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sábado, 16 de maio de 2026

O Bispo que ensinava hinos católicos a comunistas

O Cardeal Van Thuan foi preso pelos comunistas no Vietname e esteve mais de 10 anos em várias prisões. Durante esse tempo converteu muitos dos guardas prisionais.

Numa noite em que estou doente, na prisão de Phú Khánh, vejo passar um polícia e grito: "Por caridade, estou muito doente, dê-me um pouco de remédio!" Ele responde-me: "Aqui não há caridade nem amor, apenas responsabilidade."

Essa é a atmosfera que respiramos na prisão.

Quando fui colocado no isolamento, fui confiado a um grupo de cinco guardas: dois deles estão sempre comigo. Os chefes mudam-nos de duas em duas semanas com os de outro grupo, para que não sejam "contaminados" por mim. Depois, decidiram não mudar mais, pois de outra forma todos ficariam contaminados!

No início, os guardas não falavam comigo, respondiam apenas "yes" e "no". É muito triste; quero ser gentil, cortês com eles, mas é impossível, evitam falar comigo. Não tenho nada para lhes dar de presente: sou prisioneiro, todas as roupas são marcadas com grandes letras "cai-tao", isto é, "campo de reeducação". Que devo fazer?

Uma noite, vem-me um pensamento: "Francisco, tu és ainda muito rico. Tens o amor de Cristo no teu coração. Ama-os como Jesus te ama." No dia seguinte, comecei a amá-los, a amar Jesus neles, sorrindo, trocando palavras gentis. Começo a contar histórias das minhas viagens ao exterior, como vivem os povos na América, Canadá, Japão, Filipinas, Singapura, França, Alemanha… a economia, a liberdade, a tecnologia. Isso estimulou a curiosidade dos guardas, e excitou-os a perguntarem-me muitas outras coisas. Pouco a pouco, tornamo-nos amigos. Querem aprender línguas estrangeiras: francês, inglês… Os meus guardas tornam-se meus alunos! A atmosfera da prisão mudou muito.

Até com os chefes da polícia. Quando viram a sinceridade do meu relacionamento com os guardas, não só pediram para continuar a ajudá-los no estudo de línguas estrangeiras, mas ainda me mandaram novos estudantes.

Um dia, um cabo perguntou-me:

- O que é que pensa do jornal 'O Católico'?

- Este jornal não fez bem nem aos católicos nem ao governo, antes alargou o fosso da separação.

- Porque se expressa mal; usam mal os vocábulos religiosos e falam de maneira ofensiva. Como remediar essa situação?

- Primeiro, é preciso entender exactamente o que significa tal palavra, tal terminologia religiosa…

- Pode ajudar-nos?

- Sim, proponho-lhes escrever um vocabulário de linguagem religiosa, de A a Z. Quando tiverem um momento livre, explicar-vos-ei. Espero que, assim, possam compreender melhor a estrutura, a história, o desenvolvimento da Igreja, as suas actividades…

Deram-me papel, e escrevi esse vocabulário de 1500 palavras, em francês, inglês, italiano, latim, espanhol, chinês, com explicações em vietnamita. Assim, pouco a pouco, com a explicação - as minhas respostas às perguntas sobre a Igreja, e aceitando também as críticas -, esse documento torna-se uma "catequese prática". Há muita curiosidade por saber o que é um abade, um patriarca; qual a diferença entre ortodoxos, católicos, anglicanos, luteranos; de onde provêm os recursos financeiros da Santa Sé…

Este diálogo sistemático, de A a Z, ajuda a corrigir muitas confusões, muitas ideias preconceituosas; torna-se dia-a-dia mais interessante, até mesmo fascinante.

Naquela época, ouvi que um grupo de vinte jovens da polícia estudava latim com um ex-catequista, para estar em condições de entender os documentos eclesiásticos. Um dos meus guardas pertence a esse grupo. Um dia, perguntou-me se lhe podia ensinar um cântico em latim.

- São tantos e tão belos, respondi-lhes.

- Você canta e eu escolho, propôs.

Cantei a Salve Regina, o Veni Creator, a Ave Maris Stella… Podem adivinhar que canto escolheu? O Veni Creator.

Não posso dizer quanto é comovente escutar todas as manhãs um polícia comunista, descendo pela escada de madeira, pelas sete horas, para fazer ginástica e depois lavar-se, cantando o Veni Creator na prisão.

in Cardeal Van Thuan, Cinco pães e dois peixes: Do sofrimento do cárcere, um alegre testemunho da fé


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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Hino para ser cantado no início de ano: Veni Creator Spiritus

Veni, Creator Spiritus,
mentes tuorum visita,
imple superna gratia
quae tu creasti pectora.

Qui diceris Paraclitus,
altissimi donum Dei,
fons vivus, ignis, caritas,
et spiritalis unctio.

Tu, septiformis munere,
digitus paternae dexterae,
Tu rite promissum Patris,
sermone ditans guttura.

Accende lumen sensibus:
infunde amorem cordibus:
infirma nostri corporis
virtute firmans perpeti.

Hostem repellas longius,
pacemque dones protinus:
ductore sic te praevio
vitemus omne noxium.

Per te sciamus da Patrem,
noscamus atque Filium;
Teque utriusque Spiritum
credamus omni tempore.

Deo Patri sit gloria,
et Filio, qui a mortuis
surrexit, ac Paraclito,
in saeculorum saecula.

Amen.


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quarta-feira, 25 de junho de 2025

Os doze frutos do Espírito Santo

1. Amor
2. Alegria
3. Paz
4. Paciência
5. Longanimidade
6. Benignidade
7. Bondade
8. Mansidão
9. Fé
10. Modéstia
11. Continência
12. Castidade



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sábado, 7 de junho de 2025

Oração ao Espírito Santo escrita pelo Cardeal Newman

Querido Senhor,
Ajudai-me a espalhar a Vossa fragrância onde quer que eu vá.
Inundai a minha alma com o Vosso Espírito e com a Vossa vida.
Penetrai e possuí todo o meu ser, tão completamente, que toda a minha alma seja uma irradiação de Vós.

Brilhai através do meu ser e mostrai-Vos de tal forma em mim, que cada alma que eu encontre possa sentir a Vossa presença.
Que elas ergam o olhar e não me vejam, mas apenas a Vós Senhor.
Ficai comigo para que eu comece a brilhar como Vós e brilhe de tal forma que seja a luz dos outros.

A luz, ó Senhor, virá toda de Vós, nenhuma será minha, sereis Vós a brilhar diante dos outros através de mim.
Permiti pois que Vos louve da forma que Vós mais amais, brilhando sobre aqueles que Vos rodeiam.
Deixai que Vos pregue sem pregar, não por palavras mas pelo meu exemplo, pela força do entendimento, pela influência simpática daquilo que faço, como prova do amor que o meu coração sente por Vós. Ámen

São Henry Newman


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sexta-feira, 30 de maio de 2025

Começa hoje a Novena ao Espírito Santo (Pentecostes)

A novena do Espírito Santo é a mais antiga de todas, porque foi vivida por Maria Santíssima e pelos Santos Apóstolos no Cenáculo, entre muitos prodígios, visto que Espírito Santo desceu exactamente 10 dias após a Ascensão de Nosso Senhor aos Céus. 

Lembremos de que ao Divino Paráclito é atribuído especialmente o dom do amor. Convém, portanto, que nesta novena consideremos o grande valor do amor divino. Em primeiro lugar, o amor é aquele fogo que inflamou todos os santos a fazerem grandes coisas por Deus. Se quisermos também ficar abrasados, apliquemo-nos sempre, mas em particular nestes dias, à oração, que é a fornalha onde o fogo do amor divino se acende.

Nesta novena rezaremos as meditações de S. Afonso Maria de Ligório.

1. Oração Preparatória para todos os dias:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da Terra.

Oremos: Ó Deus, que instruís os corações de Vossos fiéis com a Luz do Espírito Santo, fazei que saibamos apreciar rectamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e possamos gozar sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Ámen.

2. Meditação de cada dia (ver abaixo)

3. Pai Nosso, Avé Maria, Glória 

4. Antífona final:

V. A graça do Espírito Santo ilumine os nossos sentidos e o nosso coração.
R. Ámen.

1º Dia (27 de Maio)
Et apparuerunt illis dispertitae liguae, tanquam ignis 

“E apareceram sobre eles repartidos como que línguas de fogo” (At 2, 3)

I – Deus ordenou na antiga Lei que o fogo ardesse continuamente no seu altar. Diz São Gregório que os altares de Deus são nossos corações, onde Ele quer que o fogo de seu santo amor arda sem cessar. Por isso o Eterno Pai, não satisfeito em ter-nos dado Jesus Cristo, seu Filho, para nos salvar por sua Morte, quis dar-nos ainda o Espírito Santo, para que habitasse em nossas almas, e as conservasse continuamente abrasadas de amor.

Jesus mesmo declarou que descera à Terra exactamente para inflamar com este fogo sagrado nossos corações, e que seu único desejo era vê-lo acesso: “Vim lançar fogo à Terra e que coisa Eu quero senão que se acenda?” (Lc 12, 49). Eis aqui porque, esquecendo as injúrias e ingratidões dos homens, logo que subiu ao Céu, nos enviou o Espírito Santo. – Assim, ó Redentor amadíssimo, na vossa glória, como nos vossos sofrimentos e humilhações, nos amais sempre?

Pela mesma razão o Espírito Santo quis aparecer no Cenáculo sob forma de línguas de fogo: “E apareceram sobre eles repartidos como que línguas de fogo.” (At 2,3). Por isso também a Igreja nos faz rezar com estas palavras: “O Senhor, fazei que o vosso divino Espírito nos inflame com o fogo que Jesus Cristo veio trazer sobre a Terra, e que desejou tão ardentemente ver brilhar nela.” – Foi este amor o fogo que inflamou os santos a fazerem grandes coisas por Deus: amar os inimigos, a desejar os desprezos, a despojar-se de todos os bens terrenos e a abraçar com alegria os tormentos e a morte. O amor não pode ficar ocioso e nunca diz: Basta. A alma que ama a Deus, quanto mais faz por seu amado, mais quer fazer ainda para mais lhe agradar e ganhar mais e mais a sua afeição.

II – O Espírito Santo acende o fogo do amor divino por meio da meditação: “Na minha meditação se acenderá o fogo.” (Sl 38,4). Se então, desejamos arder em amor para com Deus, amemos a oração; ela é a feliz fornalha em que o coração se abrasa neste ardor celeste.

Meu Deus, até aqui nada tenho feito por Vós, que tão grandes coisas fizeste por mim. Ah! Quanto a minha frieza deve mover-Vos a rejeitar-me! Peço-Vos, ó Espírito Santo: Aquecei o que está frio. Livrai-me de minha frieza e inspirai-me um grande desejo de Vos agradar. Renuncio a todas as minhas satisfações, e antes quero morrer do que Vos dar o menor desgosto. – Aparecestes sob a forma de línguas de fogo; consagro-Vos minha língua, para que não Vos ofenda mais. Ó Deus, Vós me destes a língua para Vos louvar, e dela tenho me servido para Vos ultrajar e levar os outros também a Vos ofender! Arrependo-me de toda minha alma.

Ah! Pelo amor de Jesus Cristo, que na sua vida Vos honrou tanto com a língua, faça com que de agora em diante não cesse de Vos honrar, celebrando Vossos louvores, invocando-Vos muitas vezes, falando da Vossa bondade e do amor infinito que mereceis. Amo-Vos meu soberano bem; amo-Vos Deus de amor. – Ó Maria Santíssima, sois Vós a Esposa fidelíssima do Espírito Santo; obtende este fogo divino.

2º Dia (28 de Maio)
Ilumina oculos meos, me unquam obdormiam in morte 

“Ilumina os meus olhos, para que eu não durma jamais na morte” (Ps 12, 4)

I – Um dos maiores danos que nos causou o pecado de Adão, é o obscurecimento da nossa razão pelo efeito das paixões que nos ofuscam o espírito. Mui desgraçada é a alma que se deixa dominar por alguma paixão! A paixão é uma nuvem, um véu, que nos impede de ver a verdade. Como pode fugir do mal aquele que não o conhece? E este obscurecimento da nossa razão aumenta em proporção ao número dos nossos pecados.

Mas o Espírito Santo é também chamado Lux Beatissima, com seus esplendores divinos, não só abrasa o nosso coração em seu santo amor, como também dissipa as nossas trevas e nos faz conhecer a vaidade dos bens terrenos, o valor dos eternos, a importância da salvação, o preço da graça, a bondade de Deus, o amor infinito que Ele merece e o imenso amor que nos tem.

“O homem animal não percebe as coisas que são do Espírito de Deus.” (1Cor 2, 14). O homem chafurdado no lamaçal dos prazeres mundanos pouco percebe as verdades da fé. Eis por que o infeliz tem amor ao que devia odiar, e odeia ao que devia amar. Santa Maria Madalena de Pazzi exclamava: O amor não é conhecido! O amor não é amado! Santa Teresa dizia igualmente que Deus não é amado porque não é conhecido. Os santos pediam a Deus sem cessar luz e mais luz: enviai Vossa luz; dissipai minhas trevas; abri meus olhos, porque sem sermos esclarecidos não podemos evitar o abismo, nem encontrar a Deus.

II – Como fruto desta meditação tomemos a resolução de invocar várias vezes o Espírito Santo nas dificuldades que encontramos não somente nos negócios espirituais da alma, mas também nas corporais, especialmente nos de mais graves consequências. Lembremo-nos, porém, que Deus não nos comunicará as suas luzes sempre imediatamente; as mais das vezes se servirá, para tal fim, dos nossos superiores e pais espirituais que ele deixou como seus representantes na Terra: “Quem vos ouve a mim ouve. Quem vos despreza, a mim despreza.” (Lc 10,16).

Santo e divino Espírito, creio que sois verdadeiramente Deus, com o Pai e o Filho. Adoro-Vos e reconheço-Vos como autor de todas as luzes com as quais me fizeste conhecer o mal que fiz ofendendo-Vos, e quanto sou obrigado a amar-Vos. Dou-vos graças e me arrependo sumamente de Vos ter ofendido. Merecia que me abandonasses nas minhas trevas, mas vejo que ainda não me abandonaste.

Ó Espírito eterno, continuai a esclarecer-me e fazei-me conhecer sempre melhor Vossa bondade infinita e dê-me força para Vos amar no futuro de todo meu coração. Ajuntai graça a graça, para que eu fique docemente unido a Vós e obrigado a amar se não a Vós. Eu Vo-lo suplico pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amo-Vos ó meu soberano bem, amo-Vos mais que a mim mesmo. Quero ser todo Vosso; recebei-me e não permitais que me separe de Vós. – Ó Maria, minha Mãe, assisti-me sempre com Vossa intercessão.


3º Dia (29 de Maio)
Qui biberit ex aqua, quam ego dabo ei, non sitiet in aeternum 
“Aquele que beber da água que eu lhe der, não terá jamais sede” (Jo 4, 13)

I – O amor é também chamado fonte de água viva. O nosso Redentor disse à mulher samaritana: “Aquele que beber da água que Eu lhe der jamais terá sede.” (Jo 4, 13). O amor é, pois, uma água que mata a sede; aquele que ama Deus sinceramente, não busca nem deseja coisa alguma fora de Deus; porque em Deus encontra todos os bens. Assim, contente em possuir Deus, repete sempre na alegria de seu coração: “Meu Deus e meu tudo!” Ó meu Deus! Vós sois meu único bem. Mas Deus queixa-se de muitas almas que vão mendigar junto das criaturas alguns miseráveis e curtos prazeres, e O abandonam, Bem infinito e fonte de todas as alegrias: “Eles abandonaram a mim que sou fonte de água viva, e cavaram para si cisternas que não podem reter água.” (Jr 2, 13).

Ai está, porque o Senhor que nos ama, e deseja ver-nos contentes, nos clama a todos: “Se alguém tem sede, venha a Mim.” (Jo 7, 37). Quem deseja a verdadeira felicidade, venha a Mim, dar-lhe-ei o Espírito Santo, que o fará feliz, nesta vida e na outra: sentirá correr do seu seio rios de água viva, como os profetas anunciaram.

Aquele, pois, que crê em Jesus Cristo, e o ama, será enriquecido de tantas graças, que do seu coração, ou da sua vontade, que é como seio da alma, fluirão fontes de santas virtudes, que o ajudarão não apenas a conservar a própria vida, mas ainda a comunica-las a outros. A água misteriosa, de que nos fala Nosso Senhor, é precisamente o Espírito Santo, o amor substancial que Jesus nos prometeu enviar após a sua Ascensão: “Isto lhes disse a respeito do Espírito Santo, que haviam de receber os que cressem Nele; porque ainda o Espírito não fora dado, por não ter sido ainda Jesus glorificado.” (Jo 7, 39).


II – A chave que nos abre os canais dessa água desejável é a oração, pela qual obtemos todos os bens em virtude da divina promessa: “Pedi e recebereis.” (Jo 16, 24). Somos cegos, pobres e fracos, mas a oração nos consegue a luz, a riqueza e a força da graça. Com a oração podemos tudo, dizia São Teodoreto. Aquele que ora recebe tudo que deseja. Deus quer dar-nos as suas graças, mas quer que as peçamos.

“Senhor, dai-me desta água.” (Jo 4,15). Meu Jesus, dir-Vos-ei como a Samaritana, dai-me desta água do Vosso santo amor, que me faça esquecer a Terra e viver só para Vós, ó Amável infinito. Regai o que é seco. Minha alma é Terra seca, que não produz senão abrolhos e espinhos do pecado; Ah! Inundai-me com as águas da vossa graça, para que produza algum fruto para Vossa glória, antes que a morte me arrebate deste mundo. Ó fonte de água viva! Ó Bem supremo! Quantas vezes Vos deixei pelas águas lodosas desta Terra, que me privaram de Vosso amor! Ah! Quisera eu ter morrido antes de Vos ofender! Mas no futuro, não quero buscar nada senão Vós somente. Ó meu Deus, socorrei e fazei que Vos seja fiel. Maria Santíssima, minha esperança, cobri-me sempre com Vosso manto.

4º Dia (30 de Maio)
Fluat ut ros eloquium meum, quasi imber super herbam 

“Distilem como orvalho as minhas palavras, como chuva sobre a erva” (Dt 32, 2)

I – Por duas razões o amor é chamado orvalho. Primeiro, porque torna a alma fecunda em bons desejos e boas obras; segundo, porque tempera o ardor das más inclinações e tentações. Se queremos receber este orvalho celestial, apliquemo-nos à oração mental e nunca deixemos de a fazer, ao menos uma vez por dia. Um quarto de hora de meditação basta para apagar o fogo do ódio ou do amor desordenado, por ardente que seja. Ao contrário, a quem não ama a oração, é moralmente impossível vencer as paixões.

A Igreja manda-nos pedir ao Espírito Santo, que purifique nossos corações e os torne fecundos por seu salutar orvalho: Sancti Spiritus corda nostra mundet infusio, et sui roris intima aspersione foecundet. O amor faz a alma fecunda em bons desejos, santas resoluções e boas obras: tais são as flores e os frutos da graça do Espírito Santo. – O amor é chamado também orvalho, porque tempera o ardor das más inclinações e tentações. Por isso se diz do Espírito Santo que Ele modera o ardor e refrigera – “In aestu temperies, dulce refrigerium”.

Este salutar orvalho desce sobre nossos corações durante a oração. Um quarto de hora de meditação basta para apagar o fogo do ódio ou do amor desordenado, por ardente que seja. A santa meditação é a adega misteriosa de que fala a Esposa dos Cantares: Introduxit me rex in cellam vinariam, ordinavit in me caritatem (!) – “O rei me introduziu na sua adega, ordenou em mim a caridade”. Aí é que nos enchemos da caridade bem ordenada, pela qual amamos ao próximo como a nós mesmos, e a Deus sobre todas as coisas. Quem ama a Deus, ama a oração, e a quem não ama a oração, é moralmente impossível vencer as próprias paixões.

II – Para que não sejamos oprimidos pelos ardores das más inclinações, e afim de que o Espírito Santo possa fertilizar as nossas almas com o orvalho dos seus dons, tomemos hoje a forte resolução de fazer cada dia ao menos uma meia hora de oração mental. São João Crisóstomo compara a oração mental a uma fonte no meio de um jardim; porque sem ela todas as virtudes murcham, ao passo que com ela se conservam frescas e amenas, e se aperfeiçoam constantemente.

Assim como quem sai de um jardim faz um ramalhete das flores que mais o encantam, assim, segundo o aviso de São Francisco de Sales, devemos ao sair da meditação compor um como que ramalhete dos pensamentos que mais nos impressionaram, e durante o dia avivá-los de tempos a tempos, mesmo durante as nossas ocupações.

Ó santo e divino Espírito, não quero mais viver para mim mesmo; em Vos amar e agradar quero empregar tudo que me resta da vida. Com este fim Vos peço que me concedais o dom da oração mental. Vinde a meu coração, e ensinai-me Vós mesmo a praticá-la como se deve. Dai-me a força de não deixá-la por tédio no tempo da aridez; dai-me o espírito de oração, isto é, a graça de sempre orar e de fazer aquelas orações que sejam mais agradáveis ao vosso divino Coração. – Por meus pecados me havia perdido; mas por tantos sinais de vossa ternura, reconheço que quereis a minha salvação e santificação. Quero santificar-me para Vos agradar e amar mais a vossa infinita bondade. Amo-Vos, ó meu soberano Bem, meu amor, meu tudo, e porque Vos amo, dou-me todo a Vós. – Ó Maria, minha esperança, protegei-me.

5º Dia (31 de Maio)
In pace in idipsum dormiam et requiescam 

“Em paz dormirei nele mesmo e repousarei” (Ps 4, 9)

I – O efeito principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do objecto amado, tanto na prosperidade como na adversidade. Para uma alma que ama a Deus, consolar-se nas humilhações, dores e perdas que sofre, basta saber que o Senhor quer vê-la suportar tal pena. Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, acharemos a paz e o contentamento no meio das tribulações e sob o peso da cruz.

O amor se chama: In labore requies, in fletu solatium – “Alívio nas penas, consolação nas lágrimas”. O amor é um repouso que recreia, porque o ofício principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do ser amado. Para consolar-se de todas as humilhações que recebe, dores que sofre, perdas que padece, uma alma que ama a Deus, só precisa conhecer a vontade de seu amado que deseja vê-la suportar tal pena.

Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, ela acha paz e contentamento no meio de todas as tribulações. Esta é a paz divina que transcende todos os prazeres dos sentidos: Pax Dei, quae exsuperat omnem sensum. Santa Maria Madalena de Pazzi sentia-se inundada de alegria só com o pronunciar das palavras: vontade de Deus.

II – Nesta vida cada um deve levar sua cruz; mas, diz Santa Teresa: A cruz é dura para quem a arrasta, não, porém, para aquele que a abraça. Assim é que o Senhor sabe ao mesmo tempo ferir e curar, segundo a expressão de Jó: Vulnerat et medetur. Por sua doce unção, o Espírito Santo torna suave e amável até os opróbrios e tormentos. – Ita, Pater, quoniam sic fuit placitum ante te – “Sim, meu Pai, seja, feita a vossa vontade”. Assim orou Jesus Cristo e nós também devemos repetir estas palavras do Salvador todas as vezes que a adversidade nos visitar: Sim meu Pai, assim seja, porque é vossa vontade. Quando trememos sob ameaça de alguma desgraça temporal, repitamos sempre: “Fazei, ó meu Deus: aceito desde já tudo que fizerdes. Protesto que quero viver onde Vós quiserdes, sofrer tudo o que quiserdes e morrer quando quiserdes”. É também utilíssimo oferecer-se muitas vezes a Deus no decurso do dia, como o fazia Santa Teresa.

Ah! meu Deus, quantas vezes, para fazer a minha própria vontade, contrariei a vossa e cheguei a desprezá-la. Disto me aflijo mais que de todos os males. De aqui em diante quero de todo o coração amar-vos e obedecer-vos. Loquere, Domine, quia audit servus tuus – “Falai, Senhor, vosso servo vos escuta”. Dizei o que quereis de mim; quero fazer em tudo a vossa santa vontade. Este será para sempre o meu santo desejo, pois sois o meu único amor. Ajudai a minha fraqueza, ó Espírito Santo. Vós sois a mesma bondade; como, portanto, posso amar outro tesouro senão a vós? Conjuro-vos, atraí para vós, pela doçura de vosso amor, todos os afectos do meu coração. Renuncio a tudo para dar-me a vós sem reserva.

“Recebei, Senhor, toda a minha liberdade. Aceitai a minha memória, a minha inteligência e toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo fostes vós que me destes; venho vo-Lo restituir e tudo entregar ao vosso beneplácito. Dai-me somente o vosso amor E a vossa graça e rico serei, nada mais vos peço”. – Faço o mesmo pedido a vós, ó Mãe do Belo Amor, Maria, e espero que mo obtenhais pela vossa poderosa intercessão.

6º Dia (1 de Junho)
Fortis est ut mors dilectio 

“O amor é forte como a morte” (Cant 8, 6)

I – Quanto se trata de agradar ao objecto amado, o amor vence tudo; não há dificuldade que resista ao amor; porque, aquele que ama, não sente o sofrimento, ou se o sente, o ama. O sinal, pois, mais certo para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus é a sua fidelidade na adversidade como na prosperidade. Dizemos que amamos a Deus, mas até agora que fizemos por ele? Como suportamos as cruzes que nos manda para nosso bem?

Assim como não há força criada que resista à morte, assim não há dificuldades que não ceda ao ardor de uma alma amante. Quando se trata de agradar ao objecto amado, o amor vence tudo, perdas, desprezos, dores. Nada é bastante duro para resistir ao fogo do amor, diz Santo Agostinho: Nihil tam durum, quod non amoris igne vincatur. O sinal mais certo, pois, para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus, é sua fidelidade em amar na adversidade como na prosperidade.

Dizia São Francisco de Sales que Deus é tão amável quando nos aflige, como quando nos consola, porque faz tudo por amor e até quando mais nos aflige nesta vida é que nos testemunha mais o seu amor. São João Crisóstomo julgava São Paulo mais feliz nos ferros que arrebatado ao terceiro céu.

II – Também os santos mártires se regozijavam no meio dos tormentos e agradeciam ao Senhor como um grande favor que lhes dispensava o terem que sofrer por seu amor. E os outros santos, que não acharam tiranos para os atormentar, tornaram-se carrascos de si mesmos pelas penitências com que se castigaram, afim de se fazerem agradáveis a Deus. Aquele que ama, diz Santo Agostinho, não sente sofrimento, ou se o sente, o ama: In eo quod amatur, aut non laboratur, aut ipse labor amatur.

Ó Deus da minha alma, digo que vos amo; mas que faço por vosso amor? Nada. É então um sinal de que não vos amo, ou vos amo muito pouco. Meu Jesus, enviai-me o Espírito Santo, que me venha dar a força de sofrer e fazer alguma coisa por vosso amor antes de minha morte. Ah! Meu amado Redentor, não permitais que eu morra neste estado de frieza e ingratidão em que eu tenho vivido até hoje. Concedei-me a graça de amar os sofrimentos, depois de tantos pecados que me tornaram digno do inferno.

Ó meu Deus, todo bondade e todo amor, desejais habitar em minha alma onde tantas vezes vos expulsei; vinde, estabelecei nesta vossa morada, dominai nela e fazei-a toda vossa. Amo-vos, ó meu Senhor, e já que vos amo, comigo estais, como São João afirma: Qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo – “Aquele que mora no amor permanece em Deus e Deus nele”. Se, pois, estais comigo, aumentai em mim as chamas de vosso amor, fortificai as cadeias que me prendem a vós, afim de que eu suspire somente por vós, busque somente a vós, e assim unido convosco, não me separe jamais do vosso amor. Ó meu Jesus, quero ser vosso, todo vosso. – Ó minha Advogada e Rainha, Maria, alcançai-me o santo amor e a perseverança.

7º Dia (2 de Junho)
Ego rogabo Patrem, et alium Paraclitum dabit vobis, ut maneat vobiscum in aeternum 

 “Rogarei a meu Pai, e ele vos enviará outro Consolador, afim de que more sempre convosco” (Jo 14, 16)

I – É esta a magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daquele que O ama: Se me amais, rogarei ao Pai, e ele vos enviará o Espírito Santo, afim de que more sempre convosco. Deus, portanto, habita na alma que O ama. Lembremo-nos, porém, de que Deus é cheio de zelos. Quer habitar só na alma, e não está contente, se não o amamos de todo o coração e queremos dividir o nosso amor entre ele e as criaturas.

O Espírito Santo é chamado Hóspede das almas: “Dulcis hospes animae”. É o efeito da magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daquele que O ama: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e rogarei ao Meu Pai, e Ele vos enviará outro consolador, o Espírito Santo, afim de que more sempre convosco: “Ut maneat vobiscum in aeternum”. Sim, sempre, porque o Espírito Santo não desampara nunca uma alma, a não ser que seja expulso por ela: “Non deserit, nisi deseratur”.

Deus portanto, habita em toda a alma de que é amado; mas declara não ficar satisfeito, se não o amamos de todo o nosso coração. Escreve Santo Agostinho, que o senado romano se recusou a admitir Jesus Cristo no número dos deuses, dizendo que Ele é um Deus soberbo que quer ser adorado com exclusividade. Isto é verdade: Nosso Senhor não aceita rival num coração que O ama; quer habitar nele só e ser amado mais que todos. Se Ele não se vê amado acima só, tem, por assim dizer, segundo a expressão de São Tiago, zelos das criaturas com que é dividido esse coração, que ele deseja só para si: “Ad invidiam concupiscit vos Spiritus qui habitat in vobis”. Numa palavra, como diz São Jerónimo: Jesus é um Deus cheio de zelos: Zelotypus est Iesus.

II – É este o motivo porque o Esposo celeste louva a alma que, semelhante à rola, vive na solidão escondida do mundo: “Pulchrae sunt genae tuae, sicut turturis”. Não quer que o mundo tenha parte no amor desta alma, deseja-a toda inteira para si. Se ele ainda louva a sua Esposa, chamando-a jardim fechado – Hortus conclusus, soror mea sponsa – , é porque ela não deixa entrar em seu coração nenhum afecto terreno. Ah! Jesus não merece todo o nosso amor? “Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit”, diz São João Crisóstomo: Ele nos deu tudo, o seu sangue e a sua vida; mais do que isto não podia nos dar.

Se queremos que Deus habite em nossa alma com a plenitude de sua graça, consagremo-la hoje de novo toda inteira e sem reserva a seu serviço e repitamos esta nossa consagração muitas vezes durante o dia, especialmente na oração mental, na santa comunhão e na visita ao Santíssimo Sacramento.

Lembremo-nos de que há três meios principais pelos quais uma alma se pode dar toda a Deus. Primeiro, evitar todas as faltas deliberadas, ainda que pequenas, e para este fim reprima o mais insignificante desejo desordenado e mortifique a satisfação dos sentidos. Segundo, escolher, entre as coisas boas, a melhor, que mais agrade a Deus. Terceiro, aceitar com paz e gratidão, das mãos do Senhor, tudo o que mortifica o nosso amor próprio e em particular os desprezos. Lembremo-nos de que tem mais valor aos olhos de Deus um desprezo sofrido em paz e por amor a Ele, do que mil mortificações e mil práticas.

Ó meu Deus, bem vejo que me quereis todo para Vós. Tanta vezes Vos expulsei da minha alma. Mesmo assim não Vos dedignais de nela entrar e unir-Vos a mim. Ah! Tomai agora posse de todo o meu ser; dou-me inteiramente a vós. Aceitai-me, ó meu Jesus, e não permitais que eu viva de agora em diante um instante sequer sem vosso amor. Vós me buscais, e eu não busco senão a Vós. Quereis minha alma, e ela só Vos quer a Vós. Vós me amais, e eu também vos amo; e já que me amais, prendei-me tão perfeitamente convosco, que não me aparte mais de vós. – Ó Rainha do céu e minha querida Mãe, Maria, em vós ponho minha confiança.

8º Dia (3 de Junho)
Super omnia autem caritatem habete, quod est vinculum perfectionis 

“Acima de tudo, tende e caridade, que é o vínculo da perfeição” (Col 3, 14)

I – Antes da vinda de Jesus Cristo, os homens afastavam-se de Deus, e aferrados à Terra, recusavam unir-se ao seu Criador. Mas nosso amável Senhor enviou-nos o Espírito Santo, afim de que, assim como Ele é o vínculo indissolúvel que une o Pai ao Verbo Eterno, assim una nossas almas a Deus pelo amor. Procuremos, pois, estar fortemente ligados por este vínculo de perfeição, e não correremos mais risco de nos afastar de Deus. Antes de tudo, porém, é necessário que livremos nosso coração de todos os laços que o prendem ao mundo.

Assim como o Espírito Santo, amor incriado, é o laço indissolúvel que une o Pai e o Verbo Eterno, assim é este mesmo Espírito que une nossas almas a Deus. A caridade, diz Santo Agostinho, é uma virtude que nos une a Deus: Caritas est virtus coniungens nos Deo. Daí este grito de alegria de São Lourenço Justiniano: Ó Amor, tu és então um vínculo de tal maneira forte, que pudeste encadear um Deus e uni-Lo a nossas almas! O caritas, quam magnum est vinculum tuum, quo Deus ligari potuit! – Os laços do mundo são laços de morte, mas os de Deus são laços de vida e salvação: Vincula illius alligatura salutares. Porquanto são vínculos de amor, e o amor nos une a Deus, nossa única e verdadeira vida.

Antes da vinda de Jesus Cristo os homens separavam-se de Deus; aferrados à Terra, recusavam unir-se ao seu Criador; mas o Senhor, cheio de ternura, os atraiu a si pelos laços de amor, como tinha prometido por Oséas: In funiculis Adam traham eos, in vinculis caritatis – “Eu os atrairei com cordas de Adão, com os vínculos da caridade”. Estes laços são os seus benefícios: luzes, apelos ao seu amor, promessas do paraíso; mais é sobretudo o dom que nos fez de Jesus Cristo no sacrifício da cruz e no Sacramento do altar, e enfim, o dom de Espírito Santo. Por isso exclama o Profeta: Solve vincula colli tui, captiva filia Sion – “Rompe as cadeias de teu pescoço, filha cativa de Sião”. Ó alma, criada para o céu, desfaz-te dos laços da Terra para te unires a Deus pelos laços do santo amor.

II – Caritatem habete, quod est vinculum perfectionis – “Tende a caridade, que é o vínculo da perfeição”. O amor é um laço que reúne todas as virtudes, e torna a alma perfeita. Daí a seguinte palavra de Santo Agostinho: Ama, et fac quod vis – Ama a Deus e faze o que queres, porque quem ama a Deus tem cuidado de evitar tudo que causa desgosto ao objecto do seu amor e procura agradar-lhe em tudo.

Dulcíssimo Jesus, muito me haveis obrigado a amar-Vos; muito Vos custou obter o meu amor. Ingratíssimo seria eu, se Vos amasse pouco, ou dividisse o meu coração entre Vós e as criaturas, depois que por mim derramastes vosso sangue e sacrificastes vossa vida! Quero desapegar-me de tudo, e por em Vós só todos os meus afectos. Muito fraco sou para executar esta resolução; Vós, que me a inspirais, dai-me a força de a cumprir.

Amadíssimo Jesus meu, feri meu pobre coração com a suave seta do vosso amor, para que não cesse de arder no desejo de Vos possuir e consumir-me de amor para convosco. A Vós procure sempre, a Vós só deseje, a Vós ache sempre. Ó meu Jesus, só a Vós quero e nada mais. Fazei com que eu repita sempre durante a minha vida, e sobretudo na hora da minha morte: Meu Jesus, só a Vós quero e nada mais. – Ó Maria, minha Mãe, fazei com que de hoje em diante eu não queira senão a Deus.

9º Dia (4 de Junho)
Infinitus thesaurus est hominibus; quo qui usi sunt, participes facti sunt amicitiae Dei 

“Ela é um tesouro infinito para os homens; do qual os que usaram têm sido feitos participantes da amizade de Deus” (Sap 7, 14)

I – O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, acha logo a felicidade, porque o Senhor lhe satisfará todos os desejos e o fará contente mesmo no meio das maiores tribulações. Felizes de nós, se conhecemos o grande tesouro do amor divino e procuramos obtê-lo a todo custo, desapegando-nos das coisas criadas!

O amor é o tesouro de que fala o Evangelho, o qual nos cumpre adquirir a custo de tudo mais. A razão é porque ele é realmente aquele bem infinito que nos faz participante da amizade de Deus. Aquele que acha Deus, acha tudo que pode desejar: Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui – “Deleita-te no Senhor, e Ele te concederá as petições do teu coração”. O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, Deus lhe satisfará todos os desejos. Quais são com efeito os homens mais felizes da Terra, senão os santos? E porque? Porque só querem e buscam a Deus.

Estando um príncipe a caçar, vi um solitário percorrendo a floresta, e perguntou-lhe o que fazia nesse deserto. Mas vós, Senhor, retorquiu logo o anacoreta, que vindes buscar aqui? – Eu, acudiu o príncipe, ando em busca de caças – E eu, tornou o solitário, busco a Deus.

O tirano que martirizou São Clemente de Ancira, ofereceu-lhe ouro e pedras preciosas para conseguir que ele renegasse a Jesus Cristo; mas o santo, dando um profundo suspiro, exclamou: Pois que! Um Deus posto em paralelo com um pouco de lama! – Feliz de quem conhece o tesouro do divino amor e procura obtê-lo! Quem o conseguir, despojar-se-á por si mesmo de tudo, para não possuir senão a Deus. “Quando o fogo pega na casa”, dizia São Francisco de Sales, “lançam-se todos os utensílios pela janela”. E o Padre Segneri, o moço, grande servo de Deus, tinha costume de dizer: “O amor divino é um roubador que nos tira todos os afectos terrenos ao ponto de exclamarmos então: Senhor, que desejo senão a vós?” Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum – “Deus de meu coração, e a minha porção, Deus, para sempre”.

II – Ó mundanos insensatos, exclama Santo Agostinho, ó homens, aonde ides para contentar o vosso coração? Bonum quod quaeritis, ab ipso est. Aproximai-vos de Deus, recuperai a sua graça, buscai o seu amor, porque só Ele pode dar-vos a felicidade que andais procurando – Nós ao menos não sejamos tão insensatos, e como nos exorta o mesmo santo Doutor, de hoje em diante, busquemos unicamente o amor de Deus, busquemos o único bem, no qual estão encerrados todos os outros: Quaere unum bonum, in quo sunt omnia bona. Mas não podemos achar este bem, sem renunciar a todo o afecto pelas coisas da Terra, como o ensina Santa Teresa: Desapega o teu coração das criaturas e acharás a Deus.

Meu Deus, no passado não foi a Vós que busquei, mas busquei a mim mesmo e às minhas satisfações; e por elas me apartei de Vós, que sois o Bem supremo. Mas Jeremias me consola, assegurando-me que sois só bondade para os que Vos buscam – Bonus est Dominus animae quaerenti illum. Amadíssimo Senhor meu, compreendo o mal que fiz deixando-Vos, e arrependo-me de todo o coração. Vejo que sois um tesouro de valor infinito; não querendo deixar inútil esta luz, renuncio a tudo, e escolho-Vos para único bem dos meus afectos.

Ó meu Deus, meu amor, meu tudo, por vós suspiro. Vinde, ó Espírito Divino, e com o santo fogo do vosso amor, consumi em mim todo o afecto de que não sois o objecto. Fazei-me todo vosso, e que tudo vença para Vos agradar. Ó Maria, minha advogada e Mãe, ajudai-me com as vossas orações.


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sábado, 25 de maio de 2024

Os pecados veniais fecham a porta aos dons do Espírito Santo

Como é possível que muitas pessoas, depois de terem vivido quarenta ou cinquenta anos em estado de graça e recebido com frequência a Santa Comunhão, quase não dêem sinal da presença dos dons do Espírito Santo na sua conduta e nos seus actos, que se irritem por tudo e por nada e levem uma vida completamente longe do sobrenatural? 

Tudo isto provém dos pecados veniais que com frequência cometem sem nenhuma preocupação; estas faltas e as inclinações que daí derivam tornam estas almas inclinadas à terra e mantêm como que atados os dons do Divino Espírito, como asas que não se podem abrir. 

Tais almas não guardam nenhum recolhimento; nem estão atentas às inspirações do Espírito Santo, que passam inadvertidas; por isso permanecem na escuridão, não das coisas sobrenaturais e da vida íntima de Deus, mas na escuridão inferior que se enraíza na matéria, nas paixões desordenadas, no pecado e no erro; aí está a explicação de sua inércia espiritual. 

A estas almas se dirigem as palavras do salmista: "Hodie si vocem eius audieritis, nolite obdurare corda vestra" (Se hoje ouvirdes a Sua voz não fecheis os vossos corações) - Salmo 94, 8 

Pe. Reginald Garrigou-Lagrange in 'Las Tres Idades de La Vida Interior'


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quinta-feira, 23 de maio de 2024

Veni Creator Spiritus (legendado)

Um hino apropriado para esta semana de Oitava de Pentecostes


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terça-feira, 21 de maio de 2024

Pentecostes em Roma: Chuva de pétalas no Panteão

Cumprindo uma antiga tradição do dia de Pentecostes, as pétalas que caem do alto simbolizam as línguas de fogo que nesse dia desceram sobre Nossa Senhora e os Apóstolos, reunidos no Cenáculo.


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domingo, 19 de maio de 2024

Pentecostes: Hino ao Espírito Santo

Sequência da Missa de Pentecostes (O hino mais antigo ao Espírito Santo)

Vinde, ó Santo Espírito,
vinde, Amor ardente,
acendei na Terra
vossa luz fulgente.
Sem a vossa força
e favor clemente,
nada há no homem
que seja inocente.

Vinde, Pai dos pobres:
na dor e aflições,
vinde encher de gozo
nossos corações.

Lavai nossas manchas,
a aridez regai,
sarai os enfermos
e a todos salvai.

Benfeitor supremo
em todo o momento,
habitando em nós
sois o nosso alento.

Abrandai durezas
para os caminhantes,
animai os tristes,
guiai os errantes.

Descanso na luta
e na paz encanto,
no calor sois brisa,
conforto no pranto.

Vossos sete dons
concedei à alma do 
que em Vós confia:

Luz de santidade,
que no Céu ardeis,
abrasai as almas
dos vossos fiéis.

Virtude na vida,
amparo na morte,
no Céu alegria.
Ámen.


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sábado, 3 de junho de 2023

A inveja: uma blasfémia contra o Espírito Santo

"É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios". O que é próprio das pessoas maldizentes e animadas pela inveja é fechar, tanto quanto possível, os olhos aos méritos de outrem; e quando, vencidos pelas evidências, já não o conseguem fazer, depreciá-los e desvirtuá-los. Assim, quando a multidão exulta de devoção e se maravilha com as obras de Cristo, os escribas e os fariseus, ou fecham os olhos ao que sabem ser verdade, ou rebaixam o que é grande, ou desvirtuam o que é bom. 

Uma vez, por exemplo, fingindo-se ignorantes, disseram Àquele que tinha feito tantos sinais maravilhosos: "Que sinal realizas Tu, pois, para nós vermos e crermos em ti?" (Jo 6,30). Aqui, não podendo negar os factos com cinismo, depreciam-nos maldosamente e desvalorizam-nos dizendo: "Ele tem Belzebu! É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios".

Eis, queridos irmãos, a blasfémia contra o Espírito, que prende aqueles que envolveu nas cadeias dum pecado eterno. Não é que seja de todo impossível ao penitente receber o perdão de tudo, se produzir "frutos de sincero arrependimento" (Lc 3,8). 

Só que, esmagado por um tal peso de malícia, ele não tem força para aspirar a essa honrosa penitência merecedora de perdão. Aquele que, vendo à evidência no seu irmão a graça e a obra do Espírito Santo, não teme desvirtuar e caluniar, e atribuir insolentemente aos maus espíritos o que sabe pertinentemente ser do Espírito Santo, esse está de tal modo abandonado por esse Espírito de graça, que já não quer a penitência que lhe traria o perdão. Está completamente obscurecido, cego pela sua própria malícia. 

Com efeito, que poderá haver de mais grave do que ousar, por inveja para com um irmão a quem tínhamos recebido ordem de amar como a nós próprios (cf. Mt 19,19), blasfemar contra a bondade de Deus e insultar a Sua majestade, querendo desacreditar um homem?

Santo Isaac da Estrela in Sermão 39, 2-6


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sábado, 11 de junho de 2022

O que são os Dons do Espírito Santo?

DONS DO ESPÍRITO SANTO são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. 

Posto que as virtudes movam aos actos bons, os Dons são necessários para a prática dos actos mais perfeitos e para actos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete:

I - Sapiência — move-nos a julgar rectamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas.
II - Entendimento — faz-nos penetrar as verdades da Fé.
III - Conselho — dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida.
IV - Fortaleza — aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo.
V - Ciência — faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas.
VI - Piedade — aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus.
VII - Temor de Deus — aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atrativo dos prazeres proibidos.

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


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sexta-feira, 10 de junho de 2022

Jovens católicas portam imagem de Nossa Senhora na Oitava de Pentecostes




Mulheres com vestidos brancos, típicos dos Sorábios, transportaram em ombros uma imagem de Nossa Senhora datada do ano 1480. Os Sorábios (ou Lusácios) são um povo eslavo que vive na Lusácia, nos estados alemães da Saxónia, na zona este da Alemanha que se encontra junto à fronteira com a Polónia. 

Numa vila perto de Dresden, chamada Rosenthal, os Sorábios fazem esta tradicional procissão na Segunda-Feira após o Pentecostes, de modo a celebrar a descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos. 

O dia começa com cada comunidade rezando na sua igreja local. Depois disso todos acompanham as jovens mulheres vestidas de branco que carregam e acompanham Nossa Senhora. No fim da procissão é celebrada uma Missa, em Rosenthal.

João Silveira


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quinta-feira, 9 de junho de 2022

É o Espírito Santo que escolhe o Papa?

O jornal Avvenire relembrou uma resposta interessante que o Cardeal Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) deu em 1997 à pergunta sobre a acção do Espírito Santo no Conclave.

O Espírito Santo é o responsável pela eleição do Papa?

Cardeal Ratzinger: «Não diria isso, no sentido de que é o Espírito Santo quem o escolhe. Eu diria que o Espírito Santo não se encarrega exactamente da questão, mas sim, como bom educador que é, deixa-nos muito espaço, muita liberdade, sem nos abandonar totalmente. 

O papel do Espírito no Conclave deve ser entendido num sentido muito mais elástico; Ele não diz qual é o candidato em que se deve votar. Provavelmente, a única segurança que nos oferece é que a coisa não possa ser uma desgraça completa. Há muitos exemplos de Papas que o Espírito Santo evidentemente não teria escolhido.»


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