segunda-feira, 12 de maio de 2014

Frase do dia

"Peço-vos, por favor, que importuneis os pastores, que incomodeis os pastores, todos nós pastores, para que vos demos o leite da graça, da doutrina e da orientação. Importunai! Pensai naquela bela imagem do vitelo, como importuna a mãe para que lhe dê de comer."

Papa Francisco, Regina Caeli no dia 11 de Maio de 2014  


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A propósito do Domingo do Bom Pastor

[Nota introdutória: O blog Senza passará a publicar textos escritos por um Sacerdote que permanecerá no anonimato, para que as suas palavras sejam escutadas sem qualquer tipo de protagonismo, e que assinará simplesmente como "Um Padre"]

Há um tipo de conversa que, por norma, costuma incomodar-me bastante: conversas sobre Padres e Bispos.

Por mais que procure evitá-la, lá acaba por acontecer de vez em quando. Infelizmente, a maior parte das vezes é para ouvir queixas e algumas, elogios. Mesmo quando parece haver razões para que essas conversas surjam, costumam, no entanto, incomodar-me.

Isto acontece porque, na maioria dos casos, estas conversas versam sobre questões secundárias e não sobre o essencial. E o essencial é Cristo!

Nós, Padres, existimos para dar Cristo, levar Cristo aos homens e os homens a Cristo. Existimos para, na nossa imperfeição, sermos sinal de Cristo. O espantoso é que Cristo Se sujeite a isto! Não há Padre mais santo sem defeitos humanos. E se somos pouco santos, mais se manifestam os nossos defeitos.

Ora, a questão está no modo como nós queremos olhar para os nossos Padres e Bispos (e, já agora, para o nosso Papa). Olhamos com olhos de fé e queremos ver neles um sinal concreto e palpável de Cristo? Ou olhamos com os nossos critérios e gostos próprios e prendemo-nos naquilo que nos agrada, e, mais ainda, no que não nos agrada?

Muito haveria para falar sobre isto, mas, assim, nunca mais acabava. Como resolver isto? Leão XIII deu-nos a resposta: rezando por eles. Se gastássemos tanto tempo a rezar pelos Padres quanto o que gastámos a falar sobre eles (melhor seria em vez de falar), provavelmente teríamos muitos mais Padres santos.

As Orações Leoninas, no fim da Santa Missa, não foram proibidas. Se hoje já não se rezam de forma pública, nada nos impede, a não ser a preguiça e a inércia, de o fazermos de forma privada! Rezemo-las não por um mero gosto pela tradição, mas porque são mesmo necessárias para a santificação do Clero.

Rezemos pelos nossos Padres (não esquecendo os nossos Bispos e Papa). Nós precisamos! O Diabo odeia-nos!

Já agora, acrescento esta belíssima oração de um grande Padre pelos Padres.

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES (Cón. Formigão)

Meu Deus, peço-Vos pelos vossos Padres, por todos os vossos Padres. 
Peço-Vos para eles a santidade. 
Peço-Vos que eles amem profundamente o seu sacrifício e que o vivam com amor. 
Peço-Vos para eles a obediência, o espírito de desprendimento, uma inalterável e límpida castidade, e também a abnegação, a humildade, a doçura, o zelo, a dedicação. 
Peço-Vos que nenhuma alma se aproxime deles sem que fique a amar-Vos mais. 
Peço-Vos, meu Deus, que o vosso Reinado se dilate e se fortifique por meio deles, sobre a terra. 
Prometo-Vos, ó Jesus, imolar-me convosco de todo o meu coração. Amen.

Dominus nos benedicat, et ab omni malo defendat, et ad vitam perducat aeternam. Amen.

Um Padre
Papa Francisco ordena 11 novos Sacerdotes na Basílica de S.Pedro (11-V-2014)


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domingo, 11 de maio de 2014

Conchita: a prova que as "mulheres com barba" cantam melhor?

Conchita, a “mulher com barba” que ganhou o festival da Eurovisão, é o assunto do momento.

A primeira coisa que temos que perceber é que Conchita não é uma mulher com barba, é um homem com barba. E que Conchita não se chama Conchita, chama-se Tom.

Que uma mulher tenha barba não é muito comum, apesar do que dizem das alunas do Técnico, mas um homem de barba é a coisa mais normal do mundo. Estamos por isso perante um homem com barba que se veste de mulher.

Não sei por que faz isso, mas sei que a figura dele causa estranheza porque tenta conciliar o que é diferente por natureza. O homem e a mulher são diferentes e distinguíveis, pelo menos desde a puberdade, o que traz imensas vantagens, especialmente em termos da atracção que nos causa aquela pessoa que foi criada para nos complementar a todos os níveis: físico, psicológico, emocional, etc…

Alguém que quer ser um misto entre homem e mulher está a tentar negar a natureza humana, que não é unissexo (qual cabeleireiro moderno), e que se divide em dois sexos diferentes.

A sociedade europeia caiu num relativismo tal que não sabe o que é um homem e uma mulher, porque os considera meras construções humanas, apenas dois géneros que podem ser mudados por educação ou por vontade da pessoa. 

A prova dessa desorientação é que hoje em dia alguém ganha um concurso de música não por cantar melhor do que os outros, mas por ser "uma mulher com barba”.

João Silveira


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Bispos Fortes na Fé - S. João Paulo II

Hoje, IV Domingo da Páscoa, celebra-se na Igreja Católica o Domingo do Bom Pastor. É por isso que também se diz que este é um Domingo dedicado às vocações. No entanto, nunca é demais lembrar que o Bom Pastor identifica-se quase imediatamente com a figura do Bispo. O prelado de cada diocese é o Bom Pastor dessa diocese.

Quando fez 45 anos que foi ordenado Bispo e 25 anos que foi eleito Sumo Pontífice, pediram ao Papa S. João Paulo II para contar as suas memórias dos seus tempos enquanto Bispo na Polónia. O Santo Padre aceitou e escreveu a autobiografia Levantai-vos! Vamos! em que, além de contar histórias do seu passado, faz uma grande meditação sobre o que é ser Bispo.

O Papa viveu períodos de grande repressão comunista na Polónia, enquanto Bispo. Opondo-se ao regime em vigor de diversos modos, S. João Paulo II conhecia bem a importância de denunciar os erros que dominavam a sociedade em público e que, para isso, era preciso a virtude da fortaleza. O excerto em baixo tem a ver precisamente com esse ponto.

[negritos feitos pelo Senza]

"Fortes na Fé 
Permanecem na minha memória as palavras pronunciadas pelo Cardeal Stefan Wyszynski no dia 11 de Maio de 1946, dia que precedeu a sua consagração episcopal em Jasna Góra: 'Ser bispo tem em si alguma coisa da Cruz por isso a Igreja põe a Cruz no peito do bispo. Na Cruz é preciso morrer para si mesmo; sem isso não há plenitude de sacerdócio. Tomar a Cruz sobre si não é fácil, mesmo que seja de ouro e cravada de pedras preciosas.' Dez anos depois, no dia 16 de Março de 1956, ele disse: 'O bispo tem o dever de agir não apenas por meio da palavra, do serviço litúrgico, mas também mediante a oferta do sofrimento.' A estes pensamentos o Cardeal Wyszynski voltou ainda numa outra ocasião: 'Para um bispo, a falta de fortaleza é o início da derrota. Pode ele continuar a ser apóstolo? Para um apóstolo, de facto, é essencial prestar testemunho à Verdade! E isto exige sempre a fortaleza.' [1]
Também são suas estas palavras: 'A maior falta do apóstolo é o medo. O que desencadeia o medo é a falta de confiança na força do Mestre; é esta que oprime o coração e aperta a garganta. O apóstolo pára então de professar. Permanece apóstolo? Os discípulos que abandonaram o Mestre aumentaram a coragem dos algozes. Quem se cala perante os inimigos de uma causa fortalece-os. O temor do apóstolo é o primeiro aliado dos inimigos da causa. 'Obrigar a calar através do medo,' é o primeiro passo da estratégia dos ímpios. O terror que se utiliza nas ditaduras é baseado no medo dos apóstolos. O silêncio possui a eloquência apostólica apenas quando não vira o rosto a quem nele bate. Assim fez Cristo, calando. Mas com aquele gesto demonstrou a própria fortaleza. Cristo não se deixou atemorizar pelos homens. Saindo ao encontro da multidão disse, com coragem: "Sou eu."' [2] 
Realmente, não se pode voltar as costas à verdade, parar de anunciá-la, escondê-la, mesmo se se trata de uma verdade difícil, cuja revelação traz consigo uma grande dor. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8:32): aí está a nossa tarefa e, ao mesmo tempo, o nosso suporte! Aí não há espaço para cedências nem para um recurso oportunista à diplomacia humana. É preciso dar testemunho da verdade, mesmo à custa de perseguições, até à custa de sangue, como fez o próprio Cristo e como outrora fez também o meu santo predecessor em Cracóvia, o bispo Estanislau de Szczepanów. 
Seguramente teremos de enfrentar provações. Não há nada de extraordinário nisso, faz parte da vida de fé. Umas vezes as provas são leves, outras vezes muito difíceis ou até dramáticas. Na provação podemos sentir-nos sozinhos, mas a graça divina, a graça de uma fé vitoriosa não nos abandona nunca. Por isso podemos confiar que superaremos vitoriosamente cada provação, até a mais dura."

in S. João Paulo II, Levantai-vos! Vamos! - Autobiografia, Publicações Dom Quixote, Junho 2004.

[1] Stefan Wyszynski, Zapiski wiezienne. Paris, 1982, p. 251
[2] Id., p.94


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sábado, 10 de maio de 2014

Frase do dia

“O amor autêntico é certamente bom. Quando amamos somos plenamente humanos. Mas frequentemente crê-se amar quando na realidade se tende a possuir ou a manipular a outra pessoa. Às vezes os demais são tratados como objectos para satisfazer as próprias necessidades. 

Que fácil é ser enganado pelas tantas vozes que na nossa sociedade sustentam um enfoque permissivo da sexualidade sem prestar atenção à modéstia, ao respeito próprio e aos valores morais que conferem qualidade às relações humanas!”

Papa Bento XVI, Jornada Mundial da Juventude de Sidney (2008)


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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A romaria de Maio seguindo os passos de S. Josemaria

Está a começar o mês de Maio. O Senhor quer que não desaproveitemos esta ocasião de crescer no seu amor através da intimidade com a sua Mãe. Que cada dia saibamos ter para com Ela aqueles pormenores filiais - pequenas coisas, atenções delicadas - que se vão tornando grandes realidades de santidade pessoal e de apostolado, quer dizer, empenho constante por contribuir para a salvação que Cristo veio trazer ao mundo.[1]

Na tradição da Igreja em muitos lugares dedica-se o mês de Maio à Virgem Santa Maria. Neste tempo, os cristãos dão um lugar melhor no seu coração à Mãe de Deus, com um amor traduzido em gestos de amor filial a Maria.

S. Josemaria enchia-se de comoção perante as manifestações multitudinárias de amor a Nossa Senhora, mas reconhecia que tinha predilecção pela romaria feita individualmente ou em grupos reduzidos, de duas ou três pessoas. Respeito e estimo essas outras manifestações públicas de piedade, mas, pessoalmente, prefiro tentar oferecer a Maria o mesmo carinho e o mesmo entusiasmo por meio de visitas pessoais, ou em pequenos grupos, com intimidade. [2]

A romaria de Maio é uma visita a Nossa Senhora feita com amor filiar. S. Josemaria rezava os três terços do Rosário: um no caminho de ida; outro, normalmente o terço do dia com a ladainha, no santuário ou diante da imagem de Nossa Senhora que tinha ido visitar, e o terceiro, no caminho de regresso.Em 1935, depois da primeira visita ao Santuário de Sonsoles, em terras de Ávila, o fundador do Opus Dei dispôs que, como sinal de amor a Nossa Senhora, todos os fiéis da Prelatura fizessem anualmente, no mês de Maio, uma romaria a um Santuário ou a um lugar onde se honre uma imagem de Santa Maria. Desde então, esse costume divulgou-se também junto de tantas pessoas que tomaram conhecimento da sua mensagem.

Podem oferecer-se a Nossa Senhora pequenas mortificações pelas necessidades pessoais e da Igreja: fazer a pé pelo menos a última parte do trajecto; aceitar com a alegria as incomodidades do caminho ou a inclemência do tempo; privar-se do que seria normal comer ou beber num passeio, etc. A romaria de Maio tem um marcado espírito apostólico. S. Josemaria alentava a fazê-la em companhia de amigos ou familiares, e aproveitar para sugerir algum passo em frente na vida cristã.

Muitas conversões, muitas decisões de entrega ao serviço de Deus, foram precedidas de um encontro com Maria. Nossa Senhora fomentou os desejos de busca, activou maternalmente a inquietação da alma, fez aspirar a uma transformação, a uma vida nova. E assim, o fazei o que Ele vos disser converteu-se numa realidade de amorosa entrega, na vocação cristã que ilumina desde então toda a nossa vida. [3]

"Uma manifestação particular da maternidade de Maria  em relação aos homens – disse João Paulo II em Fátima – são os lugares, em que Ela se encontra com eles; as casas onde Ela habita; casas onde se sente uma presença toda particular da Mãe. Em todos estes lugares realiza-se de maneira admirável aquele testamento singular do Senhor Crucificado: aí, o homem sente-se entregue e confiado a Maria e vem para estar com Ela, como se está com a própria Mãe. Abre-Lhe o seu coração e fala-Lhe de tudo: “recebe-A em sua casa”, dentro de todos os seus problemas, por vezes difíceis". 
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[1] S. Josemaria, Cristo que passa, 149
[2] Ibid., 139
[3] Ibid., 149.

in opusdei.pt


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Kirsten Dunst ofendeu as mulheres, dizem as feministas

O mundo feminista rasgou as vestes, como nos tem vindo habituando a fazer, porque a actriz Kirsten Dunst ousou fazer esta afirmação numa entrevista:

"Acho que o feminino tem sido um pouco subvalorizado. Todas temos que ter os nossos empregos e ganhar o nosso dinheiro, mas ficar em casa, educando, sendo mãe, cozinhando, é uma coisa valiosa que a minha mãe fez. E às vezes, tu precisas do teu cavaleiro com uma armadura reluzente. Peço desculpa. Precisas que o homem seja homem e que a mulher seja mulher."

As indignações sucederam-se e os insultos também. Dizem que quer mandar as mulheres para a cozinha, que quer voltar ao papel tradicional de homem e mulher, que ofendeu milhões de pessoas com esta frase, etc...

Alguém daqui se sentiu ofendido?

João Silveira


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Procura-se tudo, mas não se procura Deus" - Papa Paulo VI

Hoje os homens têm a tendência de não O procurar. Procura-se tudo, mas não se procura Deus. Aliás, nota-se até o propósito de O excluir, de extirpar o Seu nome e a Sua recordação de todas as manifestações da vida, do pensamento, da ciência, da actividade e da sociedade. 

Tudo deve ser laicizado, não só para dar ao saber e às acções do homem o seu campo próprio, governado pelos seus princípios específicos, mas também para reivindicar a autonomia absoluta do homem, uma suficiência aplacada unicamente com os limites humanos, orgulhosa de uma liberdade que não admite qualquer princípio vinculante e orientador. Procura-se tudo, mas não se procura Deus. Deus morreu, diz-se. Já não nos ocupamos d'Ele. Mas Deus não morreu. Perdemo-l'O. Foram os homens do nosso tempo que O perderam. Mas não valeria a pena procurá-l'O?

Procura-se tudo: as realidades novas e as antigas, as difíceis e as inúteis, as boas e as más, em suma, tudo. Pode-se dizer que a procura define a vida moderna. Então, porque não procuramos Deus? Não é um « Valor » que merece a nossa procura? Não é, talvez, uma realidade que exige um conhecimento melhor do que o puramente nominal de uso corrente? 

Não é melhor do que o conhecimento supersticioso e fantástico de certas formas religiosas, que devemos rejeitar exactamente porque são falsas, ou devemos purificar porque são imperfeitas? Não é melhor do que aquele conhecimento que se julga bastante informado e esquece que Deus é inefável, é mistério, e que o facto de conhecer Deus é para nós motivo de vida, de vida eterna ? (cfr. Jo 17, 3).

Deus não é, porventura, um problema, se assim lhe quisermos chamar, que interessa de perto o nosso pensamento, a nossa consciência e o nosso destino? E se, um dia, fosse inevitável o nosso encontro pessoal com Ele? Ainda mais: e se Ele estivesse escondido, como num interessantíssimo jogo, para nós decisivo, precisamente porque temos que O procurar (cfr. Is 45, 19) ? Ou melhor, ouvi: e se fosse Ele, Deus, o próprio Deus, que estivesse à nossa procura?

Audiêncial Geral, 26 de Agosto de 1970


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Carta de um Diabo ao seu Aprendiz

[Nota introdutória: Esta carta foi transcrita do livro "Vorazmente teu" (The Screwtape Letters), de C.S. Lewis. Trata-se duma troca de correspondência entre o experiente diabo, Escritorpe, e o seu sobrinho Absintox. Lewis dá-nos uma aula de como são as armadilhas e artimanhas e utilizadas pelo diabo para nos confundir]

Querido Absintox,

Espero que a minha última carta te tenha convencido de que a tribulação, o ponto baixo de "aridez" e embotamento que o teu paciente enfrenta no momento, não irá, por si só, dar-te a sua alma, mas sim que é algo que precisa ser devidamente explorado. A seguir discorrerei sobre como explorar essa fase.

Em primeiro lugar, sempre fui da opinião de que os períodos de baixa da ondulação humana nos dão uma excelente oportunidade para todas as tentações de cunho sensual, principalmente as do sexo. Talvez isso seja uma surpresa para ti, porque, afinal de contas, é nas fases de pico que existe mais energia física e, portanto, mais apetite em potencial; mas tens que te lembrar que o poder da resistência também está no seu nível máximo. A saúde e a disposição que queres usar para produzir a luxúria também podem — ai de nós — ser facilmente usadas para a labuta, a diversão, o pensamento ou a alegria inócua. 

O ataque será mais bem-sucedido quando todo o mundo interior de um homem estiver frio, vazio, triste. Também é importante notar que a sexualidade nas fases de baixa difere subtilmente em qualidade da sexualidade nas fases de pico — está bem menos propensa àquele fenómeno insípido que os humanos chamam "apaixonar-se", mais propensa a ser atraída para as perversões e bem menos contaminada por aqueles acrescentos generosos, cheios de imaginação e até mesmo espirituais, que geralmente fazem com que a sexualidade humana seja tão decepcionante.

O mesmo acontece com os outros prazeres da carne. Terás mais probabilidade de tornar o teu homem um legítimo alcoólatra se lhe empurrares a bebida como solução para sua apatia e exaustão do que ao encorajá-lo a usar a bebida como forma de diversão entre amigos quando ele estiver feliz e expansivo. Nunca te esqueças que quando lidamos com qualquer prazer, na sua forma normal e gratificante, estamos, de certo modo, no campo do Inimigo. Eu sei que já ganhámos várias almas através do prazer. Ainda assim, o prazer é invenção d'Ele, não nossa. Ele concebeu os prazeres. A nossa pesquisa, até o momento, não permitiu que produzíssemos nem sequer um deles. 

Tudo o que podemos fazer é encorajar os humanos a abordar os prazeres que o nosso Inimigo criou e usá-los de certas formas, ou em certos momentos, ou em certo grau que Ele tenha proibido. Sempre tentamos, portanto, trabalhar longe das condições naturais de qualquer prazer, e sim naquelas em que ele é menos natural, em que menos sugira seu Criador, e menos gratificante. A fórmula, portanto, resume-se a uma ânsia cada vez maior por um prazer cada vez menor. É mais seguro e é mais elegante. Possuir a alma de um homem e não lhe dar nada em troca — é isso o que realmente alegra o coração do nosso pai. E as fases de baixa são a época em que devemos dar início a esse processo.

Mas existe um método ainda melhor para explorar os momentos de baixa, que é através dos próprios pensamentos do paciente sobre eles. Como sempre, o primeiro passo é afastá-lo do conhecimento. Não o deixes sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixa-o pensar que seria natural que o entusiasmo inicial da sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu actual estado de aridez é um estado igualmente permanente. Uma vez que essa crença errada estiver bem arraigada dentro dele, poderás avançar de diversas maneiras. 

Tudo dependerá do seu homem ser do tipo fácil de desencorajar, aquele que pode ser tentado a cair em desespero, ou de ser do tipo adepto do auto-engano, aquele que pode ser levado a acreditar que está tudo bem. É cada vez mais raro o primeiro tipo entre os humanos. Se o teu paciente for desse tipo, tudo será mais fácil. Deverás apenas afastá-lo da influência dos Cristãos mais experientes (o que é fácil de conseguir nos dias de hoje), voltar s sua atenção para as passagens apropriadas nas Escrituras e guiá-lo para que fique totalmente determinado a recobrar os seus sentimentos anteriores através da pura força de vontade. Se fizeres isso, ele será nosso. 

Se ele for do tipo mais esperançoso, o teu trabalho consistirá em fazê-lo resignar-se à actual frieza de sua alma e gradualmente contentar-se com ela, tentando convencer-se de que, afinal de contas, ela não está tão fria assim. Dentro de uma ou duas semanas, ele ficará em dúvida se os primeiros dias do seu Cristianismo não foram talvez um tanto exagerados. Converse com ele sobre "moderação em todas as coisas". Se conseguires fazê-lo chegar ao ponto de pensar que "a religião é benéfica só até certa medida", poderás então soltar fogos de artifício, pois a alma dele estará prestes a ser tua. Uma religião moderada é tão proveitosa para nós quanto religião nenhuma - e ainda mais divertida.

Existe também a possibilidade de atacar a sua fé directamente. Quando conseguires fazê-lo imaginar que o período de baixa é permanente, será que não poderias também persuadi-lo que a "sua fase religiosa" irá acabar, como todas as suas fases anteriores? É claro que não existe um modo concebível de ir, através da lógica, da afirmação "Estou gradualmente a perder o interesse por este assunto" até a afirmação "Tudo isso é falso". Mas, como eu disse anteriormente, deves contar com o jargão, não com a razão. A simples palavra "fase" certamente fará magia. 

Suponho que a criatura já tenha passado por várias fases antes — todos eles passam — e que se sinta superior a todas as fases más das quais conseguiu sair; não porque as tenha realmente avaliado, mas apenas porque estão no passado. (Imagino que o alimentes sempre com ideias nebulosas sobre Progresso, Desenvolvimento e o Ponto de Vista Histórico, e que lhe dás muitas biografias modernas para ler, não é? Nesses livros, todas as pessoas estão sempre a sair de fases, não é mesmo?)

Percebeste a ideia? Distrai a atenção dele da simples antítese entre Verdadeiro e Falso. Põe na sua mente algumas expressões bem vagas - "foi só uma fase", "já passei por isso" — e nunca se esqueça desta bendita palavra: "adolescente".

Afectuosamente, o teu tio,

Escritorpe


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Frase do dia

"Cada um, no próprio papel e âmbito, sinta-se chamado a amar e servir a vida, a acolhê-la, respeitá-la e promovê-la, sobretudo quando é frágil e necessitada de atenções e curas, desde o seio materno até ao seu fim nesta Terra."

Papa Francisco, Angelus no dia 2 de Fevereiro de 2014


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quarta-feira, 7 de maio de 2014

"Não me largues, não me deixes" - S. Josemaria Escrivá

Eu vou continuando a minha oração em voz alta e vós, cada um de vós, por dentro, está confessando ao Senhor: Senhor, que pouco valho! Que cobarde tenho sido tantas vezes! Quantos erros! Nesta ocasião e naquela... nisto e naquilo... 


E podemos exclamar também: ainda bem, Senhor, que me tens sustentado com a tua mão, porque eu sinto-me capaz de todas as infâmias... Não me largues, não me deixes; trata-me sempre como um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me, como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo!

Cristo que passa, 15


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De modelo e actriz para freira

Olalla Oliveros era uma conhecida modelo espanhola, que vivia em Madrid, por razões profissionais, mas nascida em Vigo. Com formação em dança e teatro era também uma presença comum em séries televisivas e tinha acabado de receber o papel mais importante da sua carreira, numa série com actores de primeiro plano.

Mas não era esse o papel que Deus queria que Olalla desempenhasse na sua vida e começou a chamá-la em Fátima. Depois de três dias aí passados só conseguia pensar:

“Quem me dá esta força? Quem me dá esta paz?, perguntava a mim própria. Deus foi-me dando a força, as luzes. Não me saia da cabeça ser freira. Ria-me. Dizia: Oh Senhor, como me podes pedir isto?! E tanto ria como chorava. Assim passei toda a viagem de autocarro, de noite.”

Já de regresso a casa:

“Fui à Missa, confessei-me, falei com o sacerdote. E quando tentava falar com Jesus não conseguia, porque me dava vontade de rir. Era tanta a alegria que a única coisa que conseguia fazer era rir. Estava a perceber que era feliz, que o Senhor me pedia aquilo.”

No dia 1 de Maio de 2010 entrou na Ordem e Mandato de São Miguel Arcanjo, uma associação pública de fiéis, com leigos e consagrados que vivem em comunidade.

Das revistas e televisões passou para uma rotina onde reza de manhã e à tarde ajuda doentes, jovens e velhinhos. 

Eis como Olalla descreve a mudança radical na sua vida:

“O Senhor não se engana. Fez-me um casting e não pude dizer que não”




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terça-feira, 6 de maio de 2014

Comunismo, socialismo e Cristianismo: Um destes não encaixa - Parte 2

Esta é a segunda parte de um artigo escrito pelo Pe. Guarnizo. O Pe. Guarnizo é um sacerdote americano que se voluntariou para trabalhar ao serviço do Arcebispo de Moscovo por mais de 20 anos em Moscovo, na Rússia. Não há muitas pessoas mais que conheçam melhor que o Pe. Guarnizo o problema do comunismo e do socialismo.
A primeira parte do artigo pode ser encontrada aqui.

A táctica de Gramsci: Hegemonia Cultural
A revolução socialista no Ocidente tem sido grandemente influenciada pelas tácticas do comunista italiano Antonio Gramsci. Escrevendo nos anos 30, Gramsci reconheceu que a cultura do Ocidente, e em particular a Igreja Católica, mantinham-se como obstáculos ao domínio comunista económico e político na Europa. Gramsci propôs que um domínio das instituições culturais - a obtenção da hegemonia cultural - era um primeiro passo necessário para o eventual domínio das estruturas políticas e económicas de uma sociedade livre.
Esta estratégia significava que os socialistas deviam trabalhar sem descanso em dominar as universidades e a educação, os media, as igrejas e outras estruturas culturais do mundo livre. Ele achava que a erosão das fundações culturais iria enfraquecer as defesas naturais de uma sociedade livre e isso iria abrir o caminho para os objectivos económicos e políticos da revolução socialista.
Eu diria que a "hegemonia cultural" da revolução socialista está a aumentar no Ocidente a um passo alarmante. A crescente perda de terreno da nossa cultura para o socialismo e seus aliados está a criar uma ameaça crescente às nossas liberdades políticas e sociais das democracias americana e ocidental.
Assim, parece-me que a batalha entre o mundo livre e a revolução socialista está longe de estar acabada. Os erros do comunismo são uma legião e o Ocidente não devia adormecer, porque a batalha está longe de acabar.
Os Erros do Comunismo
       1.   O Erro relacionado com a Natureza do Homem
O comunismo não começa com um erro económico, mas com um erro antropológico. Os efeitos económicos e políticos do sistema comunista não são senão um sintoma de um erro anterior, um erro sobre a natureza do homem.
O político, economista e escritor francês do século XIX, Frédéric Bastiat, explica claramente as coisas. O socialismo, disse Bastiat, vê o homem apenas como matéria prima para ser deitada fora, para ser moldada pelo estado que "tudo sabe." No seu livro, The Fatal Conceit: The Errors of Socialism, o economista Friedrich von Hayek lançou um ataque semelhante contra os socialista e o seu "estado omnisciente." Hayek demonstrou a impotência do socialista para governar uma economia.
O homem é só matéria: esta visão materialista do homem é o primeiro erro, e o mais profundo, da revolução socialista. A visão materialista do homem é o que justifica a insistência dos comunistas de que podem fazer com legitimidade o que quer que seja para atingirem a sua utopia. Temos que ser transformados pelo estado, à sua imagem e semelhança.
Esta visão materialista despreza portanto a verdadeira dignidade do homem e a verdadeira natureza da pessoa humana - a racionalidade e livre arbítrio. As ordens sociais  e "artificiais", inventadas pelos socialistas, estão completamente vazias de um conhecimento próprio do homem e do tipo de ser que ele é.
Escreve Bastiat que eles "... começam com uma ideia de que a sociedade é contrária à natureza; maquinam artifícios aos quais a humanidade se tem que se sujeitar; perdem de vista o facto de que a humanidade tem a sua força motora dentro de si mesma; consideram os homens como tendo uma base de matéria prima; propõem dar-lhes movimento e vontade, sentimento e vida; põem-se a si mesmos de parte, incomensuravelmente acima da raça humana - estas são as práticas normais dos estrategas socialistas. Os planos diferem; os estrategas são todos iguais."
O socialismo e o comunismo são fundamentalmente contrários ao Cristianismo porque nenhum cristão pode defender que o homem é meramente matéria. O materialismo é o exacto oposto da afirmação filosófica e teológica mais básica do Cristianismo, nomeadamente que o homem é corpo e espírito.
Whittaker Chambers identificou a essência do revolucionário radical, do comunista, do socialista, do progressista radical, numa palavra chave: mudança. Escreve Chambers, "O coração revolucionário do Comunismo ... é uma simples frase de Karl Marx ... é necessário mudar o mundo ... O nó que os liga pelas fronteiras das nações, pelas barreiras da linguagem e das diferenças de classe e educação, no desafio à religião, à moral, à verdade, ao direito, à honra, na fraqueza do corpo e nas irresoluções da mente mesmo até à morte, é a simples convicção: é necessário mudar o mundo."
       2.   O Erro relacionado com a relação do Homem com o Estado
O primeiro erro fundamental leva ao segundo erro fatal: o Socialismo preverte a relação própria entre o homem e o estado.
Se o homem é apenas matéria que precisa de ser moldada e transformada sob a vontade do estado (engenharia social), então o homem está inteiramente subserviente ao estado. Nesta visão, o homem nasce para servir o estado desde o berço até à sepultura. A doutrina social Católica defende precisamente a visão oposta: o estado existe para servir o homem.
       3.   O Erro relacionado com a Propriedade Privada
O Comunismo, mesmo para um leitor amador da sua doutrina, considera a propriedade privada um grande mal na sociedade. Visto que é essa a teoria, desapropriar milhões de pessoas das suas terras e matar mais outros milhões não contados, por simplesmente terem mais que os outros, tem sido prática comum nos regimes comunistas.
A Igreja Católica sempre disse que ter propriedade privada é um grande bem para a sociedade e sempre defendeu o direito do homem à propriedade privada como um bem fundamental e compatível com a natureza, a liberdade e a dignidade do homem. A Igreja também reconhece a propriedade privada como um direito absolutamente necessário para a ordem e funcionamento próprios de sociedades livres. O respeito pelos direitos da propriedade privada do próximo é doutrina Judaico-Cristã fundacional. A abolição da propriedade privada no comunismo viola o grande mandamento, "Não roubarás."
O desrespeito pelos direitos da propriedade privada continua nos nossos dias. Em 2008, a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ficou com 29 mil milhões de dólares das reformas privadas de trabalhadores argentinos, para usar naquilo que o London Telegraph chamou de "financimento kitty" para os seus esquemas socialistas. O Wall Street Journal caracterizou a acção de Kirchner como "abrir uma fenda no porquinho mealheiro do sistema privado de pensões da nação." Não roubarás, Kristina.
A cultura de inveja, alimentada pela luta de classses, viola ainda outro mandamento, o 10º, "Não cobiçarás os bens do próximo". Criar a cobiça e a vontade de desapropriar aqueles que têm mais é fundamentalmente anti-Cristão.
       4.   O Erro relacionado com a função do Governo
O comunismo e o socialismo prevertem a função própria do governo. Se o homem é apenas uma peça de matéria inerte e está completamente subserviente ao estado, então claramente é incapaz pela sua ingenuidade, empreendedorismo, capacidades e esforços, com os seus próprios falhanços e sucessos, de criar qualquer coisa de valor na sociedade. Assim o estado, em vez de proteger a estrutura em que o homem e as associações podem florescer, tem que se tornar num engenheiro social, para mudar o homem e moldá-lo aos seus ideais utópicos. O estado prossegue em criar artificialmente as condições particulares e as relações necessárias pela ideologia para atingir os objectivos utópicos da igualdade e felicidade para todos. Mas o papel próprio do estado não é fazer-nos felizes de acordo com os seus projectos distorcidos.
Visto que isto não se atinge facilmente, dado que o homem é livre e procura a felicidade de acordo com o que pensa, é necessário muita coerção. Isto inclui não só a coerção do Exército Vermelho, mas uma coerção em procedimentos, uma coerção por penalidades e impostos, pelo uso dos poderes governamentais para forçar os que não contribuem a contribuir. Tudo isto é completamente incompatível com o Cristianismo e uma sociedade livre.
       5.   O Erro relacionado com a função da Lei
O comunismo e o socialismo prevertem a função da lei. A regra da lei sob os comunistas e os seus amigos internacionais já não é um sistema útil no qual o homem pode agir livremente para obter os seus fins e objectivos.  Já não é uma luz para a mente, um trabalho da razão designado para ajudar a ordem política e a vida social, proibindo as coisas que vão contra uma sociedade livre e justa. Para o comunista, a lei torna-se num mero instrumento de coerção para submeter e forçar os cidadãos a alinhar na visão distorcida de quem manda na sociedade.
Bastiat dizia-o desta maneira: "Os socialista desejam praticar uma pilhagem legal... querem fazer da lei a sua nova arma."
       6.   O Erro relacionado com a Caridade Cristã
O comunismo e o socialismo atacam a caridade Cristã.
A revolução socialista depende da tão famosa luta de classes. Esta luta artificial, nas suas muitas formas - donos dos meios de produção vs. trabalhadores, ricos vs. pobres, proprietários das terras vs. agricultores -, é o motor que move a sociedade em direcção aos objectivos do socialismo, em direcção a uma sociedade equalitária. O princípio da luta de classes é claramenete e completamente contrário ao Cristianismo.
A luta de classes, luta de raças, luta de géneros, luta de gerações - e todas as outras novas rúbricas para dividir os cidadãos uns contra os outros - são intrinsecamente contrárias ao Evangelho Cristão. Os socialistas usam-nas para destruir as fundações da civilização Ocidental. As estratégias socialistas tentam atiçar as chamas do ódio, da discórdia e do ressentimento na sociedade. Tentam criar uma "cultura de inveja" e de desconfiança. A inveja, a "virtude" socialista, é considerada um pecado capital na doutrina da Igreja. O socialismo, com a sua luta de classes, não podia ser mais incompatível com o ensinamento da Igreja de que a caridade e a justiça são as grandes forças de ligação em sociedade.
       7.   Erros relacionados com a Família e as Instituições Sociais
O comunismo e o socialismo são inimigos da família e daquelas organizações que funcionam como estruturas intermediárias entre o estado e o indivíduo na sociedade. Qualquer pessoa que tenha experimentado o comunismo não precisa da explicação de um assunto tão óbvio. Os comunistas separavam sem hesitação as crianças das suas famílias, doutrinavam-nas sem misericórdia e faziam a sua escolha de negócio ou de trabalho de tal modo que era sempre um burocrata comunista a decidir. Eles honravam e recompensavam crianças que denunciassem os seus pais de se estarem a desviar da doutrina e dos ditados do partido. Esta é uma intrusão ilegítima nos direitos dos pais. A doutrina social Católica sempre disse que os pais, e não o estado, são os principais educadores dos filhos.
A Igreja defende o princípio da subsidiaridade, que ensina que as estruturas intermediárias entre o estado e os cidadãos têm que poder desenvolver livremente as suas funções próprias na sociedade. Estas associações são como um buffer natural entre o estado e o indivíduo. O princípio da subsidiaridade protege as associações, a família e o indivíduo contra aqueles que queiram promover um governo ilimitado e a sua ânsia de poder.
O ataque actual dos Serviços de Saúde da Administração Obama contra as instituições de saúde Católicas não deviam surpreender ninguém. O estado socialista tem que eliminar os seus adversários mais fortes para obter maior controlo. O estado, ao controlar o sector da saúde, um sexto da economia americana, procura destituir a Igreja Católica e as suas instituições mediadoras. O estado está a recorrer a uma violência processual para forçá-los a obedecer ou a renunciar ao seu direito de servir os pobres e os doentes. Obedeçam ou desapareçam do caminho. Lá se foi a preocupação por cuidar dos pobres.
Pe. Marcel Guarnizo (continua numa terceira parte)


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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Catequese da Guarda-Suiça sobre a Trindade




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Duas lésbicas separam-se e disputam as filhas geradas pela "fertilização". Juízes: "É verdadeiramente triste."

Em Inglaterra, duas mulheres, cujo os nomes não podem ser revelados, estão a disputar em tribunal duas meninas. A primeira mulher é a mãe genética, a segunda é quem gerou no seu ventre as crianças. Quem é a verdadeira mãe? O problema explodiu quando as duas mulheres, que tinham uma relação amorosa, se deixaram uma à outra.

FECUNDAÇÃO ASSISTIDA. As mulheres estavam juntas desde os anos 90. Depois de uma delas tentar repetidas vezes ter um filho, a outra deu-lhe os seus óvulos em 2008, que foram usados para conceber duas gémeas, com o sémen de um doador anónimo, através de fecundação assistida. Quando em 2012 as mulheres se separaram definitivamente a discussão sobre quem seria realmente a progenitora das crianças, que hoje têm cinco anos, explodiu até chegar às salas dos tribunais.

MÃE GESTANTE E MÃE GENÉTICA. Helen Black, juíza do tribunal de Portsmouth, em Agosto passado estabeleceu que só amãe gestante tinha direito à custódia das gémeas: de facto, secundo o Human Fertilisation and Embryology Act de 2008, amãe genética não tem direito ao status legal de progenitor. Mas a mulher recorreu a Londres e em 27 de Março três juízes decidiram que a sentença devia regressar ao tribunal de Portsmouth para ser revista.

A SEPARAÇÃO. Segundo um juiz da Comarca "não foram tidas em conta considerações e todos os factores relevantes". Durante os primeiríssimos anos de vida das gémeas as duas mulheres já tinham abandonado a sua "relação amorosa", mas continuaram a viver juntas: a mãe genética fazia o trabalho doméstico e a outra trabalhava fora. Mas a convivência "tornou-se cada vez mais tensa" a partir de 2011 e, em 2012, as mulheres separaram-se. Hoje, a mulher que gerou as crianças vive com outra mulher em união de facto, e a mãe genética gerou um filho seu com alguns do óvulos que tinham sobrado da doação anterior.

MALDADE, EGOÍSMO, VINÇANGA.  A mãe genética lamentou-se no tribunal pela antiga companheira e disse que ela "está a procurar tirar-me da vida das gémeas". A outra responde: "Esta causa é devida só à malícia, ao seu egoísmo e ao seu desejo de vingança. O interesse das crianças não é a sua prioridade". Em Agosto, durante a audiência, no final, a mãe gestante das pequenas concordou com a mãe genética promover "contactos substanciais" com as gémeas, visto que "no passado esteve muito tempo com elas".

Mas o juiz de Portsmouth responsável pela decisão deu a custódia só à mãe gestante porque a mulher que deu os óvulos "não é a progenitora das crianças e o seu status não devia ser elevado ao de progenitor". O juiz estava ainda de pé atrás com a mãe genética, depois desta "ter proposto a um jornal contar a sua história". Segundo o tribunal da Comarca de Londres "as razões da juiz Helen Black são débeis e trémulas" e, assim, o caso deve voltar atrás.

"INFÂNCIA ENVENENADA". Um caso complexo como este permanece como pedaço da triste verdade que surge na anotação dos juízes londrinos: "Apreciamos que ambas as partes pensam ser motivadas apenas pelo interesse das meninas, mas a infância dura pouco e é verdadeiramente triste ver que a delas está a voar para longe, enquanto as energias dos adultos são empenhadas para discutir entre si. Sobretudo é injusto que uma infância assim influencie, como é provável que aconteça, a vida adulta destas crianças."

Leone Grotti in tempi.it

(Nota de tradução: o itálico usado nas expressões "mãe gestante" e "mãe genética" tem que ver com o facto de o tradutor deste texto não considerar a existência de tais realidades a não ser para efeitos de discurso, na ausência de melhor e mais evidente expressão.) 



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domingo, 4 de maio de 2014

Na Missa com o Cardeal Burke, em Roma

O blog Senza esteve em Roma nos dias da Canonização dos Santos João XXIII e João Paulo II. No meio das nossas muitas aventuras, entrámos por acaso numa igreja - a Igreja de Santa Ana, dentro dos muros do Vaticano - e deparámo-nos com Sua Eminência o Cardeal Burke a celebrar a Santa Missa.

Quem é que estava a assistir? O rapazinho americano de 15 anos que ia ser crismado, a sua família mais chegada (poucas pessoas) e uma série de turistas que não conseguiram resistir à beleza da liturgia.

A Missa foi celebrada na Forma Ordinária do Rito Romano, em Latim e com canto gregoriano. É impressionante como basta simplesmente seguir o Missal para que a Liturgia da Missa, desejada e desenhada pela Santa Igreja, ajude muito os fiéis a aproximarem-se daquilo que é a verdade sobre Missa - o Céu na terra.


A homilia, proclamada em inglês (americano), foi muito interessante. Depois de referir que o poder dos Bispos para crismar vem directamente dos primeiros Apóstolos, a quem o próprio Jesus deu este poder, o Cardeal Burke explicou qual o próximo passo da vida deste rapazinho americano de 15 anos, que também se pode aplicar a cada um de nós.

Basicamente, uma vez recebido o Crisma, o que este rapazinho devia fazer era suplicar insistentemente a Deus para que Ele lhe mostrasse qual a sua vocação. Depois era fácil: bastava ser dócil e generoso ao que Deus pedisse, quer isso fosse o matrimónio, o celibato no meio do mundo, a vida consagrada (religiosa) ou o sacerdócio. É interessante notar a distinção que o Senhor Cardeal fez entre as vocações do celibato no meio do mundo e a da vida consagrada, algo que poucas pessoas parecem conhecer nos dias de hoje.

Mais ainda, nesse mesmo dia o Cardeal tinha já dito que a vocação era uma outra maneira de falar no nosso caminho de salvação. Ou seja, a forma que Deus tem para nos levar para o Céu não é mais que o cumprimento da nossa vocação!


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Ensinar na catequese quem pode comungar


in Baltimore Catechism (tradução SenzaPagare)


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sábado, 3 de maio de 2014

A limpeza e a santidade - G. K. Chesterton

De todos os sinais de modernidade que se parecem traduzir em algum tipo de decadência, nenhum é mais ameaçador e perigoso do que a exaltação de normas de conduta pequenas e secundárias, à custa das grandes e primárias, à custa dos laços eternos e da trágica moralidade humana. Desse modo, costuma considerar-se mais injurioso acusar um homem de mau gosto do que de má ética. 

Hoje em dia, já não se associa a limpeza à santidade, visto que a limpeza se converteu em algo essencial, ao passo que a santidade se converteu em algo ofensivo.


O grande perigo para a nossa sociedade está em que todo o seu mecanismo se possa tornar cada vez mais fixo, à medida que o espírito se torna mais inconstante.

Os pequenos actos de um homem deveriam ser livres, flexíveis, criativos; o que deveria permanecer inalterado são os seus princípios, os seus ideais.

Mas connosco o contrário é que é a verdade: os nossos pontos de vista alteram-se constantemente, mas o nosso almoço permanece inalterado.



in Tremendas trivialidades (1909)


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Frase do dia

“Mesmo que alguém, por ignorância, se aproxime da Comunhão, impedi-o, não temais. Teme Deus e não o homem. Se de facto temes o homem, este mesmo escarnecerá de ti; se, pelo contrário, temes a Deus, serás respeitado, mesmo pelos homens. Estarei disposto a morrer, antes que dar o sangue do Senhor a uma pessoa indigna; derramaria o meu sangue, antes que dar o venerado Sangue do Senhor de um modo inadequado.”

São João Crisóstomo


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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Textos sobre a questão dos católicos divorciados e recasados

São João Paulo II, Papa

Santa Missa no encerramento da V Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (25 de Outubro de 1980)

Exortação Apostólica Familiaris Consortio, 84 (22 de Novembro de 1981)

Discursos

À XIII Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família (24 de Janeiro de 1997)

Papa Bento XVI

Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, 29
Sobre a Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja (22 de Fevereiro de 2007)

Colóquio com os sacerdotes

Com o clero da diocese de Aosta (25 de Julho de 2005)

Com os sacerdotes da diocese de Albano (31 de Agosto de 2006)

Com o clero das dioceses de Belluno-Feltre e Treviso (24 de Julho de 2007)

Outros textos

Celebração da Hora Média no VII Encontro das Famílias (Milão, 2 de Junho de 2012)

Homilia da Celebração Eucarística no VII Encontro das Famílias (Milão, 3 de Junho de 2012)

Congregação para a Doutrina da Fé

Carta aos bispos da Igreja católica a respeito da recepção da comunhão eucarística por fiéis divorciados novamente casados
Annus Internationalis Familiae (14 de Setembro de 1994)

Conselho Pontifício para os Textos Legislativos

Declaração sobre o cân. 915 do Código de Direito Canónico
Sobre a admissibilidade da sagrada comunhão dos divorciados que voltaram a casar (24 de Junho de 2000)

Sínodo dos Bispos 2012

Mensagem final da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (26 de Outubro de 2012)

Artigo de S.E. Mons. Gerhard L. Müller

Um testemunho sobre o poder da Graça
Acerca da indissolubilidade do matrimônio e do debate sobre os divorciados recasados e os sacramentos (L'Osservatore Romano, 23 de Outubro de 2013)


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quinta-feira, 1 de maio de 2014

A santidade do Papa João Paulo II descrita por quem viveu com ele durante 20 anos

Ontem estive numa conferência com um grande senhor chamado Joaquín Navarro-Valls, que acompanhou o Papa João Paulo II durante 20 anos, como Director da Sala de Imprensa da Santa Sé.


Contou-nos os 3 segredos da Santidade do Papa:

- Oração profunda e grande presença de Deus

O Papa levava os seus convidados a passar 2 minutos antes e depois do jantar à sua capela para rezar. Um dia, estava apenas com Navarro-Valls a conversar, passaram pela capela e o Papa ajoelhou-se para rezar. Passaram 2 minutos, 5, 10, 15 e passado um bocado o Papa virou-se para trás e disse-lhe: Peço imensa desculpa, esqueci-me que estava aí. 

O Papa também lhe disse que o melhor momento do seu dia era quando celebrava a Santa Missa.

- Trabalho

João Paulo II tinha muito trabalho e muitas coisas para resolver, tudo vai parar à secretaria do Papa. No entanto nunca ninguém o viu com pressa, trabalhava muito mas sem stress, e tratava uma coisa de cada vez, com concentração total no que estava a fazer. Navarro-Valls disse que mesmo quando estavam fora do Vaticano o Papa levava duas malas de viagem cheias de coisas para resolver, e só se deitava quando acabava o que tinha para fazer.

- Bom-humor

Quando o Papa já estava velhinho e doente, enquanto andava muito curvado, um bispo disse-lhe: Santidade, vejo que está em óptima forma. O Papa respondeu: Excelência, acha que não vejo na televisão como estou arruinado?

O Papa tirava sempre menos de duas semanas de férias por ano porque não queria faltar a duas Audiências das Quartas-Feiras. Uma vez, nesses dias passados na montanha a passear em ambiente descontraído, Navarro-Valls pergunta ao Papa: Santo Padre, sabe o que é o estatuto do trabalhador? O Papa responde: Não sei, diga-me lá. Explicou Navarro-Valls: Bem, aqui em Itália, todos os trabalhadores têm direito a um mês de férias por ano com salário, o Santo Padre também deveria estar incluído. O Papa João Paulo II faz um ar pensativo e diz: Que pena! Que pena, é que, sabe, eu vivo no Vaticano e não em Itália.

João Silveira


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