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sábado, 31 de maio de 2025

Salve Rainha foi escrita por um monge beneditino cego e quase paralítico

Sempre que rezamos o Terço, recordamos, de algum modo, o Beato Herman de Reichenau, autor da oração 'Salve Rainha'. 

Herman nasceu a 18 de Julho de 1013, filho do conde de Altshausen. Nasceu deformado, com palato fendido e sérios problemas nas costas, talvez espinha bífida, ou esclerose lateral amiotrófica ou atrofia muscular espinal. Seja qual fosse o problema, falava e andava com enorme dificuldades. Ainda criança, caiu doente de poliomielite, mas milagrosamente sobreviveu. Seguindo as práticas da época, quando completou sete anos, os seus pais colocaram-no no mosteiro beneditino de Reichenau, que fica isolado numa ilha do Lago Constança, no Sul da Alemanha. Foi onde Herman passou o resto da sua vida.

Ali começou a estudar teologia e o mundo. Aos vinte anos tornou-se monge. Como não podia ajudar em nenhuma tarefa, passava os dias a rezar e estudar. Dele temos obras sobre geometria, aritmética, astronomia e teoria musical. Como historiador, compilou e organizou relatos, que até então estavam dispersos, sobre os primeiros séculos da Igreja, incluindo a vida de Jesus Cristo e dos seus discípulos, e também um martiriológio dos cristãos sob domínio romano. Era fluente em várias línguas, incluindo o árabe, grego e latim; escreveu poesias e construía instrumentos musicais e astronómicos, em especial o astrolábio, um enorme avanço científico na época que viria a ser fundamental nas grandes navegações. Como compositor, temos ainda hoje os ofícios a São Gregório Magno, Santa Afra e São Wolfgang. 

Nos últimos anos de vida ficou cego. Foi nesta época que compôs o Salve Regina, um canto gregoriano para ser utilizado na Liturgia das Horas e Festas Marianas. E

Faleceu no dia 24 de Setembro de 1054, aos 41 anos, de pleurite. A morte foi narrada assim pelo seu discípulo Bertoldo: Quando finalmente Deus decidiu livrar a sua alma da tediosa prisão do mundo, Herman foi atacado pela pleurisia, tendo sofrido terrível e continuadamente durante os seus últimos dez dias. Numa manhã, após a Santa Missa, perguntei-lhe se se sentia melhor. Ele respondeu que havia pensado muito sobre o bem e o mal, e todas as coisas que ainda pretendia escrever, mas que o mundo futuro, a vida eterna era muito mais desejável, e que já era hora de partir. E assim foi. 

O seu corpo foi enterrado no túmulo da sua família, que se perdeu com o tempo. Algumas das suas relíquias encontram-se em Zurique. Herman foi beatificado em 1863 pelo Papa Pio IX.

in 'Tesouros da Igreja Católica'


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segunda-feira, 26 de maio de 2025

20 importantes conselhos de São Filipe Neri

1. Existem tentações, como as da carne, que apenas podem ser vencidas fugindo; outras, como as da raiva, resistindo-lhes, e outras, como a vã glória, desprezando-as.

2. Quando Deus envia tribulações a uma alma dá-lhe um sinal de grande afecto.

3. Aquele que gosta de ser desprezado e se considera como nada é um discípulo perfeito da escola de Jesus Cristo.

4. Entre as graças que devemos pedir a Deus, uma delas deve ser a perseverança.

5. Não há nada mais perigoso na vida espiritual do que querer dirigir-se sozinho.

6. A ociosidade é uma calamidade para o cristão. Devemos fazer sempre alguma coisa, para que o diabo não venha e nos faça cair nas suas armadilhas.

6. Nada ajuda mais o homem do que a oração.

7. Vamos lançar-nos nos braços de Deus e ter certeza de que se Ele quiser algo de nós dar-nos-á forças para fazer o que Ele quiser que façamos.

8. Temos de rejeitar os escrúpulos, porque eles perturbam a alma e geram tristeza.

9. Não há nada mais desagradável a Deus do que uma alma orgulhosa de si mesma.

10. Não devemos odiar ninguém, porque Deus não vem para estar numa alma que não ama o próximo.

11. Na comunhão devemos pedir a cura desse vício a que estamos sujeitos.

12. O demónio, que é muito orgulhoso, tem muito medo da confissão humilde.

13. Vamos separar os nossos corações das coisas deste mundo; perguntemos muitas vezes: e depois? e depois?.

14. Não sejamos precipitados em julgar os outros: primeiro pensemos em nós mesmos.

15. Para estar em paz com os outros, nunca pense nos seus defeitos naturais.

16. Nem sempre estamos interessados no melhor.

17. O servo de Deus não deve querer receber neste mundo a recompensa pelo seu serviço.

18. Quem foge de uma cruz encontrará outra mais pesada no seu caminho.

19. Antes de se confessar, será bom pedir a Deus a vontade de ser santo.

20. A Deus agrada a alma humilde que acredita que ainda não começou a fazer o bem.


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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Combater na Terra, descansar no Céu

Não me digas que não queres combater; porque no instante mesmo em que mo dizes, estás a combater; nem que ignoras para que lado te inclinares, porque no momento mesmo em que isso dizes, já te inclinaste para um lado; nem me afirmes que queres ser neutro, porque quando pensas sê-lo, já não o és; nem me assegures que permanecerás indiferente, porque te desprezarei, dado que, ao pronunciares essa palavra, já tomaste o teu partido.

Não te canses em buscar asilo seguro contra os açoites da guerra, porque te cansas em vão; essa guerra se expande tanto como o espaço, e se prolonga tanto como o tempo. 

Só na eternidade, pátria dos justos, podes encontrar descanso; porque só ali não há combate; não presumas, contudo, que se abram para ti as portas da eternidade se não mostras antes as cicatrizes que levas; aquelas portas não se abrem senão para os que combateram aqui os combates do Senhor gloriosamente, e para os que vão, como o Senhor, crucificados.'

Juan Donoso Cortés in 'Ensayo sobre el catolicismo, el liberalismo y el socialismo', Edit. Comares, Granada, 2006.



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sábado, 17 de maio de 2025

10 medidas práticas para a Santidade - Beato Francisco Xavier Seelos

1. Ir à Missa com grande devoção.

2. Reflectir durante meia-hora nos pecados em que se cai mais frequentemente; fazer propósitos para o evitar.

3. Fazer leitura espiritual durante 15 minutos, se for impossível fazer meia-hora.

4. Rezar o Terço todos os dias.

5. Se possível visitar o Santíssimo Sacramento todos os dias; e ao entardecer meditar na Paixão de Cristo durante meia-hora.

6. Acabar o dia com o exame de consciência, de todas as faltas e pecados do dia.

7. Todos os meses, fazer uma revisão do mês na confissão (direcção espiritual).

8. Escolher um padroeiro em cada mês, e imitá-lo numa virtude em especial.

9. Fazer uma novena antes de cada grande festa litúrgica.

10. Tentar começar e acabar cada actividade diária com uma Avé-Maria.

Beato Francisco Xavier Seelos


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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Deus protege e liberta o humilde

Não te preocupes muito se alguém é por ti ou contra ti, mas procede e ocupa-te de modo a que Deus esteja contigo em tudo quanto faças. Consegue uma consciência pura, que Deus te defenderá bem.

Se souberes calar-te e sofrer, verás sem dúvida o auxílio do Senhor. Ele conhece o tempo e o modo de te libertar, e por isso a Ele te deves submeter. É próprio de Deus ajudar e libertar de toda a confusão.

Muitas vezes, é mais útil para a conservação da nossa humildade que os outros conheçam os nossos defeitos e os censurem. Quando um homem se humilha por causa dos seus defeitos, acalma os outros facilmente e satisfaz sem custo os que com ele se iravam.

Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o. Inclina-Se para ele e dá-lhe grande graça; e, depois do seu abatimento, eleva-o à glória. Revela os Seus segredos ao humilde, arrasta-o e convida-o docemente para Si. E ele, mesmo na confusão, vive em paz, porque se firma em Deus e não no mundo. Não julgues ter adiantado em qualquer coisa se não te sentires inferior a todos.

Thomas de Kempis in Imitação de Cristo (Livro II, Cap. II)


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terça-feira, 1 de outubro de 2024

O Santo Padre Cruz

O famoso Padre Cruz morreu há 76 anos, no dia 1 de Outubro de 1948. O Padre Cruz foi um sacerdote que morreu com fama de santidade, sendo ainda em vida conhecido como "Santo Padre Cruz". Neste momento encontra-se a decorrer, lentamente, o seu processo de beatificação. Vale a pena recordar este episódio da vida deste santo sacerdote:

«Caminhava o santo Padre Cruz pela rua do Arsenal em Lisboa. Um marinheiro fixa-o atentamente, aproxima-se e pergunta: – O Senhor é o Padre Cruz?

– Sou, sim, meu irmão.

O marinheiro beija-lhe a mão e diz:

– Fui educado nas Mónicas e lá conheci Vossa Reverência. Até me lembro da oração que me ensinou: “Jesus, Maria e José, alumiai-nos, socorrei-nos e salvai-nos”. Um dia, o meu barco, batido pelas ondas, ia naufragar. Lembrei-me então da igreja das Mónicas, do Padre Cruz e da oraçãozinha que nos ensinou e comecei a rezá-la. Deus ouviu a minha humilde prece. O mar serenou e o barco, por graça de Deus, chegou ao porto, são e salvo.»

in Pagela do Apostolado da Oração (1994)


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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

O mendigo santo

O Padre João Tauler narra a seguinte história que aconteceu com ele mesmo:

Durante muitos anos pedira fervorosamente ao Senhor que lhe enviasse alguém que o instruísse na vida espiritual. Um dia ouviu uma voz que lhe dizia: Dirige-te a tal igreja: lá encontrarás o que desejas. 

O Padre obedeceu e à porta da igreja indicada encontrou um mendigo, descalço, envolto em trapos, a quem saudou dizendo: 

- Bom dia, amigo. 

- Obrigado, Sr. - respondeu-lhe o mendigo - não me lembro, porém, de ter jamais tido um mau dia. 

- Pois então, conceda-lhe Deus uma vida feliz. 

- Nunca fui infeliz, graças a Deus. Ouça-me, Padre. Não foi sem razão que eu disse nunca ter tido um mau dia, pois, se tenho fome, louvo ao bom Deus; se chove ou neva, bendigo-O; se alguém me despreza, me despede, ou se tenho de suportar outros padecimentos, louvo por isso o Senhor. Disse também que nunca fui infeliz, o que é igualmente verdade, pois estou acostumado a querer incondicionalmente o que Deus quer. Tudo o que vem sobre mim, seja agradável ou desagradável, recebo com alegria de suas mãos como a coisa melhor para mim, e isso constitui a minha felicidade. 

- Mas se Deus quisesse condenar-te, o que dirias então? 

- Se Deus assim o quisesse, com humildade e amor prender-me-ia tão estreitamente a Ele que, precipitando-me ao inferno, arrastá-lo-ia comigo e junto dele achar-me-ia tão feliz no inferno como sem ele infeliz no Céu. 

- Onde encontraste a Deus? 

- Achei-o quando abandonei as criaturas. 

- Quem és tu? 

- Um rei. 

- Onde tens teu reino? 

- No meu coração, onde reina a ordem, pois as minhas paixões obedecem à razão e a minha razão a Deus. 

- Como conseguiste tal perfeição? 

- Calando-me diante dos homens para me ocupar com o meu Salvador e conservando-me continuamente unido a Deus, em Quem encontro o meu descanso e toda a minha felicidade.

Assim, com a sua conformidade com a vontade de Deus, conseguira esse mendigo uma grande perfeição e apesar de sua pobreza sentia-se mais rico que todos os príncipes do mundo e, não obstante seus padecimentos, mais feliz que todos os mundanos na posse das alegrias terrestres.

Santo Afonso de Ligório in 'A Escola da Perfeição Cristã'


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sábado, 25 de maio de 2024

Os pecados veniais fecham a porta aos dons do Espírito Santo

Como é possível que muitas pessoas, depois de terem vivido quarenta ou cinquenta anos em estado de graça e recebido com frequência a Santa Comunhão, quase não dêem sinal da presença dos dons do Espírito Santo na sua conduta e nos seus actos, que se irritem por tudo e por nada e levem uma vida completamente longe do sobrenatural? 

Tudo isto provém dos pecados veniais que com frequência cometem sem nenhuma preocupação; estas faltas e as inclinações que daí derivam tornam estas almas inclinadas à terra e mantêm como que atados os dons do Divino Espírito, como asas que não se podem abrir. 

Tais almas não guardam nenhum recolhimento; nem estão atentas às inspirações do Espírito Santo, que passam inadvertidas; por isso permanecem na escuridão, não das coisas sobrenaturais e da vida íntima de Deus, mas na escuridão inferior que se enraíza na matéria, nas paixões desordenadas, no pecado e no erro; aí está a explicação de sua inércia espiritual. 

A estas almas se dirigem as palavras do salmista: "Hodie si vocem eius audieritis, nolite obdurare corda vestra" (Se hoje ouvirdes a Sua voz não fecheis os vossos corações) - Salmo 94, 8 

Pe. Reginald Garrigou-Lagrange in 'Las Tres Idades de La Vida Interior'


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quarta-feira, 10 de abril de 2024

12 ideias para resistir à tentação e crescer em virtude

1. Praticar a custódia dos sentidos: o mau uso dos cinco sentidos pode tornar-se uma porta de entrada para o mal.

2. Não negligenciar Deus e a oração: cultivar uma vida Eucarística, tornar-se n'O que se recebe.

3. Orar pelo desapego do pecado: optar pela santidade.

4. Confiar em Deus: a ansiedade pode levar a mais tentações.

5. Evitar reclamar e negatividade: cultivar a gratidão e oração em todas as circunstâncias.

6. Perdoar e aceitar o perdão de Deus.

7. Viver o momento presente: na presença de Cristo, Virgem Maria, Anjos e Santos.

8. Ler e orar com a Palavra de Deus viva: usá-la como uma arma contra a tentação.

9. Confiar no poder de Deus, não no nosso: discernir, resistir e correr para o Senhor.

10. Sacramentais: Na fé, usá-los pro-activamente como protecção.

11. Sacramentos: os sacramentos são recursos perpétuos e poderosos para receber a graça.

12. Liberdade: conhecer a capacidade do livre arbítrio para escolher o bem e o mal.


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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Não se fartam os olhos de ver, nem o ouvido de ouvir

Lembra-te frequentemente daquele provérbio: «Não se fartam os olhos de ver, nem o ouvido de ouvir.» Procura pois desapegar o teu coração das coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis; porque os que seguem a sensualidade mancham a consciência e perdem a graça de Deus.
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(Imitação de Cristo, Livro 1, Cap.1)


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segunda-feira, 31 de julho de 2023

Exame de Consciência de Santo Inácio de Loyola: Para fazer todas as noites antes de dormir

1. Primum punctum est, gratias agere Deo Domino nostro pro acceptis beneficiis. O Primeiro ponto é dar graças a Deus nosso Senhor pelos benefícios recebidos.

2. Secundum, petere gratiam ad cognoscenda peccata, eaque expellenda. Segundo, pedir graça para conhecer os pecados, e libertar-se deles.

3. Tertium, exigere rationem ab anima, incipiendo ab hora qua surrexit quis, usque ad examen praesens, per horas singulas, vel per sigula tempora, ac primum de cogitatione, deinde de verbo, ac postea de opere, eodem ordine quo dictum est in Examen particulari. Terceiro, pedir conta à alma, desde a hora em que se levantou até ao exame presente, hora por hora ou período por período: primeiro, dos pensamentos, depois das palavras, e depois das obras, pela mesma ordem que se disse no exame particular.

4. Quartum, petere veniam a Deo Domino nostro de defectibus. Quarto, pedir perdão, a Deus nosso Senhor, das faltas

5. Quintum, proponere emendationem cum ejus gratia. Pater noster. Quinto, propor emenda, com sua graça. Pai Nosso.


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Existem dois tipos de martírio: um público e um oculto

Uma vez que hoje celebramos a festa dum mártir, irmãos, devemos preocupar-nos com a forma de paciência praticada por ele. Com efeito, se, com a ajuda do Senhor, nos esforçarmos por manter essa virtude, obteremos sem dúvida a palma do martírio, ainda que vivamos na paz da Igreja. 


Porque há dois tipos de martírio: o primeiro consiste numa disposição do espírito; o segundo alia a essa disposição os actos da existência. Por isso, podemos ser mártires mesmo sem morrermos executados pelo gládio do carrasco. Morrer às mãos dos perseguidores é o martírio em acto, na sua forma visível; suportar as injúrias amando quem nos odeia é o martírio em espírito, na sua forma oculta.

Que haja dois tipos de martírio, um oculto, o outro público, a própria Verdade o comprova quando pergunta aos filhos de Zebedeu: «Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber?» E à sua asserção, «Podemos», o Senhor riposta: «Bebereis do meu cálice.» Ora, que pode significar para nós este cálice, senão os sofrimentos da sua Paixão, da qual diz noutro sítio: «Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice» (Mt 26,39)? Os filhos de Zebedeu, Tiago e João, não morreram ambos mártires, mas foi a ambos que o Senhor disse que haviam de beber esse cálice.

De facto, se bem que não viesse a morrer mártir, João acabou todavia por sê-lo, já que os sofrimentos que não sentiu no corpo os sentiu na alma. Devemos então concluir do seu exemplo que nós próprios podemos ser mártires sem passar pela espada, se conservarmos a paciência da alma.

São Gregório Magno in Homilias sobre os Evangelhos, n.º 35 


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quinta-feira, 24 de novembro de 2022

São João da Cruz, um dos maiores místicos da Igreja

A vida de São João da Cruz é magnífica e desconcertante. Nasceu em Fontiveros, província de Ávila (Espanha) pelo ano de 1542. O seu nome de baptismo era João de Yepes e, juntamente com a também doutora da Igreja Santa Teresa d'Ávila, reformou a Ordem Carmelita. 

João era 27 anos mais novo do que a sua amiga Teresa, que o chamava de “pequeno Séneca”, por causa da sua baixa estatura. Amavelmente, chamava-o de “meio homem”, mas não hesitava em considerá-lo pai da sua alma. Dizia que não era possível conversar com ele sobre Deus sem vê-lo em êxtase. 

São João da Cruz foi um grande mestre da vida espiritual. O resumo da sua vida monástica encontra-se nestas palavras: “Não faças coisa alguma, nem digas palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se se encontrasse nas mesmas circunstâncias e tivesse a mesma saúde e idade.” “Nada peças a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito.” “Renuncia aos teus desejos e encontrará o que o teu coração deseja.” Aos 21 anos de idade ingressou na Ordem dos Carmelitas.

Foi atacado por uma grande desilusão pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Em dado momento encontrou-se com Santa Teresa, a reformadora do Carmelo feminino, passando a fazer o mesmo junto ao Carmelo masculino. Nessa época era um jovem frade de 26 anos, extremamente sério, físicamente franzino. 

Logo em seguida fundou em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Foi então que mudou o seu nome para João da Cruz. Esse regresso à mística religiosidade do deserto custou ao santo maus tratos físicos e difamações, chegando a ser preso em 1577 durante oito meses, no cárcere de Toledo. Foi exactamente aí que floresceu a sua grande poesia espiritual. Escreveu “A noite escura da alma”, “A subida do monte Carmelo”, “Cântico espiritual”, e “Chama de amor viva”.

São João de Cruz foi um dos maiores místicos da História da Igreja, por isso é normal que os seus pensamentos nos toquem a alma e o coração:

"O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é Ele."

"Para possuir Deus plenamente, é preciso nada ter; porque se o coração pertence a Ele, não pode voltar-se para outro."

"Para buscar a Deus, requer-se um coração despojado e forte, livre de tudo o que não é puramente Deus."

"Que felicidade o homem poder libertar-se da sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava."

"Adquire-se a sabedoria através do amor, do silêncio e da mortificação; grande sabedoria é saber calar e não inserir-se em ditos ou fatos e na vida alheia."

"O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado."

"Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo."

"Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala-te."

"Quando tiveres teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústias, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis."

"O que busca satisfação em alguma coisa não está livre para que Deus o plenifique de seu inefável sabor."

"Ainda que estejas no sofrimento, não queiras fazer a tua vontade, pois terás assim o dobro de sofrimento."

"A alma que verdadeiramente ama a Deus não deixa de fazer o que pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregado todos os esforços, não se contenta e julga não ter feito nada."

"A alma que busca a Deus e permanece em seus desejos e comodismo, busca-o de noite, e, portanto, não o encontrará. Mas quem o busca através das obras e exercícios da virtude, deixando de lado seus gostos e prazeres, certamente o encontrará, pois o busca de dia."

"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação."

"Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos."

"Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo bom cristão."

"Quem souber morrer a tudo terá vida em tudo."


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domingo, 24 de julho de 2022

Os instrumentos das boas obras de acordo com a Regra de São Bento

[1] Primeiramente, amar ao Senhor Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças. 
[2] Depois, amar ao próximo como a si mesmo. 
[3] Em seguida, não matar. 
[4] Não cometer adultério. 
[5] Não furtar. 
[6] Não cobiçar. 
[7] Não levantar falso testemunho. 
[8] Honrar todos os homens. 
[9] E não fazer a outrem o que não quer que lhe seja feito. 
[10] Abnegar-se a si mesmo para seguir o Cristo. 
[11] Castigar o corpo. 
[12] Não abraçar as delícias. 
[13] Amar o jejum. 
[14] Reconfortar os pobres. 
[15] Vestir os nus. 
[16] Visitar os enfermos. 
[17] Sepultar os mortos. 
[18] Socorrer na tribulação. 
[19] Consolar o que sofre. 
[20] Fazer-se alheio às coisas do mundo. 
[21] Nada antepor ao amor de Cristo. 
[22] Não satisfazer a ira. 
[23] Não reservar tempo para a cólera. 
[24] Não conservar a falsidade no coração. 
[25] Não conceder paz simulada. 
[26] Não se afastar da caridade. 
[27] Não jurar para não vir a perjurar. 
[28] Proferir a verdade de coração e de boca. 
[29] Não retribuir o mal com o mal. 
[30] Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que lhe são feitas. 
[31] Amar os inimigos. 
[32] Não retribuir com maldição aos que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los. 
[33] Suportar perseguição pela justiça. 
[34] Não ser soberbo. 
[35] Não ser dado ao vinho. 
[36] Não ser guloso. 
[37] Não ser apegado ao sono. 
[38] Não ser preguiçoso. 
[39] Não ser murmurador. 
[40] Não ser detrator. 
[41] Colocar toda a esperança em Deus. 
[42] O que achar de bem em si, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo. 
[43] Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra sua e a si mesmo atribuí-lo. 
[44] Temer o dia do juízo. 
[45] Ter pavor do inferno. 
[46] Desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual. 
[47] Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo. 
[48] Vigiar a toda hora os actos de sua vida. 
[49] Saber como certo que Deus o vê em todo lugar. 
[50] Quebrar imediatamente de encontro ao Cristo os maus pensamentos que lhe advêm ao coração e revelá-los a um conselheiro espiritual. 
[51] Guardar a sua boca da palavra má ou perversa. 
[52] Não gostar de falar muito. 
[53] Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso. 
[54] Não gostar do riso excessivo ou ruidoso. 
[55] Ouvir de boa vontade as santas leituras. 
[56] Dar-se frequentemente à oração. 
[57] Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos, as faltas passadas e 
[58] daí por diante emendar-se delas. 
[59] Não satisfazer os desejos da carne. 
[60] Odiar a própria vontade. 
[61] Obedecer em tudo às ordens do Abade, mesmo que este, o que não aconteça, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor: "Fazei o que dizem, mas não o que fazem". 
[62] Não querer ser tido como santo antes que o seja, mas primeiramente sê-lo para que como tal o tenham com mais fundamento. 
[63] Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus. 
[64] Amar a castidade. 
[65] Não odiar a ninguém. 
[66] Não ter ciúmes. 
[67] Não exercer a inveja. 
[68] Não amar a rixa. 
[69] Fugir da vanglória. 
[70] Venerar os mais velhos. 
[71] Amar os mais moços. 
[72] Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos. 
[73] Voltar à paz, antes do pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença. 
[74] E nunca desesperar da misericórdia de Deus. 
[75] Eis aí os instrumentos da arte espiritual: 
[76] se forem postos em ação por nós, dia e noite, sem cessar, e devolvidos no dia do juízo, seremos recompensados pelo Senhor com aquele prêmio que Ele mesmo prometeu: 
[77] "O que olhos não viram nem ouvidos ouviram preparou Deus para aqueles que o amam". 
[78] São, porém, os claustros do mosteiro e a estabilidade na comunidade a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.


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quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Sacerdote mártir por defender a doutrina católica sobre o Matrimónio

O Beato Otto Neururer nasceu a 25 de Março de 1881, em Piller, na zona do Tirol, Áustria. 12.º e último filho de uma família de camponeses, o Beato Otto cresceu numa pequena quinta com um moinho. O seu pai morreu quando ele era novo, e a sua mãe era muito devota, mas sofria de períodos de depressão. Otto era conhecido como um rapaz tímido que também batalhava contra a depressão. Fez o seminário em Brixen, Itália, e depois serviu como sacerdote, pároco e professor de religião em vários lugares da diocese.

Os nazis ocuparam o Tirol em 1938, altura em que o Pe. Otto Neururer era pároco em Gotzens, na Áustria. A ocupação iniciou uma sangrenta perseguição à Igreja na Áustria. Milhares de fiéis foram perseguidos, interrogados pela Gestapo, presos, levados para campos de concentração e assassinados.

Nessa altura, o Beato Otto aconselhou uma rapariga da sua paróquia a não casar com um homem  divorciado, que levava uma vida dissoluta. Esse homem era amigo do Gauleiter, a máxima autoridade nazi na região, o que levou a que a intervenção de Otto o pusesse na mira das autoridades. Acabou por ser detido por “calúnia ao casamento alemão”, sendo preso no campo de Dachau e posteriormente transferido para o campo de Buchenwald.

Nos campos, sofreu o que um prisioneiro normal sofria, sendo torturado frequentemente. Continuou a ministrar, desta feita aos seus colegas prisioneiros, chegando a partilhar as parcas rações com prisioneiros que estavam mais debilitados do que ele. Em Buchenwald, um prisioneiro pediu para ser baptizado. Mesmo suspeitando de que fosse uma armadilha, sentiu que não podia recusar. Dois dias depois foi transferido para o bunker, uma sala de castigos extremos, na qual foi pendurado pelos pés até morrer, a 30 de Maio de 1940. Foi o primeiro sacerdote a morrer num campo de concentração.

O Padre Otto Neururer foi beatificado a 24 de Novembro de 1996 pelo Papa João Paulo II.

Adaptado de catholicsaints.info


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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Papa Bento descreve na perfeição a beleza da Imaculada Conceição

Se reflectirmos sinceramente sobre nós mesmos e sobre a nossa história, devemos dizer que com esta narração se descreve não só a história do princípio, mas a história de todos os tempos, e que todos trazemos dentro de nós próprios uma gota do veneno daquele modo de pensar explicado nas imagens do Livro da Génesis. A esta gota de veneno, chamamos pecado original. 

Precisamente na festa da Imaculada Conceição manifesta-se em nós a suspeita de que uma pessoa que não peque de modo algum, no fundo, seja tediosa; que falte algo na sua vida: a dimensão dramática do ser autónomo; que faça parte do verdadeiro ser homem, a liberdade de dizer não, o descer às trevas do pecado e o desejar realizar sozinho; que somente então seja possível desfrutar até ao fim toda a vastidão e a profundidade do nosso ser homens, do ser verdadeiramente nós mesmos; que devemos pôr à prova esta liberdade também contra Deus, para nos tornarmos realmente nós próprios. 

Em síntese, pensamos que o mal no fundo seja bem, que dele temos necessidade, pelo menos um pouco, para experimentar a plenitude do ser. Julgamos que Mefistófeles o tentador tem razão, quando diz que é a força "que deseja sempre o mal e realiza sempre o bem" (J.W. v. Goethe, Fausto I, 3). Pensamos que pactuar com o mal, reservando para nós mesmos um pouco de liberdade contra Deus, em última análise, seja um bem, talvez até necessário.

Contudo, quando olhamos para o mundo à nossa volta, podemos ver que não é assim, ou seja, que o mal envenena sempre, que não eleva o homem mas o rebaixa e humilha, que não o enobrece, não o torna mais puro nem mais rico, mas o prejudica e faz com que se torne menor. É sobretudo isto que devemos aprender no dia da Imaculada: o homem que se abandona totalmente nas mãos de Deus não se torna um fantoche de Deus, uma maçadora pessoa consencientemente; ele não perde a sua liberdade. Somente o homem que confia totalmente em Deus encontra a verdadeira liberdade, a grande e criativa vastidão da liberdade do bem. 

O homem que recorre a Deus não se torna menor, mas maior, porque graças a Deus e juntamente com Ele se torna grande, divino, verdadeiramente ele mesmo. O homem que se coloca nas mãos de Deus não se afasta dos outros, retirando-se na sua salvação particular; pelo contrário, só então o seu coração desperta verdadeiramente e ele torna-se uma pessoa sensível e por isso benévola e aberta.

Quanto mais próximo de Deus o homem está, tanto mais próximo está dos homens. Vemo-lo em Maria. O facto de Ela estar totalmente junto de Deus é a razão pela qual se encontra também próxima dos homens. Por isso, pode ser a Mãe de toda a consolação e de toda a ajuda, uma Mãe à qual, em qualquer necessidade, todos podem dirigir-se na própria debilidade e no próprio pecado, porque Ela tudo compreende e para todos constitui a força aberta da bondade criativa. 

É nela que Deus imprime a sua própria imagem, a imagem daquela que vai à procura da ovelha perdida, até às montanhas e até ao meio dos espinhos e das sarças dos pecados deste mundo, deixando-se ferir pela coroa de espinhos destes pecados, para salvar a ovelha e para a reconduzir a casa. Como Mãe que se compadece, Maria é a figura antecipada e o retrato permanente do Filho. E assim vemos que também a imagem da Virgem das Dores, da Mãe que compartilha o sofrimento e o amor, é uma verdadeira imagem da Imaculada. Mediante o ser e o sentir juntamente com Deus, o seu coração alargou-se. 

Nela a bondade de Deus aproximou-se e aproxima-se muito de nós. Assim, Maria está diante de nós como sinal de consolação, de encorajamento e de esperança. Ela dirige-se a nós, dizendo: "Tem a coragem de ousar com Deus! Tenta! Não tenhas medo d'Ele! Tem a coragem de arriscar com a fé! Tem a coragem de arriscar com a bondade!

Tem a coragem de arriscar com o coração puro! Compromete-te com Deus, e então verás que precisamente assim a tua vida se há-de tornar ampla e iluminada, não tediosa, mas repleta de surpresas infinitas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota!".

Neste dia de festa, queremos agradecer ao Senhor o grande sinal da sua bondade, que nos concedeu em Maria, sua Mãe e Mãe da Igreja. Queremos pedir-lhe que ponha Maria no nosso caminho, como luz que nos ajuda a tornar-nos também nós luz e a levar esta luz pelas noites da história. Amém!

Papa Bento XVI in 'Homilia da Santa Missa da Imaculada Conceição' (Vaticano, 8 de Dezembro de 2005)


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sexta-feira, 18 de junho de 2021

É estranha a quantidade de inimigos que temos de combater quando decidimos ser santos

É estranha a quantidade de inimigos que temos de combater quando decidimos ser santos. Parece que tudo se desata: o demónio com os seus artifícios, o mundo com as suas atrações, a natureza opondo resistência aos nossos bons desejos; os elogios dos bons, as censuras dos maus, as solicitações dos tíbios. 

Quando Deus nos visita, temos de recear a vaidade; quando Ele Se retira, a timidez e o desespero podem suceder ao maior fervor. Os nossos amigos tentam-nos com a complacência que temos por eles; os indiferentes, com o receio de lhes desagradarmos. Em estado de fervor, tememos a indiscrição, na moderação, tememos a sensualidade, e o amor próprio espreita-nos por todos os lados. Que havemos, pois, de fazer? [...]

Uma vez que a santidade não consiste em ser fiel um dia ou um ano, mas em perseverar e crescer até à morte, convém sobretudo que Deus seja o nosso escudo, mas um escudo que nos rodeie, uma vez que somos atacados por todos os lados (cf Sl 90,4). Convém que seja Deus a fazer tudo; assim, não teremos receio de que nos falte seja o que for. 

Por nós, basta-nos reconhecer a nossa impotência e ser fervorosos e constantes em pedir socorro, por intercessão de Maria, a Deus, que nada recusa. E nem disto somos capazes, a não ser com uma grande graça, ou antes, com várias grandes graças de Deus.

São Cláudio de la Colombière in 'Diário Espiritual'


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quinta-feira, 22 de abril de 2021

A melhor coisa deste mundo e do outro é ser santo

"A melhor coisa deste mundo e do outro é ser santo. A razão é clara: porque a melhor coisa absolutamente é Deus; e os que mais participam de Deus, são os que neste mundo vivem em sua graça, e no outro em sua glória; e estes são os Santos."


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