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quinta-feira, 29 de maio de 2025

Solenidade da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

"Dominus Iesus, postquam locutus est eis, assumptus est in Coelum, et sedet a dextris Dei"
"O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus"
Mc 16, 19

I. O lugar que competia a Jesus ressuscitado era o Céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados. Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar da sua ressurreição e instruí-los nas coisas relativas à sua Igreja: Loquens de regno Dei (1) – “Falando do reino de Deus”. 

Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e depois de lhes exprobrar suavemente a sua dureza, por não acreditarem na sua ressurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, afim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao Céu é o dos sofrimentos. Depois, cercado de cento e vinte pessoas, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; feito o que o divino Redentor levantou as mãos e os abençoou.

Em seguida, como medita São Boaventura (2), Jesus abraça a sua santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, Lhe beijam os pés e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao Céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo. – A esta vista todos os presentes ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o divino Triunfador à sua vista, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso medianeiro e advogado.

Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no paraíso: alegremo-nos com o nosso divino Chefe e unamos os nossos afectos aos de Maria Santíssima e dos santos discípulos.

II. Como a águia ensina os seus filhos a voarem, assim, no mistério de hoje, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso vôo e acompanhá-Lo ao Céu, senão com o corpo, ao menos com os afectos. Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se acha a nossa felicidade: esperando, como diz o Apóstolo, a adopção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo (3). 

Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal do Senhor; imitando a sua humildade e mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela glória divina. – Numa palavra, despojamo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, ele deixou para seus discípulos, quando subiu ao Céu.

Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram hoje aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o Céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: Jesus Cristo voltará um dia à terra com a mesma majestade e glória, como Juiz dos vivos e dos mortos: Sic veniet, quemadmodum vidistis eum euntem in coelum (4).

Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso e rogo-vos que arranqueis de meu coração todo o afecto aos bens miseráveis desta terra, para não suspirar senão pelos do paraíso, que vós merecestes para mim pela vossa paixão. – A mesma graça peço de Vós, ó Pai Eterno. “Concedei-me que, assim como creio firmemente que vosso Filho unigénito e nosso Redentor subiu hoje ao Céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos.” (5) – Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*VIII 643.)

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Meditações para todos os dias do ano'
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(1) Act. 1, 3.
(2) Med. vit. Chr.
(3) Rom. 8, 23.
(4) Act. 1, 11.
(5) Or. festi. curr.


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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Dia de São Francisco Xavier

Hoje é dia de São Francisco Xavier - grande missionário - muitas vezes representado na companhia de um caranguejo. Tendo sido o grande evangelizador das Índias e do Extremo Oriente, São Francisco encontrava-se em viagem pelo Mar das Molucas quando uma borrasca se abateu sobre o navio, que ameaçava afundar-se.

O santo decidiu tocar nas águas revoltas com o crucifixo que tinha sempre consigo (oferecido por Santo Inácio), mas ao fazê-lo deixou-o cair. O mar acalmou mas São Francisco ficou desolado julgando para sempre perdido aquele objecto que tanto fervor lhe trazia na meditação da Paixão de Nosso Senhor.

No entanto, no dia seguinte, estando na praia, um caranguejo veio ter consigo com a cruz numa das suas pinças. O animal depositou a cruz junto do seu legítimo dono e voltou para o mar. Este episódio deixou todos os que o testemunharam extremamente comovidos e São Francisco ficou ali mesmo ajoelhado durante uma hora em oração. Depois disso proibiu quem quer que fosse de o referir, temendo que prejudicasse a sua missão naquelas terras.

O relato do episódio chegou até nós através do marinheiro português Fausto Rodrigues, um dos homens presentes naquele dia, e encontra-se presente no processo de canonização de São Francisco Xavier.



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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

São Pedro Claver, o escravo dos escravos

Evangelizar os pobres, sarar os corações atribulados, proclamar a redenção dos cativos

Ontem, 30 de Maio deste ano de 1627, festa da Santíssima Trindade, saíram de uma grande nau muitos negros trazidos das margens dos rios de África. Fomos ter com eles, levando dois cestos de laranjas, limões, bolachas e outras coisas; e dirigimo-nos para as suas barracas. Parecia que entrávamos noutra Guiné.

Tivemos de atravessar por entre grande multidão até chegar aos doentes, que eram muito numerosos e estavam deitados no chão húmido e lamacento. Alguém se lembrou de o entulhar com fragmentos de telhas e tijolos para diminuir a humidade. Tal era a cama destes infelizes, que além disso estavam nus, sem qualquer roupa que os protegesse.

Tirámos as nossas capas e fomos buscar tábuas para fazer um estrado. Depois, forçando o caminho por entre os guardas, para ali transportámos os doentes. Em seguida distribuímo-los em dois grupos: de um grupo encarregou-se o meu companheiro com um intérprete; do outro encarreguei me eu. 

Entre eles havia dois quase a morrer: estavam frios e mal se lhes sentia o pulso. Levámos brasas numa telha para junto dos moribundos, deitámos perfumes nas brasas, até esvaziar duas sacas que tínhamos trazido. Depois, cobrindo-os com as nossas capas – pois eles nada tinham com que se cobrir e não podíamos perder tempo a pedir roupas aos seus senhores – conseguimos que fizessem uma inalação daqueles vapores e recuperassem o calor e a respiração. Era de ver a alegria com que nos olhavam!

Assim lhes falámos, não com palavras mas com obras; e na verdade, estando eles persuadidos de que tinham sido trazidos para ali a fim de serem comidos, de nada teriam servido outros discursos. Sentámo-nos depois, ou ajoelhámo-nos junto deles, lavámos-lhes os rostos e os corpos com vinho, procurando alegrá-los com carinho e fazer lhes o que naturalmente se faz para levantar o moral dos doentes.

Depois tratámos de os preparar para o Baptismo. Explicámos-lhes os admiráveis efeitos deste sacramento para o corpo e para a alma. E quando, respondendo às nossas perguntas, deram mostras de terem compreendido, passámos a um ensino mais completo sobre um só Deus que premeia ou castiga segundo os merecimentos de cada um, etc. Exortámo-los a fazer o acto de contrição e a manifestar o arrependimento dos pecados que tivessem cometido, etc.

Finalmente, quando já pareciam suficientemente preparados, falámos dos mistérios da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Paixão; e, mostrando-lhes num quadro a imagem de Cristo crucificado sobre uma pia baptismal, para a qual correm os rios de sangue provenientes das chagas de Cristo, rezámos com eles, na sua língua, o acto de contrição.

São Pedro Claver in 'Carta de 31 de Maio de 1627' (A. Valtierra, S.I., San Pedro Claver, Cartagena, 1964, pp. 140-141)


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sexta-feira, 14 de junho de 2024

A primeira Missa em Cabília (Argélia)

O padre Dom François Régis, abade de Notre-Dame de Staouëli, celebra a Santa Missa em Cabília, a sudeste de Argel, no dia 14 de Junho de 1853.


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domingo, 3 de dezembro de 2023

Quem foi São Francisco Xavier?

André Reinoso, 'S. Francisco Xavier prega em a Goa', cerca de 1619, Santa Casa de Misericórdia, Lisboa
São Francisco Xavier: um dos fundadores da Companhia de Jesus, junto com Santo Inácio de Loyola. A sua família fazia parte da nobreza de Navarra, território hoje pertencente à Espanha. Foi enviado pelo Rei de Portugal, D. João III, para realizar trabalho missionário nas Índias. Viajou pela África, Índia, Macau, Japão e Ilhas Molucas, na actual Indonésia. É o santo padroeiro dos missionários e da diocese de Macau, na República Popular da China.  

A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os Apóstolos que se espalharam pelo mundo após a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Durante o período do Descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o Cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os Jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China.

Francisco Xavier, nascido Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo y Aznáres, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu em Xavier, no Reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projectado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com 18 anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu mas sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e leccionava na mesma Universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho, e de ideias objectivas, e tudo mudou. Tratava-se do futuro Santo Inácio de Loyola, fundador dos Jesuítas.

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do Cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projectadas em si pela sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, N. S. Jesus Cristo.

Os papéis inverteram-se, e Inácio passou a ser mestre do seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Xavier, por fim, retirou-se durante quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou a sua primeira Missa com trinta e um anos, e tornou-se co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos leprosos, segregados pela Sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de tocar.

Foi então que D. João III, Rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu, e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio com 900 passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa.

Viagens de São Francisco Xavier

Desde aí, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, baptizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro Sacerdote continuar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região.  

Acabou por sair das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na Ilha de Sanchoão, adoeceu e uma febre persistente debilitou-o, levando-o à morte, no dia 3 de Dezembro de 1552, com apenas 46 de idade. Está sepultado na Basílica do Bom Jesus, em Goa Velha, Índia.  

Foi beatificado pelo Papa Paulo V a 25 de Outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de Março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola. Celebrado no dia da sua morte, como exemplo do missionário moderno, São Francisco Xavier foi, com toda a justiça, proclamado pela Igreja Patrono das Missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de São Paulo do Oriente ou Apóstolo do Oriente.  

in Pale Ideas


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segunda-feira, 25 de setembro de 2023

sábado, 3 de dezembro de 2022

São Francisco Xavier explica os riscos e recompensas de ser missionário

Este país é muito perigoso, porque os seus habitantes, cheios de perfídia, misturam muitas vezes veneno na comida e na bebida. É por isso que não há ninguém disposto a ir para lá cuidar dos cristãos. Mas estes têm necessidade de ensinamentos espirituais e de alguém que os baptize para lhes salvar a alma; é por isso que eu sinto a obrigação de perder a minha vida corporal para ir socorrer a vida espiritual do próximo. 

Coloco a minha esperança e a minha confiança em Deus Nosso Senhor, com o desejo de me conformar, segundo os meus pobres meios, à palavra de Cristo, nosso Redentor e Senhor: «Quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; quem a perder por minha causa há de salvá-la».

É fácil, evidentemente, compreender os termos e o sentido geral destas palavras do Senhor; mas, quando a pessoa quer levá-la à prática e dispor-se a perder a própria vida por Deus, a fim de a reencontrar nele, quando a pessoa se expõe aos perigos nos quais pressente a possibilidade de deixar a vida, tudo se torna tão obscuro, que as palavras, não deixando de ser perfeitamente claras, acabam também por se obscurecer. 

Nesses casos, parece-me, só consegue compreendê-las aquele - por muito sábio que seja - a quem Deus Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, Se digna explicar-lhas nas suas circunstâncias específicas. É então que conhecemos a condição da nossa carne, isto é, que somos fracos e enfermos.

São Francisco Xavier in 'Carta de 10 de Maio de 1546' (escrita aos seus companheiros europeus desde a ilha de Amboina, Arquipélago das Molucas)


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domingo, 16 de janeiro de 2022

O Cruzado

O primeiro aspecto que chama atenção na escultura do homem que figura nesta fotografia é o modo de estar de pé. Tal escultura pode bem representar o cruzado no apogeu da Idade Média. 

Ele apresenta um equilíbrio de corpo perfeito. Os pés não são pés chatos, como os de pato, com a precária firmeza deste. Não. É a estabilidade corporal do homem, na qual não falta uma certa nota de elegância, em que entra algo de espiritual. As pernas, o tronco, os braços, representam a solidez física perfeita de um homem que venceu a acção da gravidade.

Ele não cedeu em nada à preguiça. Mas também não está efervescente, não tem a mentalidade do homem de negócios, que fala em cinco telefones ao mesmo tempo... Mantém-se inteiramente tranquilo, mas de uma tranquilidade tal, que o seu repouso se volta inteiro para a acção...e actuação, que já é de uma vez a guerra. A mais absorvente de todas as actividades, aquela que se opõe mais directamente à preguiça não é o trabalho, é a luta. Ele está numa posição em que a qualquer momento pode iniciar o combate.

Ele faz uma proclamação com os grandes braços abertos, como quem diz: "Isto é assim e não vai por menos, ai de quem negar o que proclamo, porque pego na espada...". É a proclamação perfeita de quem anuncia e ameaça.

Por outro lado, o cruzado permanece numa atitude contemplativa. A sua fisionomia indica que ele não está vendo o que se passa em torno de si. Está olhando dentro de si mesmo. E de dentro de si considera um ideal inteiramente superior, que lhe ilumina a alma: são os princípios a favor dos quais o homem é obrigado a combater.

Ele todo é um edifício de coerência, de metafísica, pronto para descarregar o golpe. Todas as razões do combate lhe estão presentes, tudo raciocinado, coerente, tudo positivo.

É um homem profundamente sério. Se acontecer qualquer coisa diante dele, sua visão será a da realidade inteira. Não irá exagerar, nem subestimar, nem torcer a realidade, nem mentir. Ele vê o que acontece e diz o que vê. É o varão sério por excelência.

Plinio Corrêa de Oliveira        
(*) Excertos tirados da conferência proferida pelo Prof. Plinio para sócios e cooperadores da TFP, a 22 de Abril de 1967. Sem revisão do autor.


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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Apostolado do Instituto Cristo Rei no Gabão

Há 3 anos, o Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote começou um apostolado em Pointe Denis, do outro lado da costa em relação a Libreville (capital do Gabão). A liturgia em latim rapidamente se tornou popular entre o povo africano.



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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Horror e salvação no Uganda

A minha primeira visita no Uganda foi a Namugongo, palco de cenas indescritíveis de horror e, ao mesmo tempo, ponto culminante da história do país. A data central foi o dia 3 de Junho de 1886 e por isso o 3 de Junho é a festa nacional.

Poucos anos antes, tinham chegado os exploradores ingleses, depois os missionários protestantes e logo a seguir os missionários católicos. Encontraram uma sociedade organizada e com um certo desenvolvimento económico, aprenderam rapidamente a língua e muita gente se converteu.

A religião tradicional incluía Katonda (o Deus criador e misericordioso) e várias dezenas de Lubaale (espíritos), como o espírito do lago, cujos oráculos chegavam a exigir sacrifícios humanos. Um ditado dizia «Katonda tatta» (Katonda não mata), mas os espíritos fartavam-se de matar e o rei também. Por exemplo, o Kabaka (rei) Mutesa, o mesmo que acolheu os exploradores e os missionários, matou os 60 irmãos logo que subiu ao trono. Existia mesmo um local próprio para as execuções dos membros da corte, com um corpo específico de carrascos.

Cinco anos depois de os missionários católicos chegarem, o Kabaka Mutesa morreu e sucedeu-lhe o Kabaka Mwanga II, com 16 anos. E começaram a morrer cristãos.

Houve muitas razões de conflito com os recém-convertidos da corte. Os feiticeiros insistiam em atribuir aos cristãos os contratempos da pesca, ou da agricultura. Os muçulmanos queriam controlar o país. O primeiro-ministro queria afastar as pessoas que lhe pudessem fazer sombra. Sobretudo, Mwanga era homossexual e estava habituado a abusar de quem encontrava pela frente. Mwanga até apreciava o cristianismo, o que não suportava era que os cristãos não aceitassem promoções que envolviam encargos imorais nem condescendessem como os seus desejos sexuais.

O chefe da casa real, Joseph Mukasa, protegia os pajens dos avanços do Kabaka e pagou por isso. Em geral, os pajens eram os filhos dos principais chefes e jovens escolhidos, de grande valor. Muitos converteram-se e Joseph Mukasa era o catequista do grupo.

Em 1885, com o falso pretexto de impedir uma invasão, Mwanga chacinou um grupo de missionários anglicanos que entraram no Uganda. Os protestos de Joseph Mukasa foram a gota de água: foi mandado decapitar e queimar.

Para substituir Mukasa, foi nomeado o jovem Charles Lwanga, o chefe dos pajens. Nesse mesmo dia, Lwanga recebeu o Baptismo. O rei continuou a queixar-se de que nunca encontrava os pagens quando queria e a vingança foi ainda mais terrível. O Kabaka torturou alguns e convocou toda a corte para mandar os cristãos irem para um lado e os outros ficarem. Todos sabiam perfeitamente o que isso implicava. Lwanga colocou-se imediatamente do lado dos cristãos, seguido por todos os pajens do rei, excepto 5. Os que ainda estavam a receber catequese, foram baptizados à pressa. 

O martírio prolongou-se ao longo de bastantes dias, com uma crueldade difícil de compreender. Foram esquartejados vivos e queimados de forma a prolongar ao máximo o tempo de vida e o sofrimento, tentando desviá-los da fé. Felizmente, ficaram registos e conservam-se muitos testemunhos sobre cada um deles. Até há fotografias deles, dos missionários, do Kabaka e dos outros personagens desta história.

Charles Lwanga foi o primeiro. Os outros, foram arrastados pelos pés durante alguns quilómetros, até perderem a pele e ficarem com as costelas à vista. Por isso o local se chama hoje Namugongo, porque na língua Luganda se diz «abassajja baabatutte namugongo» (homens arrastados de costas).
Jamais alguém tinha morrido assim. O comandante da força de execução deparou-se com uma alegria inexplicável e uma calma que nunca tinha visto. Foi perguntar ao Kabaka se aqueles rapazes eram mesmo para matar. Obedeceu, mas mais tarde converteu-se.

O Kabaka Mwanga tinha 18 anos quando os seus 45 pajens morreram, 22 católicos e 23 anglicanos. Vários tinham menos de 20 anos, os mais novos tinham 14 anos.

Os mártires não deixaram uma mensagem de ódio mas de uma fidelidade extraordinária a Deus e ao Kabaka. Embora os missionários tenham sido expulsos, o número de cristãos multiplicou-se.

O cristianismo do Uganda ficou marcado pelo exemplo dos mártires de Namugongo. Sincero respeito pelas convicções de todos (nomeadamente, ecumenismo entre católicos e protestantes e generosidade com os muçulmanos), fidelidade à fé, fidelidade à moral (nomeadamente em matéria de homossexualidade) e delicadeza e amizade para com todos, sem qualquer exclusão. O chefe dos carrascos e o Kabaka Mwanga acabaram cristãos. 

Hoje, a população do Uganda é quase toda cristã e a maioria católica. Os protestantes que encontrei têm devoção a Nossa Senhora e aos santos, em particular aos mártires de Namugongo, e reconhecem ao Papa um papel singular.

José Maria André

Fotografia de vários mártires católicos com o Bispo, um ano antes de morrerem:
1. Kiriwawanvu 2. Kaggwa 3. Josef Mukasa 4. Kiriggwajjo 5. Tuzinde 6. Ngondwe 7. Buuzabalyawo 8. Ssebuggwawo 9. Bazzekuketta 10. Ludigo 11. Gonza
12. Kibuuka 13 Charles Lwanga 14. Kiwanuka 15. Sserunkuma 16. Mulumba 17. Baanabakintu 18. Kizito 19. Mugagga 20. Gyaviira


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terça-feira, 5 de julho de 2016

O segredo para aumentar as vocações - Cardeal Sarah

O Papa Francisco várias vezes fala sobre "o trabalho missionário da oração de intercessão". Qual é a sua visão sobre este assunto?

O Papa escreveu uma passagem admirável onde nos lembra: "Os grandes homens e mulheres de Deus foram grandes intercessores. A intercessão é como um 'fermento' no coração da Trindade. É uma forma de penetrar o coração do Pai e descobrir novas dimensões que podem dar luz a situações concretas e mudá-las. Podemos dizer que o coração de Deus é tocado pela nossa intercessão, mas na verdade Ele está lá sempre primeiro. O que a nossa intercessão obtém é que o Seu poder, o Seu amor e a Sua fidelidade são mostrados de forma ainda mais clara no meio do povo" (Evangelii Gaudium, 283).

Se um homem não levanta o seu olhar para Deus, rezando e intercedendo, ele seca e morre para si mesmo. A mesma coisa também se aplica, de um modo semelhante, ao sucesso do trabalho missionário. (...)

A oração dos monges e das freiras é um dos fundamentos mais produtivos da Igreja. Os mosteiros são centros absolutamente prodigiosos de evangelização e missão. A oração ardente e contínua das Carmelitas, dos Beneditinos, dos Cistercienses ou das irmãs da Visitação, para mencionar apenas algumas congregações, ajuda e suporta imenso o trabalho dos sacerdotes. O mundo moderno, e até alguns membros do clero, inebriados pelo seu sentimento de poder, muitas vezes pensam que os monges e as freiras de clausura não servem para nada. Em última análise é o maior elogio que podemos dar aos contemplativos que se retiraram para trás dos altos muros dos seus claustros; eles não servem nada em concreto aqui em baixo; mas servem apenas a Deus. Este é o simples e bonito segredo das suas orações, que suportam todo o mundo.

Como é que podemos esquecer as palavras de Cristo: "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos, pedi pois ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara. Vão, eis que Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho." (Lc 10:2-4). A primeira coisa a fazer quando faltam trabalhadores não é usar a nossa inteligência para re-estruturar a diocese ou reorganizar as paróquias consolidando-as - o que não é negar a possível utilidade e adequação de tal projecto. Pelo contrário, é necessário pedir a Deus que forme muitas santas vocações para o sacerdócio ministerial e para a vida consagrada.

Será que rezamos mesmo ardentemente pelas vocações? Rezamos todos os dias para pedir a Deus que envie mais sacerdotes?

Temos de pedir a Deus sem parar que forme grande missionários no meio do seu povo. O trabalho missionário não é uma tarefa humana; vem só de Deus. A oração de intercessão é suave e confiante. Os Padres Espiritanos da minha infância tiveram missões bem sucedidas porque estavam constantemente imersos em oração, pedindo a Deus que lhes desse a sua protecção e que tornasse produtivo o seu trabalho de semeadores da palavra. Humanamente falando, como é que alguém podia imaginar por um momento que aqueles pobres homens conseguiriam comunicar as palavras de Cristo nas regiões mais remotas de África? Só o poder missionário da oração de intercessão, de que o Papa Francisco fala, pode explicar os seus feitos admiráveis...

Durante os três anos da sua vida pública nesta terra, Jesus várias vezes se retirou com os apóstolos para rezar. A missão de Cristo e dos Primeiros Cristãos já era o trabalho de Deus. O sofrimento que muitas vezes acompanha o trabalho missionário transforma-se em vitória pela oração de intercessão. (...)

Cardeal Sarah in 'Deus ou nada'


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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Em memória da Irmã Clare Crockett (missionária no Equador)

A Irmã Clare Crockett passou a sua adolescência afastada de Deus e refugiada em festas regadas a álcool. Aos 18 anos deu-se uma reviravolta na sua vida e vai para missionária. 

15 anos depois, encontrando-se no Equador, onde era conhecida pela sua alegria e espírito missionário, morreu no terramoto que abalou esse país há uns dias atrás, como contámos aqui: Terramoto no Equador: Religiosa resgatou o Santíssimo

Rezemos pelas 'Siervas del Hogar de la Madre' e rezemos especialmente pela Irmã Clare Crockett, que um dia disse isto: 

"Agradeço a Deus pela paciência que teve comigo e que ainda tem. Não lhe pergunto porque é que Ele me escolheu, aceito apenas. Dependo totalmente dele e de Nossa Senhora e peço-lhe que me deem a graça de tudo o que queiram que eu seja."


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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O sonho missionário de chegar a todos - S. Josemaria Escrivá

Missionário. - Sonhas em ser missionário. Vibras com Xavier, e queres conquistar para Cristo um império. - O Japão, a China, a Índia, a Rússia...? Os povos frios do norte da Europa, ou a América, ou a África, ou a Austrália ?

- Fomenta esses incêndios no teu coração, essa fome de almas. Mas não te esqueças de que és mais missionário "obedecendo". Geograficamente longe desses campos de apostolado, trabalhas "aqui e ali". Não sentes - como Xavier! - o braço cansado, depois de administrares a tantos o baptismo?

S. Josemaria, Caminho, 315.


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sábado, 31 de janeiro de 2015

O Senza pratica a censura?

Queridos leitores do Senza,

Em primeiro lugar queremos agradecer a vossa fidelidade ao nosso blog e as vossas mensagens de apoio ao apostolado que aqui fazemos. Por mais que se tenha a intenção de fazer tudo para maior glória de Deus, é sempre bom saber que as coisas de Deus chegam a tantas almas.

Escrevemos este texto para nos justificarmos em relação ao controle de comentários, que foi implementado há poucos dias no nosso blog. No Senza sempre privilegiámos a liberdade de comentários, não é que sejamos charlie mas permitimos a liberdade de expressão. 

Porém, de há algum tempo a esta parte, temos sido atacados com comentários insultuosos diariamente. A juntar à "festa", temos tido também comentários anónimos que visam apenas criar confusão, com a mesma pessoa a fingir que são várias, qual transtorno dissociativo de identidade.

Nós sabemos que muitas pessoas odeiam a verdade, a começar pelo próprio diabo, mas não podemos desistir por causa disso. Aqui, pelo menos, as pessoas podem ter a certeza que vão ler a verdade e nada mais do que a verdade. Temos consciência que não fazemos um trabalho perfeito e que perante Nosso Senhor somos apenas servos inúteis, mas para sermos melhores precisamos de críticas construtivas e de muita oração, em vez de insultos e confusão.

Que fique bem claro que o direito ao contraditório continua a existir, e todos os comentários honestos serão publicados, ainda que discordem dos textos. A liberdade dos filhos de Deus é um grande dom que não deve ser desprezado.

Deixamos aqui uma oração que nos é muito querida e que gostaríamos de partilhar com todos:

Senhor Jesus, vós conheceis a minha fraqueza e as necessidades da minha alma. Concedei-me a graça de me tornar melhor. Socorrei a vossa santa Igreja. Abençoai os meus pais, superiores, amigos e inimigos, e dai-nos a todos a graça de estar reunidos um dia no Céu. Ámen.

Equipa Senza Pagare


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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Família de Beatos e Mártires

[hoje é dia dos Beatos Domingos Jorge e família]

Domingos Jorge nasceu em Vermoim da Maia, perto do Porto (Portugal). Muito jovem, partiu como soldado para a Índia. Aventureiro por natureza, empreendeu viagem para o Japão, onde nesse tempo reinava furiosa perseguição. O catolicismo era proibido. Todos os missionários que fossem identificados, eram mortos, e acontecia o mesmo também todos aqueles que os acolhessem em suas casas. Apesar de todos os riscos, os missionários não quiseram abandonar os cristãos para os instruir, animar e lhes administrar os sacramentos.  Estes martírios deram-se entre 1603 e 1639, sob o “shogunato” (governo militar) dos Tokugawa, que consideravam o Cristianismo um “elemento de influência ocidental e um perigo para a ordem social e religiosa”.

Domingos Jorge casou com uma jovem japonesa, à qual o missionário português, Padre Pedro Gomes, oito dias após o nascimento, dera o nome de Isabel Fernandes. Vivia este casal modelo no amor de Deus, na paz e na felicidade, em Funai, perto da cidade de Nagazáki. Eram membros fervorosos da Fraternidade do Rosário, ligada aos jesuítas. Por bondade e piedade, receberam em sua casa dois missionários jesuítas escondidos, o padre Carlos Spínola, italiano, e o Irmão Ambrósio Fernandes, português, além do catequista japonês João Kingoku.

Na noite de 13 de Dezembro de 1618, o governador de Nagasáki, Gonrócu,  ordenou aos seus soldados que prendessem os dois missionários juntamente com o dono da casa,  Domingos Jorge. Após um ano de prisão, Domingos Jorge foi morto juntamente com outros quatro companheiros. Leonardo Kimura, o único consagrado do grupo, era neto do primeiro japonês baptizado por S. Francisco Xavier. Domingos Jorge, após escutar a sentença, pronunciou estas palavras: "Aprecio mais esta sentença do que se me fizessem Senhor de todo o Japão". Quis ir a pé e descalço até ao monte, chamado “Monte Santo”, situado à saída da cidade, que ganhou o nome por ser regado por tanto sangue cristão, desde o de S. Paulo Miki, 22 anos antes. A multidão seguia com interesse o que ia acontecer, mas muitos cristãos procuravam apenas escutar as últimas exortações dos mártires. Dessa vez não houve sangue, porque todos, incluindo Domingos Jorge, foram queimados, rezando o Credo. As suas cinzas foram deitadas ao mar.

Três anos depois, a 10 de Setembro de 1622, também a esposa, Isabel, e o filhinho, Inácio (de quatro anos de idade), foram martirizados.

in Evangelho Quotidiano


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A Igreja está ao serviço de um Outro: não serve a si mesma - Papa Bento XVI

Uma Igreja que procurasse sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está ao serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. 

Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que ele trouxe à humanidade. A força do amor, neste momento ouve-se, aceita-se. 

in Entrevista do Papa Bento XVI durante o vôo rumo ao Reino Unido (16/IX/2010)







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