quarta-feira, 16 de abril de 2014

Quarta-Feira Santa: Judas atraiçoa Jesus

Na Quarta-feira Santa recordamos a triste história de Judas que foi Apóstolo de Cristo. Assim o relata São Mateus no seu Evangelho: Um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes: "Que me quereis dar e eu vo-Lo entregarei?". Eles prometeram dar-lhe trinta moedas de prata. E desde então, buscava oportunidade para O entregar
Porque recorda a Igreja este acontecimento? Para que nos demos conta de que todos podemos comportar-nos como Judas. Para que peçamos ao Senhor que, da nossa parte, não haja traições, nem afastamentos, nem abandonos. Não somente pelas consequências negativas que isto poderia trazer às nossas vidas pessoais, que já seria muito, mas porque poderíamos arrastar outros, que necessitam da ajuda do nosso bom exemplo, do nosso alento, da nossa amizade.
Nalguns locais da América, as imagens de Cristo crucificado mostram uma chaga profunda na face esquerda do Senhor. E dizem que essa chaga representa o beijo de Judas. Tão grande é a dor que os nossos pecados causam a Jesus! Digamos-Lhe que desejamos ser-Lhe fiéis; que não queremos vendê-Lo — como Judas — por trinta moedas, por uma ninharia, que é isso que são todos os pecados: a soberba, a inveja, a impureza, o ódio, o ressentimento... Quando uma tentação ameace arrojar-nos pelo chão, pensemos que não compensa trocar a felicidade dos filhos de Deus, que é o que somos, por um prazer que acaba logo a seguir e deixa o sabor amargo da derrota e da infidelidade. 
Temos que sentir o peso da Igreja e de toda a humanidade. Não é formidável saber que qualquer de nós pode ter influência no mundo inteiro? No lugar onde estamos, realizando bem o nosso trabalho, cuidando da família, servindo os amigos, podemos ajudar na felicidade de tantas pessoas. Como escreve São Josemaria Escrivá, com o cumprimento dos nossos deveres cristãos, temos que ser como a pedra caída no lago. — Produz, com o teu exemplo e com a tua palavra, um primeiro círculo... e depois outro, e outro... e outro, e outro. .. Até chegar aos lugares mais remotos. 
Vamos pedir ao Senhor que não O atraiçoemos mais; que saibamos recusar, com a Sua graça, as tentações que o demónio nos apresenta, enganando-nos. Temos que dizer que não, decididamente, a tudo o que nos afaste de Deus. Assim não se repetirá na nossa vida a desgraçada história de Judas. 
E se nos sentimos débeis, corramos ao Santo Sacramento da Penitência! Ali espera-nos o Senhor, como o pai da parábola do filho pródigo, para nos dar um abraço e nos oferecer a Sua amizade. Sai continuamente ao nosso encontro, ainda que tenhamos caído baixo, muito baixo. É sempre tempo de regressar a Deus! Não reajamos com desânimo, nem com pessimismo. Não pensemos: que vou eu fazer, se sou um cúmulo de misérias? Maior é a misericórdia de Deus! Que vou eu fazer, se caio uma e outra vez pela minha debilidade? Maior é o poder de Deus, para nos levantar das nossas quedas! 
Grandes foram os pecados de Judas e de Pedro. Os dois atraiçoaram o Mestre; um entregando-O nas mãos dos perseguidores, outro renegando-O três vezes. E, no entanto, que diferente reacção teve cada um deles! Para os dois guardava o Senhor torrentes de misericórdia. 
Pedro arrependeu-se, chorou o seu pecado, pediu perdão e foi confirmado por Cristo na fé e no amor; com o tempo, chegaria a dar a vida por Nosso Senhor. Judas, pelo contrário, não confiou na misericórdia de Cristo. Até ao último momento teve abertas as portas do perdão de Deus, mas não quis entrar por elas mediante a penitência. 
Na sua primeira encíclica, João Paulo II fala do direito de Cristo a encontrar-Se com cada um de nós naquele momento chave da vida da alma, que é o momento da conversão e do perdão (Redemptor hominis, 20). Não privemos Jesus desse direito! Não retiremos a Deus Pai a alegria de nos dar o abraço de boas-vindas! Não contristemos o Espírito Santo, que deseja devolver às almas a vida sobrenatural! 
Peçamos a Santa Maria, Esperança dos cristãos, que não permita que desanimemos diante dos nossos erros e pecados, quiçá repetidos. Que nos alcance do Seu Filho a graça da conversão, o desejo eficaz de recorrer — humildes e contritos — à Confissão, sacramento da misericórdia divina, começando e recomeçando sempre que for preciso.  
D. Javier Echevarría


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terça-feira, 15 de abril de 2014

iBreviary: a Liturgia das Horas no bolso

Já se encontra disponível a versão portuguesa do iBreviary. iBreviary é aplicação católica que permite trazer no seu smartphone e tablet a Liturgia das Horas, todos os textos da liturgia diária, os rituais de todos os sacramentos e todas as principais orações católicas. A versão em língua portuguesa, que sai agora em conjunto com a árabe e turca, usa os textos aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa e que foram gentilmente cedidos pelo Secretariado Nacional da Liturgia para o efeito.


A aplicação permite rezar em 9 línguas: árabe, espanhol, francês, inglês, italiano, latim, português, romeno e turco. Pode ser instalada no iphone, ipad, android, windows phone 7 e 8, Blackberry 5 e Kindle fire. Por enquanto, a versão portuguesa só está disponível para iphone. 

Caso não tenha um smartphone poderá aceder a todos os conteúdos da aplicação em www.ibreviary.org, também disponíveis em língua portuguesa. Uma outra função disponível no sítio de internet é a possibilidade de criar um Widget para colocar o iBreviary numa página e/ou blogue oferecendo aos visitantes a possibilidade de rezar. iBreviary pode ser inserido através de uma simples janela, já que não requer a instalação de nenhum software adicional.

Na versão portuguesa do iBreviary estão a trabalhar seis sacerdotes portugueses: Pe.Paulo Terroso e Pe.Tiago Freitas da arquidiocese de Braga; Pe. Cristopher Sousa e Pe. Pablo Lima, da diocese de Viana do Castelo; Pe. Nuno Lima da Sociedade Missionária da Boa Nova e Pe. Bruno Dinis Silva dos Missionários Passionistas. Para responder a qualquer dúvida ou questão, ou simplesmente estar a par das novidades e actualizações, os responsáveis da versão portuguesa criaram a conta twitter: @ibreviary_pt.

A aplicação iBreviary nasce em Itália a 6 de Dezembro de 2008 para ser instalada no iphone 3 — que chega à península itálica a 11 de Julho de 2008 — sendo a primeira no seu género no mundo. Com um milhão e meio de instalações, só no iphone e ipad, e ao ritmo de cerca de quinhentos downloads por dia, é uma das aplicações católicas mais populares. 


O criador do iBreviary é Paolo Padrini, sacerdote da diocese de Tortona, na região de Piemonte, Itália, perito e apaixonado pelas novas tecnologias, chamado desde 2009 pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais a coordenar o projecto “Pope2You.net”. Para Paolo, a aplicação nasceu como uma resposta espontânea a uma exigência fundamental, ou seja, “como utilizar os smartphones num âmbito fundamental humano: a oração. 

Assim como o breviário impresso é um instrumento portátil, que pode acompanhar a jornada dos sacerdotes e leigos, do mesmo modo, com a modernidade, abrimo-nos ao suporte para smartphone: mudam as modalidades de uso, mas não a lógica subjacente, que é a de pode aceder à oração de modo prático a qualquer momento do dia”.


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Entrevista para o emprego mais exigente do mundo

Vinte e quatro pessoas que se candidataram ao emprego nem queriam acreditar no que ouviam: 7 dias por semana, 24 horas por dia, sem descanso, nem pausas, nem férias - e sem qualquer salário. 
 
"365 dias por ano? Não. .. isso é desumano", disse um candidato. 

Vantagens? "As ligações cheias de significado que vai fazer e os sentimentos que vai experimentar por colaborar com as que vai experimentar por colaborar com as pessoas que tem em volta são imensuráveis​​." 

Ainda assim, os candidatos não se deixaram convencer até que ouviram qual era realmente o "trabalho". 




Via 'É o Carteiro'


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Terça-Feira Santa: Como é a nossa Fé?

O Evangelho da Missa termina com o anúncio de que os Apóstolos deixariam Cristo sozinho durante a Paixão. A Simão Pedro que, cheio de presunção, afirmava: darei a minha vida por Ti, o Senhor respondeu: darás a tua vida por Mim? Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo sem que Me tenhas negado três vezes
Poucos dias passados cumpriu-se a previsão. No entanto, poucas horas antes, o Mestre tinha-lhes dado uma lição clara, como que para os preparar para os momentos de obscuridade que se avizinhavam. 
Sucedeu no dia a seguir à entrada triunfal em Jerusalém. Jesus e os Apóstolos tinham saído muito cedo de Betânia e, com a pressa, talvez não tivessem comido nada. O caso é que, como relata São Marcos, o Senhorsentiu fome. E vendo de longe uma figueira que tinha folhas, aproximou-se para ver se encontrava alguma coisa nela; mas quando lá chegou não encontrou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então disse à figueira: "Nunca mais ninguém coma fruto de ti!". Os discípulos ouviram-n‘O
Ao entardecer regressaram à aldeia. Devia ser já uma hora avançada e não repararam na figueira amaldiçoada. Mas no dia seguinte, Terça-feira, ao voltar de novo a Jerusalém, todos contemplaram aquela árvore antes frondosa, que tinha os ramos despidos e secos. Pedro fê-lo notar a Jesus:Mestre, olha, a figueira que amaldiçoaste secou. Jesusrespondeu-lhes: "TendeemDeusEm verdade vos digo que qualquer de vós que diga a este monte: arranca-te e atira-te ao mar, sem duvidar no seu coração, mas acreditando que se fará o que diz, ser-lhe-á concedido"
Durante a Sua vida pública, para realizar milagres, Jesus pedia uma só coisa: fé. A dois cegos que Lhe suplicavam a cura, tinha-lhes perguntado: acreditais que posso fazer isso? — Sim, Senhor, responderam-Lhe. Então tocou-lhes nos olhos dizendo: faça-se em vós conforme a vossa fé. E abriram-se-lhes os olhos. E os Evangelhos contam que, em muitos lugares, não realizou prodígios, porque faltava fé às pessoas. 
Também nós temos de nos interrogar: como é a nossa fé? Confiamos plenamente na palavra de Deus? Pedimos na oração o que necessitamos, seguros de o obter se for para o nosso bem? Insistimos nas súplicas o tempo que for preciso, sem desanimarmos? 
São Josemaria Escrivá comentava esta cena do Evangelho. «Jesus — escreve — aproxima-se da figueira: aproxima-se de ti e aproxima-se de mim. Jesus, com fome e sede de almas. Da Cruz clamou: sitio! ( Jo 19, 28), tenho sede. Sede de nós, do nosso amor, das nossas almas e de todas as almas que Lhe devemos levar, pelo caminho da Cruz, que é o caminho da imortalidade e da glória do Céu». 
Aproximou-se da figueira e não encontrou nela senão folhas (Mt 21, 19). Isto é lamentável. É isto que acontece na nossa vida? Acontece que tristemente falta fé, vibração de humildade e não aparecem sacrifícios nem obras?  
Os discípulos maravilharam-se diante do milagre, mas de nada lhes serviu; poucos dias depois negariam o seu Mestre. A fé deve informar a vida inteira. «Jesus Cristo põe esta condição», prossegue São Josemaria: «que vivamos da fé, porque depois seremos capazes de remover os montes. E há tantas coisas que remover... no mundo e, em primeiro lugar, no nosso coração. Tantos obstáculos à graça! Fé, pois; fé com obras, fé com sacrifício, fé com humildade». 
Maria, com a sua fé, tornou possível a obra da Redenção. João Paulo II afirma que no centro deste mistério, no mais vivo deste assombro da fé, se encontra Maria, Mãe soberana do Redentor (Redemptoris Mater, 51). Ela acompanha constantemente todos os homens pelos caminhos que conduzem à vida eterna. A Igreja, escreve o Papa, contempla Maria profundamente arraigada na história da humanidade, na eterna vocação do homem segundo o desígnio providencial que Deus predispôs eternamente para ele; vê-a maternalmente presente e participante nos múltiplos e complexos problemas que acompanham hoje a vida dos indivíduos, das famílias e das nações; vê-a a socorrer o povo cristão na luta incessante entre o bem e o mal, para que "não caia" ou, se cair, "se levante" (Redemptoris Mater, 52). 
Maria, Mãe nossa: consegue-nos, com a tua poderosa intercessão, uma fé sincera, uma esperança segura, um amor ardente.

D. Javier Echevarría


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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Segunda-Feira Santa: Jesus em Betânia

Começou ontem a Semana Santa. Ao longo destes dias vamos acompanhar o caminho de Nosso Senhor até à Cruz com meditações diárias, escritas por D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei. Aqui fica a primeira:

Ontem recordámos a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. A multidão dos discípulos e outras pessoas aclamaram-no como Messias e Rei de Israel. No final do dia, cansado, regressou a Betânia, aldeia situada muito perto da capital, onde costumava alojar-se nas Suas visitas a Jerusalém. 
Ali, uma família amiga tinha sempre preparado um sítio para Ele e para os seus. Lázaro, que Jesus ressuscitou dentre os mortos, é o chefe da família; vivem com ele Marta e Maria, suas irmãs, que esperam cheias de entusiasmo a chegada do Mestre, contentes por Lhe poder oferecer os seus préstimos. 
Nos últimos dias de vida na terra, Jesus passa longas horas em Jerusalém, dedicado a uma pregação intensíssima. Pela noite, recupera as forças em casa dos Seus amigos. E em Betânia tem lugar um episódio que recolhe o Evangelho da Missa de hoje. 
Seis dias antes da Páscoa — relata São João — Jesus foi a Betânia. Ofereceram-Lhe lá uma ceia; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Ele. Então Maria tomou uma libra de perfume feito de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Os com os seus cabelos; e a casa encheu-se com o cheiro do perfume
Salta imediatamente à vista a generosidade desta mulher. Deseja manifestar o seu agradecimento ao Mestre, por ter devolvido a vida ao seu irmão e por tantos outros bens recebidos e não repara nos gastos. Judas, presente na cena, calcula exactamente o preço do perfume. 
Mas, em vez de louvar a delicadeza de Maria, abandona-se à murmuração:porque não se vendeu este perfume por trezentos denários para se darem aos pobres? Na realidade, como nota São João, não porque se importasse com os pobres; interessava-lhe manejar o dinheiro da bolsa e roubar o que se lá deitava. 
«A valoração de Jesus é muito diversa», escreve João Paulo II. «Sem retirar nada ao dever de caridade para com os necessitados, aqueles a que se hão-de dedicar sempre os discípulos — "pobres sempre os tereis convosco"— Ele fixa-se no acontecimento da Sua morte e sepultura e aprecia a unção que se Lhe faz como antecipação da honra que o Seu corpo merece, também depois da morte, por estar indissoluvelmente unido ao mistério da Sua pessoa» (Ecclesia de Eucharistia, 47). 
Para ser verdadeira virtude, a caridade há-de estar ordenada. E o primeiro lugar ocupa-o Deus: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é como este: amarás o teu próximo como a ti mesmo
Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. Por isso, enganam-se aqueles que — com a desculpa de aliviar as necessidades materiais dos homens — ignoram as necessidades da Igreja e dos ministros sagrados. Escreve São Josemaria Escrivá: «aquela mulher que em casa de Simão o leproso, em Betânia, unge com um rico perfume a cabeça do Mestre, recorda-nos o dever de sermos esplêndidos no culto de Deus. 
— Todo o luxo, a majestade e a beleza me parecem pouco. 
— E contra os que atacam a riqueza dos vasos sagrados, ornamentos e retábulos, ouve-se o louvor de Jesus: "opus enim bonum operata est in me" — fez em Mim uma boa obra». 
Quantas pessoas se comportam como Judas! Vêem o bem que outros fazem, mas não o querem reconhecer; empenham-se em descobrir intenções torcidas, tendem a criticar, a murmurar, a fazer juízos temerários. Reduzem a caridade ao puramente material — dar umas moedas ao necessitado, talvez para tranquilizar a sua consciência — e esquecem que — como escreve também São Josemaria Escrivá — «a caridade cristã não se limita a socorrer o necessitado de bens económicos; dirige-se, em primeiro lugar, a respeitar e compreender cada indivíduo enquanto tal, na sua intrínseca dignidade de homem e de filho de do Criador». 
A Virgem Maria entregou-se completamente ao Senhor e esteve sempre pendente dos homens. Hoje pedimos-Lhe que interceda por nós, para que, nas nossas vidas, o amor a Deus e o amor ao próximo se unam numa só coisa, como as duas caras de uma mesma moeda.  
D. Javier Echevarría


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domingo, 13 de abril de 2014

Vale de Lágrimas - D. Nuno Brás

Confesso que a expressão “gemendo e chorando neste vale de lágrimas” da Salvé Rainha a comecei por entender como fruto de um cristianismo pessimista, vivido essencialmente a pensar na cruz do Senhor, e a achar que tudo, no mundo, era mau. Por isso compreendo tantos que têm dificuldade em rezar esta antífona que faz parte da nossa tradição mariana. Certamente (e digo-o sem qualquer tom de crítica) reconheço que muitos a rezarão naquele tom resignado e derrotado.

Mas devo, igualmente, confessar que rezo hoje aquela oração como expressão grande da fé.

É que, por muito que nos esforcemos, de um modo ou de outro, qualquer ser humano vive momentos de sofrimento e de solidão, de abandono e mesmo desespero, de morte. Não vale a pena criar a ilusão (nem sequer e muito menos nas crianças) de que a vida será sempre um caminho de vitórias e sucessos, de alegrias e conquistas. Mesmo as “estórias” que terminam com o célebre “e foram muito felizes para sempre” começaram ou passaram por um ou vários momentos de dificuldade dos seus protagonistas.

Contudo, hoje (como sempre) não são necessárias “estórias”. Basta ter os olhos abertos para o mundo humano que nos envolve. E se não estamos nós a passar por algum momento difícil, olhemos à nossa volta – e não precisamos de procurar muito: o desemprego, as famílias destroçadas e desunidas, a falta de sentido para a vida… todas aquelas misérias materiais, morais ou espirituais, a que fazia referência a mensagem da Quaresma do Papa Francisco, estão bem ali, ao nosso lado. E, não raras vezes sentimo-nos impotentes para dar uma ajuda, pequena que seja, àqueles que passam por esses momentos difíceis.

É por isso que o grito cristão que, por intermédio da Virgem Maria, se dirige a Deus, a partir deste “Vale de Lágrimas” que é a vida humana, mais do que expressão de alguém resignado à sua sorte, é antes o reconhecimento de que apenas Deus pode, verdadeiramente, resolver as lágrimas humanas – nossas e de tantos que vivem connosco.
O Domingo de Ramos ou da Paixão une essas duas realidades. Também Deus, em Jesus de Nazaré, experimentou (e como!) o “Vale de Lágrimas” que quis fazer seu; mas, ao mesmo tempo que o vive de um modo plenamente humano, mostra que não será nunca a morte a ter a última palavra. Esta será sempre pronunciada por Deus, e será sempre uma palavra de amor, de vida eterna!

in Voz da Verdade
(D. Nuno Brás é Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa)


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Domingo de Ramos: Começa a Semana Maior




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sábado, 12 de abril de 2014

Mons. Guido Marini confirmado pelo Papa como Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias

O Papa Francisco confirmou hoje o Mons. Guido Marini como Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias. O genovês, de 49 anos, desempenha este cargo desde que foi nomeado pelo Papa Bento XVI, em Outubro de 2007.




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Papa Francisco e o Diabo no século XXI

Todos somos tentados, porque a lei da vida espiritual, a nossa vida cristã, é uma luta. O príncipe deste mundo – o diabo – não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo. Algum de vós, talvez, não sei, possa dizer: ‘Mas, Padre, que antiquado que o senhor é, falar de diabo no século XXI!’. Mas vejam bem que o diabo existe! Mesmo no século XXI! E não devemos ser ingénuos. Temos de aprender com o Evangelho como se faz a luta contra o diabo.

Papa Francisco,
Homilia na Domus Sanctae Marthae,
11 de abril de 2014



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Frase do dia

"Façamos o bem enquanto ainda temos tempo." 

S. Pio de Pietrelcina


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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Resultados do inolvidável sorteio Senza Pagare

Antes de mais, é mister dizer que estão todos de parabéns pelo fair play que demonstraram. Ainda não temos os resultados do controlo anti-doping, mas parece-nos que foi uma luta honesta e leal, até ao fim.

Como só temos 3 evangelhos, nem todos podem ganhar...calma lá! Acabámos de receber mais 2, por isso sorteámos nada menos do que 5 evangelhos oferecidos pelo Papa Francisco! Isto é incrível!

(Rufar de tambores) 

E os vencedores na categoria "Evangelho de bolso" são:

Ticha Balula
Salvador Gil
Ana Felício
Ana Louro
Mia Perestrello

Obrigado a todos os participantes, cujos nomes deixamos aqui em baixo como forma de homenagem pela coragem, esforço e criatividade dos comentários. Não desistam porque mais sorteios se seguirão!

1Catarina Amaral
2Jefferson Bombachim
3João Aguiar Cadete
4Pedro Dias
5Nelson Viana
6Catarina Poppe Figueiredo
7JMV Sobreiro
8Salvador Gil
9Erick Marçal
10Ticha Balula
11Ana Felício
12José Cerca
13Daniel Gonçalves
14Francisco Xavier d'Aguiar
15Mimi Fonseca Ramos
16José Tomaz Mello Breyner
17M Conceição Rosado Pereira
18Frederico Sousa de Macedo
19Olga Vinha
20Filipe Jairo
21José Maria Coelho e Campos
22Paulo André Fontes
23Sara Penim
24Duarte Lucas Correia
25Leonor Lucas Correia
26António Cid
27Pedro dos Santos Frazão
28MJ Vaz Serra Moura
29Anabela dos Santos
30Ana Freita
31Luísa Castelo Branco
32Francisco Vilan
33Bruno Miguel Rodrigues Ofs
34Susana Pereira
35Afonso Ataíde S. Soares
36João Silva
37Magda Cardoso de Matos
38Marta Campelo
39Nelson Nunes
40Rafael Gomes
41Afonso Miguel
42Inês Magalhães
43Bernardo Serrão Brochado
44Gabriel Vasconcelos
45Matilde Krohn
46Maria Ferreira
47Adam Santos
48Tiago Mira Delgado
49Pedro Augusto Ravazzano
50Manuel Poêjo Torres
51Salvador Mathias
52Igor Pereira
53Nuno Atalho
54André Fernandes
55Tacha Aguiar
56Fá Ramos
57Pedro Malheiro Ribeiro
58Isabel Cancella de Abreu
59Maria Bravo
60Rafael Sá
61Mafalda Oom 
62Manuel Barroso
63Cristiano Sousa Borges
64Ana Louro
65Ana Margarida
66Mia Perestrello
67André Machado
68Maria Manuela Alves


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Ano de Concílio: João XXIII defende e impulsiona o uso do latim

Em 1962, continuando uma antiga tradição, o Papa, quase Santo, João XXIII recebeu os párocos e pregadores da Quaresma, dando-lhes orientações práticas para a sua acção pastoral durante este tempo litúrgico. A tradicional audiência realizou-se a 22 de fevereiro e, por tratar-se do ano do Concílio, “revestiu-se de extraordinário brilho” [1].

Além dos párocos e pregadores, estiveram presentes cerca de 40 cardeais, uma centena de bispos e os membros da Cúria Romana e das Comissões pré-conciliares. Diante da numerosa assistência, o Papa assinou a constituição apostólica «Veterum Sapientia» sobre o estudo do latim.

João XXIII desenvolveu o seu pensamento em torno de três ideias principais que são condição de fecunda acção pastoral e renovação da vida da Igreja segundo as perspectivas do II Concílio Ecuménico do Vaticano: "Piedade sacerdotal; Ensino catequético e Vida exemplar".

Em relação à Constituição Apostólica «Veterum Sapientia», o Papa decreta uma série de medidas destinadas a revalorizar e intensificar o estudo do latim nos meios eclesiásticos. Na primeira parte do documento, faz a apologia desta língua que providencialmente favoreceu na antiguidade a difusão do Cristianismo no Ocidente e foi adoptada na Igreja ocidental como língua litúrgica e eclesiástica.

Insiste-se no caráter de língua universal que, por não ser “actualmente falada por nenhum povo, pode ser adoptada sem ferir suscetibilidades”; por outro lado, refere-se que “é uma língua cheia de qualidades: concisa, variada, harmoniosa, cheia de majestade” [2].

Para João XXIII, o latim é uma língua estável, “como convém para exprimir verdades imutáveis por natureza e aferir expressões que nas línguas vulgares se arriscam a mudar de significado com o tempo” e, em simultâneo, uma língua cuja aprendizagem é de “grande valor formativo”.

Apesar das discussões, na época, sobre as vantagens de a Igreja conservar o latim como língua oficial, a Constituição procura diminuir as controvérsias levantadas e sublinha: “Que o antigo e ininterrupto uso do latim seja plenamente conservado e restabelecido onde tenha quase caído em desuso”.


Para que tal objetivo seja, realmente, alcançado o Papa decreta algumas medidas:
  • “Que os bispos e superiores religiosos velem para que nos seminários e escolas de formação sacerdotal se acatem e cumpram as normas desta Constituição”;
  • “Que nada se escreva levianamente contra o uso do latim no ensino e na liturgia”;
  • “Que ninguém, nem mesmo as «vocações tardias», seja admitido aos estudos de Teologia e Filosofia sem dominar bem o latim”;
  • “Que se crie, em Roma, uma Academia da língua latina para culto desta língua e formação de professores” e
  • “Que a Congregação dos Seminários e Universidades prepare um programa de estudos do latim que seja respeitado”.

[1] Cf. Boletim de Informação Pastoral, Nº 16, página 7.
[2] Cf. BIP citado anteriormente.

in Agência Ecclesia


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terça-feira, 8 de abril de 2014

Quaresma - Papa Bento XVI

O momento favorável e de graça da Quaresma mostra-nos o próprio significado espiritual através da antiga fórmula: «Recorda-te que és pó e pó te hás-de tornar», que o sacerdote pronuncia quando impõe sobre a nossa cabeça um pouco de cinza. Somos assim remetidos para o início da história humana, quando o Senhor disse a Adão, depois do pecado original: «Com o suor do teu rosto comerás o pão, enquanto não voltares à terra, porque dela foste tirado: tu és pó e pó te hás-de tornar!» (Gn 3, 19) 

O homem é pó e pó se há-de tornar, mas é pó precioso aos olhos de Deus, porque Deus criou o homem destinando-o à imortalidade. Assim, a fórmula litúrgica «Recorda-te que és pó e pó te hás-de tornar» encontra a plenitude do seu significado em referência ao novo Adão, Cristo. Também o Senhor Jesus quis partilhar livremente com cada homem o destino da fragilidade, sobretudo através da sua morte na cruz; mas infelizmente esta morte, cheia do seu amor pelo Pai e pela humanidade, foi o caminho para a ressurreição gloriosa, através da qual Cristo Se tornou fonte de uma graça doada a quantos creem nele e são tornados partícipes da própria vida divina. 


Esta vida que não terá fim já está a decorrer na fase terrena da nossa existência, mas será levada a cumprimento depois «da ressurreição da carne». O pequeno gesto da imposição das cinzas revela-nos a singular riqueza do seu significado: é um convite a percorrer o tempo quaresmal como uma imersão mais consciente e intensa no mistério pascal de Cristo, na sua morte e ressurreição, mediante a participação na Eucaristia e na vida de caridade que da Eucaristia nasce e na qual encontra o seu cumprimento. Com a imposição das cinzas renovamos o nosso compromisso de seguir Jesus, de nos deixarmos transformar pelo seu mistério pascal, para vencer o mal e praticar o bem, para fazer morrer o nosso «homem velho» ligado ao pecado e fazer nascer o «homem novo» transformado pela graça de Deus.

 Audiência geral, 17-II-2010


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Acédia - D. Nuno Brás


Já se diz que o Papa Francisco tem um vocabulário próprio: palavras novas que introduziu no dicionário, como “primeiriar”; ou palavras a que simplesmente se voltou a dar atenção – não às palavras, entenda-se, mas às realidades que elas significam, como é o caso das “periferias”.

Uma outra palavra que voltou a entrar no nosso vocabulário é a palavra “acédia”, ou seja: “apatia”. É aquela atitude de quem acha que, se a realidade está mal, não poderia estar de outra forma.

Nas suas já célebres “homilias de Santa Marta” – as homilias não escritas, em que o Santo Padre comenta brevemente as leituras do dia – num destes dias, a propósito do encontro de Jesus com o paralítico, que há 38 anos jazia à beira da piscina, à espera de cura, e a quem Jesus ordena que se levante e caminhe, o Papa voltou a falar da “acédia”.

O Papa Francisco fez então um paralelo entre o paralítico e a atitude de muitos cristãos: “Penso em tantos cristãos, tantos católicos: sim, são católicos mas sem entusiasmo, mesmo amargurados! Dizem: Sim, a vida é assim, mas a Igreja… Vou à Missa todos os domingos, mas é melhor não me meter; tenho a fé para a minha salvação, não sinto a necessidade de a dar a outro… Cada um no seu canto, tranquilo… Fazes alguma coisa e depois ainda te criticam: é melhor não arriscar”. E continuava: “Esta é uma atitude paralizante do zelo apostólico, que torna os cristãos pessoas paradas, tranquilas, mas não no bom sentido da palavra: pessoas que não se preocupam em sair para anunciar o Evangelho! Pessoas anestesiadas”.

É verdadeiramente um mal de que sofremos, de um modo particular, nós portugueses. Cada um no seu canto, a tratar da sua vida; não somos más pessoas, mas também não fazemos nada de bom… Uma atitude a mudar, nesta Quaresma que se encaminha, decididamente, para a vida nova da Páscoa!

in Voz da Verdade


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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Director do Mozilla demitiu-se por causa dos "tolerantes"


Brendan Eich, director (CEO) do Mozilla, o segundo browser mais popular do mundo, demitiu-se. Na prática foi convidado a sair, depois da polémica criada por ter doado 1000 dólares (há 6 anos) para apoiar a Proposta 8, que se propunha, através do voto dos eleitores, proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Estado da Califórnia.

Eich era incompetente no que fazia? Ao que consta, não. Criou a linguagem Javascript e foi um dos fundadores do Mozilla, trabalhou na empresa desde o seu início, e, segundo diziam, era o homem certo no lugar certo.

Toda a polémica que levou à sua demissão está relacionada com esse donativo que fez há 6 anos, ou seja tem a ver com uma opinião pessoal. Ele não a expressou de maneira nenhuma no cargo que ocupava, nem fora dele. E quando essa informação apareceu, na semana passada, prontamente garantiu que enquanto CEO ia fazer os possíveis para lutar pelos direitos LGBT.

Mas nada disso lhe valeu, pobre coitado, já o lobby LGBT o tinha marcado.

Sem me querer armar em profeta, já há muito tempo disse que quem ousar defender que uma relação entre um homem e uma mulher ou entre duas pessoas do mesmo sexo não são a mesma coisa, que são coisas muito diferentes, com consequências diversas, tem que estar preparado para sofrer.

Em parte a culpa é nossa, cristãos, porque não soubemos dizer basta! não soubemos cerrar fileiras nos valores inegociáveis, e, na nossa tibieza, fomo-nos preocupando apenas com o nosso conforto, sem querer dar o 'corpo ao manifesto'.

Nos tempos que correm, e mais ainda nos que estão para vir, qualquer um pode ser chamado a ter de negar a sua fé ou as suas convicções pessoais e levar a vida tranquilamente, progredir na carreira, ser louvado e aplaudido por todos etc...ou então ser fiel à verdade e perder tudo o resto.

Cada um faça a sua escolha.


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Padre Jesuíta assassinado na Síria. Rezemos pela sua alma

Requiem aeternam dona ei, Domine. Et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace. Amen.

Um padre jesuíta holandês, que optou por permanecer na cidade sitiada de Homs para ajudar a população faminta, foi morto a tiro.

O Pe. Frans van der Lugt, de 75 anos de idade e formado em psicologia, permaneceu na antiga cidade controlada pelos rebeldes desde o inicio do cerco, que é vai ja com mais de 600 dias de duraçao, feito pelas forças do governo. Foi-lhe oferecida a oportunidade de sair, mas preferiu ficar. A sua morte foi anunciada pelo canal pró-governo Al- Mayadeen. 

Os jesuítas confirmaram ao Catholic News Service que o Pe. van der Lugt foi espancado e depois baleado com dois tiros na cabeça. O Washington Post relata que um atirador mascarado matou o padre dentro de um mosteiro, na zona de al-Bustan Diwan, embora a identidade e o motivo do assassino permaneçam desconhecidas.

Em Fevereiro, o Pe. van der Lugt tinha dito ao Daily Telegraph que a cidade tinha sido abandonada pela comunidade internacional. O padre jesuíta foi para a Síria em 1966, e na década de 80 tinha criado um projecto agrícola fora da cidade para ajudar os jovens com deficiência mental. Ele disse que a fome estava fazendo com que algumas pessoas ficassem loucas.

adaptado de catholicherald


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Frase do dia

"No dia do teu jejum, não tomarás mais que pão e água; depois deverás avaliar o montante da despesa que terias feito nesse dia com a tua comida e dá-lo-ás a uma viúva, a um órfão ou a um necessitado. Assim tu te privarás, para que outro possa usufruir da tua abstinência."

Pastor de Hermas, ano 150 d.C. 


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domingo, 6 de abril de 2014

Quer receber um Evangelho oferecido pelo Papa Francisco?



O blog Senza Pagare, sempre pronto a contribuir para o crescimento espiritual dos seus leitores, tem três “evangelhos de bolso” oferecidos pelo Papa Francisco, hoje na Praça de São Pedro.


Os três exemplares serão sorteados entre os leitores que comentarem aqui no blog (com um nome identificável e forma de contacto) ou no grupo do facebookCLICAR AQUI (convém "gostar" do grupo: https://www.facebook.com/senzapagare)

Basta dizerem que desejam receber esta oferta do Papa. Quem quiser ser criativo no comentário terá toda a liberdade própria dos filhos de Deus.

Poderão comentar durante os próximos três dias, até às 15 horas (em Portugal Continental) do dia 9 de Abril. No fim do prazo será feito um sorteio, os resultados serão anunciados no blog e os vencedores contactados, de modo a que possam receber em mãos a Palavra de Deus, para que a possam acolher com o coração aberto, e que a boa semente dê fruto, como disse hoje o Papa Francisco no Angelus.




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sábado, 5 de abril de 2014

Missa em Rito Dominicano


Hoje fui à Missa pela primeira vez no Rito Dominicano. Este Rito data do Séc.XIII, mesmo nos primórdios da Ordem criada por S.Domingos. Tem algumas particularidades bastante interessantes e favorece muito a oração.

Infelizmente para a riqueza e diversidade da Igreja, a Ordem Dominicana (ou dos Pregadores) decidiu aderir à reforma litúrgica do Rito Romano e abandonar o Dominicano. 

Este Rito esteve praticamente extinto, mas em 1988 o Papa João Paulo II concedeu um indulto à Fraternidade de S.Vincente Ferrer (uma comunidade dominicana) para que celebrasse nesse Rito.

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S. José de Anchieta SJ a celebrar a Santa Missa

O recém-canonizado S. José de Anchieta, sacerdote da Companhia de Jesus e fundador da cidade de S. Paulo, celebra a Santa Missa. A imagem é um monumento de 1954, na praça da Sé, em S. Paulo.


É interessante ver que a Missa celebrada desta forma faz com que até os índios, que nunca tinham ouvido falar do Cristianismo na vida, reconhecem (pela maneira como estão posicionados) que algo mais se está a passar nesta Missa - algo de Sagrado e sobrenatural.


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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Lealdade


A um mês da canonização de João XXIII e João Paulo II, é normal querer saber os pormenores mais pessoais. Se não tivesse sido pelos processos de canonização, algumas histórias nunca se saberiam.


É impossível ler essa documentação sem ficar comovido. Realmente, estes Papas foram grandes santos, de uma humildade e de uma rectidão impressionantes.

Nos processos não encontramos só momentos heróicos protagonizados por eles, descobrimos também, lateralmente, a companhia silenciosa ‒ de uma lealdade compacta ‒ de muitas outras pessoas. Dou um exemplo.

De vez em quando, João Paulo II escapava incógnito do Vaticano para um passeio rápido pelo monte. Não conseguia fazer estas pausas com frequência mas, como o pontificado durou mais de 26 anos, no total foram várias dezenas de saídas.

Vale a pena abrir aqui um parêntese, para se perceber como é que um Papa sai clandestinamente do Vaticano. Primeiro, com antecedência, a Santa Sé comunica o plano ao Estado italiano. Depois, no próprio dia, alguns carros da polícia italiana vão fazer uma vistoria aos locais, umas horas antes de o Papa chegar. Finalmente, sai o carro em que vai o Papa, o secretário e alguns convidados, acompanhado por um carro da polícia italiana e outro de guardas suíços.

O programa que foi seguido mais vezes consistiu em sair logo a seguir à audiência das quartas-feiras, rumo a Tor d’Aveia, a uma hora de Roma, e só regressar ao Vaticano no dia seguinte à tarde. Uma tarde inteira e uma manhã, para passear por aqueles caminhos montanhosos dos Abruzzi!

João Paulo II passava a noite num casarão onde estavam alojados estudantes universitários a terminar teses de doutoramento, juntamente com alguns professores da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, dirigida pelo Opus Dei. Ao lado, existe uma escola e um centro de formação para raparigas, também do Opus Dei: elas é que se encarregavam de toda a logística e das refeições. O Papa queria pratos muito simples e algumas vezes apenas um farnel para andar pelo monte, mas as cozinheiras deviam concentrar-se especialmente, porque os polícias italianos ainda hoje se recordam daquelas sopas! Daqueles bifes! Daquelas saladas!...

Os relatos dos universitários que conviveram com o Papa nestas ocasiões são mais sóbrios e mais centrados noutros aspectos. Lembram-se especialmente das conversas e, algumas vezes, de diálogos pessoais.

As raparigas da escola ao lado contam que organizavam ranchos folclóricos para cantar ao Papa, pelos vistos com grande êxito (segundo as próprias), além de dizerem ao Papa, em prosa e em poesia, que rezavam muito por ele e que estavam muito felizes com a sua visita.

No conjunto, contando os funcionários administrativos do Estado italiano, os polícias, os universitários, as alunas da escola e do centro de formação e os guardas suíços, mais de mil pessoas, ao longo de duas décadas, sabiam destas «fugas» de João Paulo II. Todas sabiam que o Papa só poderia manter estes escapes se não se tornassem públicos e todas corresponderam com uma lealdade absoluta. Ninguém disse uma palavra, até estas histórias se conhecerem, durante o processo de canonização. Nenhum polícia contou em casa quem tinha encontrado naquele dia; nenhuma aluna contou aos pais... absolutamente ninguém faltou à lealdade para com o Papa.

É evidente que os Papas sofrem muito, mas também é verdade que têm experiências destas – em certa medida sublimes – de milhares de pessoas que são leais.

José Maria C. S. André in «Correio dos Açores», 30-III-2014


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Carta Aberta a Henrique Raposo

Caríssimo Henrique Raposo,

Sou leitora frequente das suas crónicas. Louvo o seu raciocínio e a honestidade intelectual que lhe é habitual, e que escasseia nos comentadores da actualidade, mas que infelizmente me parece ter faltado no seu texto recente: "Os bispos e o sexo, calem-se sff". Por esta mesma razão não posso deixar de apontar algumas coisas:


Em primeiro lugar, quando se refere ao "vazio da Igreja em relação à sexualidade", fá-lo na ignorância certa do que a Igreja diz sobre este assunto. Podia falar nas 129 catequeses que o Papa João Paulo II dedicou sobre o assunto - e que até deram origem à chamada "Teologia do Corpo", ou nos diversos documentos do Magistério que foram sendo publicados ao longo do tempo e que não só explanam bem a ideia de que nada há de vazio quanto a este assunto, como ainda para mais se dedicam a estudá-lo com profundidade.

Em segundo lugar, expressões como "discurso ultra-defensivo em relação ao desejo", a "diabolização" da sexualidade e o "mundo assexual da Igreja" enquanto caracterizadoras da visão da Igreja sobre o sexo são de uma total desconexão com a realidade. Podíamos falar sobre isto horas a fio, latim que se dispensa, quando se pega no Catecismo e lê-se ipsis verbis "a sexualidade é fonte de alegria e de prazer. (...) foi o próprio Criador quem estabeleceu que, nesta função, os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito."

Em terceiro lugar, relativamente à acusação de que a Igreja não soube reagir à sociedade "pós-pílula", eu diria que a sociedade nunca soube reagir à sexualidade. Aliás, o "mundo ultra-sexualizado e encharcado de pornografia" revela bem que quando não compreendemos algo, e não sabemos que "uso" lhe dar, as más escolhas são uma certeza. 
Dizer que o Homem é um fim em si mesmo e não um objecto de desejo, que a sexualidade é parte integrante de um corpo -que não temos, que somos-, e que por isso é uma dimensão que deve ser vivida com toda a verdade da nossa existência não me parecem conselhos de gente assexuada que diaboliza o desejo.

Da minha parte, descobrir as catequeses que lhe referi há pouco mudou a minha vida. Para melhor, porque descobri quem sou, porque razão sou este corpo. 
Sei que o sexo não é bom, é óptimo, e ajudo, com o meu marido, outros casais a perceberem o mesmo: a relação sexual é a expressão máxima do amor entre um Homem e uma Mulher; e isto tem tanto de humano, como de divino.

Por ultimo, e para não me alongar, deixe-me que lhe diga que quem escreve é uma mulher católica, de 24 anos, que se casou aos 20, mãe, jovem de jeans e t-shirt que passa mais tempo no facebook do que devia. E sou mesmo, mesmo feliz.

Catarina de Nicolau Campos


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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Audiência do Papa Francisco sobre o Matrimónio

Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio, Deus, por assim dizer, «espelha-se» neles, imprime neles os seus lineamentos e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimónio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz «uma só carne», tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio! 

Eis precisamente o mistério do matrimónio: o amor de Deus reflecte-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne. (...)

No sacramento do Matrimónio há um desígnio deveras maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. 

É verdade que na vida matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si. Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimónio, e às vezes até voam pratos! Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! 

A vida matrimonial é realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. Outras vezes eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial. Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. 

Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimónio irá em frente. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos abençoe e orai por mim! Praça de S.Pedro, 2-IV-2014


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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pe. José de Anchieta passa a ser santo a partir de amanhã

Pe. José de Anchieta escreve o 'Poema à Virgem', enquanto se encontra refém de indígenas, no litoral brasileiro.
Benedito Calixto (1920)

No dia 3 de Abril de 2014, o Pe. José de Anchieta, co-fundador da cidade de São Paulo, é canonizado sem os dois milagres geralmente necessários: um para a beatificação e outro para a canonização propriamente dita. Este procedimento denomina-se “canonização equipolente” (equivalente), pois equivale ao processo normal para declarar que determinada pessoa falecida se encontra junto de Deus, no Céu, a interceder pelos que ainda vivem na Terra.

O Papa Francisco assina um decreto, canonizando o jesuíta. O processo de Anchieta teve início em 1597, ano da sua morte, e dura há 417 anos. Houve muitos percalços, incluindo dificuldades financeiras e até a supressão da Companhia de Jesus em 1773. No entanto, recentemente, o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, vislumbrou a possibilidade de se mudar de estratégia, com a canonização equipolente.

Nesta canonização deve-se ater a três requisitos básicos: 1) a prova do culto antigo ao candidato a santo, 2) o atestado histórico incontestável da fé católica e das virtudes do candidato, 3) a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato. 

O Pe. Anchieta preenche sobejamente as três condições. Com efeito, são inúmeros os milagres e graças atribuídos à sua intercessão. Veneram-no como bem-aventurado (que está no Céu) tanto fiéis de São Paulo como de todo o Brasil, e das Ilhas Canárias, local onde Anchieta nasceu.

adaptado de Zenit


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