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sexta-feira, 29 de julho de 2022

Marta e Maria vistas por Santa Teresinha do Menino Jesus

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir. 

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores génios? 

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

Santa Teresa de Lisieux in Manuscrito autobiográfico C, 36 r° - v°


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sexta-feira, 9 de abril de 2021

A importância dos Beneditinos - Papa Pio XII

Com efeito, enquanto nessa escura e convulsionada época da história o cultivo da terra, o amor do trabalho e da arte, o estudo das ciências e das letras, tanto religiosas como profanas, eram lançados, por uma espécie de desdém geral e sintomático, ao abandono, dos mosteiros beneditinos sai uma plêiade luminosa de agricultores, de artistas, de sábios, que nos salvaram incólumes os monumentos da velha literatura, conciliaram os velhos e os novos povos, em guerras constantes, reduzindo-os da barbárie renascente, das correrias, do saque, à moderação da moral humana e cristã, à abnegação do trabalho, à luz da verdade; reconstituíram, enfim, uma civilização enformada nos princípios do Evangelho.

Isso, porém, não é tudo. A base, a directriz, por assim dizer, suprema de toda a vida beneditina é que todo trabalho, seja ele qual for, intelectual ou manual, seja, antes de mais, para o monge, veículo que o eleve a Jesus Cristo e centelha que o inflame no seu amor perfeitíssimo. Não podem, com efeito, as coisas da terra, nem do universo, satisfazer as exigências espirituais do homem, que Deus criou para Si. […] Por essa razão, é absolutamente necessário que nada se anteponha ao amor de Cristo, que nada nos seja mais caro que o seu amor, que, numa palavra, nada absolutamente se anteponha a Cristo, que Se digna conduzir-nos à posse da vida eterna. 

A este ardentíssimo amor de Jesus Cristo é necessário que corresponda o amor do próximo, porque a todos, indistintamente, devemos o ósculo fraterno da paz e o tributo solícito do nosso arrimo. Donde, enquanto a intriga e o ódio convulsionavam e lançavam os povos nos campos de batalha e, nessa confusão cósmica dos homens e das coisas, erguiam ao alto o facho sangrento da morte, do roubo, da miséria e das lágrimas, Bento legava a seus filhos este preceito santíssimo: 

«Ponha-se particular cuidado e solicitude no recebimento dos pobres e viajantes estrangeiros, porque é na pessoa destes que principalmente se recebe a Cristo»; e «todos os hóspedes que se apresentarem no mosteiro se recebam como se fossem Cristo, porque Ele há-de dizer: fui hóspede e recebeste-me» (Mt 25, 35). 

E mais ainda: «antes de tudo, haja o maior cuidado no tratamento dos doentes, sirvam-se com tal diligência como se fossem realmente Cristo, porque Ele disse: estive doente e me viestes visitar» (v. 36).

in Encíclica «Fulgens radiatur», 21/03/1947


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sábado, 4 de janeiro de 2020

Trabalhar ao Domingo?

Engana-se nos seus cálculos aquele que se afadiga ao Domingo, com a ideia de que vai ganhar mais dinheiro ou trabalhar mais! Dois ou três francos compensam o mal que faz a si próprio violando a lei de Deus? Estais convencidos de que tudo depende do vosso trabalho; e eis que surge uma doença, um acidente, pouca coisa: uma tempestade, uma geada...

Trabalhai, não pelo alimento que perece, mas por aquele que dura para a vida eterna. Que ganhais em trabalhar ao Domingo? Deixareis a Terra como está quando partirdes: nada levareis convosco. A nossa primeira finalidade é chegar a Deus; é só para isso que estamos neste mundo.

Meus irmãos, temos de morrer ao Domingo para ressuscitar à Segunda-Feira. O Domingo pertence a Deus: é o seu dia, o Dia do Senhor. Ele fez todos os dias da semana, e podia ficar com todos. Mas deu-nos seis, e só reservou para Si o sétimo!

São João Maria Vianney, o Cura d'Ars in 'Espírito do Cura d'Ars nos seus catecismos, sermões e conversas'



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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O segredo do sucesso da Nutella é Nossa Senhora de Lourdes

Há 4 anos, após alguns meses doente, contando já com 89 anos de idade, morreu Michele Ferrero, o pai da Nutella. Foi também responsável pelo aparecimento de outras marcas conhecidas, como: Mon Cheri, Kinder, Ferrero Rocher, Fiesta, Pocket Coffee e de todos os produtos que saíram da empresa Ferrero, fundada por si próprio em Alba no ano de 1946.

Como disse Michele Ferrero, nas celebrações dos 50 anos do início da sua empresa: “O sucesso da Ferrero é devido a Nossa Senhora de Lourdes, sem Ela pouco podemos fazer”. E de facto encontrava-se uma estátua de Nossa Senhora em cada um dos estabelecimentos do grupo, espalhados pelo mundo inteiro.

Michele Ferrero era a pessoa mais rica de Itália, com um património avaliado em 26,8 mil milhões de dólares, e um homem com uma grande fé. Teve uma vida longe dos holofotes e da fama. Todos os anos ia em peregrinação a Lourdes, levando consigo o executivo mais importante na empresa, e organizava a visita ao santuário francês também para os seus empregados.

Construiu o seu império valorizando o melhor de Itália, com produtos de qualidade e capacidade de inovação. Mas o seu talento principal consistia em saber motivar os colaboradores e ter uma especial atenção para com todos, valorizando-os (in Il Goirnale, 15 de Fevereiro de 2015).

“A minha única preocupação, disse uma vez, é que a empresa seja cada vez mais sólida e forte para garantir um emprego seguro a todos os que lá trabalham (in La Stampa, 25 de Junho de 2006).

Sob o seu comando, a empresa da Nutella tornou-se um dos principais grupos de doçaria a nível mundial, presente em 53 países, com mais de 34 mil trabalhadores, 20 unidades produtivas e 9 unidades agrícolas. Por vontade sua, nasceu em 1983 a Fundação Ferrero, que, além de se ocupar dos ex-trabalhadores, promove iniciativas culturais e artísticas, com o lema “Trabalhar, criar, doar” (in Avvenire, 15 de Fevereiro de 2015).

in Aleteia


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

D. Gina, uma vida ao serviço da Capela da Universidade Católica

Foi das primeiras pessoas que conheci quando entrei para a Universidade Católica e estará para sempre ligada às vidas de dezenas e dezenas de professores, funcionários e alunos. Conhecia-a na mesma capela onde vi pela primeira vez o meu marido, e acompanhou a nossa história de perto.

Sempre presente, bem vestida, perfumada, as mãos cuidadas e delicadas, reflexo pálido da delicadeza e amor que punha em tudo quanto fazia, e que bem escondiam muitos trabalhos pesados que fez ao longo de muitos anos de serviço àquela instituição. Sempre de coração aberto, verdadeiramente boa, foi com a D. Gina que aprendi a rezar o terço da misericórdia, que sempre rezava às três da tarde. 

Cuidava de todos nós como se de um filho se tratasse -incluindo o capelão. Hoje, o sacerdote na Missa referia os “enxovais” que preparava para os seminaristas, por quem tinha especial carinho – também nós, quando nos casámos, recebemos um enxoval da D. Gina, cheio do seu amor. A sua presença maternal, a sua voz sempre amável, as suas palavras bondosas - tudo isto deu, de tudo teremos saudades.

Morreu na capela que era “sua”, a fazer o que fez tão bem, toda a vida, a tratar de Jesus. Estava por perto quando soube da notícia e não resisti a ir lá para rezar naquele local que tanto nos diz. Estava lá o presépio, tão bonito, que todos os anos fazia, as flores arranjadas, as alfaias litúrgicas polidas e engomadas, a casa do Senhor que brilha como aquela alma. 

Ajoelhada, rezei e agradeci profundamente o dom da sua Vida, e procurando algum consolo, dirigi-me a um pequeno cesto na entrada, com frases de Santos para o Advento. Calhou-me esta, de S. Adalberto:

“Não estejais tristes. Sabeis que sofremos pelo nome do Senhor, cujo poder esta acima de todo o poder, cuja beleza supera toda a formosura, que tem autoridade inexprimível e bondade inefável. Na verdade, que há de mais belo e mais delicioso que dar a vida pelo dulcíssimo Jesus?”

A D. Gina sabia isto melhor do que ninguém.

Catarina Nicolau Campos


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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Os 10 mandamentos do advogado católico

1.  Ir à missa aos Domingos. 

2. Rezar todos os dias pelo menos um Pai-Nosso e uma Avé-Maria, pedindo a intercessão de Santo Ivo (padroeiro dos advogados).

3. Rezar pelo menos uma Avé-Maria ou uma Salve-Rainha (“advogada nossa”) imediatamente antes de uma audiência, requerendo a intercessão de santo Ivo (se os presentes forem todos católicos, após consulta ao juiz e aquiescência da parte contrária, nada obsta a oração conjunta na própria sala de audiência).

4. Auxiliar os pobres, preferidos de Jesus (Lc 4, 18), patrocinando-lhes as contendas gratuitamente, na medida do possível.

5. Nao se poupar a esforços em prol da conciliação entre o cliente e a outra parte no processo.

6. Não se esquivar a atender as demandas criminais (“Estive na prisão e fostes ter comigo” – Mt 25, 36).

7. Inscrever-se numa associação de advogados ou de juristas católicos.

8. Nunca deixar de ser um estudante de Direito, formando-se dia a dia.

9. Responder com generosidade às consultas jurídicas do seu bispo ou do seu pároco.

10. Ser humilde no falar e, principalmente no escrever, a fim de que as pessoas simples consigam compreender as petições, contestações, os apelos e os pareceres.

Edson Sampel in Zenit


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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O Crucifixo e o teu trabalho

Todos os dias fazemos coisas de que gostamos e coisas de que não gostamos. Coloquem um pequeno e discreto crucifixo perto do vosso trabalho. Na cozinha. Na lavandaria. Na vossa secretária do trabalho. Se estão com o portátil num café, abram um separador e procurem no google alguma das pinturas mais famosas da crucifixão e deixam-no aberto. Eis o meu para hoje:

Façam as vossas tarefas diárias à sombra da cruz. Aí vão encontrar felicidade e paz ao longo do dia.

Taylor Marshall


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domingo, 9 de novembro de 2014

Obrigado Cardeal Burke

Este senhor é o Cardeal Raymond Burke e foi, até ontem, o Prefeito (o chefe) do Tribunal da Assinatura Apostólica (o tribunal maior da Santa Sé, onde vão parar os últimos recursos). É um grande canonista e o seu trabalho à frente desse Tribunal foi impecável ao longo destes anos.

O Cardeal vai agora deixar o Vaticano para passar a ser o patrono da Ordem de Malta, um cargo honorífico normalmente reservado a cardeais em fim de carreira. Burke ainda é novo, tem “apenas” 66 anos.

No dia seguinte à canonização do Papa João Paulo II fui ao seu escritório, com mais 20 jovens portugueses, e é indescritível a gentileza com que nos recebeu, a riqueza das palavras que nos dirigiu e a paciência com que respondeu às inúmeras perguntas daquela gente toda.

Há duas semanas vi-o a atravessar a Praça de São Pedro. Era acompanhado por um círculo gigante de pessoas que o rodeava para lhe contar coisas, talvez problemas das suas vidas, para lhe fazer perguntas ou simplesmente para tirar fotografias com ele. E o Cardeal, com perseverança e um sorriso, a todos atendia.

Em Roma existe uma Marcha pela Vida todos os anos em Maio. É preparada com bastante antecedência, começa a ser publicitada em Novembro do ano anterior, e já todos sabem quando é. Obviamente, sendo em Roma, são convidados todos os prelados que se encontram por cá.

Apesar da marcha ser sempre num Domingo de manhã - quando supostamente ninguém trabalha - dos inúmeros cardeais e bispos que vivem nesta cidade, o Cardeal Burke foi o ÚNICO que estava na marcha para defender a vida dos bebés inocentes que são abortados.

Não sei o que é que isto diz da nossa Igreja mas sei muito bem o que diz deste grande Cardeal (como lhe chamou há poucos dias o Papa Bento XVI).

João Silveira

Aqui fica uma petição para quem quiser agradecer o seu trabalho na Cúria: Obrigado Cardeal Burke


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sábado, 8 de novembro de 2014

Judas Iscariotes e os católicos a 95% - Pe. Gonçalo Portocarrero

Era uma vez um empresário de sucesso, que se gabava de ser 95% católico. Quando alguém lhe perguntou a razão dessa percentagem, explicou:

– É que é com os restantes 5% que me governo!

A história, como diriam os italianos, si non è vera, è bene trovata. De facto, retrata quem, dizendo-se cristão, não vive, na sua actividade profissional, as exigências éticas da fé em Cristo. São, talvez, praticantes de alguns ritos, certamente necessários para uma coerente vida cristã, mas não de certos princípios morais, que são essenciais para um católico. São até capazes de dar à Igreja, uma vez por outra, uma esmola avultada, mas esquecem que a sua principal contribuição deveria ser o testemunho da sua integridade moral.

Toda a gente reconhece, com razão, que não faz sentido que um católico não vá à missa dominical, mas nem todos detectam a incoerência de quem reduz a vivência da sua fé à participação semanal na eucaristia e não honra, na sua vida pessoal, profissional e social, as implicações morais da religião que diz professar. É uma falácia afirmar que é preferível não ir à igreja e viver a caridade, do que ir à missa e não cumprir o mandamento novo, porque é óbvio que uma falta não se pode justificar com um acto virtuoso, por mais leve que aquela seja, ou mais santo que este possa ser, ou parecer. Mas pode-se dizer, sem exagero, que uma crença, mais do que para celebrar religiosamente uma vez por semana, é para viver todos os dias.

Um fiel que seja um professor incompetente, um fiscal corrupto, um empresário desonesto, um marceneiro negligente, ou um estudante cábula, não é, apenas, um mau profissional, mas também e sobretudo um mau cristão. A qualidade do trabalho é condição necessária para a realização humana e espiritual do trabalhador e, consoante a perfeição técnica e ética da sua obra, assim é quem a realiza. Como dizia Etienne Gilson, foi a fé e a geometria que elevaram as sés da Idade Média. Sem religião, não haveria catedrais, mas sem trabalho também não. Só um labor de excelência pode ser, efectivamente, um acto de louvor a Deus e uma obra de arte.

A um funcionário público, a um advogado, ou a um comerciante cristão pede-se, em primeiro lugar, que seja honesto, sério, competente. Não basta que realize o seu trabalho com amor, porque também os ladrões amam … sobretudo os bens alheios!
Há já alguns anos, um jornalista estrangeiro foi a Varsóvia, onde ficou espantado com a devoção dos polacos. Quando o disse ao Cardeal Glemp, a quem também comentou que lhe tinham roubado a carteira, o então arcebispo de Varsóvia fez-lhe notar que a religiosidade cristã de um povo não se mede apenas pela sua participação em actos de culto, mas também e principalmente pela sua prestação ética: é este o critério que permite distinguir a verdadeira fé cristã dos seus sucedâneos, a religião genuína da mera beatice de sacristia. Caso contrário, poder-se-ia incorrer na hipocrisia do assaltante que, na quaresma, não fumava … mas roubava, claro!

Há erros de gestão que, certamente, revelam falta de competência, mas também má formação moral. A inépcia técnica não se pode desculpar sem se ser cúmplice das suas consequências éticas. Quem, por incúria, leva uma empresa à falência, é moralmente responsável pelas gravosas consequências sociais desse fracasso. Não se trata apenas de um infortúnio dos negócios, mas de uma grave irresponsabilidade moral, que não pode, nem deve, ficar impune.

Também de Judas Iscariotes se poderia dizer que era 95% cristão: deixou tudo para seguir o Mestre, ouviu os seus sermões, participou nas suas orações, assistiu aos seus milagres, etc. Mas, à margem da sua vida de apóstolo, São João esclarece que roubava e não se importava com os pobres. Porque era avarento e ladrão, vendeu Cristo por trinta dinheiros. O pouco que lhe faltou para ser verdadeiramente cristão – os tais 5%! – chegou e sobrou para trair Jesus e cair na desesperação.

in Observador


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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Olá, queres congelar os teus óvulos? Eu pago, não te preocupes!

A Apple e o Facebook ofereceram-se para pagar o congelamento de óvulos das suas funcionárias. São tão generosos, não são? Mesmo queridos, dar assim dinheiro às senhoras, apenas interessados no seu bem-estar.

Acho que estas duas empresas são fortes candidatas ao prémio Nobel da Paz, depois desta proposta tão altruísta.

Para uma mulher, nada como trabalhar como se não houvesse amanhã enquanto é nova, estoirar-se toda, a bem da empresa, e depois, quando já não for tão útil, pode ir ter filhos à vontade, os óvulos estão ali congeladinhos à espera.

Afinal de contas quem é que quer ser mãe quando pode ser avó? Ser avó é muito mais giro: só se diz coisas agradáveis às crianças, dá-se chocolates à vontade e salta-se aquela parte aborrecida de fazer cara de má, ter que dizer que não, e correr atrás dos cachopos.

Assim como assim sabe-se que os velhinhos são como as crianças, por isso podem aproveitar para passar juntos essa fase da vida, tão diferente mas tão igual. Até dizem que se comprarmos fraldas às dúzias é mais barato, isto é só vantagens!

A primeira metade da vida? Essa foi dedicada à carreira e à empresa, que bem precisa, coitadinha. A partir da meia-idade é que vai ser ter filhos à grande, vai ser à fartazana!

A Humanidade tem que agradecer à Apple e ao Facebook por provarem mais uma vez que tudo o que pode ser feito DEVE ser feito, a bem da conta bancária e da capitalização bolsista.

João Silveira


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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O novo treinador da selecção nacional de futebol: Um homem de fé

Não o esconde, nunca o escondeu: Fernando Santos é católico praticante, cursista, e todas as semanas, no Porto, se reúne com os muitos que procuram pela fé a força e a paz interior para enfrentar o seu dia a dia.

Como é que Fernando Santos transpõe tudo isso, domingo a domingo, para um campo de futebol onde, naturalmente, é sempre preciso ganhar, vencer o opositor...

Fernando Santos: Isso não contradiz em nada as minhas convicções religiosas. Em nada, mesmo. Aliás, o Evangelho diz claramente que nós devemos procurar ser sempre melhores, o que não devemos é fazer isso na disputa com os outros, pisando-os, ultrapassando-os, usando quaisquer métodos ou meios para atingir os fins! E propõe-nos que sejamos na vida melhores cidadãos, melhores cristãos, melhores em termos de família, de pai, de filho. Ora, se nos propõe tudo isto, se nos pede sermos melhores cidadãos, impõe que respeitemos os direitos dos outros procurando, por meios naturais, ser também melhor, para ser um bom exemplo.

Nesse aspecto não me parece que a fé e a profissão colida nalguma coisa. A mim ajuda-me bastante porque me dá a paz interior - comigo e não só comigo - muito importante para a vida profissional.

Amar a Deus acima de todas as coisas e amar o próximo no sentido de o respeitar, são mandamentos que procuro cumprir mesmo nesta minha profissão.

Mas isso não quer dizer que não queira ser o melhor ou que abdique de o ser.

Porque se benze quando chega ao banco?

Fernando Santos: Porque entrego o meu trabalho a Deus. Faço isso todos os dias logo que me levanto.

Superstição?

Fernando Santos: Não tem nada a ver com isso. Zero com a superstição. Todos os dias, de manhã, ofereço o meu dia a Deus e ponho nas mãos Dele todas essas horas.

Quando me deito, agradeço-lhe tudo o que me deu. E no entanto os meus dias não têm só coisas boas, também têm coisas más. Mas isso só me leva a agradecer mais, a dizer-Lhe obrigado por estar vivo, obrigado por estar acordado, obrigado por poder trabalhar, obrigado, se calhar, pelas chatices que me Deste. No jogo, é um momento muito importante da minha vida e, ao benzer-me, estou a oferecer a Deus aquelas minhas horas de trabalho, para louvar de Deus e não para meu louvor. Tal como quando acaba o jogo me volto a benzer para agradecer a Deus aquele meu trabalho.

in jornal Record (2-I-2000)


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terça-feira, 13 de maio de 2014

Ai trabalha, trabalha!

O jornalista Andrea Tornielli conseguiu bisbilhotar a zona onde as câmaras da televisão já não entram e tirou a fotografia. A notícia tem três dias, no momento em que escrevo.

Junto à porta do quarto 201 da Casa de Santa Marta (o quarto do Papa Francisco), dorme um S. José de madeira, em cima de uma mesa. Entalados, por baixo, os bilhetinhos que o Papa lhe escreve.

Toda a gente sabe que o Papa Francisco tem uma confiança total em Nossa Senhora e em S. José. O entusiasmo acabou por contagiar toda a casa, dos monsenhores aos guardas suíços. Um dos colaboradores conta que o Papa lhe disse:

‒ «Sabes, é preciso ter paciência com estes carpinteiros: dizem que fazem um móvel em duas semanas e depois demoram um mês. Mas fazem-no e trabalham bem! É preciso é ter paciência...».

A imagem mede 40 cm e foi das poucas coisas que o Papa mandou vir de Buenos Aires. Aparentemente, S. José dorme, mas a imagem representa uma outra actividade, relatada no Evangelho: mais do que dormir, S. José escuta a voz de Deus durante a noite e dispõe-se a cumpri-la. É isso que interessa ao Papa.

Aliás, para uma figura que dorme, a imagem não pára quieta na sua mesa. Às vezes, quando o trabalho de S. José aperta, isto é, quando o número de bilhetinhos aumenta, a estátua fica empoleirada num monte de papelada.

‒ «O Santo Padre dá muito trabalho a S. José. A devoção já se pegou a todos os que trabalham à volta da residência de Francisco, incluindo os Guardas Suíços…».

Bento XVI tinha decidido introduzir em todas as orações eucarísticas uma referência a S. José, logo a seguir à invocação de Nossa Senhora, mas preferiu deixar o assunto ao seu sucessor. O Papa Francisco não perdeu tempo a confirmar a decisão.

No dia 5 de Julho de 2013, o Papa Francisco, acompanhado por Bento XVI, foi consagrar o Estado do Vaticano a S. José. A cerimónia também já estava programada no pontificado anterior, mas nem por isso teve menos significado:

‒ «S. José, (…) consagramos-te as fadigas e as alegrias de cada dia; consagramos-te as expectativas e as esperanças da Igreja; consagramos-te os pensamentos, os desejos e as obras: tudo se cumpra no Nome do Senhor Jesus».

O início deste pontificado deu-se a 19 de Março de 2013, festa de S. José, e, na homilia da Missa, o Papa Francisco sublinhou o significado dessa circunstância.

‒ «Nunca esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que, para exercer o poder, também o Papa se deve meter cada vez mais naquele serviço que culmina na Cruz. Deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de S. José e abrir os braços, como ele, para guardar todo o povo de Deus e acolher com afecto e ternura a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais débeis, os mais pequenos… só quem serve com amor sabe guardar!».

Há poucos dias, a crónica de Andrea Tornielli sobre o Primeiro de Maio no Vaticano centrou-se nesta mesa rústica, junto à porta 201 da Casa de Santa Marta, onde dorme um Papa e trabalha um S. José ‒ que parece dormir mas, afinal, trabalha bastante. Ai trabalha, trabalha!




José Maria C. S. André

in «Correio dos Açores», «Verdadeiro Olhar» (11-V-2014)


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terça-feira, 11 de março de 2014

D. Álvaro del Portillo explica como santificar o trabalho

Hoje, dia 11 de Março de 2014, faz 100 anos que nasceu o Venerável Álvaro del Portillo, 1º sucessor de S. Josemaria à frente da Prelatura do Opus Dei, que será beatificado no próximo dia 27 de Setembro.

Em comemoração do centenário do seu nascimento fica aqui um filme em que D. Álvaro explica como se deve fazer para santificar o trabalho:


(se não aparecerem legendas em português, podem-se activar em baixo à direita)

O actual Prelado da Obra, D. Javier Echevarria, também disse algumas palavras interessantes sobre D. Álvaro:
Sempre que ocorria algum aniversário importante, D. Álvaro costumava dirigir-se ao Senhor com esta oração: «Obrigado, perdão, ajuda-me mais». É natural supor que também atuasse de modo semelhante na efeméride do seu centenário. Aquelas palavras são uma excelente oração para nos dirigirmos à Santíssima Trindade: agradecendo os benefícios recebidos – são tantos!, muitos mais do que podemos imaginar – ; pedindo perdão pelas nossas faltas e pecados; solicitando a Sua ajuda para continuar a servir, mais e melhor, como servos bons e fiéis.  
Há anos, noutro aniversário desta data, D. Álvaro detinha-se a recordar o tempo decorrido. As suas considerações podem servir-nos para também nós falarmos com Deus, sobretudo quando, seja pelo que for, nos saltem aos olhos as nossas faltas e debilidades de forma mais patente. Eram e são expressões que enchem de esperança. «Ao contemplar o calendário da minha vida, dizia, penso nas folhas passadas. São passadas mas não atiradas ao cesto dos papéis, porque perduram aos olhos de Deus. Tantos benefícios do Senhor! Já antes de nascer me preparou uma boa família cristã, que me proporcionou uma boa formação. Depois, tantos acontecimentos que marcaram a minha existência. Acima de todos, o encontro com o nosso Padre, que mudou por completo a minha vida, de forma muito rápida. E os quase quarenta anos de contacto próximo e constante com o nosso Fundador…».
in opusdei.pt


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terça-feira, 6 de novembro de 2012

O sucesso - São João Crisóstomo

Se hoje não tiver persuadido o meu auditório, talvez o venha a fazer amanhã, daqui a três ou quatro dias, ou até mais tarde. O pescador que inutilmente tenha lançado as redes o dia todo, à noitinha, antes mesmo de partir, por vezes apanha o peixe que não conseguiu apanhar durante o dia. E, mesmo que não obtenha boas colheitas durante vários anos, o agricultor não deixa de trabalhar a terra, porque acontece amiúde num só ano conseguir suplantar com abundância todas as perdas anteriores.

Deus não nos pede para sermos bem-sucedidos, mas para sermos trabalhadores, e o nosso trabalho não será menos recompensado só porque ninguém nos escuta. [...] Cristo sabia muito bem que Judas não converteria e, no entanto, tentou convertê-lo até ao fim, censurando-lhe a sua falta nos mais tocantes termos: «Amigo, a que vieste!» (Mt 26,50 [Vulgata]); ora, se Cristo, modelo dos pastores, trabalhou até ao fim na conversão dum homem desesperado, o que não devemos nós fazer por aqueles nos quais nos é pedido que ponhamos sempre a nossa esperança?


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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Para quem se anda sempre a queixar do trabalho

O trabalho é a vocação original do homem; é uma bênção de Deus; e enganam-se lamentavelmente aqueles que o consideram um castigo. O Senhor, o melhor dos pais, colocou o primeiro homem no Paraíso – "ut operaretur", para trabalhar. (Sulco, 482)

O trabalho acompanha necessariamente a vida do homem sobre a terra. Com ele nascem o esforço, a fadiga, o cansaço, as manifestações de dor e de luta que fazem parte da nossa existência humana actual e que são sinais da realidade do pecado e da necessidade da redenção. Mas o trabalho, em si mesmo, não é uma pena nem uma maldição ou castigo: os que assim falam não leram bem a Sagrada Escritura.

É a hora de nós, os cristãos, dizermos bem alto que o trabalho é um dom de Deus e que não tem nenhum sentido dividir os homens em diversas categorias segundo os tipos de trabalho, considerando umas tarefas mais nobres do que outras. O trabalho, todo o trabalho, é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação. É um meio de desenvolvimento da personalidade. É um vínculo de união com os outros seres; fonte de recursos para sustentar a família; meio de contribuir para o melhoramento da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a Humanidade.

Para um cristão, essas perspectivas alargam-se e ampliam-se, porque o trabalho aparece como participação na obra criadora de Deus que, ao criar o homem, o abençoou dizendo-lhe: Procriai e multiplicai-vos e enchei a terra e subjugai-a, e dominai sobre todo o animal que se mova à superfície da terra. (Cristo que passa, 47)
S. Josemaria Escrivá


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