terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Cardeal Pell aproveita bem o seu tempo na prisão

O Cardeal George Pell está de "bom humor" e "desenvolveu um ministério pessoal, escrevendo cartas em resposta a outros prisioneiros que lhe escreveram sobre as suas vidas", disse uma fonte próxima ao ex-chefe das finanças do Vaticano.

O Cardeal, que permanece em isolamento como protecção contra outros prisioneiros que o possam querer agredir, foi transferido no início de Janeiro da Melbourne Assessment Prison, onde estava preso desde Fevereiro passado, para a HM Prison Barwon, uma instalação de segurança máxima a sudoeste de Melbourne.

A prisão de Barwon é famosa por ter alguns criminosos de destaque, incluindo membros da ‘Ndrangheta', sindicato do crime organizado da Calábria, e gangues rivais. As autoridades australianas tomaram a decisão de mudar o Cardeal depois de ter sido visto um drone a tentar filmá-lo enquanto trabalhava no jardim da prisão.

Dois amigos do Cardeal Pell disseram que a sua cela é maior que a anterior e que tem mais ar e luz. Apenas pode ter uma ou duas visitas por semana e não pode celebrar a Missa porque as autoridades não permitem que o vinho seja trazido para a prisão. "É uma negação ultrajante da liberdade religiosa, mas estamos assim", disse uma das fontes.

No entanto, o Cardeal disse aos amigos que sente que, efectivamente, "teve um 'retiro' forçado de um ano".

Uma fonte, que o viu muito recentemente e falou com ele por telefone apenas  há alguns dias, disse que a resistência do Cardeal é "notável" e observou que ele perdeu peso, o que, provavelmente, ajudou a sua saúde, em geral. Outra pessoa, que entrou em contacto com ele recentemente, disse que o Cardeal estava ocupado escrevendo "principalmente reflexões espirituais".

O Cardeal Pell cumpre uma sentença de seis anos de prisão depois de ter sido condenado em Dezembro de 2018 por cinco acusações de abuso sexual de dois meninos do coro, enquanto era Arcebispo de Melbourne, após a Missa de Domingo na catedral de Saint Patrick, em 1996 e 1997.

Mas um grupo alargado de contestação a essa decisão tem vindo a crescer, na opinião pública em diversos sectores da sociedade australiana, depois de sérias dúvidas terem surgido surgir sobre a condenação, intensificadas pela opinião divergente de um juiz do tribunal de apelo.

O juiz Mark Weinberg acreditava que havia uma "possibilidade significativa" de o Cardeal "não ter cometido esses delitos". Weinberg, portanto, disse acreditar que "esta condenação não pode ser mantida".

A condenação foi também questionada depois de ter sido revelado que a polícia de Victoria tentou usar as acusações contra o Cardeal para desviar as atenções de um escândalo que afectava o seu departamento. Um documentário recente revelou a extensão da corrupção e como a polícia de Victoria operava, possivelmente dando mais indicações de como o Cardeal foi condenado apesar da escassez de evidências.

Uma das pessoas que viu o Cardeal recentemente disse que Pell está "silenciosamente confiante" sobre a sua audiência de apelo no Supremo Tribunal, que deve ocorrer entre os dias 12 e 13 de Março. As alegações de apelo foram apresentadas no início de Janeiro e os promotores apresentaram a sua resposta a 31 de Janeiro.

Ainda não está claro quanto tempo os sete juízes do Supremo Tribunal levarão para chegar a uma conclusão e preparar o seu julgamento, mas é provável que isso aconteça algumas semanas após a audiência.

Se o apelo do Cardeal for concedido, ele será imediatamente libertado, mas ainda terá que cumprir pelo menos dois anos e oito meses de prisão se a sua condenação for mantida.

Os amigos do cardeal dizem que quem lhe quiser escrever pode enviar cartas para: George Pell, Locked Bag 7, Lara VIC 3212, AUSTRALIA.

Edward Pentin in National Catholic Register

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