quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Como começou a comunhão na mão - D. Athanasius Schneider

Nas primeiras comunidades luteranas, recebia-se a Comunhão na boca e de joelhos, uma vez que Lutero não negava a presença real. Pelo contrário, Zwingli, Calvino e os seus sucessores, que negavam a presença real, introduziram, ainda no século XVI, a comunhão na mão e de pé: “Estar de pé e movendo-se, para receber a Comunhão, era hábito”. 

Uma prática semelhante observava-se na comunidade de Calvino em Genebra: “Era hábito mover-se e estar de pé, para receber a Comunhão. A gente estava de pé diante da mesa e recebia as espécies com as suas próprias mãos”. Alguns sínodos da Igreja calvinista da Holanda, nos séculos XVI a XVII, estabeleceram formais proibições de receber a Comunhão de joelhos: “Nos primeiros tempos, a gente ajoelhava-se durante a oração e recebia a Comunhão ainda ajoelhada, mas alguns sínodos proibiram-no, para evitar toda a hipótese de que o pão pudesse ser venerado”.

D. Athanasius Schneider in Dominus Est

Nota - Este livro encontra-se disponível de forma gratuita aqui: Dominus Est (É o Senhor)


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3 comentários:

Anónimo disse...

SIM, IRMÃOS EM CRISTO ! "AO NOME DE JESUS, TODO JOELHO SE DOBRARÁ....E TODA LÍNGUA PROCLAMARÁ QUE JESUS CRISTO É O SENHOR ! QUEM DERA, MEUS IRMÃOS, QUE TODO O CLERO RESPEITASSE VERDADEIRAMENTE A PRESENÇA DO SENHOR NA EUCARISTIA ! PAZ AOS CORAÇÕES !

Anónimo disse...

Pergunto, por mero exercício de curiosidade, se na génese da instituição da eucaristia, a Ultima Ceia, os presentes levantaram-se da mesa, fizeram fila e um a um receberam o Pão e o Vinho de joelhos, na boca, directamente da mão de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Ou o Pão terá sido passado e cada um se serviu? Ou foi um momento tão informal quanto solene pois os formalismos nada importam perante tamanha substância divina?

É que me parece que se fala muito de que é preciso ir ao encontro da tradição mas nunca se vai de facto à origem. A quem souber responder, de forma isenta, factual e sem ser tendencioso, agradeço.

Pedro Froes disse...

Caro Anónimo,

Na Última Ceia todos os presentes eram bispos ordenados pelo próprio Senhor. Como tal, podiam, como nos ensina S. Tomás de Aquino, tomar as sagradas espécies na mão para comungar. Ainda assim, a tradição judaica diz-nos que o primeiro pão seria dado pela pessoa mais importante na ceia a todos os convidados. Assim, até podemos acreditar que Nosso Senhor deu o pão na boca dos Apóstolos.

No entanto, e mesmo que tenham recebido a Sagrada Comunhão nas mãos, isso não quer dizer que seja bem fazê-lo hoje. O Papa Pio XII ensina-nos na sua encíclica Mediator Dei: «É absolutamente necessário, porém, que em tudo isso vigieis atentamente a fim de que, no campo do Senhor, não se introduza o inimigo para semear a cizânia no meio do trigo, para que, em outras palavras, não se infiltrem no vosso rebanho os perniciosos e sutis erros de um falso "misticismo" e de um nocivo "quietismo" – erros por nós já condenados como sabeis – e para que as almas não sejam seduzidas por um perigoso "humanismo", nem se introduza uma falsa doutrina que altera a própria noção da fé, nem, enfim, um excessivo "arqueologismo" em matéria litúrgica.»
Este arqueologismo de que fala o Papa, é precisamente aquilo que o anónimo sugere com voltar à origem, algo completamente contrário à Tradição. Esta Tradição não é mais que observar sem ruptura aquilo que a Igreja organicamente desenvolveu ao longo dos séculos.

Ora, desde cedo que a Igreja percebeu o perigo e o problema de receber a Sagrada Comunhão na mão. Como tal, veio a proibí-lo, para maior glória de Deus e salvação das almas. A maneira como ela foi introduzida nada tem que ver (ao contrário do que se gosta de afirmar) com a prática testemunhada por S. Cirilo. Como bem explica D. Athanasius Schneider, supracitado, a prática actual é na verdade protestante. Foi introduzida por meio de abusos na Igreja durante os loucos anos 60. A carta que a permite excepcionalmente desencoraja-a, na verdade.

Não será mais seguro fazer como ensina a Tradição da Igreja e receber o Próprio Senhor de joelhos e na boca, com a maior das reverências físicas, para acompanhar a espiritual?