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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

O Menino escondido

Quando era jovem - uma doença que se cura com o tempo -, já lá vão muitos e muitos anos, tinha um grupo de amigos que nos intervalos dos seus jogos de basquete e das corridas de motas se reunia num café-pastelaria. Este bando de gente amiga era muito diversificado, havia católicos praticantes e fervorosos, mas também não praticantes, outros que se foram aproximando da Fé e da Igreja; uns eram agnósticos, outros ateus, e também havia os indiferentes. Claro que estas diferenças suscitavam conversas e mesmo discussões, embora cordiais. Apesar de ao longo dos anos nos encontrarmos esporadicamente, normalmente em jantaradas, a amizade nunca se quebrou.

Ora, neste grupo havia um, aliás excelente pessoa, que nunca tinha tido catequese nem formação religiosa adequadas. Mas ouvindo-nos falar e discutir, um dia resolveu, por curiosidade, entrar na Igreja paroquial de S. João de Brito que encimava o largo onde nos reuníamos. Sucede que estava a ser celebrada a Santa Missa, e quando entrou os Fiéis concluíam o Prefácio da oração Eucarística, louvando a Deus, com o “Santo, Santo, Santo, é o Senhor”, etc. Não se deteve nem mais um segundo e saiu imediatamente com gargalhando, pois cuidou, como mais tarde nos disse, que os católicos não passavam de uns alienados porque aclamavam o Sacerdote celebrante chamando-lhe santo...

 

Há um conto de Sherlock Holmes, cujo nome não recordo, que narra, simplificando, a existência de um crime homicida, relatado pelos jornais, com toda a informação que a polícia local dispôs, no qual dão por culpada certa pessoa. Ora o famoso detective, partindo dos mesmos indícios e das mesmíssimas informações conclui que aquela condenação é injusta, provando com as suas investigações que o culpado era outro. A sua inteligência superior capacitava-o para ver coisas que todos os outros não percebiam, embora a realidade fosse a mesma.

 

Mutatis mutandis (mudando o que há a mudar): Um ateu, um pagão, um ignorante, etc., veem na Hóstia Consagrada um bocado de pão. Pelo contrário, um católico, não porque seja mais inteligente que os outros, mas porque, é iluminado pela Fé, um conhecimento infinitamente superior que não contradiz a razão, mas que a supera e a ilumina, vê, com os olhos da Fé, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ali presente, realmente, verdadeiramente e substancialmente.

 

S. Francisco Marto adorava e procurava consolar o Jesus escondido nas espécies eucarísticas, e, por isso, passava horas junto a Ele no Sacrário.

 

Onde está o Menino Jesus? Está no Sacrário, esperando, de braços e Coração aberto a nossa visita e adoração, como sucedeu com os pastores e os magos vindos do oriente, para nos consolar e salvar.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira



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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

O Dia dos Fiéis Defuntos

Os Santos que estão no Céu não precisam das nossas orações. Às almas que penam no Inferno de nada lhes aproveitam as nossas súplicas. As almas do Purgatório, essas sim, são auxiliadas pelos nossos sufrágios, que muito agradecem rezando também por nós.

1. É costume, bem o sabemos, haver no dia dos Fiéis Defuntos (que a maçonaria quer agora intitular de dia de Luto Nacional) grandíssima concorrência aos cemitérios. Essa imensidade de pessoas será movida pela saudade e gratidão para com os que partiram. A saudade poderá, em alguns casos, não passar de um forte protesto da natureza, que recusando-se a aceitar a morte quer perpetuar, através da memória e do sentimento, a vida daqueles que partiram - será um esforço admirável mas ultimamente vão, enganador e inútil. A limpeza das campas, as flores e demais adornos, poderão ser em alguns casos, um sinal de gratidão ou mesmo de reparação pelos remorsos que se experimentam devido ao mal ou insuficiências de amor que foram, ou se julga terem sido feitas, à pessoa que partiu.


Creio, porém, que na maioria das pessoas que assim rumam aos ‘mortos’ há uma espécie de “instinto” da imortalidade, da eternidade, da Salvação. Essa intuição poderá ser nebulosa, confusa, não explícita, mas é certamente real.

 

2. No dia 1 de Novembro celebramos e festejamos todos os Santos, canonizados ou não, suplicando a sua intercessão por nós, contemplando os exemplos de suas vidas, tomando consciência da sua companhia. Comemoramos, pois, aqueles que, sem dúvida alguma, nos podem ajudar. Pelo contrário, no dia seguinte, imploramos a Deus por todos aqueles que estão no Purgatório, suplicando que alcancem o Céu o mais rapidamente possível. De facto, essas almas (recorrendo a uma linguagem simples) não se podem ajudar a si próprias, porém, nós podemos e devemos, em virtude do Amor-Caridade a que somos chamados, auxiliá-las muito abreviando os seus padecimentos purificadores, quer aplicando-lhes indulgências, quer fazendo sacrifícios, quer ajudando os pobres (em particular os mais inocentes e indefesos), quer, principalmente, pedindo que se celebrem Missas em sufrágio de suas almas (as esmolas que se dão por ocasião destas celebrações são importantes: 1- para que o fiel que as manda celebrar tenha, em virtude dessa caridade, uma participação mais frutuosa no Santo Sacrifício que é oferecido; 2 - para o sustento dos Sacerdotes e de várias obras da Santa Igreja tais como, por exemplo, obras caritativas e as Missões).

 

3. Recém Ordenado Padre fui enviado para Coimbra. Cerca de um mês depois calhou o 2 de Novembro. Nesse dia, repetindo-se em outros anos, como era costume nesse convento, cada Padre rezava três Missas seguidas, uma vez que assim é autorizado. Tirante quem sacrificava fora, recordo-me de celebrarmos, nesses tempos, nove Missas seguidas na nossa Igreja, que estava sempre completamente cheia de fiéis transbordantes de devoção. 


Era palpável uma enorme consciência do poder da oração, do Transcendente e das Realidades Últimas, em particular da Salvação definitiva e, consequentemente, da Ressurreição. Quando mais tarde deixei aquele convento, não nunca mais voltei a ver o mesmo... 

Mas tenhamos Esperança!


Padre Nuno Serras Pereira



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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Uniões civis sodomitas?

Uniões civis de pessoas homossexuais, gays, sodomitas ou como lhes queiram chamar são profundamente injustas, contrárias à Lei Natural e ao Direito Natural (que exprimem a Ordem da Criação e participam da Lei Eterna de Deus), totalmente incompatíveis com o Bem-Comum, que o estado tem obrigação de garantir e promover. Este pode tolerar alguns comportamentos tais como a prostituição ou a prática homossexual, mas nunca os pode reconhecer legalmente.
 
Quando se afirma ser a favor de uniões civis de homossexuais, objectivamente, está-se a dizer que a razão dessas “uniões” deverem ser legalizadas consiste nas práticas contra a natureza das pessoas que se “unem”. De facto, não se afirma genericamente que tendo em conta as legislações cada pessoa na sua autonomia possa recorrer às leis existentes para garantir os direitos que são comuns a todos os cidadãos.
 
Acresce que estas “uniões” civis sempre foram e continuam a ser um cavalo de Tróia para alcançar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Todos os países que ‘legalizaram’ esse tipo de “casamento” só o conseguiram depois de admitirem na lei as “uniões civis” de homossexuais. De facto, uma vez admitidas estas, inevitavelmente se segue o “casamento”. E de um modo geral essas mesmas “uniões” civis, antes de se conseguir legalizar o “casamento”, são legalmente equivalentes ao casamento civil. Pelo que, asserir que as “uniões” civis homossexuais são diferentes do casamento civil é puro nominalismo.
 
Alguns contrapõem àquilo que é a Doutrina da Igreja afirmações do Papa Francisco favoráveis, dizem eles, às “uniões civis” de homossexuais. Ora importa afirmar com toda a veemência que o Papa, enquanto Papa, nunca ensinou isso. Quando Jorge Mário Bergoglio dá entrevistas e outras coisas do género não se pronuncia magistralmente como Papa, mas dá somente opiniões de J. M. Bergoglio. As suas palavras e opiniões não são magistério da Igreja. Podem, portanto, e às vezes devem, como é o caso, ser criticadas. Não se entende, de facto, por que é que, enquanto pessoa privada (ou Doutor privado) contraria publicamente a Doutrina do Magistério, que como Papa tem obrigação de defender.
 
A Doutrina da Igreja está muito bem exposta num documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé aprovado pelo Papa João Paulo II. Passo a citar alguns trechos embora valha a pena ser lido na sua totalidade:
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PROJECTOS DE RECONHECIMENTO LEGAL DAS UNIÕES ENTRE PESSOAS HOMOSSEXUAIS:
 
“Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui, porém, uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.”
 
“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.”
 
“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.”

Padre Nuno Serras Pereira


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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Como irão contar o Natal aos vossos filhos e netos

Estava Jerusalém inundada de luminárias que faziam da noite, dia, quando sobre ela se abateu uma escuridão sombria, trevas tremendas e pavorosas, das quais se arrancavam guinchos lúgubres, gritos lancinantes, sonoras iras raivosas entoando: glória a lúcifer nas profunduras e prazer irrestrito aos homens de vontade autónoma; anunciamos-vos uma grande dor, nasceu-vos hoje um desprotegedor, que o será para todo o povo; isto vos servirá de sinal, encontrareis um menino, adorado por um homem e pela mulher.
 
Imediatamente, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas acorreram aos campos até encontrarem num estábulo tudo como lhes tinha sido dito. Os géneristas escandalizados com aquela discriminação claramente homofóbica, logo substituíram o homem por uma mulher, mas ao saberem que a primeira era Virgem, prontamente a vituperaram e expulsaram por constituir um péssimo e devastador exemplo para toda a gente ao renegar tão obstinadamente os ensinamentos dos doutores do género –havia a máxima urgência em retirar a criança àqueles pais, uma vez que era óbvia a sua incapacidade de lhe assegurarem uma formação sexual adequada, livre de preconceitos e discriminações. 
 
Os príncipes dos ambientalistas, por seu turno, ao repararem na vaca, cuja emissão de gazes intestinais constituía um factor alarmante para o aquecimento global e consequente iminente fim do nosso planeta, logo dela se apoderaram para a matar ali mesmo, oferecendo-a como um sacrifício propício à mãe terra, intentando aplacar assim a sua ira – é certo que houve uma grande disputa até tomarem a resolução, pois alguns advogavam que se não se podia matar cães (dentro ou fora de canis), muito menos uma vaca, uma vez que era muito maior pois, de facto, argumentavam, se todos podemos fulminar melgas por serem pequenas, então não se pode aniquilar um bovino por ser muito maior; os sectários da matança do boi (pois, uma vez que a identidade de género não passa de uma construção social, tanto monta uma nomeação feminil como masculina) convenceram, no entanto, os seus adversários, provando que o impacto ambiental do cão era insignificante em comparação com a vaca. 
 
Quanto ao burro, que tinha suportado tão grandes humilhações, sendo compelido violentamente, como se fora uma mísera besta, a percorrer tão longo caminho suportando a intolerável carga daqueles humanos – os terríveis predadores da natureza –, a mãe grávida e seu filho, era absolutamente imperativo reconhecer a sua eminente dignidade divina, para reparar uma injúria tão blasfema e sacrílega. Por isso, encaminhando-o para fora daquele reles presépio, de pronto lhe construíram um altar, adorando-o e ofertando-lhe oblações e sacrifícios dignos de tão magnificente divindade, a qual correspondia aos louvores e adorações com jubilosos zurros. 

Exaustos da cerimónia orgiástica, o frenesim foi diminuindo até que se dirigiram de novo ao presépio onde depararam com gentes esfarrapadas entoando, diante da criança envolta em paninhos, uma estranha antífona: Baixíssimo, impotente, grosseiro escravo,  a ti todo o aviltamento, o desprezo, a desonra e toda a maldição. A ti só, baixíssimo, se hão de prestar e todo o ser humano é digníssimo de te nomear.
 
De súbito, um estardalhaço de trovão ribombante atroou os campos articulando palavras retumbantes: Sou o vosso Deus, o vosso Pai, que vos tem conduzido através da história operando prodígios de amor e Este é o Meu Filho humanado que vos enviei para vos resgatar.
 
Imediatamente, à uma, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas desataram numa gritaria estridente enquanto tapavam os ouvidos, não fossem escutar blasfémias maiores.
 
Espumando raivas incontidas e ódios viscerais desenfaixaram a criança e enquanto o faziam os príncipes dos ambientalistas logo pontificaram que a ser verdade ou ao menos que houvesse uma suspeita razoável da criança ser deus incarnado seria então necessário condená-lo, sem demora, à morte, uma vez que esse deus era malvado, um perigo extremo para o desenvolvimento sustentável.  Não tinha ele arrasado as fertilíssimas terras de Sodoma e de Gomorra, tornando-as totalmente estéreis e matando toda a fauna marítima no mar, que por isso mesmo se chama morto? A esta indignação se ajuntou a ira descontrolada dos sacerdotes do género, acusando esse deus de homofobia, de discriminação, de coração duro, mente fechada, alheio a qualquer tipo de misericórdia. 
 
Entretanto, desenfaixada a criança, verificaram se tratava de um varão, de um menino. Este horror veio irritar e transtornar ainda mais os sacerdotes do género, que, imediatamente, em cóleras desenfreadas acusaram a divindade de ser uma fraude, um resquício de uma projecção patriarcal, pois era evidente que o verdadeiro deus, caso se fizesse homem traria no seu corpo simultaneamente todas as características da sua identidade, a saber, lgbtqi. Aliás, a única divindade era a terra e os que naquela diversidade a habitavam.
 
Sem mais hesitações, num arrebatamento de indignação, desfizeram a manjedoura, e aproveitando os pregos e as tábuas da mesma, com ela formaram uma pequena cruz. Unanimemente o consideraram culpado, um engano do maligno, e todos concordaram que deveria ser crucificado. Como os pregos se mostraram demasiado grossos para prender os pulsos e os pés do Menino, arranjaram uns alfinetes especiais que serviam o propósito. Alguns dos que o escarneciam, impacientes com a demora da sua morte, recorreram a um canivete suíço para lhe trespassar o coração, do qual brotou sangue e água.
 
Verificada a sua morte, todos se regozijaram e a celebraram com um grande banquete, pois tinham conseguido salvar o planeta e o prazer promíscuo sem freio.

Padre Nuno Serras Pereira


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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Uma Igreja de cócoras, não é a Igreja que Cristo quis

É tristíssimo verificar que a Igreja tem estado de cócoras, ao longo dos últimos anos, diante do poder político-económico...

 

A sua submissão e subjugação aos poderes do grande capital selvagem das big-tech e aos políticos com eles conluídos é enormemente assustadora.

 

Limito-me a fazer somente umas perguntas inocentes:

 

1. Por que é que temos assistido a crescentes nomeações e promoções de Bispos e Cardeais que comprovadamente são favoráveis, e incentivam, os objectivos, antes inconfessáveis, mas actualmente descarados, da ideologia lgbtiq+, chegando aos extremos de perseguir os Sacerdotes fiéis às verdades de sempre proclamadas pela Igreja?

 

2. Quando ouvimos, o sucessor de Pedro, afirmar imperativamente que a ‘Sagrada Comunhão não é uma recompensa para os santos, mas sim um remédio para os pecadores’, podemos perguntar-nos o que é que se tenta exprimir com este dito, uma vez que ele inteiramente ambíguo?

 

a) O que é que aí se entende por pecadores? Os que vivem habitualmente em estado objectivo de pecado grave ou mortal? - mas isso seria convidá-los ao sacrilégio contínuo. Ou os penitentes que reconhecendo embora as suas faltas leves, se dirigem, arrependidos, com Fé ao Santíssimo Sacramento que os pode e de facto os purifica alimpando-os?

 

b) Sucede, ademais, que a Igreja sempre ensinou que as coisas santas são dadas aos santos, pois, como Jesus ensinou, não se podem dar pérolas aos porcos. Os santos são aqueles que em virtude do baptismo são feitos participantes da Santidade de Deus, o único verdadeiramente SANTO, e perseveram nessa Graça que lhes foi, sem mérito algum da sua parte, concedida. Como é que se pode afirmar que a Sagrada Comunhão, na Igreja/Oriental e Ortodoxa a Comunhão seja dada imediatamente após o baptismo e afirmar concomitantemente que Ela é um remédio para os pecadores? É impossível afirmar que um bebé recentemente baptizado seja um pecador, uma vez que está totalmente santificado.

 

c) Quando é afirmada que a Sagrada Comunhão é um remédio para os pecadores, de novo importa perguntar, o que se entende por pecadores? (Estes slogans, muito correntes neste pontificado, são frases talismãs que nos dispensam de pensar, e que inevitavelmente ao bloquear a nossa mente nos manipulam de uma forma subreptícia ou mesmo subliminar.)


De facto, se por pecadores se entende aqueles que estão em pecado venial, mas que arrependidos procuram a reconciliação e comunhão com Deus; o dito é certíssimo. Porém, se se trata de pecados graves ou mortais, sem prévio arrependimento nem confissão sacramental, a afirmação é ímpia, mesmo herética.

 

d) É curioso, a meu parecer, que este slogan tenha, tanto quanto sei, aparecido somente a propósito da ‘liberalização’ da Sagrada Comunhão para casais adúlteros (“recasados pelo civil”) proporcionada pela Amoris laeticia e subsequentes interpretações; e agora muito inesperadamente a propósito de conceder ou não a Sagrada Comunhão ao Presidente, que se diz católico, mais poderoso da terra.

 

e) O actual Presidente dos EUA tem um historial político e religioso demasiado conhecido para poder ser ignorado. Examinando-o atentamente só se pode chegar à conclusão que as Sagradas Comunhões que tem feito somente lhe têem prejudicado, ou envenenado, a alma (como S. Paulo advertiu). De facto, o seu crescendo furioso e exponencial contra a vida humana e a família, patente a todos, evidencia de um modo categórico que as Comunhões sacrílegas que tem feito têm-no, infelizmente, tornado um cúmplice do Diabo.

 

À honra e Glória de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira



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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Sigilo e prudência no Sacramento da Confissão

Na minha adolescência sucedeu que a partir de determinada altura deixei de me confessar por ter vergonha de alguns pecados graves por mim cometidos. No entanto, sacrilegamente, ia na mesma à Comunhão Eucarística. Depois, os pecados agravaram-se ainda mais, num crescendo. Deixei então de ir à Missa Dominical, invocando as desculpas habituais de quem justifica, iludindo-se a si próprio e aos outros, o seu comportamento.

Mais tarde, regressado à Igreja, compreendi que a vergonha de confessar os pecados não passa de um sintoma de um orgulho desmedido e muito pernicioso. Passei então, em virtude da Graça de Deus, a confessar-me semanalmente ao meu pároco e director espiritual. Claro que quando não era possível confessava-me a qualquer outro sacerdote; no entanto, desses pecados já confessados dava conta ao meu assistente espiritual da próxima vez que a ele me confessava.

Envolvido ou conduzido pelo Espírito Santo, depois da minha “reconversão”, na minha juventude dediquei-me, pela Graça de Deus, a várias formas de apostolado e evangelização - quer temporais quer espirituais.

Participei em inumeráveis ‘retiros de jovens’ onde aconteceram milagres extraordinários, verdadeiramente maravilhosos. Talvez um dia venha a escrever sobre deles.

 

Por esses tempos ouvi um ou outro pregador declarar que na história da Igreja não se conhecia nenhum caso, no que diz respeito ao Sacramento da Confissão, de rompimento do sigilo Sacramental, uma vez que ele era inviolável e sujeito à pena de excomunhão, para que não o cumprisse. Tudo isto era ilustrado, positivamente, com casos autenticados, verdadeiros, de heroísmos e mesmo martírios de Sacerdotes que se negaram, não obstante as enormes pressões, ameaças e torturas terríveis, a revelar toda e qualquer coisa que fosse dita nesse Sacramento.

 

Infelizmente, porém, como nos contou o nosso Professor de Direito Canónico - um ilustre perito na elaboração do novo Código -, houve, embora raríssimas, quebras do sigilo sacramental. Um dos casos mais paradigmáticos terá sido o daquele padre que ao escutar a confissão do perpetrador do assassínio de seu irmão de sangue não se conteve e assassinou vingativamente o confessado. Evidentemente, que se naquela Igreja houvesse um confessionário como deve ser, isto é, uma armação e disposição que garantisse rigorosamente o anonimato do penitente, isto não aconteceria.

 

O Direito Canónico prevê sanções muito severas para qualquer sacerdote que em virtude da confissão que ouviu se aproveite, desse saber, para solicitar, durante ou depois do conhecimento sacramental que obteve o ou a penitente para pecar contra o sexto ou/e nono Mandamento da Lei de Deus. Se isto é previsto, será por que poderá acontecer. Que haja também penitentes, de qualquer sexo, que abusando do Sacramento, solicitam o sacerdote, é um dado conhecido de há muito. Todas estas ocasiões ou possibilidades poderiam e deveriam ser evitadas recorrendo a confessionários que garantissem o anonimato dos penitentes.

 

Somente mais um exemplo da fortíssima conveniência de garantir o anonimato do penitente. Por agora é ainda incipiente, mas, alguns estados, ainda poucos, estão propondo que qualquer sacerdote seja criminalizado caso tenha ouvido a confissão sacramental de um pedófilo e o não tenha denunciado às autoridades. 


O objectivo último, é evidentemente criminalizar todo e qualquer sigilo Sacramental e atacar a Igreja. Isto que se inicia aos poucos, invocando casos particularmente repugnantes, tornar-se-á gradualmente aceitável na opinião pública em todos os outros pecados, como temos verificado com outras monstruosidades. Ora, como está de ver, se o Padre não tiver possibilidade de conhecer o penitente nunca poderá ser acusado de não ter denunciado o pecador - é uma questão de prudência. Mais poderia dizer sobre o assunto, mas por agora fico por aqui.


Padre Nuno Serras Pereira



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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Francisco I e Bento XVI

Confesso que nunca fui um Padre que se especializasse em Liturgia. Acrescento que fui Ordenado Sacerdote numa Missa de Paulo VI (Novus Ordo) e que até hoje até hoje sempre celebrei essa Missa.

Nascido em 1953, ainda tenho vagas recordações da Celebração do Santo Sacrifício da Missa tal como oferecido antes da chamada “Missa de Paulo VI”. O Missal que meus pais me tinham dado em latim e com a tradução portuguesa tornou-se “inútil”. O altar antes usado foi substituído por um outro, virado, não para Deus, mas para os fiéis, aproximando-se deles. A Sagrada Comunhão, que era feita de joelhos e recebida na boca, na balaustrada, dispensou esta, que demarcava o santuário da nave e continuou, durante pouco temo, a ser realizada no mesmo modo. Brevemente foi-nos mandado comungar de pé, em filas paralelas, sendo que se podia receber Nosso Senhor na boca ou nas mãos.

Depois de alguns anos em que vivi afastado da Igreja, ao ser tocado pela Graça, voltei e procurei empenhar-me, não só na assistência aos desfavorecidos, mas também nas coisas intraeclesiais. Assisti a conferências-pregações sobre a liturgia, chegando a participar numa semana dedicada à mesma, em Fátima.

Depois de entrar no Seminário franciscano, lia tudo o que saía da Santa Sé sobre liturgia - não somente os documentos a ela dedicados, mas também as cartas admiráveis de S. João Paulo II aos sacerdotes por ocasião das Quinta-feira Santa. Mais tarde, estudei com a máxima atenção e gratidão as suas esplêndidas encíclicas sobre a Eucaristia.

Como, desde o Noviciado (1980/81), depois de ter adquirido, em Assis, um livro sobre a Eucaristia do teólogo Joseph Ratzinger, que eu desconhecia inteiramente. Maravilhado tornei-me num seu grande entusiasta e, não obstante, as minhas limitações, procurei ser não ser somente discípulo de S. João Paulo II, mas também do Cardeal Ratzinger. Infelizmente, os ignorantes que não leram ou não estudaram, ou não compreenderam, estes dois admiráveis filósofos e teólogos, cuidam que o Cardeal Ratzinger era o mentor, influenciador, de S. João Paulo II, passando-lhes despercebida a enorme influência teológica, aliás, confessada pelo próprio Ratzinger, que S. João Paulo II nele exerceu.

Não obstante, a leitura de todos os livros de Joseph Ratzinger publicados em francês, italiano e espanhol, familiarizaram-me com as suas obras sobre liturgia; o que foi para mim muitíssimo salutar.

De modo que, ao ser eleito Papa Bento XVI, pareceu-me absolutamente normal e totalmente coerente com a Sagrada Tradição da Igreja a sua iniciativa Magistral de promulgar o Motu Proprio SummorumPontificum. A Sagrada Tradição da Igreja é fonte de Revelação, a par com a Sagrada Escritura, sendo ela que elaborou o Novo Testamento e discerniu quais os livros inspirados da Antiga Aliança.

Foi, pois, com um espanto desmedido, enorme, que tomei conhecimento da promulgação do Motu ProprioTraditionesCustodes[1], e da carta que o acompanha, que contradiz ponto por ponto o Motu Proprio, acima referido, de Bento XVI.

Uma vez que a contradição, entre os dois, é patente e notória somos obrigados a perguntar-nos sobre qual será o verdadeiro, isto é, aquele que se adequa à Realidade. Decidi por isso aprofundar, nos últimos 3 meses, o assunto. Pessoalmente não tenho dúvidas. No entanto, aqui vos deixo os livros que então estudei:

T&T Clark Companion to Liturgy - Editor Alcuin Reid, mais 17 Autores, pp. 550
 
The Organic Development Of The Liturgy - Dom Alcuin Reid, OSB, pp. 374
 
The Voice of The Church at Prayer: Reflections on Liturgy and Language - Uwe Michael Lang, 225 pp.
 
Turning Towards The Lord - Uwe Michael Lang, pp. 180
 
The Traditional Mass: History, Form, and Theology of the Classical Roman Rite- Michael Fiedrowicz, 350 pp.
 
Reclaiming Our Roman Catholic Birthright: The Genius and Timeliness of the Traditional Latin - Peter A. Kwasniewski, 388 pp.
 
In persona Christi: La Messa unicotesoro e la sua concelebrazioneEnricoZoffoli, Athanasius Schneider, Nicola Bux, AurelioPorfiri, 90 pp.
 
Nothing Superfluous - James W. Jackson Fssp, 357 pp.
 
La distribuzione della comunione sulla mano: Profilistorici, giuridici e pastorali


Padre Nuno Serras Pereira

[1] Este documento com a carta aos Bispos que o enquadra tem dados incorrectos, contraditórios e falsos. Acresce que somente 30% dos Bispos responderam ao inquérito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé - algo inédito. Enigmaticamente, as respostas estão na posse do Papa e em segredo Pontifício. Não se pode, pois, verificar da veracidade ou da falsidade das informações de Oficiais da Sagrada Congregação para a D. da Fé, as quais afirmam que muitas das respostas eram favoráveis, no que diz respeito aos grupos, comunidades e paróquias que celebravam a Missa de S. Gregório Magno, aperfeiçoada e confirmada por S. Pio V, após o Concílio de Trento.



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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A Gravidez é uma Presença, não uma Doença

É cousa conhecida e sabida que o uso de mensagens subliminares é o melhor meio de alcançar os objectivos da propaganda – basta lembrar Goebbels. Estas mensagens de tão subtis parecem que o não são, ou seja, que não existem, e de tão repetidas tornam-se «evidências» indiscutíveis.

 

Isto é claro, por exemplo, no que diz respeito à anticoncepção ou, como hoje costuma dizer-se, contracepção. Nos dias que correm, há uma convicção generalizada de que estas substâncias e artefactos, a que se recorre para evitar a concepção, são medicamentos. Por isso o Estado os subsidia, com o dinheiro dos nossos impostos; os médicos - nos hospitais, nos centros de saúde, nas consultas da caixa, na clínica privada - receitam-nos largamente; as farmácias promovem-nos e vendem-nos; algumas consultas de «planeamento familiar» distribuem-nos gratuitamente; os meios de comunicação social publicitam-nos; os «educadores sexuais» recomendam-nos com insistência desusada... Por outro lado, quem contra ela (a anticoncepção)  bradar é tido como retrógrado, perigoso fundamentalista, hostilizador da ciência, adverso ao progresso,  inimigo da medicina.

 

Ora, convém lembrar que um medicamento é uma substância a que se recorre para curar ou aliviar enfermidades. A mensagem que passa é, pois, a seguinte: a gravidez, pelo menos a «não desejada», é uma doença. «Uma doença sexualmente transmissível». Isto que é dito, implicitamente, através desta mentalidade, destes usos e costumes, é afirmado (as citações são muito abundantes) explicitamente e com todas as letras pelos ideólogos que décadas atrás começaram a promover este estado de coisas.

 

E no entanto, uma mulher saudável é naturalmente fértil. Enquanto que uma outra que não consiga ter filhos, por padecer de esterilidade ou de infertilidade, procura ansiosamente tratamento para a sua enfermidade. De onde se conclui que há muitas mulheres que tomam substâncias para adoecer o seu corpo de modo a que não possam conceber. É caso para perguntar quem é retrógrado e inimigo da medicina.

 

Porém, o mais grave é que a aceitação desta mentalidade faz com que consideremos a pessoa humana concebida, essencialmente, uma doença – como consequência lógica se falha a contracepção recorre-se ao aborto. De tão habituados que estamos a definir a gravidez a partir da mãe, esquecemo-nos de que o mais importante é reconhecê-la a partir daquilo que faz com que a mulher se torne mãe. Este «aquilo» é um «aquele» ou «aquela», isto é, alguém - um filho ou uma filha. De facto, a gravidez só secundariamente é um estado da mulher adulta, porque esse estado é consequência de uma presença. A presença de uma pessoa pequenina que está a crescer no seio de sua mãe. Isto é, a nossa presença, alguns anos, poucos ou muitos, atrás.

 

Desde o primeiro instante, ou seja, desde a concepção, quando se uniram o património genético do nosso pai e da nossa mãe, que começámos a ser, com uma identidade genética única, singular e irrepetível. Iniciámos a nossa jornada da vida sendo uma só célula, invisíveis a olho nu, incipientes, extremamente vulneráveis, desabrochando para a vida com a inocência mais absoluta que se possa imaginar, frágeis, indefesos, totalmente confiados à protecção da mãe, e fomos crescendo numa continuidade, sem dissolução, sem saltos qualitativos, sendo que a única coisa que se nos «acrescentou» foi a alimentação. Por isso a «interrupção voluntária da gravidez» é um homicídio na forma de aborto, uma morte violenta e cruel, de que não poucas vezes, a mulher, por muitas e variadas razões, na altura não se apercebe, mas que mais tarde virá a pagar caro, tornando-se também uma vítima do crime perpetrado.


Padre Nuno Serra Pereira


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quinta-feira, 11 de março de 2021

Apelo à Insurreição

Desde há muito anos que nas minhas orações quotidianas peço por todos aqueles que conheci na minha vida de Padre (e também por todos os que virei a conhecer). Mas confesso que agora, ao celebrar o vigésimo quinto aniversário da minha Ordenação Sacerdotal, tomei uma consciência mais viva de como eram numerosos os que andavam dispersos e perdidos. 

Meditando então nos vários movimentos e grupos com quem estive em contacto e trabalhei recebi a inspiração de apelar a uma sarrafusca, isto é, a uma insurreição (Evangélica), daqueles, que não obstante as suas fragilidades e quedas se levantam, permanecendo assim na Comunhão com Cristo, para que unidos na oração, no jejum ou/e em outros sacrifícios combatam o “bom combate” da Fé em favor dos seus amigos.

Quando ainda jovens lemos no Evangelho a parábola do semeador, embora a compreendamos, de algum modo, temos dela um entendimento incompleto, por abstracto. De facto, não nos passa pela cabeça que aqueles nossos amigos com quem orámos, com quem partilhámos aventuras apostólicas, organizámos retiros, missões populares, experiências de eremitério, passados alguns anos deixem de acreditar em Deus, ou estejam vivendo arredados da lei do Senhor, comportando-se de modo contrário ao Evangelho ou mesmo combatendo-o. Mas infelizmente, como nos advertiu Jesus Cristo, isso acontece.

O facto de isso acontecer provoca em nós, por um lado, uma grande dor, uma enorme tristeza e, por outro, um sentimento de advertência: também nós, que somos feitos da mesma “massa” que os outros, podemos vir a cair e a trair. Por isso, devemos não só agradecer o permanecermos n’ Ele mas temos também de implorar continuamente a Graça da fidelidade, pedindo que o Senhor não permita que d’ Ele nos separemos, antes aumente em nós o Seu amor e o amor a todos os que Ele criou e por quem Se entregou à morte para os salvar. Consequentemente, é impossível ficarmos indiferentes à circunstância e ao destino desses nossos amigos. 

Desde há muito anos que nas minhas orações quotidianas peço por todos aqueles que conheci na minha vida de Padre (e também por todos os que virei a conhecer). Mas confesso que agora, ao celebrar o vigésimo quinto aniversário da minha Ordenação Sacerdotal, tomei uma consciência mais viva de como eram numerosos os que andavam dispersos e perdidos. Meditando então nos vários movimentos e grupos com quem estive em contacto e trabalhei recebi a inspiração de apelar a uma sarrafusca, isto é, a uma insurreição (Evangélica), daqueles, que não obstante as suas fragilidades e quedas se levantam, permanecendo assim na Comunhão com Cristo, para que unidos na oração, no jejum ou/e em outros sacrifícios combatam o “bom combate” da Fé em favor dos seus amigos. 

De facto, o cristão, como dizia o então teólogo J. Ratzinger, não o é para que ele se salve e os outros se condenem, mas para que através da sua Fé os outros também se possam salvar. Isto é, a nossa Fé deve ser vivida com tal generosidade e amor que toque, em Jesus Cristo, a liberdade dos outros de modo a transformá-la em liberdade de tender para Deus, em liberdade de se abrir à Sua Graça, ao Seu amor, e por ele se deixar transfigurar.

É verdade que isto que se refere diz respeito a todos, em geral. Mas podemos dizer que temos uma obrigação particular em relação aos nossos familiares e amigos, aos que nos estão ou estiveram próximos. Por isso o meu apelo à sublevação contra o Maligno e o pecado é um convite muito concreto a que cada grupo ou movimento, com discrição e humildade, se disponha a rezar e sacrificar por aqueles que os fundaram ou por ali passaram e que agora se encontram longe, em terra estrangeira, esbanjando os seus talentos, vivendo com os porcos, tentando alimentar-se de bolotas. Isto, é bom de ver, não deverá ser deixado somente à espontaneidade de cada um, mas importa que seja organizado e em comunidades.

Espero, dentro em pouco, ter notícias vossas sobre como se organizaram e como estão correndo as coisas. Podem contar comigo e com muitos outros Sacerdotes que vos auxiliem neste trabalho esforçado de conversão dos pecadores, como Nossa Senhora pediu tanto em Fátima.

Padre Nuno Serras Pereira



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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Eu quero morrer!

P. Nuno quer morrer por eutanásia ou por suicídio assistido?
Evidentemente que não, pois isso não seria morrer, mas sim ser assassinado.
 
Tendo em conta, porém, que nesta crise pandémica parece haver um pavor generalizado da morte, quero afirmar peremptoriamente que quero morrer. Mas, confesso, que não quereria morrer de qualquer modo, mas sim com as predisposições necessárias para, pelo menos, ir para o Purgatório; e para isso conto com as vossas preciosas orações e sacrifícios.

De facto, e isto não é uma lamentação nem uma queixa, o meu apostolado sacerdotal, na prática, morreu. É certo que celebro Missa quotidiana para os doentes e enfermos (no nosso convento), mas também é verdade que alguns deles, sacerdotes, poderiam fazer o mesmo com maior proveito e fruto espiritual para todos. Actualmente, e seguramente com toda a razão, sou considerado incapaz de Celebrar, e homiliar em outras Eucaristias, de confessar, de dar assistência Espiritual ou de colaborar em qualquer outra actividade. Ninguém pense, pelas almas, que isto seja algum queixume. Não passa de uma verificação factual, dos desígnios da Providência Divina.
 
Sem pôr de modo nenhum em causa a minha Ordenação Sacerdotal nem o apostolado que exerci, com a Graça de Deus, nos primeiros anos, parece-me justo concluir que aquilo que Nosso Senhor me concedeu foi por tempo limitado e que, por isso, Lhe devo dar muitas Graças, aceitando e acolhendo com muita alegria a radical substituição por outros.
 
Finda, como estou persuadido, a minha missão só peço ao Pai Misericordiosíssimo que por Seu Filho Jesus Cristo, caso eu esteja preparado, me leve o mais depressa possível, purificando-me de todos os pecados, para Si.
 
À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira



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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Arrependimento e Reparação

Sem uma intervenção de Deus, sem a Sua Graça, somos incapazes de nos arrepender, quando o fazemos é sempre uma resposta a esse maravilhoso e gratuito Dom que Ele nos concede. Esta é uma das razões que nos deve levar a evitar a todo o custo qualquer tipo de pecado, principalmente o grave, mas também o leve ou venial, posto que, como diz a Sagrada Escritura. “quem descuida as pequenas coisas cai insensivelmente nas grandes”. 


De facto, podemos tornar-nos insensíveis à Graça do arrependimento verdadeiro. E não sabemos até quando Deus na Sua infinita Misericórdia e Justiça suportará a nossa dureza de Coração. Estas e outras coisas que a seguir se dirão foram durante séculos objecto de pregação, ensino e meditação. Nos tempos que correm acha-se que a Salvação está no papo e que Deus é um avozinho ternurento incapaz de castigar. Mas esse não é o Deus Bíblico.

 

O arrependimento, a conversão, não consiste somente na dor de ter ofendido a Majestade Divina, mas requer uma mudança de vida disposta a reparar o mal feito (pensamentos, palavras e obras) ou o bem por fazer (omissões). Reparação a Deus, pela falta de correspondência ao Seu Amor, e reparação ao(s) próximo(s). A Deus repara-se pela confissão e Comunhão/adoração Eucarística, e demais orações. Mas em relação ao próximo, exceptuando, casos de impossibilidade, as orações, evidentemente, não bastam.

 

Se eu roubo dinheiro ou preciosidades a outrem, podem dar-me todas as absolvições, que se eu, podendo (e sem necessidade de me denunciar), não restituir o que furtei não sou perdoado. Nem o poder do Vigário de Cristo, como ensina o P. António Vieira, me poderá dispensar da restituição.

 

Do mesmo modo, quem comete actos carnais de impureza com outrem ou o/a tenta nessa mesma matéria, terá de pedir perdão e fazer tudo ao seu alcance para os persuadir à Pureza. A oração e o jejum rigoroso muito podem ajudar nesta purificação e reparação.

 

Alguns dos pecados, às vezes veniais e frequentemente graves, mais cometidos, nos dias de hoje, com uma leviandade assustadora, são os pecados da língua. A intriga, a murmuração, a maledicência, a inconfidencialidade, a insinuação, a difamação, a calúnia, reinam soberanas e impunes. Alguém, nos tempos que correm, ainda se confessará destes pecados? E, no entanto, os seus efeitos são devastadores.

 

Aqui lembro tão só alguns princípios gerais, deixando para outro texto um aprofundamento.

 

1. As conversas privadas são exclusivamente de âmbito privado. Delas não se pode fazer uso com outros.

2. Toda e qualquer pessoa tem direito à honra, ao bom nome e à boa fama.

3. Quem revela um pecado grave oculto (que não é público) comete um pecado grave.

4. Há circunstâncias em que se pode ou mesmo deve declarar algo sobre outrem, a saber, a quem, pelo cargo que exerce, pode e deve ajudar a resolver a situação, ou quando se dá um crime que exige intervenção imediata, ou em caso de aconselhamento espiritual, ou numa necessidade de desabafo urgente, com pessoa que saiba guardar sigilo.

5. A difamação e a calúnia são infames.

6. A intriga e a murmuração são péssimas.

7. O segredo da Confissão é absolutamente inviolável.

8. O que é dito em direcção espiritual é de si mesmo sigilosa, não admitindo comentários nem revelações.

 

Poderia continuar, mas não me quero alongar. Chamo somente a atenção para a necessidade imprescritível de reparação. Por exemplo, repondo o bom nome das pessoas, etc.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira



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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Tentações sacerdotais

Os Padres, Bispos, Cardeais e Papas, são vasos de barro, que trazem em si um tesouro Imenso, Infinito. Como vasos de argila são frágeis, facilmente quebradiços e sujeitos a muitas e tremendas tentações. Estas, como se sabe não são pecado, aliás, no Pai-nosso não pedimos a Deus que nos livre das tentações (embora todos têm a estricta obrigação moral de não se colocar em ocasião delas), imploramos sim que não nos deixe cair nelas, isto é, que nos conceda o Seu auxílio, a Sua Graça, para as vencermos, e não pecarmos.
 
Há tentações claras, diria evidentes, que de tão manifestas poderão ser repudiadas prontamente e com veemência. Outras, porém, são mais subtis, como que disfarçadas, seduzindo com grandes aparências de bem.
 
Uma muita perigosa é a do narcisismo. O narcisismo pode encontrar-se em muitos tipos de sacerdotes, quer nos impropriamente chamados avançados ou progressistas quer nos inadequadamente apelidados de tradicionalistas. Os primeiros, procurarão sobressair pelas celebrações litúrgicas criativas, por homilias fantasiosas, de mentalidade secularista, e declarações bombásticas desenquadradas, ou mesmo à margem, da Doutrina da Igreja, da Sagrada Escritura e da Tradição. 

Os segundos, que gostam muito de ser vistos, pelo contrário, buscam distinguir-se por celebrações cuidadas e devotas, regozijando-se com a admiração e elogios dos fiéis. Como os primeiros, embora de forma oposta, preocupam-se em fazer homilias que possam ser apreciadas, como que aplaudidas. Em vez de procurarem que as pessoas depois do sermão saiam insatisfeitas consigo próprias - arrependidas de seus pecados e empenhando-se por uma conversão cada vez maior -, esforçam-se para que os fiéis saiam muito satisfeitos e contentes com o pregador.
 
Todos os que padecem de narcisismo, embora de modos contraditórios, procuram a singularidade, não suportando passar despercebidos.
 
Outras tentações muito insidiosas, e que frequentemente vão juntas, são a do medo e a do “carreirismo” eclesiástico. Não poucos Padres e Párocos receosos de perderem as Paróquias ou os títulos que adquiriram querem fazer figura diante dos seus Bispos independentemente de se eles estão certos ou errados nas questões Doutrinais-Disciplinares. 

Assim, são capazes de escrever artigos ou fazer homilias advogando aquilo em que não acreditam e contra as suas consciências, por exemplo, darem a Comunhão a Pecadores públicos obstinados, com a desculpa esfarrapada de que não veem as pessoas a quem A distribuem. Não contentes com a desfaçatez hipócrita barram, recorrendo a falsas razões, a Celebração Eucarística a outros Padres, que seguindo o Magistério perene da Igreja e a Sua Sagrada Tradição se recusam a ser cúmplices facilitando os sacrilégios.
 
E o Padre ou Padres que são sistematicamente excluídos por estas razões e outras semelhantes, que deve fazer? Evidentemente, dar Graças a Deus e agradecer-lhe muito do fundo do coração que a Sua Providência Bendita lhe tenha concedido esta Graça da de poder viver e experimentar a humilhação. De facto, ninguém se torna humilde de não padecer humilhações.
 
À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Expressão da Liberdade

1. A liberdade de expressão para o ser realmente deve ser uma expressão da liberdade. A liberdade é um “órgão” espiritual que, ao contrário do que muitos pensam, não é indiferente ou neutro perante a realidade, mas sim inclinado ou orientado para a verdade e o bem. A liberdade é a capacidade de se auto-determinar na realização do bem. É certo que em virtude do pecado original, do pecado do mundo (o “ambiente” de pecado) e do pecado actual (o de cada um) esta inclinação encontra resistências, enganos, ilusões, podendo distorcer-se e perverter-se. Por isso, aquilo que é essencialmente uma revelação da dignidade da pessoa no seu decidir e agir pode ser usado para a degradar e corromper. 

Daqui se costuma concluir que “a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro”. Não conheço a origem deste dito, nem o seu significado genuíno. Mas a formulação, tal como soa, não me parece feliz. De facto, somente a coexistência de liberdades favorece, nutre e vivifica a liberdade de cada um. E uma vez que cada pessoa só se realiza humanamente enquanto é responsável pelo seu decidir e agir, importa exercitar-se na tolerância para com os indivíduos que erram ou caiem (afinal, de algum modo, todos nós) na sua demanda da verdade e do bem. A liberdade de expressão é então um reconhecimento da dignidade da pessoa, uma possibilidade de se auto-comunicar, de contribuir para o bem comum, de aprendizagem, de correcção, de se enriquecer acolhendo os outros na sua auto-doação, pela expressão.

2. Se a liberdade de cada um se afirma na coexistência de liberdades isso significa que estas são entre si co-responsáveis, que, na sua relação, são o húmus que sustenta e possibilita a realização em plenitude da liberdade de cada qual. Por isso, cada um é responsável pelo bem comum, isto é, pelo bem de todos e de cada um, pela liberdade de todos e de cada um. Assim, quem transforma a liberdade de expressão, exorbitando-a, em vontade de poder (na acepção negativa desta expressão), escraviza-se à idolatria de si mesmo – ao procurar dominar os outros, a sua deles liberdade, destrói a seiva que alimenta a sua, acabando por fenecer. Ao mutilar a relação essencial do seu eu com a verdade e o bem na sua entrega aos outros, ao isolar-se, ao ensoberbecer-se, é manipulado pelo caos, tornando-se “missionário” da desagregação, da dissolução, da morte.

Compreende-se, pois, que a liberdade tenha de se defender recorrendo ao direito natural, isto é, à verdade universal, (que por sê-lo é a todos acessível) reconhecida pela razão, capaz de critério e de discernimento justos. O direito positivo, que não pode opor-se ao direito natural sob pena de se transformar na expressão dos interesses dos mais fortes, deve usar as suas capacidades de modo a potencializar as liberdades garantindo a coexistência das mesmas.

3. Compete, pois, ao direito dissuadir, prevenir e punir os abusos da liberdade de expressão. Que num estádio de futebol, por exemplo, alguém grite falsamente que há uma bomba, gerando o pânico, com todas as consequências que daí podem advir é claramente um abuso da liberdade de expressão. Também é evidente que a publicitação do consumo de droga constitui um atentado à liberdade. Reivindicar a liberdade de expressão para incitar ao sexo, fora de um contexto de amor verdadeiro e irrevogável, é claramente um abuso de quem tem poderosos interesses económicos e uma agenda tenebrosa. O direito deve salvaguardar a moralidade pública (o que consta aliás das nossas leis, embora sejam letra morta), porque esta é fonte de liberdade. 

Do mesmo modo que não é um atentado à liberdade de expressão impedir a publicitação do incesto, da pedofilia ou do consumo de droga, também os grandes meios de comunicação social, por exemplo, que nos dias de hoje são dotados de um poder imenso de modelar e manipular as consciências deviam ser sujeitos a um rigoroso escrutínio jurídico que os penalizasse duramente pelos sistemáticos atentados à dignidade e à liberdade das pessoas. Tanto mais que estas, abandonadas a si mesmas, não têm possibilidade nem capacidade de defesa adequadas ás injustiças de que são vítimas. Em nome da liberdade de expressão estes poderosíssimos meios recorrem habitualmente a uma censura selectiva, ignorando sistematicamente o que não convém aos seus objectivos, e distorcem acontecimentos e opiniões, sem que uma grande multidão dos receptores, possa sequer ter disso consciência.

Num conluio entrecruzado de interesses económicos, políticos/ideológicos e comunicacionais a vontade de poder manipula inclusive os instrumentos jurídicos - elaborados para garantir a liberdade de expressão e prevenir os seus abusos -, para perseguir e silenciar todos aqueles que legitima e responsavelmente se exprimem contra a tirania da mentalidade dominante opondo-se ao totalitarismo que subjuga e aliena a liberdade.

Padre Nuno Serras Pereira


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sábado, 9 de janeiro de 2021

Joe Biden NÃO é Católico

Independentemente das considerações político-partidárias, que me recuso a considerar aqui, é da maior importância que não nos deixemos enganar por pronunciamentos episcopais, seja a que nível for, nem por outras “fontes”. Joe Biden que se intitula católico, e por tantos é reconhecido como tal, não o é de facto. Como Pelágio, catolicamente baptizado, ou o Bispo Ario, também catolicamente baptizado, que celebrava Missa, ou Lutero, igualmente catolicamente baptizado. 
 
De facto, ao longo de muitos anos, não obstante ter sido instruído por Bispos e sacerdotes, continua a negar, obstinadamente, uma verdade de Fé Divina e Católica, a saber, que nunca é lícito directa e voluntariamente matar um ser humano inocente. Quem nega, obstinadamente, uma verdade de Fé Divina e Católica é herege, não é católico.

Papa João Paulo II, Evangelium Vitae, 57:

“Portanto, com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a morte directa e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Esta doutrina, fundada naquela lei não-escrita que todo o homem, pela luz da razão, encontra no próprio coração (cf. Rm 2, 14-15), é confirmada pela Sagrada Escritura, transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magisterio ordinário e universal. [51]

A decisão deliberada de privar um ser humano inocente da sua vida é sempre má do ponto de vista moral, e nunca pode ser lícita nem como fim, nem como meio para um fim bom. É, de facto, uma grave desobediência à lei moral, antes ao próprio Deus, autor e garante desta; contradiz as virtudes fundamentais da justiça e da caridade. 
 
« Nada e ninguém pode autorizar que se dê a morte a um ser humano inocente seja ele feto ou embrião, criança ou adulto, velho, doente incurável ou agonizante. E também a ninguém é permitido requerer este gesto homicida para si ou para outrem confiado à sua responsabilidade, nem sequer consenti-lo explícita ou implicitamente. Não há autoridade alguma que o possa legitimamente impor ou permitir ». [52]

No referente ao direito à vida, cada ser humano inocente é absolutamente igual a todos os demais. Esta igualdade é a base de todo o relacionamento social autêntico, o qual, para o ser verdadeiramente, não pode deixar de se fundar sobre a verdade e a justiça, reconhecendo e tutelando cada homem e cada mulher como pessoa, e não como coisa de que se possa dispor.

Diante da norma moral que proíbe a eliminação directa de um ser humano inocente, «não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último sobre a face da terra não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais ». [53]”. 

Padre Nuno Serras Pereira

[51]. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, sobre a Igreja, 25.
[52]. Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Iura et bona, sobre a eutanásia (5 de Maio de 1980), II: AAS 72 ( 1980), 546.
[53]. Carta Enc., Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 96: AAS 85 ( 1993 ), 1209.


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