sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Santa Helena, Imperatriz

Celebra-se no dia 18 de agosto a festa de Santa Helena, Imperatriz e viúva, mãe de Constantino Magno. A ela se deve a invenção, isto é, a descoberta da verdadeira Cruz na qual Nosso Senhor Jesus Cristo foi crucificado.

BENÉFICA E SALUTAR INFLUÊNCIA MATERNA

Em vez de considerar este ou aquele aspecto da vida de Santa Helena, gostaria de ressaltar a impressão que o todo da sua personalidade nos comunica. Nesse sentido, eu diria que se trata de uma santa cuja importância para o panorama da Igreja redunda, não apenas do facto de ter sido imperatriz, mas também porque teve sobre Constantino uma evidente e salutar influência.

Quer dizer, temos Constantino, o primeiro imperador que faz uma promessa de dar livre curso ao culto católico no Ocidente, caso se visse auxiliado por Nosso Senhor Jesus Cristo na batalha de Ponte Mílvia. Ele recebe a célebre visão do “in hoc signo vinces” — “com este sinal vencereis” —, portanto uma confirmação do socorro divino, conquista a vitória e cumpre a sua promessa. Com o Édito de Milão ele concede liberdade à Igreja Católica, e a partir daí começaria a ruir o paganismo sobre o qual o estado se assentava.

Diante desse acontecimento de fundamental importância para a Cristandade, não se pode deixar de reconhecer a materna e católica influência de Santa Helena sobre o filho. Quando nos lembramos de Santa Mónica rezando por Santo Agostinho e obtendo do Céu a conversão dele, ou quando recordamos o papel de Santa Clotilde junto ao seu esposo, Clóvis, trazendo-o igualmente para o seio da Igreja Católica e, com ele, o povo franco, é difícil não pensar que Santa Helena impressionou a fundo Constantino, e que a atitude dele foi motivada, em grande medida, pela ascendência da mãe.

NA RAIZ DA ORDEM SOCIAL E TEMPORAL CATÓLICA

Ora, se, católicos que somos, desejamos de toda a alma uma restauração da ordem social e temporal católica como a que vigorou nos dias áureos da Civilização Cristã, não podemos deixar de reconhecer, com muita alegria, o trabalho feito por Santa Helena com esse objectivo: não só fazer cessar as perseguições à Igreja no império romano pagão, mas também fazer com que o imperador começasse a edificar uma ordem temporal católica, prólogo da plenitude de catolicidade que alcançaria o Estado medieval.

Início este, diga-se, por vários lados verdadeiramente glorioso. Pela liberdade franqueada à Igreja, pelo fim dos cultos pagãos, e por esse ideal de unidade social católica que desabrocharia nos esplendores da Cristandade europeia, os quais perdurariam ao longo de séculos.

Portanto, pela sua oração, pelo exemplo das suas virtudes, Santa Helena esteve na raiz de uma série de realizações gloriosas, de ideias grandiosas, de princípios que repercutiriam mesmo após o ocaso do Sacro Império Romano Alemão, até os nossos dias. Razão pela qual nos é particularmente cara a devoção a essa grande santa.

ORAÇÃO QUE CONDUZ À ACÇÃO EFICAZ

Chamo a atenção para esse ponto acima mencionado: as orações de Santa Helena. É necessário compreender aqui o equilibrado do papel dessa oração.

Com efeito, seria equivocado imaginar que, uma vez recitadas as preces, não adianta fazer coisa alguma. Basta rezar e deixar as realizações concretas ao beneplácito da Providência. Às vezes, quando as vicissitudes o impõem, não se pode pretender outra coisa. Porém, é apropriado esperar que a oração nos mova à acção que realiza o fim almejado. E desse teor foram as preces de Santa Helena.

Enquanto a mãe rezava, o filho lutava e agia. Constantino, protegido pelo socorro do Céu, levando no seu lábaro o emblema de Nosso Senhor Jesus Cristo, combateu e alcançou a vitória. Em seguida, agiu vigorosamente, com a força temporal do Estado, para libertar a Igreja e extinguir os restos do paganismo.

Creio ver nessa circunstância o equilíbrio perfeito entre oração e acção. Santa Helena reza, e sua oração é acompanhada certamente de atitudes e palavras evangelizadoras junto ao filho, e este cuida dos meios materiais para concretizar aquilo que, sem dúvida, sua mãe desejava realizar. A oração é a razão mais fecunda do desencadear dos factos; os factos produzem os frutos da prece atendida.

AQUELA QUE TIROU DAS ENTRANHAS DA TERRA O SANTO LENHO

Cumpre considerar, ainda, este outro e não menos belo florão na vida de Santa Helena: foi ela que encontrou a verdadeira Cruz, um acontecimento cercado de milagres e dádivas especiais de Deus.

É o Santo Lenho do qual se espalharam relíquias para serem veneradas pelos fiéis do mundo inteiro.

Que glória para essa mulher ter sido, ao mesmo tempo, a mãe do primeiro imperador cristão e aquela que tirou das entranhas da terra a verdadeira Cruz, com todos os benefícios espirituais oriundos dessa descoberta!

Admiramos ainda mais o vulto dessa Santa, conhecemos melhor a estatura dessa alma, um grande tipo de mulher que vive só para Nosso Senhor. Matrona de espírito elevado e de horizonte largo, compreendendo as coisas a partir dos seus aspectos mais sublimes e de maior alcance. E que, por causa dessa envergadura espiritual, transforma um Império e dá ao mundo o presente imensamente grandioso da verdadeira Cruz de Cristo.

Plínio Corrêa de Oliveira (Extraído de conferência em 18/8/1964)


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Não fomos nós que inventámos o casamento

"O matrimónio não foi instituído nem restaurado pelos homens, mas por Deus" 
Papa Pio XI, Carta Encíclica 'Casti Connubii' (n.5)


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quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Napoleão contra Nossa Senhora: 0 a 1!

Napoleão Bonaparte tentou 'derrubar' Nossa Senhora da festa do 15 de Agosto, dia do seu aniversário, mas Maria “derrubou os poderosos dos tronos”

A minha avó costumava dizer-me: "o orgulho cega!". Lembrei-me desta frase ao pensar hoje em Napoleão Bonaparte. Este homem sempre teve Nossa Senhora como uma pessoa incómoda. A razão? O dia de seu nascimento.

Napoleão nasceu em Ajaccio no dia 15 de Agosto de 1769; no mesmo dia em que Maria entrou no Céu. Poucas pessoas sabem que este general, quando se tornou adulto, sempre que celebrava um aniversário tinha um ataque de raiva ao ter que compartilhar a sua festa com Nossa Senhora. Poderia ter ficado feliz, mas ficava zangado; a minha avó realmente tinha razão ao dizer que o orgulho cega.

A irritação aumentou quando soube que, no dia da Assunção, celebrava-se o “voto de Luís XIII”: este rei da França, emitiu, no dia 15 de Agosto de 1637, um decreto solene com o qual colocava a nação sob a protecção explícita de Maria. Também isso poderia tê-lo tranquilizado um pouco. Mas não! A França tinha que contar só com ele, génio e invencível imperador!

Depois, quando chegou a conhecer a passagem evangélica que a Igreja lia em todas as igrejas francesas, naquele dia 15 de Agosto, a sua irritação transformou-se em um surto insuportável. "Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias". Em cada aniversário de Napoleão Nossa Senhora arruinava a sua festa, lembrando-lhe que “Deus dispersa os soberbos nos pensamentos dos seus corações”!

Napoleão teve então uma ideia realmente brilhante: com um decreto oficial do 19 de Fevereiro de 1806 aboliu a festa da Assunção e substituiu-a pela festa de São Napoleão! A minha avó tinha razão: "O orgulho cega!” O Papa Pio VII protestou, declarando que é “inadmissível que o poder civil substitua o culto à Nossa Senhora Assumpta ao Céu pelo culto de um santo inexistente, com uma interferência intolerável do poder temporal no espiritual". Mas Napoleão não ouviu ninguém!

Como acabou Napoleão? Todos sabemos. As palavras proféticas, que Maria tinha pronunciado no seu maravilhoso Magnificat, realizaram-se pontualmente também para ele! “O trono de Napoleão foi derrubado" precisamente por causa do seu orgulho, e Maria, após a abdicação do imperador, em Março de 1814, retomou o seu lugar na solenidade da Assunção, também em França, para indicar o caminho da verdadeira grandeza.

Maria Corvo in intemirifugio.it


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São Jacinto, Apóstolo da Polónia

São Jacinto nasceu em 1183, na Polónia, entre as cidades de Breslau e Cracóvia (antiga Kramien). O seu nome de baptismo é Jacek Odrowąż. Alguns biógrafos dizem que pertencia à piedosa família Odrovaz, da pequena nobreza local.

Por volta do ano de 1218, ingressou na Ordem Dominicana em Roma, retornando à sua terra logo em seguida. Na Polónia, fundou diversos conventos como os de Breslau, Sandomir e Dantzig, tendo criado no ano de 1228 a Província Dominicana Polaca, cuja influência dominicana alcançou a Rússia, os Balcãs, a Prússia e a Lituânia. Percorreu aproximadamente quatro mil léguas anunciando o Evangelho.

Ainda novo descobriu a sua vocação religiosa. Antes de ingressar na Ordem dos Pregadores, era cónego na sua cidade natal.

Em Roma, conheceu São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores, cuja memória é no dia 4 de agosto. Pediu o seu ingresso e foi aceite na nova congregação. Depois de um breve noviciado concluído em Bolonha, em 1221, vestiu o hábito dominicano e tomou o nome de frei Jacinto. Foi o próprio São Domingos que o enviou de volta à sua pátria com um companheiro, frei Henrique da Morávia.

Assim iniciou a sua missão de grande pregador. O trabalho que teria de desenvolver na Polónia fora claramente fixado por São Domingos. Jacinto fundou em Cracóvia um convento da Ordem dos Pregadores. Depois de pregar em toda esta diocese, mandou alguns dominicanos missionários para a Prússia, Suécia e Dinamarca, pois estes países pagãos careciam de evangelização. 

Em 1228, após participar no Capítulo Geral da Ordem, em Paris, instalou-se na cidade de Kiev, na actual Ucrânia, onde continuou a sua acção missionária.

Jacinto foi um incansável pregador da Palavra de Cristo e um dos mais pródigos colaboradores do estabelecimento da nova Ordem, naquelas regiões tão distantes de Roma. Foram 40 anos de intensa vida missionária. 

Morreu aos 72 anos, no dia 15 de Agosto de 1257 , no convento de Cracóvia, consumido pela fadiga. Considerado pelos biógrafos uma das glórias da Ordem Dominicana, foi canonizado em 1524 pelo Papa Clemente VII.

Sendo que o dia em que morreu, 15 de Agosto, é a festa da Assunção de Nossa Senhora ao Céu e no dia seguinte, dia 16 de Agosto, ser comemorado São Joaquim, pai da Virgem Maria, São Jacinto é comemorado no dia 17 de Agosto.

in hagiosdatrindade.blogspot.com


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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Congresso Eucarístico em Chicago (1926): 1 milhão de pessoas

Zero abusos litúrgicos.


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Dia de São Joaquim, pai da Santíssima Virgem Maria

Ana e seu marido Joaquim já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos. O que, para os judeus de sua época, era quase um desgosto e uma vergonha também. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do Messias, como previam as sagradas profecias.

Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim ele o desejasse. Por isso a esterilidade causava sofrimento e vergonha e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal.

Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados por Deus. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que seria a Mãe do Messias.

No Evangelho, Jesus disse: "Pelos frutos conhecereis a árvore". Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. Afinal, Deus não escolheria filhos sem princípios ou dignidade para fazer deles o instrumento de sua acção.

Maria, ao nascer no dia 8 de Setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida para, no futuro, ser a Mãe do Filho de Deus.

in paulinas.org


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terça-feira, 15 de agosto de 2023

Assunção de Nossa Senhora: prémio pelos sofrimentos da co-redenção

Nosso Senhor quis Ele mesmo subir aos céus contemplado pelos homens. Mas, também quis que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu, depois da d'Ele, se desse diante do olhar humano. Por quê? 

Era preciso que a Ascensão fosse vista por homens que pudessem dar testemunho desse facto histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos Céus. Subindo ao Céu, Ele abriu o caminho para as incontáveis almas que estavam no Limbo à espera da Ascensão para se irem assentar à direita do Padre Eterno. 

Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo ninguém podia entrar no Céu. Apenas os anjos lá estavam. Então, Nosso Senhor, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – porque Ele ao mesmo tempo era Homem-Deus – que subiu aos Céus. E enquanto Redentor nosso, Ele abriu o caminho dos Céus para os homens. Também era preciso que Ele, que sofreu todas as humilhações, tivesse todas as glorificações. E glória maior e mais evidente não pode haver do que o subir aos Céus. Porque significa ser elevado por cima de todas as coisas da Terra e unir-se com Deus Pai transcendendo este mundo, onde nós estamos, para se unir eternamente com Deus no Céu Empíreo.

Jesus Cristo quis que Nossa Senhora tivesse a mesma forma de glória. Assim como Ela tinha participado como ninguém do mistério da Cruz, que Ela participasse também da glorificação d'Ele. A glorificação d'Ela se deu sendo levada aos Céus. Foi uma assunção e não uma ascensão. A ascensão foi a de Nosso Senhor ao céu por Sua própria força e poder. A assunção não é igual. Nossa Senhora não subiu ao Céu por um poder próprio, mas pelo ministério dos anjos. Ela foi carregada aos céus pelos Anjos. Foi a grande glorificação d'Ela nesta terra, prelúdio da glorificação d'Ela no Céu. No momento em que Ela entrou ao Céu, Ela foi coroada como Filha dilecta do Padre Eterno, como Mãe admirável do Verbo Encarnado e como Esposa fidelíssima do Divino Espírito Santo. Nós devemos conceber a Assunção como um fenómeno gloriosíssimo. 

Infelizmente, os pintores da Renascença para cá não souberam descrever a glória que cercou este espectáculo. Quando se quer glorificar alguém, todos se põem nos seus melhores trajes; em casa exibem-se os melhores objectos, ornamenta-se com flores, tudo aquilo que há de mais nobre é exibido para glorificar a pessoa a quem se quer homenagear. Esta regra da ordem natural das coisas é seguida também no Céu. Então, é claro que o maior brilho da natureza angélica, o fulgor mais estupendo da glória de Deus deve ter aparecido no momento em que Nossa Senhora subiu ao Céu. 

Muitas vezes na história a presença dos anjos faz-se sentir de um modo imponderável, embora não seja uma revelação deles. Mas nesta ocasião, deveriam estar rutilantíssimos, num esplendor invulgar. É natural também que o sol tenha brilhado de um modo magnífico, que o céu tenha ficado com cores variadas reflectindo a glória de Deus como numa verdadeira sinfonia. É natural que as almas das pessoas que estavam na Terra tenham sentido essa glória de um modo extraordinário, a verdadeira manifestação do esplendor de Deus em Nossa Senhora. Nenhum dos esplendores da natureza se podia comparar com o esplendor pessoal de Nossa Senhora subindo ao Céu. 

À medida que Ela ia subindo, como num verdadeiro monte Tabor, a glória interior d'Ela ia transparecendo aos olhos dos homens. O Antigo Testamento diz d'Ela: omnis glória eius filia regis ab intus (Ps 44, 10) – toda a glória da filha do rei lhe vem de dentro. Com certeza essa glória interna d'Ela se manifestou do modo mais estupendo quando, já no alto da sua trajectória celeste, Ela olhou uma última vez para os homens, antes de deixar definitivamente este vale de lágrimas e ingressar na glória de Deus.

Foi o facto mais esplendorosamente glorioso da história depois da Ascensão de Nosso Senhor. Comparável apenas com o dia do Juízo Final em que Nosso Senhor Jesus Cristo virá em grande pompa e majestade para julgar os vivos e os mortos. Junto com Ele, toda reluzente da glória d'Ele, aparecerá também Nossa Senhora. Nós devemos considerar aí a impressão que tiveram os apóstolos e os discípulos quando A viram subir ao Céu. 

A tradição narra que o apóstolo São Tomé duvidou da Ressurreição. Por isso foi convidado por Nosso Senhor a meter a mão na chaga sagrada do flanco d'Ele. Ele recebeu a Pentecostes e ficou confirmado em graça e um grande santo. Mas conta uma tradição venerável que, porque ele duvidou, na hora da morte e da Assunção de Nossa Senhora ele não estava presente. Quando chegou, Nossa Senhora já estava a certa distância da Terra. E ali vemos a índole de Nossa Senhora super materna, incomparável. 

Foi um castigo pungente e merecido por uma culpa tão reparada. Então, conta-se que Ela sorrindo, concedeu uma graça a ele que não concedeu a nenhum outro: 

Ela desatou o seu cinto e de lá de cima fez cair o cinto, que ele recebeu – não como um perdão, porque ele já estava perdoado – mas como uma suprema graça, que era uma relíquia d'Ela atirada para ele do mais alto dos Céus. Assim faz Nossa Senhora quando tem algo a perdoar a algum filho muito dilecto. Ela pune às vezes, porque às vezes Ela nem sequer pune, mas Ela o faz com um sorriso tão bondoso, de um perdão tão completo e de uma graça tão grande que São Tomé poderia mostrar esse presente dizendo: “o felix culpa, ó culpa feliz! Eu tive a desgraça de duvidar de meu Salvador, mas em compensação eu tive a felicidade de receber esta relíquia directa e celeste de minha Mãe Santíssima”. 

O último favor d'Ela, a amenidade mais extrema, a bondade mais suave Ela deu exactamente a São Tomé. Isto deve-nos encorajar. Não há nenhum de nós que não tenha falhas, não tenha algum perdão a pedir. Nós devemos pedir a Nossa Senhora na festa da Assunção que Ela olhe para nossas falhas, e nos dê o perdão. Se nós chegarmos atrasados que Ela nos dê o favor especial, particularmente rico e suave, de maneira tal que quando chegarem os acontecimentos anunciados por Nossa Senhora em Fátima nós estejamos prontos. 

Na Assunção de Nossa Senhora poderemos nos ir preparando para os grandes momentos previstos em Fátima com a certeza de que Ela nos sorrirá com a maternidade com que tratou a São Tomé.

Plinio Corrêa de Oliveira (10/VIII/1968) via 'Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião'


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segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Aljubarrota: as virtudes do Santo Condestável

14 de Agosto, 636 anos da Batalha de Aljubarrota. Os portugueses, em clara desvantagem numérica diante dos Castelhanos, confiavam plenamente no Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, tanto pela sua inigualável perícia militar como pela santidade que lhe reconheciam.

Após Aljubarrota o seu nome adquiriu o estatuto de lenda. A sua fama de santo não mais o abandonou. O Santo Condestável: assim ficou conhecido muito antes que a Igreja o canonizasse neste Reino que defendeu dos invasores com elevada bravura.

Assim o descreve o jesuíta J. Vaz de Carvalho:
«Todos os dias ouvia duas missas e nos Sábados e Domingos três. Confessava-se amiúde e comungava quatro vezes por ano: pelo Natal, Páscoa, Pentecostes e Santa Maria de Agosto, o que se admirava muito, visto os leigos, então, quase só comungarem pela Quaresma. Diariamente, rezava as suas Horas, levantando-se pontualmente a rezar Matinas à meia-noite, como se fosse um religioso; e isto enquanto viveu no mundo.

Jejuava às Quartas, Sextas e Sábados, e guardava todas as festas e dias prescritos pela igreja. Do jejum nunca se dispensava mesmo que viesse a cair nos dias em que havia de dar batalha. Este exercício de mortificação observou com o rigor costumado nos dias em que se travaram as batalhas dos Atoleiros e Aljubarrota, pois esta ocorreu na Vigília de Nossa Senhora da Assunção, 14 de Agosto de 1385, e aquela na Quarta-Feira Santa, 16 de Abril de 1384.»


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domingo, 13 de agosto de 2023

Moral sexual segundo Padre Guilherme, o Padre DJ



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O dia em que os Pastorinhos não viram Nossa Senhora em Fátima porque foram presos

Há 106 anos, Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria, como tinha prometido aos Pastorinhos. No entanto, o Governo Republicano tinha sufocado a Igreja com um conjunto de leis injustas e não permitia qualquer manifestação pública da Fé católica que não tivesse sido aprovada. O Administrador de Ourém mandou aprisionar os Pastorinhos nesse dia 13 de Agosto e fez-lhes todo o tipo de ameaças cruéis. Eis como a Irmã Lúcia descreveu a situação, nas suas Memórias:

Quando, passado algum tempo, estivemos presos, a Jacinta, o que mais Ihe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces: 
– Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importaram mais de nós! 
– Não chores – Ihe disse o Francisco.
 – Oferecemos a Jesus, pelos pecadores. 
E levantando os olhos e mãozinhas ao Céu, fez ele o oferecimento:
– Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores. 
A Jacinta acrescentou: 
– É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. 

Quando, depois de nos terem separado, voltaram a juntar-nos em uma sala da cadeia, dizendo que dentro em pouco nos vinham buscar para nos fritar, a Jacinta afastou-se para junto duma janela que dava para a feira do gado. Julguei, a princípio, que se estaria a distrair com as vistas; mas não tardei a reconhecer que chorava. Fui buscá-la para junto de mim e perguntei-Ihe por que chorava: 

– Porque – respondeu – vamos morrer sem tornar a ver nem os nossos pais, nem as nossas mães! E com as lágrimas as correr-lhe pelas faces: – Eu queria sequer, ver a minha mãe! 
– Então tu não queres oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores? 
– Quero, quero. E com as lágrimas a banhar-lhe as faces, as mãos e os olhos levantados ao Céu, faz o oferecimento:

– Ó meu Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Os presos que presenciaram esta cena quiseram consolar-nos: 
– Mas vocês – diziam eles – digam ao Senhor Administrador lá esse segredo. Que Ihes importa que essa Senhora não queira? 
– Isso não! – respondeu a Jacinta com vivacidade. – Antes quero morrer.

Determinámos, então, rezar o nosso Terço. A Jacinta tira uma medalha que tinha ao pescoço, pede a um preso que Ihe pendure em um prego que havia na parede e, de joelhos diante dessa medalha, começamos a rezar. Os presos rezaram connosco, se é que sabiam rezar; pelo menos estiveram de joelhos. 

Terminado o Terço, a Jacinta voltou para junto da janela a chorar. 
– Jacinta, então tu não queres oferecer este sacrifício a Nosso Senhor? – Ihe perguntei. 
– Quero; mas lembro-me de minha mãe e choro sem querer. 
Então, como a Santíssima Virgem nos tinha dito que oferecêssemos também as nossas orações e sacrifícios para reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, quisemos combinar a oferecer cada um pela sua intenção. Oferecia um pelos pecadores, outro pelo Santo Padre e outro em reparação pelos pecados contra o Imaculado Coração de Maria. Feita a combinação, disse à Jacinta que escolhesse qual a intenção por que queria oferecer. 
– Eu ofereço por todas, porque gosto muito de todas.


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sábado, 12 de agosto de 2023

São Francisco dava prioridade à Liturgia e ao cuidado com o Santíssimo Sacramento

É impossível evangelizar hoje sem uma Liturgia linda e mística. É impossível chegar ao coração dos homens e mulheres sem a beleza dos ritos da liturgia católica, Liturgia essa do próprio Cristo, Senhor da Vida! É impossível falar ao coração humano sobre a Páscoa, sobre a Ressurreição sem a Liturgia solene e sóbria da Semana Santa! É impossível uma nova evangelização sem a Liturgia milenar, santa, da Tradição, do Evangelho, dos Santos e Santas. 

A liturgia jamais será um detrito do passado, mas é o lugar privilegiado para a verdadeira catequese, linguagem de Deus aos homens e linguagem dos homens a Deus. Só para lembrar: São Francisco de Assis jamais foi um homem "a-litúrgico", ele foi sim um homem que bebeu da "Liturgia" a Água viva, bebeu o Evangelho, bebeu a santidade. Assim São Francisco pensava sobre a Eucaristia:

Na Carta a toda a Ordem, pede-o especialmente aos seus irmãos: «E por isso a todos vós, irmãos, imploro no Senhor, beijando-vos os pés e com quanta caridade eu posso, que presteis toda a reverência e toda a honra que puderdes, ao santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor.» A alguns movimentos heréticos que negam «a presença real de Cristo sob as espécies, fora da celebração», Francisco responde com um amor muito grande ao santíssimo Sacramento. 


Esse amor a Cristo, presente em todas as igrejas do mundo, é que o levava a não suportar vê-l’O em lugares indignos, em igrejas sujas e descuidadas. Aliás, o «testemunho mais eloquente dessa fé concreta e realista de Francisco [na eucaristia] é talvez a sua extrema susceptibilidade para com as faltas de respeito ao Sacramento.» Ainda no mundo, antes da sua entrega total a Deus, comprava objetos «que servissem de adorno das igrejas e fazia-os chegar secretamente aos sacerdotes pobres»; e quando saía pelas aldeias, levava consigo uma vassoura para varrer as igrejas e capelas por onde passasse.

O seu respeito para com o Santíssimo Sacramento era tal que, «Um dia, teve a ideia de enviar os irmãos pelo mundo com píxides preciosas, com a missão de colocarem o mais dignamente possível esse divino penhor da nossa redenção onde vissem que o conservavam com pouca reverência e decoro.»

Mas esse respeito não o movia apenas a um cuidado muito grande com a limpeza das igrejas, das alfaias sagradas e das píxides; também o levava a preparar-se, por meio de uma contínua purificação interior, para comungar o Corpo do Senhor do modo mais digno possível. Francisco tinha bem presente a advertência de São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. 


Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação». Daí não se cansar de a repetir nos seus escritos, convidando «todos os cristãos, religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres», e ainda «todas as autoridades e cônsules, juízes e reitores, em qualquer parte da terra» a fazerem penitência e a receberem o Corpo do Senhor com humildade e veneração.

Ah! Como é linda, é o céu aqui a Liturgia da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica!


Frei Cácio Petekov, Ofmcap


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A grande Santa Clara de Assis

Santa Clara, nasceu em Assis, na Itália, filha de pais ricos e piedosos. O nome de Clara foi-lhe dado em virtude de uma voz misteriosa que a mãe Hortulana ouviu, quando, antes de dar à luz a filha, fazia fervorosas orações diante de um crucifixo. “Nada temas! – disse aquela voz – o fruto de teu ventre será um grande lume, que iluminará o mundo todo”. 

Desde pequena, Clara era em tudo bem diferente das companheiras. Quando meninas dessa idade costumam achar agrado nos brinquedos e bem cedo revelam também qualidades pouco apreciáveis, Clara era a excepção à regra. O seu prazer era rezar, fazer caridade e penitência. Aborrecia a vaidade e as exibições e tinha aversão declarada aos divertimentos profanos. 

Vivia naquele tempo o grande Patriarca de Assis, São Francisco. A este se dirigiu Santa Clara, comunicando-lhe o grande desejo que tinha de abandonar o mundo, fazer o voto de castidade e levar uma vida da mais perfeita pobreza. São Francisco reconheceu em Clara uma eleita de Deus e animou-a a persistir nas piedosas aspirações. Depois de ter examinado e sujeitado a duras provas o espírito da jovem, aconselhou-lhe abandonar a casa paterna e tomar o hábito de religiosa. Foi num Domingo de Ramos, que Clara executou este plano, dirigindo-se à Igreja de Porciúncula, onde São Francisco lhe cortou os cabelos e lhe deu o hábito de penitência. Clara contava apenas 18 anos, quando disse adeus ao mundo e entrou para o convento das Beneditinas de Assis.

O procedimento estranho de Clara, provocou os mais veementes protestos dos pais e parentes, que tudo tentaram para tirar a jovem do convento. Clara opôs-lhes firme resistência. Indo à igreja, segurou-se ao altar e com a outra mão, mostrou aos pais a cabeleira cortada e disse-lhes: “Deveis saber que não quero outro esposo, senão a Jesus Cristo. A este escolhi e não mais o deixarei.” Clara tinha uma irmã mais nova, de quatorze anos, chamada Inês. Esta, não suportando a separação e animada por Clara, poucos dias depois, abandonou também a casa e entrou para o convento onde Clara estava. Com este gesto não se conformaram os parentes. Foram ao convento com o intuito de obrigar a jovem a voltar trazê-la à viva força para casa, fosse qual fosse a resistência que encontrariam.

A resistência realmente foi tão resoluta da parte de Inês que tiveram de desistir das suas tentativas. Também a ela São Francisco deu o hábito religioso. Apenas provisória podia ser a estada das duas irmãs no convento das Beneditinas. Francisco havia de dar providências para colocá-la em outro lugar.

Adquiriu a igreja de São Damião e uma casa contígua para as novas religiosas, às quais logo se associaram outras companheiras. Sob a direcção de Clara, formaram estas a primeira comunidade que, desenvolvendo-se cada vez mais, tomou a forma de nova Ordem religiosa. Esta Ordem, de origem tão humilde, tornou-se celebérrima na Igreja Católica, a que deu muitas santas e muito trabalhou e trabalha pelo engrandecimento do Reino de Cristo sobre a Terra. 

Obedecendo à Ordem de São Francisco, Clara aceitou o cargo de superiora, e exerceu-o durante quarenta e dois anos. Deu à Ordem regras severas sobre a observância da pobreza. Clara respeitosamente a recusou uma oferta de bens imóveis feita pelo Papa. Não só na observância da pobreza, como também na prática de outras virtudes, Clara era modelo exemplaríssimo para as suas filhas espirituais. Grande foi a satisfação quando recebeu o pedido de admissão na Ordem da própria Mãe e de outras parentes . Além destas, entraram três fidalgas da casa Ubaldini na nova Ordem das Clarissas. Julgaram maior honra associar-se à pobreza de Clara do que viver no meio dos prazeres dum mundo enganador.

Na prática da penitência e mortificação, Clara era de tanto rigor, que o seu exemplo podia servir mais de admiração do que de imitação. O próprio São Francisco aconselhou que usasse de moderação, porque do modo de que vivia e martirizava o corpo, era de recear que não pudesse ter longa vida.

Severíssima para consigo, era inexcedível na caridade para com o próximo. O seu maior prazer era servir aos enfermos. Uma das virtudes que se lhe observava, era o grande amor ao Santíssimo Sacramento. Horas inteiras do dia e da noite passava nos degraus do altar. O SS. Sacramento era o seu refúgio, em todos os perigos e dificuldades.

Clara contava sessenta anos, dos quais passara 28 anos sofrendo grandes enfermidades. Por maiores que lhe fossem as dores, nenhuma queixa lhe saía da boca. Na meditação da sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor achava o maior alívio. “Como passa bem depressa a noite, dizia, ocupando-me com a Paixão de Nosso Senhor”. Em outra ocasião, disse: “Homem haverá que se queixe, vendo a Jesus derramar todo o seu sangue na Cruz? 

Sentindo a proximidade da morte, recebeu os Santos Sacramentos e teve a satisfação de receber a visita do Papa Inocêncio IV, que lhe concedeu uma indulgência plenária. Quase agonizante, disse ainda estas palavras: “Nada temas, minha alma; tens boa companhia na tua passagem para a eternidade. Vai em paz, porque Aquele que te criou, te santificou, te guardou como a mãe ao filho, e te amou com grande ternura. Vós, porém, meu Senhor e meu Criador, sede louvado e bendito.” 

Santa Clara morreu em 12 de Agosto de 1253, mais em consequência do amor divino, do que da doença que a martirizava. Foi em atenção aos grandes e numerosos milagres que se lhe observaram no túmulo, que o Papa Alexandre IX, dois anos depois, a canonizou.

in 'Página do Oriente'


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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

A incrível história de Santa Filomena

Santa Filomena foi uma mártir do séc. III, conhecida mundialmente pelos seus muitos milagres. Muitos santos tinham-lhe grande devoção, como São Pio X, São João Maria Vianney, São Bartolomeu Longo ou São Pio de Pietrelcina, o Padre Pio.

Segue-se a descrição da vida de Santa Filomena extraída do relato oficial do Padre Francesco di Lucia, intitulado 'Relazione Istorici di Santa Filomena', e subsequentes actualizações, a partir das locuções recebidas pela irmã Luísa de Jesus em Agosto de 1833; relatos estes que receberam autorização oficial do então Santo Ofício (hoje a Congregação para a Doutrina da Fé) a 21 de Dezembro de 1833:

«Minha querida irmã, sou a filha de um Príncipe que governava uma pequena cidade-estado na Grécia. A minha mãe era também de sangue real. Os meus pais não tinham filhos. Eles eram idólatras; continuamente ofereciam sacrifícios e orações aos falsos deuses. Um doutor proveniente de Roma, chamado Publius, vivia no palácio ao serviço de meu pai. Este doutor professava o Cristianismo. Vendo a aflição dos meus pais, pelo impulso do Espírito Santo, falou-lhes do Cristianismo, e prometeu rezar por eles se eles consentissem em receber o Baptismo.

A Graça que acompanhava as suas palavras iluminou-lhes a razão e triunfou sobre as suas vontades. Eles tornaram-se cristãos e obtiveram a tão desejada felicidade que Publius lhes havia assegurado, como recompensa da sua conversão. No momento de meu nascimento, eles deram-me o nome de 'Lumena', uma alusão à luz da Fé da qual eu tinha sido. No dia de meu Baptismo, eles chamaram-me 'Filomena', ou 'Filha da Luz', porque naquele dia eu nascera para a Fé.

A afeição que os meus pais tinham por mim era tanta que eles me tinham sempre consigo. Foi por conta disto que me levaram a Roma numa viagem que meu pai foi obrigado a fazer por ocasião de uma guerra injusta com a qual ele foi ameaçado pelo arrogante Imperador Diocleciano. Eu tinha então 13 anos. Fomos conduzimos ao palácio do Imperador e recebidos numa audiência.

Tão logo Diocleciano me viu, os seus olhos fixaram-se sobre mim. Ele aparentava estar perturbado a este respeito durante todo o tempo em que meu pai estava a falar com sentimentos animados tudo o que pudesse servir para sua defesa. Tão logo o meu pai cessou de falar, o Imperador disse-lhe que não mais ficasse preocupado, que banisse todo o medo, que pensasse apenas em viver em felicidade.

Estas foram as palavras do Imperador, “Eu colocarei à sua disposição toda a força do Império. Eu peço apenas uma coisa, que é a mão da sua filha”.

Meu pai, ofuscado com uma honra que lhe era distante de ser esperada, livre e instantaneamente aderiu à proposta do imperador. Quando retornamos a nossa casa, os meus pais fizeram de tudo que podiam para induzir-me a sucumbir às vontades de Diocleciano e deles mesmos.

Eu chorei, e disse: “Desejam que, pelo amor de um homem, eu quebre a promessa que fiz a Jesus Cristo? A minha virgindade pertence-Lhe. Eu não mais posso dispor dela.”

“Mas tu eras jovem, demasiadamente jovem para ter formado tal compromisso”, respondeu o meu pai. Ele juntou as mais terríveis ameaças à ordem que havia me dado de aceitar a mão de Diocleciano. A Graça do meu Deus tornou-me invencível, e o meu pai, não sendo capaz de dissuadir o Imperador, de forma a libertar-se da promessa que fizera, foi obrigado por Diocleciano a levar-me à presença do Imperador.

Tive que resistir por algum tempo diante da fúria do meu pai. A minha mãe, unindo os seus esforços aos dele, decidiu fazer qualquer coisa de forma a conquistar minha determinação. Carinhos, ameaças, tudo foi empregue de forma a reduzir-me à submissão. Cheguei a vê-los ambos caírem aos meus joelhos e dizer-me com lágrimas nos olhos: “Minha criança, tem piedade do teu pai, da tua mãe, do teu país, do nosso país, das nossas pessoas.”
“Não! Não”, respondi. “A minha virgindade, que eu consagrei a Deus, vem antes de tudo, antes de vocês, antes do meu país. O meu reino é o Céu.”

As minhas palavras mergulharam-nos em desespero, e eles levaram-me diante do Imperador, que da sua parte fez de tudo para me vencer. Contudo, as suas promessas, as suas seduções, as suas ameaças foram igualmente inúteis. Foi tomado por uma súbita ira e, influenciado pelo Demónio, lançou-me numa das prisões do palácio, onde me manteve aprisionada com correntes. 

Pensando que a dor e a vergonha me iriam enfraquecer a coragem com que o meu Divino Esposo me tinha inspirado, ele vinha ver-me todos os dias. Depois de vários dias, o Imperador deu ordem para que as minhas correntes fossem afrouxadas, para que eu pudesse tomar uma pequena porção de pão e água.

Ele renovou os seus ataques, alguns dos quais teriam sido fatais à pureza não fosse pela Graça de Deus. As derrotas que ele experimentava eram também prelúdio de novas torturas para mim. A oração era o meu sustento. Eu não cessava de me recomendar a Jesus e à sua mais pura Mãe. O meu cárcere havia já durado 37 dias, quando, no meio de uma luz celestial, eu vi Maria que segurava o Divino Filho nos seus braços.

“Minha filha”, disse, “mais três dias de prisão e depois de 40 dias deixarás este estado de dor.” Esta boa notícia fez com que o meu coração pulasse de alegria. Mas a Rainha dos Anjos acrescentou que eu iria sair da minha prisão, para sustentar, em tormentos amedrontadores, um combate muito mais terrível que aqueles precedentes. Caí instantaneamente da alegria para a mais cruel angústia; pensei que isto iria matar-me.

“Tenha coragem, minha criança”, disse Nossa Senhora, “não estás ciente do predilecto amor que guardo por ti? O nome que recebeste no baptismo é a tua segurança, pela semelhança com o nome do meu Filho e com o meu. Chamas-te 'Lumena', como o teu Esposo é chamado por Luz, Estrela, Sol, como eu mesma sou chamada por Aurora, Estrela, a Lua no esplendor do seu brilho, e Sol. Não tenhas medo, ajudar-te-ei. A natureza, que agora te humilha, assevera as suas leis. No momento do combate, a Graça virá emprestar-te a sua força. O teu Anjo, que também foi meu, Gabriel, cujo nome expressa fortaleza, virá em teu auxílio. Eu recomendar-te-ei especialmente ao seu cuidado, como a bem amada dos meus filhinhos.”

Estas palavras da Rainha das Virgens deu-me coragem novamente, e a visão desapareceu, deixando a prisão repleta de um perfume celestial. Experimentei uma alegria fora deste mundo. Algo indefinível. Aquilo para o qual a Rainha dos Anjos me preparou foi logo experimentado. Diocleciano, desesperado em dobrar-me, decidiu pôr um castigo público que ofendesse a minha virtude. Ele condenou-me a ser despida e açoitada como o Esposo que eu preferi. Estas foram as suas horrificantes palavras: 

“Dado que ela não está envergonhada de preferir a um Imperador como eu um malfeitor condenado a uma morte infame pela sua própria gente, ela merece que a minha justiça a trate como ele foi tratado”.

Os guardas da prisão hesitaram em despir-me inteiramente, mas eles ataram-me a uma coluna na presença de um grande homem da corte. Chicotearam-me com violência, até que eu estivesse banhada em sangue.O meu corpo inteiro parecia uma única ferida aberta, mas não sucumbi. O tirano arrastou-me de volta ao cárcere, aguardando que eu morresse. Eu esperava juntar-me ao meu Divino Esposo. Dois anjos, resplandecentes de luz, apareceram na escuridão. Eles vertiam um confortante bálsamo nas minhas feridas, garantindo-me um vigor que eu não possuía antes da tortura. Quando o imperador foi informado da mudança que se operou em mim, mandou chamar-me

Ele olhou para mim e ficou estupefacto. Tentou persuadir-me de que eu devesse a minha cura e vigor renovado a Júpiter, um outro deus, que ele, o Imperador, me tinha enviado. Ele tentou impressionar-me com a sua crença de que Júpiter me desejava para ser a Imperatriz de Roma. Juntando a estas palavras sedutoras promessas de grandes honrarias, incluindo as mais bajuladoras palavras, Diocleciano tentou acariciar-me. Amigavelmente, tentou completar o trabalho do Inferno que ele havia iniciado. O Divino Espírito, a Quem eu sou devedora pela constância em preservar minha pureza, parecia encher-me com luz e conhecimento. A nenhuma das provas que lhes dei a respeito da solidez da nossa Fé, nem Diocleciano nem os seus cortesãos puderam encontrar qualquer resposta. 

Então, a sua insanidade de Imperador voltou, ordenando a um guarda que me prendesse a uma âncora em volta de meu pescoço e enterrar-me nas águas do rio Tibre. A ordem foi executada. Fui lançada dentro d’água, mas Deus enviou-me dois anjos que me desamarraram da âncora. Os anjos transportaram-me gentilmente à vista da multidão até o leito do rio. Voltei ilesa, depois de ser imersa juntamente com a pesada âncora. Este milagre felizmente produziu efeitos sobre uma grande número dos espectadores, e eles converteram-se à fé. Mas Diocleciano atribuiu a minha preservação a uma mágica secreta.

Então, o Imperador fez com que eu fosse arrastada pelas ruas de Roma e que fosse alvejada por uma saraivada de flechas. O meu sangue verteu, mas não desanimei. Diocleciano pensou que eu estava para morrer e ordenou aos guardas que me conduzissem de volta ao cárcere. 

Novamente ali, o Céu honrou-me com mais um novo favor. Caí num doce sono, e encontrei-me perfeitamente curada quando acordei. Diocleciano sabendo disto: “Bem, então,” ele gritou com veemência, “deixemo-la ser transpassada com flechas pontiagudas uma segunda vez, e deixemo-la morrer durante a tortura.” 

Novamente, os arqueiros curvaram os seus arcos. Eles acumularam toda a sua força, mas as flechas recusaram-se a seguir as suas intenções. O Imperador estava presente. Transtornado, chamou-me de bruxa. Pensando que a acção do fogo pudesse destruir o encanto, ordenou que as flechas fossem tornadas incandescentes numa fornalha e apontados para o meu coração.

Foi obedecido mas estas flechas, depois de terem percorrido uma parte da distância devida para me atingir, tomaram a direcção contrária e retornaram para atingir aqueles pelos quais haviam sido arremessadas. Seis dos arqueiros foram mortos por elas. Muitos deles renunciaram ao paganismo, e o povo começou a render testemunho público ao poder de Deus que me protegera. 

Estes murmúrios e aclamações enfureceram o tirano. Ele determinou que apressassem a minha morte ordenando que eu fosse decapitada. A minha alma alçou vôo em direcção de meu celestial Esposo, que me colocou, com a coroa da virgindade e a palma do martírio, num lugar distinto entre os eleitos.

O dia que foi tão feliz para mim e me viu entrar na glória foi uma Sexta-Feira, e a hora da minha morte foi a terceira hora depois do meio dia, ou seja, a mesma hora que viu o meu Divino Mestre expirar.»


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Oração para o Triunfo da Fé Católica - D. Athanasius Schneider

Deus omnipotente e eterno, Pai, Filho e Espírito Santo, prostrados diante da Vossa Majestade agradecemos do fundo da nossa alma pelo dom inestimável da fé católica, que Vos dignastes revelar-nos por meio de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Recebemos esta luz divina no santo baptismo e Vos prometemos manter esta fé inviolada até a morte.

Aumentai em nós o Vosso dom da fé católica. Que por Vossa graça ela se fortaleça e se torne inabalável. Aumentai diariamente em nós a compreensão da beleza e profundidade da fé católica, para que possamos viver na profunda alegria de Vossa verdade divina e estar prontos para antes sacrificar tudo, do que fazer compromissos nesta fé ou traí-la. Concedei-nos a graça de estarmos decididos a sofrer mil mortes por um único artigo do Credo.

Recebei de bom grado o nosso acto de humilde reparação por todos os pecados cometidos contra a fé católica pelos leigos e clérigos, especialmente pelos altos clérigos que, contrariando a promessa solene que fizeram na sua ordenação de serem mestres e defensores da integridade da fé católica, se tornaram campeões da heresia, envenenando o rebanho a eles confiado e ofendendo gravemente a Divina Majestade de Jesus Cristo, a Verdade encarnada.

Concedei-nos a graça de ver todos os acontecimentos da nossa vida, e as imensas provações que a nossa santa Mãe Igreja está agora a passar, na luz sobrenatural da fé. Fazei-nos acreditar que Vós fareis surgir do vasto deserto espiritual de hoje um renovado florescimento da fé, que adornará o jardim da Igreja com novas obras de fé e dará origem a uma nova era de fé.

Cremos firmemente que a fé católica é a única verdadeira fé e religião, que Vós convidais cada pessoa a abraçar livremente. Pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, a destruidora de todas as heresias, e dos grandes mártires e confessores da fé, possa a fé santa, católica e apostólica triunfar novamente na Igreja e no mundo, para que nenhuma alma se perca, mas antes, chegue ao conhecimento de Jesus Cristo, o único Salvador da Humanidade, e, através de uma fé reta e uma vida justa, alcance a bem-aventurança eterna em Vós, ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. A Vós seja dada toda honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém

+ Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana


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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Igreja de São Lourenço em Almancil (Loulé)












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São Lourenço, Diácono e Mártir

Dia de São Lourenço, martirizado numa grelha. A meio desse processo dirigiu-se aos seus algozes nestes termos: "Podem virar-me porque deste lado já estou bem passado". De homem, sem dúvida. Santo Agostinho conta-nos mais pormenores:

«São Lourenço era diácono em Roma e os perseguidores da Igreja pediram-lhe que entregasse os tesouros da Igreja. Para obter um verdadeiro tesouro no Céu, ele sofreu tormentos cujo relato causa horror: foi deitado numa grelha sobre as chamas.
No entanto, triunfou de todas as dores físicas, pela extraordinária força que extraía da sua caridade e do auxílio daquele que o tornava inquebrável: "Pois nós somos obra sua, criados em Jesus Cristo em vista das boas ações que Deus de antemão preparou para as praticarmos" (Ef 2,10)

Lourenço provocara a cólera dos perseguidores dizendo-lhes: "Tragam-me várias carroças onde eu possa levar-vos os tesouros da Igreja" Trouxeram-lhas; ele encheu-as de pobres e enviou-lhos, dizendo: "Eis os tesouros da Igreja".

Nada mais verdadeiro, meus irmãos: é nas necessidades dos pobres que está a riqueza dos cristãos, se compreendermos bem como fazer frutificar o que possuímos. Há sempre pobres entre nós; se lhes confiarmos os nossos tesouros, não os perderemos.»


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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Testemunho da jovem que ficou chocada quando viu o Santíssimo Sacramento dentro de caixas banais

A rapariga ajoelhada com o vestido branco? Essa sou eu. Há tantas opiniões, teorias e acusações em torno da Jornada Mundial da Juventude, que eu queria dar o meu contributo; porque estive lá e vivi em primeira mão este episódio, que agora se está a tornar viral. O que é que aconteceu?

No Sábado à noite, a Jornada Mundial da Juventude foi palco de louvor e adoração no Campo da Graça. Os meus amigos e eu estávamos a voltar da cerimónia quando vimos umas caixas cinzentas grandes em cima de uma mesa. Havia duas ou três pessoas a rezar junto delas, o que me deixou confusa. Não sabia por que estavam ali a rezar e a minha amiga também não. Aproximei-me de uma das senhoras e ela disse: "Jesus. Jesus está ali dentro." (referindo-se às caixas cinzentas)

Naquele momento, fiquei furiosa: como é que se atrevem a desrespeitar o Senhor? O que pensam que estão a fazer - a colocá-l'O numa caixa sem qualquer respeito... as pessoas passam por Ele sem saber que é Ele! Enquanto voltávamos para o nosso acampamento, eu estava furiosa, mas conversando entre nós, os meus amigos e eu decidimos que, em vez de raiva sem propósito, iríamos fazer alguma coisa. 

Não iríamos protestar, nem publicar nas nossas redes sociais aquele ultraje (embora eu acredite que há um momento e um lugar para isso). Não iríamos coscuvilhar com os outros sobre o assunto, mas sim pegar nos nossos Terços, voltar para junto de Jesus e rezar um Terço em reparação pelos pecados contra o seu Sagrado Coração. E foi isso que fizemos.

Houve tanta coisa BOA que saiu da Jornada Mundial da Juventude - vou fazer um post separado sobre isso. Penso que é importante falar disto, mas primeiro temos de rezar. Depois de rezarmos - como fizemos - podemos então abordar a atrocidade:

Na minha humilde opinião, é uma vergonha absoluta colocar a Hóstia num recipiente tão indigno para ser adorada. Além disso, é uma vergonha inacreditável que muitos dos jovens nem sequer soubessem que era o seu Jesus - que veio, sofreu e morreu por eles - que deviam estar a adorar!

Quando adorado - um privilégio e uma honra incríveis que Nosso Senhor nos dá - Jesus deve ser sempre guardado num sacrário ou exposto num ostensório. Falei com alguns sacerdotes sobre este assunto e todos concordaram comigo. Um deles disse mesmo que, nas Missas de dezenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro, são trazidas enormes cibórios de ouro para proteger Jesus.

O facto de 70% dos católicos nem sequer acreditarem na Presença Real de Nosso Senhor torna este caso ainda mais triste. Como é que nós - os jovens - vamos acreditar que Jesus está realmente aqui quando é assim que Ele é apresentado? Amo a nossa fé católica, amo o nosso magistério, mas quero ouvir uma coisa - quero ouvir uma declaração da parte deles: digam-nos, Bispos e Padres - digam-nos, jovens de todo o mundo: Porque é que Jesus foi exposto desta maneira?

*Aviso: dei aos Bispos, aos organizadores da Jornada Mundial da Juventude e a alguns secretários episcopais mais de um dia para responderem. Não obtive qualquer resposta sobre este assunto - por isso decidi torná-lo público. Se souberem de uma explicação melhor para o que aconteceu, digam-me!

Savannah Dudzik



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