terça-feira, 17 de junho de 2014

Encontro de Juristas Católicos 2014

Terá lugar no próximo dia 1 de Julho de 2014, pelas 18h00, no Anfiteatro 3 da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, o Encontro de Juristas Católicos 2014, promovido pela Associação dos Juristas Católicos.


O Encontro é subordinado ao tema: “O jurista católico na sociedade actual” e terá o seguinte programa:
· A objecção de consciência – Prof. Doutor Germano Marques da Silva
· O papel do jurista católico no diálogo social e político – D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa

Trata-se de uma iniciativa também aberta aos não associados e que se pretende tão participada quanto possível.
Seguir-se-á a reunião da Assembleia Geral da Associação.


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Quem está em pecado mortal não pode comungar

O Vigário-Geral de Chur (Suiça), Pe. Martin Grichting,  recorda que São Pio X "deu algumas condições para a comunhão frequente. Os fiéis não têm que recebê-la por costume, vaidade ou respeitos humanos; e, acima de tudo, devem estar livres de qualquer pecado mortal, segundo as palavras de São Paulo: “Que cada um reconheça o Corpo do Senhor e não coma ou beba a sua própria condenação ao recebê-Lo indignamente.” (1Cor 11, 27-29)

O sacerdote sublinha que "as condições para receber a comunhão sacramental, que na época de Pio X eram consideradas óbvias, não voltaram praticamente a ser relembradas pela Igreja nas últimas décadas."

Perante isto, propõe o seguinte:

É necessário que exista também uma referência aos que "recasaram", pelo civil, mas também uma mudança de mentalidade. Se as condições mencionadas pelo Papa Pio X para se aproximar da comunhão sacramental ser aplicadas na prática pastoral, a questão da comunhão sacramental dos "recasados" surgiria num contexto mais amplo e favorável para eles. Estes fiéis já não seriam as únicas “ovelhas negras” discriminadas porque, como se sabe, não existe apenas o sexto mandamento, existem dez.

Quanto ao argumento do Cardeal Kasper, Pe. Grichting é contundente:

O procedimento do Cardeal Kasper ignora princípios teológicos da doutrina da Igreja sobre o sacramento da Penitência, Eucaristia e Matrimónio. Obviamente não se podem sacrificar esses princípios para "salvar" a Igreja. Se o debate permanece tão estreito, corre o risco de ficar bloqueado.

E propõe ainda:

Resta, portanto, como única solução a de desenvolver e implementar uma pastoral específica para os fiéis "recasados" que respeite a doutrina da Igreja. A Igreja deve ocupar-se, antes demais, de enfrentar o empobrecimento litúrgico que aconteceu nas últimas décadas. Consequentemente deve voltar a estudar e pôr em discussão a nível da Igreja universal a questão da aproximação digna e frutuosa aos sacramentos.

in infocatolica.com


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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Chamada à Oração - Vídeo

Vídeo dos Bispos Americanos a apelar os Católicos para viverem uma vida de oração e penitência.

Tradução: senzapagare.blogspot.com



No filme fala-se em viver uma "Hora Santa" (Holy Hour), que é passar uma hora em Adoração, diante do Santíssimo Sacramento. Está relacionada com a pergunta que Jesus fez a S. Pedro quando encontra os discípulos a dormir no horto das oliveiras:
"Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo!" (Mt 26:40)


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A graça de Deus na nossa vida

Uma coisa básica que muitas vezes esquecemos é que Deus é sobrenatural, está acima da natureza, logo a sua acção não tem porque ser identificada através dos nossos sentidos.
Por isso é que é bom ensinar estas coisas na catequese, desde pequeninos.



in St. Joseph Baltimore Catechism
Tradução: Senza Pagare 



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domingo, 15 de junho de 2014

Se eu não fosse católico…

Se eu não fosse católico e estivesse à procura da verdadeira Igreja no mundo de hoje, iria em busca da única Igreja que não se dá bem com o mundo. Por outras palavras, procuraria uma Igreja que o mundo odiasse. Faria isto porque se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele deve ainda ser odiado como o era quando estava na Terra, vivendo na carne.

Se quiser encontrar Cristo hoje procure uma Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure uma Igreja que é odiada pelo mundo, como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar desactualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela Igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela Igreja que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, príncipe dos demónios .

Procure a Igreja que em tempos de intolerância (contra a sã doutrina) os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.

Procure a Igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou Cristo: por Ele se ter proclamado como A VERDADE. Procure a Igreja que é rejeitada pelo mundo, assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a Igreja que, no meio das confusões de opiniões, os seus membros a amem do mesmo modo que amam a Cristo e respeitem a sua voz como a voz do seu Fundador.

E aí começará a suspeitar que se essa Igreja é impopular com o espírito do mundo é porque ela não pertence a este mundo. E, uma vez que pertence a outro mundo, será infinitamente amada e infinitamente odiada como foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa Igreja é divina .

Arcebispo Fulton J. Sheen in Radio Replies, Vol. 1



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sábado, 14 de junho de 2014

Reflexões sobre o filme "Maléfica" da Disney

A Disney estreou recentemente o filme "Maléfica", com Angelina Jolie no papel de vilã e Elle Fanning na pele da pobre princesa Aurora. Há uma mudança interessante que "Maléfica" está a fazer em relação ao conto da "Bela Adormecida", e que é evidente já no título: desta vez, a história tem como centro a vilã, enquanto a heroína se torna um personagem em segundo plano. 
  
A história jamais contada da vilã mais representativa da Disney. Maléfica é descrita como "uma esplêndida jovem mulher de coração puro que leva uma vida idílica, até que um exército invasor ameaça a harmonia da região. Maléfica distingue-se por ser a mais orgulhosa protectora da região, mas no final sofre uma cruel traição, que começa a transformar so eu coração puro em pedra".

Esta traição é supostamente o que a leva a lançar uma maldição sobre Aurora, a filha recém-nascida do sucessor do rei invasor. Maléfica é pintada como uma heroína trágica, que estava apenas a defender o seu reino antes da chegada de uma série de desgraças. Inclusive a maldição sobre a pequena princesa Aurora é apenas uma forma de proteger sua terra. Se ela estava a agir para defender os seus, como poderia ser má?

Várias entrevistas a Angelina Jolie parecem prometer que o público terá uma perspectiva totalmente diferente de Maléfica: "Espero que, no final vocês possam ver uma mulher capaz de ser muitas coisas; o simples facto de defender-se e ser agressiva não significa que ela não possua outras qualidades".

Interpelada sobre a hipótese de que Maléfica tenha capacidade de redenção, Jolie respondeu que "parece verdadeiramente absurdo dizer que as meninas podem encontrar algo bom nela. Mas Maléfica é realmente uma grande pessoa". Este é um retrato interessante de uma das bruxas mais malvadas e famosas da história cinematográfica. E não é o primeiro filme da Disney que adopta este ponto de vista com relação aos "maus".

Nas suas últimas produções, a Disney tem seguido esta tendência de "modernizar" a história do vilão, muitas vezes com uma luz agradável projectada sobre o passado do personagem em questão. Por meio de novos relatos, o público acaba inevitavelmente por se solidarizar com os vilões e sentir simpatia por eles, chegando talvez a pensar que as suas decisões maldosas são inevitáveis nas infelizes circunstâncias em que se encontram.

Uma destas revisões foi apresentada em "Oz, mágico e poderoso", em que a Bruxa Má do Oeste é apresentada como vítima de uma cruel manipulação – o que justificaria seus actos. Também em "Detona Ralph", toda a base é a luta do malvado de um jogo de vídeo para chegar ao heroísmo. Poderíamos pensar que esta é uma grande oportunidade de mostrar uma personagem que vence as suas próprias inclinações e cresce até se tornar um verdadeiro herói.

Ralph consegue demonstrar o seu valor de herói mediante seus actos altruístas em relação às outras personagens, mas esta não é a mensagem final. O destino de Ralph é: "Eu sou mau, e isso é bom; eu nunca serei bom, e isso não é mau". No final, Ralph continua a detonar as coisas, mas agora Félix e os demais personagens do jogo aceitam-no pelo que é. No verdade, Ralph não é realmente mau, pois tem um bom coração, mas é interessante que a mensagem repetida por ele seja a de que nunca será bom "e isso não é mau".

Não há nada de errado em tentar compreender o funcionamento interno da mente de alguém mau. Sobretudo nas histórias populares amplamente conhecidas, uma revisão com diferente e inesperada perspectiva pode ser agradável, porque oferece informação nova. Mas, no final, produções como "Maléfica" e "Oz: mágico e poderoso" glorificam os vilões tradicionalmente aceitos enquanto tal e tentam justificar os seus actos reprováveis escavando um passado incompreendido. No caso de "Detona Ralph", chegam inclusive a dizer que "não é mau ser mau".

Os filmes e contos do passado, como "A bela adormecida" e "O mágico de Oz" expressavam interpretações concretas das categorias certo/errado, reflectidas em personagens absolutamente boas ou absolutamente más.

Não haveria um meio termo para a Bruxa Má do Oeste que cuspia fogo, ou para Maléfica, que mudava de forma nas suas histórias originais; mas a sociedade moderna criou muitas variações de cinzento para interpretar as acções das pessoas, e estas histórias apresentadas do ponto de vista do vilão, parecem ser o resultado deste mentalidade.

Poderia parecer inócuo, mas, se gastamos tanto tempo obcecados com a origem ou as motivações dos maus, poderíamos começar a perguntar-nos onde foram parar os verdadeiros heróis. 

Kim Scharfenberger in Aleteia


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Cristo Redentor em noite de lua cheia




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"O Prémio" - A indignação contra Alexandre Soares dos Santos


Quando alguém cá da terrinha é premiado, é sempre a mesma “cena”, como diriam os mais novos. Surgem logo vozes de descontentamento, pondo em causa os merecimentos do agraciado, a isenção da instituição, ou a do júri que decidiu o galardão. Segundo o douto parecer dos ressentidos do costume, muitos outros candidatos o mereceriam mais.

O protesto não se fica por aí, pois aproveita-se a deixa para insultar, na praça pública, a honorabilidade do empresário distinguido, que se acusa de ter uma “colossal” fortuna pessoal (será pecado?!). Pior ainda, insinua-se que o seu enriquecimento se ficou a dever a práticas duvidosas, como “a exploração do trabalho humano (baixos salários, horários excessivos, precariedade nas relações laborais)” e, ainda, a “expedientes fiscais para fugir aos impostos”.

Estes novos indignados, que parecem ser muito zelosos no que entendem ser a justiça social, esquecem o mandamento maior: a caridade. Em nome dos pobrezinhos, ofendem a honestidade, a rectidão e a competência de alguém que, entre outros méritos, tem o de ser um dos maiores empregadores do nosso país. É muito bonito dar esmolas aos pobrezinhos, sobretudo se as câmaras da televisão imortalizarem o caritativo gesto do gestor bonzinho, mas é muito mais importante dar trabalho a milhares de mulheres e de homens. Quem tenha feito mais e melhor, que atire a primeira pedra.

Quando Maria, a irmã de Lázaro, ungiu os pés do Senhor com um perfume “colossal”, houve quem se indignasse: Judas Iscariotes. O evangelista João explica a razão do seu protesto: “não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão”. E Camões, que conhecia bem a grandeza e a mesquinhez de que é capaz a alma lusitana, escreveu nos últimos versos de Os Lusíadas : “De sorte que Alexandro em vós se veja, sem à dita de Aquiles ter inveja”.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in ionline


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sexta-feira, 13 de junho de 2014

A vida familiar enfrenta dificuldades em Espanha

Um relatório publicado recentemente sobre o estado das famílias na Espanha revelou deficiências estruturais graves e falta de apoio do governo.

O Instituto Espanhol de Política Familiar divulgou um estudo de 2014 sobre o desenvolvimento da família em Espanha, por ocasião do Dia Internacional da Família, 15 de Maio.

É visível o baixo índice de natalidade no país. O número de bebés nascidos por ano diminuiu em 116 mil, comparando com 1980, e teria caído ainda mais se não fosse o número significativo de nascimentos de mães imigrantes: cerca de 87 mil em 2012.

O número médio de nascimentos por mulher em Espanha é de apenas 1,32, bem abaixo do nível necessário (de 2,1) para garantir uma estabilidade populacional. Isso coloca a Espanha abaixo da média da União Europeia (1,58), e com o terceiro mais baixo da UE, à frente apenas de Portugal (1,28) e da Polónia (1,30).

Se o nível actual de fertilidade continuar sem alterações até 2050, quase um terço (32,1%) da população da Espanha terá a idade de 65 anos ou mais.

O relatório observou que existem diferenças regionais significativas no nível de fertilidade, variando entre 1,5 e 1 filhos por mulher em algumas áreas, como as Astúrias, Ilhas Canárias e Galiza.

A idade média das mulheres, no nascimento de seu primeiro filho, continua a subir e já atingiu 31,56 anos de idade. É a maior de toda a União Europeia e seria ainda maior se não fosse a média de mães não- espanholas, que é de 28,9.

Outra mudança notável nas últimas décadas é um aumento na percentagem de nascimentos que acontecem fora do casamento, chegando a 38,9% em 2012. Abaixo do nível de 39,3 % da UE. No entanto, o crescimento dos nascimentos fora do casamento na Espanha foi maior em relação a taxa de crescimento da UE.

Aborto

Sobre o aborto, o relatório do instituto afirma que no período 1992-2012 houve um aumento de 150%, passando de 44.962 para 112.390 abortos. O aborto é hoje uma das principais causas de morte em Espanha. O número total de abortos desde 1985, quando foi legalizado, ultrapassa os 1,8 milhões.

Em números absolutos a Espanha está em terceiro lugar na UE no número de abortos, a França em primeiro lugar, seguida pelo Reino Unido. Cerca de 20% de todas as gestações em Espanha terminam em aborto, e 36,2% deles foram realizados por mulheres que já haviam feito um aborto.

No que diz respeito à família e casamento, o relatório constatou que o número de casamentos continua a diminuir, passando de 220.533 em 1990 para 168.556 em 2012. Teria caído ainda mais se não fosse o alto nível de casamentos com um cônjuge não-espanhol, 18,2% do total de 2012.

Não surpreendentemente, a idade média do primeiro casamento aumentou para 36,3 anos para os homens e 33,3 para as mulheres. O número daqueles casados apenas no civil e nãon uma cerimónia da Igreja, chega a 61,8% do total.

Divórcio

O divórcio também aumentou, e combinado com o número de separações, o total nos últimos anos, é de cerca de 110.000 por ano.

Outros assuntos analisados no relatório foram as leis laborais em relação à licença a maternidade e o apoio social à família.

Apenas uma em cada nove mulheres tem a possibilidade de horários flexíveis no trabalho. Apenas Portugal, dentre os 28 países da UE, tem uma situação pior. Além disso, o número de pessoas que beneficiam da licença maternidade está em declínio.

O relatório conclui comentando que a combinação de baixo nível de nascimentos, e altos níveis de aborto e divórcio, ameaça a vida familiar.

As consequências dessas tendências incluem o aumento das despesas do governo na saúde e nas pensões, o aumento do número de pessoas que vivem sozinhas, e maior instabilidade na vida familiar. A situação tem sido agravada nos últimos anos, devido às circunstâncias económicas difíceis, com altos níveis de desemprego e queda da renda familiar.

O relatório terminou com um olhar para o quão pouco o governo está a fazer para apoiar as famílias, a comparação com outros países europeus. As famílias são discriminadas na Espanha em comparação com o resto da Europa, declarou o instituto.

Um debate sobre o aborto está em andamento na Espanha, com a decisão do governo do Partido Popular que propõe um projecto de lei para restringir o aborto, cumprindo assim uma promessa eleitoral de 2011. A redução do número de abortos seria um passo a frente, mas apenas um dos muitos necessários para fortalecer a vida familiar em Espanha.

in Zenit


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Amar mais - Santo António de Lisboa

«Amarás o Senhor teu Deus.» «Teu» Deus, está dito, e esta é uma razão para amar mais; gostamos mais do que nos pertence do que daquilo que nos é estranho. É certo, o Senhor teu Deus merece ser amado; Ele tornou-Se teu servo, para que tu Lhe pertenças e não te envergonhes de O servir. 

Durante trinta anos, o teu Deus tornou-Se teu servo por causa dos teus pecados, para te arrancar da escravidão do diabo. Portanto, amarás o Senhor teu Deus. Aquele que te fez fez-Se teu servo por ti; ele deu-Se-te por inteiro, para que tu te dês a ti mesmo. Quando eras infeliz, Ele refez a tua felicidade, deu-Se a ti para que tu te reentregues a ti mesmo. 

Portanto, amarás o Senhor teu Deus «com todo o teu coração.» «Todo»: não podes guardar nenhuma parte para ti. Ele quer a oferta total de ti próprio; comprou-te por inteiro, para te ter para Si por inteiro. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração. Não guardes uma parte de ti mesmo, como Ananias e Safira, porque de outra maneira poderias morrer como eles (Act 5,1 s). Portanto, ama totalmente e não em parte. Porque Deus não tem partes, está inteiramente em toda a parte. E não deseja partilhar o teu ser, Ele que está por inteiro no Seu Ser. Se reservas uma parte de ti mesmo, és teu, e não dele.

Portanto, queres possuir tudo? Dá-Lhe o que és, e Ele te dará o que é. E não mais terás nada de teu; mas tê-Lo-ás a Ele inteiramente contigo.

in Sermões para o domingo e as festas dos santos


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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Importante rezar por estas intenções

Continua a perseguição islâmica aos cristãos no Iraque. Na fotografia vê-se o ataque a uma igreja em Mossul, cujos sacerdotes estão desaparecidos e existem centenas de mortos.
Homens armados entraram numa igreja na cidade de Phoenix (Estados Unidos da América) mataram o Pe. Kenneth Walker, de apenas 29 anos, e feriram gravemente o Pe. Joseph Terra. 
Ambos pertencem à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro.



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A canonização de S. Josemaria foi demasiado rápida?

Ainda hoje se ouvem muitas pessoas a dizer que S. Josemaria, fundador do Opus Dei, teve um processo de canonização demasiado rápido e que de certeza que houve coisas por trás, obscuras, que aceleraram o processo. Tais acusações, além de atacar um Santo e toda a sua fundação (a Obra), é também um ataque à Santa Igreja Católica que é, no fundo, quem decide quem vai ou não para os altares.

Felizmente essas acusações não podiam estar mais longe da verdade (e notem que até foram feitos panfletos com acusações).

O que segue é um excerto da biografia de D. Álvaro del Portillo, sucessor de S. Josemaria, que era Prelado da Obra no pico mais alto destas acusações.

Durante os últimos anos não haviam cessado as críticas à beatificação do Fundador: era acusado ele [D. Álvaro]; acusado o Opus Dei; acusada a Santa Sé; o Papa; a Igreja... E todavia, até 1992 poucas terão sido as ‹‹Causas›› mais estudadas e mais documentadas. Os próprios serviços do Opus Dei adiantaram-se a apresentar à Congregação para as Causas dos Santos todas as acusações expressas em livros, folhetos, jornais... Não houve aspecto algum que não fosse analisado; nenhuma questão por esclarecer; e, apesar de tudo, mesmo no interior da Igreja, à falta doutra objecção, havia quem exigisse dilações sem qualquer motivo razoável, excepto a ignorância sobre a simplificação dos processos efectuada por Paulo VI e o desconhecimento dos modernos meios informáticos, que permitiam acelerá-los. Só faltava acusarem o Céu dos milagres reazlidados por interecessão de S. Josemaria! 
Já em 1981 D. Álvaro nos prevenia contra esses possíveis ataques. ‹‹Parecia-lhe natural que os houvesse.››, recorda Salvador Bernal de uma conversa com ele. ‹‹Só se não fizéssemos nada é que o diabo os não promoveria; as dificuldades acabavam por ser o sinal de estarmos no bom caminho: "São como a prova dos noves", acrescentou, em tom de graça. E contou como, por causa da difusão de uns panfletos, certo bispo lhe tinha escrito a dar os parabéns: "- Fizeram-nos o mesmo a nós, Salesianos, quando iniciámos o processo de beatificação de S. João Bosco; lançaram calúnias tremendas contra o santo e contra os seus filhos. Agora que a Santa Sé iniciou o processo de beatificação do Fundador da Obra, dizia este bom bispo, é natural que o diabo se enraiveça. Parabéns!"››
Conversando eu mais tarde com o Cardeal Angelo Felici, o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos - ele próprio também objecto de acusações absurdas -, interrogava-se e admirava-se: mas que mal tinha ele feito se apenas seguira o calendário estabelecido pelo seu antecessor, e respeitara todos os trâmites e todos os prazos previstos na lei canónica? Sim, também ele padeceu as frechadas caluniosas; mas fora bem compensado no dia 17 de Maio, com o extraordinário espectáculo da multidão orante que enchia a Praça de S. Pedro e se estendia a perder de vista pela Via della Conciliazione: ‹‹A santidade de Mons. Escrivá? "Pelos frutos os conhecereis!" Aqui temos uma outra prova eloquente!››, exclamou.
in Hugo de Azevedo, Missão Cumprida, Diel, 2008. 


S. João Paulo II e o Venerável Álvaro del Portillo na altura da Beatificação de S. Josemaria Escrivá



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quarta-feira, 11 de junho de 2014

70 anos da libertação de Roma e desembarque na Normandia: Pio XII é aclamado 'Defensor Civitatis'

Estes são os factos que a História nos conta:

- 24 de Agosto de 1939 - O Papa Pio XII (Eugénio Pacelli) pronuncia a frase marcante do seu pontificado: "Nada se perde com a paz, tudo pode ser perdido com a guerra."

- 1940, 1941, 1942 - Rádio Mensagens do Papa a favor do respeito mútuo entre os povos e contra a discriminação e massacres devido a razões de diferentes religiões ou nacionalidades.

- 10 de Julho de 1943 - A situação em Itália agrava-se quando as tropas anglo-americanas desembarcam na Sicília e se prepararam para subir a península de modo a chegar a Roma, enquanto da Alemanha descem as divisões blindadas alemãs que invadem regiões italianas.

- 17 Julho de 1943 - um esquadrão de caças aliados voa sobre Roma. Caem do céu milhares de panfletos convidando as pessoas a ficar longe de alvos militares (aeroportos, caminhos-de-ferro). Até então, a capital, mas também Florença e Veneza, não tinham conhecido ataques aéreos. Ao contrário do que recomendam os Cardeais e a Cúria, o Papa Pio XII decide ficar em Roma.

- Esforços diplomáticos da Santa Sé com os aliados para reconhecer Roma como uma cidade aberta, e evitar bombardeamentos ou acções militares, que não teriam qualquer efeito. No entanto foi decidido, Eisenhower ordena que se atinjam alvos militares em Roma. Começou assim uma série violenta de atentados na capital que atingem também grandes bairros populacionais.

 - 19 de Julho, antes das 11h30 - segundo bombardeamento sobre Roma. Atingido o centro do bairro de São Lourenço, em Verano.

- 20 de Julho de 1943 - após o violento bombardeamento do bairro de São Lourenço, o Papa Pio XII sai excepcionalmente do Vaticano. Vai às zonas afectada para levar conforto "aos fiéis da nossa diocese", e, depois de ajoelhar para rezar nas ruínas o salmo De Profundis, distribui dinheiro e géneros. Os romanos aclamam-no como 'Defensor Civitatis' (Defensor da Cidade).

- Inverno de 1943 - os alemães ocupam a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, e prendem aqueles que ali se haviam refugiado. É descoberto o plano secreto de Hitler que previa a ocupação do Vaticano e a prisão do Papa Pio XII.

- Pio XII assinou, em seguida, uma carta de demissão em caso de captura: "Prenderão o Cardeal Pacelli, não o Papa."

 - 08 de Setembro de 1943 - O armistício e a fuga dos Savóia e do Governo lançam a Itália no caos. Resta Pio XII para enfrentar os ocupantes e é a única autoridade moral e religiosa presente em Roma.

- O Papa ordena que se abram os conventos (mesmo aqueles de clausura) e os palácios extraterritoriais para acolher os italianos e judeus perseguidos. Só no Seminário de Latrão, entre Setembro de '43 e Junho de '44, foram contadas 41 mil admissões.

- Madrugada de 22 de janeiro de 1944 - A artilharia aliada abriu fogo na costa de Lázio para preparar o desembarque na praia de Anzio. Uma multidão de refugiados (10 a 12 mil) conseguem escapar e dirigem-se para a Vila Pontifícia de Castel Gandolfo (aberta por ordem do Papa Pacelli), para o Palácio Apostólico. Os deslocados são acolhidos e assistidos pela caridade do Papa, que provê tudo: vêm alimentos do Vaticano, medicamentos e vestuário. As crianças que nascem no Palácio Apostólico são chamadas Eugénio ou Pio, em agradecimento ao Papa. No Pronto-Socorro do Vaticano são também acolhidos e tratados resistentes italianos e alemães.

- 15 de Fevereiro de 1944 - um terrível bombardeamento aliado arrasa a abadia beneditina de Montecassino.

- 19 de Fevereiro de 1944, às 9h - o abade de Monte Cassino foi recebido pelo Papa Pio XII, a quem garante que "nunca na abadia não houve soldados alemães, nem os ninhos de metralhadoras ou canhões, nem locais de observação." Foi um erro grave dos Aliados.

- 24 de Março de 1944 - a página mais terrível, com o massacre das Fossas Ardeatinas onde os nazis massacraram 335 civis e militares (incluindo o coronel Lanza di Montezemolo, o pai do Cardeal Montezemolo, Núncio Apostólico) em retaliação pela morte de 33 soldados alemães no atentado da resistência na Via Rasella.

- Final de Maio de 1944 - os alemães ameaçam as pontes sobre o rio Tibre e os pontos-chave para impedir o avanço dos aliados. Depois, querendo fugir rapidamente, não fazem detonar as minas.

- Pacelli advertiu: "Qualquer um que se atreva a levantar a mão contra a Roma, ficará com a mancha do matricídio"

- Sexta-feira, 2 de Junho de 1944 – A ‘Rádio Londres’ transmite a palavra ‘Elefante’, a mensagem codificada que indica que a resistência lançará o ataque final.

- A noite entre 3 e 4 de Junho 1944 - A SS abandonou as instalações em via Tasso (onde havia praticado torturas abomináveis), queimam os documentos e saem com dezenas de prisioneiros. A batalha trava-se perto de Roma, a rectaguarda alemã é atacada pela resistência.

- Madrugada de 4 de Junho de 1944 - um contingente de canadianos e os comunistas da Bandeira Vermelha entram na capital de Itália por Casilina. A SS foge descontroladamente e abandona um camião cheio de prisioneiros, que se salvam. Outro camião é parado por oficiais nazis em Cassia e 14 resistentes e prisioneiros aliados são alinhados ao longo da estrada, e mortos com um tiro na cabeça.

- Noite de 4 de Junho de 1944 - após nove meses de ocupação alemã, Roma é libertada.

- Domingo, 4 e Segunda-Feira, 5 de Junho de 1944 - Tropas norte-americanas, sob o comando do general Mark Clark Wayne, destroem as últimas defesas alemãs e entram na cidade sem encontrar resistência. A população rejubila de alegria.

- 4 de Junho de 1944 - O Papa Pio XII recebe os Aliados, no Vaticano.

- 5 de Junho de 1944 – A ‘Rádio Londres’ envia a frase-código: "Os longos gemidos dos violinos do outono ferem meu coração com monótona languidez ", que anuncia o ataque iminente e desembarque em 48 horas.

- Madrugada de 6 de Junho de 1944 – chegou o 'Dia D'. Começa a ‘Operação Neptuno’, com o desembarque dos Aliados na Normandia, o que desencadeia a maior invasão da história. Abre-se uma segunda frente na Europa, depois da frente aberta pelos soviéticos. Tanto do Leste como Oeste, os Aliados marcham sobre a Alemanha nazi.

 - Domingo, 11 de Junho, 1944 – os Romanos em massa "invadem" jubilosos a Praça de São Pedro (e ficam lá por várias horas) para agradecer ao Papa Pio XII, a única autoridade que sempre se manteve no seu posto, para evitar a Roma os horrores da guerra.

O Papa vem à varanda das bençãos e falou aos italianos e aos soldados, que o aclamam novamente como ‘Defensor Civitatis’. Transmite a Bênção Apostólica a Roma, aos romanos e a todos os soldados.

in messainlatino.it



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terça-feira, 10 de junho de 2014

A matança dos inocentes

1. Sinto-me profundamente afectado pela aprovação, no Parlamento do Reino da Bélgica, de uma lei que permite aos médicos matarem menores de idade. Quero deixar aqui a minha opinião sem ambiguidades e sem qualquer preocupação em ser politicamente correto.


É claro que cada país faz, dentro das suas fronteiras, o que os seus habitantes, e quem os represente no sistema político, desejarem que seja feito. 86 deputados votaram a favor desta lei, 44 votaram contra e 17 acharam que não valia a pena darem opinião e abstiveram-se. Tudo bem; melhor dizendo, tudo mal.

Pois quando esses habitantes, por via dos seus representantes políticos, aprovam comportamentos que ofendem gravemente a dignidade de todos os que pertencem à família humana temos o direito de dar a nossa opinião.

Foi o silêncio de todos que tornou possível o horror criminoso de um governo da Alemanha, no início com legitimidade democrática, em pleno século XX. A lei estabelecia que havia vidas indignas de serem vividas, incluindo a vida de crianças, logo deviam ser exterminadas. E foram. Depois foi o plano inclinado até ao holocausto de milhões de Judeus e outros não-arianos. Milhões, não dezenas ou centenas. Os agentes desta matança disseram, em Tribunal, que se tinham limitado a cumprir a lei, como funcionários zelosos. Esta atitude levou a intelectual judia Hanna Arendt, que assistia aos julgamentos, a descobrir que, para estes homens, a morte do outro era uma banalidade burocrática, coberta pela lei. Tal como os executores da pena de morte nalguns Estados dos Estados Unidos da América.

2. Tenho o direito de dar a minha opinião como cidadão responsável por ter a honra de pertencer à grande família humana, tal como todos os cidadãos belgas pertencem; os que vão ser mortos e os que os vão matar.

Procurei informar-me dos motivos que levaram à apresentação da proposta de lei agora aprovada. Basicamente a proposta afirma, no que designa por desenvolvimentos, o seguinte:

- Temos uma lei que despenaliza a eutanásia desde 2002 e estamos confortáveis com ela - sem qualquer referência aos abusos que aparecem na imprensa belga, alguns dos quais estão em fase de julgamento.

- Contudo, ela não pode aplicar-se a menores mas apenas a maiores ou emancipados, juridicamente capazes, o que para os promotores é um mal que se pretende corrigir - esquecendo que a lei universal da maioridade é para proteger os menores de todo o tipo de abusos, incluindo os sexuais.

- Logo, vamos acabar legalmente com esta reserva etária e abrir a eutanásia a todos os nascidos mesmo que tenham apenas dias ou horas de vida. Para já aos menores que um pedopsiquiatra considere que tem capacidade de discernimento e está consciente no momento em que pede para ser morto.

Porquê?

Cito: «La décision de fin de vie est un acte d’humanité, posé en dernier recours. De ce point de vue, pourquoi les mineurs seraient-ils privés de l’accès à cet acte d’humanité» (a decisão de terminar a vida é um acto de humanidade, colocado em último recurso. Sob este ponto de vista porquê privar os menores de acederem a este ato de humanidade).

Portanto a eutanásia é um acto bom que deve ser praticado em adultos, em menores (e a seguir em recém-nascidos, como já acontece na Holanda.

3. A falácia desta argumentação está em considerar a eutanásia como o último recurso, quando o último recurso é o cuidado compassivo e bondoso que tira o sofrimento a adultos e a menores e permite que vivam o seu limitado tempo de viver em paz, serenidade e conforto físico e espiritual.

Refiro-me ao cuidado paliativo personalizado, que pode ser prestado no domicílio, cuidado no qual o menor não é um “caso” incurável, do qual os médicos desumanizados se desinteressaram, mas uma pessoa que merece todo o afeto e atenção para que não sofra até ao fim da sua vida.

Uma investigadora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, Marta Brites, vai defender uma tese de Doutoramento em Bioética sobre o Cuidado Paliativo Pediátrico, na qual mostra como esta atitude de atendimento da criança que sofre de uma doença sem cura pode - e deve - ser a regra nas instituições que atendem estes doentes. Porque, como escreve, “A acção paliativa em Pediatria é assumida como arte e ciência de prestar cuidados activos e totais para com o corpo, a mente e o espírito da criança, envolvendo o suporte dos familiares”.

Os 89 deputados que votaram a favor desta tenebrosa lei, não sabem nada do que é atender com afecto e compaixão a criança em vez de decidirem que irá ser morta. A História irá julgá-los, em nome da Vida, como julgou e condenou os carrascos nazis. Bem como aos médicos que se prestem a praticar a “matança dos inocentes”.

Professor Daniel Serrão in Voz Portucalense, 5/III/2014


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segunda-feira, 9 de junho de 2014

O Divino Espírito Santo em Roma

Há na basílica de S. Pedro vários pormenores que dizem muito à cultura açoriana. Um deles, ocupa toda a cabeceira da basílica, a chamada ábside. É a parede frontal, com 58 m de largura e 46 m de altura. Se fosse um biombo, podia tapar completamente um edifício com 15 andares de altura. Mas, justamente, não é um biombo! É uma porta aberta, uma «porta» muito especial.

Quando se assiste à Missa celebrada pelo Papa na basílica, esta parede é o cenário que se vê por trás. Uma pessoa não se cansa de o admirar. Sobretudo, há uns minutos especiais em cada dia, em que esta composição do século XVI (da autoria de Gian Lorenzo Bernini) ganha vida e faz o peregrino recuar 2000 anos na história. É preciso estar lá à hora certa, pouco mais ou menos às sete da tarde.

Até esse momento, reina o silêncio e a calma. O sol entra suavemente pelos janelões e pela cúpula, reflecte-se nas paredes e nas estátuas, inunda a basílica de uma luminosidade homogénea. É a célebre luz rosa e dourada do entardecer de Roma. A harmonia acolhedora daquele ambiente fala-nos da beleza da fé e convida a pensar no Céu.

É então que, à hora certa, o sol poente irrompe por trás da figura do Divino Espírito Santo. A Pomba, com 3 m de largura, parece voar majestosa, a 30 m de altura, como uma ave triunfante de paz. A pedra da imagem e a pedra à volta da imagem é de um alabastro tão fino, que deixa passar o sol como um vitral e, em contraluz, vemos um clarão vibrante, que não queima os olhos, projectar-se em todas as direcções. Dessa espécie de vitral de pedra irradiam raios fulgurantes, luminosos e dourados, que penetram através de nuvens difusas de talha dourada e se projectam pela parede como estilhaços de uma explosão, entre um alvoroço de anjos.

Quem assiste a esta efusão luminosa sente-se a reviver 2000 anos de história, quando os Apóstolos rodeavam Nossa Senhora e, de repente, «como que um vento impetuoso se abateu sobre eles» enchendo toda a casa e umas «como que línguas de fogo» pousaram sobre eles. O Espírito Santo marcou a alma dos primeiros cristãos e a pequenina Igreja, que cabia inteira naquela sala, saiu, cheia de coragem, a anunciar a Boa Nova.

O Evangelho atravessou os séculos com a força desta Presença. Para quem ignore o Espírito Santo, a história fica incompreensível. Por um lado, a traição, o pecado, a oposição de dentro e de fora, o cansaço dos cristãos. Por outro, uma vitalidade inesgotável, uma «Boa Nova» que não acaba. Sobretudo, uma santidade que é sempre maior do que todas as fraquezas humanas.

O Divino Espírito Santo é o retábulo do altar papal na basílica de S. Pedro porque desde sempre a Igreja se alimenta desta Presença.

Nos nossos dias, o Papa Francisco diz que a Igreja tem de tomar consciência do vento impetuoso do Pentecostes e ser fiel a esse chamamento de Deus. Na Exortação apostólica «Evangelii gaudium» (A alegria do Evangelho), acerca da urgência de evangelizar, o Papa Francisco fala 111 vezes do Espírito Santo. Agora, é o momento de sair ao encontro dos outros. Agora, o Divino Espírito Santo quer converter-nos e fazer de nós apóstolos. Agora, é o momento decisivo em que podemos ser-lhe fiéis, ou podemos fugir.

O Papa garante que, se formos fiéis, Deus encherá a nossa vida de uma alegria que nada poderá tirar. Por isso começa a Exortação apostólica com esta promessa: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». A palavra alegria aparece 97 vezes no texto e também, muitas vezes, as palavras felicidade, júbilo, etc.

A imagem deslumbrante do Divino Espírito Santo, na ábside da basílica vaticana, não faz lembrar um muro: pretende ser a porta da felicidade, uma porta escancarada para dentro do Céu.

O Divino Espírito Santo ocupando o lugar central na parede principal da basílica de S. Pedro.
José Maria C. S. André
em «Correio dos Açores» e «Verdadeiro Olhar», 8-VI-2014


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Vanessa Machado no Prós e Contras sobre a Igreja e a sexualidade



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Frase do dia

"O diabo tem medo de nós quando rezamos e fazemos sacrifícios. Também tem medo quando somos humildes e bons. E tem medo especialmente quando amamos muito Jesus. Ele foge quando fazemos o Sinal da Cruz."

Santo Antão


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domingo, 8 de junho de 2014

«Lost in translation»

O Papa Francisco com o Presidente de Israel, Shimon Peres    
Não é a comédia americana de 2003. Testa sobre testa, o Papa Francisco e o Presidente israelita Shimon Peres ficam a olhar um para o outro, emocionam-se um pouco, demoram. Na televisão, parece que não trocam palavras. Compreende-se que os jornais tenham ficado sem saber o que dizer. Não é fácil traduzir.

Há dias, na Terra Santa, o Papa convidou Abu Mazen e Shimon Peres, Presidentes da Palestina e de Israel, para rezarem com ele no Vaticano. A maioria dos meios de comunicação traduziu: o Papa convidou-os para umas conversações de paz. Nem sabiam no que se metiam. O Papa não gostou da tradução e, num encontro que teve a seguir com os jornalistas, demorou-se a explicar-lhes que ia ser só um dia de oração: nada de mediações, de procurar soluções de paz. «Vamos reunir-nos para rezar, apenas isso. E depois cada um volta para casa».

A dificuldade para entender o Papa é que ele acredita mesmo na oração. Gasta muitas horas por dia a rezar diante do Sacrário e acha que não está a perder o tempo. O outro problema é que o Papa gosta mesmo das pessoas. Não me refiro aos sorrisos encantadores ou aos aplausos, estou a pensar nos casos mais extremos e até repugnantes: os doentes mais contaminados, os criminosos, os caluniadores, os que blasfemam e atacam a Igreja. O que é que tudo isto pode querer dizer?

A imprensa dos Estados Unidos está boquiaberta, porque o Governo americano, depois de ter empenhado todo o seu poderio económico e militar, não conseguiu juntar Abu Mazen e Shimon Peres. E o Papa, de repente!... Lendo as explicações dos próprios, percebe-se que eles sentiram uma confiança inexplicável, uma amizade verdadeira, que não julgava factos passados, nem pedia contas. Era uma proposta que ninguém lhes tinha feito e eles não resistiram.

Esta semana, inflamaram-se alguns órgãos de informação, em países de língua inglesa e alemã, porque o Papa celebrou a Missa com um determinado padre e, no final, beijou-lhe as mãos que tinham tocado na Eucaristia. O facto é indesmentível, porque há registos fotográficos bem claros. O problema é traduzir o gesto. Alguns deduziram que se tratava de uma mudança radical na Igreja. Alguém que, primeiro embarcou em deduções apocalípticas, repensou o assunto e no dia seguinte escreveu outro artigo a dizer que o gesto também podia ter outras leituras, diametralmente opostas. Chega-se à conclusão de que o Papa fala em parábolas e esta linguagem, surpreendentemente poderosa, não é fácil de entender.

Uma frase que toda a gente recorda é «quem sou eu para julgar?...», a propósito das pessoas com tendência homossexual. Como é que este respeito é compatível com a catequese tão clara e directa do Papa? Porque, nessa mesma intervenção, o Papa denunciou frontalmente os «lobbies» que tentam deformar a doutrina da Igreja, em particular o «lobby gay».

O que aconteceria, se um Papa convidasse os dirigentes palestiniano e israelita para rezar? Há uma semana, eu desatava a rir, só de imaginar a cena. Agora, já não digo nada.

É que este Domingo do Divino Espírito Santo, 8 de Junho de 2014, os três vão passar o dia a rezar juntos, no Vaticano. E o Papa pediu que todos rezássemos ao mesmo tempo com eles. Alguém entende a parábola?
  
José Maria C. S. André
em «Correio dos Açores», 8-VI-2014


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