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sexta-feira, 11 de abril de 2025

As Sete Dores de Nossa Senhora

Esta Sexta-Feira antes da Semana Santa é dedicada às Sete Dores de Nossa Senhora. É uma boa coisa rezar um Pai-Nosso e sete Avé-Marias por cada uma delas:

1. A profecia de Simeão (Lc 2, 34-35)
2. A fuga para o Egipto (Mt 2, 13)
3. O Menino Jesus perdido e encontrado no Templo (Lc 2, 43-45)
4. Maria encontra Jesus a caminho do Calvário (Lc 23, 26)
5. Jesus morre na Cruz (Jo 19, 25)
6. Maria recebe o corpo de Jesus nos braços (Mt 27, 57-59)
7. O corpo de Jesus é colocado no Sepulcro (Jo 19, 40-42)


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sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Stabat Mater Dolorosa



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Dia de Nossa Senhora das Dores

Para fazer companhia à nossa querida Mãe é tradição rezar um Pai-Nosso e sete Avé-Marias por cada uma das 'dores' de Maria:

1. A profecia de Simeão (Lc 2, 34-35)
2. A fuga para o Egipto (Mt 2, 13)
3. O Menino Jesus perdido e encontrado no Templo (Lc 2, 43-45)
4. Maria encontra Jesus a caminho do Calvário (Lc 23, 26)
5. Jesus morre na Cruz (Jo 19, 25)
6. Maria recebe o corpo de Jesus nos braços (Mt 27, 57-59)
7. O corpo de Jesus é colocado no Sepulcro (Jo 19, 40-42)


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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Coroa de Nossa Senhora das Dores

A Coroa de Nossa Senhora das Dores teve início em Itália no ano de 1617, por iniciativa da Ordem dos Servos de Maria, assim como a Missa de Nossa Senhora das Dores, que hoje é celebrada em toda a Igreja no dia 15 de Setembro. A Coroa é um dos frutos do carisma mariano da Ordem, cultivado desde 1233, ano da sua fundação. A Coroa surgiu inicialmente como alimento da piedade mariana dos leigos reunidos em grupos chamados Ordem Terceira. A Coroa das Dores teve sempre a aprovação dos Papas.

1ª Dor - Profecia de Simeão

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2, 34-35). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

2ª Dor - Fuga para o Egipto

O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egipto e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egipto (Mt 2, 13-14). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

3ª Dor - Maria procura Jesus em Jerusalém

Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e procuraram entre parentes e conhecidos. E, não O achando, voltaram a Jerusalém à procura d'Ele (Lc 2,43b-45). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

4ª Dor - Jesus encontra a Sua Mãe no caminho do Calvário

Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e encarregaram-no de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23, 26-27). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

5ª Dor - Maria ao pé da Cruz de Jesus

Junto à cruz de Jesus estavam de pé a sua Mãe, a irmã da sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis a tua Mãe! (Jo 19, 15-27a). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

6ª Dor - Maria recebe Jesus descido da Cruz

Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de Sábado, veio José de Arimateia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15, 42). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

7ª Dor - Maria deposita Jesus no Sepulcro

Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19, 40-42a). 
1 Pai Nosso; 7 Avé Marias

in santissimavirgemaria.com.br


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sexta-feira, 8 de abril de 2022

As 7 promessas de Nossa Senhora das Dores

Esta Sexta-Feira antes da Semana Santa é tradicionalmente dedicada a Nossa Senhora das Dores. Nossa Senhora prometeu a Santa Brígida conceder Sete Graças a quem rezar, todos os dias, Sete Avé Marias em honra das suas Dores e Lágrimas:

1) Porei a paz nas suas Famílias.
2) Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.
3) Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nas suas aflições.
4) Conceder-lhes-ei tudo o que me peçam contanto que não se oponha à vontade adorável do Meu Divino Filho e à santificação das suas almas.
5) Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6) Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto da Sua Mãe Santíssima. 
6) Obtive do Meu Filho que, os que propaguem esta devoção (às minhas lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, directamente, pois ser-lhes-ão apagados todos os seus pecados e o Meu Filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.

Oração das 7 Avé Marias

1ª Dor
Pela dor que sofrestes ao ouvir a profecia de Simeão, de que uma espada trespassaria o vosso Coração, Mãe de Deus, ouvi a nossa prece.
Ave Maria...

2ª Dor
Pela dor que sofrestes quando fugistes para o Egipto, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para salvar das fúrias do ímpio Herodes, Virgem Imaculada, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

3ª Dor
Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias, Santíssima Senhora, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

4ª Dor
Pela dor que sofrestes quando viste o querido Jesus com a Cruz ao ombro, a caminho do calvário, virgem Mãe das Dores, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

5ª Dor
Pela dor que sofrestes quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões, Mãe da Divina graça, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

6ª Dor
Pela dor que sofrestes quando recebestes nos vossos braços o corpo inanimado de Jesus, descido da Cruz, Mãe dos Pecadores, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

7ª Dor
Pela dor que sofrestes quando o Corpo de Jesus foi depositado no sepulcro, ficando vós, na mais triste solidão, Senhora de todos os povos, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...


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domingo, 3 de abril de 2022

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Imagens dos êxtases da Beata Alexandrina

Alexandrina de Balasar, apesar de ser tetraplégica, sofria a Paixão de Cristo às Sextas-Feiras às 3 da tarde. Ficam aqui algumas imagens desses fenómenos sobrenaturais e também das peregrinações à sua terra, Balasar, no Norte de Portugal.  



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domingo, 14 de fevereiro de 2021

Santa Verónica Giuliani, uma das maiores místicas de sempre

Dela disse o Papa Leão XIII: "A nenhuma criatura humana, com excepção da Mãe de Deus, foram concedidos tantos dons sobrenaturais". Grande mística, participou dos sofrimentos de Nosso Senhor na Paixão, tendo os cinco estigmas de Cristo sido impressos no seu corpo.

Modelo de obediência e humildade

O noviciado da Irmã Verónica foi muito difícil devido aos esforços do demónio para desencorajá-la. As paredes do convento pareciam-lhe muito austeras, do mesmo modo que os rostos das freiras. Nenhuma delas atraía a sua simpatia. Mas ela venceu todas essas repugnâncias.

Em quase todos os conventos, a noviça era designada para os afazeres mais modestos, a fim de praticar as virtudes da obediência e da humildade. Assim aconteceu com Verónica. Foi sucessivamente faxineira, cozinheira, enfermeira, porteira e sacristã, trabalhando sempre com espírito sobrenatural e unida à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. De tal maneira conquistou as outras religiosas, que foi depois escolhida para a delicada função de Mestra de Noviças. Durante os 22 anos em que exerceu esse cargo, Verónica formou muitas religiosas que chegaram a altos graus de perfeição. Foi então escolhida como Abadessa, cargo que exerceu durante os últimos 11 anos de sua vida.

Às voltas com o Santo Ofício

"Parecia que o Senhor plantava a Sua cruz no meu coração e que assim me fazia compreender o preço dos sofrimentos". Desde o tempo do noviciado, a união de Verónica à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo crescia a cada dia. De tal modo começou a participar da Paixão, que a si mesma chamava “Filha da Cruz”. Ela descreve a experiência mística que teve nesse tempo: “Pareceu-me ver Nosso Senhor que levava a Cruz sobre os ombros, e me convidava a partilhar com Ele essa carga preciosa. Experimentei ardente desejo de sofrer, e parecia que o Senhor plantava a Sua cruz no meu coração e que assim me fazia compreender o preço dos sofrimentos.”

Tais sofrimentos foram terríveis. Dolorosas e intermináveis enfermidades, tentações violentas, aridezes e desolações interiores. Santa Verónica afirmou então que a cruz e os instrumentos da Paixão foram impressos de maneira sensível no seu coração. E desenhou num cartão em forma de coração o lugar em que estava cada um. Quando, depois da sua morte - na presença do Bispo, do governador da cidade, de professores de medicina e de sete outras testemunhas dignas de fé - abriram o seu coração, constatou-se com estupor que nele estavam desenhados os símbolos da Paixão tal e qual ela havia descrito.

Um dia, Verónica pediu a Nosso Senhor para participar da sua coroa de espinhos. O Divino Mestre colocou a coroa na sua cabeça. Verónica experimentou uma tão inaudita dor, como jamais tinha sentido. E essa coroa permaneceu na sua cabeça até o fim de sua vida. Ao intervirem, os médicos aumentaram ainda mais os seus padecimentos, aplicando um bastão de fogo na sua cabeça e furando-lhe a pele do pescoço com uma agulha incandescida. Nada conseguindo, foram obrigados a reconhecer que aquela “enfermidade” lhes era desconhecida.

Verônica recebeu também os estigmas, os quais eram visíveis às outras irmãs. O seu confessor ficou assustado. Tantos fenómenos místicos deixaram-no desnorteado. Foi falar com o Bispo. Este consultou então o Santo Ofício, que o encarregou de pôr à prova a obediência, a humildade e a resignação de Verónica, pois estas constituem a base de toda santidade.

Começaram por destituí-la do cargo de Mestra de Noviças. Ela foi também separada da comunidade e encerrada num quarto da enfermaria com a proibição de ir ao coro, excepto nos dias de preceito para ouvir Missa. Não podia ir ao locutório nem escrever cartas, a não ser para as suas irmãs também religiosas. Pior ainda, foi designada uma irmã conversa para dirigi-la, com ordem de tratá-la com toda severidade. E o que mais a fez sofrer: proibiram-na de receber a Sagrada Comunhão.

Pode-se dizer que no caso de Verónica Giuliani todas as precauções inspiradas pela prudência humana para bem conhecer a verdade foram então empregadas pelo bispo de Città di Castello orientado pelo Santo Ofício.

Depois de um período de prova, o Bispo, Mons. Lucas Antonio Eustachi, escreveu ao Santo Ofício uma carta no dia 26 de Setembro de 1697: “A Irmã Verónica pratica ainda uma exacta obediência, profunda humildade e abstinência surpreendente, sem dar o menor sinal de tristeza. Pelo contrário, aparece com uma paz e uma tranquilidade inalteráveis. É objecto da admiração das suas companheiras, as quais, incapazes de ocultar a grata impressão que lhes produz, falam disso a outras pessoas. Apesar de eu impor penitência às que mais falam, para que não alimentem a curiosidade do povo, que nas suas conversações não tratam de outra coisa, custa-me grande trabalho lograr uma moderação.”

Mística dotada de muito senso prático

Santa Verónica tinha uma caridade ardorosa pela conversão dos pecadores e libertação das almas do purgatório. Foi-lhe revelado que, por causa das suas penitências e orações, converteu ao bom caminho inúmeros pecadores e libertou muitas almas das chamas do Purgatório, as quais lhe apareciam para agradecer por essa caridade.

Tendo passado por todas essas provas, Santa Verónica foi eleita Abadessa do mosteiro em 1716, começando então uma época de grande prosperidade. Pois, apesar de acentuadamente mística e espiritual, Santa Verónica possuía um senso prático muito desenvolvido, a exemplo de outra grande mística, Santa Teresa de Ávila. Mandou fazer todo um sistema de encanamentos para que o convento tivesse água própria, construiu um grande dormitório e uma capela interior, e procurou para a comunidade todas as comodidades compatíveis com o espírito da sua Regra.

Plinio Maria Solimeo in catolicismo.com.br


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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Ligação estreita a Cristo pobre

É a Cristo pobre que deves permanecer ligada. Vê como Ele Se tornou, por ti, objecto de desprezo, e segue-O, tornando-te também tu, por amor a Ele, objeto de desprezo para o mundo. O teu Esposo, o mais belo dos filhos dos homens (cf Sl 44,3), que Se tornou, para te salvar, o último dos seres humanos, desprezado, açoitado, com todo o corpo rasgado pelos golpes do flagelo, morreu finalmente na cruz no meio das piores dores: olha para Ele, medita nele, contempla-O e não tenhas outro desejo que não seja imitá-Lo! 

Se sofreres com Ele, reinarás com Ele; se chorares com Ele, terás parte na sua alegria; se morreres com Ele, no meio das torturas da cruz, tomarás posse da morada celeste no esplendor dos santos, o teu nome será inscrito no livro da vida e tornar-se-á glorioso entre os homens, participarás para sempre e na eternidade na glória do Reino dos Céus, por teres abandonado bens terrenos e efémeros, e viverás pelos séculos dos séculos.

Santa Clara (1193-1252), monja franciscana in  '2.ª carta a Inês de Praga', 18-23 


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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Por quê o sofrimento?

O sofrimento parece a alguns ser um argumento contra o poder ou a bondade de Deus. A mensagem cristã responde que Deus não é – nem pode ser – o autor de algum mal; mas Ele permite que as criaturas, limitadas como são, cometam males físicos e morais; Ele não quer “policiar” o mundo artificialmente, mas se encarrega de tirar dos males produzidos pelas criaturas bens ainda maiores. 

Isto em vários casos é evidente, pois se verifica que, para muitas pessoas, o sofrimento é uma escola que converte e transfigura. Em outros casos, os frutos positivos do sofrimento não são tão perceptíveis; não obstante, o cristão tem certeza de que a Providência Divina não falha e um dia ele compreenderá plenamente o plano de Deus, do qual actualmente ele só percebe segmentos e facetas.

A figura do Filho de Deus, que, feito homem, assumiu a dor e a morte a fim de fazê-las passagem para a ressurreição e a glória, é o testemunho mais eloquente de que o sofrimento não é mera sentença da justiça ou castigo, mas está intimamente associado ao amor que Deus tem para conosco. Aceito em união com Cristo, o sofrimento vem a ser fonte de salvação para o paciente e de expiação dos pecados do mundo.

Um dos temas que mais vêm à tona nos círculos filosóficos e religiosos de nossos dias, é o do sofrimento. Quanto mais se alastra e intensifica a dor dos homens provocada pela fome, o terrorismo, as guerras…, tanto mais indagam a respeito do sentido do sofrimento. Frequentemente nasce daí a objecção; se Deus existe, como pode permitir tanta desgraça, especialmente quando afecta pessoas inocentes? Se tanto mal acontece, ou Deus não pode ou não quer evitá-lo. No primeiro caso, Ele não é todo-poderoso (então não é Deus); no segundo caso, Ele não ama seus filhos, pois nenhum pai assiste indiferente ao sofrimento dos seus filhos. Em consequência de tais raciocínios, parece lógico a muitos negar a existência do próprio Deus.

Eis por que as páginas subseqüentes serão dedicadas ao estudo de tal problema. Pode-se-lhe apresentar solução?… ou ao menos alguma luz que o esclareça? – Aliás, também o último Sínodo Mundial dos Bispos, encerrado em dezembro de 1985, chamou a atenção para a recrudescência do mal em nossos dias (tão marcados pela fome e pela ameaça de catástrofes nucleares) e solicitou especial atenção para a Teologia da Cruz:

“Percebemos que os sinais dos tempos são, em parte, diferentes daqueles dos tempos do Concílio, com problemas e angústias ainda mais graves. Com efeito; assistimos em toda parte ao aumento da fome, da opressão, da injustiça; a guerra domina em vários lugares, com os sofrimentos que ela acarreta, enquanto o terrorismo e a violência, sob mil formas, se manifestam um pouco por toda parte. Isto nos obriga a nova e mais profunda reflexão teológica para interpretar esses sinais à luz do Evangelho…

Parece que nas actuais dificuldades Deus nos quer ensinar mais profundamente o valor, a importância e a centralidade da Cruz de Jesus Cristo” (D, nº. 1 e 2).

Examinemos agora as objecções que, em vista do sofrimento da humanidade, são actualmente levantadas contra a existência ou os atributos de Deus.

1.    Se o mal existe, Deus existe?

Eis quatro objecções que a opinião pública formula:

1.1.        Deus sem poder ou sem amor

“Diante do sofrimento no mundo, Deus não pode ou não quer intervir. No primeiro caso, Ele é fraco ou destituído de poder; no segundo caso, Ele carece de amor para com seus filhos”.

– Esta objecção já foi longamente desenvolvida por Voltaire após o terremoto de Lisboa em 1755 e pelo filósofo Arthur Schopenhauer (+1860). Houve quem lhe respondesse, admitindo que Deus é muito sábio e muito poderoso, mas não todo-poderoso (assim Voltaire, Stuart Mill, M. Schiller). – Todavia quem assim pensa, está praticamente negando a existência de Deus, pois, por definição, ou Deus é a Suma Perfeição, sem limites, ou simplesmente não existe.

A resposta católica a tal objecção já foi formulada por S. Agostinho (+ 430), ao qual S. Tomás de Aquino (+ 1274) fez eco: “A existência do mal não se deve à falta de poder ou de bondade em Deus; ao contrário, Ele só permite o mal porque é suficientemente poderoso e bom para tirar do próprio mal o bem. – Nulo modo sineret aliquid mali esse in operibus suis, nisi esset adeo omnipotens et bonus ut bene faceret etiam de malo” (Enchiridion, c. 11; ver Suma Teológica Ia q. 22, art. 2, ad 2). Estas palavras, aliás, sintetizam toda a doutrina católica relativa à origem do mal:

1) O mal não é uma entidade positiva; mas uma carência do ser (ou do bem) devido. Assim a cegueira é a falta de olhos (é um mal nas criaturas às quais a natureza concede olhos); o pecado é a falta de concordância do ato humano com o Fim Supremo da moralidade, que é Deus.

2) Ora o não ser ou a carência como tal não tem causa. Só pode ser indirectamente causado por um agente falível ou uma criatura que, ao agir, seja capaz de produzir um efeito incompleto, carente de sua perfeição.

3) Por conseguinte, Deus, sendo por definição o Ser Perfeitíssimo, não pode ser causa do mal, Esta há de ser a criatura, que pode falhar ao agir no plano físico (um desastre de automóvel, uma enchente, uma seca…) ou no plano moral (o pecado).

4)  Deus permite que as criaturas exerçam a sua actividade conforme a natureza de cada uma; permite, pois, as falhas respectivas. Ele não fez um mundo artificialmente policiado ou de marionetas. Todavia em sua sabedoria e bondade. Ele se compromete a aproveitar o próprio mal cometido pelas criaturas para daí tirar bens maiores.

5) Não raro é-nos dado perceber os bens que se seguem aos males decorrentes da acção das criaturas. Com efeito, sabemos que muitas e muitas pessoas se transformaram e nobilitaram em consequência de uma moléstia grave, de um baque ou insucesso na vida. Em outros casos não nos é possível indicar os frutos positivos procedentes de algum mal; mas o cristão tem a certeza de que, no final dos tempos, lhe será concedido contemplar o plano de Deus e as ligações existentes entre os factos que ele abrange.

A resposta teológica aqui esboçada será mais amplamente explanada sob o título 2 deste artigo. Importa aqui mostrar apenas que a existência do mal no mundo não significa falta de poder ou de bondade em Deus. Os caminhos de Deus não são os dos homens, diz o Profeta (Is 55,8); a visão que Deus tem das criaturas e da história, é muito mais extensa do que a que nós temos. Por causa de nossas perspectivas limitadas, corremos o risco de apontar sem mais um mal ou um desastre onde há apenas o preâmbulo de um grande benefício arquitectado sobre a própria falibilidade das criaturas.

1.2.        Insistindo…

“Não aceito a explicação, pois frequentemente me parece que a desgraça é tão-somente desgraça, longe de qualquer plano providencial de Deus”.

A propósito formularemos três observações:

1) É preciso  que a criatura não faça de si mesma o padrão ou o critério para avaliar felicidade ou desventura. Não diga: “Se eu não vejo o lado positivo de uma desgraça, tal lado positivo não existe”. Somente Aquele cujo olhar abarca toda a história da humanidade pode definir o sentindo real que cada acontecimento tem nesse conjunto.

2) Se determinado mal não tem realmente uma contra-parte positiva ou valiosa, isto se deve muitas vezes ao endurecimento ou à indisposição do ser humano. Deus não constrange ninguém a acolher a sua graça. Com outras palavras: a pessoa que sofre, pode fechar-se numa atitude de revolta, que a torna impermeável à acção  do Espírito de Deus.

3) Se alguém insiste em negar a existência de Deus por causa das desgraças existentes no mundo, elimina do seu horizonte um factor de esperança e coragem, e não resolve o problema do sofrimento. Ao contrário, cria para si um novo problema. Com efeito, verifica-se que muitas e muitas pessoas, quando sofrem, apelam espontaneamente para Deus; assim nos cárceres, nos hospitais, nas trincheiras de guerra… é mais frequente o clamor que pede ajuda, do que a blasfémia. Quem sofre, experimenta muitas vezes a necessidade de um auxílio mais do que humano para tirá-lo da sua dor e salvar da desgraça os seus semelhantes.

Mais: se alguém nega a existência de Deus, vê-se diante de um mundo marcado pela injustiça e retido pelas leis do mais forte que esmaga o mais fraco… sem que possa haver esperança de restauração da ordem ou do reconhecimento dos verdadeiros valores. Já Platão (+ 347 a.C.), diante da injusta morte de Sócrates, afirmava a necessidade de haver uma justiça superior ou divina para que a morte de Sócrates não fosse um mero absurdo ou o triunfo do mal sobre o bem (ver os diálogos República e Fedon).

1.3.        Só para os maus…

“Somente os criminosos deveriam sofrer, ao passo que os justos haveriam de gozar de paz e felicidade. Ora às vezes parece que se dá contrário”.

A respeito ponderamos:

1) Todos os seres humanos são portadores de pecado. Não os dividamos em criminosos, de um lado, e inocentes, de outro lado. Os que não cometem graves faltas morais, trazem dentro de si a potencialidade ou a capacidade de as cometer.

2) O sofrimento não deve ser considerado apenas como punição ou sanção devida a um réu. Ao contrário, o sofrimento tem significado muito mais largo e nobre. Com efeito.

a) o sofrimento físico é decorrente da própria natureza do homem. A dor é sinal de alarme que torna o homem consciente de uma moléstia ou um distúrbio do seu organismo; se não fosse a dor, o mal progrediria sem que o paciente pudesse perceber adequadamente. O natural desgaste dos órgãos (coração, pulmões, fígado…) provoca dores que vêm a ser salutar advertência ou ensinamento para o homem.

b) O sofrimento está também muito ligado ao amor e à nobreza de carácter. Longe de ser castigo, o sofrimento decorre muitas vezes do facto de que alguém ama outra pessoa e compartilha as dores desta. Pode-se mesmo dizer: quanto mais alguém é digno e magnânimo, tanto mais sofre; quanto mais mesquinho ou desnaturado, tanto menos sofre. Qual a mãe que não sofre por causa da dor de seu filho?

c) De modo geral, o sofrimento é escola para o ser humano. Contribui para vencer o egoísmo e tornar a pessoa mais voltada para o próximo; torna actuantes muitas energias e potencialidades que  nunca desabrochariam se não fosse o sofrimento. Esta verdade é tão óbvia que já os antigos gregos a formularam no trocadilho: pathos mathos (sofrimento é ensinamento ou aprendizagem). Quem não passa pelo cadinho do sofrimento, muitas vezes é egocêntrico, e insensível para com os outros; desfigura-se no plano da personalidade.

1.4.        Ao menos, não seja excessivo!

Dirá alguém: “Se  o sofrimento tem suas vantagens, é para desejar que não se torne excessivo. Deus deveria saber moderá-lo”.

–  Respondemos que as expressões “excessivo” e “pouco demais” são relativas. Quem gosta de trabalhar, se dá por feliz quando desempenha uma tarefa grande e importante, que a pessoa vadia rejeitaria como “excessiva”. Caminhar um quilómetro, para uns, é excessivo, enquanto para outros é insuficiente. – Por conseguinte, é difícil levar em consideração a reivindicação do sofrimento não excessivo, já que este termo é vago ou genérico demais. Como dito, não devo fazer de minhas categorias de pensamento e afecto os critérios de aferição do que acontece aos outros principalmente se não conheço esses outros.

Passemos agora à explanação da resposta cristã ao problema do sofrimento.

2.    A resposta cristã

2.1.        Observação prévia

A fé ajuda o cristão a esclarecer o problema do sofrimento, mas não dissipa todo enigma a tal propósito. Especialmente quando se consideram casos particulares, como a morte desta mãe ou deste pai, que deixam crianças pequenas, não é possível oferecer explicação cabal e precisa para o ocorrido; nem nos é possível dizer por que tal desgaste de automóvel se deu precisamente em tal dia de festa. O livro de Jó nos recorda a insondabilidade do sofrimento, quando, referindo-se às tentativas de explicar o sofrimento, põe nos lábios de Jó as seguintes palavras:

“Eis que falei levianamente; poderei responder-te? Porei minha mão sobre a boca; Falei uma vez, não replicarei… Falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam. Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te os meus olhos; por isto retrato-me e faço penitência no pó e na cinza” (Jó 40, 4s; 42, 3-6).

Todavia a fé cristã projecta o mistério do sofrimento a perspectiva do amor de Deus; como é difícil dar explicação cabal para o mistério do amor, também é árduo explicar o mistério do sofrimento. A fé católica enquadra o mistério do sofrimento dentro do mistério  maior do amor. Com efeito, o amor de Deus, que criou o homem num misterioso ato de benevolência, jamais o abandona; certamente exerce seus planos através dos percalços da caminhada que a criatura percorre na terra. Todas as respectivas ocorrências estão sob o signo desse amor primeiro gratuito e irreversível (cf. 1Jo 4, 10, 19).

Examinemos agora, de mais perto, a explicação teológica.

2.2.        A origem do mal no mundo

A S. Escritura refere que o mal no mundo teve origem por violação (por parte dos primeiros pais) da ordem instaurada pelo Criador.

Com efeito. Deus quis dotar os primeiros homens de grande riqueza interior: 1) a graça santificante, que lhes comunicava a filiação divina e 2)  os dons preternaturais (a isenção da morte, do sofrimento, da desordem de tendências interiores…). Tal era o estado de justiça original.

Estes dons estavam condicionados à fidelidade do homem ao plano de Deus. Sim; deviam ser livremente aceites pela criatura. Por isto o Criador propôs a esta um modelo de vida (figurado pela proibição da fruta da árvore da ciência do bem e do mal, Gn 2,16s). Aceitando-o, o homem significaria sua entrega ao desígnio de Deus; recusando-o, exprimiria o seu Não e sua auto-suficiência. 

Ora na verdade os primeiros pais rejeitaram o modelo de vida apresentado pelo Senhor Deus; pecaram por soberba, que os levou à desobediência. Em consequência, perderam a chamada “justiça original” e caíram num estado em que existem a morte, o sofrimento, as tendências desregradas… Verdade é que tanto a morte como o sofrimento e os apetites instintivos são algo de natural; todavia após o pecado dos primeiros pais trazem a marca da desordem e da desobediência. 

O mundo que, por dom de Deus, estava harmoniosamente sujeito ao homem, já não é tal; enquanto o homem se mantinha submisso e fiel a Deus, o mundo inferior estava subordinado ao homem; todavia, rompida a sujeição do homem ao Criador, rompe-se a serventia das criaturas irracionais ao homem; estas o maltratam e esmagam, negam-lhe os frutos da terra e, não raro, as condições de sobrevivência.

Por conseguinte, conforme o texto sagrado e a doutrina da fé, a origem do mal no mundo está no pecado ou no plano moral. Este suscitou o mal físico (doenças, mortes, catástrofes, calamidades…).

A doutrina do pecado original assim concebida tem sido questionada ou posta em dúvida por parte de alguns teólogos e exegetas. Estes afirmam que o pecado começou sua história no mundo sem o quadro ou a moldura que o texto sagrado lhe assinala; não importaria o modo de suas origens. Tal teoria destrói a cosmovisão cristã. Por isto o S. Padre João Paulo II, em suas audiências de Quarta-feira, tem insistido no assunto, incutindo a doutrina de fé na Igreja; tenha-se em vista L’Osservatore Romano, edições semanais de setembro-outubro 1986.

Eis, porém, que, na história das relações do homem com Deus, a última palavra não foi a do pecado nem a da desordem. O Senhor Deus não se quis deixar vencer pelo mal, mas venceu o mal com o bem (cf. Rm 12,21). É o que veremos a seguir.

2.3.        O resgate da dor

Diz São Paulo: “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo” (Ef 2,4s). Ou ainda: “Onde abundou o pecado, aí superabundou a graça” (Rm 5,20). Com outras palavras: Deus não ficou indiferente à desgraça na qual o homem se atirou pelo pecado; não assistiu “friamente” à tragédia; mas houve por bem assumi-la em toda a sua realidade concreta.

O testemunho do amor de Deus foi precisamente a obra de Cristo. Enviando seu Filho ao mundo, o Pai constituiu um segundo Adão ou um novo Cabeça da humanidade. Este assumiu a dor e a morte do homem até as últimas consequências, numa atitude de entrega e de amor ao Pai. Desta maneira mudou o significado do sofrimento humano; este já não é mera consequência do pecado ou sanção da justiça divina; ele foi redimido vindo a ser a vida de volta do homem a Deus. O homem sofre e, sofrendo, se encaminha para o Pai com Cristo.

Os teólogos costumam deter-se na explanação do valor do sacrifício de Cristo, valendo-se do texto de São Paulo: “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por nós a fim de que nos tornássemos justiça de Deus por Ele” (2Cor 5,21). Estes dizeres significam que Cristo foi constituído sacrifício pelo pecado; Ele fez partir da própria natureza humana o amor e a dedicação ao Pai que o primeiro Adão recusou.

O cristão, sofrendo com Cristo, pode até mesmo tornar-se co-redentor com Jesus, expiando em sua carne os pecados da humanidade, como lembra o S. Padre Pio XII na encíclica Mystici Corporis Christi. Desta maneira, o sofrimento, além de ser escola benéfica (como foi dito à p. 65 deste artigo), é também ocasião de derramamento de graças sobre o mundo. O sofrimento dos inocentes há de ser visto à luz desta verdade: como Cristo inocente padeceu transfigurando a dor, assim o cristão santamente configurado a Cristo, padece oferecendo ao Pai o repúdio ao pecado e o amor que os pecadores deveriam tributar a Deus. 

O Pai celeste dispôs salvar os homens mediante Cristo e aqueles que se unem a Cristo pela santidade de sua vida. Assim a própria dor das pessoas retas e justas toma sentido. São Paulo dizia: “Completo em minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Quando o cristão sofre, não é simplesmente um ser biológico que sofre, mas é o próprio Redentor que estende a sua Paixão aos membros do seu Corpo Místico, associando-os à sua obra redentora: na verdade, o sacrifício de Cristo na Cruz foi infinitamente meritório, mas cada cristão pode dar-lhe o suporte ou a moldura da sua vida pessoal…, suporte que a Paixão de Cristo não teria se não fosse a vida de cada discípulo de Cristo.

O valor do sacrifício do cristão unido ao de Cristo foi realçado pelo Cardeal Frantisek Tomasek, de Praga, numa entrevista concedida ao periódico italiano II Sabato. O prelado falou então dos graves problemas que o regime comunista suscita para a Igreja na Tchecoslováquia (cerceamento de actividades pastorais, dificuldades para a nomeação de Bispos, encarceramento de sacerdotes e leigos…). O repórter então lhe perguntou:

“Eminência, não está cansado de combater uma batalha sem êxito?”

Respondeu o Cardeal: “A situação é difícil; não se vê como e quando possa melhorar. Mas tenho sempre esperança. Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus, faz muito, quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que fazemos entre nós, na Tchecoslováquia”.

Quem sofre, faz tudo, desde que unido a Cristo, pois toma parte íntima na Paixão Redentora do Senhor, fonte de salvação para o mundo inteiro.

3.    Conclusão

Eis a maneira como a mensagem cristã responde ao problema do sofrimento humano. Aos olhos da fé, é plenamente satisfatória; tem suscitado grandes heróis e heroínas através dos séculos. O que esta explicação possui de mais típico, é o facto de conjugar entre si justiça e amor. Sim; o sofrimento, de um lado, é a justa consequência do Não dito pelo homem a Deus no início da sua história; por outro lado, é o testemunho do amor de Deus que, assumindo o sofrimento e a morte, demonstra ao homem que lhe quer bem e não desiste de o chamar à Vida; Cristo transfigurou o sofrimento e o fez caminho de conversão ou de retorno ao Pai.

D. Estevão Bettencourt, osb in 'Revista: Pergunte e Responderemos'Nº 297 – Ano 1987 – Pág. 61.


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sábado, 26 de novembro de 2016

"Sejam cristãos o dia todo" - Irmã Guadalupe testemunha em Lisboa

A Irmã Maria de Guadalupe Rodrigo, religiosa argentina da Congregação do Verbo Encarnado, esteve na igreja da Encarnação no dia 23 de Novembro a dar um testemunho sobre os anos em que viveu na Síria. Começa por agradecer a presença de todos porque diz que uma das grandes dores da Síria, para além da guerra, é o silêncio e o abandono que sentem.

Esteve na Síria durante cinco anos, cinco anos de guerra. Conta ela que antes de ir para a Síria esteve doze anos em missão no Egipto, no fim dos quais já estava doente. Tendo em conta o estado de saúde em que se encontrava pediu aos seus superiores, em 2010, para ir para a Síria descansar. Queria ir para um sítio calmo e a Síria era um paraíso de convivência entre muçulmanos e cristãos, o lugar ideal para ir buscar forças depois de doze anos num sítio em que havia uma grande perseguição aos cristãos que eram uma minoria.

Passados uns meses de ter chegado a Alepo começaram a aparecer as chamadas manifestações pacíficas, por todo o mundo a comunicação social reportou-as como uma guerra civil em que o povo afirmava querer depor o seu governo ditatorial para poderem ter um democrático. Diz a Irmã, com toda a certeza, que eram ataques terroristas, que o povo estava contente com o governo que tinha há tanto tempo porque sabiam que era o único que conseguia dar estabilidade ao País.

Conta que, no primeiro ano, saíram milhares de pessoas às ruas a suplicar que fosse explicado que não era nada daquilo que eles queriam, que queriam continuar como antes. Mas o Ocidente desejava impor a sua forma de governo ao Médio Oriente e tudo o que o povo clamava era traduzido para todos de uma maneira completamente diferente; só quem lá estava percebia o que se passava na realidade, só quem testemunhava o dia-a-dia daqueles cidadãos compreendia o desespero que viviam. Afirma, convicta, que “temos de respeitar a soberania destes povos!

Diz ainda, desolada, que sabe que esta guerra foi decidida num escritório, por pessoas sedentas de poder, por aqueles que querem decidir o destino de todos os povos, por “pessoas de fora”. Os Bispos, desde o princípio, suplicavam pelo fim do financiamento de armamento, que, continuando, seria financiar um genocídio.

No primeiro ano de guerra, Alepo esteve cercada pelos terroristas que deixaram a população sem água, gás e comida. Estavam cinco milhões de pessoas encurraladas, pessoas estas que estavam habituadas a ter todos os confortos, que eram ricas e que, de um dia para o outro, ficaram sem nada. “Foi muito confuso, ninguém sabia por onde começar, ninguém sabia agir, mães que sempre tiveram quem lhes cuidasse dos trabalhos domésticos estavam na rua a tentar dar alguma coisa para comer aos seus filhos, foi muito triste”. De seguida começaram os ataques à cidade e ao país, os bairros católicos foram os mais castigados e 12 milhões de pessoas tiveram de fugir tornando-se refugiados. Reitera: “a única solução possível é o fim da «fábrica de refugiados» que é a guerra, é acabar com a perseguição aos cristãos”.

Salienta que até os muçulmanos que vivem na cidade estão preocupados com o desaparecimento dos cristãos porque sabem que são eles que mantêm o bom nível de ensino e os valores pessoais e culturais que lá não têm.

Apesar de todo o sofrimento vivido no país, diz que, para as Irmãs que lá estão, é um privilégio poder servir a Igreja sendo mártires, que é um presente de Deus. Agradece poder estar junto dos mártires nos dias antes das suas mortes, poder estar com eles todos os dias, “são os mártires dos nossos tempos, os santos dos dias de hoje; é um presente poder servi-los”. "Para nós é um privilégio estar na Síria e no Iraque todos os dias. Pensem no vosso santo mártir mais querido. Agora pensem que no século XXI existem santos mártires todos os dias. E nós estivemos ao lado deles, a acompanha-los. Há coisa melhor?" Há cinco anos que aquele povo vive com explosões diárias tendo que se habituar a conviver com a morte e a preparar-se, todos os dias, para morrer. Sempre que saem de casa para ir para a escola, para o trabalho ou simplesmente para ir à mercearia, despedem-se dos seus familiares como se não os fossem voltar a ver. Mas, apesar de tudo, continuam perseverantes na sua fé. A Irmã conta que na Páscoa e no Natal os ataques são mais fortes e que, mesmo sabendo disto, as igrejas estão sempre cheias porque estas pessoas “sofrem muito e por isso rezam muito e quando sofrem mais, rezam mais, rezam continuamente!” "Casamentos são a céu aberto porque as igrejas não têm tecto! A luz que entra é a do sol! Para casar são precisos os noivos e um padre. Tudo o resto é secundário."

Dá o exemplo de uma rapariga que lhe disse, com tristeza, que no Ocidente as pessoas andam preocupadas à procura de pokemons enquanto eles tinham que se preocupar a procurar familiares debaixo de escombros.

"As pessoas despedem-se todos os dias umas das outras. O pai que vai trabalhar despede-se. A mãe que vai ao pão despede-se. O filho que vai a escola despede-se. Porque podem não voltar."

Confirma que todos os dias se vêem coisas horrorosas mas que Deus vence sempre, há sempre milagres a acontecer à volta deles. Conta a história de um padre que ia ser morto enquanto o filmavam e que, no último instante, o assassino não o conseguiu fazer porque “sentiu uma força sobrenatural a puxá-lo para o sentido oposto”. 

Pede para que os cristãos perseguidos sejam um exemplo para nós: eles são cristãos 24 horas, em qualquer sítio, com quem quer que seja; sabem que são mártires; sofrem mas não se deixam ir abaixo porque sabem que lhes podem tirar tudo, mas que o céu ninguém lhos tira. Pede “que os cristãos perseguidos nos dêem um mote: ser cristãos o dia todo. Que se note que somos diferentes mesmo que por isso possamos ser perseguidos. Que estejamos apaixonados por Cristo. Apóstolos sem medo, manifestando-nós sem medo”. "No Egipto tatuam uma cruz para se distinguirem como cristãos. É incrível andar no autocarro e ver mais gente com esta cruz e pensar 'somos 4 neste autocarro. Somos imensos!' No Ocidente não falamos sobre isso. O que pensariam as pessoas? Vão dar conta que somos católicos? Parecemos uma Igreja clandestina... Parece que somos perseguidos."

Mostrando várias fotografias de jovens que convivem muito com as irmãs diz que eles têm uma alegria verdadeira e contagiante, que antes da guerra só se preocupavam com coisas materiais e fúteis e que hoje em dia só pensam no Céu, “eles têm a alegria do Céu”. Lembra-nos que eles convivem com a morte todos os dias e que, consequentemente vivem com a intensidade de quem sabe que vai morrer, eles fazem o que têm de fazer, sempre, para irem para junto de Nosso Senhor. "Estudam com velas porque só há 2 horas de luz por noite, formam-se e são felizes. Já há médicos que se estão a formar agora e que estudaram 5 anos com guerra, a luz das velas." Houve um ataque ao bairro da Irma Guadalupe e toda a gente pegou na mochila que têm sempre para as emergências: os estudantes levaram apontamentos para se sobreviverem poderem continuar os estudos. Cada dia é um dia.

Suplica-nos que aprendamos a sofrer e a oferecer o nosso sofrimento. Reitera que a saúde da alma é a única que verdadeiramente interessa e que temos de cuidar dela: "Claro que me preocupo que vás para a guerra. Mas o que me preocuparia mais seria se um filho meu morresse na alma" (mãe da Irmã Guadalupe sobre o facto de ela voltar para a Siria depois das férias na Argentina). Dizendo que para isso é preciso renúncia, sacrifício e abnegação. "Antes da guerra só nos preocupávamos com coisas ligeiras. E agora com a guerra demos importância ao que realmente interessa. Conviver com a morte tira-nos o medo de morrer. Mas estou feliz." "O que são 10 anos comparado com a eternidade?"

O que aquelas pessoas vivem não é algo de extraordinário, elas vivem o Evangelho. A perseguição faz parte da vida dos cristãos. O comportamento de um cristão choca com o Mundo e com os critérios mundanos e isso assusta os outros. Nosso Senhor disse: "vocês não são do mundo" mas eu escolhi-os tirando-os do mundo; por isso o mundo odeia-vos. O Mundo e o Evangelho não andam juntos e em todo o Mundo a Igreja e os seus valores são perseguidos. "Mesmo no Ocidente todos os dias a Igreja e os seus valores são perseguidos. Leis, notícias, opressão social..." Afirma que nós temos que analisar a nossa vida e ver o que estamos a fazer porque se estivermos conformados com o mundo não estamos bem.

Por fim pede-nos que não paremos de rezar: "No credo rezamos que acreditamos nas Comunhão dos Santos. Quer dizer que todos estamos ligados. Aproveitemos o sangue dos mártires."As vossas orações são a origem das graças que recebemos todos os dias. Nunca deixem de rezar. Obrigado!" E termina o testemunho cantando a mais antiga oração a Nossa Senhora em Siríaco:
"Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genetrix. Nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta."

“À Vossa proteção nos acolhemos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas nas nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.”

Resumo por: Clara Goes


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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Canonização de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

"Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6, 14)

Um exemplo eloquente desta extraordinária renovação interior é a vicissitude espiritual de Edith Stein. Uma jovem em busca da verdade, graças ao trabalho silencioso da graça divina, tornou-se santa e mártir: é Teresa Benedita da Cruz, que hoje repete do Céu a todos nós as palavras que caracterizaram a sua existência: «Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de Jesus Cristo». (...)

O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

Embora sua mãe a tenha educado na religião hebraica, aos 14 anos de idade Edith Stein, «consciente e propositadamente desacostumou-se da oração». Só queria contar consigo mesma, preocupada em afirmar a própria liberdade nas opções de vida. No fim do longo caminho, foi-lhe dado chegar a uma surpreendente conclusão: só quem se une ao amor de Cristo se torna verdadeiramente livre. (...)

No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!

Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. (...)

Como esposa na Cruz, a Irmã Teresa Benedita não escreveu apenas páginas profundas sobre a «ciência da cruz», mas percorreu até ao fim o caminho da escola da Cruz. Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar! A verdadeira mensagem da dor é uma lição de amor. O amor torna o sofrimento fecundo e este aprofunda aquele. Através da experiência da Cruz, Edith Stein pôde abrir um caminho rumo a um novo encontro com o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé e a cruz revelaram-se-lhe inseparáveis. (...)

Ao longo da sua existência, enquanto amadurecia no conhecimento de Deus adorando-O em espírito e verdade, ela experimentava cada vez mais claramente a sua específica vocação de subir à cruz juntamente com Cristo, de abraçá-la com serenidade e confiança, de amá-la seguindo as pegadas do seu dilecto Esposo: hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz é-nos indicada como modelo em que nos devemos inspirar e como protectora à qual havemos de recorrer.

Papa João Paulo II, Homilia da Canonização de Edith Stein, 11 de Outubro de 1998


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quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Família e o Sofrimento

Casados há 17 anos e com 4 filhos recebemos no Verão passado, sem aviso prévio ou antecedentes familiares, a notícia de que um dos nossos filhos, então com 6 anos, tinha um cancro. Nestas linhas tentamos partilhar alguns pontos da nossa experiência em família da vivência desta situação.
Não nos parece que a questão que mais nos tenha ocupado tenha sido “porquê o nosso filho?”. Ao entrarmos no IPO demos de caras com todo um mundo novo, com uma concentração de sofrimento por metro quadrado que tornaria redutora e egoísta a pergunta “porquê o nosso filho?”. A fazer alguma pergunta seria “porquê a todos estes miúdos?”. Não tivemos (não temos) uma resposta a essa pergunta e nem sabemos se está ao alcance do entendimento do homem. Mas a experiência de sofrimento que atravessámos deu-nos muitas outras respostas, alertou-nos para outras perguntas, trouxe-nos luzes, abriu-nos horizontes, fez-nos redescobrir o nosso filho e reinventar a nossa relação com ele… É difícil sintetizar tudo o que a experiência nos trouxe e, na verdade, ainda estamos lentamente a tomar consciência daquilo que vivemos (passaram 9 meses, o nosso filho terminou tratamentos, estando agora sob vigilância, mas ainda estamos na descoberta do impacto em nós de tudo o que vivemos).

Durante estes meses de doença do nosso filho chegou-nos às mãos o livro de Pablo D´Ors “Viver, Amar, Morrer” sobre a doença de África Sendino. Nesse livro encontrámos esta frase: “Por fim, compreendo que a providência divina não é uma simples formulação, mas uma realidade quotidiana que me aguarda no rosto dos meus amigos. E vejo, como num espetáculo grandioso, até onde pode chegar a bondade de quem me rodeia”. Talvez aquilo que mais de fundo temos para partilhar é que, apesar de tudo o que vemos à nossa volta, a bondade anda espalhada pelo mundo. 

A nós chegou-nos das mais variadas formas. Recordamos, vamos recordar sempre, os que continuamente nos enviaram mensagens, os que tomaram conta das nossas outras filhas, os que nos visitaram, os que nos revezaram no IPO para que pudéssemos descansar ou jantar, os que rezaram (muitos nem sabemos os seus nomes), os que nos abraçaram, os que connosco choraram e riram, os que nos ajudaram em alterações logísticas em casa, os que enviaram medicamentos e presentes do estrangeiro, os que nos substituíram no trabalho, os que gastaram tempo a estudar e a pedir informações médicas, os que fizeram traduções, os que nos acolheram em férias, os que prestaram cuidados médicos, de enfermagem ou de apoio no IPO… 

No meio de uma situação muito complicada e envolvidos num ambiente em que vimos situações muito duras ficou para nós uma experiência muito grande da bondade. E o suporte que recebemos da nossa família, dos nossos amigos e da comunidade de que fazemos parte permitiu que o nosso filho tenha passado por momentos muito bons e que seja globalmente boa a sua perceção deste tempo.

O tempo que passámos no IPO permitiu-nos também fazer uma experiência única de proximidade com pessoas que até então nos eram totalmente desconhecidas, ver corações a alegrarem-se e a sofrerem com as alegrias e os sofrimentos dos outros, ver como é possível estar em comunhão quando a fragilidade humana faz cair as barreiras (culturais, sociais, intelectuais, financeiras, religiosas, …) que normalmente nos separam. 

Quando vemos o nosso filho deitado numa cama ao lado de outros, quando vemos o olhar ansioso de uns pais enquanto aguardam os resultados de um exame do seu filho, ou quando vemos um avô a cuidar de um neto como se fosse pai segunda vez, damo-nos conta de que somos todos parecidos, todos frágeis mas também todos preciosos, com uma grande capacidade de amar, todos filhos do mesmo Deus.

Inês e Miguel Madeira in Voz da Verdade


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domingo, 14 de dezembro de 2014

Mensagem recente do Papa para os Cristãos perseguidos no Iraque

A 9 de Dezembro, o Arcebispo de Lyon, o Cardeal Philippe Barbarin, levou ao Médio Oriente uma vídeo-mensagem do Papa Francisco. O Papa gravou um vídeo para o Cristãos e para toda a população do Iraque, na sequência de todos os sofrimentos que a diocese de Mosul tem passado. Esta foi mais uma iniciativa para os ajudar. Aqui fica o texto completo da mensagem do Papa:

"Gostava de comprimentar cada um de vós, juntamente com o Cardeal Philippe Barbarin que, mais uma vez, vos leva a preocupação e o amor da Igreja inteira. Também eu gostava de estar aí convosco, mas dado que não posso, faço isto em troca… mas estou muito perto de vós nestes momentos difíceis. Durante a minha viagem de regresso da Turquia disse que os Cristãos estão a ser expulsos do Médio Oriente, com sofrimento. Agradeço-vos o testemunho que dão; e o vosso testemunho está cheio de sofrimento muito valioso. Obrigado! Muito obrigado.

Parece que aí eles não querem haja nenhum Cristão, mas vós levais o testemunho de Cristo. Penso nas feridas, na dor das mulheres e das suas crianças, nos idosos e abandonados, nas feridas daqueles que são vítimas de todo o tipo de violência.

Tal como disse em Ankara, a grande preocupação vem do facto de, acima de tudo, devido a grupos extremistas e fundamentalistas, comunidades inteiras, especialmente - mas não só - Cristãos e Yazidis, sofreram e continuam a sofrer violências desumanas devido à sua identidade religiosa e étnica. Os Cristãos e os Yazidis foram forçados a sair das suas casas, tiveram que abandonar tudo para salvar as suas vidas, mas não negaram a sua fé. Até edifícios sagrados, monumentos, símbolos religiosos e heranças culturais foram afectadas pela violência, quase como se quisessem cancelar qualquer traço, qualquer memória do outro.

Como líderes religiosos, somos obrigados a denunciar todas as violações à dignididade dos direitos da humanidade.

Hoje gostava de aproximar-me mais de vós, que passam por este sofrimento, para estar perto de vós… e penso em Sta. Teresinha do Menino Jesus, que disse que ela e a Igreja eram como uma vara que, quando o vento se levanta e vem a tempestade, a vara dobra-se mas não se parte. Neste momento, vós sois como esta vara: dobram-se com dor, mas têm a fortaleza para levar para a frente a vossa fé, que é testemunho para nós. Hoje vós sois a vara de Deus! As varas dobram-se diante deste vento feroz, mas depois levantam-se outra vez.

Queria agradecer-vos mais uma vez. Rezo para que o Espírito, que faz novas todas as coisas, vos dê a cada um fortaleza e resistência. É um dom do Espírito Santo. E peço intensamente, como fiz na Turquia, uma maior colaboração internacional para resolver os conflitos que derramam sangue nas vossas terras de origem, para combater as outras causas que fazem as pessoas sair das suas casas e para promover condições adequadas para elas permanecerem ou regressarem. Eu espero que regressem, que sejam capazes de regressar.

Queridos irmãos e irmãs, vós estais no meu coração e nas minhas orações, nos corações e orações de todas as comunidades Cristãs, a quem pedi que rezassem de uma forma especial a 8 de Dezembro, pedindo a Nossa Senhora que vos proteja: ela é nossa mãe e vai proteger-vos.

Irmãos e irmãs, a vossa resistência é martírio. São gotas que trazem muito fruto. Por favor, peço-vos que rezem por mim. Que o Senhor vos abençoe e que Nossa Senhora vos proteja.

Que Deus Todo Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, vos abençoe."

in VIS (negritos destacados por nós)


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