segunda-feira, 13 de junho de 2005

As palavras

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêdio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade, 1923-2005

4 comentários:

  1. Que engraçado, este poema é praí o único do Eugénio de Andrade que eu me lembro de ter estudado! Potente!!

    ResponderEliminar
  2. nez... esse é demasiado potente, hein?

    ResponderEliminar
  3. pois... um tanto ou qto porno... mas viva a poesia!

    ResponderEliminar
  4. Que exageroooo

    porno? só pq fala em corpo, molhada, mordida, nua, louca, boca...

    bem, afinal és capaz de ter razão lol

    contudo, o saber não ocupa lugar eheheheh

    ResponderEliminar

Muito obrigado por comentarem os nossos posts!
Para assegurar o mínimo de educação e bom senso, os moderadores do blog guardam a possibilidade de não aceitar qualquer comentário que pareça menos indicado para o blog. Para evitar que isso aconteça recomendamos que:
- não ofendam ninguém
- não utilizem palavras rudes ou de baixo nível
- não ponham publicidade tipo spam
- não se dirijam a ninguém pessoalmente sem se identificarem na mesma mensagem

Esta lista poderá ser actualizada.
Atenção: os comentários podem perfeitamente expressar opiniões contrárias às do post em questão.

+ infos, contactem-nos para:
senzapagareblog@gmail.com