terça-feira, 20 de julho de 2021

Na autobiografia o Papa Bento XVI lamenta a "proibição" da Missa Antiga

O segundo grande acontecimento que ocorreu no começo dos meus anos de Ratisbona foi a publicação do "Missal", de Paulo VI, com a proibição quase total do "Missal" anterior, após uma fase de transição de cerca de seis meses. O facto de, após um período de experiências, que amiúde desfiguraram por completo a liturgia, se passar a ter um texto litúrgico vinculativo, era de saudar como algo seguramente positivo. 

Mas fiquei estupefacto com a proibição do "Missal" antigo, dado que nunca na história da liturgia se verificara uma situação semelhante. Quis-se passar a ideia de que era uma coisa normal. O "Missal" anterior tinha sido publicado por Pio V em 1570, na sequência do Concílio de Trento; era portanto normal que, passados quatrocentos anos e um novo Concílio, um novo papa publicasse um novo "Missal". 

Mas a verdade histórica é outra. Pio V limitara-se a reelaborar o "Missal" romano que se utilizava na época, coisa que aliás sempre acontecera ao longo dos séculos. Por seu lado, muitos dos seus sucessores reelaboraram ulteriormente este "Missal", sem nunca, porém, contraporem um "Missal" ao outro. Tratou-se sempre de um processo contínuo de crescimento e de purificação, em que, no entanto, a continuidade nunca era posta em causa. Um "Missal" de Pio V que tenha sido criado por ele, simplesmente nunca existiu. 

O que existe é a reelaboração que ele mandou fazer, como fase de um longo processo de crescimento histórico. A novidade, após o Concílio de Trento, foi de outra natureza: a invasão súbita da reforma protestante fizera-se sentir sobretudo na modalidade das reformas litúrgicas. Não havia simplesmente uma Igreja católica e uma Igreja protestante, postas uma ao lado da outra, a divisão da Igreja ocorreu quase imperceptivelmente e teve a sua manifestação mais visível e historicamente mais incisiva nas mudanças ao nível da liturgia. 

Estas mudanças resultaram de tal maneira diversificadas ao nível local, que o limite entre o que era e não era católico se tornou, amiúde, bem difícil de definir. Esta situação de confusão, criada pela ausência de uma normativa litúrgica unitária e pelo pluralismo litúrgico herdado da Idade Média, fez com que Pio V decidisse que o "Missale Romanum", o texto da liturgia da cidade de Roma, por ser seguramente católico, devia ser introduzido em todo o lado onde não houvesse uma liturgia com, pelo menos, duzentos anos de existência. Onde este critério se verificava, podia manter-se a liturgia anterior, dado que o seu carácter católico era considerado seguro. Não se pode, por isso, falar de uma proibição relativa aos "Missais" anteriores e até ao momento regularmente aprovados.

Agora, pelo contrário, a promulgação do impedimento do "Missal" que se tinha desenvolvido ao longo dos séculos, desde o tempo dos sacramentais da Igreja antiga, implicou uma ruptura na história da liturgia, cuja consequências não podiam deixar de ser trágicas. Tal como já tinha acontecido muitas vezes, era razoável e plenamente em linha com as disposições do Concílio que se fizesse uma revisão do "Missal", sobretudo, tendo em consideração a introdução das línguas nacionais. Mas nesse momento aconteceu algo mais: destruiu-se o edifício antigo e, embora utilizando o material e o projecto deste, construiu-se um novo.

Não há dúvida de que, em algumas partes, este novo "Missal" trouxe verdadeiros melhoramentos e um real enriquecimento. Contudo, o facto de ter sido apresentado como um edifício novo - contraposto ao que fora construído ao longo da história - que se proibisse este último e que, de certa maneira, se concebesse a liturgia já não como um processo vital, mas como um produto de erudição especializada e de competência jurídica, trouxe-nos danos extremamente graves. 

Com efeito, deste modo desenvolveu-se a ideia de que a liturgia se "faz", de que não é uma realidade que exista antes de nós, - algo de "dado" -, mas que depende das nossas decisões. Consequentemente, esta capacidade de decisão não é só reconhecida aos especialistas ou a uma autoridade central, mas também em definitivo a qualquer comunidade que queira ter uma liturgia própria. 

O problema é que, quando a liturgia é algo que cada qual pode fazer à sua maneira, ela deixa de nos poder dar aquela que é a sua verdadeira qualidade: o encontro com o mistério, que não é produto das nossas acções, mas a nossa origem e a fonte da nossa vida. Para a vida da Igreja, é dramaticamente urgente um renovamento da consciência litúrgica, uma reconciliação litúrgica, que volte a reconhecer a unidade da história da liturgia e compreenda o Vaticano II não como ruptura, mas como momento evolutivo. 

Estou convencido de que a crise eclesial em que actualmente nos encontramos depende, em grande parte, da decadência da liturgia, que, por vezes, é mesmo concebida "etsi Deus non daretur": "como se se já não interessasse se Deus está ou não presente nela", se Ele nos fala e ouve ou não. Mas se na liturgia já não aparece a comunhão da fé, a unidade universal da Igreja e da sua história, o mistério de Cristo vivo, de que modo é que a Igreja manifesta a sua substância espiritual? Nesse caso, a comunidade celebra-se apenas a si mesma, coisa que não tem qualquer valor.

Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) in 'A Minha Vida' (Livros do Brasil, 2010 - pág. 106 a 108)


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O verdadeiro Progresso

Todos nós queremos progresso. Mas progredir significa chegar mais perto do lugar onde desejamos estar. E se o caminho que escolhemos é o errado, então, ir em frente não nos levará mais perto. Se estamos no caminho errado, progredir significa dar meia-volta e regressar ao caminho certo; e, nesse caso, quem mais cedo o fizer mais será progressista.

C. S. Lewis in 'Mere Christianity'


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segunda-feira, 19 de julho de 2021

domingo, 18 de julho de 2021

15 conselhos de Madre Teresa para alcançar a humildade

Estes 15 conselhos foram dados por Madre Teresa de Calcutá às Irmãs da Caridade:

1. Falar de si tão pouco quanto for possível.

2. Ocupar-se dos seus próprios assuntos.

3. Evitar a ociosidade.

4. Não querer resolver os assuntos dos outros.

5. Aceitar as contradições com bom humor.

6. Passar por alto as falhas dos outros.

7. Aceitar a censura mesmo quando se está inocente.

8. Ceder à vontade dos outros.

9. Aceitar insultos e injúrias.

10. Aceitar ser desconsiderado, esquecido e desprezado.

11. Ser gentil e amável mesmo quando nos provocam.

12. Não procurar ser admirado e amado.

13. Não se escudar atrás da própria dignidade.

14. Ceder nas discussões mesmo quando se tem razão.

15. Escolher sempre o mais difícil


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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Quais as vacinas Covid-19 fabricadas com células de aborto?

Esta tabela contém informação sobre as vacinas contra a Covid-19 mais populares no mercado. 

O objectivo da tabela é indicar rapidamente quais as vacinas que utilizam células de embriões mortos num aborto provocado, aqui chamadas por “células de aborto.” 

No caso de não haver opção, a Santa Sé explicou que não é intrisecamente grave receber tais vacinas. Mas a Santa Sé também reafirmou que não existe obrigação moral de receber a vacina. 

C
uriosamente, e sem relação evidente, ambas as vacinas indicadas em baixo totalmente produzidas a partir de células de aborto têm tido efeitos secundários mais graves como os casos de coágulos de sangue. O Papa Francisco e o Papa Bento XVI ambos receberam a vacina da Pfizer

Nenhuma vacina contém células de aborto no produto final, mas muitas vezes essas células são usadas na sua produção e isso é lamentável. A toma de vacinas produzidas a partir de células de aborto deve ser evitada, como por exemplo a vacina AstraZeneca. 

Vacina

País

Desenvolvimento

Produção em massa

Testes de confirmação em laboratório

Pfizer 

(vacina por RNA)

EUA

Sequência genética criada por computador

Nenhuma célula usada 

(Vogel et al., bioRxiv8Sept2020)

Células de aborto 

(HEK293 cells

Vogel et al., bioRxiv8Sept2020)

AstraZeneca

Univ. Oxford

(vacina por vector viral)

EUA/UK

Célula de aborto (HEK293 cells)

Células de aborto

(HEK293 cells)

van Doremalen et al., Nature, 30July2020

 

Células de aborto

(HEK293 cells, van Doremalen et al., Nature, 30July2020
MRC-5 cells,
Almuqrin et al., ResearchSquare20Oct2020)

 

Johnson & Johnson

(vacina por vector viral)

EUA

Células de aborto 

(PER.C6 cells)

Células de aborto

(PER.C6 cells

Tostanoski et al.Nature Medicine, 3Sept2020;

J&J, 30March2020;

Janssen Vaccine Technologies)

 

 

Moderna

(vacina por RNA)

EUA

Sequência genética criada por computador

Nenhuma célula usada 

(Corbett et al., Nature , 5Aug2020)

Células de aborto 

(HEK293 cells

Corbett et al., Nature , 5Aug2020)

CureVac

(vacina por RNA)

Alemanha

Sequência genética criada por computador

Nenhuma célula usada 

(Rauch et al., bioRxiv9Feb2021)

Células de coelho e linha celular imortalizada

(Reticulocyte lysate,
HeLa cells

Rauch et al., bioRxiv9Feb2021)

 



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segunda-feira, 12 de julho de 2021

O Javardo

Vai para quinze anos que ao ser chamado a uma terra perto de Minde para acompanhar uma peregrinação de 120 jovens a Fátima me vi na circunstância de em muito pouco tempo ter de lhes falar sobre a confissão e depois atendê-los. Que dizer nos breves minutos de que dispunha? Comecei então por uma pergunta retórica: que é um rapaz de 15 anos?

E logo adiantei a resposta: é um javardo, imundo e sebento. As calças de ganga rotas e esfarrapadas, o cabelo empastado em caspa, três pêlos a despontar no buço, os dentes amarelos e esverdeados, o hálito asqueroso, um fedor dos sovacos intolerável, um pivete a chulé nauseabundo. A mãe num desespero instando com ele: ó filho vai te lavar que ninguém pode estar ao pé de ti; e ele rosnando: ó mãe não me chateie! Ó filho olha que tu apanhas sarna; ó mãe não me chateie! Ó filho assim nenhuma cachopa te quer; ó mãe não me chateie! Ai filho que ainda ficas leproso; ó mãe não me chateie!

Um dia este rapaz ia na rua quando viu uma rapariga, que até andava no liceu, e como se fora apanhado por um choque eléctrico todo o seu corpo exulta, os olhos, como se estiveram desorbitados, colam-se à rapariga, até que ela desaparece numa esquina, ficando então a sua imagem impressa, estampada na sua memória e na fantasia. Como um sonâmbulo que olha para as coisas sem as ver, enxergando tão só a figura interior, dirige-se para casa, toca a campainha, a mãe abre a porta e ao vê-lo tapa rapidamente o nariz e olhando-o de esguelha diz: ai és tu filho, entra… Ele, surdo e cego para o que o rodeava nem respondeu. 

Fechou-se na casa de banho. Tomou 200 banhos de imersão, 100 de chuveiro, gastou 10 litros de champô, 70 sabonetes, lavou os dentes com palha-de-aço pois aquilo já não ia de outra maneira, roubou e encharcou-se nos perfumes da mãe, rapou o buço com a gillete que gamou ao pai, despejou os after-shave, foi ao guarda-fatos do pai e escolheu um com a gravata a condizer.

No dia seguinte quando apareceu no liceu os amigos só depois de algum tempo o reconheceram, perguntando-lhe então: eh pá! O que é que te aconteceu!? Ao que ele retorquiu com aquela voz misturada de agudos e graves própria da puberdade: pá a mim não me aconteceu nada, pá!

Ai não, que não aconteceu…

O rapaz representa-nos a nós, a nossa alma, a nossa interioridade. A javardice, o pecado. A mãe, a Igreja que nos chama ao arrependimento e à confissão. A resposta do filho, os nossos preconceitos e fugas: aqui d’ el-rei que o Papa é reaccionário, a Igreja é conservadora e fundamentalista. A rapariga, o encontro com Jesus Cristo Ressuscitado. O banho, a confissão. O fato, o homem novo, revestido da graça de Deus.

Desde aquele dia tenho-me servido muitas vezes desta narrativa, que me veio de repente, quando falo aos adolescentes e jovens. Não saberei dizer porquê, mas eles acorrem à confissão.

Padre Nuno Serras Pereira


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domingo, 11 de julho de 2021

A Sagrada Comunhão deve ser recebida de joelhos e na língua - Mons. Laise

Em entrevista ao La Fede Quotidiana, Mons. Juan Rodolfo Laise, franciscano, Bispo emérito de São Luís (Argentina), respondeu a uma pergunta fundamental para os Católicos: 

Mons. Laise, como se deve receber a Comunhão?

Mons. Laise: De joelhos e na língua. Deve-se dignamente respeitar e honrar o corpo do Senhor que recebemos com o Sacramento. Repito: perdemos, inclusivamente nas formas litúrgicas, o valor do Sagrado e isto é um abuso muito grave pelo qual é responsável o Papa Paulo VI, ao ter aberto a porta a este modo de agir. Depois do Vaticano II a Igreja começou a perder firmeza no que toca ao Sagrado.


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sexta-feira, 9 de julho de 2021

Confissões de um antigo maçom (Maurice Caillet)

Notas prévias:

1. A incompatibilidade entre maçonaria e Fé Católica é entre o pensamento maçónico e o pensamento católico, muito antes de ser um choque entre formas de agir. (cfr. o breve artigo em anexo "Igreja e maçonaria" do Cardeal Paul Poupard).

2. No dia 26 de Novembro de 1983 a Congregação para a Doutrina da Fé publicou uma 'Declaração sobre a Maçonaria', onde se diz:

"Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão."
Maurice Caillet, venerável de uma loja maçónica durante 15 anos, revela segredos da Maçonaria num livro chamado "Yo fui mazón" (Eu fui maçom). Rituais, normas de funcionamento interno, juramentos e a influência na política desta organização secreta saem agora à luz, em particular as implicações do juramento que obriga a defender outros "irmãos" maçons. 

O livro revela também a influência decisiva da Maçonaria na elaboração e aprovação de leis, como a do aborto em França, na qual ele, como médico, participou activamente. 

Caillet, nascido em Bordéus (França) em 1933, especializado em Ginecologia e Urologia, praticou abortos e esterilizações antes e depois de serem legais no seu país. Membro do Partido Socialista Francês, chegou a cargos de relevância na área da saúde pública. 

Quando entrou oficialmente na Maçonaria?
Maurice Caillet: No início de 1970 convocaram-me para uma possível iniciação. Eu ignorava praticamente tudo acerca do que me esperava. Tinha 36 anos, era um homem livre e nunca me havia afiliado a nenhum sindicato ou partido político. Assim, uma tarde, numa discreta rua da cidade de Rennes, bati à porta do templo, cuja frente estava adornada por uma esfinge de asas e um triângulo que rodeava um olho. Fui recebido por um homem que me disse: «Senhor, solicitou ser admitido entre nós. A sua decisão é definitiva? Está disposto a submeter-se às provas? Se a resposta for positiva, siga-me». Fiz um gesto de acordo com a cabeça. Colocou-me então uma venda preta sobre os olhos, segurou-me pelo braço e fez-me percorrer uma série de corredores. Comecei a sentir certa inquietude, mas antes de poder formulá-la, fechava-se a porta detrás de nós...

No seu livro "Yo fui mazón", explica que a maçonaria foi determinante na introdução do aborto livre em França, em 1974. 
Maurice Caillet: A eleição de Valéry Giscard d'Estaing como presidente da República francesa em 1974 levou Jacques Chirac a ser eleito primeiro-ministro, tendo este como conselheiro pessoal Jean-Pierre Prouteau, Grão-Mestre do Grande Oriente da França, principal ramo maçom francês, de tendência laicista. No Ministério de Saúde colocou Simone Veil, jurista, antiga deportada de Auschwitz, que tinha como conselheiro o Dr. Pierre Simon, Grão-Mestre da Grande Loja da França, com o qual eu mantinha correspondência. Os políticos estavam bem rodeados pelos que chamávamos os nossos "Irmãos Três Pontos", e o projecto de lei sobre o aborto foi elaborado com rapidez. Adoptada pelo Conselho de Ministros no mês de Novembro, a lei Veil foi votada em Dezembro. Os deputados e senadores maçons de direitas e esquerdas votaram como um só homem!

Disse que entre os maçons há obrigatoriedade de ajudar-se entre si. Ainda é assim?
Maurice Caillet: Os "favores" são comuns em França. Certas lojas procuram ser virtuosas, mas o segredo que reina nestes círculos favorece a corrupção. Na Fraternal dos Altos Funcionários, por exemplo, negociam certas promoções, e na Fraternal de Construções e Obras Públicas distribuem os contratos, com conseqeências financeiras consideráveis. 

Já beneficiou destes favores? 
Maurice Caillet: Sim. O Tribunal de Apelação presidido por um "irmão" pronunciou-se sobre o meu divórcio, ordenando custos compartilhados, ao invés de dirigir todos a mim, e reduziu a pensão alimentícia à ajuda que devia prestar a meus filhos. Algum tempo depois, após ter um conflito com os meus três sócios da clínica, outro "irmão maçom", Jean, director da Caixa do Seguro Social, ao saber deste conflito, propôs-me assumir a direcção do Centro de Exames de Saúde de Rennes. 

O abandono da maçonaria afectou a sua carreira profissional?
Maurice Caillet: Desde então não encontrei trabalho em nenhuma administração pública ou semi-pública, apesar de meu rico currículo. 

Em algum momento recebeu ameaças de morte? 
Maurice Caillet: Após ter sido despedido do meu cargo na administração e começar a lutar contra esta decisão arbitrária, recebi a visita de um "irmão" da Grande Loja da França, catedrático e secretário regional da Força Operária, que me disse, com a maior frieza, que se eu recorresse à magistratura trabalhista eu «colocaria em perigo a minha vida» e ele não poderia fazer nada para me proteger. Nunca imaginei que poderia estar ameaçado de morte por conhecidos e honoráveis maçons da nossa cidade. 

Era membro do Partido Socialista e conhecia muitos de seus "irmãos" que se dedicavam à política. Poderia me dizer quantos maçons havia no governo de Mitterrand?
Maurice Caillet: Doze. 

Para um ignorante como eu, poderia dizer quais são os princípios da maçonaria?
Maurice Caillet: A maçonaria, em todas as suas obediências, propõe uma filosofia humanista, preocupada antes de tudo pelo homem e consagrada à busca da verdade, mesmo afirmando que esta é inacessível. Rejeita todos os dogmas e defende o relativismo, que coloca todas as religiões no mesmo nível, enquanto desde 1723, nas Constituições de Anderson, ela se erige a um nível superior, como "centro de união". Daí se deduz um relativismo moral: nenhuma norma moral tem em si mesma uma origem divina e, como consequência, definitiva, intangível. A sua moral evolui em função do consenso das sociedades. 

E como Deus se encaixa na maçonaria?
Maurice Caillet: Para um maçom, o próprio conceito de Deus é especial, como nas obediências chamadas espiritualistas. No melhor dos casos, é o Grande Arquitecto do Universo, um Deus abstracto, mas somente uma espécie de "Criador-mestre relojoeiro", como o chama o pastor Désaguliers, um dos fundadores da maçonaria especulativa. A este Grande Arquiteto se reza, se me permite a expressão, para que não intervenha nos assuntos dos homens, e nem sequer é citado nas Constituições de Anderson. 

E o conceito de salvação? 
Maurice Caillet: Como tal, não existe na maçonaria, salvo no plano terreno: é o elitismo das sucessivas iniciações, ainda que estas possam considerar-se pertencentes ao âmbito do animismo, segundo René Guenon, grande iniciado, e Mircea Eliade, grande especialista em religiões. É também a busca de um bem que não se especifica em nenhuma parte, já que a moral evolui na sinceridade, a qual, como todos sabemos, não é sinónimo de verdade. 

Qual é a relação da maçonaria com as religiões? 
Maurice Caillet: É muito ambígua. Em princípio, os maçons proclamam com firmeza uma tolerância especial para com todas as crenças e ideologias, com um gosto muito marcado pelo sincretismo, ou seja, uma coordenação pouco coerente das diferentes doutrinas espirituais: é a eterna gnose, subversão da fé verdadeira. Por outro lado, a vida das lojas, que foi a minha durante 15 anos, revela uma animosidade particular contra a autoridade papal e contra os dogmas da Igreja Católica. 

Como começou o seu descobrimento de Cristo? 
Maurice Caillet: Eu era racionalista, maçom e ateu. Nem sequer era baptizado, mas a minha mulher Claude estava doente e decidimos ir a Lourdes. Enquanto ela estava nas piscinas, o frio obrigava-me a refugiar na Cripta, onde assisti, com interesse, à primeira Missa da minha vida. Quando o padre, ao ler o Evangelho, disse: «Pedi e vos será dado: buscai e achareis; chamai e se vos abrirá», aconteceu um choque tremendo em mim porque ouvi esta frase no dia de minha iniciação no grau de Aprendiz e costumava-a repetir quando, já Venerável, iniciava os profanos. 

No silêncio posterior – pois não havia homilia – ouvi claramente uma voz que me dizia: «Pedes a cura de Claude. Mas o que ofereces?». Instantaneamente, e seguro de ter sido interpelado pelo próprio Deus, só tinha a mim mesmo para oferecer. No final da Missa, fui à sacristia e pedi imediatamente o baptismo ao padre. Este, estupefacto quando lhe confessei a minha pertença maçónica e minhas práticas ocultistas, disse-me que fosse ver o arcebispo de Rennes. Esse foi o início de meu itinerário espiritual.

in Zenit


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Conferência sobre a Vida Monástica

A conferência será transmitida em directo na página Senza Pagare no facebook: https://www.facebook.com/senzapagare


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quinta-feira, 8 de julho de 2021

Cardeal Sarah diz que Bento XVI ficará conhecido com o Papa do Summorum Pontificum

O Cardeal Robert Sarah lembrou os 14 anos do motu proprio Summorum Pontificum, na sua conta pessoal de Twitter, com uma referência à importância dessa iniciativa do Papa Bento XVI:

«Bento XVI será lembrado, ao longo da História, não só como um grande teólogo, mas também como o Papa do Summorum Pontificum, o Papa da paz litúrgica, aquele que construiu uma ponte ecuménica com o Oriente cristão através da liturgia latino-gregoriana.»


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“Casamento homossexual” é “sacramento” luciferino, diz porta-voz do Templo Satânico

Sempre que o povo americano tentar conter o aborto ou manter leis do casamento tradicional, os seguidores de Satanás vão estar lá para se opor, prometeu o porta-voz nacional do Templo Satânico, segundo apurou o LifeSiteNews.

O Templo Satânico ganhou notoriedade pela tentativa de realizar uma ‘Missa Negra’ na Universidade de Harvard que foi repelida pelos estudantes católicos.

O porta-voz Lucien Greaves, cujo nome de nascimento é Doug Mesner, disse para o jornal ‘Metro Times’ de Detroit que ele gostaria de ajudar as mulheres a não cumprir as leis pela vida. Segundo ele, as restrições ao aborto violam as crenças religiosas satânicas e o “casamento” homossexual é um “sacramento” da religião diabólica. 
Ele acrescentou que o objectivo actual do Templo Satânico é ter gente a fazer lobby em Washington D.C., para passar leis que amparem a “religião de Satanás”. Atacou o governador do Michigan, Rick Snyder, porque “vem tentando tornar insustentável para as mulheres a interrupção da gravidez”.

“Nós sentimos que devemos proteger com isenção religiosa as mulheres de procedimentos supérfluos, como o ultrassom transvaginal”, disse Greaves explicitando a “religião luciferina”. Defendeu que longe de serem adolescentes antissociais e arruaceiros, os seus seguidores luciferianos são “satanistas de mente cívica e socialmente responsáveis”.

“Uma das coisas com que fortemente nos importamos é o direito dos homossexuais”, disse Greaves. “Para nós, acrescentou, o casamento [homossexual] é um sacramento. Reconhece-mo-lo, e achamos que o Estado teria que reconhecer o casamento por motivos de liberdade religiosa”.

Em sentido oposto reagiu Adam Cassandra, gerente de comunicações da Human Life International. Ele disse ao LifeSiteNews que a postura do Templo Satânico sobre o aborto e a redefinição do casamento “talvez sustente a posição de muitos no movimento pela vida de que os ataques à vida humana inocente e à família são demoníacos na sua origem”. “Mesmo que advoguem por ‘justiça’ e ‘direitos’, eles identificam-se com aquele que tem sido a fonte de todos os males e os enganos ao longo da história humana”.
 
Defensores da vida vinham notando que, em manifestações públicas, alguns progressistas liberais invocavam forças demoníacas em seus esforços de lobby por este ou aquele projecto. Em Julho de 2013, um grupo de defensores do aborto gritava “Ave Satanás!”, enquanto cristãos pró-vida cantavam “Amazing Grace” na Assembleia do Texas, antes da aprovação da votação sobre a proibição dos abortos de bebés com mais de 20 semanas.

Via 'Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião'


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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Papa Bento XVI: "A Missa Tradicional nunca foi ab-rogada"

«É lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano, promulgada pelo Beato João XXIII em 1962 e nunca ab-rogada»

Papa Bento XVI in Motu Proprio Summorum Pontificum, Artigo 1


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terça-feira, 6 de julho de 2021

Cardeal Burke ordenou 8 sacerdotes para o Instituto de Cristo Rei

O Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote conta agora com 8 novos sacerdotes. Foram ordenados pelo Cardeal Burke na igreja de São Miguel e São Caetano, em Florença. Provêm dos Estados Unidos, Canadá, Espanha e França.













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Levar a cruz

10 de Abril de 1963: Bombeiros de Detroit carregam um crucifixo com 4 metros de comprimento que estava na igreja de Nossa Senhora das Dores. A igreja ardeu completamente, e, depois de ter ficado em ruínas, "muitos acharam que foi um milagre o crucifixo estar intacto."




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Quando valia a pena ir à escola




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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Una Voce publicou anúncio no La Repubblica com defesa da Missa Tradicional

Perante os rumores que fazem prever uma (ainda) maior restrição do acesso à Liturgia Tradicional Romana, a Federação Internacional Una Voce decidiu publicar um anúncio no jornal italiano La Repubblica com um apelo ao respeito pelo direito dos fiéis. Eis o comunicado:

Vivendo a fé, vivendo o futuro:
A Forma Extraordinária do Rito Romano
Declaração da Federação Internacional Una Voce

A Federação Internacional Una Voce (FIUV), fundada em 1965, congrega várias associações de fiéis leigos que aderem à Forma Extraordinária do Rito Romano (Missa Tradicional).

Em 2007, a Carta Apostólica Summorum Pontificum reconheceu o vigor da liturgia tradicional, a liberdade dos sacerdotes para a celebrar e dos fiéis para a solicitar. Este facto tem levado a um aumento contínuo das celebrações da antiga Missa em latim e de seus frutos espirituais.

No decorrer de 2020, a FIUV realizou uma pesquisa mundial entre os fiéis sobre a implantação do Summorum Pontificum. Deste exercício, que inclui resultados de 364 dioceses em 52 países, encontramos:

• A Missa Antiga em latim é profundamente apreciada por grupos de fiéis de todas as idades, especialmente famílias com crianças, jovens e convertidos, que se encontram em todos os ambientes sociais e culturais, em todos os continentes e num número crescente de países.

• A maior disponibilidade desta Missa favoreceu, em muitos lugares, a normalização da relação entre os fiéis que a ela aderiram e os seus bispos; relacionamentos cada vez mais caracterizados pelo respeito e compreensão mútuos.

No entanto, descobrimos que, ao contrário das políticas anteriores da Santa Sé, dentro da Igreja, ainda existem pessoas, incluindo alguns bispos, que gostariam de ver a Forma Extraordinária do Rito Romano explicitamente suprimida ou sujeita a maiores restrições. Por isso, a FIUV, em consideração aos fiéis que aderem à Missa Tradicional, sente o dever de exprimir a sua opinião, encorajada pela exortação do Papa Francisco aos membros da Igreja, a agir com parrhesia e a necessária humildade.

O aumento do interesse pela liturgia tradicional não se deve à saudade de um tempo que não recordamos ou a um desejo de rigidez: trata-se, na verdade, de nos abrirmos ao valor de algo que, para muitos, é novo e fonte de Esperança. O Papa Francisco caracterizou a antiga liturgia em termos de “Sentido de adoração” (conferência de imprensa de 28 de Julho de 2013), podemos também aplicar as suas palavras: uma “história viva que nos acolhe e nos encoraja para frente” (Evangelii Gaudium 13) .

Queremos hoje fazer parte desta “grande orquestra” de “unidade na variedade” que, como disse o Papa Francisco, reflecte a verdadeira catolicidade da Igreja (Audiência Geral de 9 de Outubro de 2013). A Carta Apostólica Summorum Pontificum continua a transformar os conflitos do passado em harmonia: esperamos que continue a fazê-lo.

Felipe Alanis Suarez, Presidente (www.fiuv.org)


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quarta-feira, 30 de junho de 2021

França: por cada sacerdote ordenado morrem 12

As estatísticas que chegam de França não são animadoras: por cada sacerdote que é ordenado morreram 12 sacerdotes. Um ratio que dificilmente melhorará nos próximos anos visto que a idade média dos sacerdotes franceses é de 75 anos.

Isto implica, obviamente, que o número de sacerdotes vai baixar (ainda mais) drasticamente nos próximos anos. Por causa disso, a maioria dos fiéis católicos verá as suas paróquias fechadas e terá de se deslocar bem mais longe para poder ouvir Missa ao Domingo.

Estes tristes números reflectem o tremendo falhanço que foi o abandono da liturgia romana, como sempre tinha sido celebrada, e da doutrina católica. O renascimento da Igreja em França (e na Europa) apenas poderá acontecer quando ambas forem resgatadas.

João Silveira 


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