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sábado, 14 de março de 2026

Nossa Senhora e os Apóstolos viviam a Quaresma?

Uma das referências mais antigas à Quaresma está nos sermões do Papa Leão Magno (+461) do século V. O Papa São Leão Magno dizia que os quarenta dias de Quaresma foram instituídos pelos Apóstolos: “ut apostolica institutio quadraginta dierum jejuniis impleatur” (Patrologia Latina 54, 633).

“Que a instituição Apostólica dos quarenta dias seja cumprida pelo jejum.”

S. Jerónimos (+420) e Sócrates (+ 433), historiador da Igreja,  também assumiram a instituição apostólica dos quarenta dias de jejum antes da celebração da ressureição de Cristo. Actualmente, os historiadores modernos têm dúvidas sobre a prática da Quaresma no primeiro século.

Os escritos de Eusébio são citados muitas vezes como prova de que a Igreja inicialmente não conhecia aquilo a que nós chamamos Quaresma. Eusébio, na História da Igreja (5, 24), relacionou a epístola de Santo Ireneu ao Papa São Víctor (reinou de 189 a 199) com a controvérisa pascal (da Páscoa) do século II. Não só havia confusão sobre a data da Páscoa (ou o 14º Nisan [nome do mês sírio] ou o Domingo depois do 14º Nisah), mas os cristãos também debatiam sobre se o jejum antecedente devia ser um dia, dois dias ou quarenta horas. Parece que nem os Cristãos romanos nem os Cristãos orientais conheciam o jejum de "40 dias" antes da Páscoa.

No entanto, por volta dos século IV, os "quarenta dias" de jejum antes da Páscoa pareciam ser universalmente cumpridos. A carta de Páscoa de S. Atanásio, no ano 331, conta que todos os cristãos de Alexandria (Egipto) mantinham um jejum de "quarenta dias" antes da Páscoa. Na carta pascal, do ano 339, menciona como os "quarenta dias" de jejum antes da Páscoa são universalmente mantidos por todas as igrejas: "até ao fim em que todo o mundo está a jejuar, nós que estamos no Egipto não nos devíamos tornar nuns foliões como as únicas pessoas que não jejuam mas têm prazer nesses dias."

O quinto ponto do Concílio de Niceia, ano 325, também confirma que os "quarenta dias" são guardados como dias de penitência antes da Páscoa.

Parece-me que a Santíssima Virgem Maria e os Apóstolos cumpriam mesmo os quarenta dias de Quaresma, tal como defendiam S. Jerónimo e o Papa S. Leão Magno. "Mas então e aquela maldita citação de Eusébio?!"

Primeiro, S. Jerónimo e S. Leão saberiam dessa citação. O relato histórico de Eusébio era bem conhecido. Isso não os impediu de afirmar que os primeiros cristãos viviam um tempo de quarenta dias de jejum antes da Páscoa.

Os Apóstolos instituiram um jejum estricto para ser guardado "no dia em que o Esposo lhes será tirado" (Lc 5, 35) - o dia a que chamamos Sexta-feira Santa. A tradição de "quarenta horas" mencionada por S. Ireneu refere-se, provavelmente, ao tempo estimado que Cristo esteve no túmulo (15h de Sexta até à madrugada de Domingo). Consequentemente, o jejum apostólico começou naquilo a que chamamos Sexta-Feira Santa e acabou na Páscoa. Eusébio aqui está a falar sobre o "jejum estricto" antes da Páscoa - e não na época de preparação de 40 dias. Não devemos confundir os dois.

É claro, não podemos voltar atrás no tempo com uma câmera de filmar e descobrir com certeza. No entanto, temos o testemunho de grandes santos que estavam perto dos acontecimentos (Atanásio, Jerónimo, Concílio de Niceia, Gregório Magno). Tal como deve acontecer para a maior parte dos Católicos, quando em dúvida, sigam os Padres da Igreja!

Para os interessados, tanto Maria de Agreda como Ana Catarina Emmerich descrevem a Santíssima Virgem Maria a viver um jejum de quarenta dias.

Taylor Marshall


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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Papa Bento XVI: Jesus nasceu mesmo no dia 25 de Dezembro

No seu livro ‘Introdução ao Espírito da Liturgia’, o Cardeal Joseph Ratzinger menciona uma tradição judaica que apresenta 25 de Março como o dia em que Abraão quase sacrificou Isaac no Monte Moriá. O Monte Moriá é Jerusalém (ver 2Cro 34, 1) e 25 de Março foi o dia em que Cristo foi crucificado. Penso que conseguem ver que há aqui um paralelismo temporal e geográfico. Vemos que o Pai oferece voluntariamente o Seu Filho Unigénito.

Ratzinger escreve também que se pensa ter sido 25 de Março o primeiro dia da Criação. Assim sendo, este dia tem um significado cósmico. Resumindo: 25 de Março era a data apontada para a Criação do Mundo, para o sacrifício de Abraão e para o sacrifício do Filho de Deus.

No mesmo livro, o Cardeal Ratzinger observa também que o dia da morte de Cristo também era reconhecido como o dia em que ele foi concebido pelo Espírito Santo no ventre da Santíssima Virgem Maria. 25 de Março teria sido, então, também o dia da anunciação do Arcanjo Gabriel. Acrescentem-lhe nove meses e chegam a 25 de Dezembro como o dia do Seu nascimento.

Depois, Joseph Ratzinger refuta aquilo a que ele chama “as velhas teorias” que ensinam que 25 de Dezembro foi escolhido para substituir os feriados pagãos. Pelo contrário, o Santo Padre reconhece 25 de Dezembro como o verdadeiro dia do nascimento de Cristo Senhor. Ele vai mais além ao dizer que este alinhamento de significados tem um significado litúrgico.

O Papa São Leão Magno falou do significado cósmico do nascimento de Cristo na profundidade do Inverno:

“Mas esta Natividade que deve ser adorada no Céu e na Terra é-nos sugerida por nenhum outro dia que não este quando, com a luz matinal ainda a derramar os seus raios na Natureza, nasce sobre os nossos sentidos o esplendor deste mistério maravilhoso.” (São Leão Magno, Sermão 26)

Para além disso, o Papa Bento XIV argumentou ainda que os padres da igreja deviam saber o dia certo do nascimento de Cristo pelos censos romanos.

Taylor Marshall


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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Nossa Senhora é a Medianeira de TODAS as graças?

Maria é a Medianeira de Todas as Graças? Esta é uma questão de duas partes. Primeiro, Maria é "medianeira"? (o sufixo latino -tor denota o agente masculino e o -trix latino denota o agente feminino - como embaixador e embaixatriz - Mediador e Mediatriz [N.T.: no português tradicionalmente usa-se medianeira em vez de mediatriz]) Segundo, se ela é uma medianeira, é medianeira de todas as graças?

Maria é uma medianeira?
Antes de falar sobre este nome, é importante confirmar logo no início que a mediação de Maria não viola as palavras de São Paulo no que toca ao sacerdócio medianeiro de Jesus Cristo, quando escreve: “Porque só há um Deus, e só há um Mediador entre Deus, e os homens que é Jesus Cristo homem” (1Tim 2, 5)

Cristo é o único mediador entre Deus e os homens porque Ele é totalmente Deus e totalmente homem. Visto que Ele se ofereceu a Si mesmo como um sacrifício perfeito a Deus, só Ele sozinho pode redimir a humanidade do pecado. No entanto, São Lucas recorda que Santo Simeão profetizou a Maria que também ela iria sofrer com o Seu divino Filho: “..e será esta uma espada que trespassará a tua alma, a fim de serem revelados os pensamentos que muitos terão escondidos nos corações” (Lucas 2, 35).

Os Padres da Igreja identificaram a "espada que trespassará" a alma de Maria como o momento em que Maria viu o seu Filho morrer na cruz, e ainda mais quando pegou nos braços o Seu corpo frio e sem vida. A sua presença silenciosa e materna, em conjunto com o sacrifício do sumo sacerdócio de Cristo, envolve-a no sacrifício de Cristo de uma maneira única. Considerem isto: o Filho de Deus adquiriu a Sua carne e sangue a partir da carne e do sangue dela. Jesus pôde morrer por nós porque ela Lhe deu um corpo.

Jesus e Maria na cruz são o Adão e a Eva redemptores. Eva uma vez olhou para uma árvore para obter o fruto contra a lei. Agora Maria, como a Nova Eva, olha para a árvore onde está "o fruto do Seu ventre". Ela não clama pelos direitos deste Fruto, mas oferece-O com toda a vontade ao Pai. O Novo Adão está suspenso na madeira por cada pecador. A Nova Eva fica lá em tristeza.

A mediação de Maria é baseada na sua íntima união e consentimento à Paixão e Morte de Cristo. Mais ainda, encontramos na Escritura que Jesus vem ao mundo através de Maria, literalmente. Sta. Isabel e o seu bébé, S. João Baptista, enchem-se do Espírito Santo quando Sta. Isabel ouve a voz de Maria. Jesus faz o Seu primeiro milagre em Caná sob o pedido de Maria. E mais, Maria está presente no Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre o Apóstolos. Tal como a voz de Maria foi o instrumento que levou a graça a Sta. Isabel, também Maria é o instrumento pessoal pelo qual as graças fluem de Cristo para nós. S. Bernardo de Claraval chamava-lhe "aqueduto de graça".

A Festa Litúrgica: Medianeira de Todas as Graças
Em 1921, o Papa Bento XV, respondendo a petições de bispos da Bélgica, estabeleceu o dia da festa anual de "Maria Medianeira de Todas as Graças". Esta festa foi incluída no Missale Romanum sob o título "Omnium Gratiarum Mediatricis" para a data de 31 de Maio. Se tiverem um Missal em Latim pré-conciliar, normalmente conseguem encontrá-la lá (procurem a Missae pro aliquibus locis). Dois dos meus missais incluem a festa.

A primeira leitura para esta festa é Isaías 55, 1-5 e o Gradual é a famosa passagem de Eclesiástico: "Eu sou a mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa esperança. Em mim está toda a graça do caminho e da verdade, em mim está toda a esperança de vida e de virtude.” (Sir 24, 24-25) A leitura do Evangelho para a festa são os acontecimentos da paixão mariana de João 19, 25-27.

A inclusão por Bento XV de uma festa para "Maria Medianeira de Todas as Graças" tornou a doutrina popular. Quando começou o Concílio Vaticano Segundo (1962), havia uma pressão entre os bispos para declarar formalmente a Santíssima Virgem Maria como "Medianeira de Todas as Graças". Esta tentativa acabou por ser reformulada e ela acabou por ser declarada como "Mãe da Igreja", um título mais suave, mas também bonito. Foi preferido "Mãe da Igreja" visto que definia a verdade de uma forma mais eclesial.

Podem encontrar esta definição de "Mãe da Igreja" no Capítulo VIII da Lumen Gentium. Ainda assim, a Lumen Gentium 8 acaba por referir-se a Maria Imaculada como "advogada, auxiliadora, socorro, medianeira". Notavelmente, o qualificador "de Todas as Graças" não foi incluído no texto final da Lumen Gentium, apesar de ter sido proposto.

Será que o Papa Bento XV foi longe demais?
Portanto, é matéria de fé que a nossa Santíssima Mãe é uma "Medianeira"... mas será ela a "Medianeira de Todas as Graças"? A maior parte dos Católicos não têm problema com o título "Medianeira", no entanto eu reparo que alguns Católicos vacilam quando ouvem "Medianeira de Todas as Graças." O Papa Bento XV foi longe demais ao adicionar "de Todas as Graças"?

O título completo a incluir "todas as graças" é controverso. Alguns protestam que Maria não poderia nunca ser a medianeira de todas as graças no Antigo Testamento, visto que ainda não existia. Mais ainda, podia ela ser a medianeira de todas as graças enquanto ainda estava na terra? Será que ela só ficou medianeira de todas as graças depois do Pentecostes ou, talvez, apenas depois da sua gloriosa Assunção? E ainda assim, será que ela é medianeira tanto das graças actuais como da graça sacramental? Isto é, as graças do baptismo e da Sagrada Eucaristia passam pelas mãos dela?

Duas questões difíceis relacionadas com "de todas as graças"
1) Quando é que Maria se tornou a medianeira de todas as graças. Desde sempre? Na Imaculada Conceição? Na Crucifixão? No Pentecostes? Na Assunção?

2) Quando dizemos "todas as graças" queremos dizer "cada graça" ou "todos os tipos de graça" ou "todos os tipos de graça actual"?

Eu sou pela posição extrema. Insisto que ela é a medianeira de cada graça que alguma vez foi dada à Humanidade, de Adão até ao último instante de tempo. É verdade que ela ainda não existia, no entanto ela é a medianeira de todas essas graças.

O Novo Adão como Mediador. A Nova Eva como Medianeira.
Como é que se pode dizer tal coisa? O argumento depende da antiga reputação de Nossa Senhora como a Nova Eva e da reputação de Cristo como Novo Adão. Cada graça é absolutamente mediada através de Cristo, visto que ele é totalmente Deus e totalmente homem. Ele é necessariamente e absolutamente o mediador da humanidade. No entanto, Ele medeia esta graça para a humanidade por virtude da Sua Encarnação e da Sua morte e através do Espírito Santo.

Já Maria, como Nova Eva, foi o instrumento da Encarnação e tinha o papel primário na Crucifixão e na descida do Espírito Santo no Pentecostes. Descobrimos assim que a Escritura a liga com estes três momentos da mediação absoluta de Cristo.

Sabemos também que todas as graças do Antigo Testamento foram mediadas em antecipação da Encarnação e Morte de Cristo. Visto que a carne de Maria e a sua cooperação são necessárias para a Encarnação e Morte de Cristo, estas graças também são mediadas com o seu papel em mente. É por isso que o Papa Pio IX diz que o decreto da predestinação de Cristo é um só com o de Maria.

Ou seja, as graças do Antigo Testamento foram mediadas à luz dela, ainda que não directamente concedidas por ela. Aqui distinguimos o termo "mediar" do termo "conceder". Maria Imaculada tem sido sempre a Medianeira de Todas as Graças, mas tornou-se Dispenseira de Todas as Graças na sua gloriosa Assunção.

Ainda se podia tomar uma opção mais extrema e dizer que Maria se tornou a Dispenseira de cada graça a partir do momento da sua Imaculada Concepção. Isto iria precisar que desde o seu primeiro momento ela teve uma enorme infusão de conhecimento mesmo ainda na barriga de Santa Ana. Eu não tenho bem a certeza de que isto tenha acontecido, no entanto não culparia ninguém que pensasse assim. Parece que Santo Afonso Maria de Ligório possa ter tido esta posição, no entanto não consigo perceber bem (ficaria agradecido se algum afonsista me ajudasse neste ponto.)

E no que toca à Escritura?
Sabemos que a santificação e confirmação na graça de São João Baptista enquanto ainda estava na barriga de sua mãe aconteceu através da mediação da voz de Maria. “Porque assim que chegou a voz da tua saudação aos meus ouvidos, logo o Menino deu saltos de alegria no meu ventre.” (Lucas 1, 44)

Tanto as liturgias gregas como as latinas aplicam Eclesiástico 24 como a profecia da Santíssima Virgem Maria. A passagem diz "Eu sou a mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa esperança. Em mim está toda a graça do caminho e da verdade, em mim está toda a esperança de vida e de virtude.” (Sir 24, 24–25) 

Maria é a "Mãe do Amor Formoso" e nela "está toda a graça." Portanto, aqui está uma profecia do Antigo Testamento sobre o título de Maria como Medianeira de Todas as Graças. Como se disse acima, a presença de Nossa Senhora na Concepção, Natividade, Vida, Morte e Ascensão do Senhor e depois Pentecostes revelam o seu cargo de mediação abaixo de Cristo.

Maria medeia a Graça Sacramental?
No que toca à graça sacramental, Santo Cirilo de Alexandria, quando falava aos Padres do Concílio de Éfeso (ano 431) disse que a graça do baptismo, confirmação e sagradas ordens chegam à Igreja através de Maria.

Pensemos nos sete sacramentos e veremos que isto faz sentido:
- O Baptismo remove a mancha de Eva (Maria é a Nova Eva), dá-nos o Espírito Santo (o Esposo de Maria) e une-nos à morte e ressureição de Cristo (Maria medeia sob a cruz);
- A Confirmação é o sacramento que confere a graça do Pentecostes a cada um de nós. Maria é a Esposa do Espírito e estava presente no Pentecostes;
- A Sagrada Eucaristia é o Corpo e Sangue de Cristo. Esta carne e sangue do Logos Eterno vieram do ventre da Santíssima Virgem Maria. Não há Mãe humana? Não há Corpo e Sangue;
- A Confissão é a aplicação do mérito e sangue de Cristo ao pecador. A presença mediadora de Maria sob a Cruz confirma o seu papel neste sacramento;
- A Extrema Unção é o sacramento que prepara o fiel para a morte. Cristo deu a Maria domínio sobre a "hora da morte" e sobre o Purgatório devido ao seu desejo de morrer uma morte humana, mesmo tendo permanecido sem pecado. Ela queria morrer para se identificar mais perfeitamente com Cristo. Isto também é previsto por Ben Sirá: “Penetrarei em todas as partes da terra, visitarei todos aqueles que dormem, iluminarei todos os que confiam no Senhor. ” (Sir 24, 45)

As Sagradas Ordens são o mistério do sacerdócio e Cristo tornou-se o Sumo Sacerdote da Humanidade por virtude da Sua Encarnação. No entanto, Maria era absolutamente necessária para a Sua chegada à natureza humana. Não havia Mãe? Não havia Encarnação? Mais uma vez, a presença de Maria na Cruz confirma o seu papel aqui, visto que Cristo exerceu manifestamente o Seu sacerdócio na Cruz.

O Santo Matrimónio foi elevado à dignidade de sacramento nas Bodas de Caná. O milagre de Cristo e a bênção nas Bodas de Caná ocorrem por mediação directa de Maria. Assim, também ela é medianeira da graça sacramental do Santo Matrimónio.
Portanto, é fácil ver que a Escritura liga Maria a todos os sete sacramentos. Enquanto que alguns se opõem à posição de que Maria é a medianeira da graça sacramental, eu vejo todas as razões para afirmar que ela é a medianeira da graça sacramental.

Em suma, confirmámos o seguinte:

A mediação de Maria não entra em conflito com a mediação de Cristo, mas é a forma mais alta de sub-mediação abaixo de Cristo. Ela é o aqueduto que traz a graça e méritos infinitos de Cristo.

O Papa Bento XV instituiu a festa litúrgica de Maria, Medianeira de Todas as Graças.
A mediação universal de Maria está vinculada pelo seu nome de Nova Eva. Cristo é o Novo Adão e o seu trabalho redentor é universal. Consequentemente, a sub-mediação de Maria é universal.

Todas as graças, mesmo aquelas do Antigo Testamento são mediadas através do ministério do Novo Adão e da Nova Eva. Apesar de Maria ainda não existir, as graças antes do Novo Testamento foram dadas em expectativa de um Novo Adão e de uma nova Eva - Jesus e Maria.

Mesmo as graças sacramentais são mediadas e aplicadas por Maria Imaculada. A Sagrada Escritura mostra que as graças e dons associados a cada sacramento (ex: o derrame do Espírito Santo na Confirmação) foram conquistados através de Maria (ex: quando Santa Isabel e São João Baptista se encheram com o Espírito Santo).

Taylor Marshall


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domingo, 6 de abril de 2025

Imagens e Crucifixos cobertos a partir deste Domingo da Paixão

Por que razão se tapam as imagens desde o Domingo da Paixão (quinto Domingo da Quaresma)? 

Tradicionalmente, as duas semanas do tempo "da Paixão" começam no quinto Domingo da Quaresma. A primeira semana é a Semana da Paixão e a segunda semana é a Semana Santa.

A leitura tradicional do Evangelho para este Domingo foca-se no ódio crescente das autoridades judaicas contra Cristo. Acusam-nO de ser um samaritano, de fazer feitiços, de blasfémia e de estar possuído por Satanás. Não pensam em Cristo como "um bom mestre". Julgam que é um agente demoníaco.

A antiga leitura do Evangelho no Primeiro Domingo da Paixão (o quinto Domingo da Quaresma) do capítulo oitavo do Evangelho de S. João acaba com estas palavras “Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou". (Jo 8, 59)

De acordo com Santo Agostinho, neste momento quando "Jesus se ocultou", Cristo ficou de facto invisível devido à Sua natureza divina. Santo Agostinho escreve:

"Ele não se esconde a Si mesmo num canto do templo, como se tivesse medo, ou a correr para uma casa, ou desviando-se para trás de uma parede ou coluna: mas pelo Seu Poder Divino, fazendo-se a Si mesmo invisível, passa pelo meio deles."

Para ajudar a exprimir este mistério, as estátuas e imagens Católicas são tapadas com véus roxos desde as Vésperas do fim de tarde antes do Domingo da Paixão. Jesus "esconde-Se a Si mesmo".

As estátuas permanecem cobertas até ao Glória de Sábado Santo. Este é o momento em que acaba o jejum da Quaresma e começa a glória da Páscoa. Este desvelar revela Cristo que se revelou a si mesmo como ressuscitado e vitorioso.

Também é um costume piedoso para os leigos Católicos cobrirem com véus roxos as imagens e estátuas de casa durante a época da Paixão.

A nossa Fé Católica é tão rica! Assegurem-se que ensinam aos vossos filhos e netos estas tradições antigas e bonitas!

Taylor Marshall


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quinta-feira, 7 de março de 2024

As minhas 3 histórias preferidas da vida de São Tomás de Aquino

S. Tomás de Aquino é um gigante teológico. As suas obras são imensas. O seu intelecto é incomparável. Era um filósofo profundo. Foi dos maiores exegetas bíblicos da Igreja. É raro o dia que passa em que eu não me refira às suas obras. No entanto, devemos lembrar que S. Tomás de Aquino foi um homem de enorme santidade. Tomás era um frade dedicado a santificar o seu trabalho diário. Para vos dar uma visão da sua vida santa, permitam-me partilhar três episódios que se destacam a este respeito.

Primeiro Episódio: O cinto angélico

Como sabem, a família de S. Tomás fechou-o na torre da família para o "dissuadir" de se tornar um frade dominicano. Eles queriam que ele se tornasse um Abade Beneditino. Deram entrada no seu quarto a uma prostituta e ele perseguiu-a com um tronco a arder (ver figura acima). O que se passou a seguir é impressionante. Com o tronco queimado ele desenhou uma cruz na parede do quarto e ajoelhou-se em veneração. Imediatamente dois anjos da pureza apareceram e colocaram um cinto angélico à volta da sua cintura. A partir deste dia ele nunca mais sofreu um pensamento ou acção de luxúria em toda a sua vida. Esta santa pureza é a chave para o enorme intelecto de S. Tomás.

Eu uso o cinto de São Tomás de Aquino. É um sacramental em que um sacerdote dominicano vos pode enrolar. É um sinal e uma oração pela santa pureza.

Segundo episódio preferido: Conversas com S. Pedro e S. Paulo

Os comentários de S. Tomás às Epístolas de S. Paulo são, provavelmente, os melhores de todos os tempos. Os seus comentários da Carta aos Romanos e Hebreus são do outro mundo. Poucos percebiam como é que S. Tomás podia ter esta visão das Epístolas.

O secretário de S. Tomás, Frei Reginaldo, ouvia-o às vezes a conversar com homens na sua cela. Quem eram estes homens misteriosos? Isto foi contado ao prior que ordenou sob santa obediência que S. Tomás revelasse a natureza destas conversas.

Muito relutantemente, S. Tomás revelou que S. Pedro e S. Paulo o visitavam na sua cela e explicavam-lhe o significado das suas palavras nas Epístolas! Não admira que S. Tomás escrevesse comentários tão brilhantes! Ele estava a ser ensinado pelos próprios santos Apóstolos em relação ao seu significado.

Terceiro Episódio Preferido: A visão do dia de S. Nicolau

Na festa de São Nicolau (6 de Dezembro) do ano antes de morrer, São Tomás teve uma visão enquanto celebrava o Santo Sacrifício da Missa. De seguida, contou a Frei Reginald que não ia continuar a escrever a sua Summa Theologiae, visto que tudo o que ele tinha escrito "parecia palha" comparado com o que tinha visto. O que é que ele viu naquele dia? Ninguém sabe. No entanto este episódio revela que São Tomás era um grande místico. Não se deixava levar pelo orgulho intelectual. Tinha um amor enorme e apaixonado por Cristo. Este tornava-se real no contexto da Sagrada Eucaristia.

Estes são apenas três dos muitos grandes episódios da vida de S. Tomás de Aquino.

Taylor Marshall


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sábado, 23 de dezembro de 2023

Jesus nasceu mesmo no dia 25 Dezembro: Maria e a Tradição

Perguntem a qualquer Mãe sobre o nascimento dos seus filhos. Ela vai dizer-vos não só a data do nascimento, mas também será capaz de recitar a hora, o local, o tempo, o peso do bébé, o comprimento do bébé e um número de outros detalhes. Eu sou pai de seis filhos abençoados e enquanto que eu algumas vezes me esqueço destes detalhes (mea maxima culpa), a minha mulher não. 

Iria a Santíssima Virgem Maria alguma vez esquecer-se do nascimento do seu Filho Jesus Cristo, que foi concebido sem semente humana, anunciado pelo Anjo Gabriel, nascido de uma forma milagrosa e visitado por Magos? Ela sabia desde o momento da Sua Divina Encarnação no seu ventre que Ele era o Filho de Deus e Messias. Iria ela alguma vez esquecer este dia?

Estariam os Apóstolos interessados em ouvir Maria contar esta história? Claro! Pensam que o santo Apóstolo que escreveu "E o Verbo fez-se carne" não estaria interessado nos detalhes minuciosos do Seu nascimento? Portanto o aniversário exacto (25 de Dezembro) e a hora (meia-noite) deveriam ser conhecidos já no primeiro século. 

Os Padres da Igreja testemunham o 25 de Dezembro

Testemunhos seguintes revelam que os Católicos afirmavam 25 de Dezembro como o Nascimento de Cristo antes da conversão de Constantino e do Império Romano.

O Papa S. Telésforo (reinou de 126 e 137) instituiu a tradição da Missa à Meia-noite na Véspera de Natal. Apesar do Liber Pontificalis não nos dar a data do Natal, este assume que o Natal já era celebrado pelo Papa e que tinha sido acrescentada uma Missa à meia-noite. 

Cerca de 70 anos mais tarde, S. Hipólito escreve de passagem que o nascimento de Cristo ocorreu numa Quarta-Feira dia 25 de Dezembro. Santo Hipólito escreveu algures entre 200 e 211! Eis a citação:
"O Primeiro Advento [vinda] de nosso Senhor na carne ocorreu quando Ele nasceu em Belém, era 25 de Dezembro, uma Quarta-Feira, quando Augustus estava no seu quadragésimo segundo ano, que é cinco mil e quinhentos anos desde Adão. Ele sofreu no trigésimo terceiro ano, dia 25 de Março, Sexta-Feira, do décimo oitavo ano de Tiberius Caesar, enquanto Rufus e Roubellion eram Cônsules."
Santo Hipólito de Roma, Comentário a Daniel
Reparem também na citação acima no significado especial de 25 de Março, que marca a morte de Cristo (25 de Março era visto como o correspondente ao mês hebraico Nisan 14 - a data tradicional da crucifixão).**

Acreditava-se que Cristo, como homem perfeito, tinha sido concebido e morto no mesmo dia (25 de Março). No seu Chronicon, Santo Hipólito diz que a terra foi criada no dia 25 de Março, 5500 a.C. Então, 25 de Março era identificado pelos Padres da Igreja como:

  • a data da Criação do Mundo
  • a data da Anunciação e Encarnação de Cristo
  • a data da Morte de Cristo nosso Salvador
Na Igreja Síria 25 de Março ou a festa da Anunciação era vista como uma das festas mais importantes do ano inteiro. Indicava o dia em que Deus assumiu a sua morada no ventre da Virgem. De facto, a Anunciação e a Sexta-Feira Santa apareciam em conflito no calendário, a Anunciação superava-a - tão importante que era na tradição síria! Isto sem dizer que a Igreja Síria preservou algumas das mais antigas tradições cristãs e tinha um profunda e doce devoção por Maria e a Encarnação de Cristo!

25 de Março era consagrado na mais antiga tradição Cristã e a partir desta é fácil descobrir a data do nascimento de Cristo. 25 de Março (Cristo concebido pelo Espírito Santo) mais nove meses leva-nos a 25 de Dezembro (o nascimento de Cristo em Belém).

Santo Agostinho confirma esta tradição de 25 de Março como a concepção messiânica e 25 de Dezembro como o Seu Nascimento:
“Porque se acredita que Cristo foi concebido a 25 de Março, dia em que também sofreu; portanto o ventre da Virgem, onde Ele foi concebido, onde nenhum mortal foi gerado, corresponde ao novo sepulcro onde ele foi sepultado, onde nenhum homem alguma vez esteve nem antes nem desde então. Mas ele nasceu, de acordo com a tradição, a 25 de Dezembro.” 
Santo Agostinho, De trinitate, Livro IV, 5 
Por volta do ano 400, Santo Agostinho também notou como os donatistas cismáticos se recusavam a celebrar a Epifania a 6 de Janeiro, visto que viam a Epifania como uma nova festa sem base na Tradição Apostólica. O cisma donatista começou em 311, o que pode indicar que a Igreja Latina estava a celebrar o Natal a 25 de Dezembro (mas não uma Epifania a 6 de Janeiro) antes disso.

Taylor Marshall


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segunda-feira, 13 de março de 2023

7 razões para a confissão frequente durante a Quaresma

1. A absolvição sacerdotal é um dom generoso que Jesus nos deu

Jesus Cristo deu-nos este Sacramento e quer que, através dele, aproveitemos a Sua graça. Ele disse aos Seus primeiros sacerdotes, os Apóstolos: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados." (Jo 20, 22)

Jesus deu-nos este sacramento de graça e perdão porque nos ama. É um dom divino de misericórdia e amor - não é meramente uma obrigação.

2. Somos pecadores

Somos pecadores, temos de examinar o pecado nos nossos corações e ter um sacerdote que nos dê a absolvição, conselho e penitência. "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós." (1Jo 1, 8)

Muitas vezes não somos honestos com os nossos corações e é preciso um "médico de almas" objectivo para nos ajudar a diagnosticar espiritualmente. Se se magoassem na mão ou nas costas iriam ao médico. Se feriram a alma com o pecado, não deveriam ir ter com um sacerdote?

3. Confissão significa Graça

A Confissão não deveria meter medo. É pacíficadora. Ficamos contentes com os baptismos, casamentos e ordenações. Por que não com este remédio para a mais importante batalha das nossas vidas?

4. Podem ter cometido um pecado mortal

O pecado mortal existe: "Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte." (1Jo 5, 16)

O pecado mortal é mortal e separa as nossas almas da vida eterna que existe dentro da Santíssima Trindade. A contrição e a absolvição sacerdotal restabelecem os nossos corações no amor a Deus e aos outros. A absolvição infunde a graça nas nossas almas com graça.

5. A culpa é desagradável

Muitas vezes Satanás carrega-nos com a culpa. A culpa pode ser uma coisa boa se transformada em arrependimento. Por isso, livrem-se da vossa culpa e oiçam uma pessoa concreta com autoridade sacerdotal dizer, "Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."

6. A Confissão une-vos mais à Igreja

Quando se confissam a um sacerdote, reconhecem que pecaram não só contra Deus mas contra cada um dos outros Cristãos porque, pelo vosso pecado, enfraqueceram o testemunho da vida cristã. Deram ao não-crente a desculpa de que "todos os Cristãos são hipócritas." Quando vão à Confissão reconhecem que fizeram os outros Católicos sofrer por causa dos vossos pecados.

"Se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele." (1Cor 12, 26)

O sacerdote, que representa Deus e a Igreja pela sua ordenação e cargo, recebe o vosso arrependimento e, assim, têm a certeza não só do perdão de Deus mas também do perdão implícito da Igreja inteira.

7. Receber a Sagrada Comunhão torna-se ainda mais poderoso

Quando comungam recebem o verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. Depois da confissão passam a ter uma união com Cristo mais forte na Eucaristia. Além disso, se estiverem em pecado mortal não devem NUNCA receber a Eucaristia implicaria a vossa condenação eterna! A confissão cura e aprofunda a vossa devoção ao Santíssimo Sacramento.

Taylor Marshall


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Jesus nasceu mesmo no dia 25 de Dezembro?

Hoje em dia normalmente assume-se que Nosso Senhor Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro. Vou argumentar que esta assumpção é factualmente incorrecta, e que Cristo nasceu no final de Dezembro. Primeiro permitam-me contra-argumentar umas três objecções comuns à datação do nascimento de Cristo a 25 de Dezembro.

Objecção 1: 25 de Dezembro foi escolhido para substituir a festa romana pagã da Saturnália. A Saturnália era um festival popular de inverno e portanto a Igreja Católica prudentemente substituiu o Natal em seu lugar.

Resposta à objecção 1: A Saturnália celebra o solstício de Inverno. No entanto o solstício de inverno calha a 22 de Dezembro! É verdade que as celebrações da Saturnália começavam tão cedo como 17 de Dezembro e se estendiam até 23 de Dezembro. No entanto, as datas não correspondem.

Objecção 2: 25 de Dezembro foi escolhido para substituir o feriado pagão romano Natalis Solis Invicti ("Nascimento do Sol Invencível")

Resposta à objecção 2: Comecemos com o culto do Sol Invencível. O Imperador Aurélio introduziu o culto do Sol Invictus ("Sol Invencível") em Roma a 274 AD. Aurélio encontrou tensão política com este culto, porque o seu próprio nome "Aurélio" deriva da palavra latina aurora que quer dizer "nascer do Sol". As moedas revelam que o Imperador Aurélio se chamava a si mesmo Pontifex Solis ou "Pontífice do Sol". Assim, Aurélio simplesmente ajustou um culto solar genérico e identificou-o com o seu nome até ao fim do terceiro século.

Mais importante ainda, não existe registo histórico de uma celebração do Sol Invictus a 25 de Dezembro antes de 354 AD. Mesmo em 354 AD, a data é designada simplesmente por "Invictus" sem falar num aniversário. A data só se tornou explicitamente o "nascimento do Sol Invencível" sob (tambores por favor) o Imperador Juliano, o Apóstata, que tinha sido Cristão mas que tinha apostatado e regressado ao paganismo romano. A história revela que foi um Imperador Cristão (que odiava Cristo) que erigiu uma festa pagã a 25 de Dezembro. Pensem nisto por um bocado.

Porque é que tudo isto interessa? Significa que o Sol Invencível não era uma divindade muito popular no Império Romano. Isto implica que as plebes romanas não precisavam de ser desligadas de um feriado dito tão antigo. Mais ainda, a tradição de uma celebração a 25 de Dezembro encontrou lugar no calendário romano depois da cristianização de Roma. O feriado do "nascimento do Sol Invencível" era dificilmente tradicional e pouco popular. A Saturnália (mencionada em cima) era muito mais popular, tradicional e divertida. Parece, antes, que Juliano, o Apóstata, tentou introduzir um feriado pagão com o objectivo de substituir o feriado Cristão!

Objecção 3: Cristo não podia ter nascido em Dezembro, visto que S.Lucas descreve pastores a pastorear nos campos perto de Belém. Os pastores não saem durante o Inverno. Logo Cristo não nasceu no Inverno.

Resposta à Objecção 3: Esta objecção é a pior de todas. Lembrem-se que a Palestina não é a Inglaterra, a Rússia ou o Alasca. Belém tem latitude de 31,7. A minha cidade de Dallas, Texas, tem uma latitude 32,8 e ainda é confortável na rua em Dezembro. Como o grande Cornelius a Lapide nota, durante o seu tempo de vida uma pessoa podia ver pastores e ovelhas nos campos de Itália durante os últimos dias de Dezembro... e a Itália é geograficamente a Norte de Belém.

Agora seguimos para estabelecer o aniversário de Cristo a partir da Sagrada Escritura em dois passos:

Passo Um: Determinar o Aniversário de João Baptista

Podemos descobrir que Cristo nasceu no final de Dezembro reparando primeiro na altura do ano em que S. Lucas descreve S. Zacarias no templo Isto dá-nos uma data aproximada da concepção de S. João Baptista. A partir daqui podemos seguir a cronologia que S. Lucas dá e isso calha mesmo precisamente no fim de Dezembro.

S. Lucas diz que Zacarias serviu no "curso de Abias" (Lc 1, 5) que a Escritura recorda como o oitavo curso entre os 24 cursos sacerdotais (ver Nh 12, 17). Cada curso servia uma semana no templo duas vezes por ano. O curso de Abias servia durante a oitava e a trigésima segunda semana do ciclo anual.* No entanto, quando é que o ciclo dos cursos começava?

Consultanto a pesquisa académica de Friedlieb (Leben J. Christi des Erlösers, Münster, 1887, p. 312), descobrimos que o primeiro curso sacerdotal de Jojarib estava em serviço durante a destruição de Jerusalém, no 9º dia do mês judeu de Av. Assim o curso sacerdotal de Jojarib estava em serviço durante a segunda semana de Av. Isto significa, sem dúvida nenhuma, que o curso sacerdotal de Abias (o curso de S. Zacarias) estava a servir durante a segunda semana do mês judeu de Tishri - a mesma semana do Dia da Expiação no 10º dia de Tishri. No nosso calendário, o Dia da Expiação no 10º Tishri calha nalgum dia entre 22 de Setembro e 8 de Outubro.

Zacarias e Isabel conceberam João Baptista imediatamente depois de Zacarias ter servido o seu curso. Isto significa que S. João Baptista teria que ser concebido algures no fim de Setembro, colocando o nascimento de João no fim de Junho, confirmando a celebração da Igreja Católica da Natividade de S. João Baptista a 24 de Junho.

O Protoevangelho de Tiago do segundo século também confirma uma concepção do Baptista no final de Setembro, visto que o texto mostra S. Zacarias como sumo sacerdote e a entrar no Santo dos Santos - não era meramente o lugar santo com o altar do incenso. Este é um erro factual porque Zacarias não era sumo sacerdote, mas um dos sacerdotes chefes.** Mesmo assim, o Protoevangelium mostra Zacarias como sumo sacerdote e isto associa-o com o Dia da Expiação, que calha no décimo dia do mês hebreu de Tishri (cerca do fim do nosso Setembro). Imediatamente depois desta entrada no templo e da mensagem do anjo Gabriel, Zacarias e Isabel concebem João Baptista, o que coloca o nascimento de João Baptista no fim de Junho - mais uma vez correspondendo à data Católica da Natividade de S. João Baptista a 24 de Junho.

Passo dois: Determinar o Aniversário de Cristo
O resto das datas é muito simples. Lemos que depois da Virgem Maria Imaculada ter concebido Cristo, ela foi visitar a sua prima Isabel que estava grávida de seis meses com João Baptista. Isto significa que João Baptista era seis meses mais velho que Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 1, 24-27,36). Acrescentem seis meses a 24 de Junho e isso revela 24-25 de Dezembro como o aniversário de Cristo. Subtraiam nove meses a 25 de Dezembro e isso revela que a anunciação foi a 25 de Março. Todas as datas estão perfeitamente de acordo.

Portanto, se João Baptista foi concebido pouco depois do Dia da Expiação judaico, então as datas Católicas tradicionais estão essencialmente correctas. O nascimento de Cristo devia ser perto de ou a 25 de Dezembro. 

Taylor Marshall

* Eu sei que há dois cursos de Abias. Esta teoria só funciona se Zacarias e Isabel conceberam João Baptista depois do segundo curso de Zacarias - o curso de Setembro. Se S. Lucas  se refere ao primeiro curso, isto então colocaria o nascimento de João Baptista no final do ano e o nascimento de Cristo no final da Primavera. No entanto, penso que a tradição e o Protoevangelium sustentam que o Baptista foi concebido no final de Setembro.

**A tradição grega em especial celebra S. Zacarias como "sumo sacerdote". Ainda assim, Actos 5, 24 revela que haviam várias "sacerdotes chefes" (ἀρχιερεῖς), e portanto a ideia de que Zacarias era um "sumo sacerdote" pode não indicar uma contradição. A tradição grega identifica Zacarias com um arce-sacerdote e mártir, baseada na narrativa do protoevangelho de Tiago e em Mateus 23, 35: "Que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel, até ao sangue de Zacarias filho de Baraquias, que vós matastes entre o templo e o altar.” (Mateus 23, 35)


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

7 razões que me levaram a frequentar uma paróquia de Missa Tradicional

1 - Existem sacerdotes a confessar todos os dias, pelo menos uma hora, e os padres desafiam-nos constantemente a ir à confissão, pelo menos semanalmente. A Confissão é oferecida antes, durante e depois da Santa Missa. Depois da Missa diária, o padre regressa da sacristia, reza aos pés do altar, vira-se para as pessoas e diz "Vou estar no confessionário." Para mim, este é um sinal de profunda dedicação sacerdotal. Ele não quer apertar as nossas mãos ou receber cumprimentos, ele quer que nos reconciliemos com Deus. Deixem-me acrescentar que não estou a dizer que os padres que não são da FSSP não fazem isto. Conheci muitos bons padres paroquianos que estão no confessionário todos os dias. Só estou a dizer que os padres da FSSP têm esta dedicação consistentemente.

2 - As homilias são boas e não há penugem. É straight forward: Céu/inferno, graça/pecado, virtude/vício, ser santo no mundo, remover o pecado da vossa vida, etc...

3 - A Comunhão é recebida de joelhos e na língua e da mão do padre. Quando eu era um Anglicano recebíamos de joelhos e eu nunca me ajustei a estar de pé para a Sagrada Comunhão como Católico. O momento da Sagrada Comunhão torna-se mais reverente e mostra honra a Cristo.

4 - A paróquia promove devoções como Adoração Eucarística, Bençãos, Santo Rosário, Novenas, Escapulários, Devoções marianas, etc...

5 - Visto que a confissão é oferecida com tanta frequência, a nossa família está a ir à confissão quase semanalmente. Estou a descobrir que este é o segredo para um vida de família feliz. Os padres também me deram algumas dicas e sugestões sobre como estabelecer uma noite do Terço em família.

6 - A música é bem preparada e bonita. As nossas vozes não são sufocadas por alguém à frente com um microfone. Só este facto é um incentivo a cantar e a cantar alto.

7 - Sempre que a Missa em Latim aparece, algumas vezes ouvimos Católicos a dizer: "Bem, eu gosto muito da Missa em Latim, só não consigo é aguentar as pessoas da Missa em Latim! Estão sempre a julgar!"

Eu próprio já disse isto antes. No entanto não observámos mais "julgamentos" lá do que noutro lado qualquer. Não há dúvida, recebemos alguns olhares de pessoas porque as nossas crianças fazem barulho. Mas também tínhamos isso na paróquia de Missa Nova.

Até agora ninguém veio falar comigo depois da Santa Missa e começou a falar sobre a conspiração do Terceiro Segredo de Fátima, ou porque é que o Latim é a língua de Deus, ou porque é que o Vaticano II é mau ou que João XXIII era maçom. Tem sido bastante normal. De facto, atrevo-me a dizer, as pessoas da Missa em Latim são geralmente mais simpáticas em relação às crianças. Eles gostam de ver famílias grandes e a crescer.

Taylor Marshall


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domingo, 3 de julho de 2022

11 grandes citações do Papa Bento XVI sobre a Liturgia e a Missa

1. Sobre os reformadores litúrgicos a criar uma "fabricação", um "produto banal":
«A reforma litúrgica, na sua realização concreta, distanciou-se a si mesma ainda mais da sua origem. O resultado tem sido não uma reanimação, mas devastação. Em vez da liturgia, fruto dum desenvolvimento contínuo, puseram uma liturgia fabricada. Esvaziaram um processo vital de crescimento para o substituir por uma fabricação. Não quiseram continuar o desenvolvimento, a maturação orgânica de algo vivo através dos séculos, e substituíram-na, à maneira da produção técnica, por uma fabricação, um produto banal do momento.»
(Revue Theologisches, Vol. 20, Fev. 1990, pgs. 103-104)

2. Sobre aqueles que apreciam a [antiga] Missa em Latim serem tratados erradamente como "leprosos":
«Para promover uma verdadeira consciência em matérias litúrgicas, é também muito importante que a proibição contra a forma da liturgia em uso válido até 1970 (a antiga Missa em Latim) seja levantada. Qualquer pessoa que hoje em dia defenda a existência contínua desta liturgia ou que participe nela é tratada como um leproso; toda a tolerância acaba aqui. Nunca houve nada como isto na história; ao fazer isto estamos a desprezar e a proibir o passado inteiro da Igreja. Como é que uma pessoa pode confiar nela no presente se as coisas são assim?»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, 2000)

3. Sobre a degeneração da liturgia e os "fabricantes litúrgicos":
«Temos uma liturgia que degenerou a ponto de se tornar num espectáculo que, com sucesso momentâneo para o grupo de fabricantes litúrgicos, se esforça para tornar a religião interessante na sequência das frivolidades da moda e das máximas sedutoras da moral. Consequentemente, a tendência é a cada vez maior diminuição do mercado daqueles que não procuram a liturgia para um espectáculo espiritual mas para um encontro com o Deus vivo diante do Qual todo o 'fazer' se torna insignificante, visto que apenas este encontro é capaz de nos garantir acesso à verdadeira riqueza do ser.»
(Prefácio do Cardeal Ratzinger à tradução francesa de Reform of the Roman Liturgy por Monsignor Klaus Gamber, 1992).

4. Sobre a "desintegração da liturgia":
«Estou convencido que a crise que a Igreja está a experimentar hoje é, em grande parte, devida à desintegração da liturgia.»
(Autobiografia)

5. Contra a "liturgia caseira":
«Também vale a pena observar aqui que a 'criatividade' envolvida nas liturgias fabricadas tem um alcance muito restrito. É pobre em comparação com a riqueza da liturgia recebida nas centenas e milhares de anos de história. Infelizmente, os autores das liturgias caseiras são mais lentos a aperceber-se disto do que os seus participantes...» 
(The Feast of Faith, p. 67-68)

6. Sobre a [antiga] Missa em Latim como  a "mais Santa e Elevada posse":
«Sou da opinião, para ser sincero, que o Rito Antigo devia ser concedido muito mais generosamente a todos aqueles que o desejam. É impossível ver o que poderia ser perigoso ou inaceitável nisso. Uma comunidade está a pôr o seu próprio ser em questão quando subitamente declara aquilo que até era a sua mais santa e elevada posse como estritamente proibida, e quando declara os desejos por ela absolutamente indecentes.»
(Sal da Terra, 1997)

7. Sobre o perigo dos criativos que "presidem" à Missa:
«Na realidade o que se passou foi que uma clericalização sem precedentes entrou em cena. Agora o sacerdote - o que 'preside', como agora o preferem chamar - torna-se o verdadeiro ponto de referência para toda a Liturgia. Tudo depende dele. Temos que o ver a ele, responder-lhe a ele, estar envolvidos naquilo que ele está a fazer. A sua criatividade sustém a coisa toda.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

8. Sobre o perigo do "planeamento criativo da liturgia":
«De forma não surpreendente, as pessoas tentam reduzir este novo papel criado ao atribuir todos os tipos de funções litúrgicas a indivíduos diferentes e confiando o planeamento 'criativo' da Liturgia a grupos de pessoas que gostam de o fazer, e que devem 'dar a sua própria opinião'. Cada vez menos e menos Deus é o centro. Cada vez é mais e mais importante o que é feito pelos seres humanos que se encontram aqui e não gostam de se sujeitar a um padrão pré-determinado.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

9. Sobre porque é que o sacerdote não devia estar voltado para o povo durante a Missa:
«O facto de o sacerdote se ter virado para o povo tornou a comunidade num círculo fechado sobre si próprio. Na sua forma exterior já não se abre ao que está à frente e por cima, mas está fechado para si mesmo. O comum voltar-se para Oriente não era uma celebração virada para a parede; não significava que o sacerdote tinha as suas costas voltadas para o povo: o próprio sacerdote não era visto como tão importante. Porque tal como a assembleia na sinagoga olhava junta para Jerusalém, também na liturgia cristã a assembleia olhava junta para o Senhor.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

10. Sobre o sacerdote e o povo voltados para a mesma direcção:
«Por outro lado, o comum voltar-se para o Oriente durante a Oração Eucarística continua a ser essencial. Isto não é uma questão de acidentes mas de essências. Olhar para o sacerdote não tem importância nenhuma. O que importa é olhar juntos para o Senhor.» 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

11. Sobre o "fenómeno absurdo" de substituir o crucifixo pelo sacerdote:
«Mover a cruz do centro do altar para o lado do altar, para dar uma visão sem obstáculos do sacerdote é algo que eu vejo como um dos fenómenos mais absurdos das décadas recentes. A cruz é um obstáculo durante a Missa? O sacerdote é mais importante que Nosso Senhor?» 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Taylor Marshall


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