam de forma pública, nada nos impede, a não ser a preguiça e a inércia, de o fazermos de forma privada! Rezemo-las não por um mero gosto pela tradição, mas porque são mesmo necessárias para a santificação do Clero.

Rezemos pelos nossos Padres (não esquecendo os nossos Bispos e Papa). Nós precisamos! O Diabo odeia-nos!

Já agora, acrescento esta belíssima oração de um grande Padre pelos Padres.

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES (Cón. Formigão)

Meu Deus, peço-Vos pelos vossos Padres, por todos os vossos Padres. 
Peço-Vos para eles a santidade. 
Peço-Vos que eles amem profundamente o seu sacrifício e que o vivam com amor. 
Peço-Vos para eles a obediência, o espírito de desprendimento, uma inalterável e límpida castidade, e também a abnegação, a humildade, a doçura, o zelo, a dedicação. 
Peço-Vos que nenhuma alma se aproxime deles sem que fique a amar-Vos mais. 
Peço-Vos, meu Deus, que o vosso Reinado se dilate e se fortifique por meio deles, sobre a terra. 
Prometo-Vos, ó Jesus, imolar-me convosco de todo o meu coração. Amen.

Dominus nos benedicat, et ab omni malo defendat, et ad vitam perducat aeternam. Amen.

Um Padre
Papa Francisco ordena 11 novos Sacerdotes na Basílica de S.Pedro (11-V-2014)


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domingo, 11 de maio de 2014

Conchita: a prova que as "mulheres com barba" cantam melhor?

Conchita, a “mulher com barba” que ganhou o festival da Eurovisão, é o assunto do momento.

A primeira coisa que temos que perceber é que Conchita não é uma mulher com barba, é um homem com barba. E que Conchita não se chama Conchita, chama-se Tom.

Que uma mulher tenha barba não é muito comum, apesar do que dizem das alunas do Técnico, mas um homem de barba é a coisa mais normal do mundo. Estamos por isso perante um homem com barba que se veste de mulher.

Não sei por que faz isso, mas sei que a figura dele causa estranheza porque tenta conciliar o que é diferente por natureza. O homem e a mulher são diferentes e distinguíveis, pelo menos desde a puberdade, o que traz imensas vantagens, especialmente em termos da atracção que nos causa aquela pessoa que foi criada para nos complementar a todos os níveis: físico, psicológico, emocional, etc…

Alguém que quer ser um misto entre homem e mulher está a tentar negar a natureza humana, que não é unissexo (qual cabeleireiro moderno), e que se divide em dois sexos diferentes.

A sociedade europeia caiu num relativismo tal que não sabe o que é um homem e uma mulher, porque os considera meras construções humanas, apenas dois géneros que podem ser mudados por educação ou por vontade da pessoa. 

A prova dessa desorientação é que hoje em dia alguém ganha um concurso de música não por cantar melhor do que os outros, mas por ser "uma mulher com barba”.

João Silveira


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Bispos Fortes na Fé - S. João Paulo II

Hoje, IV Domingo da Páscoa, celebra-se na Igreja Católica o Domingo do Bom Pastor. É por isso que também se diz que este é um Domingo dedicado às vocações. No entanto, nunca é demais lembrar que o Bom Pastor identifica-se quase imediatamente com a figura do Bispo. O prelado de cada diocese é o Bom Pastor dessa diocese.

Quando fez 45 anos que foi ordenado Bispo e 25 anos que foi eleito Sumo Pontífice, pediram ao Papa S. João Paulo II para contar as suas memórias dos seus tempos enquanto Bispo na Polónia. O Santo Padre aceitou e escreveu a autobiografia Levantai-vos! Vamos! em que, além de contar histórias do seu passado, faz uma grande meditação sobre o que é ser Bispo.

O Papa viveu períodos de grande repressão comunista na Polónia, enquanto Bispo. Opondo-se ao regime em vigor de diversos modos, S. João Paulo II conhecia bem a importância de denunciar os erros que dominavam a sociedade em público e que, para isso, era preciso a virtude da fortaleza. O excerto em baixo tem a ver precisamente com esse ponto.

[negritos feitos pelo Senza]

"Fortes na Fé 
Permanecem na minha memória as palavras pronunciadas pelo Cardeal Stefan Wyszynski no dia 11 de Maio de 1946, dia que precedeu a sua consagração episcopal em Jasna Góra: 'Ser bispo tem em si alguma coisa da Cruz por isso a Igreja põe a Cruz no peito do bispo. Na Cruz é preciso morrer para si mesmo; sem isso não há plenitude de sacerdócio. Tomar a Cruz sobre si não é fácil, mesmo que seja de ouro e cravada de pedras preciosas.' Dez anos depois, no dia 16 de Março de 1956, ele disse: 'O bispo tem o dever de agir não apenas por meio da palavra, do serviço litúrgico, mas também mediante a oferta do sofrimento.' A estes pensamentos o Cardeal Wyszynski voltou ainda numa outra ocasião: 'Para um bispo, a falta de fortaleza é o início da derrota. Pode ele continuar a ser apóstolo? Para um apóstolo, de facto, é essencial prestar testemunho à Verdade! E isto exige sempre a fortaleza.' [1]
Também são suas estas palavras: 'A maior falta do apóstolo é o medo. O que desencadeia o medo é a falta de confiança na força do Mestre; é esta que oprime o coração e aperta a garganta. O apóstolo pára então de professar. Permanece apóstolo? Os discípulos que abandonaram o Mestre aumentaram a coragem dos algozes. Quem se cala perante os inimigos de uma causa fortalece-os. O temor do apóstolo é o primeiro aliado dos inimigos da causa. 'Obrigar a calar através do medo,' é o primeiro passo da estratégia dos ímpios. O terror que se utiliza nas ditaduras é baseado no medo dos apóstolos. O silêncio possui a eloquência apostólica apenas quando não vira o rosto a quem nele bate. Assim fez Cristo, calando. Mas com aquele gesto demonstrou a própria fortaleza. Cristo não se deixou atemorizar pelos homens. Saindo ao encontro da multidão disse, com coragem: "Sou eu."' [2] 
Realmente, não se pode voltar as costas à verdade, parar de anunciá-la, escondê-la, mesmo se se trata de uma verdade difícil, cuja revelação traz consigo uma grande dor. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8:32): aí está a nossa tarefa e, ao mesmo tempo, o nosso suporte! Aí não há espaço para cedências nem para um recurso oportunista à diplomacia humana. É preciso dar testemunho da verdade, mesmo à custa de perseguições, até à custa de sangue, como fez o próprio Cristo e como outrora fez também o meu santo predecessor em Cracóvia, o bispo Estanislau de Szczepanów. 
Seguramente teremos de enfrentar provações. Não há nada de extraordinário nisso, faz parte da vida de fé. Umas vezes as provas são leves, outras vezes muito difíceis ou até dramáticas. Na provação podemos sentir-nos sozinhos, mas a graça divina, a graça de uma fé vitoriosa não nos abandona nunca. Por isso podemos confiar que superaremos vitoriosamente cada provação, até a mais dura."

in S. João Paulo II, Levantai-vos! Vamos! - Autobiografia, Publicações Dom Quixote, Junho 2004.

[1] Stefan Wyszynski, Zapiski wiezienne. Paris, 1982, p. 251
[2] Id., p.94


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