quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Pensamentos sobre o Canto Gregoriano


Deixem-me começar com uma história biográfica.

Em 2010, a Joy e eu levámos as nossas cinco crianças à Missa em Latim. Eu já tinha ido à Missa em Latim algumas vezes. A Joy ainda só tinha ido uma vez, penso eu. As nossas crianças nunca a tinha visto.

Deixem-me contar-vos uma coisa. Eles portaram-se tão bem na Santa Missa daquela manhã. Quero dizer, absolutamente excelentes. Pareciam aqueles meninos bonitos representados no Baltimore Catechism. Assim tão bom. Estávamos entusiasmados pela liturgia rigorosa, a homilia, a música gloriosa... e com o comportamento dos nossos filhos naquele Domingo de manhã. O que se tinha passado?

Eu não tenho a certeza, mas penso que tinha a ver com a música. Claro que os nossos filhos viram os acólitos e isso significava que havia negócio. (Já agora, os nossos filhos quiseram ser acólitos desde que viram aqueles acólitos-Marines da Missa em Latim.) Eles viram e cheiraram o incenso. Ouviram os sinos. Eles já tinham visto isto ocasionalmente em algumas Missa Novus Ordo, mas aqui na Missa em Latim tudo estava tão bem empacotado. O efeito completo projectava santidade. Mais importante, a música não eram as cançõezinhas dos anos 70 cantadas por uma senhora no microfone. O coro estava na parte de trás da igreja, sem microfones, e os cânticos flutuavam sobre a liturgia como o incenso a pairar no ar.

O canto Gregoriano, como o Vaticano II ensinou, é essencial ao Rito Romano. É a banda sonora oficial do Santo Sacrifício da Missa. Só se pode dançar a valsa propriamente se a música for uma valsa. Uma valsa, então, tem o seu próprio género de música. O Santo Sacrifício também tem a sua música própria.

O canto Gregoriano é uma música diferente de qualquer outra. Como Martin Mosebach escreveu, "O canto Gregoriano não é arte musical. Existe para ser cantado em todas as igrejas das aldeias e em todas as igrejas suburbanas, apesar do facto de que algum é difícil e requer  prática - e as pessoas praticavam-no de facto, ouvindo-o todos os Domingos das suas vidas.

O quê? O cântico soa estranho? Precisamente. Este é precisamento o ponto. Mosebach outra vez: "O que os bispos esqueceram foi que esta música soou estranho mesmo aos ouvidos de Carlos Magno e de Tomás de Aquino, Monteverdi e Haydn: era pelo menos tão distinto da sua vida contemporânea como é da nossa."

O cântico da Igreja é trascendental. Esse é o ponto. Porque é que alguns Jesuítas pensaram que podiam substituir o cântico com músicas que soam a números rejeitados de musicais da broadway? E porque é que as paróquias começaram a comprar esta "música" litúrgica? A maior parte das paróquias Católicas têm música terrível. Ainda assim existe uma solução óbvia, simples (e barata) para o problema.

Eis o texto do Vaticano 2 da Sacrosanctum Concilium:
116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
Não se excluem todos os outros géneros de música sacra, mormente a polifonia, na celebração dos Ofícios divinos, desde que estejam em harmonia com o espírito da acção litúrgica, segundo o estatuído no art. 30.
Uma pessoa pode dizer, mas o Concílio não obriga canto Gregoriano exclusivo. Têm razão, tem uma excepção... para a polifonia. Por isso se optarem além do canto, não se virem para os Jesuítas de St. Louis, abracem Palestrina em vez disso.
A vossa paróquia Novus Ordo não dá ao canto Gregoriano o primeiro lugar entre os outros? Se não dá, não estão a ser fiéis ao Concílio. Isto pode irritar alguns mornos, mas eu não vejo volta a dar. O canto é judaico e tem uma tradição de 2000 anos na Igreja fundada pela Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Se são anti-canto Gregoriano, também são anti-Tradição... e anti-Vaticano II.

Temos que concordar com Platão que a música é muito importante na formação das almas. Eu acredito que é essencial para os meus filhos crecerem a ouvir um certo tipo de música na Santa Missa - a música aprovada pelo magistério. Por amor aos vossos filhos e à sua formação, vão a uma paróquia com música litúrgica que é dignum et justum.

São Gregório Magno, rogai por nós.
Santa Cecília, rogai por nós. by Taylor Marshall


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Frase do dia

"Quando te custar fazer um favor, prestar um serviço a uma pessoa, pensa que é filha de Deus; lembra-te de que o Senhor nos mandou amar-nos uns aos outros." 

S. Josemaria Escrivá


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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"Também vós dareis testemunho" (Jo 15, 27)




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Senza, o voto útil!

É verdade, todos gostamos muito do blog SENZA e por isso mesmo vamos votar 'nele' UMA VEZ POR DIA até ao próximo Sábado, na categoria "Religião e Espiritualidade": http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-2a-fase/


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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Frase do dia

"O ócio mata o corpo, a indiferença mata a alma, no entanto, o exercício das virtudes embeleza a um e a outro"  

S. João Crisóstomo


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domingo, 20 de janeiro de 2013

Do evangelho de hoje...




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Poderá um rico salvar-se? - Papa Bento XVI

A passagem do evangelho de S.Marcos, Mc 10, 17-39, tem como tema principal a riqueza. Jesus ensina que para um rico é muito difícil entrar no Reino de Deus, mas não impossível; de facto, Deus pode conquistar o coração de uma pessoa que possui muitos bens e levá-la à solidariedade e à partilha com quem está em necessidade, com os pobres, isto é, a entrar na lógica da doação. Deste modo ela põe-se no caminho de Jesus Cristo, o qual — como escreve o apóstolo Paulo — «sendo rico, fez-se pobre por vós, para que vos tornásseis ricos por meio da sua pobreza» (2 Cor 8, 9).

Como acontece com frequência nos Evangelhos, tudo se inspira num encontro: o de Jesus com um tal que «possuía muitos bens» (Mc 10, 22). Ele era uma pessoa que desde a sua juventude observava fielmente todos os mandamentos da Lei de Deus, mas ainda não tinha encontrado a verdadeira felicidade; e por isso pergunta a Jesus como fazer para «ter em herança a vida eterna» (v. 17). Por um lado ele sente-se atraído, como todos, pela plenitude da vida; por outro, estando habituado a contar com as suas riquezas, pensa que também a vida eterna se possa de alguma forma «comprar», talvez cumprindo um mandamento especial. Jesus capta o desejo profundo que há naquela pessoa, e — escreve o evangelista — fixa nele um olhar cheio de amor: o olhar de Deus (cf. v. 21). Mas Jesus compreende também qual é o ponto frágil daquele homem: precisamente o seu apego aos muitos bens que possui; e por isso propõe-lhe que dê tudo aos pobres, de modo que o seu tesouro — e por conseguinte o seu coração — já não esteja na terra, mas no céu, e acrescenta: «Vem e segue-Me!» (v. 22). Mas aquele homem, em vez de aceitar com alegria o convite de Jesus, vai-se embora entristecido (cf. v. 23), porque não consegue desapegar-se das suas riquezas, que nunca lhe poderão dar a felicidade e a vida eterna.

E a este ponto Jesus dá aos discípulos — e também a nós hoje — o seu ensinamento: «Como é difícil, para aqueles que possuem riquezas, entrar no reino de Deus!» (v. 23). Ouvindo estas palavras, os discípulos ficaram desapontados; e ainda mais quando Jesus acrescentou: «É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus». Mas, vendo-os admirados, disse: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível» (cf. vv. 24-27). Assim comenta são Clemente de Alexandria: «A parábola ensina aos ricos que não devem descuidar a sua salvação como se fossem já condenados, nem devem abandonar a riqueza nem condená-la como insidiosa e hostil à vida, mas devem aprender de que modo usar a riqueza e conquistar a vida» (Os ricos poderão salvar-se?, 27, 1-2). A história da Igreja está cheia de exemplos de pessoas ricas, que usaram os próprios bens de modo evangélico, alcançando também a santidade. Pensemos apenas em são Francisco, em santa Isabel da Hungria ou em são Carlos Borromeu. A Virgem Maria, Sede da Sabedoria, nos ajude a acolher com alegria o convite de Jesus, para entrar na plenitude da vida. in Angelus 14/X/2012


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sábado, 19 de janeiro de 2013

Frase do dia

"O maior milagre, que impressionava os discípulos todos os dias, não eram as pernas curadas, a pele purificada, a visão readquirida. O maior milagre era um olhar revelador do humano ao qual era impossível subtrair-se. Não há nada que convença mais um homem do que um olhar que o atinja e reconheça o que ele é, que revele o homem a si mesmo. Jesus via o homem por dentro, ninguém se podia esconder diante dele, diante dele a profundidade da consciência não tinha segredos." 

D. Luigi Giussani


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A nova revolução francesa - Pe. Gonçalo Portocarrero

Confesso que estou escandalizado com a França. Três notícias dão azo a este desconforto de soixante-huitard desiludido com a filha primogénita da Igreja e a pátria por excelência de todas as revoluções. A saber: o exílio de Gérard Depardieu, a entrada numa ordem religiosa de uma modelo e a manifestação de um milhão de franceses a favor do casamento natural. Mas vamos por partes.

Gérard Depardieu, se é que ainda não se chama Igor Ivanovitch ou coisa que o valha, deu com os pés à sua terra natal para se instalar com armas e bagagens na Rússia. Vladimir Putin, o actual czar, ofereceu-lhe a nacionalidade e o passaporte russo e talvez, como brinde, uma datcha na Crimeia.

Ora a França era a pátria da liberdade, pelo que parece um contra-senso que um francês se exile precisamente por entender que já não há liberdade no seu país. Aliás, a moda de princípios do século xx era a inversa: os milionários perseguidos pela revolução bolchevique procuravam nas margens do Sena a segurança e o conforto que lhes era negado na sua terra. Se agora o movimento migratório é o inverso e até um indefectível guerreiro gaulês como Obélix se vê obrigado a emigrar antes que os impostos o esmaguem, forçoso é admitir que há algo de podre no reino da Gália.

A revista “Marie-Claire”, ultrapassando todos os limites da decência laica e republicana, publicita a entrada na vida religiosa de uma ex-modelo, Lauren Falko, aliás Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração. Pior ainda: quase elogia o gesto da anacrónica beldade voluntariamente enclausurada, em vez de vituperar o obscurantismo religioso, que impede de brilhar nas passerelles este prodígio da beleza feminina.

Qualquer dia, por este andar, a Marianne, o ex-líbris da República Francesa, ver-se-á obrigada a ocultar o impudico seio e a cobrir o seu escandaloso decote com um modesto hábito religioso e, talvez até, a trocar o seu lendário barrete frígio pelas abas esvoaçantes do véu religioso. É caso para perguntar: onde pára a França laica de Voltaire e Rousseau? Onde paira o espírito de Simone de Beauvoir, precursora da revolucionária ideologia do género? Onde estão as femininistas e as suas revindicações de liberdade para as mulheres?

Mais grave ainda é que perto de um milhão de pessoas – a polícia francesa, que sofre de miopia política quando se trata de manifestações não alinhadas com o governo, só viu trezentas mil – se manifestou pelo casamento natural e contra a outorga do estatuto matrimonial às uniões de pessoas do mesmo sexo. Infelizmente, nem sequer foi um protesto caricato de umas quantas velhotas piedosas empunhando terços, nem uma procissão de padres e religiosas disfarçados, mas de milhares de trabalhadores, de jovens, de famílias, de mulheres e homens de todas as condições sociais e de todos os recantos da geografia francesa.

Que os clérigos ultramontanos e os fanáticos integristas se manifestem é uma coisa que até tem a graça de uma marcha folclórica, mas que um milhão de cidadãos saia à rua é outra muito diferente, sobretudo quando a iniciativa parte nada mais nem nada menos que de uma humorista, que dá pelo nome artístico de Frigide Barjot, e de Xavier Bongibault, um jovem homossexual. Diga-se de passagem que tem o seu quê de curioso que sejam uma artista e um gay a liderar um movimento de massas contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Os humoristas cá da terra não têm essa graça, nem consta que os homossexuais lusitanos tenham tido o bom senso de reconhecer que, por razões óbvias, às suas uniões não é aplicável o regime matrimonial.

Quer isto dizer que a França já não é a pátria das revoluções e traiu a sua vocação histórica? De modo nenhum! A França continua fiel à sua gloriosa tradição e na vanguarda da revolução social, mas agora contra o antigo regime libertário, socialista e laico. A nova revolução francesa é um grito de mudança e de esperança, em nome da verdade, da liberdade e da família. in jornal i


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Santo Antão, padroeiro dos animais domésticos




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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O inferno do ponto de vista de um condenado

O meu nome é Fulano de Tal. Estou no inferno, ou melhor, sou no inferno, porque se trata de uma condição permanente. Que horror! Não adianta rezar por mim. Na situação perene em que me encontro, não há mais esperança. A propósito, vi uma placa na porta do inferno, com os seguintes dizeres escabrosos, escritos em italiano: “Lasciate ogne speranza, voi ch’ intrate!”: “Deixai toda esperança, vós que entrais!” (Divina Comédia, canto III, 9).

Os que padecemos neste estado não podemos comunicar com os que  padecem no purgatório ou com os que ainda vivem (Lc 16,26). Mandei esta carta, sub-repticiamente, por um foguete.

Ouço choro e ranger de dentes o “tempo”  todo (Mt 8,12). Mas, o que mais me atormenta é a saudade de Deus, por este motivo, também choro e ranjo os meus dentes. Vêm-me à mente as palavras de santo Agostinho: “Fizeste-nos para ti, Senhor, e nosso coração estará inquieto, enquanto não descansar em ti .” (Confissões, livro I, cap. 1). O inferno é a angústia da ausência de Deus.

Nem sequer posso me arrepender, pois, no momento de minha morte, a minha vontade petrificou-se no mal, no pecado. Os anjos que nos atenazam, conhecidos como demónios, são milhões, bilhões, talvez. Há um fogo inexaurível que nos queima a todos os réprobos ininterruptamente. Não é um fogo simbólico ou imaterial; é um fogo mesmo, que incinera, mas que não aniquila o corpo.

Percebo que o estado de inferno não começou com meu óbito. Ainda quando estava vivo, o inferno se instalou no meu dia a dia, muito mais do que o céu ou o purgatório. Erradamente, acreditava que só se pecava por acção: matando alguém, roubando, ferindo etc. Dizia a mim mesmo e aos meus contemporâneos: não faço mal a ninguém. Que engano ledo, mas catastrófico! Mea culpa

Se sou torturado neste estado horripilante, isto se deve igualmente ao bem que eu não fiz. Jesus estava na prisão; não o visitei. Ele estava doente; não fui ao hospital para confortá-lo. Deparou-se-me completamente nu na minha frente; entretanto, não o vesti. Esteve com fome, com sede; contudo, eu não o alimentei. Era um imigrante; não o acolhi (Mt 25, 31-46). Não imaginava que a minha omissão fosse já o inferno na terra, malgrado eu vivesse bastante infeliz, fechado no meu egoísmo.

A Igreja sempre me ensinou o caminho do céu. Desafortunadamente, fiz ouvidos moucos ao magistério dos papas e dos bispos. Que pena! E é propriamente uma pena o que sofro neste estado sem fim.

Edson Sampel in Zenit


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mini-série sobre a Bíblia estreia no dia 3 de Março




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O que é a religião? S. Josemaria responde

A religião é ligar, ligar o homem a Deus,
a intimidade do homem com Deus.
E, como é a religião?
A religião é formada por uma série de preceitos,
de coisas de fé dogmáticas,
de outras de conduta moral,
e que foram reveladas por Deus ao homem,
primeiro através dos profetas,
depois através de Cristo Nosso Senhor,
para isso veio à terra.
E a Igreja, nossa Mãe, tem essa revelação em depósito;
e é inalterável:
de tal maneira que agora é como há vinte séculos,
e dentro de vinte séculos será como foi há vinte séculos e como é agora.
Os teus amigos não podem escolher
a religião que lhes apetecer,
porque é Deus quem escolhe
E Deus indicou-nos,
porque tem esse direito,
qual é o caminho
que nos conduz a Ele.
E a nossa Mãe a Igreja...


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Frase do dia

“Show me your hands. Do they have scars from giving? Show me your feet. Are they wounded in service? Show me your heart. Have you left a place for divine love?” 

Venerable Fulton J. Sheen


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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Santo Inácio de Loyola aos Jesuítas que iam para Concílio de Trento

Eu não teria pressa para falar e fá-lo-ia duma maneira séria e amigável... Para me ajudar a mim mesmo ouviria sossegadamente, de modo a apreciar e a perceber o ponto de vista e a disposição dos que falam, de forma a poder responder bem, ou a ficar calado. 

Quando falasse sobre temas em debates ou outras questões, as razões de ambos os lados devem ser dadas para não parecerem preconceituosos, e devem ter cuidado para não contrariar ninguém. 

Se os temas discutidos são tão óbvios que não se deve ficar calado, devem dar a vossa opinião com a maior calma e humildade possível, concluindo com deferência para melhor julgamento.

A maior glória de Deus é o objectivo dos nosso padres em Trento, e isto será adquirido pregando, ouvindo confissões, dando palestras, ensinando as crianças, visitando os pobres nos hospitais, e exortando o próximo, de acordo com os talentos de cada um, para mover as pessoas à devoção e à oração, de modo a que possamos todos rezar e suplicar a Deus que derrame o Seu Espírito Divino em todos aqueles envolvidos com os trabalhos do Concílio.

Ao pregar eu não tocaria de todo nas diferenças entre Protestantes e Católicos, mas simplesmente exortaria a bons costumes e devoções, movendo as pessoas a conhecerem-se a si mesmas verdadeiramente e a adquirir maior conhecimento e amor do seu Criador e Senhor. Estaria constantemente a falar sobre o Concílio nos meus sermões e a acabar cada um deles com orações por isso. 

Do mesmo modo, também, ao dar palestras (o meu desejo seria inflamar as almas com amor ao seu Criador e Senhor), acabaria com orações pelo Concílio. Ao ouvir confissões falaria de tal modo que o que eu dissesse pudesse ser repetido em público e, por penitência, daria orações pelo Concílio. 

Os hospitais devem ser visitados às horas mais indicadas para a saúde e vocês deviam confessar e confortar as pessoas pobres, e também levar-lhes algo sempre que conseguirem, não esquecendo de obter orações pelo Concílio...


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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Secretário do Papa na capa da Vanity Fair

Graças a esta revista ficamos a saber que ser bonito (afinal) não é pecado. Ufa, que alívio!



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Frase do dia

“Os ateus querem fazer-nos crer que não somos mais do que uma colecção aleatória de moléculas, um produto final de um processo sem uma orientação. Se esta concepção fosse verdadeira, colocaria em causa a racionalidade de que necessitamos para fazer ciência. Se o cérebro fosse, na realidade, apenas o resultado de um processo sem orientação, então não existiriam razões para acreditar na sua capacidade de nos revelar a verdade. 

Para mim, a beleza das leis científicas só reforça a minha fé de uma maneira inteligente. Quanto mais compreendo a ciência, mais creio em Deus pela maravilha da sua amplitude, sofisticação e integridade da Sua criação. Longe de estar em desacordo com a ciência, a fé cristã tem um sentido científico perfeito”.

John Lennox, matemático e filósofo das ciências, professor em Oxford


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Não temos vinho: Uma devoção para casais


Às vezes a vida pode abanar o vosso casamento. Factores externos. Factores internos. O Matrimónio é uma vocação. As vocações santificam as nossas almas e não há santificação sem esforço. O que é que fazem durante esses tempos em que o casamento se torna difícil? A quinta gravidez. Talvez sem gravidezes.  Aborto espontâneo. Desemprego. Alcoolismo. Depressão. Doença. Desacordos. Desencorajamentos. Claro, o casamento é um grande dom e cheio de alegria. Mas o que se passa quando o vinho acaba e a única coisa que têm é água?

Durante a oitava da epifania, recordamos Cristo Nosso Senhor a transformar a água em vinho no casamento de Caná. Foi nesta ocasião que Cristo, através da intercessão da Santíssima Mãe, elevou o matrimónio à dignidade de sacramento. Eis a passagem para refrescar a vossa memória:
3 E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. 4 Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. 5 Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. 6 E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. 7 Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. 8 E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. 9 E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. 10 E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. 11 Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. (João 2:3-11)
Às vezes simplesmente só têm que se virar para a Santíssima Virgem e dizer, "Não temos vinho. A alegria acabou. Tudo o que temos aqui é água. Por favor transforma-a!"

Esta é uma aproximação sobrenatural ao Santo Matrimónio. Temos que perceber que todos os bens do matrimónio jorram do Sagrado Coração de Jesus através do Imaculado Coração de Maria. Independentemente de quão difícil ficar, Jesus e Maria podem transformar a água em vinho. Jesus pode transformar os acontecimentos aborrecidos, desinteressantes e medíocres das nossas vidas numa época de vindímas emocionantes que fazem o coração feliz.

Honestamente, as pessoas no Casamento de Caná não esperavam que Cristo e a Sua Mãe fizessem algo tão doce. Isto demonstra a magnanimidade de Cristo e de Maria para com a humanidade e especialmente para aqueles que são casados. Eles transformarão a água em vinho. Simplesmente peçam-lhes com humildade. No entanto, se não encherem os jarros, isto é, se não cumprirem os vossos deveres naturais no casamento, não esperem um milagre. Quanto mais água nos jarros, mais eles vão transformar em vinho. by Taylor Marshall


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1 milhão de pessoas marcharam em Paris contra o "casamento gay"

Ontem, na maior manifestação dos últimos 30 anos


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domingo, 13 de janeiro de 2013

O "Zico" e os bebezitos

Era uma vez um cãozinho, de seu nome “Zico”. O “Zico” gostava de rebolar pelos campos, cantando música ligeira e à noite ficava deitado de barriga para cima a admirar as estrelas. Mas o Zico era arraçado de Pitbull, uma raça naturalmente disposta para o combate, conhecida pela agilidade e por morder e não largar. O “Zico” atacou uma criança de 18 meses, de seu nome Dinis, que viria a morrer no hospital. A lei portuguesa estabelece que num caso destes o cão que atacou deve ser abatido, porque não se sabe quando vai voltar a atacar alguém.

Em reacção ao cumprimento da lei, surgiu uma peticão (sem cedilha) que pede a suspensão da lei, para que o “Zico” possa viver. Estas 60 mil pessoas dizem que o “Zico” não tem culpa, a culpa é do dono (e muitos defendem que se mate este). Ora que o “Zico” não tem culpa já nós sabemos, porque um animal não distingue o bem do mal, o certo do errado, o verdadeiro do falso, por isso nunca pode ter culpa. Não existem cães bons e cães maus, existem cães com mais ou menos propensão natural para atacar, ou que foram mais ou menos treinados para não atacar.

Quando no circo vemos um leão que deixa o tratador meter a cabeça na sua boca não dizemos “Ai que boa pessoa aquele leão, é mesmo simpático, deixar o senhor meter a cabeça na boa dele.” O leão foi treinado para que tal acontecesse, não é uma decisão tomada em consciência “Ora deixa-me cá ajudar aqui o meu chefe a fazer uns trocos, e assim dá-me bifes do lombo.” O instinto do leão não é deixar pessoas meterem a cabeça na boca dele, é meter a boca na cabeça das pessoas. E não pode ser julgado por isso, mas pode ser abatido se existir o risco real de matar alguém no meio da rua.

Existe uma confusão generalizada entre a dignidade duma pessoa e a dignidade dum animal. Infelizmente é preciso reafirmar o básico: a vida duma pessoa não se compara e vale sempre sempre mais do que a dum animal, mesmo que seja a Lassie.

Cá para mim acho que a culpa disto tudo é da Disney. Põem os animaizinhos a falar, a cantar, a dizer piadas, a serem amorosos, e temos toda uma multidão que transporta isso para a vida real. Por mais que seja uma figura de estilo muito simpática (e boa pessoa), a personificação tem limites!

Para compensar, temos aqui uma petição para acabar com a matança de bebés abortados (55 por dia em Portugal), e que existe há vários meses. Neste momento contamos com 2929 signatários, ou seja 4,9% do que a petiCÃO do “Zico” conseguiu em 3 dias. Vale a pena pensar nisto…
João Silveira


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Festa do Baptismo do Senhor



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sábado, 12 de janeiro de 2013

An Indecorous Incident - Brother Charles Shonk, O. P.

Contrition, compassion, mercy - these, Tolstoy seems to suggest, are the graces without which death becomes incomprehensible and unbearable.
Ivan Ilyich saw that he was dying, and he was in continual despair. In the depth of his heart he knew he was dying, but not only was he not accustomed to the thought, he simply did not and could not grasp it. The syllogism he had learnt from Kiesewetter's Logic, "Caius is a man, men are mortal, therefore Caius is mortal," had always seemed to him correct as applied to Caius, but certainly not as applied to himself. That Caius — man in the abstract — was mortal, was perfectly correct, but he was not Caius, not an abstract man, but a creature quite, quite separate from all others.
- Leo Tolstoy, The Death of Ivan Ilyich
It's short, and it's all about death. Maybe that's why we read it in high school. Tolstoy's classic novella about the slow, terminal decline of an ordinary, middle-aged lawyer continues to fascinate both young and old, though in different ways. In the young, Ivan Ilyich tends to elicit a certain amount of pert amusement or dignified scorn. He's so obviously a fool, a hypocrite, and a coward, and Tolstoy so expertly probes the depths of his folly, that it's easy to sit back, analyze, and, in general, hug tight the warm fuzzies of moral or intellectual superiority. Having done as much myself, I don't begrudge others the opportunity.

Later in life, however, when we come back to the story, we find something unaccountable has happened. Somehow, the shoe has gone to the other foot. Somehow, we have become Ivan Ilyich. That ordinary, middle-aged fool now bears a striking resemblance, if not in all respects, at least in certain definite and disturbing ways, to me. The wry smile fades. Self-satisfaction takes to its heels. We're sorry for our smugness — and we're sorry for Ivan Ilyich. We start reading the story in a whole new light — the light of contrition and compassion.

Like most of us (when it comes right down to it), Ivan Ilyich can't believe he has to die. He's tormented by the fact, and he can't understand, since he has always done what is "proper" and "correct," why this horrible thing must happen to him. More than once, though, he entertains what seems to him an impossible notion: that his death would at least be comprehensible and bearable, if only he could bring himself to admit that he had not led a good life.
It occurred to him that what had appeared perfectly impossible before, namely that he had not spent his life as he should have done, might after all be true. It occurred to him that his scarcely perceptible attempts to struggle against what was considered good by the most highly placed people, those scarcely noticeable impulses which he had immediately suppressed, might have been the real thing, and all the rest false.
This idea, which at first Ilyich finds so "morbid," is reinforced by the disgust he begins to feel for the very people with whom he used to live and work. Suddenly, the sophisticated civility that bound him to them, and them to him, becomes an impregnable barrier to all meaningful communication — a mask for their selfish refusal to suffer with a dying man:
The awful, terrible act of his dying was, he could see, reduced by those about him to the level of a casual, unpleasant, and almost indecorous incident (as if someone entered a drawing room defusing an unpleasant odor), and this was done by that very decorum which he had served all his life long. He saw that no one felt for him, because no one even wished to grasp his position.
Ilyich longs to be comforted and petted "like a sick child," but when a respected colleague comes to visit, he prefers to assume "a serious, severe, and profound air," and "by force of habit" delivers his judgment on some legal matter, "stubbornly insisting" upon his opinion.

Only one person is able to console Ilyich — the peasant Gerasim, his servant. Unlike everyone else, whose insincerity drives Ilyich to the point of madness, Gerasim frankly acknowledges the imminence of his master's death, and sees it as something in which he himself must share. He willingly stays up whole nights, supporting his master's legs on his shoulders, and, when questioned, replies cheerfully, "We shall all of us die, so why should I grudge a little trouble?"

Toward the end, a priest comes to hear Ilyich's confession. The gift of divine mercy, along with the contrition it elicits, brings him a measure of peace, but, interestingly, it's not until the hour of his death that this grace fully flowers, enabling him to extend the mercy he himself has received to those around him:
. . . with a look at his wife he indicated his son and said: "Take him away . . . sorry for him . . . sorry for you, too . . ." He tried to add, "Forgive me," but said "Forego" and waved his hand, knowing that He whose understanding mattered would understand.
Contrition, compassion, mercy — these, Tolstoy seems to suggest, are the graces without which death becomes incomprehensible and unbearable. During this month of November, then, when nature itself joins the Church in bidding us have a "seasonable regard" for our mortality, let us take such wisdom to heart. And let us remember that those who strive to know and love God in this life, need not fear meeting him in the next.


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Religião e Ciência




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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Frase do dia

"A alma cristã deve fugir dos aplausos dos homens." 

S. Pio de Pietrelcina


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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Impossible is something




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Senza a Blog do Ano!

Amigos, podemos fazer com o Senza seja o Blog do Ano, ou pelo menos não ficar em último.

Para votar basta clicar onde diz clicar: CLICAR, ir até à categoria "Religião e Espiritualidade" e o Senza está lá mesmo em último. 
Tempus fugit!


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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Há 111 anos nascia este senhor




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O silêncio - Beata Teresa de Calcutá

Todos nós devemos consagrar tempo ao silêncio e à contemplação, especialmente se vivemos em grandes cidades como Londres e Nova Iorque, onde só há agitação. Foi por isso que eu decidi abrir a nossa primeira casa de irmãs contemplativas, cuja vocação é rezar durante a maior parte do dia, em Nova Iorque e não nos Himalaias, porque senti que são as cidades que mais precisam de silêncio e de contemplação.

Começo sempre a minha oração pelo silêncio, porque é no silêncio do coração que Deus fala. Deus é o amigo do silêncio: devemos escutar Deus, porque não são as nossas palavras que contam, mas o que Ele nos diz e o que Ele diz através de nós. A oração alimenta a alma: o que o sangue é para o corpo, é a oração para a alma. Ela aproxima-nos de Deus; dá-nos um coração purificado e limpo. Um coração puro pode ver a Deus (Mt 5,8), falar com Ele e ver o Seu amor na pessoa de cada um dos nossos irmãos. Se o vosso coração é puro, sois transparentes diante de Deus, não dissimulais nada, e Ele pode retirar do vosso coração o que quiser. 


in Um caminho simples


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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mons. Georg Gänswein, secretário do Papa, ordenado Arcebispo




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Frase do dia

"A misericórdia de Deus é o que temos de mais belo: compõe o que desorganizamos e, algumas vezes, desorganiza para nos compor." 

Louis Veuillot


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Bebé agarra a mão do médico durante uma cesariana

"I was having my c-section and Dr. Sawyer broke my water and my daughter reached up out of my stomach and grabbed the Dr.‘s finger and my hubby caught this special moment."


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domingo, 6 de janeiro de 2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

Profetas há muitos - Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

É infalível como o destino: sempre que se conclui um ano surgem, a par das inevitáveis retrospectivas fotográficas, as profecias para o novo ciclo. Nas rádios e televisões, nos jornais e nos blogues, não há quem não dê o seu palpite, mais ou menos sábio ou prudente. Os vaticínios são de todo o tipo: desde as ponderadas análises dos comentadores oficiosos, até às aldrabices dos tolos, no seu estado mais puro e bruto.

O que há mais, sobretudo na comunicação social, é profetas de desgraças, porque a desgraça vende bem. Por exemplo, a esperada pandemia da gripe A foi manchete, até ao seu estrepitoso malogro. O aquecimento global deu que falar mas, mais uma vez, a montanha pariu um rato e, mesmo esse, simplesmente morno. Também a ameaçadora gripe das aves, que tinha todos os ingredientes para ser a peste bubónica do terceiro milénio, não resultou, porque as ditas não aderiram, ou porque tinham sido prevenidas, ou porque já estavam vacinadas. Mas uma catástrofe é sempre um bom negócio, um óptimo produto mediático e, por isso, os correspondentes profetas têm sempre assegurada a mais ampla publicidade para os seus tremendos augúrios.

Dados estes e outros insucessos, há quem prefira apostar em vaticínios seguros, para garantir o negócio e a fidelização da clientela. Sem cair no exagero do provérbio – «chuva em Novembro, Natal em Dezembro» – cuja autenticidade os especialistas em sabedoria popular não confirmam, os astrólogos cultivam um tipo de profecias deste género. As suas previsões são sempre cautelosas e infalíveis: «nesta semana, importa cuidar da sua saúde!». Não se pense que é fácil acertar no horóscopo de um determinado signo pois que, embora pareça uma verdade de La Palice, na realidade esconde um profundo conhecimento do futuro. E, por incrível que pareça, dá sempre certo. Formidável, não é? É o que dá ser a astrologia uma ciência exacta!

Outro tipo de profecias muito em voga e não menos certeiras, são as retroactivas. Nestes casos, como o próprio nome esclarece, o prudente visionário, já não necessariamente um vidente encartado, não se antecipa ao facto mas, uma vez verificado o acontecimento, afirma triunfalmente: «eu sempre disse que isto ia acontecer!». Se o não disse logo que teve essa premonitória intuição, não foi por cobardia ou acanhamento, mas para poupar aos outros a humilhação correspondente.

Não é menos corrente a modalidade portuguesa, o adivinho lusitano, vulgus velho do Restelo. Requer-se, para o caso, uma voz grave, cheia de enigmáticos silêncios, a apontar para fatídicos malefícios: «Isto vai mal!». E, caso alguém manifeste alguma incredulidade ante o seu pessimismo crónico, o profeta nacional não só não desiste como insiste: «Isto está muito mal!». E está tudo dito.

São deste tipo alguns políticos, que nunca conseguiram ser eleitos, alguns ex-governantes ressabiados por terem sido apeados do poder e que, por isso, agora barafustam contra o escândalo da governação. Também os há nas lides desportivas: são os treinadores de bancada que, mesmo sem nunca terem dado nenhum pontapé na bola, marcam imaginários golos na grande área do seu lúcido e profético discernimento, ao mesmo tempo que se insurgem contra a inépcia dos jogadores em campo, pela sua manifesta incapacidade de realização das suas geniais tácticas. Para já não falar das menos canónicas referências ao treinador titular, ao árbitro e respectivas progenitoras.

Decididamente, o nosso problema não é de falta de profecias, nem de profetas de mau agoiro. Falta apenas quem trabalhe e, já agora, quem saiba apoiar e animar os órgãos de soberania, a administração pública, a família, o ensino, as empresas e todos os âmbitos da actividade humana. Em poucas palavras, a selecção que somos todos nós.


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Frase do dia

"Que contente se deve morrer quando se viveram heroicamente todos os minutos da vida! Posso-to garantir, porque presenciei a alegria daqueles que, com serena impaciência, durante muitos anos, se prepararam para esse encontro."  

S. Josemaria Escrivá (Sulco, 893)


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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Frase do dia

"Meu filho, não tens noção de quanto a obediência é produtiva!" 

S. Pio de Pietrelcina


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O Júbilo Imenso do Amante Infinito - Pe. Nuno Serras Pereira

Imenso, Infinito, parecem ser termos grandemente exagerados para falar do amor, talvez desculpáveis por causa de uma paixão que enlouquece aquele que a padece. Não assim, no entanto, se considerarmos que o único Amor Verdadeiro, fonte e origem de qualquer genuíno amor, é Deus, na essencial Comunhão da única Natureza Divina em três Pessoas iguais e distintas entre Si: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Este Amor libérrimo, que Se basta a Si mesmo, quis gratuitamente, portanto, sem necessidade ou precisão alguma da Sua parte, criar-nos para nos fazer participantes dessa felicidade incomparável, desmedida, impensável. Numa centragem soberba e egoísta primordial, instigada pelo Antiamor, o Maligno, dispensámos essa Amigança como se fora um fardo, como se fora uma mesquinhez invejosa que nos impediria de ser plenamente.

Quando o Amor Se fez um de nós, ao ser concebido, por virtude do Espírito de Amor, no seio da Virgem amada e amante do Altíssimo ensinou-nos por palavras a desmesura do Amor que nos mostrou com a Sua vida, a Sua Paixão e Ressurreição.

No capítulo 15 do evangelho segundo S. Lucas o Amor Infinito revela-nos que Ele é exultação eterna de alegria e que esse gaudio pode ser jubilosamente intensificado sempre que um desamor, um inimigo, um egoísta, um traidor, um homicida, um luxurioso, um intrujão, um avarento, enfim, um miserável pecador, se reconhece tal e se abre ao fidelíssimo Amante, que o chama e o espera, tomando o caminho de regresso ao Seu acolhimento amistoso, paterno, caloroso, jubilosamente febril, delirante de alegria, endoidado de contentamentos e de regozijos pelo achamento do amado que estava perdido, pelo ressurgimento do bem-amado, que estando morto volta à Vida.

Para os baptizados (= mergulhados no Amor de Cristo morto e Ressuscitado), este reencontro jucundo com o Amor, que os Criou e Libertou, acontece nos afáveis amplexos e santos ósculos do Ressuscitado, através da confissão sacramental.

A Confissão ou Reconciliação embora tenha as mais das vezes como ponto de partida, da nossa parte, uma necessidade de restauração, de salvamento, de fome desesperada de Amor, de sede prementíssima de Verdade, de reconciliação, de Comunhão, de recuperação da harmonia connosco mesmos, com os outros, com a natureza e com Deus, poderá, no entanto, ser um enorme acto de gratidão, de amor, ao Amor Daquele que muito nos Amou e que nós desistimos de amar. O Amor somente Se alegra como o Amor e unicamente Se ofende do desamor. Quando Jesus Cristo ensina através do Seu Corpo, que é a Igreja, que o pecado é uma ofensa a Deus está a dizer-nos que o Amor Infinito de Deus Se deixa ferir por tudo aquilo, consciente e livremente escolhido, que nos arreda do Amor, da Verdade, e consequentemente da nossa identidade, que nos destrói, que nos impede a felicidade e bem-aventurança eternas e o antegosto dela mesmo, ou através da, na Cruz do nosso caminhar neste mundo.

Aqueles bens que o filho ingrato e esbanjador dissipou não são necessariamente riquezas materiais herdadas, mas sim os talentos recebidos enquanto imagem e semelhança de Deus, e Seu filho adoptivo, pelo baptismo: os dons da natureza, os quais sem a Graça, isto é a Comunhão com Deus, não se sustentam mas, pelo contrário, deperecem e se derrancam – a inteligência, a memória, a vontade, a formusura, a corporeidade, etc., etc. Claro que se poderá argumentar que o Diabo é mais inteligente que todos os crentes juntos mas a verdade é que essa é uma inteligência imbecil, estólida, estúpida, esparvoada, sem entendimento, capaz das maiores artimanhas e astúcias, mas totalmente inábil para a Sabedoria, impossibilitada para o Amor, incapaz de servir na entrega de si mesmo aos outros: é uma escravidão, uma teia cheia de subtilezas e argúcias em que se enreda a si mesmo, rebeldemente encasmurrando-se cegamente, e a todos os seus escravos, na masmorra da sua soberba por toda a eternidade.

Se com alegria, cuja fonte é Deus, queremos dar a Jesus Cristo a enorme alegria de nos Salvar, de recuperarmos a nossa Comunhão de Amor com Ele, teremos então de fazer uma Confissão, ou Reconciliação, bem-feita.

Uma grande vantagem de nos confessarmos a um Padre, como o fazem também os Papas, ou melhor a Jesus Cristo que quer tornar-Se presente no Sacerdote, é a de ser sujeito às mesmas fraquezas que os demais podendo assim compreendê-los melhor. De si, qualquer ser humano é susceptível de cometer qualquer pecado, mesmo que nunca o venha a fazer. S. Junípero, um dos primeiros companheiros de S. Francisco de Assis, sendo posto a ferros por suspeito de querer assassinar um alto aristocrata, como fosse interrogado se intentava fazê-lo respondia com todo sossego: se não fora a Graça de Deus seria capaz disso e de muito pior. E como a questionação prosseguisse sondando intencionalidades de mais patifarias e malvadezas ele sempre respondia tranquilamente a mesma coisa. Valeu-lhe S. Francisco que posto ao facto do caso pressurosamente foi ao seu encontro testemunhando em seu favor. Outros Santos quando sabiam que algum terrível criminoso ia a ser enforcado diziam aos seus companheiros: vamos acompanhar com as nossas orações aquele desgraçado em cujo lugar estaríamos se não fora a Graça de Deus.

Por mais hediondo, abominável e ignóbil que seja qualquer pecado, ou uma multidão infinda deles, perante a Misericórdia Infinita de Deus Amor não passam, como dizia o Santo Cura de Ars, de grãozinhos de areia. Com isto não queria ele apoucar a gravidade do mesmo mas sim proclamar a Omnipotência do Amor Divino, para que a Ele rendidos, arrependidos, nos despojássemos das nossas absurdas defesas, deixando-nos conquistar e transfigurar para nosso bem.

Consideremos agora, ainda que brevemente, as condições para uma confissão como deve ser.

1 – Dar-se conta do mal feito ou do bem que se podia e devia ter realizado e não se levou a cabo. A isto se chama exame de consciência. Não será preciso recordar que pecado não é aquilo que cada um arbitrariamente acha ou decide, mas sim aquilo que vai contra a Lei de Deus (o Seu Amor) e o Evangelho, tal como apresentado pela Doutrina da Igreja.

2 – Desgosto pelo que se fez ou deixou de fazer. Por outras palavras, arrependimento. Não é necessário que esta dor seja sensível. Com isto quer significar-se um perceber a malícia ou fraqueza que levou a cair, um apoucamento da grandeza e dignidade que isso significa, e a infidelidade à Aliança de Amor com o Senhor. O arrependimento por desilusão connosco mesmos ou por temor das penas, ou consequências, eternas que o pecado implica, é imperfeito e chama-se atrição, sendo no entanto suficiente para o perdão. O perfeito, que se alcança por puro amor de Deus, designa-se contrição, sendo que esta nos livra também das consequências temporais do pecado.

3 – Querer mudar, ou regressar ao Amor do Pai. Quer dizer o propósito de emenda, ou seja, a determinação de permanecer no Amor, na casa do Pai, do Amigo. Claro que este objectivo brota de uma confiança na Graça de Deus, com qual, somos chamados a cooperar, e não de uma presunção das nossas próprias forças.

4 – Honestidade e sinceridade connosco mesmos, com o confessor e com Deus. Trata-se aqui da acusação corajosa e verdadeira de todos e cada um dos pecados graves, ou mortais, de que se lembra, ainda não confessados ou mal confessados (sendo de grande proveito confessar também as faltas leves ou veniais). Quem propositadamente (por vergonha ou outro motivo) ocultasse um pecado grave (mortal) não faria uma confissão bem-feita, mas um cometeria sacrilégio, não lhe aproveitando pois a absolvição, antes acrescentando mais um grave pecado. Por isso, quem tiver consciência de uma ou mais confissões mal feitas deverá fazer uma confissão geral, dizendo os pecados das confissões mal feitas e os sacrilégios cometidos. Depois disso experimentará uma grande paz e uma enorme alegria. Quem isto escreve fez uma confissão geral no Sacro Convento de S. Francisco, em Assis, aos 28 anos. O confessor, um sacerdote franciscano, polaco, experimentado, ajudou a desenterrar enormidades tamanhas que o penitente sentiu grandes suores frios e transpiração das mãos, cousa que nunca mais lhe sucedeu, ao recordar a fealdade medonha de seus pecados passados, mas ficou de bem com Deus e inundado da Sua Misericórdia.

S. Francisco de Sales conta que o lobo voraz e predador quando quer devorar uma ovelha, para que o pastor não dê tento, arrebata-a abocanhando-a pelo pescoço para que ela não possa balir, uma vez que de outro modo não a lograria pois seria destroçado à cajadada. Assim, continua o Santo, procede o demónio com as almas que quer perder: incute-lhes um bloqueio para que não confessem todos os pecados ao Pastor, Jesus Cristo no Sacerdote, que as protege e as salva.

Importa muito acrescentar que a confissão bem-feita pede a descrição das circunstâncias para um entendimento adequado da mesma.

Consideremos alguns exemplos:

- Uma pessoa acusa-se de faltar à Missa ao Domingo ou dia Santo de Guarda. Mas faltou uma vez ou 30 vezes ou um número que não consegue contabilizar por terem passados muitos anos? É bem de ver que a culpa é diferente. Ou faltou a esse preceito, acto de amor para com Deus Amor que Se torna presente e Se quer dar em alimento, porque estava de viagem na China e não encontrou nenhuma Igreja: claramente não há pecado algum; ou porque estava a cuidar da mãe doente que não podia ficar sozinha: não é evidentemente um pecado mas um acto de caridade; ou porque ficou a ver na televisão o dancing days ou a casa dos segredos: provavelmente serão dois pecados…

- Alguém confessa, roubei, sem mais. Mas roubou o quê? Um milhão de euros? 20 euros, cinquenta cêntimos? A um milionário ou ao desgraçado de um pobretana? A gravidade, naturalmente varia, podendo mesmo ser leve. Ou furtou para comer, uma vez que não conseguiu honestamente garantir a subsistência de outro modo: não há pecado nenhum, mas sim o exercício do direito à vida, a desfrutar dos bens da Terra que Deus destinou a todos.

- Beltrano se argui de faltar à castidade. Falta saber uma vez, ou um número indeterminado? Por pensamento consentidos, por visionamentos deliberados impróprios, por palavras conscientemente obscenas ou por outros actos livres? Consigo mesmo, ou com outra pessoa, neste caso do mesmo sexo ou de sexo oposto, é casado ou solteiro, tem votos religiosos, ou é sacerdote, ou Bispo? Foi em local Sagrado? Estava embriagado ou consciente? Foi premeditado ou compulsivo? Foi com besta, animal, (não é necessário indicar com que tipo)? Foi com adolescente, ou com criança, ou com bebé? É doente contagioso que possa colocar em grave risco ou mesmo provocar a morte do outro/s? Os actos foram contraceptivos? Recorreu a abortivos precoces? Haverá ainda algumas outras questões que convirá abordar, mas sempre sem entrar em minuciosidades perniciosas à imaginação e serenidade da alma e do corpo.

- Sicrano confessa que abortou. É a mãe? Ou o serial killer que ganha dinheiro à custa da matança? É a avó (e/ou outros) que pressionou intoleravelmente a filha ao abortamento do neto? No caso de ser a mãe, foi contra a vontade do pai da criança que se prestou a todo o apoio ou foi num acto de desespero ou de depressão profunda? Ou foi contra tudo e contra todos, porque sim, ou por colocar em primeiro lugar os estudos, a carreira, enfim, qualquer outro objectivo que por maior que seja é sempre incomparavelmente inferior ao valor sublime e transcendente da vida da pessoa nascitura exterminada? Ou terá sido uma intervenção médica cujo objectivo era salvar a vida da mãe implicando embora a morte indirecta da criança nascitura que, apesar de prevista, não era de modo nenhum procurada ou querida; não se trata então, do ponto de vista moral, de um abortamento.

Muito se poderia dissertar ainda sobre isto, mas creio que estes breves tópicos darão uma ideia do que pretendo transmitir.

5 – Ter Fé, ou seja, Acreditar no Excesso de Amor do Pai, na Infinita Amizade de Jesus Cristo, na Imensa Consolação do Espírito Santo, ou seja na Misericórdia jubilosa de Deus, que mostra que é Omnipotente principalmente quando perdoa.

6 – Aceitar com gratidão e simplicidade o abraço e os festejos do Pai, a Alegria de Jesus, o Regozijo do Espírito Santo. Por outras palavras, acolher a absolvição concedida por Cristo Vivo e Ressuscitado, através do Padre.

7 – Cumprir a penitência dada pelo Sacerdote como preparação para o Banquete da Eucaristia, que não nos serve um vitelo gordo mas sim o Próprio Jesus-Amor-Amizade como iguaria e nutrimento, para em nós estabelecer a Sua morada, de maneira a que antegozemos as delícias do Céu e nos preparemos para o Grande Banquete definitivo e eterno onde todos os contentamentos, ledices, alegrias, deleites, letícias, enlevos, exultações, gáudios, gozos, comprazimentos, regozijos e jucundíssimos júbilos nos satisfarão plena e absolutamente porque Deus será tudo em todos. Foi para essa Glória inexprimível que Ele nos Criou e Redimiu. À honra de Cristo. Ámen.


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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Em vez de maldizer, bendizer - São Francisco de Assis

No amor que é Deus, suplico a todos os meus irmãos – aos que pregam, aos que oram, aos que trabalham manualmente, aos clérigos e leigos – que cultivem a humildade, em tudo: que não se gloriem, que não exultem nem se orgulhem interiormente por boas palavras e acções, nem mesmo por algum bem que Deus tenha dito, feito ou cumprido, neles ou através deles. Pois o Senhor diz estas palavras: «Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem». Convençamo-nos disto com firmeza: apenas são nossos os erros e os pecados. [...] Aquele que é dócil ao Espírito do Senhor deseja mortificar e humilhar esta carne egoísta; cultiva a humildade e a paciência, a simplicidade pura e a verdadeira paz de espírito.

Ofereçamos todos os bens ao Senhor, Deus altíssimo e soberano: reconheçamos que todos os bens Lhe pertencem; demos-lhe graças por tudo, pois é d'Ele que procedem todos os bens. Que Ele, o altíssimo e soberano Deus, o Deus único e verdadeiro, receba e obtenha todas as honras e todo o respeito, todos os louvores e bençãos, todo o reconhecimento e toda a glória: pois n'Ele está todo o bem, e só Ele é bom (Mc 10,18).

E nós, pela nossa parte, quando virmos ou ouvirmos maldizer, bendigamos; quando virmos fazer o mal, façamos o bem; quando ouvirmos ou virmos blasfemar, louvemos o Senhor, que é bendito pelos séculos dos séculos. Amen. 


1ª Regra, § 17



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Bom negócio




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Frase do dia

"Se vivêssemos como devíamos viver, seríamos mais admirados do que os que fazem milagres. Muitas vezes os milagres levantam alguma suspeita, mas uma vida pura não admite suspeitas." 

S. João Crisóstomo


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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Mensagem do Papa Bento XVI para o dia mundial da Paz 2013

Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade

4. Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida.

Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão-pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.

Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social.

Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz.

Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia.

Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coacções quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para: por exemplo, para testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar actividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e actuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.

O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.

E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ». Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos.

O resto da mensagem está aqui: Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2013


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Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus




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