terça-feira, 14 de maio de 2024

Cinco novos Diáconos para a FSSP


















A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro conta com cinco novos Diáconos, incluindo dois portugueses. Foi ordenado um sexto Diácono que pertence ao Institut de la Sainte Croix de Riaumont. A ordenação decorreu na igreja paroquial de Gestratz e o Bispo ordenante foi Mons. Wolfgang Haas, Arcebispo emérito de Vaduz (Liechtenstein).

Rezemos para que sejam sempre fiéis à vocação que receberam de Deus.

Fotografias: fsspwigratzbad.blogspot.com


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segunda-feira, 13 de maio de 2024

78 anos da Coroação Solene de Nossa Senhora de Fátima

Há 78 anos, no dia 13 de Maio de 1946, a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi coroada solenemente, e pela primeira vez, pel
o Cardeal Bento Aloisi Masella, legado pontifício. Nesse mesmo dia, para comemorar o acontecimento, o Papa Pio XII fez este anúncio radiofónico:

Veneráveis Irmãos e amados Filhos,

«Bendito seja o Senhor, Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações » :(1) e com o Senhor seja bendita Aquela que Ele constituiu Mãe de misericórdia, Rainha e Advogada nossa amorosíssima, Medianeira de suas graças, Dispensadora dos seus tesoiros !

Quando, há quatro anos, em pleno rumorejar da mais funesta guerra que viu a história, convosco pela primeira vez subimos em espírito a este monte santo, para convosco agradecermos A. Virgem Senhora de Fátima os benefícios imensos, com que recentemente vos tinha agraciado, ao comum Magnificat juntávamos o grito de filial confiança, para que a Imaculada Rainha e Padroeira de Portugal completasse o que tão maravilhosamente tinha começado.

A vossa presença hoje neste Santuário, em multidão tão imensa que ninguém a pode contar, está atestando que a Virgem Senhora, a Imaculada Rainha, cujo Coração materno e compassivo fez o prodígio da Fátima, ouviu de modo superabundante as nossas súplicas.

O amor ardente e reconhecido vos trouxe : e vós quisestes dar-lhe uma expressão sensível condensando-o e simbolizando-o naquela coroa preciosa, fruto de tantas generosidades e tantos sacrifícios, com que, por mão do Nosso Cardeal Legado, acabamos de coroar a Imagem taumaturga.

Símbolo expressivo, que, se aos olhos da celeste Rainha atesta o vosso filial amor e gratidão, primeiro vos recorda a vós o amor imenso, expresso em benefícios sem conta, que a Virgem Mãe tem desparzido sobre a sua « Terra de S. Maria ». Oito séculos de benefícios ! Os cinco primeiros sob a signa de S. Maria de Alcobaça, de S. Maria da Vitória, de S. Maria de Belém, nas lutas épicas contra o Crescente pela constituição da nacionalidade, em todos os heroísmos aventurosos dos descobrimentos de novas ilhas e novos continentes, por onde vossos maiores andaram plantando com as Quinas a Cruz de Cristo. 

Estes três últimos séculos sob a especial protecção da Imaculada, a quem o Monarca restaurador com toda a Nação reunida em Cortes aclamou Padroeira de seus Reinos e Senhorios, consagrando-lhe a coroa, com especial tributo de vassalagem e com juramento de defender, até dar a vida, o privilégio de sua Conceição Imaculada : a esperando com grande confiança na infinita misericórdia de Nosso Senhor, que por meio desta Senhora, Padroeira e Protectora de nossos Reinos e Senhorios, de quem por honra nossa nos confessamos e reconhecemos vassalos e tributários, nos ampare e defenda de nossos inimigos, com grandes acrescentamentos destes Reinos, para a glória de Cristo nosso Deus e exaltação de nossa Santa Fé Católica Romana, conversão dos Gentios e redução dos Hereges ».(2)

E a Virgem fidelíssima não confundiu a esperança que n'Ela se depositava. Basta reflectir nestes três últimos decénios, pelas crises atravessadas e pelos benefícios recebidos equivalentes a séculos; basta abrir os olhos e ver esta Cova da Iria transformada em fonte manancial de graças soberanas, de prodígios físicos e muito mais de milagres morais. que a torrentes daqui se derramam sobre todo Portugal, e de lá, rompendo pelas fronteiras, se vão espraiando por toda a Igreja e por todo o mundo.

Como não agradecer? ou antes como agradecer condignamente? Há trezentos anos o Monarca da restauração, em sinal do amor e reconhecimento seu e do seu povo, depôs a coroa real aos pés da Imaculada, proclamada Rainha e Padroeira. Hoje vós todos, todo o povo da Terra de Santa Maria, com os Pastores de suas almas, com o seu Governo, às preces ardentes, aos sacrifícios generosos, às solenidades eucarísticas, às mil homenagens que vos ditou o amor filial e reconhecido, juntastes aquela preciosa coroa e com ela cingistes a fronte de Nossa Senhora da Fátima, aqui neste oásis bendito, impregnado de sobrenatural, onde mais sensível se experimenta o seu prodigioso patrocínio, onde todos sentis mais perto o seu Coração Imaculado a pulsar de imensa ternura e solicitude materna por vós e pelo mundo.

Coroa preciosa, símbolo expressivo de amor e gratidão!

Senão que o vosso mesmo concurso imenso, o fervor das vossas preces, o troar das vossas aclamações, todo o santo entusiasmo que em vós vibra incoercível, e, depois, o sagrado rito, que se acaba de realizar nesta hora de incomparável triunfo da Mãe Ssma., evocam ao Nosso espírito outras multidões bem mais inumeráveis, outras aclamações bem mais ardentes, outros triunfos bem mais divinos, outra hora — eternamente solene — no dia sem ocaso da eternidade : quando a Virgem gloriosa, entrando triunfante na pátria celeste, foi através das jerarquias bem-aventuradas e dos coros angélicos sublimada até ao trono da Trindade beatíssima, que, cingindo-lhe a fronte de um tríplice diadema de glória, A apresentou à Corte celestial, assentada à direita do Rei imortal dos séculos e coroada Rainha do universo.

E o Empíreo viu que Ela era realmente digna de receber a honra, a glória, o império, — porque mais cheia de graça, mais santa, mais formosa, mais endeusada, incomparavelmente mais, que os maiores Santos e os Anjos mais sublimes, ou separados ou juntos; —  porque misteriosamente emparentada na ordem da União hipostática com toda a Trindade beatíssima, com Aquele que só é por essência a Majestade infinita, Rei dos reis e Senhor dos senhores, qual Filha primogénita do Padre e Mãe extremosa do Verbo e Esposa predilecta do Espírito Santo; — porque Mãe do Rei divino, d'Aquele a quem desde o seio materno deu o Senhor Deus o trono de David e a realeza eterna na casa de Jacob (3) e que de si mesmo proclamou, ter-lhe sido dado todo o poder nos céus e na terra : (4) Ele o Filho Deus, reflecte sobre a celeste Mãe a glória, a majestade, o império da sua realeza; — porque associada, como Mãe e Ministra, ao Rei dos mártires na obra inefável da humana Redenção, lhe é para sempre associada, com um poder quasi imenso, na distribuição das graças que da Redenção derivam.(5)

Jesus é Rei dos séculos eternos por natureza e por conquista; por Ele, com Ele, subordinadamente a Ele, Maria é Rainha por graça, por parentesco divino, por conquista, por singular eleição. E o seu reino é vasto como o de seu Filho e Deus, pois que de seu domínio nada se exclui.

Por isso a Igreja a saúda Senhora e Rainha dos Anjos e dos Santos, dos Patriarcas e dos Profetas, dos Apóstolos e dos Mártires, dos Confessores e das Virgens ; por isso a aclama Rainha dos céus e da terra, gloriosa, digníssima Rainha do universo : Regina caelorum, (6) gloriosa Regina mundi, (7) Regina mundi digníssima : (8) e nos ensina a invocà-la de dia e de noite entre os gemidos e lágrimas de que é fecundo este exílio : Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida doçura, esperança nossa.

É que a sua realeza é essencialmente materna, exclusivamente benéfica.

E não é precisamente essa realeza que vós tendes experimentado? Não são os infindos benefícios, os carinhos inumeráveis com que vos tem mimoseado o Coração materno da augusta Rainha, que vós hoje aqui proclamais e agradeceis? A mais tremenda guerra que nunca assolou o mundo, por quatro longos anos andou rondando às vossas fronteiras, mas não as ultrapassou, graças sobretudo a Nossa Senhora, que deste seu trono de misericórdia, como de sublime ataláia, colocada aqui no centro do país, velava por vós e por vossos governantes ; nem permitiu que a guerra vos tocasse, senão o bastante para melhor avaliardes as inauditas calamidades de que a sua protecção vos preservava.

Vós coroai-la Rainha da paz e do mundo, para que o ajude a encontrar a paz e a ressurgir das suas ruinas.

E assim aquela coroa, símbolo de amor e gratidão pelo passado, de fé e de vassalagem no presente, torna-se ainda, para o futuro, coroa de lealdade e esperança.

Vós, coroando a imagem de Nossa Senhora, assinastes, com o atestado de fé na sua realeza, o de uma ,submissão sua autoridade, de uma correspondência filial e constante ao seu amor. Fizestes mais ainda : alistastes-vos Cruzados para a conquista ou reconquista do seu Reino, que é o Reino de Deus. Quer dizer : obrigastes-vos a trabalhar para que Ela seja amada, venerada, servida à volta de vós, na família, na sociedade, no mundo.

E que nesta hora decisiva da história, como o reino do mal com infernal estratégia emprega todos os meios e empenha todas as forças para destruir a fé, a moral, o Reino de Deus, assim os filhos da luz e filhos de Deus têem de empenhar tudo e empenhar-se todos para o defender, se não se quer ver uma ruina imensamente maior e mai desastrosa que todas as ruinas materiais acumuladas pela guerra.

Nesta luta não pode haver neutros, nem indecisos. É preciso um catolicismo iluminado, convicto, desassombrado, de fé e de mandamentos, de sentimentos e de obras, em particular e em público. O lema que há quatro anos proclamava em Fátima a briosa juventude católica : « Católicos a cem por cem ! »

Na esperança de que os Nossos votos sejam favoravelmente acolhidos pelo Coração Imaculado de Maria e apressem a hora do seu triunfo e do triunfo do Reino de Deus, — como penhor das graças celestes, a vós, Veneráveis Irmãos e a todo o vosso Clero, ao Exmo. Presidente da República, ao ilustre Chefe e aos Membros do Governo, às mais Autoridades civis e militares, a todos vós, amados Filhos e Filhas, devotos peregrinos de Nossa Senhora da Fátima, e a quantos convosco estão unidos em espírito por todo Portugal continental, insular e ultramarino, damos com todo o amor e carinho paterno a Bênção Apostólica.

Notas
1. 2 Cor. 1, 3, 4.
2. Auto da aclamação de N. Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal pelas Cortes de Lisboa, em 1646.
3. Luc. 1, 32-33.
4. Matth. 28, 18.
5. Cfr. Leonis XIII Enc. Adiutricem, 5 septembris 1895: Acta, vol. XV, pag. 303.
6. Brev. Rom. 2ª Ant. final. B. Mariae Virg.
7. Off. parv. B. Mariae Virg., Ant. ad Magnif. per annum.
8. Missal. Rom. Comm. in Commem. B. Mariae Virg. de Monte Carmelo.


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3 acontecimentos marcantes no dia 13 de Maio de 1917

Há 107 anos, em lugares diferentes do Mundo, decorriam eventos que viriam a influenciar de modo decisivo o futuro da Humanidade: 

1 - 13 de Maio de 1917: Lenine, após o assassinato de uma professora de catequese e dos seus alunos, redige o "credo ateu" afirmando: "Já não há Céu, já não há Deus!"

2 - 13 de Maio de 1917: Nossa Senhora aparece pela primeira vez em Fátima aos três pastorinhos. No segundo segredo relevado pela Santíssima Virgem em Fátima está prometida a conversão da Rússia comunista.

3 - 13 de Maio de 1917: O Pe. Eugenio Pacelli é sagrado Arcebispo in partibus de Sardes, pelo Papa Bento XV, na Capela Sistina. 22 anos mais tarde foi eleito Papa e escolheu o nome Pio XII. Foi o primeiro Papa a ter uma ligação forte às aparições de Fátima, sendo conhecido nessa época como "Papa de Fátima". O Papa Pio XII viu o milagre do sol nos jardins do Vaticano no dia 30 de Outubro de 1950 às 16h.


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domingo, 12 de maio de 2024

Procissão das velas

Uma grande multidão encheu o Santuário de Fátima no dia 12 de Maio de 2018, para a Procissão das Velas no 101º aniversário das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos

Fotografia: Santuário de Fátima


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Comunhão na Liturgia Bizantina

Eis o que diz o sacerdote, e os fiéis, ao comungar, na Liturgia Bizantina de São João Crisóstomo:

Creio, Senhor, e confesso que em verdade Tu és Cristo, Filho de Deus vivo e que vieste ao mundo para salvar os pecadores, do qual eu sou o primeiro. 

Creio ainda que este é o Teu Puríssimo Corpo e que este é Teu Próprio e Precioso Sangue. 

Suplico-Te, pois, tem misericórdia de mim e perdoa-me as minhas faltas voluntárias e involuntárias, que cometi por palavras ou acções, com conhecimento ou por ignorância e concede-me, sem condenação, receber os Teus puríssimos Mistérios para a remissão dos pecados e para a vida eterna. Amém. 

Da Tua ceia mística, aceita-me hoje como participante, ó Filho de Deus, pois não revelarei o Teu Mistério aos Teus inimigos, nem Te darei o beijo como Judas, mas como o ladrão me confesso: lembra-Te de mim, Senhor, no Teu reino! 

Que não seja para juízo ou condenação a recepção dos Teus Santos Mistérios, Senhor, mas para a cura da alma e do corpo. Amém.


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sábado, 11 de maio de 2024

Qual é a utilidade de ter gente fechada em celas a rezar?

A Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno, tem como base uma vida de solidão, silêncio e oração. É assim que nos próprios Estatutos a Ordem define a sua missão no Mundo:

Quanta utilidade e gozo divino trazem consigo a solidão e o silêncio do deserto a quem os ama, só o sabe quem o experimentou. Mas esta melhor parte não a elegemos unicamente para nosso próprio proveito. Ao abraçar a vida oculta não abandonamos à família humana, senão que, consagrando-nos exclusivamente a Deus cumprimos uma missão na Igreja onde o visível está ordenado ao invisível, a acção à contemplação.

Se realmente estamos unidos a Deus, não nos encerramos em nós mesmos, pelo contrário, a nossa mente abre-se e o nosso coração dilata-se; de tal forma que possa abarcar o universo inteiro e o mistério salvador de Cristo. Separados de todos unimo-nos a todos para, em nome de todos, permanecer na presença do Deus vivo. Esta forma de vida que, quanto o permite a condição humana, orienta-se a Deus de forma directa e contínua, põe-nos num contacto peculiar com a bem-aventurada Virgem Maria, à que costumamos chamar Mãe singular dos Cartuxos.

Tendendo pela nossa Profissão unicamente para Aquele que é, damos testemunho perante um mundo demasiado implicado nas coisas terrenas, de que fora d'Ele não há Deus. A nossa vida manifesta que os bens celestiais estão presentes já neste mundo, preanuncia a ressurreição e antecipa de algum modo a renovação do mundo.

Por fim, pela penitência tomamos parte na obra redentora de Cristo, que sobretudo com a oração ao Pai e a Sua imolação salvou o género humano cativo e oprimido pelo pecado. Assim, procurando associar-nos a este aspecto mais profundo da Redenção de Cristo, apesar de nos abstermos da actividade exterior, exercemos o apostolado de maneira eminente.

Por isso, entregando-nos à quietude da cela e o trabalhando oferecemos a Deus um culto incessante em Seu louvor, para o qual foi especialmente instituída a Ordem eremítica da Cartuxa, a fim de que, santificados na verdade, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai pretende.

in Estatutos da Ordem dos Cartuxos, 34


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sexta-feira, 10 de maio de 2024

Como for a tua Missa, assim será a tua Fé

“Como for a tua Missa, assim será a tua Fé,  Como for a tua Fé, assim será a tua moral,  Como for a tua moral, assim será a tua vida, E como tiver sido a tua vida, assim será a tua eternidade.”  

Mons. Tihamer Toth


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Testamento de D. Pedro II ao seu filho D. João V, Rei de Portugal e Algarves

Encarrego-te o bem dever que deves governar e em primeiro lugar te encomendo a fé cathólica, o temor a Deus, o culto divino nos templos e lugares sagrados, lembro-te o muito, que deves amar a todos os teus vassalos e que és rei dos portugueses, os mais honrados e fiéis, que pode haver no mundo e que os reis de Portugal sempre tratarão vassalos como filhos, encarrego-te que premeies os bons e castigues os maos e que na administração da justiça te hajas com grande igualdade, sem attenderes a outros respeitos, mais que aos merecimento de cada hum, e principalmente de guerra não os dês, senão a quem os merecer e no que te aconselharem segue sempre o que for justiça e razão. 

O que for justiça e razão, justiça e razão! (repetiu) Deixo-te o reino de Portugal, de que Deos hum dia te háde pedir contas.

Fonte: A.N.T.T. Fundo Arquivistico Casa Real-Aquivo histórico do ministério das Finanças


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quinta-feira, 9 de maio de 2024

Elogio fúnebre de S. Gregório Nazianzeno no enterro do seu grande amigo S. Basílio Magno

Encontrámo-nos em Atenas, como que arrastados pela corrente de um mesmo rio, que desde a fonte pátria nos tinha dispersado por diversas regiões (para onde éramos atraídos pelo afã de aprender), e que, de novo, como se nos tivéssemos posto de acordo, nos voltou a reunir, sem dúvida porque assim Deus o quis.
   
Por aquele tempo, eu não só admirava o meu grande amigo Basílio, pela seriedade dos seus costumes e pela maturidade e prudência das suas palavras, mas tratava de persuadir a outros que ainda não o conheciam, para que tivessem a mesma admiração. Começou a ser tido em grande estima, até por aqueles que lhe levavam vantagem em fama e audiência.

Que sucedeu então? Ele foi o único, entre todos os estudantes que se encontravam em Atenas, a ser dispensado da lei comum e o único a conseguir uma honra maior do que a que normalmente corresponde a um discípulo. Este foi o prelúdio da nossa amizade; este o incentivo da nossa intimidade; assim nos prendemos um ao outro pelo afecto mútuo.

Com o andar do tempo, confessámos mutuamente as nossas intenções e compreendemos que o nosso mais profundo ideal era o amor da sabedoria; e desde então, éramos um para o outro o mais possível companheiros e amigos, sempre de acordo, aspirando aos mesmos bens e cultivando cada dia mais fervorosa e firmemente o nosso ideal comum.

Movia-nos a mesma ânsia de saber; embora isto costume ocasionar profundas invejas, nós não tínhamos inveja; em contrapartida, tínhamos em grande apreço a emulação. Lutávamos entre nós, não para ver quem era o primeiro, mas para ver quem cedia ao outro a primazia; cada um de nós considerava como própria a glória do outro.

Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos. E embora não se deva dar crédito àqueles que dizem que tudo se encontra em todas as coisas, no nosso caso podia afirmar-se que realmente cada um se encontrava no outro e com o outro.

Uma só tarefa e um só objectivo havia para ambos: aspirar à virtude, viver para as esperanças futuras e comportar-nos de tal modo que, mesmo antes de ter partido desta vida, tivéssemos emigrado dela. Esse foi o ideal que nos propusemos, e assim tratávamos de orientar a nossa vida e as nossas acções, em atitude de docilidade aos mandamentos divinos, entusiasmando-nos mutuamente à prática da virtude; e, se não parecer demasiada arrogância, direi que éramos um para o outro a norma e a regra para discernir o bem do mal.
   
E assim como outros têm sobrenomes recebidos de seus pais, ou adquiridos por si próprios, isto é, com a actividade e a orientação da sua vida, para nós o maior título de glória era sermos cristãos e como tal reconhecidos. 

Oratio 43 in 'Laudem Basilii Magni'


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Quinta-Feira da Ascensão ou Dia da Espiga

Em Portugal, nesta Quinta-Feira da Ascensão, as pessoas iam para os campos em busca dos vários constituintes do Ramo da Espiga. Ramo que segundo reza a tradição será colocado atrás da porta principal de casa, local onde fica até ser substituído no ano seguinte. 

As Espigas devem ser sempre em número ímpar, e são a parte mais importante do ramo. Podem ser de trigo, centeio, aveia, ou qualquer outro cereal. Representam o pão, como a base do sustento da família, e a fecundidade. 

A Papoila, com a sua cor vibrante e quente, significa neste ramo o amor, e a vida. Sendo a parte mais garrida do ramo acaba por ser também aquele que mais se decai com o ano a passar, ao escurecer e secar. 

O Malmequer simboliza no ramo a riqueza e os bens terrenos. Isto pelo seu branco simbolizar a Prata, e ao mesmo tempo o amarelo simbolizar o Ouro. 

A Oliveira acaba por ter um duplo significado no Ramo da Espiga. Em parte significa a Paz, sendo que é um dos símbolos da Paz desde a antiguidade. Ao mesmo tempo é o símbolo da Luz, visto do seu óleo, azeite, se encherem as lâmpadas que alumiavam as casas. Sendo que esta Luz pode ser interpretada como o sentido divido da mesma, significando a sabedoria divina. 

O Alecrim, tal como a Oliveira é uma presença constante pelo mediterrâneo. Com o seu cheiro forte e duradouro, e sendo uma planta que resiste a quase tudo, simboliza no ramo a força e a resistência. Ao contrário da Papoila avançando no ano o seu cheiro vai-se aguentando, e a sua presença torna-se cada vez mais notada no ramo. 

A Videira é a representação do vinho, tão importante para a nossa cultura e tradição.

in Jornal de Mafra


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Coro e acólitos de uma paróquia nos anos 40

Esta fotografia foi tirada na paróquia da Imaculada Conceição, em East Germantown (Filadélfia), minutos antes da Missa de Natal, no ano 1941. São os acólitos e o coro da paróquia.


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terça-feira, 7 de maio de 2024

O declínio das Ordens Religiosas desde 1960

Os jesuítas foram a primeira ordem das doze principais a perder mais de metade dos seus membros desde o seu ponto alto em 1966 (1966: 36038; 2011: 17908 membros). Actualmente, têm 14195 membros, o que representa uma redução de 61% em relação ao seu máximo histórico. Não se registam alterações nesta tendência desde que Francisco, um jesuíta, se tornou Papa.

Relativamente ao número dos seus membros, duas ordens atingiram esse triste marco em 2016: os Franciscanos (agora com menos 55%) e os Oblatos de Maria Imaculada (agora com menos 54%); e duas em 2022: os Redentoristas (menos 51%) e os Vicentinos/Lazaristas (menos 52%).

Em termos de sacerdotes, apenas quatro ordens perderam mais de metade dos seus sacerdotes: os Beneditinos diminuíram 54% (início dos anos 70: 7058; 2019: 3420) e os Oblatos de Maria Imaculada diminuíram 52% (1967: 5441; 2021: 2643).

Tendo em conta os números de 2022, os jesuítas registam um decréscimo de 50% (de 21025 em 1969 para 10432 padres), agora 51%. Este ano, os franciscanos foram adicionados à lista, com uma redução de 51% (1967: 16528; 2022: 8140 padres).

Em termos de membros, apenas os Missionários do Verbo Divino atingiram o seu máximo em termos de membros nos últimos anos (2009: 6131 membros).

Em termos de sacerdotes, duas ordens atingiram o seu máximo em 2016: os Missionários do Verbo Divino com 4231 sacerdotes e os Carmelitas Descalços com 2937 sacerdotes. Os Carmelitas Descalços tiveram o melhor ano entre os 12 primeiros, aumentando em 4 o número de sacerdotes.

Somando todas estas doze comunidades religiosas, o máximo de sempre registou-se em 1966, com 160926 membros no total. Em 2023, esse número desceu 46% para 87 101 membros. Em termos de sacerdotes, o máximo foi em 1971 (95411 sacerdotes). Em 2023, esse número caiu 37%, para 60322 padres.

Se as tendências actuais se mantiverem, os Jesuítas perderão o título de maior ordem religiosa para os Salesianos, de São João Bosco, daqui a cerca de dois anos. Para além disso, os jesuítas deverão ficar abaixo dos 10000 sacerdotes na mesma altura.

in gloria.tv


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Como a devoção a Nossa Senhora no mês de Maio salvou um suicida

Ao Santo Cura d'Ars apresentou-se um dia uma senhora muito desesperada porque o seu marido, incrédulo, se tinha suicidado, atirando-se pela janela abaixo. Apenas o Santo viu aquela senhora, aproximou-se dela e, sem lhe ter perguntado nada, disse-lhe: "Senhora, o seu marido está salvo, está salvo... 

Antes de expirar, Nossa Senhora deu-lhe tempo de fazer um acto de contrição... Lembra-se que durante o mês de Maio ele ornamentava com flores a imagem de Maria e rezava diante dela, mesmo tendo-se afastado da fé?... Aquele gesto de veneração para com Nossa Senhora obteve-lhe a salvação, e agora está no Purgatório, precisando de sufrágios".

Pe. Stefano Manelli, FI in 'A Devoção a Nossa Senhora'


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segunda-feira, 6 de maio de 2024

497 anos do "Saque de Roma"

6 de Maio de 1527: Roma estava sob ataque. O exército invasor chegou ao Vaticano. Mais de 100 guardas suíços foram mortos nos degraus da Basílica de São Pedro. Aqueles que sobreviveram foram capazes de escoltar o Santo Padre em segurança, fazendo-o passar ao longo do 'Passetto di Borgo', a parede que liga o Palácio Apostólico ao Castel Sant'Angelo.

Para recordar os heróis que morreram naquele dia, o juramento dos novos recrutas da Guarda Suíça acontece todos os anos neste dia 6 de Maio.


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domingo, 5 de maio de 2024

Peregrinação de Pentecostes 2024

Inscrições: http://bit.ly/3JyFEu2
• Esta peregrinação é um dos capítulos Anjos da Guarda da peregrinação Paris-Chartres, à qual está unida em oração e organização
• Missa Solene com canto gregoriano
• Aberta a todas as idades e condições físicas (cerca de 55 kms)
• Possibilidade de entrar no dia 17 (Sexta-Feira) à noite se não puder começar de manhã
• Custo: 65€ para adultos e 40€ para menores de 16 anos (quem não puder pagar fale com os organizadores)
• Vagas limitadas


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O grande Papa São Pio V

No calendário antigo hoje é dia de São Pio V, dominicano, um dos Papas mais importantes da História da Igreja. Pio V teve de enfrentar grandes desafios, como os protestantes que dividiam a Cristandade e os sarracenos que tentavam invadir a Europa. Lidou também com o problema da sodomia (relações sexuais entre homens) - com especial gravidade quando acontecia com um membro do clero - e não propriamente delicodoce:

«Esse horrendo crime, pelo qual cidades corruptas e obscenas foram queimadas pela condenação divina, nos enche de amarga dor e nos estimula veementemente a reprimi-lo com o máximo zelo possível.

Com toda razão o Quinto Concílio de Latrão estabelece que todo membro do clero apanhado na prática do vício contra a natureza, pelo qual a cólera de Deus caiu sobre os filhos da iniquidade, seja despojado das ordens clericais ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro.

Para que o contágio de tão grande flagelo não se propague com maior audácia valendo-se da impunidade, que é o maior incentivo ao pecado, e para punir mais severamente os sacerdotes culpados desse nefando crime que não estejam aterrorizados com a morte da alma, determinamos que eles sejam entregues à severidade da autoridade civil, que faz cumprir a lei.

Portanto, desejando adoptar com maior rigor o que decretamos desde o início de nosso pontificado, estabelecemos que todo sacerdote ou membro do clero, seja secular ou regular, de qualquer grau ou dignidade, que cometa esse horrendo crime, por força da presente lei seja privado de qualquer privilégio clerical, de qualquer ofício, dignidade e benefício eclesiástico; e que, uma vez degradado pelo juiz eclesiástico, seja entregue imediatamente à autoridade civil para receber a mesma punição que a lei reserva aos leigos que se lançaram nesse abismo.»

Papa Pio V in 'Horrendum Illud Scelus' (30/VIII/1568)


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sábado, 4 de maio de 2024

Missa Solene na Catedral de Westminster em Londres (1950)



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O Sacerdote que se sacrifica pelo seu povo

Qual é a recompensa dos sacerdotes por se comprometerem com uma vida de auto-disciplina e trabalho; uma morte prematura e miserável? A febre irlandesa matou, entre Liverpool e Leeds, mais de trinta padres: tanto jovens na flor dos seus dias como velhos que mereciam ter algum sossego depois de décadas de trabalho. 

Houve um Bispo que morreu no norte; mas o que é que um homem da sua classe eclesiástica tinha a ver com o esforço e o perigo do serviço aos doentes, excepto a obrigação que lhe vem da Fé cristã e da caridade? Sacerdotes voluntariaram-se para o perigoso serviço. O mesmo aconteceu no primeiro surto de cólera, aquela misteriosa motivação inspiradora. O que poderia motivar um grupo de hipócritas, durante o surto de uma doença mortal, a ir um atrás do outro numa longa marcha até a esperança perdida, e um após o outro perecendo? 

Assim, posso dizer, que é essa a missão de cada sacerdote. Ele está sempre pronto para se sacrificar pelo seu povo. Noite e dia, doente ou saudável, faça chuva ou faça sol, lá vai ele ele, depois de uma chamada de um doente. O facto de um paroquiano morrer sem os sacramentos por culpa dele é terrível para ele.

Cardeal John Henry Newman


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sexta-feira, 3 de maio de 2024

A grave acusação de Chesterton contra Capitalismo

Nunca será suficiente repetir que aquilo que destruiu a família no mundo moderno foi o Capitalismo. Sem dúvidas, isto poderia ter sido feito pelo Comunismo: isso se o Comunismo tivesse tido alguma oportunidade de crescer fora do ambiente semi-mongólico onde actualmente floresceu. 

Mas, sobre aquilo no qual somos tão preocupados, o que realmente causou a destruição do lar e encorajou o divórcio, que tratou as antigas virtudes domésticas com mais e mais desprezo, foi a época e o poder do Capitalismo. 

Foi o Capitalismo que forçou o feudo moral e a competição comercial entre os sexos; foi o Capitalismo que destruiu a influência dos pais de família em favor da influência do patrão; que conduziu o homem de sua casa à procura de empregos; que os forçou a viver perto de fábricas e firmas, ao invés de estarem próximos às suas famílias; e, acima de tudo, foi o Capitalismo que encorajou, por razões comerciais, a exibição de publicidade e novidades espalhafatosas, que, ns sua própria natureza, são a morte de tudo aquilo que é chamado dignidade e modéstia, pelas nossas mães e pelos nossos pais.


G. K. Chesterton in ''The Collected Works (The Well and the Shallows: Three Foes of the Family)''. Edit. Ignatius Press, 1990, Vol. 3, pp., 442-445


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Festa da Invenção da Santa Cruz

Hoje é dia da Invenção da Santa Cruz. Infelizmente retirada do calendário há 70 anos, esta Festa comemora a descoberta da Verdadeira Cruz, onde Jesus havia sido crucificado, por parte de Santa Helena. A mãe do Imperador Constantino foi à Terra Santa para tentar encontrar tudo o que estava relacionado com Nosso Senhor, especialmente com a Sua Paixão, pela qual fomos salvos.

Em Sevilha fui abordado por algumas despedidas de solteiro, todas de portugueses. Estando eu no meio de uma delas a explicar quais são os 10 Mandamentos (a maioria dos católicos já não os conhece) aparece um mendigo e pede-me a bênção.

Dei-lhe a bênção, em latim, o que deixou o grupo pasmado. Depois disto, o mendigo pediu-me a cruz. Não percebendo bem o que ele queria, fiz-lhe o sinal da cruz na testa. Mas ele disse-me: "Quero beijar a cruz".

Tirei do bolso a cruz de São Bento que me foi oferecida no dia da minha ordenação e anda sempre comigo. Aquele homem beijou-a com uma devoção invejável. Depois disto, foi-se embora sem mais nada dizer.

Ave Crux, spes unica! (Salve Cruz, nossa única esperança)

Padre João Silveira


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quinta-feira, 2 de maio de 2024

Campanha internacional pela liberdade completa da liturgia tradicional

Ser católico em 2024 não é fácil. No Ocidente, continua a descristianização maciça, a tal ponto que o Catolicismo parece desaparecer do espaço público. Enquanto noutros lugares, continua a crescer o número de cristãos perseguidos pela sua fé. Além disso, a Igreja parece estar a ser atingida por uma crise interna que se traduz num declínio da prática religiosa, numa diminuição das vocações sacerdotais e religiosas, numa menor prática sacramental e até em dissensões entre sacerdotes, bispos ou cardeais antes impensáveis. Ora, entre os elementos que podem contribuir para o renascimento interno da Igreja e para a retomada do seu desenvolvimento missionário, temos antes de tudo a celebração digna e santa da sua liturgia, e a isso ajudará de modo poderosíssimo o exemplo e a presença da liturgia romana tradicional.

Apesar de todas as tentativas para fazê-la desaparecer, especialmente durante o presente pontificado, ela continua viva. Mais: continua a difundir-se cada vez mais, e a santificar o povo cristão que dela se abeira; produz hoje frutos evidentes de piedade, de crescimento vocacional, de conversões; atrai sempre mais jovens; está na origem do florescimento de muitas obras e iniciativas, em particular, escolas; e aparece sempre acompanhada por um sólido ensino catequético. Ninguém pode, pois, contestar que ela é um meio de conservação e transmissão da fé e da prática religiosa neste tempo de enfraquecimento crescente da fé e de abandono em massa dos fiéis. Entre outras forças vivas que ainda se vão afirmando e manifestando no seio da Igreja, a que é representada por este modo de vida cultual chama a atenção porque recebe a sua estruturação de uma lex orandi continuada.

Não se nega que lhe são dados, ou melhor, tolerados, alguns espaços onde possa existir e viver, mas sucede amiúde que se lhe tira com uma mão o que lhe foi dado com a outra. Ainda assim, não se conseguiu fazê-la desaparecer.

Desde a grande depressão que se seguiu imediatamente ao Concílio, em muitas ocasiões, a fim de reavivar a prática religiosa, aumentar o número das vocações sacerdotais e religiosas, tentar preservar a fé do povo cristão, tentou-se de tudo. Tudo, menos deixar “fazer a experiência da tradição”; tudo, menos dar uma oportunidade à chamada liturgia tridentina. Hoje, porém, pede urgentemente o bom senso que se deixe viver e prosperar todas as forças vivas da Igreja, e em particular, esta, que tem por si um direito que remonta a mais de mil anos.

Que ninguém se engane, porém: este apelo não é um pedido com vista à obtenção de uma nova tolerância, como em 1984 e em 1988; nem mesmo pretende a mera restauração do estatuto concedido em 2007 pelo motu proprio Summorum Pontificum, que, em princípio, reconhecendo um direito a essa liturgia, na verdade, acabou depois por ser reduzido a um regime de permissões, e para mais, concedidas a custo e muito comedidas.

Como simples leigos, não nos cabe emitir um juízo sobre o Concílio Vaticano II, a sua continuidade ou descontinuidade com o ensinamento anterior da Igreja, o mérito ou demérito das reformas que dele resultaram, etc. No entanto, cabe defender e transmitir os meios que a Providência utilizou para permitir que um número crescente de católicos preserve a fé, cresça nela ou a descubra. Ora, é inegável que, neste processo, cabe à liturgia tradicional um lugar essencial, em virtude da sua transcendência, da sua beleza, do seu carácter intemporal, da sua segurança doutrinal.

É por isso que, em nome da verdadeira liberdade dos filhos de Deus na Igreja, pedimos simplesmente que seja reconhecida a plena e completa liberdade da liturgia tradicional, com o livre uso de todos os seus livros, para que, no rito latino, todos os fiéis possam dela beneficiar e todos os clérigos a possam celebrar, sem qualquer entrave.

Jean-Pierre Maugendre, Presidente de “Renaissance Catholique”, Paris

Este apelo não é uma petição a ser assinada, mas uma mensagem a ser difundida, podendo ser usada sob qualquer forma que venha a parecer oportuna, e destinando-se, enfim, a ser apresentada e explicada aos Senhores Cardeais, Bispos e Prelados da Igreja universal.


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Athanasius contra Mundum

Hoje é dia de Santo Atanásio, Bispo de Alexandria e Doutor da Igreja, lutou contra tudo e contra todos em defesa da Fé Católica. No séc. IV, disseminou-se a heresia ariana: uma tese que negava ser Jesus Cristo o próprio Deus feito homem, afirmando que fosse apenas a mais perfeita das criaturas.

A crise na Igreja foi de tal ordem que a maioria dos Bispos, com o apoio do Imperador, eram arianos. Tendo os fiéis católicos sido expulsos das igrejas pelos hereges, escreve-lhes Santo Atanásio uma carta dizendo:

"É bem verdade que eles estão nas igrejas, mas fora da verdadeira Fé; enquanto vós estais fora dos edifícios, sem dúvida, mas a Fé está dentro de vós. Consideremos o que é maior, o edifício ou a Fé? Claramente a Fé verdadeira. Quem então perdeu mais, ou quem possui mais? Aquele que detém o edifício ou aquele que detém a Fé? Sem dúvida o edifício é bom, se a Fé Apostólica é pregada lá."


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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Vencer o mal em nós mesmos

Para lutar eficazmente contra o mal, é preciso voltar a guerra para dentro, vencer o mal em nós mesmos. Trata-se da guerra mais dura, a guerra contra si mesmo. Tenho lutado esta guerra. Durante anos e anos. Foi terrível. Mas hoje estou desarmado.

Não tenho mais medo de nada, porque «o amor lança fora o temor». Estou
ou desarmado da vontade de ter razão, de justificar-me, à custa dos outros. Sim, já não tenho medo. Quando não se tem nada, já não se tem medo. «Quem nos separará do amor de Cristo?»

Atenágoras I


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Terço feito com rolos de palha

Em Mansores, no concelho de Arouca, foi feito um Terço com rolos de palha (envolvidos em plástico branco) e também uma imagem de Nossa Senhora. Trata-se duma homenagem a Nossa Senhora no mês de Maio, mês de Maria.






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