terça-feira, 28 de junho de 2016

A Igreja é Santa e não pecadora - o Papa e as desculpas aos gays

A Igreja é Santa e não pecadora. Eis um ponto fundamental da nossa Fé, um ponto que muitos Católicos têm dificuldade em compreender. Quem é que o reafirmou? O Papa Francisco ontem, na viagem de regresso da Arménia.
"A Igreja deve pedir desculpa por não se ter comportado bem tantas, tantas vezes... - e quando digo "igreja" quero dizer os cristãos; a Igreja é Santa, os pecadores somos nós! - os cristãos devem pedir desculpa de não ter acompanhado tantas escolhas, tantas famílias..."
Esta resposta surgiu quando uma jornalista da Catholic News Agency perguntou ao Papa se a Igreja devia pedir desculpa à comunidade gay, após os atentados de Orlando.

Na sua resposta, o Papa desmarcou-se de um pedido de desculpas institucional por parte da Igreja. A Igreja é santa, não tem que pedir desculpas. Quem tem que pedir desculpas são os cristãos, pelas vezes em que deixam de ser Igreja.  Na verdade o Papa disse que os cristãos devem pedir desculpas não só por isso, mas por todas as outras pessoas que tratam mal. 
"Eu penso que a igreja não só deva pedir desculpa (...) a esta pessoa que é gay, que ofendeu, mas deve também pedir desculpa aos pobres, às mulheres e crianças exploradas no trabalho; deve pedir desculpa de ter abençoado tantas armas... A igreja deve pedir desculpa de não se ter portado bem tantas, tantas vezes... - e quando digo "igreja" quero dizer os cristãos; a Igreja é Santa, os pecadores somos nós! "
Logo a seguir o Papa elogiou tantas pessoas da Igreja que fazem bem o seu trabalho:
"Mas a verdade é que há tantos [que são bons]! Tantos capelães de hospitais, capelães de prisões, tantos santos! Mas estes não se vêem, porque a santidade é "pudorosa" [tem pudor], esconde-se. (...) nós cristãos temos também uma Teresa de Calcutá e tantas Teresas de Calcutá! Temos tantas irmãs em África, tantos leigos, tantos casais santos! (...)"
Mas antes de tudo isto, o Papa começou por dizer como se posiciona diante dos homossexuais. "(...) uma pessoa que tem aquela condição [de ser homossexual], que tem boa vontade e procura a Deus, quem somos nós para julgá-la?"

A prática da homossexualidade é um grave erro cometido por alguns, que os impede de aceder à graça de Deus. No entanto, não devemos pô-las de parte, discriminá-las. A Igreja deve acompanhar estas pessoas e ajudá-las na sua conversão, especialmente com a ajuda do sacramento da Confissão, fonte de Graça para quem está em pecado mortal. É certo que o Papa pensa assim, pois voltou a referir o Catecismo da Igreja Católica quando responde sobre este assunto:
"Eu repetirei a mesma coisa que disse na primeira viagem, e repito também o que diz o Catecismo da Igreja Católica: que não devem ser discriminados, mas respeitados e acompanhados pastoralmente. (...) Devemos acompanhá-la bem, segundo o que diz o Catecismo. O Catecismo é claro!"
Além disso, o Papa não hesitou em dizer que muitas vezes pessoas homossexuais, para além dos seus actos imorais relativos à sexualidade, cometem outros erros também condenáveis. Disse o Papa:
"Sim, pode-se condenar, não por motivos ideológicos, mas por motivos - digamos - de comportamento político, algumas manifestações demasiado ofensivas para os outros."
Mais uma vez, nem tudo o que os jornais dizem é verdade. O próprio Papa sofre com isto. Na mesma entrevista manifestou o seu desagrado quando os jornais disseram que a Igreja abriu as portas às diaconisas, ideia que o Papa não considerou verdade.

Nuno CB

Deixamos aqui quase toda a resposta do Papa em relação às desculpas da igreja aos homossexuais. Tradução do blog Senza. O original encontra-se aqui.
"Eu repetirei a mesma coisa que disse na primeira viagem, e repito também o que diz o Catecismo da Igreja Católica: que não devem ser discriminados, mas respeitados e acompanhados pastoralmente. Sim, pode-se condenar, não por motivos ideológicos, mas por motivos - digamos - de comportamento político, algumas manifestações demasiado ofensivas para os outros. Mas estas coisas não têm a ver com o problema: o problema é uma pessoa que tem aquela condição, que tem boa vontade e procura a Deus, quem somos nós para julgá-la? Devemos acompanhá-la bem, segundo o que diz o Catecismo. O Catecismo é claro! 
Depois há as tradições de alguns países, em algumas culturas, que têm uma mentalidade diferente sobre este problema. Eu penso que a igreja não só deva pedir desculpa - como disse aquele Cardeal "marxista" [Cardeal Marx] - a esta pessoa que é gay, que ofendeu, mas deve também pedir desculpa aos pobres, às mulheres e crianças exploradas no trabalho; deve pedir desculpa de ter abençoado tantas armas... A igreja deve pedir desculpa de não ser ter portado bem tantas, tantas vezes... - e quando digo "igreja" quero dizer os cristãos; a Igreja é Santa, os pecadores somos nós! - os cristãos devem pedir desculpa de não ter acompanhado tantas escolhas, tantas famílias... Recordo-me de menino da cultura de Buenos Aires, a cultura católica fechada - eu venho de lá! -: não se podia entrar em casa de uma família divorciada! Falo de há 80 anos. A cultura mudou, graças a Deus.
Como cristãos devemos pedir tantas desculpas, não só por isto. Perdão, e não desculpas! "Perdão, Senhor": é uma palavra que esquecemos - agora faço de pastor e faço o sermão! Não, isto é verdade, tantas vezes o "sacerdote mestre" e não o sacerdote padre, o sacerdote "que se zanga" e não o sacerdote que abraça, que perdoa e consola.... Mas a verdade é que há tantos [que são bons]! Tantos capelães de hospitais, capelães de prisões, tantos santos! Mas estes não se vêem, porque a santidade é "pudorosa" [tem pudor], esconde-se. Pelo contrário a falta de pudor é um bocadinho desavergonhada; é desavergonhada e vê-se. Tantas organizações, com pessoas boas e pessoas não tão boas; ou pessoas a quem se dá uma "bolsa" tão grande e guardam-na à parte, como as potências internacionais com os genocídios. Também nós cristãos - os padres e os bispos - fizemos isto; mas nós cristãos temos também uma Teresa de Calcutá e tantas Teresas de Calcutá! Temos tantas irmãs em África, tantos leigos, tantos casais santos! O trigo e o joio, o trigo e o joio. (...)"

3 comentários:

  1. Continuar a defender e a procurar explicar as palavras do Papa nesta fase do campeonato é coisa louvável.

    É preciso no entanto reconhecer que o Papa não disse - nunca disse -, que os actos homossexuais são "erro grave" ou "pecado", como tu referes. O Catecismo diz que são actos objetivamente desordenados, mas o Papa cita apenas o parágrafo seguinte sobre a discriminação injusta (aparentemente a Igreja permite discriminações justas).

    Portanto, uma interpretação alternativa, e perfeitamente compatível com as palavras e acções do Papa (desde que foi eleito), é que o Papa considera não existirem "razões teológicas" para condenar os actos homossexuais. O único 'pecado' dos homossexuais é "político", como ele refere nesta entrevista, ou o "lobby", como ele disse na sua 1ª entrevista.

    Tem sido esta aliás a interpretação dos media e do dito lobby.

    Se existisse um erro de interpretação, ele já teria corrigido as suas palavras como fez no caso da 'maioria dos casasmentos inválidos', ou já teria dito que tinha sido mal compreendido (como fez agora no caso das 'diáconas'). Ou então já teria havido um desmentindo da sala de imprensa como aconteceu recentemente a propósito do terceito segredo de fátima ou da suposta operação do Papa.

    Eu diria que já não há nada de positivo a esperar deste Papa e agora o que está em causa é defendermo-nos da intempérie, socorrer os sobreviventes e aguardar pela ajuda que há-de chegar do Céu.

    E espero, sinceramente, que o D. Javier sobreviva a este pontificado. O que seria de nós com um prelado bergogliano...

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    1. Tenho uma opinião muito mais positiva em relação ao Papa Francisco. Os média seculares e os lobbies gays há muito que perderam quaisquer ilusões a respeito deste papa.

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  2. Caríssimos,

    Obrigado pelos vossos comentários!

    Qualquer pronunciamento do Santo Padre deve ser interpretado pelos Cristãos dentro da Tradição e da Fé da Igreja.

    O Papa refere claramente o Catecismo. Não cita algumas passagens, mas não é por isso que deixam de estar no Catecismo.
    Por exemplo, o Papa já disse que o aborto é uma coisa má, mas também diz que isso está no Catecismo, portanto não insiste tanto nesse tema. Independentemente de ser uma boa metodologia ou não, devemos assumir que faz o mesmo com a questão dos homossexuais.

    Já agora, o Santo Padre não disse para não condenar por "motivos teológicos", mas por "motivos ideológicos". Se virem o vídeo, sem ligar a legendas, são essas as palavras em italiano.

    Que S. Pedro e S. Paulo, na solenidade de hoje, protejam e guardem o Papa Francisco e os seus colaboradores mais próximos.
    NCB

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