sábado, 14 de maio de 2022

Carta de um Diabo ao seu Aprendiz

[Nota introdutória: Esta carta foi transcrita do livro "Vorazmente teu" (The Screwtape Letters), de C.S. Lewis. Trata-se duma troca de correspondência entre o experiente diabo, Escritorpe, e o seu sobrinho Absintox. Lewis dá-nos uma aula de como são as armadilhas e artimanhas e utilizadas pelo diabo para nos confundir]

Querido Absintox,

Espero que a minha última carta te tenha convencido de que a tribulação, o ponto baixo de "aridez" e embotamento que o teu paciente enfrenta no momento, não irá, por si só, dar-te a sua alma, mas sim que é algo que precisa ser devidamente explorado. A seguir discorrerei sobre como explorar essa fase.

Em primeiro lugar, sempre fui da opinião de que os períodos de baixa da ondulação humana nos dão uma excelente oportunidade para todas as tentações de cunho sensual, principalmente as do sexo. Talvez isso seja uma surpresa para ti, porque, afinal de contas, é nas fases de pico que existe mais energia física e, portanto, mais apetite em potencial; mas tens que te lembrar que o poder da resistência também está no seu nível máximo. A saúde e a disposição que queres usar para produzir a luxúria também podem — ai de nós — ser facilmente usadas para a labuta, a diversão, o pensamento ou a alegria inócua. 

O ataque será mais bem-sucedido quando todo o mundo interior de um homem estiver frio, vazio, triste. Também é importante notar que a sexualidade nas fases de baixa difere subtilmente em qualidade da sexualidade nas fases de pico — está bem menos propensa àquele fenómeno insípido que os humanos chamam "apaixonar-se", mais propensa a ser atraída para as perversões e bem menos contaminada por aqueles acrescentos generosos, cheios de imaginação e até mesmo espirituais, que geralmente fazem com que a sexualidade humana seja tão decepcionante.

O mesmo acontece com os outros prazeres da carne. Terás mais probabilidade de tornar o teu homem um legítimo alcoólatra se lhe empurrares a bebida como solução para sua apatia e exaustão do que ao encorajá-lo a usar a bebida como forma de diversão entre amigos quando ele estiver feliz e expansivo. Nunca te esqueças que quando lidamos com qualquer prazer, na sua forma normal e gratificante, estamos, de certo modo, no campo do Inimigo. Eu sei que já ganhámos várias almas através do prazer. Ainda assim, o prazer é invenção d'Ele, não nossa. Ele concebeu os prazeres. A nossa pesquisa, até o momento, não permitiu que produzíssemos nem sequer um deles. 

Tudo o que podemos fazer é encorajar os humanos a abordar os prazeres que o nosso Inimigo criou e usá-los de certas formas, ou em certos momentos, ou em certo grau que Ele tenha proibido. Sempre tentamos, portanto, trabalhar longe das condições naturais de qualquer prazer, e sim naquelas em que ele é menos natural, em que menos sugira o seu Criador, e menos gratificante. A fórmula, portanto, resume-se a uma ânsia cada vez maior por um prazer cada vez menor. É mais seguro e é mais elegante. Possuir a alma de um homem e não lhe dar nada em troca — é isso o que realmente alegra o coração do nosso pai. E as fases de baixa são a época em que devemos dar início a esse processo.

Mas existe um método ainda melhor para explorar os momentos de baixa, que é através dos próprios pensamentos do paciente sobre eles. Como sempre, o primeiro passo é afastá-lo do conhecimento. Não o deixes sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixa-o pensar que seria natural que o entusiasmo inicial da sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu actual estado de aridez é um estado igualmente permanente. Uma vez que essa crença errada estiver bem arraigada dentro dele, poderás avançar de diversas maneiras. 

Tudo dependerá do seu homem ser do tipo fácil de desencorajar, aquele que pode ser tentado a cair em desespero, ou de ser do tipo adepto do auto-engano, aquele que pode ser levado a acreditar que está tudo bem. É cada vez mais raro o primeiro tipo entre os humanos. Se o teu paciente for desse tipo, tudo será mais fácil. Deverás apenas afastá-lo da influência dos Cristãos mais experientes (o que é fácil de conseguir nos dias de hoje), voltar s sua atenção para as passagens apropriadas nas Escrituras e guiá-lo para que fique totalmente determinado a recobrar os seus sentimentos anteriores através da pura força de vontade. Se fizeres isso, ele será nosso. 

Se ele for do tipo mais esperançoso, o teu trabalho consistirá em fazê-lo resignar-se à actual frieza de sua alma e gradualmente contentar-se com ela, tentando convencer-se de que, afinal de contas, ela não está tão fria assim. Dentro de uma ou duas semanas, ele ficará em dúvida se os primeiros dias do seu Cristianismo não foram talvez um tanto exagerados. Converse com ele sobre "moderação em todas as coisas". Se conseguires fazê-lo chegar ao ponto de pensar que "a religião é benéfica só até certa medida", poderás então soltar fogos de artifício, pois a alma dele estará prestes a ser tua. Uma religião moderada é tão proveitosa para nós quanto religião nenhuma - e ainda mais divertida.

Existe também a possibilidade de atacar a sua fé directamente. Quando conseguires fazê-lo imaginar que o período de baixa é permanente, será que não poderias também persuadi-lo que a "sua fase religiosa" irá acabar, como todas as suas fases anteriores? É claro que não existe um modo concebível de ir, através da lógica, da afirmação "Estou gradualmente a perder o interesse por este assunto" até a afirmação "Tudo isso é falso". Mas, como eu disse anteriormente, deves contar com o jargão, não com a razão. A simples palavra "fase" certamente fará magia. 

Suponho que a criatura já tenha passado por várias fases antes — todos eles passam — e que se sinta superior a todas as fases más das quais conseguiu sair; não porque as tenha realmente avaliado, mas apenas porque estão no passado. (Imagino que o alimentes sempre com ideias nebulosas sobre Progresso, Desenvolvimento e o Ponto de Vista Histórico, e que lhe dás muitas biografias modernas para ler, não é? Nesses livros, todas as pessoas estão sempre a sair de fases, não é mesmo?)

Percebeste a ideia? Distrai a atenção dele da simples antítese entre Verdadeiro e Falso. Põe na sua mente algumas expressões bem vagas - "foi só uma fase", "já passei por isso" — e nunca te esqueças desta bendita palavra: "adolescente".

Afectuosamente, o teu tio,
Escritorpe


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Nossa Senhora de Fátima pediu o Terço todos os dias mas...e a Missa diária?

A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima: 

Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?

Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.

A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.

Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contacto com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.

Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas...não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!

Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.

Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n''Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos actos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de directa convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.

Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.

Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato directo com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e reflectida, como o deve ser o Terço.

Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.

Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.

Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos - alguma coisa vos recordarei mais adiante -, e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.

Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.

Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.

Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: «Rezem o Terço todos os dias» (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado in 'Apelos da Mensagem de Fátima' (Edição: Secretariado dos Pastorinhos, Fátima - Portugal - 2000, págs. 115-124


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sexta-feira, 13 de maio de 2022

São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja

Roberto Francisco Romulo Bellarmino veio ao mundo no dia 4 de Outubro de 1542, em Montepulciano, Itália. Terceiro de cinco filhos, nasceu de uma família de origens nobres, seja por parte do pai que da mãe, mas na época do nascimento de Roberto estavam em via de declínio económico. O pai, Vincenzo Bellarmino, foi gonfaloneiro¹ de Montepulciano, e sua mãe, Cinzia Cervini, muito pia e religiosa, era irmã do Papa Marcelo II. Foi baptizado pelo cardeal Roberto Pucci, a quem, certamente, deve a honra do primeiro nome, enquanto o segundo é em honra de São Francisco de Assis, o santo honrado no dia do seu nascimento; Rómulo era um antepassado da família.

O menino Roberto nasceu franzino e doente. Talvez por ter tido tantos problemas de saúde nos primeiros anos de existência, dedicou atenção especial aos doentes durante toda a vida. 

Embora constantemente enfermo, Roberto demonstrou desde muito cedo uma inteligência surpreendente, que o levou ao magistério, e uma profunda inclinação religiosa, que o conduziu à vida religiosa e a uma carreira eclesiástica vertiginosa. Em 1563, foi nomeado professor do Colégio de Florença e, um ano depois, passou a lecionar retórica em Piemonte. Em 1566, foi para o Colégio de Pádua, onde também estudou teologia e, em 1567, mudou para a Escola de Louvain, sendo, então, já muito conhecido em todo o país como excelente pregador.

Apesar do parentesco com um Papa, sempre lhe foi reconhecida uma grande humildade e grande empenho nos estudos; a sua vida conformava-se aos ensinamentos de um dos seus livros espirituais preferidos: a Imitação de Cristo.

Desde muito jovem mostrou dotes literários e, inspirando-se em autores latinos como Virgílio, compôs vários pequenos poemas, tanto em latim quanto em língua vulgar. Um dos seus hinos, dedicado à figura de Maria Madalena, foi inserido, depois, no Breviário. 

Em 1571, tendo concluído todos os estudos, recebeu a ordenação sacerdotal e entrou para a Companhia de Jesus. Unindo a sabedoria das ciências terrenas, o conhecimento espiritual e a fé, escreveu os três volumes de uma das obras teológicas mais consultadas de todos os tempos: "As controvérsias cristãs sobre a fé", um tratado sobre todas as heresias. 

Mais tarde, em 1592, Belarmino foi nomeado director do Colégio Romano, que contava com duzentos e dois professores e dois mil estudantes, entre os quais duzentos jesuítas. Teve a dita de guiar os últimos anos de São Luís Gonzaga, de pureza exímia, que faleceu em 1591. Por lá, realizou um trabalho de tamanha importância que, algum tempo depois, foi nomeado para o cargo de superior provincial napolitano, função em que ficou apenas por dois anos, pois o Papa Clemente VIII reclamava a sua presença em Roma, para auxiliá-lo como consultor no seu Pontificado. Nesse período, produziu outra obra famosa: "Catecismo", que teve dezenas de edições e foi traduzido para mais de cinquenta idiomas, tornando-se um dos três Catecismos oficiais da Igreja Católica, até a publicação do Catecismo Maior de São Pio X. Os outros eram: a Declaração mais copiosa da Doutrina Cristã e o Catecismo de Trento.

Com a morte do Papa Clemente VIII, o seu sucessor, Papa Leão XI, governou a Igreja apenas por vinte e sete dias, vindo a falecer também. Foi assim que o nome de Roberto Belarmino recebeu muitos votos nos dois conclaves para a eleição do novo Sumo Pontífice. Mas, no segundo, surgiu o nome do novo Papa, Paulo V, que imediatamente o chamou para trabalharem juntos no Vaticano. Esse trabalho ocupou Belarmino durante os vinte e dois anos seguintes. 

Morreu aos setenta e nove anos de idade, a 17 de Setembro de 1621, apresentando graves problemas físicos e de surdez, consequência dos males que o acompanharam durante toda a vida. Com fama de santidade ainda em vida, as suas virtudes foram reconhecidas pela Igreja, sendo depois beatificado, em 1923. A canonização de São Roberto Belarmino foi proclamada em 1930, no dia 13 de Maio. 

O seu corpo descansa, desde 21 de Junho de 1923, na 3ª capela da direita da Igreja de Santo Inácio de Loyola, no Colégio Romano, em Roma. Os ossos do seu esqueleto foram recompostos e unidos com fios de prata e revestidos com o hábito cardinalício, enquanto o seu rosto e mãos foram cobertos de prata, como se vê na tumba de vidro, sob o altar a ele dedicado.

in Pale Ideas


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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Cardeal que foi preso hoje em Hong Kong: "Quem gosta da Missa Antiga deve ter acesso a ela"

Que lugar tem a liturgia na vida de Vossa Eminência?

Cardeal Zen: É o momento mais importante do meu dia. Eu sou religioso [salesiano] e, enquanto tal, dou grande valor à nossa oração comunitária. A nossa comunidade dispõe, além disso, de belas instalações para a liturgia.

Vossa Eminência foi um dos primeiros sacerdotes chineses a celebrar o Novus Ordo, como sinal de unidade com Roma. Desde então, o Papa Bento XVI permitiu que a missa tradicional se celebrasse novamente, o que Vossa Eminência fez com grande agrado, nomeadamente em Hong-Kong…

Cardeal Zen: Pessoalmente, vi com muito bons olhos a direcção indicada pelo Papa Bento XVI, agora emérito. Teve toda a razão em dizer que a missa tradicional jamais havia sido abolida. E se os fiéis a acham mais propícia para alimentar a sua devoção, devemos dar-lhes a possibilidade de a ela terem acesso. Coube-me introduzir entre os seminaristas chineses a missa do pós-concílio [de 1989 a 1996, o Cardeal Zen ensinou nos Seminários chineses, que até então estavam vedados aos sacerdotes romanos, NDR], e poder fazê-lo foi uma felicidade. Mas já nessa altura, lhes lembrava que não havia qualquer mal em celebrar a liturgia antiga. A nossa fé, a nossa vocação, os nossos santos, tudo nos vem dessa liturgia, dessa maneira de rezar.

Tem apreço pelo latim?

Cardeal Zen: Muito. Estimo muito os cânticos gregorianos e sei vários de cor. Recito-os durante as minhas orações privadas e acho-os admiráveis! Gostaria de ver mais vezes a forma ordinária celebrada em latim, como o desejava o concílio.

Na Europa, os opositores das missa tradicional dizem que ela só é querida por um pequeno número de pessoas: que comentário lhe merece essa observação?

Cardeal Zen: Não vejo onde esteja o problema. Também em Hong-Kong, há um pequeno grupo. Quem gosta da Missa Antiga deve poder ter acesso a ela. É um direito que lhes assiste. Não é preciso obrigar os fiéis a agruparem-se de modo artificial: é suficiente um pequeno grupo.

E a Missa Antiga não ameaça a unidade da Igreja?

Cardeal Zen: Não, de todo. Por que motivo o deveria fazer? Na Igreja, há muitas liturgias, nomeadamente as das igrejas do Oriente. A diversidade dos ritos não é um problema.

in Paix Liturgique


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terça-feira, 10 de maio de 2022

Balaustrada para a comunhão: restaurar o sentido do Sagrado

Ok, mudei de ideias! É tempo de trazer de volta a balaustrada! Estou tão surpreendido por esta esta mudança como qualquer outra pessoa. Há alguns anos expliquei a teologia da comunhão de pé e defendi-a. E por que não? Sempre recebi assim durante a maior parte da minha vida adulta; até me lembro da experiência da Igreja latina com a intinção nos anos 70. De pé e na mão sempre me pareceu sensível, prático e - com a catequese própria - apropriado.

Mas agora, depois de alguns anos de pé do outro lado da píxide - e a ver o que se passa - já vi o suficiente. Vi uma mãe, com o bébé ao colo, receber a Sagrada Comunhão, levá-la de volta para o banco e partilhá-la com o bébé como se fosse uma bolacha.

Pelo menos quatro ou cinco vezes por ano tive de parar alguém que pega na hóstia e vai-se embora com ela e pedir-lhe que a consumisse ali. Uma ou duas vezes por mês vejo pessoas que a deixam cair. Normalmente são pessoas que não o fazem de propósito, mas desliza-lhes das mãos e Jesus cai violentamente ao chão. Algumas vezes por ano apanho as multidões das encomendas. Recebem a hóstia de modo próprio e depois tiram um lencinho e perguntam se podem levar outra para casa para um familiar doente.

Para além disso, sou lembrado semana após semana que as pessoas não têm uma maneira uniforme de receber na mão. Existe a aproximação "mãos-como-um-trono"; há o "dá cá mais cinco", estilo uma mão estendida; há os notórios "ladrões de corpo" que levantam a mão e pegam na hóstia para a pôr na boca como um chocolate depois de jantar; e há os indecisos vacilantes que se aproximam com as mãos em concha e os lábios entreabertos. Onde é que a querem e como??

Depois de experimentar isto demasiadas vezes, em demasiados sítios, sob uma variedade de circunstâncias, decidi: isto tem que parar! A catequese não tem frutos. Nós tentámos. Podem mostrar às pessoas como se faz; podem instruí-las; podem pôr lembretes no boletim e falar do púlpito. Não adianta. Uma e outra vez, há uma parte considerável de fiéis que simplesmente não têm noção ou, pior, é-lhes indiferente.

O facto é que nós, homens desastrados, precisamos de lembretes externos - sejam cheiros e sinos ou posturas e gestos - para reforçar o que estamos a fazer, direcionar a nossa atenção e fazer-nos estar acima de nós mesmos. Receber a comunhão é algo acima de nós e para além de nós. Deveria transcender o que fazemos normalmente. Mas o que é que diz do nosso estado de devoção e da nossa recepção da Eucaristia o facto de que se começou a parecer como uma ida ao supermercado?
 
A nossa liturgia moderna tornou-se tão vazia de reverência e temor, de maravilha e mistério. Os sinais e símbolos que sublinham o mistério - os vitrais, os cânticos em Latim, as espirais de incenso no altar - desapareceram e foram substituídos por... quê? Cada vez mais agora as igrejas parecem armazéns e o Corpo de Cristo é só mais uma comodidade que armazenamos e deitamos fora.

Ajoelhar para receber na língua pode ajudar a aliviar alguma coisa disto? Bem, mal não faz. E por esta razão: subir à balaustrada da comunhão e ajoelhar e receber na língua é um acto de total e descarada humildade. Nessa postura para receber o Corpo de Cristo, tornamo-nos menos para que depois nos termos mais. Requer uma submissão da vontade e conhecimento claro do que estamos a fazer, porque é que o fazemos e do que está prestes a acontecer-nos.

Francamente, não deveríamos apenas ser humilhados, mas deveríamos ser-nos intimidados o suficiente para perguntarmos a nós mesmos se estamos mesmo preparados espiritualmente para participar deste sacramento. Ajoelhar significa que não posso subir e receber sem saber como se faz propriamente. Exige não só um sentido de concentração e propósito mas também algo mais, algo que tem iludido a nossa devoção nas últimas duas gerações.

Exige um sentido do sagrado. Desafia-nos ajoelhar-nos diante do milagre e curvar-nos diante da graça. Implica que não só percebamos completamente o que se está a passar, mas que apreciemos a generosidade de cortar a respiração por trás dela. Pede-nos que nos lembremos o que significa realmente "Eucaristia": acção de graças.

Eu hoje não vejo muito isso. Desapareceu. Temos que recuperá-lo. Temos de deixar de estar de pé e passarmos a estar de joelhos. Tragam de volta a balaustrada para a comunhão. É hora!

Padre Greg Kandra


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O que acontece quando um leigo se veste de sacerdote?

"O que acontece quando um leigo se veste de sacerdote?: Uma investigação sobre o poder do uniforme” é o título de uma reportagem fruto de uma experiência social de Tom Chiarella, que comprou uma batina e disfarçou-se de sacerdote para ver e provocar reacções nos transeuntes, enquanto passeava pelas ruas de Chicago nos Estados Unidos.

 O artigo foi publicado pela revista Esquire Magazine, que não costuma apresentar conteúdo católico nas suas páginas, e que posteriormente foi também utilizado pelo site ChurchPop, o qual publicou 5 curiosas descobertas que Chiarella fez depois de estar vestido com o clássico uniforme católico: a batina.

A primeira parte do artigo descreve como foi a experiência de andar vestido de batina pelas ruas de Chicago e que conclusões tira a propósito desses momentos. Chiarella chega a afirmar: “Eu não tenho uniforme. […] Tenho uma camisola azul muito catita quando quero vestir algo que me caracterize. É a minha escolha. De facto, esta é uma liberdade muito entediante, adquirida a partir de uma mudança social numa ou outra onda populista do último século. As pessoas olham para isto como uma espécie de libertação.” E acrescenta também: “Um bom uniforme tem presença. Sem dúvida, faz com que não se passe despercebido. Todos reagem. E acima de tudo, mostra com simplicidade a sua missão.”

Para efeitos de esclarecimento, Chiarella durante a sua experiência nunca mentiu a nenhuma pessoa e quando alguém perguntava se ele era um padre ele respondia que não. Aqui estão os 5 aspectos desta experiência que mais se destacam:

1. AS PESSOAS OLHAVAM-NO PARA ONDE FOSSE

“Uma hora com o uniforme e soube logo isto: Num dia radiante de verão, numa grande cidade, um padre com batina é algo digno de observar. As pessoas estabelecem imediatamente contacto visual com o Sr. Padre, inclinando a cabeça em gesto de reverência, ainda que muito ligeiramente por vezes. Da mesma forma, ficam a assistir ao sacerdote a passar. Respeitosamente. De longe.”

“Ao caminhar acompanhados, os homens deixam de lado a sua forma habitual de estar para saudar repentinamente com um: ‘Bons dias, Senhor Padre’. O que provavelmente é um hábito apreendido nos seus tempos passados na escola secundária”.

2. AS PESSOAS QUERIAM TOCAR-LHE

“Por norma, quando estás de uniforme, ninguém te quer tocar. Excepto, quando se trata de uma batina; nesse caso, as pessoas vão querer tocar no sacerdote. Na grande maioria das pessoas que encontrei, pretendiam basicamente agarrar-me a mão.”
“Ao contrário do que seria expectável, a veste sacerdotal é a que tem mais procura de acção física entre os uniformes que já vesti para o mesmo efeito social. Durante todo o dia tem que se dar abraços, ajoelhar-se para falar com os mais pequenos e até, por vezes, inclinar-se para as selfies”.

3) OS SEM-ABRIGO IAM AO SEU ENCONTRO PARA PEDIR AJUDA

“Particularmente as pessoas mais carenciadas. Durante todo o dia deparava-me com homens e mulheres a viver nas ruas. Por vezes, chegavam até mim e seguravam a minha mão. Em duas ocasiões pediram-me a bênção, a qual eu não podia dar. Não podia da maneira que eles mais queriam. E isso criou em mim um desejo de ser capaz de realizar um serviço para o mundo, contudo, encontrei uma situação em que não podia fazer nada.”

“O uniforme vem com algo de responsabilidade, caso contrário, não passava de um mera indumentária. Comecei a ajoelhar-me, oferecendo uma nota de 10 dólares e dizendo: ‘Não sou um padre, mas percebo-te’. E não podia fazê-lo apenas uma vez sem continuar a fazer umas quantas vezes mais. Chicago é uma enorme cidade, com uma quantidade imensa de almas encurraladas. Fico ainda mais entristecido do que poderia alguma vez ter imaginado depois de ver tudo isto.”

4) VEIO A SER PARTE DA ROTA TURÍSTICA DA CIDADE

 
Esgotado, o autor desta experiência ainda vestido como presbítero, dirigiu-se a uma carrinha de comida ambulante, comprou a sua refeição e cumprimentou um autocarro turístico, que devolveu essa saudação ao som das buzinas.

5) É DIFICIL SER SACERDOTE

Dada a maneira como muita gente recorria à sua presença em busca de alguma esperança ou de auxílio, o autor conclui depois de todas as experiências que fez com diversos tipos de uniformes: “Estranhamente, a veste sacerdotal foi a mais exigente. [...] É fácil vestir uma batina, porém, não é fácil andar com ela, de forma alguma."
 
in ACI Prensa


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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Santa Missa durante a Segunda Grande Guerra

A primeira Missa celebrada com a presença de soldados no interior de um hangar japonês.


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domingo, 8 de maio de 2022

Reconquista de Santarém e São Miguel Arcanjo

Em Santarém, a soleníssima festa da Aparição de S. Miguel, esclarecido patrono desta antiga e populosa Vila, em cujo feliz dia [8 de Maio] foi recuperada dos Bárbaros pelo ínclito Rei D. Afonso Henriques, acompanhado mais de seu católico zelo e confiança divina, que do numeroso exército de soldados e bélicos instrumentos, com que se achava naquela apertada ocasião, aparecendo no Céu à noite precedente à batalha sinais demonstrativos da famosa vitória, que no seguinte dia havia de alcançar dos inimigos da Fé. 

Arvorado então o Estandarte Real nas ameias de seus muros por três valerosos soldados, que no maior silêncio da noite, subiram a eles com admirável ousadia. Aberta a porta daquela inexpugnável praça com um martelo de ferro, que outros administraram de fora, entrou logo o S. Rei, e ajoelhado em terra, mãos e olhos no Céu, fez oração a Deus e uma breve fala aos seus, dizendo em alta voz, para que de todos fosse ouvido: Eia valentes Soldados, aqui tendes a vosso Rei e companheiro, não só para testemunha das façanhas que neste comenos obrardes, mas para exemplo do muito que estais obrigados a executar contra os inimigos da Igreja. 

Animados com estas fervorosas palavras, os Cristãos, invocando o Patrão de Espanha [Patrono da Península Ibérica], fizeram bravo estrago e carniceira lastimosa nos Mouros, avantajando-se entre todas, aquela invencível espada, banhada tantas vezes do Agareno sangue, executando tão inauditas proezas, que escurecem as mais célebres que publica a trombeta da fama, ouvindo-se por todas as partes desentoados gritos e alaridos, acrescentando este miserável labirinto a confusão das armas e obscuridade da noite, com que não havia quem se pudesse valer e dar a conselho, até que passados aos fios dos luzentes ferros os principais Mouros que lhe resistiram. 

Ao romper da alva, teve a duvidosa e travada peleja feliz remate em favor dos Cristãos. Porque no tempo que os invencíveis Portugueses, em companhia de seu vitorioso Rei, meneavam as armas temporais nas terras de sua conquista, contra esta vil e infame canalha, em defesa da liberdade Real e exaltação da Religião Católica, meneavam as espirituais, não somente S. Teotónio no Mosteiro de S. Cruz de Coimbra, com seus Cónegos, mas também S. Bernardo no de Claraval, com seus Monges, implorando cada qual o glorioso triunfo, que o S. Rei conseguiu de seus contrários e declarados inimigos de Cristo. 

E vendo ambos com os olhos do espírito o processo de combate pouco favorável aos nossos, apressaram as rogativas e preces, com maior veemência, até que se decretou no Consistório divino, ficasse o campo e a vitória pelas Armas Católicas. Passados 24 anos, veio el-Rei de Sevilha, Albaraque, sobre a dita Vila com poderosíssimo exército, e vendo-se o magnânimo Rei D. Afonso Henriques apertado, recorreu (como tinha de costume) ao Céu, negociando o feliz despacho por meio do Arcanjo S. Miguel (de quem era particular devoto) e saindo os nossos ao campo, animados de suas afectuosas palavras e alentados com o diviníssimo Sacramento do Altar, andando o esforçado Rei no maior conflito da batalha, apareceu a seu lado um Braço armado com asa no coto, que jogava as armas destrissimamente (insígnia com que ordinariamente se pinta este tutelar da Igreja Católica e defensor do povo Cristão) fazendo bravo estrago nos Mouros, com que brevemente a duvidosa vitória ficou pelo S. Rei, e reconhecendo a ele a tão soberano patrocínio, instituiu no Real Mosteiro de Alcobaça a Cavalaria da Ala, com particulares Constituições, debaixo da Regra de S. Bento, que perseverou somente enquanto viveu. 

Por estes e outros singulares benefícios, que por intercessão do S. Arcanjo, alcançou esta nobre Vila do Senhor dos exércitos, lhe levantou Ermida, aonde vai o Senado dela todos os anos neste dia [8 de Maio], com solene Procissão, render as graças das assinaladas vitórias que ali conseguiram as Lusitanas Armas dos inimigos da Fé, nos primórdios deste escolhido e santificado Reino de Portugal.

Pe. Jorge Cardoso in 'Hagiológio Lusitano dos Santos e Varões ilustres em virtude, do Reino de Portugal e suas conquistas' (via accao-integral.blogspot.com)


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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Haverá modo de sair desta situação eclesial?

A submissão subserviente da hierarquia da Igreja aos ditados do estado, representado pela direcção geral da saúde, aquando da “crise” da covid 19, é, culpa minha, para mim incompreensível (desde quando a Pastoral, as Celebrações e a Liturgia da Igreja está submetida ao estado?). Acresce que as consequências, a nível da prática cristã-católica, foram e são desastrosas.

A proliferação imensa de Missas transmitidas pelas chamadas redes sociais criou em muitíssimos católicos a convicção de que participar na Santa Missa nas Igrejas em comunidade com os outros fiéis ou assistir à Missa pela televisão ou internet era a mesma coisa. De facto, a diminuição patente de muitos fiéis na Eucaristia Dominical (e mesmo nas feriais) aí está como testemunho contra o desvario que nos acometeu.

Eu, evidentemente, como é do conhecimento geral, sou um tresloucado, não obstante, atrevo-me a sugerir que os Senhores Bispos e Cardeais ponham um limite mínimo, ou mesmo proíbam, a essas transmissões pelas redes sociais. Seria, sim, adequado proclamar as leituras e comentá-las, e nada mais. Acresce que o Episcopado português poderia fazer uma nota pastoral sobre a Eucaristia e a necessidade de nela participar presencialmente, para todos os que puderem - a ser lida em todas as paróquias nas Celebrações do Santíssimo Sacrifício, num Domingo.

Decresceu, também, drasticamente o número de intenções das Santas Missas. Também aqui me impressiona a ausência de uma indicação, de uma catequese, da parte dos Senhores Bispos, em Nota Pastoral ou de qualquer outro modo mais conveniente, que ensine e explique a importância e eficácia sobrenatural dessas intenções, e do respectivo estipêndio enquanto participação caritativa que proporciona maiores Graças naqueles que as mandam celebrar e que contribui para o sustento dos Sacerdotes e obras da Igreja.

À Honra e Glória de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira



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quinta-feira, 5 de maio de 2022

São Pio V, um grande Papa

Hoje, no calendário tradicional, é dia de São Pio V, um grande Papa do século XVI. Foi um homem de muita oração e piedade, mas que também primou pela autoridade e excelentes qualidades de governo, juntamente com muito sacrifício e humildade. Apesar disto, é um Santo que por vezes é mal visto nos dias de hoje. 

O nome de São Pio V está associado à "Missa Tridentina" ou "Missa Tradicional" ou, simplesmente, "Missa de São Pio V". No entanto, essa Missa já existia pelo menos desde o século VI, com S. Gregório Magno, e era já bastante parecida com o que existe hoje em dia nas igrejas em que é celebrada. O Cânone Romano vem de tempos apostólicos. 

São Pio V limitou-se a uniformizar a liturgia onde fosse necessário (especialmente por perigo de heresias que tinham alterado os vários ritos existentes), passando o Rito Romano a ser muito mais predominante do que era antes no Ocidente. Com as descobertas foi este o Rito que foi levado pelos missionários até às Américas, e também para África e Ásia.

São Pio V foi nomeado Bispo de Roma três anos depois da conclusão do Concílio Trento, e foi sob o seu pontificado que os frutos do Concílio de Trento tomaram efeito na Igreja. Isto aconteceu não só com a publicação de um Catecismo, mas também com uma série de medidas que tomou: aumentou o nível de austeridade na corte papal, banindo qualquer tipo de luxo que pudesse existir, obrigou os sacerdotes a serem fiéis às suas dioceses e suplicou aos cardeais que vivessem vidas simples e piedosas.

Apesar dos enormes esforços e ansiedades que suportava no seu cargo, manteve-se fiel às suas práticas de piedade, fazendo pelo menos duas meditações de joelhos em frente ao Santíssimo Sacramento todos os dias. Nos primeiros anos de pontificado, começou por dar muitos bens aos pobres, por visitar os hospitais, lavar os pés dos sem-abrigo, abraçar os leprosos, ... É conhecida a história de um nobre que se converteu ao ver o Santo Padre beijar os pés de um pedinte cheio de úlceras. 

Além do mais, São Pio V era dominicano e, como qualquer filho de S. Domingos, tinha uma grande devoção a Nossa Senhora e ao Terço. A invocação "Auxílio dos Cristãos" foi acrescentada por ele à Ladainha a Nossa Senhora, na sequência da vitória que os Cristãos alcançaram contra o turcos, na Batalha de Lepanto. Esta vitória ocorreu no dia 7 de Outubro de 1571, que ainda hoje a Igreja celebra como o dia de Nossa Senhora do Rosário.

Nuno CB


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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Mães de Sacerdotes Tradicionais chegaram a Roma

Este corajoso grupo de Senhoras decidiu fazer uma peregrinação até Roma para defender a Missa em latim. São Mães de sacerdotes que celebram a Missa Tradicional. 

Sairam de Paris no dia 6 de Março e chegaram a Roma no dia 1 de Maio. Quase dois meses de peregrinação! Consigo levaram uma petição contento milhares de assinaturas em defesa da Missa Tradicional. 

Hoje, dia 4, estiveram na Audiência Papal e entregaram o seu pedido ao Papa. Mais informações no site da peregrinação: lavoieromaine.com


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terça-feira, 3 de maio de 2022

O nome do Brasil é Terra de Santa Cruz

A 3 de Maio do ano 1500, um Domingo, o Frei Henrique de Coimbra, confessor de D. João II e futuro bispo de Ceuta, celebrou a primeira Santa Missa no Brasil, que desde então recebeu o nome de Terra de Santa Cruz:

"O dia em que o capitão-mor Pedro Álvares Cabral levantou a cruz (...) foi a 3 de Maio, quando se celebra a invenção da Santa Cruz em que Cristo Nosso Redentor morreu por nós, e por esta causa pôs nome à terra que havia descoberto de Santa Cruz e por este nome foi conhecida muitos anos. 


Porém, como o demónio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio que tinha sobre os homens, receando perder também o muito que tinha sobre os desta terra, trabalhou para que se esquecesse o primeiro nome e ficasse o de Brasil, por causa de um pau assim chamado de cor abrasada e vermelha com que se tingem panos, em vez do daquele divino pau, que deu tinta e virtude a todos os sacramentos da Igreja..."

Frei Vicente do Salvador, in História do Brasil (1627)



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segunda-feira, 2 de maio de 2022

Santo Atanásio contra o Mundo

Hoje é dia de Santo Atanásio, bispo de Alexandria (no Egipto). Viveu no século IV, em tempos conturbados. Depois do Concílio de Niceia (325 d.C.) ter condenado as teses do Bispo Ário, que defendia que Jesus era a mais perfeita das criaturas mas que não era Deus nem o Filho de Deus da mesma substância do Pai, os arianos contra-atacaram para que as suas ideias fossem aceites como doutrina católica.

O Imperador, Constâncio II, e muitos bispos católicos defendiam a heresia ariana, mas Santo Atanásio não desistiu de proclamar o erro de Ário e a divindade de Jesus Cristo. Graças a isso foi removido da cátedra de Bispo de Alexandria e exilado 3 vezes. Os erros arianos não prevaleceram, felizmente, muito graças a este grande defensor da verdade.

Daqui vem a célebre frase de 'Athanasius contra mundum':

"Se o mundo for contra a verdade, eu irei contra o mundo!"


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domingo, 1 de maio de 2022

Maio, mês de Maria

Começa mais um mês de Maio que, na tradição católica, é chamado o “mês de Maria”, por ser consagrado a Nossa Senhora. Esta devoção é cheia de beleza e de sentido, e acontece no contexto litúrgico muito apropriado do Tempo Pascal e durante a estação da Primavera onde a própria natureza grita o louvor cósmico a Deus.

O mês de Maria é no fundo o desenvolvimento da belíssima antífona mariana do Tempo Pascal, “Regina Caeli”: “Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia! Porque aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia! Ressuscitou como disse! Aleluia! Rogai a Deus por nós! Aleluia!”. Para além de tudo isto, a própria Virgem Maria apareceu em Fátima aos Três Pastorinhos precisamente neste mês. 

O mês de Maria é uma excelente oportunidade para começar a rezar o terço todos os dias, como nos pediu Nossa Senhora em Fátima, para quem não o faz já. Refiro-me à oração que cada um pode fazer individualmente, mas também à oração do terço em família que é um verdadeiro caminho familiar de conversão e de santidade... e é tão simples! 

É muito oportuno que se dê um especial destaque à imagem de Nossa Senhora, com flores e velas. É importante que os pais promovam que os filhos participem activamente nestas liturgias familiares. Este mês é também uma excelente oportunidade para ir comprar imediatamente o importantíssimo “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, de S. Luís Maria Grignion de Montfort, para ir lendo cada dia, e terminar o Mês fazendo a consagração a Jesus por meio de Maria. 

Bom mês de Maria! 

Padre Fernando António



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S. Francisco, a Eucaristia e os Sacerdotes

1. As santas extravagâncias e excentricidades de S. Francisco de Assis não disseram unicamente respeito à sua relação originalíssima com os elementos da natureza, os astros e os animais. Também no que toca aos sacerdotes encontramos nele uma grande singularidade. Importa, a propósito, referir que o Santo era diácono e, por se achar totalmente indigno, nunca quis ser Ordenado Padre. Lembro-me que há muitos anos, antes de entrar para o seminário, num jantar com amigos e um sacerdote de uma Ordem Religiosa que não a Franciscana lhe referi isso mesmo. Aparentemente ele desconhecia o facto, mas, perspicaz, logo adiantou que provavelmente seria melhor que nem toda a gente pensasse assim pois, de contrário, deixaria de haver Padres. Percebi a mensagem, engoli em seco e mudei rapidamente de assunto.

A devoção e o fervor de S. Francisco pelos Sacerdotes exprimia-se, como dizia, de um modo singular. Por exemplo, afirmava aos seus que se fosse pelos caminhos e lhe aparecesse um Anjo ou um Santo descidos do Céu, de um lado, e do outro, um Padre pobrezinho, ignorante, simplório e pecador, primeiro se dirigiria a este, dizendo ó S. Lourenço espera aí que primeiro vou beijar as mãos deste Sacerdote, uma vez que na Terra só vejo e vem até mim o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo pelas mãos dos Padres que celebram o Sacrifício Santíssimo, no qual se torna verdadeiramente presente Jesus Cristo, nosso Salvador. E continuava exortando os seus frades a que quando vissem um Sacerdote se prostrassem, caso viesse em montada, e beijassem os cascos do cavalo, por reverência ao Mistério Eucarístico que só a eles é dado celebrar.

 

Numa carta a todos os cristãos escreveu: “Devemos ser católicos; frequentar as Igrejas e reverenciar os Sacerdotes, não tanto por si, se são pecadores, mas pelo ofício que têm de administrar o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eles sacrificam no altar, e recebem e distribuem aos demais. E firmemente nos compenetremos disto: Que ninguém se pode salvar, senão pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor que os sacerdotes proclamam, pregam e administram, e só a eles pertence administrar e não a outros.”

 

Numa outra missiva ao Capítulo Geral e a todos os irmãos, numa parte especialmente dirigida aos Sacerdotes, dita: “Ouvi, irmãos meus: Se a bem-aventurada Virgem Maria é honrada, como é de justiça, porque trouxe ao mesmo Senhor em suas santíssimas entranhas, se o bem-aventurado Baptista tremeu e não ousou tocar a cabeça sagrada do seu Deus, se é venerado o sepulcro no qual por algum tempo Ele jazeu, que santidade, justiça e dignidade não se requer naquele que trata com as suas mãos, recebe no coração e na boca, e distribui aos outros, como alimento, Aquele que já agora não morre, mas vive eternamente glorioso, o Cristo a quem os anjos desejam contemplar? Vede a vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede Santos, porque também Ele é Santo. E como, por motivo deste mistério, o Senhor mais que a todos vos honrou, assim vós amai-O, reverenciai-O e honrai-O mais que todos”. E num espanto, como que de incredulidade, continua: “Ó miséria grande, ó miseranda fraqueza, terde-Lo vós assim presente, e ocupardes-vos de qualquer outra coisa no mundo!” 


Depois, extasiado com este Mistério tão excelso, prorrompe arrebatado: “Que o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o Céu exulte, quando sobre o altar, nas mãos do Sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo! Ó grandeza admirável, ó bondade assombrosa, ó humildade sublime, ó sublimidade humilde, que o Senhor de todas as coisas, Deus e Filho de Deus, se humilhe a ponto de Se esconder, para nossa salvação, nas aparências de um bocado de pão. Vede irmãos a humildade de Deus e derramai diante d’ Ele os vossos corações, humilhai-vos também vós para que Ele vos exalte. Nada de vós mesmos retenhais para vós, a fim de que totalmente vos possua Aquele que totalmente a vós Se dá”.

 

A citação destes textos torna patente que a reverência e devoção de S. Francisco pelos Sacerdotes deriva de uma Fé firme e viva na Presença verdadeira e substancial de Jesus Cristo na Eucaristia. A sua primeira Exortação, intitulada “Do Corpo de Cristo”, sublinha-o como uma clareza meridiana: “Ó filhos dos homens, até quando haveis de ser de coração duro? Por que não reconheceis a verdade, e acreditais no Filho de Deus? Eis que Ele Se humilha cada dia, como quando Se baixou do Seu trono real, a tomar carne no seio da Virgem; cada dia vem até nós em aparências de humildade; cada dia desce do seio do Pai, sobre o altar, para as mãos do Sacerdote. E assim como aos Santos Apóstolos Se mostrou em carne verdadeira, assim agora Se mostra a nós no pão sacramentado. Os Apóstolos, com os seus olhos de carne, só viam a Sua carne; mas contemplando-O com os olhos do espírito acreditavam que Ele era Deus. De igual modo, os nossos olhos de carne só ali vêem pão e vinho; mas saiba a nossa Fé firmemente acreditar que ali está, vivo e verdadeiro, o Seu Santíssimo Corpo e Sangue.”

 

Não admira, pois, que S. Francisco que habitualmente envergava uma vestidura rota e remendada, áspera, da cor da terra, feita do pano mais vil e rude, quando ministrava o altar como Diácono se revestisse de uma esplêndida túnica branca, bordada por Santa Clara. Queria que houvesse o máximo decoro, limpeza e preciosidade em tudo o que servia à celebração da Santa Missa. Era solícito em proporcionar vasos sagrados preciosos para as celebrações, percorria os campos de vassoura às costas para que quando encontrasse uma Igreja ou Capela a deixar asseada, e pôs Santa Clara e as suas Irmãs a confeccionarem com amor e cuidado toalhas de altar, corporais, sanguíneos, alvas que pudessem servir dignamente em tão augusto Mistério.

 

Às diligências pelo decoro exterior ajuntava as do interior com amor e misericórdia severos: “… a todos imploro, irmãos, beijando-vos os pés e com quanta caridade eu posso, que presteis toda a reverência e toda a honra que puderdes, ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo o que há no Céu e sobre a terra foi pacificado e reconciliado com Deus Omnipotente. Rogo ainda no Senhor a todos os meus irmãos, que são e serão, e desejam ser Sacerdotes do Altíssimo, que quando quiserem celebrar Missa, puros e com pureza e respeito celebrem o verdadeiro Sacrifício do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com santa e pura intenção, e não por qualquer motivo terreno, nem por temor ou consideração de qualquer pessoa, como para agradar aos homens. Mas que toda a sua vontade, tanto quanto ajude a Graça do Omnipotente, a Ele dirijam, não desejando agradar senão a Ele só, que é o Soberano Senhor. 


Porquanto neste Mistério só Ele opera como Lhe agrada. E pois Ele nos diz: Fazei isto em memória de Mim, se alguém fizer de outro modo, torna-se noutro Judas traidor, réu do Corpo e Sangue do Senhor. … O homem … despreza, ensuja e calca aos pés o Cordeiro de Deus, quando, como diz o Apóstolo, não discernindo e distinguindo o Pão Santo de Cristo dos outros alimentos ou das outras obras, ou o come sendo indigno, ou mesmo sendo digno o come de modo vão e indigno, quando é verdade que o Senhor diz pelo Profeta: Maldito o homem que faz a obra do Senhor fraudulentamente. E aos Sacerdotes que não põem estas coisas em lembrança no coração, condená-los-á o Senhor, que diz: Amaldiçoarei as vossas bênçãos.” (Carta ao Capítulo Geral e a todos os Irmãos).

 

2. a) Lembro-me ainda muito bem, quando era novo, do costume que tínhamos de cumprimentar os Sacerdotes beijando-lhes as mãos. Provavelmente, não sei ao certo, este costume que perdurou tanto tempo na Igreja terá tido origem na devoção de S. Francisco àqueles que oferecem, na Pessoa de Cristo, o Sacrifício Eucarístico (por curiosidade, deixem-me adiantar que nalgumas obras de Camilo Castelo Branco os Padres não dizem vou celebrar a Missa, mas sim vou Sacrificar; seria provavelmente o modo de se exprimir nas épocas que descreve e que a mim, homem vil e caduco, me parece bem mais apropriado).

 

Pena era que as senhoras se cumprimentavam, nalguns estratos sociais, do mesmo modo; pena, digo, pela confusão que poderia gerar em muitas mentes – ou a mulher era indevidamente divinizada, idolatrada ou o Padre era feminizado.

 

Aconteceu-me, várias vezes, na minha mocidade Sacerdotal que alguns fiéis me queriam beijar a mão e eu pressurosamente a retirava achando que era por humildade. Depois caí na conta que o mais certo era o meu coração estar endurecido e por isso estorvasse, em vez de aceitar com simplicidade, a reverência dos fiéis pelo dom de Deus que me tinha transformado ontologicamente, configurando-me com Cristo Sumo Sacerdote e Cabeça da Igreja. Impedia desse modo a manifestação de uma Fé viva e de uma devoção verdadeira a Jesus Cristo, o Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor. Como sou tonto pode bem ser que se alguém me apanhar desprevenido e me quiser oscular a mão eu procure retirá-la. Espero, não obstante, que com o tempo me vá emendando.

 

b) Confesso que experimento, com uma grande amargura, uma imensa vergonha e um intenso rubor em admiti-lo, mas a verdade é que tenho celebrado muitas vezes este Sacrifício Sublime e Santíssimo com alvas amarrotadas, enxovalhadas, curtas; cordões sebentos; estolas a desfiar-se; cálices e patenas de latão, ou algo parecido, com os dourados e prateados, contrafacções de ouro e prata, desmaiados, gretados, raspados, etc., etc. Mas devo também declarar que dadas as circunstâncias parece tantas vezes inevitável. Não dominamos nem mandamos de modo a poder dispor as coisas de outra maneira e a alternativa seria não Sacrificar.

 

Tenho, porém, a esperança que, neste ano Sacerdotal nos ajudemos todos uns aos outros, quer Sacerdotes quer Fiéis Leigos ou Religiosos, e assim possamos celebrar estes Mistérios Sacratíssimos com a dignidade que lhes corresponde.

 

c) Com mais grave cuidado importará, no entanto, trabalhar pela purificação das consciências através do sacramento da Confissão, Reconciliação ou Penitência de modo que todos entendam como necessário estar na Graça de Deus para poderem receber dignamente na boca e no coração o Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor, a Quem só é devida a honra a glória e o louvor, Jesus Cristo, Nosso Salvador.

 

E evidentemente deixar de vez e com a máxima firmeza de dar a Sagrada Comunhão a quem publicamente se encontre objectiva e obstinadamente em estado de pecado grave.


Padre Nuno Serras Pereira


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sábado, 30 de abril de 2022

Ajoelhar-se é estranho para a cultura moderna

Ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura justa e necessária. 

Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de se ajoelhar deve ser recuperado

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI) in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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