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domingo, 6 de abril de 2025

Exame de consciência para adultos

Como se Confessar:

Antes de mais, é preciso examinar bem a consciência. Depois, dizer ao sacerdote que pecados específicos se cometeu, e, com a maior exactidão possível: quantas vezes cometeu aqueles pecados desde a última boa confissão. Só se é obrigado a confessar os pecados mortais. No entanto, a confissão dos pecados veniais ajuda muito a evitar o pecado e a avançar em direcção ao Céu. Se houver dúvida sobre se um pecado é mortal ou venial é melhor referir ao confessor a dúvida. 

Condições necessárias para um pecado ser mortal:

1. Matéria grave;
2. Pleno conhecimento;
3. Pleno consentimento da vontade.

Considerações preliminares:

1. Alguma vez deixei de confessar um pecado grave, ou conscientemente disfarcei ou escondi um tal pecado? Nota: Esconder deliberadamente um pecado mortal invalida a confissão, e é igualmente pecado mortal. Lembre-se que a confissão é privada e sujeita ao Sigilo da Confissão, o que quer dizer que é pecado mortal um sacerdote revelar a quem quer que seja a matéria de uma confissão.
2. Alguma vez fui irreverente para com este Sacramento, não examinando a minha consciência com o devido cuidado?
3. Alguma vez deixei de cumprir a penitência que o sacerdote me impôs?
4. Tenho quaisquer hábitos de pecado grave que deva confessar logo no início (por exemplo, impureza, alcoolismo, etc.)?

Primeiro Mandamento:  Eu sou o Senhor teu Deus, Não terás deuses estranhos perante Mim (incluindo pecados contra a Fé, Esperança e Caridade)

1. Descuidei o conhecimento da minha fé, tal como o Catecismo a ensina, tal como o Credo dos Apóstolos, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, o Pai Nosso, etc?
2. Alguma vez duvidei deliberadamente de algum ensinamento da Igreja, ou o neguei?
3. Tomei parte num acto de culto não católico?
4. Sou membro de alguma organização religiosa não católica, de alguma sociedade secreta ou de um grupo anticatólico?
5. Alguma vez li, com consciência do que fazia, alguma literatura herética, blasfema ou anticatólica?
6. Pratiquei alguma superstição (tal como horóscopos, adivinhação, tábua Ouija, etc.)?
7. Omiti algum dever ou prática religiosa por respeitos humanos?
8. Recomendo-me a Deus diariamente?
9. Tenho rezado fielmente as minhas orações diárias?
10. Abusei os Sacramentos de alguma maneira? Recebi-os com irreverência, como, por exemplo, a Comunhão na mão sem obedecer aos princípios e às sete regras promulgadas por Paulo VI como sendo obrigatórias neste caso?
11. Trocei de Deus, de Nossa Senhora, dos Santos, da Igreja, dos Sacramentos, ou de quaisquer coisas santas?
12. Fui culpado de grande irreverência na igreja, como, por exemplo, em conversas, comportamento ou modo como estava vestido?
13. Fui indiferente quanto à minha Fé Católica — acreditando que uma pessoa pode salvar-se em qualquer religião, ou que todas as religiões são iguais?
14. Presumi em qualquer altura que tinha garantida a misericórdia de Deus?
15. Desesperei da misericórdia de Deus?
16. Detestei a Deus?
17. Dei demasiada importância a alguma criatura, actividade, objecto ou opinião?

Segundo Mandamento: Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão

1. Jurei pelo nome de Deus falsamente, impensadamente, ou em assuntos triviais e sem importância?
2. Murmurei ou queixei-me contra Deus (blasfémia)?
3. Amaldiçoei-me a mim próprio, ou a outra pessoa ou criatura?
4. Provoquei alguém à ira, para fazê-lo praguejar ou blasfemar a Deus?
5. Quebrei uma promessa feita a Deus?

Terceiro Mandamento: Santificar Domingos e Dias Santos de guarda

1. Faltei à Missa nos Domingos ou Festas de guarda?
2. Cheguei atrasado à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saí mais cedo por minha culpa?
3. Fiz com que outras pessoas faltassem à Missa nos Domingos e Dias Santos de guarda, ou saíssem mais cedo, ou chegassem atrasados à Missa?
4. Estive distraído propositadamente durante a Missa?
5. Fiz ou mandei fazer trabalho servil desnecessário num Domingo ou Festa de guarda?
6. Comprei ou vendi coisas sem necessidade nos Domingos e Dias Santos de guarda?

Quarto Mandamento: Honra o teu pai e a tua mãe

1. Desobedeci aos meus pais, faltei-lhes ao respeito, descuidei-me em ajudá-los nas suas necessidades ou na compilação do seu testamento, ou recusei-me a fazê-lo?
2. Mostrei irreverência em relação a pessoas em posições de autoridade?
3. Insultei ou disse mal de sacerdotes ou de outras pessoas consagradas a Deus?
4. Tive menos reverência para com pessoas de idade?
5. Tratei mal a minha mulher ou os meus filhos?
6. Fui desobediente ao meu marido, ou faltei-lhe ao respeito?
7. Sobre os meus filhos:
a) Descuidei as suas necessidades materiais?
b) Não tratei de os fazer baptizar cedo? *(Veja-se em baixo)
c) Descuidei a sua educação religiosa correta?
d) Permiti que eles descuidassem os seus deveres religiosos?
e) Consenti que se encontrassem ou namorassem sem haver hipótese de se celebrar o matrimónio num futuro próximo? (Santo Afonso propõe um ano, no máximo).
f) Deixei de vigiar as companhias com quem andam?
g) Deixei de discipliná-los quando necessitassem de tal?
h) Dei-lhes mau exemplo?
i) Escandalizei-os, discutindo com o meu cônjuge em frente deles?
j) Escandalizei-os ao dizer imprecações e obscenidades à sua frente?
k) Guardei modéstia na minha casa?
l) Permiti-lhes que usassem roupa imodesta (mini-saias; calças justas, vestidos ou camisolas justos; blusas transparentes; calções muito curtos; fatos de banho reveladores; etc.)?
m) Neguei-lhes a liberdade de casar ou seguir uma vocação religiosa?
* As crianças devem ser baptizadas o mais cedo possível. Além das prescrições diocesanas particulares, parece ser a opinião geral ... que uma criança deve ser baptizada cerca de uma semana ou dez dias a seguir ao nascimento. Muitos católicos atrasam o baptismo por quinze dias ou um pouco mais. A ideia de administrar o Baptismo nos três dias que se seguem ao parto é demasiado estrita. Santo Afonso, seguindo a opinião geral, pensava que um atraso não justificado de mais de dez ou onze dias a seguir ao parto seria um pecado grave. Segundo o costume moderno, que é conhecido e não corrigido pelos Ordinários locais, um atraso de mais de um mês sem motivo seria um pecado grave. Se não houve perigo aparente para a criança, os pais que atrasem o baptismo por três semanas, pouco mais ou menos, não podem ser acusadas de pecado grave, mas a prática de baptizar o recém-nascido na semana ou dez dias que se seguem ao parto deve recomendar-se firmemente; e, de facto, pode mesmo recomendar-se um período ainda mais curto. — H. Davis S.J., Moral and Pastoral Theology, Vol. III, pg. 65, Sheed and Ward, New York, 1935

Quinto Mandamento: Não matarás 

1. Procurei, desejei ou apressei a morte ou o ferimento de alguém?
2. Alimentei ódio para com alguém?
3. Oprimi alguém?
4. Desejei vingar-me?
5. Provoquei a inimizade entre outras pessoas?
6. Discuti ou lutei com alguém?
7. Desejei mal a alguém?
8. Quis ferir ou maltratar alguém, ou tentei fazê-lo?
9. Recuso-me a falar com alguém, ou ressentimento de alguém?
10. Regozijei-me com a desgraça alheia?
11. Tive ciúmes ou inveja de alguém?
12. Fiz ou tentei fazer um aborto, ou aconselhei alguém a que o fizesse?
13. Mutilei o meu corpo desnecessariamente de alguma maneira?
14. Consenti em pensamentos de suicídio, desejei suicidar-me ou tentar suicidar-me?
15. Embriaguei-me ou usei drogas ilícitas?
16. Comi demais, ou não como o suficiente por descuido (isto é, alimentos nutritivos)?
17. Deixei de corrigir alguém dentro das normas da caridade?
18. Causei dano à alma de alguém, especialmente crianças, dando escândalo através de mau exemplo?
19. Fiz mal à minha alma, expondo-a intencionalmente e sem necessidade a tentações, como maus programas de TV, música reprovável, praias, etc.?

Sexto e Nono Mandamentos: Não cometerás adultério; não cobiçarás a mulher do próximo

1. Neguei ao meu cônjuge os seus direitos matrimoniais?
2. Pratiquei o controlo de natalidade (com pílulas, dispositivos intra-uterinos, interrupção)?
3. Abusei dos meus direitos matrimoniais de algum outro modo?
4. Cometi adultério ou fornicação (sexo pré-marital)?
5. Cometi algum pecado impuro contra a natureza (homossexualidade ou lesbianismo, etc.)?
6. Toquei ou abracei outra pessoa de forma impura?
7. Troquei beijos prolongados ou apaixonados?
8. Pratiquei a troca prolongada de carícias?
9. Pequei impuramente contra mim próprio (masturbação)?
10. Consenti em pensamentos impuros, ou tive prazer neles?
11. Consenti em desejos impuros para com alguém, ou desejei conscientemente ver ou fazer alguma coisa impura?
12. Entreguei-me conscientemente a prazeres sexuais, completos ou incompletos?
13. Fui ocasião de pecado para os outros, por usar roupa justa, reveladora ou imodesta?
14. Fiz alguma coisa, deliberadamente ou por descuido, que provocasse pensamentos ou desejos impuros noutra pessoa?
15. Li livros indecentes ou vi figuras obscenas?
16. Vi filmes ou programas de televisão sugestivos, ou pornografia na Internet, ou permiti que os meus filhos os vissem?
17. Usei linguagem indecente ou contei histórias indecentes?
18. Ouvi tais histórias de boa vontade?
19. Gabei-me dos meus pecados, ou deleitei-me em recordar pecados antigos?
20. Estive com companhias indecentes?
21. Consenti em olhares impuros?
22. Deixei de controlar a minha imaginação?
23. Rezei imediatamente, para afastar maus pensamentos e tentações?
24. Evitei a preguiça, a gula, a ociosidade, e as ocasiões de impureza?
25. Fui a bailes imodestos ou peças de teatro indecentes?
26. Fiquei sozinho, sem necessidade, na companhia de alguém do sexo oposto?

NB: Não tenhamos receio de confessar ao sacerdote qualquer pecado impuro que tenhamos cometido. Não escondamos ou tentemos disfarçá-lo. O sacerdote está ali para ajudar e perdoar. Nada do que possamos dizer o escandalizará; por isso, não tenhamos medo, por mais vergonha que tenhamos.

Sétimo e Décimo Mandamentos: Não roubarás; não cobiçarás os bens do teu próximo

1. Roubei alguma coisa? O quê, ou quanto?
2. Danifiquei a propriedade de outrem?
3. Deixei estragar, por negligência, a propriedade de outrem?
4. Fui negligente na guarda do dinheiro ou bens de outrem?
5. Fiz batota ou defraudei alguém?
6. Joguei em excesso?
7. Recusei-me a pagar alguma dívida, ou descuidei-me no seu pagamento?
8. Adquiri alguma coisa que sabia ter sido roubada?
9. Deixei de restituir alguma coisa emprestada?
10. Lesei o meu patrão, não trabalhando como se esperava de mim?
11. Fui desonesto com o salário dos meus empregados?
12. Recusei-me a ajudar alguém que precisasse urgentemente de ajuda, ou descuidei-me a fazê-lo?
13. Deixei de restituir o que roubei, ou obtive por embuste ou fraude? (Pergunte ao sacerdote como poderá fazer a restituição, ou seja, devolver ao legítimo dono o que lhe tirou).
14. Tive inveja de alguém, por ter algo que eu não tenho?
15. Invejei os bens de alguém?
16. Tenho sido avarento?
17. Tenho sido cúpido e invejoso, dando demasiada importância aos bens e confortos materiais? O meu coração inclina-se para as posses terrenas ou para os verdadeiros tesouros do Céu?

Oitavo Mandamento: Não levantarás falsos testemunhos contra o teu próximo

1. Menti a respeito de alguém (calúnia)?
2. As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais?
3. Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)?
4. Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas mas ocultas (maledicência)?
5. Revelei os pecados de outra pessoa?
6. Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)?
7. Dei crédito ou apoio à divulgação de escândalos sobre o meu próximo?
8. Jurei falso ou assinei documentos falsos?
9. Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas?
10. Lisonjeei outras pessoas? 

Oração para antes da Confissão: 

Senhor, iluminai-me para me ver a mim próprio tal como Vós me vedes, e dai-me a graça de me arrepender verdadeira e efectivamente dos meus pecados. Ó Virgem Santíssima, ajudai-me a fazer uma boa confissão.


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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

A Irmã Lúcia e o Cônsul português em Espanha

20 anos da morte da Irmã Lúcia, a mais velha dos pastorinhos. Vale a pena conhecer este episódio da sua vida - A Irmã Lúcia e o Cônsul português em Espanha

O contexto é: 1945, a Irmã Lúcia ainda era irmã doroteia em Tuy. É sobre um cônsul português em Espanha que, contrariado, acompanha a Embaixatriz Brasileira, numa visita ao convento. Durante esta visita foi mudando de opinião e passado alguns dias volta com a mulher.

Passaram toda a tarde sentados, à sombra, no jardim. O Senhor Cônsul contou à Irmã Lúcia, em síntese, o percurso da sua vida. De ideias comunistas e depois de ter exercido a diplomacia por vários países, onde essas ideias se tinham tornado mais arraigadas, tinha sido enviado para a Espanha, onde não se encontrava muito a seu gosto. Lúcia descreve-nos o tema da conversa:

- Exercendo a sua carreira, percorreu várias Nações; para esclarecer as suas ideias comunistas, fez algumas viagens à Rússia, e agora, dizia lamentando-se: «tive a infelicidade de ser enviado para uma nação onde o comunismo não é compreendido», e continuava lamentando a situação dos pobres, sujeitos a ser criados dos ricos, sem possibilidades para se elevar na sociedade igualando-se, etc. Depois de ter ouvido, interrompi e perguntei:

- Está o Sr. Cônsul disposto a distribuir todos os seus bens pelos pobres para que se elevem e se lhe igualem?

Depois de um momento de silêncio respondeu:

- Irmã, não é bem isso.

- Não é bem isso? Porque então acabámos nós de assistir em Espanha à morte violenta de tantos capitalistas, dizendo que era para distribuírem esses bens pelos pobres e nunca em Espanha se viu tanta miséria! Onde estão esses capitais?

- Vejo que a Irmã é uma adversária!

- Sim , Sr. Cônsul e não vale a pena discutir.

Aproveitando o momento, sem perder tempo, sempre com os olhos fitos no bem de quem dela se aproximava, perguntou ao Sr. Cônsul se tinha fé. Ele confessou não a ter perdido de todo, mas que já tinha esquecido tudo o que aprendera para a Primeira Comunhão. Por ser de Braga tinha muito devoção a Nossa Senhora do Sameiro – era a sua Madrinha.

Com a permissão da Superiora, a Irmã Dores foi buscar um catecismo que ofereceu ao seu ilustre visitante, pedindo que recordasse o Pai Nosso e a Avé Maria, enquanto ela faria dois terços, para ele e a esposa poderem rezar, e pediu a promessa de o fazerem. Então ouviu com surpresa que, às vezes, escutavam a transmissão das cerimónias de Fátima, e ele confessou que se comovia, ao ouvir aquela multidão a rezar.

Passados uns cinco meses do primeiro encontro, tiveram uma grande surpresa. Deixemos que a Pastorinha nos diga essa grande alegria. Foi no dia 8 de Abril de 1946.

Indo neste dia ao Consulado, por motivo de certa documentação, como de costume o Sr. Cônsul recebe-nos com singular satisfação e conduz-nos à sala de trabalho, aí disse:

- Sabe Irmã, estamos resolvidos a confessar-nos e a comungar, mas com a condição que a Irmã nos arranje um confessor português.

- Isso não é nada difícil. Aqui mesmo em Carvalhinho está um sacerdote português que costuma vir a Tuy com certa frequência. É franciscano, Fr. Luís, vou ver se ele poderá para o próximo dia 13, aniversário do seu casamento, não acha que seria uma linda maneira de festejar esse dia?

- Ó! E como foi a Irmã lembrar-se dessa data?

E notei que se comovia.

De volta a casa, contactou o Sacerdote que se disponibilizou não só a confessar o casal, mas a fazer-lhes uma boa preparação, durante três dias para recomeçarem a sua vida cristã. E no dia 13 de manhã, a Irmã Dores teve a consolação de os ver à Mesa da Comunhão, depois de se terem confessado na capela da casa de Tuy. Que alegria para o seu coração poder ajudar a reencaminhar estas almas a Deus!

in 'Um caminho sob o olhar de Maria', cap. 14, p.288


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

terça-feira, 16 de abril de 2024

O que é a Confissão e quem está obrigado a confessar-se?

CONFISSÃO SACRAMENTAL é a acusação dos pecados próprios, cometidos depois do Baptismo, feita ao legítimo Sacerdote para receber a absolvição. 

Os homens como as mulheres, ou sejam crianças ou velhos, pobres ou ricos, sábios ou ignorantes, sãos ou enfermos, desde que chegam ao uso da razão e enquanto conservam o uso do discernimento, têm obrigação de confessar os seus pecados pelo menos uma vez cada ano

Para obter o perdão dos pecados no sacramento da Penitência é necessário acusar todos os pecados mortais cometidos e as circunstâncias que mudam a espécie de pecado. O cristão  que se quer confessar deve: a) fazer exame de consciência; b) ter arrependimento ou contrição de todos os seus pecados; c) confessar todos os pecados de que se recordar; d) estar disposto a cumprir a penitência que o
Confessor lhe impuser e cumpri-la sem demora. 

A contrição é de tal modo necessária para obter o perdão do pecado que sem ela, diz S. Tomás, nem mesmo um pecado venial pode ser perdoado. E a contrição para ser sincera há de ser acompanhada do propósito firme, que o penitente terá de não tornar a pecar.

O Confessor tem obrigação de dar a absolvição ao penitente que julga estar bem disposto, e tem obrigação de a negar àquele que julga ser incapaz ou indigno da absolvição. Incapazes da absolvição são: os perpetuamente dementes, os não batizados, os que já estão mortos, os que ignoram as verdades absolutamente necessárias para a salvação. 

Indignos são: os que não dão nenhum sinal de arrependimento; os que se recusam a acabar com os ódios e inimizades, ou a restituir o alheio podendo fazê-lo; os que não querem deixar a ocasião próxima do pecado ou não querem corrigir-se de algum pecado; os que deram escândalo público, a não ser que acabem com o escândalo e o retratem publicamente. 

O lugar próprio da confissão sacramental é a igreja ou capela pública ou semi-pública. As mulheres não se devem confessar fora do confessionário, a não ser por motivo de enfermidade ou por causa de verdadeira necessidade. 

Padre José Lourenço in 'Dicionário da Doutrina Católica'



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segunda-feira, 18 de março de 2024

É agora o tempo da confissão - São Cirilo de Jerusalém

É agora o tempo da confissão. Confessa os teus pecados de palavra e de acção, os da noite e os do dia. Confessa-os neste «tempo favorável» e, no «dia da salvação» (Is 49,8; 2Co 6,2), recebe o tesouro celeste. Deixa o presente e crê no futuro. 

Andaste tantos anos sem parares os teus trabalhos vãos aqui da terra, e não podes parar quarenta dias para te ocupares do teu próprio fim? «Parai! Reconhecei que Eu sou Deus», diz a Escritura (Sl 46,11). Renuncia ao chorrilho de palavras inúteis, não digas mal nem escutes o maldizente, mas dispõe-te desde já a rezar. 

Mostra, na ascese, o fervor do teu coração; purifica esse receptáculo, para receberes uma graça mais abundante. Porque a remissão dos pecados é dada de modo igual a todos, mas a participação no Espírito Santo é concedida segundo a medida da fé de cada um. Se não te esforçares, recolhes pouco; se te esforçares muito, grande será a tua recompensa. És tu próprio que estás em jogo; vela pelos teus interesses.

Se tens um agravo contra alguém, perdoa-lhe. Acabas de receber o perdão dos teus pecados; impõe-se, portanto, que também perdoes o pecador, senão como dirás ao Senhor: «perdoa-me os meus muitos pecados», se tu próprio não perdoares ao teu companheiro de trabalho algumas faltas que tenha cometido contra ti?

in 'Catequese para o baptismo', nº 1, §5


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quinta-feira, 14 de março de 2024

A Confissão prepara-nos para a Páscoa

Porque foi, meus irmãos, que a Igreja estabeleceu o tempo santo da Quaresma? Dir-me-eis que foi para nos preparar para celebrar com dignidade o tempo santo da Páscoa, que é o tempo em que Deus parece redobrar as suas graças e excita o remorso da nossa consciência para nos arrancar do pecado.

Examinemos a questão de mais perto. Para fazermos uma boa confissão, que nos reconcilie com Deus, temos de detestar de todo o coração os nossos pecados, não porque queiramos escondê-los de nós mesmos; mas temos de nos arrepender de ter ofendido um Deus tão bom, de ter permanecido tanto tempo no pecado, de ter desprezado todas as suas graças, com as quais nos incitava a sair dele. É isto, meus irmãos, que nos deve trazer lágrimas aos olhos e partir-nos o coração. 

Diz-me, meu amigo, se tivesses esta dor verdadeira, não te apressarias a reparar o mal que a causou e a voltar rapidamente à graça de Deus? Que dirias de um homem que se desentendeu com um amigo, mas que, reconhecendo a sua falta, se arrepende imediatamente: não tentará encontrar maneira de se reconciliar com ele? Se o amigo o abordar para esse efeito, não aproveitará a oportunidade? E se, pelo contrário, ele desprezasse tudo isso, não terias razão em dizer que não se importa de estar de bem ou de mal com essa pessoa? A comparação é sensata. 

Poderá uma pessoa que teve a infelicidade de cair em pecado, seja por fraqueza ou por surpresa, ou mesmo por malícia, se realmente se arrependeu, permanecer nesse estado por muito tempo? Não recorrerá imediatamente ao sacramento da Penitência?

Suspiremos sem cessar pela nossa verdadeira pátria, que é o céu, nossa glória, nossa recompensa e nossa felicidade. É isto que vos desejo...

São João-Maria Vianney (Cura de Ars) in 'Sermão para o segundo Domingo de Páscoa'


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sexta-feira, 1 de março de 2024

Como lucrar Indulgências Plenárias na Quaresma

A doutrina Católica das indulgências do século XVI, durante a revolta de Lutero, é exactamente igual à doutrina das indulgências do século XXI. Ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1471) que:

"A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos"

Ou seja, toda a ofensa cometida por alguém tem duas componentes que devem ser tidas em conta:

1. É preciso pedir desculpa à pessoa ofendida e
2. É preciso saldar a dívida com essa mesma pessoa, isto é, reparar o mal que se fez.

Basta pensar no caso simples em que se rouba dinheiro a alguém: não basta pedir desculpa, é preciso também devolver o dinheiro roubado, especialmente se for uma quantia bem grande.

Ora, nesta vida, todo o mal que se faz é, em última análise, uma ofensa a Deus - e, como em todas as ofensas, para voltar a estar em perfeita relação com Deus, tem que se cumprir os dois pontos acima.

O problema, claro, é que Deus é um ser simples, não tem partes, logo uma ofensa a Deus ofende-o em toda a sua medida, que é uma medida infinita. O homem, sendo finito, nunca consegue reparar os seus pecados. A verdade é que devolver 1 milhão de euros a alguém já é complicado, mas infinitos euros é impossível.

Felizmente a história que o Cristianismo nos ensina nos Evangelhos é uma história que acaba bem. Surgiu um Homem que conseguiu reparar na medida infinita de Deus, precisamente por também ser Deus. Com a Sua Paixão, Jesus permitiu a cada homem saldar a dívida que tem para com Deus, por muito grande que ela fosse!

Como em tudo na vida, a vontade pessoal tem um papel preponderante e, portanto, é preciso dizer a Deus que sim, que queremos usar mesmo essas graças conquistadas por Cristo.

A maneira de fazer isto é, claro, indo aos sacramentos, mas também ganhando méritos com obras - obras de caridade, de piedade, ... - que permitem ganhar indulgências. Rezar uma Ave Maria, por exemplo, dá-nos uma indulgência parcial.

As indulgências podem ser parciais ou plenárias e, como o próprio nome indica, as parciais reparam parte da dívida que temos para com Deus e as plenárias reparam totalmente essa dívida.

A Igreja Católica, no seu poder e função de santificar o povo de Deus, permite-nos ganhar indulgências plenárias com determinados actos de piedade. Alguns deles estão descritos aqui.

A Quaresma, culminando no Tríduo Pascal, é também um tempo rico para se ganhar indulgências plenárias e ficarmos Santos. Aqui ficam as indulgências plenárias que se podem ganhar só na Quaresma:
  • Todas as 6ªs-feiras:  Rezar a oração En ego, o bone et dulcissime Iesu (Ó bom e dulcíssimo Jesus) depois de receber a Sagrada Comunhão, diante de uma imagem de Jesus crucificado.
  • Via-Sacra: Rezar as 14 estações da Via Sacra diante de estações legitimamente erigidas, meditando na Paixão de Jesus em cada uma delas;
  • 5ª-feira Santa: Rezar o Tantum Ergo (Veneremos Adoremos) depois da Santa Missa da Ceia do Senhor;
  • 6ª-feira Santa: Participar na celebração da Paixão, com a veneração da Cruz do Senhor;
  • Sábado Santo: Renovar os votos do Baptismo na Santa Missa da Vigília Pascal (também há indulgência plenária a quem o faz no aniversário do próprio Baptismo);
  • Domingo de Páscoa: Receber a benção que o Papa dá na Basílica de S. Pedro às 12h00m (GMT+1), ao vivo ou pelos meios de comunicação social, desde que seja em directo.
É importante lembrar que a indulgência não é o perdão dos pecados, mas apenas a reparação das penas que vêm dos pecados. Aliás, isso mesmo está explícito nas condições para se receber uma indulgência plenária. Para se a indulgência plenária ter efeito é preciso:

1. Ter uma disposição interior de afastamento total de todo o pecado, mesmo do pecado venial;
2. Estar confessado;
3. Receber a Sagrada Comunhão;
4. Rezar pelas orações do Santo Padre (pode ser qualquer uma, mas a Santa Sé recomenda um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria).

A Santa Sé também diz que é preferível que a Confissão e a Comunhão relativas à indulgência aconteçam no dia em que se pede a indulgência, mas pode ser antes ou depois (num intervalo máximo de 20 dias).

As indulgências plenárias só se podem receber uma vez por dia e só se podem aplicar ou à própria pessoa ou a alguém que já tenha morrido mas que ainda tenha penas para reparar, ou seja, que ainda esteja no Purgatório. Mais informações detalhadas pela Santa Sé podem ser encontradas aqui.

É importante reforçar que a Confissão é necessária para se receber a indulgência!

Nuno CB


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segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

A Confissão destrói o mau cheiro do pecado

O pecado só é vergonhoso quando o fazemos, mas sendo convertido em confissão e penitência é honroso e saudável. A contrição e a Confissão são tão formosas e de tal fragrância, que apagam a fealdade e desvanecem o mau cheiro do pecado.

São Francisco de Sales in Filoteia


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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

5 mitos sobre a Confissão

1. Ninguém se arrepende de se confessar, tenha sido fácil ou difícil

Pergunta a qualquer católico praticante, ele dirá que a confissão é uma das melhores coisas de se ser católico. A paz de limpar tudo para trás, de admitir a culpa e de ouvir que estás perdoado mesmo daqueles pecados é indescritível. Recorda que não são os teus pecados que dizem que tu és. Porém, eles vão continuar a moer-te até que Cristo os apague na confissão.

2. Não interessa há quanto tempo não te confessas 

A Bíblia – ou melhor, Jesus – diz, “Digo-vos Eu: haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão” (Lc 15,17). Garanto que não interessa quando foi a última confissão. O padre não te vai acusar e dizer "com que então andaste fugido, hem? Vai-te embora daqui!". Pelo contrário, quanto mais afastado tiveres estado, mais feliz vai ficar ao ver-te voltar. Se não sabes muito bem como é que é isso de te confessares, podes ler, descarregar, imprimir material que possa ajudar, nomeadamente exames de consciência.

Ou então ir à confissão, e dizeres ao padre que.não fazes lá muita ideia do que é tens que fazer. Vai-te confessar e diz ao Padre que não fazes ideia do que estás a fazer. Vais ver que ele até vai ficar contente por te poder ajudar. Acredita que foi o que eu fiz nos meus dois primeiros anos como católico, porque eu era demasiado preguiçoso para aprender o que é que tinha de fazer para me confessar como deve ser. Nunca me repreenderam. Para além disso é costume as orações estarem numa folha no confessionário que lá puseram para nossa ajuda. 

3. Podes confessar-te sob anonimato 

A Igreja quer que todos nós possamos, se quisermos, confessar-nos sem que ninguém saiba . Isto é, em muitos confessionários podes ter a opção de te ajoelhares junto de uma pequena janela de grade ou rede apertada de tal maneira que o padre não te vê. Também podes preferir, diferentemente, sentar-te numa cadeira em frente do sacerdote. Se, ainda assim, receias ser reconhecido pela voz, sempre podes ir confessar-te noutra paróquia, embora para dizer a verdade nenhum padre vai ficar impressionado contigo ou te vai julgar. 

4. Não há nada que possas dizer que o padre não tenha já ouvido 

Depois de anos a ouvir confissões podes confessar o que quer que seja que o padre não se vai escandalizar. De certeza que já ouviu pior. 

5. O padre nunca pode falar sobre a tua confissão, NUNCA, nem mesmo contigo 

É verdade. É o chamado “sigilo sacramental da confissão” (sigilo = selo): o que é dito no confessionário fica (selado) no confessionário. O Código de Direito Canónico de 1983 diz no cânone 983§1, “O sigilo sacramental é inviolável; pelo que o confessor não pode denunciar o penitente nem por palavras nem por qualquer outro modo nem por causa alguma.” 

Sublinho este ponto, porque é mesmo importante. Uma vez estava-me a confessar com o meu director espiritual. Durante a confissão, ele pediu-me para eu lhe voltar a falar, na próxima conversa fora da confissão, sobre um dos pontos que eu referi na confissão. Eu disse, “Senhor Padre, se eu me esquecer, lembre-me!". Ele chamou-me logo à atenção que isso não ia acontecer porque ele não podia referir nada que ouvisse numa confissão, mesmo que fosse falando comigo sobre coisas que tinha sido eu a contar. A Igreja insiste nisto por algumas razões. A melhor delas é para te sentires confortável e seres 100% sincero na confissão, sem estares preocupado de que algo seja revelado fora do confessionário. É um generoso dom que a Igreja nos deu e que vale a pena aproveitar. 

Ryan Eggenberger


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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Confissão, um Sacramento para todos



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Como distinguir os pecados mortais do pecados veniais?

1. Como é necessário sempre confessar os pecados mortais no sacramento da confissão, é preciso que se saiba claramente o que é, objectivamente, o pecado mortal.

2. Diga-se ainda que para a realização subjectiva de um pecado grave é necessária a presença simultânea de três condições: que exista matéria grave, plena consciência da mente e consenso deliberado da vontade.

3. A plena consciência da mente e o consenso deliberado da vontade dependem muito da condição de cada pessoa. Nesse sentido, estes dois factores têm de ser avaliados caso a caso.

4. Assim sendo, retenho-me a especificar em que consiste matéria grave.

5. Sobre este assunto os teólogos fazem uma distinção entre pecados sempre objectivamente graves (chamada matéria grave ex toto genere suo) e pecados geralmente graves (chamada matéria grave ex genere suo).

6. Esta distinção é importante porque no caso do primeiro género de pecados graves existe sempre matéria grave e logo nunca pode ser considerada matéria leve (non datur parvitas materiae), sendo portanto esses pecados sempre graves. No caso do segundo género pode ser que seja, o que acontece frequentemente, matéria leve (datur parvitas materiae).

7. Seguindo as indicações dos dez mandamentos, são colocados entre os pecados onde há sempre matéria grave:

Os pecados contra o primeiro mandamento: o abandono de Deus, o culto a Satanás, o recurso a mágicos e feiticeiros… formas graves de superstição, os pecados contra as virtudes teologais (heresia, apostasia, insubordinação às verdades da fé, desespero da salvação, presunção de salvação sem mérito, ódio a Deus e ao próximo, fazer mal deliberadamente ao próximo), a falta de oração habitual.

Os pecados contra o segundo mandamento: a blasfémia, o falso juramento, a violação de votos contraídos.

Os pecados contra o terceiro mandamento: não participar na Missa ao Domingo e nas outras festas obrigatórias (Natal, 1 de Janeiro, Corpus Christi, Assunção, Todos os Santos, Imaculada Conceição), receber a Sagrada Comunhão tendo pecados graves não confessados.

Os pecados contra o quinto mandamento, em todas os seus tipos: homicídio, suicídio, aborto, eutanásia, uso de substâncias estupefacientes, embriaguez, espancamento…

Os pecados contra o sexto mandamento, em todos os seus tipos: masturbação, fornicação, relações pré-matrimoniais e homossexuais, contracepção conjugal, adultério, violação, pedofilia...

8. Os antigos teólogos moralistas resumiam tudo isto em poucas palavras: há sempre matéria grave nos pecados contra as virtudes teologais, contra a virtude da religião, que engloba os três primeiros mandamentos e contra os preceitos da segunda tábua do decálogo que estejam relacionados com valores muito elevados (chamavam-lhes matéria indivisível).

9. São pecados graves no seu género, mas que podem ter matéria leve os outros pecados cometidos contra a segunda tábua da lei. Existe matéria leve quando não se viola substancialmente o preceito, continuando a manter para com o próximo um certo respeito. Vejamos quais são, nas suas espécies:

Os pecados contra o quarto mandamento, que manda honrar pai e mãe, numa única palavra todo o próximo. Ora, podem existir pequenas insignificâncias ou gozos em família, uma ou outra desobediência, uma ou outra palavra injuriosa… Mas quando se tratam de desentendimentos graves, litígios, faltas de respeito graves, desonras de familiares ou do próximo…então tratam-se de pecados graves. 

No quarto mandamento podemos incluir também os pecados da língua, como maledicências, mexericos que difamam o nosso próximo. Temos de distinguir duas coisas: alguns pecados mantêm substancialmente a honra do próximo, outros prejudicam-na gravemente. No primeiro caso tratam-se de pecados veniais, no segundo caso são pecados mortais.

Os pecados contra o sétimo mandamento, que proíbe roubar as cosias dos outros, ajudam-nos a perceber que se tem de fazer distinções, por exemplo entre roubar um saco de rebuçados (que continua a ser um roubo e portanto um pecado) e uma quantia consistente de dinheiro.

Os pecados contra o oitavo mandamento, que proíbe a mentira, obviamente engloba calúnias, acusações injustas feitas em tribunal…que são pecado grave. Pequenas mentiras ditas para defender-se o para evitar a agitação na família não vão para lá do pecado venial.

Os pecados contra o nono mandamento, que proíbe outros pecados contra a pureza. Se se tratam de pecados em que se planeia cometer pecados carnais com determinadas pessoas (mesmo se depois não se cumprem) tratam-se de pecados graves. Jesus disse que quem vê uma mulher e a deseja, cometeu adultério no seu coração. São também pecados graves o uso da pornografia, assistir a pornografia na internet… Um simples pensamento impuro, no qual não nos demoramos mas que não estamos igualmente prontos a repelir imediatamente é, por sua vez, um pecado venial… Neste mandamento estão incluídos também pecados de imodéstia no olhar e no falar. No geral são matéria leve (por exemplo, uso esporádico de linguagem vulgar) mas podem ser também matéria grave.

Os pecados contra o décimo mandamento proíbe até o simples planeamento de um furto, mesmo se não se vier a cumprir. Também aqui temos de considerar a quantidade de coisas que se está a querer roubar para determinar a gravidade.

10. Os antigos teólogos diziam que os pecados geralmente graves, mas nos quais pode existir matéria leve, são matéria divisível. Percebe-se o motivo desta distinção, pois há pecados que prejudicam substancialmente os bens materiais ou espirituais do nosso próximo, enquanto outros pecados só ofendem marginalmente, mantendo-o na sua substância.

11. Pecados veniais são, por sua vez, as acções que são boas, mas nas quais exageramos, como por exemplo a vanglória, o excessivo zelo por fazer boa figura, comer em demasia, permitir alguma gulosice ou perder tempo…

12. Para que não se veja neste catálogo simplesmente um quando moralista do que é pecado grave ou pecado venial, quero lembrar o motivo de fundo de o fazer: os pecado mortais rompem a comunhão com Nosso Senhor, perdendo a Graça, a sua intimidade e amizade. Numa só palavra, a nossa vontade não é consonante com a Sua em pontos importantes e decisivos da nossa vida. 

Os pecados veniais também não uma consonância com a Sua vontade mas o defeito neste caso é mais ligeiro, de certa forma pode-se dizer que é marginal. Sem dúvida que estes pecados não conduzem à santidade e não agradam ao Senhor, mas não contrariam e não destroem a comunhão de vida. 

Padre Ângelo


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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Quod non fecit Dominus fecit baculus

Santo Agostinho conta que um certo homem, não ouvia nem os conselhos nem as súplicas dos que procuravam convencê-lo a abandonar uma casa de má vida que frequentava com grande escândalo. Não quis saber de nada, dizendo que simplesmente não podia. 

Aconteceu que um dia, naquela mesma casa, lhe deram uma carga de pauladas das mais respeitáveis. Aquele homem abandonou no mesmo instante a casa ... a impossibilidade desapareceu subitamente.

Comenta Santo Agostinho: “Quod non fecit Dominus fecit baculus” (aquilo que Deus e o amor da alma não conseguiram conseguiu-o a bengala).

Pe. Luiz Chiavarino in 'Confessai-vos bem'


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Oração para uma boa Confissão

Oração para uma boa confissão (antes da confissão):

Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso Divino Filho e escarneci d'Ele. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para conVosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. 

Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Acto de Contrição (no final da confissão):

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Ámen.


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sexta-feira, 19 de maio de 2023

Padre Pio tinha o dom de saber os pecados das pessoas

Este Santo italiano tinha o dom de ler nas consciências, descobrindo aos penitentes os próprios pecados. Um desses casos passou-se com o Sr. Frederico Abresch: 

«Quando, em Novembro de 1928, fui procurar pela primeira vez o Padre Pio, não tinha Fé. Descendente de uma família protestante, violentamente anti-católica, fiz-me católico por razões de conveniência. As verdades da Fé deixavam-me indiferente; mas apaixonava-me pelas ciências ocultas. Iniciei-me no espiritismo, mas pareceram-me pouco concludentes as mensagens do além. Lancei-me então na magia, depois na teosofia e passei o meu tempo lendo livros sobre este assuntos. Para agradar à minha mulher, de tempos a tempos, aproximava-me dos sacramentos, mas sem convicção.

Um belo dia, ouvi falar do Padre Pio, um frade capuchinho, estigmatizado, que, segundo me contaram, realizava milagres. Movido pela curiosidade, pensando também na minha mulher, gravemente doente, em vésperas de fazer uma operação que a privaria para sempre da felicidade de poder ser mãe, decidi tentar a sorte. Dirigi-me a San Giovanni Rotondo. Nem vale a pena revelar a minha desconfiança, tratando-se de factos acontecidos na Igreja Católica, que, segundo a minha opinião, era um amontoado de superstições.

Deixou-me frio o primeiro contacto com o Padre Pio. Dirigiu-me algumas palavras, que me pareceram muito secas! Esperava um acolhimento mais afectuoso, depois de tão longa viagem. No entanto, decidi confessar-me. Mal me ajoelhei, o Padre disse-me imediatamente que nas minhas confissões precedentes eu tinha ocultado pecados graves. Perguntou-me se eu ali estava de boa fé. Respondi considerar a confissão uma boa instituição social, mas não acreditar no carácter sobrenatural do sacramento. Contudo, alguma coisa me levou a acrescentar: - Agora, Padre, acredito.

O Padre Pio calou-se um instante, depois, com uma expressão de dor indizível, exclamou: "Isso é heresia. Todas as suas confissões têm sido sacrílegas. É necessário fazer uma confissão geral. Faça um bom exame de consciência, lembrando-se de quando se confessou bem pela última vez. Jesus tem sido mais misericordioso consigo do que com Judas." Olhou-me com ar sereno e disse-me em voz alta: "Sejam louvados Jesus e Maria!" E foi para a igreja confessar as mulheres.

Fiquei sozinho na sacristia, profundamente impressionado. Não me saíam dos ouvidos as palavras do Padre: “Lembre-se de quando se confessou bem pela última vez...” É certo que, ao fazer-me católico fui baptizado “sob condição” e o baptismo tinha apagado todos os pecados da minha vida passada. Por ocasião do casamento fiz uma boa confissão. Mas, agora, para minha tranquilidade, decidi dizer todos os pecados, desde a minha infância. Tinha a cabeça em água, quando o Padre Pio reentrou na sacristia. Disse-me logo: "Vamos lá. Quando é que se confessou bem pela última vez?"

Comecei a balbuciar algumas palavras, mas ele interrompeu-me: "Confessou-se bem no regresso da sua viagem de lua-de-mel. Deixemos o resto e comecemos a partir desse momento." Eu estava pasmado. Mas o Padre Pio não me deixou tempo para eu reflectir. Em voz alta, sob a forma de perguntas precisas, começou a enumerar todos os meus pecados acumulados há tantos anos. Chegou a dizer-me o número exacto das Missas a que tinha faltado.

Depois de me recordar todos os pecados mortais, fez-me ver a gravidade dessas faltas e disse com um tom inesquecível: "Você cantava louvores a satanás, enquanto Jesus, no seu amor infinitamente carinhoso, se esforçava por salvá-lo." Depois de ter recebido a absolvição, senti-me tão feliz e tão leve que até parecia ter asas. Ao voltar à povoação, com os outros peregrinos, comportei-me como uma criança doida de alegria.

Humanamente falando, não há explicação para o que me aconteceu. O Padre Pio via-me pela primeira vez. Durante a confissão lembrou-me certos factos por mim totalmente esquecidos. Estava ao corrente dos mais pequenos pormenores e punha-os em relevo.»

A esposa doente do Sr. Frederico Abresch pediu a oração do Padre Pio e não precisou de fazer a operação urgente: foi curada! E tiveram o tão desejado filho que viria mais tarde a tornar-se Sacerdote. Nesta fotografia podemos ver o filho a dar a Sagrada Comunhão ao seu Pai.


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