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sábado, 8 de fevereiro de 2025

Breves tópicos sobre Direcção Espiritual

Será necessária a Direcção Espiritual para alcançar a Santidade?

1. É verdade que muitos Santos tiraram dela grande proveito, mas também é verdade que houve muitos outros Santos que dela prescindiram ou não a conheceram. Pelo que este tipo de assistência apesar de poder ser altamente recomendável para muitos, para outros poderá não sê-lo. Nos dias de hoje, é, isso sim, imprescindível, exceptuando casos excepcionais, a Confissão Sacramental periódica, tanto quanto possível recorrendo a um confessor habitual.
 
2. O Director Espiritual, mesmo quando não é confessor, uma vez que trata do foro interno, não pode fazer qualquer uso, directo ou indirecto, do conhecimento que adquiriu sobre a pessoa. Por exemplo não poderá pronunciar-se sobre aqueles que atende, seja nos Seminários seja na vida Religiosa seja mesmo na vida laical. É certo que não está sujeito à pena de excomunhão caso infrinja essa obrigação, mas está sujeito à culpa do pecado. Tanto o confessor como o director espiritual têem o dever de não se pronunciar sobre os seus ‘dirigidos’.
 
3. O ‘dirigido’ não está sujeito a qualquer tipo de obediência ao seu director. Por outras palavras, o director pode aconselhar, dar orientações, sugestões, mas não pode exigir obediência. Nem pode, muito menos, tomar decisões substituindo-se ao ‘dirigido’, abusando assim do seu papel.
 
4. A direcção Espiritual existe para acompanhar o que o Espírito Santo está operando no ‘dirigido’ ajudando-o a discernir o melhor caminho para se unir cada vez mais ao Amor de Deus - O Tratado do Amor de Deus de S. Francisco de Sales deveria ser de leitura obrigatória para todos os Sacerdotes que atendem as almas (e já agora, também a sua Introdução à Vida Devota).
 
Como coadjuvante, uma obra de grande Caridade que consiste em ajudar o ‘dirigido’ a descobrir os pecados de que o próprio não tem consciência, e discernir as raízes desses e de outros para poder superá-los. É verdade que, pelo menos em parte, amigos, familiares ou outras pessoas com quem se vive poderão, e muitas vezes o fazem, auxiliá-lo, por pura caridade, ao mesmo. Mas habitualmente isso é mal recebido porque é interpretado como uma agressão, uma depreciação ou mesmo um aviltamento...
 
5. Muito mais haveria a dizer, mas como estou tratando somente de alguns aspectos e em tópicos, fico por aqui.

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 3 de março de 2022

Confissão Sacramental e Direcção Espiritual

Alguns advogam que a “direcção” Espiritual deverá ser absolutamente independente da Confissão Sacramental. Entende-se o raciocínio: uma vez que o confessor não pode fazer uso de qualquer coisa que tenha ouvido na Confissão Sacramental, o que, absolutamente falando, é uma verdade incontestável, não o poderá usar na “direcção” Espiritual. 

Não obstante, sempre foi admitida pela Igreja a legitimidade de o confessor pedir autorização ao confessado de fazer uso, sempre salvaguardado pelo sigilo da Confissão, do conhecimento obtido no Sacramento para melhor o poder ajudar. Isto foi uma prática de muitos séculos que ajudou uma imensa multidão de pessoas a alcançar a Santidade.
 
Outros advogam que a Confissão Sacramental deve ser o lugar próprio do Acompanhamento Espiritual. Invocam em sua defesa não só que o foro interno está incomparavelmente mais protegido pelo sigilo Sacramental do que pelo sigilo profissional, mas também que a Graça conferida pelo Sacramento confere uma eficácia particular à assistência Espiritual. 

Ademais, cuidam que o nome de Direcção Espiritual não é adequado porque não só incute a impressão de que o dirigido deve, do ponto vista moral ou teológico, obediência ao seu “Director” - ora, a chamada “Direcção Espiritual” não pode obrigar em consciência os chamados “dirigidos”: como aliás nos é descrito pelo director espiritual de Santa Isabel da Hungria. 

Isto deverá ser muito claro para que não aconteça, por exemplo, alguém negar a infabilidade do Papa ou o ensino Magistral Ordinário da Igreja, ou ainda ignorar a obediência que deve aos seus superiores religiosos, e tomar como infalível e decisivo o seu orientador, ou pai espiritual.
 
O Assistente Espiritual tem como missão acompanhar e ajudar o seu assistido a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, seguindo Jesus Cristo, que é juntamente com o Pai a fonte desse mesmo Espírito.
 
Uma vez que o “director” Espiritual, habitualmente, só conhecerá o que o seu “dirigido” lhe diz de si próprio, não duvidando absolutamente em nada da sua sinceridade, importará muito inquiri-lo sobre a opinião dos outros que o conhecem e vivem com ele - porque, como diz o povo “há gente que não se enxerga”, isto é que não se conhece tal como é, ou ainda, ‘ninguém é bom juiz de si próprio’.

Padre Nuno Serras Pereira



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sábado, 29 de janeiro de 2022

3 frases de São Francisco de Sales que mudaram muitas vidas

São Francisco de Sales foi um grande Bispo e Doutor da Igreja. Combateu a heresia protestante na Suiça, tendo sido bastante perseguido por isso. É por causa dele que a obra de D. Bosco se chama 'Salesianos'. 

São Francisco de Sales foi um mestre da vida espiritual. O seu livro "Filoteia, Introdução à vida devota" é um dos livros espirituais mais estudados de sempre. Ali encontramos verdadeiras pérolas de sabedoria como as que se seguem: 

1. "A reputação raramente é proporcional à virtude." 

2. "É essencial meia hora de oração, a não ser quando se está muito ocupado, nesse caso é necessário uma hora." 

3. "Deves ter verdadeira dor dos pecados que confessas, por mais leves que sejam, e fazer um firme propósito de emenda para o futuro. Muitos perdem grandes bens e muito aproveitamento espiritual porque, confessando-se dos pecados veniais por costume e mero cumprimento, sem pensar em emendar-se, permanecem durante toda a vida com eles."


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sábado, 12 de setembro de 2020

Como viver desde já a vida eterna

Esta vida eterna começada[1] constitui todo um organismo espiritual, que deve desenvolver-se até à nossa entrada no céu. A graça santificante, recebida na essência da alma, é o princípio radical deste organismo imperecível, que deveria durar para sempre, se o pecado mortal, que é uma desordem radical, não viesse por vezes destruí-la. (Cfr. ST, I-II, Q109, A3 e A4) 

Da graça santificante, semente da glória, derivam as virtudes infusas, primeiramente as virtudes teologais, a maior das quais, a caridade, deve, como a graça santificante, durar para sempre. "A caridade nunca passará, - diz S. Paulo -, (...) agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior das três é a caridade" (I Cor 13, 8-13). Ela durará para sempre, eternamente, quando a fé tiver desaparecido para dar lugar à visão e quando à esperança suceder a possessão inadmissível de Deus claramente conhecido.

O organismo espiritual completa-se pelas virtudes morais infusas que se referem aos meios, enquanto as virtudes teologais se voltam para o fim último. São estas outras tantas funções admiravelmente subordinadas, infinitamente superiores àquelas do nosso organismo corporal. Elas chamam-se: prudência cristã, justiça, fortaleza, temperança, humildade, mansidão, paciência, magnanimidade, etc.

Finalmente, para remediar a imperfeição destas virtudes, que sob a direcção da fé obscura e da prudência conservam ainda um modo demasiado humano de agir, há os sete dons do Espírito Santo, que habita em nós. São como velas de um barco e dispõem-nos a receber dócil e prontamente o sopro do alto, as inspirações especiais de Deus, que nos permitem agir de uma maneira já não humana, mas divina, com o entusiasmo necessário para percorrer o caminho de Deus e não recuar diante dos obstáculos.

Todas estas virtudes infusas e estes dons crescem com a graça santificante e a caridade, diz S. Tomás (ST, I-II, Q66, A2), assim como os cinco dedos da mão se desenvolvem conjuntamente, como todos os órgãos do nosso corpo aumentam ao mesmo tempo. Assim sendo, não é possível conceber que uma alma tenha alta caridade sem ter o dom da sabedoria em grau proporcional, quer sob forma nitidamente contemplativa, quer sob uma forma prática mais directamente ordenada para a acção. A sabedoria de um S. Vicente de Paulo não é absolutamente semelhante à de um S. Agostinho, mas ambas são infusas.

Adaptado de: Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, OP, in As Três Vias e as Três Conversões, Cap. I

Notas:

1. O autor explica mais atrás que a "vida eterna começada" consiste na crença em Deus com fé viva, unida à caridade, ao amor a Deus e ao próximo. Numa vida sobrenatural idêntica, em germe, à vida eterna: "A graça não é senão um certo começo da glória em nós." (ST, II-II, Q24, A3; I-II, Q69, A2; De Veritate 14, A2)

Explica que esta é necessária para o progresso espiritual: "Gratia est semem gloriae." A diferença para a vida sobrenatural do céu é uma só: aqui na terra conhecemos a Deus (sobrenatural e infalivelmente) pela obscuridade da fé e não na clareza da visão. Esta vida é dada pelo baptismo e nutrida pela Eucaristia e é superior a qualquer milagre, é supra-humana e até supra-angélica.

Dizia Bossuet: "A vida eterna começada consiste em conhecer a Deus pela fé (unida à caridade), e a vida eterna consumada consiste em ver a Deus face a face desveladamente. Jesus Cristo nos dá uma e outra, porque no-la mereceu e porque Ele é o seu princípio em todos os membros que anima." (Méditations sur L'Évangile, IIa P, 37º dia, em João 17, 3)

Tal como diz a liturgia no prefácio da Missa Pro Defunctis: "para os vossos fiéis, Senhor, a vida não é tirada mas mudada e transfigurada".


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domingo, 21 de outubro de 2018

Papa Bento XVI sobre a necessidade de ter um director espiritual

Reflectindo sobre esta figura de Simeão, o Novo Teólogo, podemos detectar mais um elemento da sua espiritualidade. No caminho da vida ascética que ele propôs e percorreu, a forte atenção do monge na sua própria experiência interior conferiu ao Pai espiritual do mosteiro uma importância fundamental.

Já quando era rapaz, o jovem Simeão tinha encontrado um director espiritual, que o ajudou muito e por quem conservou uma enorme estima, ao ponto de lhe dedicar, após a morte, uma veneração pública.

E eu diria que continua a ser válido para todos - sacerdotes, pessoas consagradas e leigos, e especialmente para os jovens - o convite a recorrer ao conselho de um bom pai espiritual, capaz de acompanhar cada um no conhecimento profundo de si mesmo, e de o conduzir à união com o Senhor, de modo que a sua existência cada vez mais se conforme com o Evangelho.

Para ir para o Senhor, precisamos sempre de um guia, de um diálogo. Não podemos fazer isso apenas com os nossos pensamentos. E este é também o sentido da ecclesialidade da nossa fé: o de encontrar este guia.

Papa Bento XVI in Audiência Geral (16.IX.2009)


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