terça-feira, 5 de maio de 2026

São Pio V contra a Sodomia

Esse horrendo crime, pelo qual cidades corruptas e obscenas foram queimadas pela condenação divina, nos enche de amarga dor e nos estimula veementemente a reprimi-lo com o máximo zelo possível.

Com toda razão o Quinto Concílio de Latrão estabelece que todo membro do clero apanhado na prática do vício contra a natureza, pelo qual a cólera de Deus caiu sobre os filhos da iniquidade, seja despojado das ordens clericais ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro.

Para que o contágio de tão grande flagelo não se propague com maior audácia valendo-se da impunidade, que é o maior incentivo ao pecado, e para punir mais severamente os sacerdotes culpados desse nefando crime que não estejam aterrorizados com a morte da alma, determinamos que eles sejam entregues à severidade da autoridade civil, que faz cumprir a lei.

Portanto, desejando adoptar com maior rigor o que decretamos desde o início de nosso pontificado, estabelecemos que todo sacerdote ou membro do clero, seja secular ou regular, de qualquer grau ou dignidade, que cometa esse horrendo crime, por força da presente lei seja privado de qualquer privilégio clerical, de qualquer ofício, dignidade e benefício eclesiástico; e que, uma vez degradado pelo juiz eclesiástico, seja entregue imediatamente à autoridade civil para receber a mesma punição que a lei reserva aos leigos que se lançaram nesse abismo.

Papa Pio V in 'Horrendum Illud Scelus' (30/VIII/1568)

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Comédias no Vaticano

“Em Cristo já somos um só, em virtude do Baptismo”.  Sendo assim, reverendíssima “Arcebispa” considerada, surrealisticamente, primaz da Comunidade Anglicana, embora nenhum dos seus ministérios seja (validamente) sacramental, não só pela sua condição feminina, mas também em virtude da ausência da sucessão Apostólica, a que se deveu reunirmo-nos nessa ecuménica comédia circense porque “anunciamos o mesmo Cristo”, independentemente das diferenças, que presumindo exprimir de um modo único e exemplar uma fantasiosa união singular, num imaginário dualismo, de um único Cristo, encarnado varão e mulher com a pretensão demoníaca delirante de sedutoramente persuadir uma existência real de uma identidade mono-alteridade crística deduzindo uma falsíssima compenetração complementar desmentida pala Revelação que afirma claramente a inimizade e incompatibilidade radical entre Cristo e o Anticristo.
 
Mas, uma vez que são um só, pelo Baptismo, vossa reverendíssima advoga alucinatoriamente que essa igualdade baptismal permite ou admite um cristo favorável e incentivador do aborto provocado, das autodenomidadas uniões corporalmente afecto-efectivas do mesmo sexo, e muitas outras coisas malignas. 

A Igreja Católica, isto é, a Religião Verdadeira, impelida pelas Palavras de Cristo, Seus milagres, curas de enfermos, exorcismos, ensinamentos, enfim, toda a Sua vida, morte, ressurreição e ascensão aos céus, não se atreve a corromper nem contrariar a Sua Revelação Salvífica e salutar. 

De modo que também parece extremamente excessivo dar uma falsa bênção com a cooperação de um bispo (Cardeal?) que, inclinando a cabeça devotamente, se persignou.

Padre Nuno Serras Pereira

domingo, 3 de maio de 2026

1700 anos da Invenção da Santa Cruz

3 de Maio, Festa da Invenção da Santa Cruz. Há exactamente 1700 anos, Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, depois de ter tido um sonho profético, foi de propósito a Jerusalém para descobrir a cruz onde Nosso Senhor tinha sido crucificado e encontra-a.

Como tivessem dúvidas de entre 3 cruzes qual seria a verdadeira, colocaram uma pessoa moribunda em contacto com cada uma delas e ficou curada de um momento para o outro quando esta cruz lhe tocou. Isto aconteceu no dia 3 de Maio do ano 326.

Santa Helena levou a cruz para a Roma, de onde saíram depois milhares de relíquias que estão hoje espalhadas pelo Mundo. Levou também os cravos e a placa que dizia INRI. Grande parte destas preciosas relíquias encontram-se na igreja de 'Santa Cruz em Jerusalém' (em Roma, perto da Basílica de São João de Latrão).

Ave Crux, Spes Unica!

(Pintura: Gandolfi Ubaldo, 1775 - Catedral de Vercelli)

sábado, 2 de maio de 2026

Santo Atanásio: "Eles possuem os templos, vós a tradição da Fé apostólica"

No tempo da heresia ariana, Santo Atanásio de Alexandria, bispo, Padre da Igreja famoso por lutar quase sozinho contra esta heresia espalhada pelo mundo, escreveu uma carta aos católicos fiéis que perduravam, consolando-os.

Que Deus vos console. Sei ainda que não apenas vos entristece o meu exílio, mas também o facto de que enquanto eles [os arianos] obtiveram as igrejas através da violência, nesse entretanto vós fostes expulsos de vossos lugares. Eles então possuem os templos; vós, em troca, a tradição da Fé apostólica. É bem verdade que eles estão nas igrejas, mas fora da verdadeira Fé; enquanto vós estais fora dos edifícios, sem dúvida, mas a Fé está dentro de vós. Consideremos o que é maior, o edifício ou a Fé? Claramente a Fé verdadeira. Quem então perdeu mais, ou quem possui mais? Aquele que detém o edifício ou aquele que detém a Fé? Sem dúvida o edifício é bom, se a Fé Apostólica é pregada lá. Ele é santo se o Santo habita lá.

Porém, benditos são aqueles que pela fé estão na Igreja, habitam sobre os fundamentos da Fé e têm plena satisfação. Mesmo o grau mais elevado da fé, que entre vós permanece inabalável. Porque ela vos chegou da Tradição Apostólica, e frequentemente a execrável inveja desejou destruí-la, mas não foi capaz. Pelo contrário, eles é que se alijaram [da Fé] ao tentar destruí-la. Por isso é que foi escrito: "Vós sois o Filho do Deus vivo", Pedro confessou isso por revelação do Pai, e ouviu, "Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus."

Portanto, ninguém jamais prevalecerá contra a vossa Fé, meus queridíssimos irmãos. Porque se algum dia Deus vos devolver as igrejas (e pensamos que Ele o fará) ainda sem essa restauração das igrejas a Fé vos basta. E, falando sem as Escrituras, devo falar com muita veemência, é bom trazê-los para o testemunho das Escrituras, lembrem-se de que o Templo sem dúvida estava em Jerusalém; o Templo não estava deserto, forasteiros o invadiram, daí também o Templo estando em Jerusalém, aqueles exilados desceram para a Babilónia por decisão de Deus, que os provava, ou melhor, corrigia; enquanto lhes manifestava, em sua ignorância, punição [através] de inimigos sanguinários. 

E os forasteiros sem dúvida tinham a posse do Templo, mas não conheciam o senhor do Templo, ao passo que Ele não respondeu nem falou; eles foram abandonados pela verdade. E precisamente uma Fé tão viva supre para vós, por agora, a falta dos templos. Que proveito, então, tiraram eles do Templo?

Pois vejam que aqueles que detêm o Templo são acusados pelos que amam a Deus de torná-lo um covil de ladrões, e de transformar loucamente o Lugar Santo numa casa de comércio e numa casa de negócios judiciais para si mesmos, a quem era ilegal adentrá-lo. São essas coisas e outras piores ainda que ouvirmos daqueles que vieram de lá, caríssimos. Entretanto, realmente, eles crêem possuir a igreja, mas estão fora dela. E eles julgam-se na verdade, mas estão exilados e cativos e não obtêm vantagem da igreja. Porque a verdade das coisas é julgada…

Carta de Santo Atanásio aos fiéis perseguidos pelos arianos (356 d.C.)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Sagrada Comunhão foi dada a cães

Três indivíduos partilharam porções das suas Hóstias consagradas com os seus cães durante uma Eucaristia no dia 4 de Outubro de 2025, na Paróquia do Bom Pastor, em Zurique, Suíça.
O sacrilégio ocorreu durante uma bênção de animais que havia sido combinada com uma Eucaristia.
A Diocese de Chur investigou o incidente e concluiu a 17 de Abril que os indivíduos não actuaram com intenção sacrílega.
Apesar de não ter aplicado quaisquer penas canónicas, a diocese descreveu o incidente como «altamente lamentável».
in gloria.tv

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Jovens Argentinos queixam-se ao Bispo pela actuação do DJ Padre Guilherme

Excelência Reverendíssima:

Ante os factos públicos do passado 18 de Abril na Praça de Maio, por ocasião do aniversário do falecimento do Papa Francisco, por cuja alma oramos, decidimos exprimir-nos nesta carta com toda a sinceridade (CIC 212 § 2 e 3).

Como jovens católicos, dirigimo-nos a Vossa Excelência a fim de manifestar a nossa repulsa a um espectáculo tão desonroso como o ocorrido, pois deixou-nos gravemente escandalizados. Como se isso não bastasse, o facto de o nosso bispo julgar este acto vergonhoso como “espectáculo sério” para “chegar à juventude” deixa-nos dolorosamente perplexos. Lamentamos profundamente que se subestime desta maneira a juventude, que se creia que aquilo que nos “chega” são as festas rave com música e um ambiente que propicia o desenfreio, o consumo de substâncias e o descuido pelos lugares públicos. 

Tampouco nos atraem os sacerdotes que procuram adaptar-se aos critérios do mundo, nem a banalização da nossa fé, pela qual tantos mártires derramaram e continuam a derramar o seu sangue. Procurando velar pela honra da dignidade episcopal, pela honra da fé e pelo bem das almas, perante este grave escândalo e grandíssima confusão, queremos aproveitar a ocasião para exprimir aquilo que sim nos “chega” e que pedimos publicamente aos nossos pastores: 

Que nos transmitam integralmente a doutrina da Igreja, pois é um direito dos fiéis recebê-la sem recortes (CIC 747-755). Estamos fartos de que nos digam que “o Inferno não existe ou está vazio”, que “Deus aceita cada um como é”, que “isso dizia a Igreja antes”. 

Que abandonem os critérios politicamente correctos. Queremos que nos preguem com clareza a necessidade de viver a pureza. Como é possível que não se diga forte e claro que as relações sexuais pre-matrimoniais são pecado e, em vez disso, até se justifiquem sob um falso conceito de “amor”? Como é possível que se nos diga que «a masturbação não é pecado»? (sexto mandamento da lei de Deus, Catecismo 2352-2353). 

Que não nos comuniquem uma mensagem confusa sobre a homossexualidade. Pedimos declarações que não deixem lugar a dúvidas: “os actos homossexuais são intrinsecamente desordenados” (Catecismo 2357). Como é possível que, de um organismo sob a responsabilidade de Mons. Colombo, actual presidente da CEA, se tenha aderido à marcha LGBT de 1/2/2025? Como é possível que se omita a necessidade de conversão e até se justifiquem os casais do mesmo sexo? 

Que nos ensinem explicitamente que fora da Igreja Católica não há salvação (Lumen Gentium 14). Enche-nos de dor e indignação ouvir sacerdotes dizer que todas as religiões conduzem a Deus, desafiando a Cristo que ensina categoricamente o contrário: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,6).
 
Que ponham fim aos abusos litúrgicos. Queremos que a Santa Missa seja celebrada de maneira solene, digna e reverente, livre de aplausos, guitarras, danças e/ou canções dos anos 70. 

Horroriza-nos a Eucaristia distribuída como se fosse uma bolacha e os maus-tratos a quem deseja comungar de joelhos. A Missa não é uma atracção nem pode estar sujeita às ocorrências do celebrante: é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz (CIC 846 §1, 214). 

Que nos ensinem que, para receber a Cristo na sagrada comunhão, devemos encontrar-nos em estado de graça (cf. 1 Cor 11,27; CIC 915; Catecismo 1415). É um sacrilégio que clama ao Céu dar a comunhão a pessoas que vivem em concubinato ou que, após divorciarem-se, convivem maritalmente com quem não é o seu cônjuge. Do mesmo modo, causa espanto que se admita ao sacramento personalidades públicas que abertamente obram contra a doutrina e a moral da Igreja. 

Que se nos pregue o perigo dos três inimigos da alma: o demónio, o mundo e a carne. Que não nos ocultem que existe um combate espiritual do qual depende o nosso destino eterno (cf. Ef 6,11-12; 1 Pe 5,8; 1 Jo 2,15-16; Ga 5,17). 

Que se nos exorte às obras de misericórdia, a velar pelos mais necessitados sem se dobrarem às agendas do mundo. Para nos preocuparmos com o próximo não precisamos de "namoriscar" com ideologias nem venerar sacerdotes vindos do terceiro mundo.

Basta-nos ser católicos e que se nos exorte a viver a caridade cristã como o pediu o Papa Leão XIII, de quem toma nome o actual Pontífice, no ponto 41 da Rerum Novarum. Estamos conscientes de que há muitos jovens afastados da Igreja, a quem talvez choquem estes oito pontos. Nós somos os primeiros a viver essa situação lacerante.

Não se os atrai dando-lhes aquilo que já têm porque, “se o sal perder o seu sabor, com que será salgado?” (Mt 5,13). Não se atraem os que estão afastados recortando a verdade precisamente porque, como diz o mesmo Evangelho, tendo o sal perdido o sabor, não serve senão para ser pisado pelos homens. Recortar a verdade faz com que não tomem a sério a nossa religião e faz com que ignorem aquilo para que se os quer atrair. 

O que sim “chega” é a radicalidade cristã que Jesus nos pede: a renúncia ao próprio eu e a aceitação amorosa e valente da cruz (cf. Mt 16,24). Não crê Vossa Excelência que, se a juventude não se sente atraída, é por aquilo de Jo 10,5: “Mas a um mercenário não seguirão, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos”? Não crê que, se as ovelhas se dispersam e não entram no redil, é pela intrusão de salteadores, ladrões, mercenários e assalariados (cf. Jo 10, 8-12) que se apascentam a si mesmos, deixando o rebanho à mercê das feras (cf. Ez 34, 1-10)? 

A unidade do rebanho e a busca da ovelha perdida só podem dar-se na caridade, e a caridade só pode dar-se na verdade. A unidade não é o ajuntamento, o ajuntamento da quantidade: é o seguimento da voz do Bom Pastor.

Suplicamos a Vossa Excelência, e a todos os bispos e presbíteros que tenham recebido esta mensagem, que procurem com todas as forças remediar esta grande tragédia. Cumpram a missão para a qual foram consagrados: pregar a verdade, celebrar dignamente os sacramentos e conduzir-nos à santidade. 

Queremos que se nos convide ao heroísmo e que se nos recorde que a graça divina torna possível o impossível (cf. Lc 18,27). Queremos que se nos exorte à imitação de Cristo, à perfeição (cf. Mt 5,48), e não que se bendiga a nossa maneira errada de viver. Queremos ser sal da terra e luz do mundo para a glória do Pai Celestial. Esse é o “barulho” que, em todo o caso, queremos fazer.

Atentamente em Cristo.
Ezequiel Gorrosttietta,
em nome dos 'Jóvenes Católicos Argentinos'.

domingo, 26 de abril de 2026

"Arcebispa" recebida no Vaticano

Esta senhora não é Arcebispo da Cantuária (Canterbury). Em primeiro lugar porque um Bispo tem de ser um homem. Em segundo porque a Igreja Católica não reconhece como válidas as sagrações episcopais nem as ordenações sacerdotais anglicanas.

Uma leiga que se faz passar por Bispo não pode ser recebida no Vaticano com as honras que seriam dadas a um legítimo Sucessor dos Apóstolos, em comunhão com a Santa Sé. Nem pode dar bênçãos, como tentou fazer na Capela Clementina, com o Arcebispo católico a benzer-se. Isto é apostasia.

São Tomás Moro, rezai por nós.

sábado, 25 de abril de 2026

Ladainhas Maiores a 25 de Abril

A Igreja romana conta ainda hoje quatro dias de Rogações: as Ladainhas maiores - a 25 de Abril (procissão de São Marcos) - e as Ladainhas menores, nos três dias que precedem a Ascensão (as Rogações). São dias que a Igreja consagra à prece constante, a fim de implorar a misericórdia de Deus em todas as necessidades temporais e espirituais e particularmente para obter a bênção sobre os frutos da terra.

Na antiga Igreja esses dias de orações eram muitas vezes prescritos. Ora eram regulares e se celebravam anualmente, ora eram extraordinários e prescritos em necessidades particulares como por exemplo para afastar a peste. As Ladainhas maiores datam da época que precedeu a S. Gregório I (cerca do ano 600). Este Papa fixou a sua data em 25 de Abril, dia em que, segundo a tradição, S. Pedro chegara pela primeira vez a Roma. Ele instituiu a igreja de S. Pedro como a igreja da estação desse dia litúrgico.

A Roma pagã celebrava nesse dia a “robigália”, procissão em honra de um deus pagão. As Ladainhas substituíram estas festas. A festa de S. Marcos não tem relação com as Ladainhas maiores e só foi marcada, muito depois, para 25 de Abril. A procissão realiza-se por isso neste dia, mesmo quando a festa de S. Marcos é transferida para outro dia.

A cerimónia consiste na procissão das Ladainhas e o ofício da estação que se segue. Na procissão temos um último vestígio das procissões de estação de que os Cristãos de outrora gostavam tanto e que faziam quase quotidianamente durante a Quaresma e a semana de Páscoa. Eles reuniam-se numa igreja chamada igreja da reunião (ecclesia collecta) de onde vem o nome da oração camada Colecta. Dali dirigiam-se em procissão com o Bispo e o clero para uma outra igreja. Durante caminho os fiéis recitavam as ladainhas dos Santos com o Kyrie eleison. A segunda igreja chamava-se igreja da estação (statio). Nela se celebrava-se a Santa Missa.

Os quatro dias das Ladainhas conservaram esse uso venerando que nos é tão caro. Realmente não devemos apenas com perseverança mas também rezar juntos. A essa oração perseverante e em comum, Cristo prometeu a força e o sucesso. Na procissão cantam-se as antigas Ladainhas dos Santos nas quais imploramos para todas as nossas necessidades a intercessão de toda a Igreja triunfante. As Orações finais das Ladainhas são belíssimas e muito edificantes.

Dom Pius Parsch in 'Testemunhas do Cristo' (1951)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Santíssimo Milagre de Santarém

No ano de 1247, vivia em Santarém uma pobre mulher, a quem o marido muito ofendia, andando desencaminhado com outra. Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa judia que, com os seus feitiços, desse fim à sua sorte.

Prometeu-lhe esta remédio eficaz, para o que necessitava uma Hóstia Consagrada. Depois de naturais hesitações, consentiu no sacrilégio a pobre mulher; foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu Comunhão. Recebida a Sagrada Partícula, com suma cautela a tirou da boca, embrulhando-a no véu. Saiu prestes, da Igreja, e encaminhou-se para a casa da feiticeira. Mas, então, sem que ela o notasse, do véu começou a escorrer Sangue, que, visto por várias pessoas, as levou a perguntar à infeliz que ferimentos tinha que tanto sangue jorravam. Confusa em extremo, corre logo para casa, e encerra a Hóstia Miraculosa numa das suas arcas.

Passou o dia, entretanto, e, à tarde, voltou o marido. Alta noite, acordam os dois, e vêem a casa toda resplandecente. Da arca saíam misteriosos raios de luz. Inteirado o homem do acto pecaminoso da mulher, de joelhos, passaram o resto da noite, em adoração.

Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhado o sucedido, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o Milagre. A Sagrada Partícula foi então levada, processionalmente, para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro de uma espécie de custódia feita de cera. Mas, passado tempo, ao abrir-se o Sacrário para expor à adoração dos fiéis o Santo Milagre, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços, e, com espanto, se viu estar a Sagrada Partícula encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida.

Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada onde ainda hoje se encontra. No ano de 1997, por decisão do 1º Bispo de Santarém, D. António Francisco, a Igreja de Santo Estêvão foi elevada a Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém.

in santissimomilagredesantarem.pt

domingo, 19 de abril de 2026

Devemos beijar as mãos dos sacerdotes? São Francisco diz que sim

São Francisco de Assis queria que se demonstrasse um grande respeito pelas mãos do sacerdote, porque lhe foi conferido o poder divino de consagrar o Santíssimo Sacramento. Dizia bastante vezes: 

"Se me cruzasse, ao mesmo tempo, com um santo vindo do Céu e um pobre sacerdote cumprimentaria em primeiro lugar o sacerdote e correria a beijar-lhe as mãos. E diria: Espera São Lourenço porque as mãos deste sacerdote tocam o Verbo da vida e possuem um poder sobre-humano!"

Antonio Maria Sicari in 'Il grande libro dei ritratti di Santi'

sábado, 18 de abril de 2026

Como rezar o Regina Caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.


Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

"Todos os Bispos Holandeses estão de acordo com o Rito Romano Tradicional"

O Bispo Auxiliar Robert Mutsaerts, da diocese de ’s-Hertogenbosch, nos Países Baixos, falou com o LifeSiteNews.com sobre o colapso da Fé, a frequência na Missa e as vocações nos Países Baixos, bem como a lufada de ar fresco do Rito Romano. Pontos principais:

- Na sua cidade natal de Tilburg (população de 180.000 habitantes), no final da década de 1950 e início da de 1960, 97% das pessoas eram católicas e 96% frequentavam a Missa dominical.

- Depois do Concílio Vaticano II, os Países Baixos passaram de melhor aluno da turma a aluno mais rebelde, que queria reformar a Igreja Universal. Nessa altura, a taxa de confissão desceu de cerca de 90% para menos de 10% em um ou dois anos.

- Perdemos a nossa identidade católica porque queríamos ser tão agradáveis à sociedade secular. Isto é semelhante ao que está a acontecer agora na Alemanha com o Caminho Sinodal. São discutidos os mesmos temas e as mesmas opiniões. Não leva a nada… apenas ao colapso da Igreja.

- Quem fala de Deus, do Céu, do Inferno, do arrependimento e das outras coisas essenciais?

- No que diz respeito à Missa Tradicional, todos os bispos holandeses estão de acordo e são a favor dela.

- Os jovens sentem-se atraídos pelo Rito Antigo e vão a esse rito.

- Em Amesterdão, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro atrai grande número de jovens e de jovens famílias.

- Eu nunca celebrei a Missa Antiga porque não sei celebrar, mas sei que é bela. Como Bispo, assisti apenas uma vez a uma celebração, na Catholic Identity Conference, em Pittsburgh [2025].

in gloria.tv

quinta-feira, 16 de abril de 2026

99 anos do Papa Bento

O Papa Bento XVI faria hoje 99 anos de vida. Rezemos pela sua alma.

A dada altura do seu pontificado (2008/2009), por conselho de um santo Bispo, o Papa passou a distribuir exclusivamente a Sagrada Comunhão de joelhos e na boca. Quem queria comungar das mãos do Papa Bento era assim que iria receber Jesus sacramentado. E assim deve ser sempre.

terça-feira, 14 de abril de 2026

O notável diálogo de São Justino antes de ser martirizado

Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: «Primeiramente, manifesta a tua fé nos deuses e obedece aos imperadores». Justino respondeu: «Não podemos ser acusados nem presos por obedecer aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador».

Rústico perguntou: «Que doutrinas professas?». Justino disse: «Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos, embora ela não agrade àqueles que vivem no erro».

O prefeito Rústico inquiriu: «Que verdade é essa?». Justino explicou: «Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único criador, desde o princípio, e artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis; e adoramos o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de quem foi anunciado pelos Profetas que viria ao género humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias, que previamente anunciaram Aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os Profetas que vaticinaram a sua vinda para o meio dos homens».

Rústico perguntou: «Portanto, tu és cristão?». Justino confirmou: «Sim, sou cristão».

O prefeito disse a Justino: «Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado estás convencido de que subirás ao Céu?». Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservada a recompensa de Deus até ao fim dos séculos».

O prefeito Rústico perguntou: «Então, tu supões que hás-de subir ao Céu, para receber algum prémio em retribuição?». Justino disse: «Não suponho, sei-o com toda a certeza».

O prefeito Rústico retorquiu: «Bem, deixemos isso e vamos à questão de que se trata, à qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses». Justino respondeu-lhe: «Não há ninguém que, sem perder a razão, abandone a piedade para cair na impiedade».

O prefeito Rústico continuou: «Se não fizerdes o que vos é mandado, sereis torturados sem compaixão». Justino disse: «Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofremos por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento garante-nos a salvação e dá-nos confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu».

E os outros mártires disseram o mesmo: «Faz o que quiseres; porque nós somos cristãos e não sacrificamos aos ídolos».

O prefeito Rústico pronunciou então a sentença, dizendo: «Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer à ordem do imperador, sejam flagelados e conduzidos ao suplício, segundo as leis, para sofrerem a pena capital». Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o lugar do costume; e ali foram decapitados e consumaram o seu martírio, dando testemunho da fé no Salvador.

Das Actas do martírio de São Justino e dos seus companheiros, Cap. 1-5: cf. PG 6, 1566-1571 (Séc. II)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Santo Hermenegildo, Rei e Mártir

Hermenegildo era filho de Leovigildo, rei dos Visigodos em Espanha, e de Teodósia, a primeira esposa daquele rei. Depois da morte da esposa, o rei visigodo casou-se com Goswinda, viúva do seu irmão Atanagildo e mãe de Brunehaut, mulher de Sigeberto, rei da Austrásia. Foi com uma filha de Sigeberto e de Brunehaut que Hermenegildo se casou.

A esposa do futuro Mártir chamava-se Ingonda e era Católica. Ora, Goswinda, ariana, nutria grande ódio pelos Católicos, e começou a perseguir a nora. No princípio usou de carinhos, doces palavras, procurando induzir Ingonda a receber o baptismo no Arianismo. Ingonda, corajosa e determinadamente, recusou-se, e passou a receber da sogra os piores tratamentos.

Leovigildo, um dia, para pôr termo às discussões entre a mulher e a nora, resolveu enviar Hermenegildo e a jovem esposa para Sevilha. Ingonda, desde então, procurou, por todos os meios, encaminhar o marido para a Fé Católica. Pôs-se a catequizá-lo, e Hermenegildo, assim que se inteirou das Verdades que a boa esposa lhe expunha, a tudo vendo com muita clareza, deixou os erros que abraçara desde que nascera e se fez Católico.

Leovigildo, quando soube da conversão do filho, procurou, enraivecido, matá-lo. E o príncipe, para se defender, aliou-se ao imperador de Bizâncio, que ia atacar a Espanha.  

Um dia, Hermenegildo recebeu mensageiros do pai, que lhe disseram:

- Ide procurar o vosso pai, que vós ambos tendes coisas em comum a discutir.

Hermenegildo respondeu-lhes:

- Não irei. Meu pai é meu inimigo, porque sou Católico.

Leovigildo, diante daquela resposta, marchou contra o filho, que, chamando os gregos em seu auxílio, avançou contra o pai. Quando, porém, as forças do Santo deram com o Exército do rei visigodo, debandaram, abandonando-o, e Hermenegildo, sem nenhuma esperança, refugiou-se numa igreja das vizinhanças. E ali, orando a Deus, disse:

- Que meu pai não me venha atacar, porque é um ímpio crime que um pai seja morto por um filho e um filho pelo pai.

Leovigildo, acampado a pouca distância, tratou de lhe enviar um deputado. E assim, logo mais, Recaredo, irmão do jovem príncipe, discorria sobre a boa acolhida que o pai lhe desejava fazer. E acrescentou:

- Vamos, ajoelhe-se aos pés do nosso pai, e ele tudo perdoará.

Diante disto, Hermenegildo foi ao encontro do velho rei, que, ao recebê-lo, abraçou-o com fingido carinho. Pouco depois, era preso. O Santo, conduzido a Sevilha, foi posto numa estreita prisão. E ali, desejoso do Céu, rogava a Deus que lhe desse forças para perseverar até ao fim. E as cadeias que carregava, levava-as com grande resignação, com imensa doçura, como se fora um cilício.

Hermenegildo, firme na Fé, foi morto na própria prisão, a mandado do perverso pai, na noite de 13 de Abril de 586. E os milagres não faltaram para manifestar a glória do rei Mártir.

O pai, herético e parricida, reconheceu, arrependido, a Verdade da Fé Católica, mas, temeroso da Nação, não teve coragem de abraçá-la [o fim dos tíbios é conhecido: serão vomitados por Deus]. E Recaredo, morto Leovigildo, não seguiu o exemplo do pai, mas sim o do irmão Mártir: converteu-se, tornando-se um bom Católico.

Sob as instâncias do rei Filipe II, o Papa Sisto V autorizou-lhe o culto em toda a Espanha, e Urbano VIII estendeu o culto a toda a Igreja.

Santo Hermenegildo é o padroeiro de Sevilha.

Padre Rohrbacher in 'Livro Vida dos Santos' (Volume VI, p. 325-327)

sábado, 11 de abril de 2026

A Páscoa das três Encíclicas

O título «A Páscoa das três encíclicas» pretende recordar três importantes documentos emanados pelo Papa Pio XI a poucos dias de distância uns dos outros, em Março de 1937. Três Encíclicas que se dirigiam a todos os católicos do mundo e que conservam ainda hoje a sua actualidade.
Pio XI, octogenário e convalescente depois de uma longa doença que o tinha imobilizado durante meses, enfrentava três graves desafios postos à Igreja pelas ideologias anticristãs do seu tempo: o neopaganismo da Alemanha hitleriana, com a Mit brennender Sorge; o comunismo da Rússia soviética, com a Divini Redemptoris; o anticristianismo do México laicista e maçónico, com a Firmissimam constantiam. A saída destas três encíclicas no espaço de duas semanas foi um facto único na história da Igreja.
A primeira encíclica, a Mit brennender Sorge, estava datada do Domingo da Paixão, 14 de Março de 1937. Pio XI afirmava: «Se é verdade que a raça ou o povo, se o Estado ou uma sua determinada forma, se os representantes do poder estatal ou outros elementos fundamentais da sociedade humana têm na ordem natural um lugar essencial e digno de respeito; todavia quem os destaca desta escala de valores terrenos, elevando-os a suprema norma de tudo, mesmo dos valores religiosos, e os diviniza com culto idolátrico, perverte e falsifica a ordem criada e imposta por Deus, está longe da verdadeira fé em Deus e de uma concepção da vida conforme a ela. (…)
Sobre a fé em Deus genuína e pura se funda a moralidade do género humano. Todas as tentativas de destacar a doutrina da ordem moral da base granítica da fé, para a reconstruir sobre a areia movediça de normas humanas, levam, cedo ou tarde, indivíduos e nações ao decaimento moral. O insensato que diz no seu coração: “não há Deus”, encaminhar-se-á para a corrupção moral. E estes insensatos, que presumem separar a moral da religião, tornaram-se hoje legião».
A segunda encíclica, a Divini Redemptoris, foi publicada a 19 de Março de 1937, festa de S. José, padroeiro da Igreja e dos trabalhadores cristãos. Denunciando o comunismo mundial e ateu que da Rússia se difundia pelo mundo, Pio XI dizia: «Pela primeira vez na história estamos a assistir a uma luta friamente querida e cuidadosamente preparada do homem contra “tudo aquilo que é divino” (…)
Procurai, Veneráveis Irmãos, que os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em nenhum campo a colaboração com ele da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã. E se alguns iludidos cooperassem para a vitória do comunismo no seu país, cairão os primeiros como vítimas do seu erro, e quanto mais as regiões onde o comunismo consegue penetrar se distinguem pela antiguidade e grandeza da sua civilização cristã, tanto mais devastador aí se manifestará o ódio dos “sem Deus”».
Pio XI lançava um «apelo a quantos creem em Deus»: «Mas a esta luta travada pelo “poder das trevas” contra a própria ideia da Divindade, é-nos grato esperar que, além de todos quantos se gloriam do nome de Cristo, se oponham também validamente quantos (e são a grande maioria da humanidade) creem ainda em Deus e O adoram. Renovamos portanto o apelo que já lançámos há cinco anos na Nossa Encíclica Caritate Christi a fim de que eles também lealmente e cordialmente concorram da sua parte “para afastar da humanidade o grande perigo que ameaça todos”.
Pois – como então dizíamos – visto que “o crer em Deus é o fundamento inabalável de toda a ordem social e de toda a responsabilidade sobre a terra, por isso todos quantos não querem a anarquia e o terror devem energicamente esforçar-se para que os inimigos da religião não alcancem o fim por eles tão abertamente proclamado”».
O Papa acrescentava: «Onde o comunismo pôde afirmar-se e dominar – e aqui pensamos com singular afecto paternal nos povos da Rússia e do México –, aí se esforçou por todos os meios de destruir (e proclama-o abertamente) desde as suas bases a civilização e a religião cristã, extinguindo no coração dos homens, especialmente da juventude, toda a recordação. Bispos e sacerdotes foram banidos, condenados aos trabalhos forçados, fuzilados e mortos de maneira desumana; simples leigos, por terem defendido a religião, foram suspeitados, vexados, perseguidos e arrastados para as prisões e perante os tribunais».
Precisamente ao México era dedicada a terceira encíclica, Firmissimam constantiam, emanada no dia de Páscoa, 28 de Março de 1937. Nela o Papa afirmava que «quando as mais elementares liberdades religiosas e civis são atacadas, os cidadãos católicos não se resignem logo a renunciar a elas». Caso os poderes constituídos «se insurgissem contra a justiça e a verdade ao ponto de destruir os próprios fundamentos da autoridade, não se veria como dever condenar aqueles cidadãos que se unissem para defender com meios lícitos e adequados a si mesmos e a Nação, contra quem se serve do poder público para a arruinar».
Pio XI não convidava à rendição, mas recordava aos católicos mexicanos que tivessem «aquela visão sobrenatural da vida, aquela educação religiosa e moral e aquele zelo ardente pela dilatação do Reino de Cristo que a Acção Católica se propõe dar. Perante uma feliz coligação de consciências que não entendem renunciar à liberdade reivindicada por Cristo (Gal. 4, 31) qual poder ou força humana poderia subjugá-las ao pecado? Quais perigos, quais perseguições, quais provas poderiam separar almas assim temperadas da caridade de Cristo? (cf. Rm 8, 35)».
Os cristeros mexicanos tinham empunhado as armas em nome de Cristo Rei. Pio XI, dirigindo-se aos católicos mexicanos, recordava a sua encíclica Quas primas de 11 de Dezembro de 1925 na qual proclamava Cristo Rei do universo. Uma verdade que se opunha às ideologias anticristãs que, à vigília da Segunda Guerra Mundial, ameaçavam o mundo. Mas também nas horas mais sombrias a virtude da esperança alimenta a fé dos cristãos.
Assim, na Divini Redemptoris, Pio XI afirmava: «Com os olhos voltados para o alto, a nossa fé vê os “novos céus” e a “nova terra”, de que fala o nosso primeiro Antecessor, São Pedro (II Petr. III, 13). Enquanto as promessas dos falsos profetas nesta terra se extinguem no sangue e nas lágrimas, resplandece de beleza celestial a grande profecia apocalíptica do Redentor do mundo: Eis que Eu faço novas todas as coisas (Apoc. 21, 5)».
Roberto de Mattei in 'Corrispondenza Romana'